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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

03
Jun18

A importância da compaixão para mudar o Brasil

Talis Andrade

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por Mário Lima Jr

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Acordar, pegar o celular e compartilhar uma frase irônica pra debochar dos amigos "coxinhas" ou "comunistas". Geralmente acompanha a frase uma foto ou vídeo completamente fora de contexto. Mais da metade da população está presente nas redes sociais e pode ser resumida assim a manifestação política mais frequente entre os brasileiros. É pouco pra mudar nosso fracasso social. O Brasil melhora quando um cidadão do país para de pensar em si mesmo, abandona a ironia barata e reconhece que nenhuma criança brasileira deve continuar na miséria, explorada sexualmente nas comunidades ribeirinhas nem drogada com solvente nas ruas das capitais.

 

Logo aqui, onde milhões de negros e índios foram massacrados por três séculos, o sentido de urgência para eliminar a pobreza não é popular. Pelo contrário: cotas raciais e programas assistenciais são covardemente combatidos por uma parcela da população e os direitos dos povos indígenas e quilombolas são ameaçados pelo Governo Temer. Práticas tão absurdas, e cruéis, quanto restringir o uso da água para combater um incêndio.

 

Agente de transformação universal, a força da opinião pública nacional é prejudicada pela secular falta de investimento na formação do indivíduo. Como então começar a mudar o Brasil agora, embora assaltado por Temer, se não for pela compaixão e por sua sede de justiça? É esse sentimento que move qualquer pessoa dedicada ao Brasil dentro dos movimentos sociais, coletivos e organizações não governamentais (e no Congresso Federal, claro).

 

Há um engasgo entre os brasileiros que impede a organização do pensamento. Um ódio contra jovens criminosos ao invés da vontade legítima de corrigir seu rumo. Em vez da reflexão e mea-culpa enquanto sociedade, o desejo de punir. Há uma angústia no ar, sofremos juntos mas buscamos soluções sozinhos, e também um clima denso e opressor de "cada um por si" refletido nas pesquisas de intenção de voto para Presidente da República, em outubro. Monstros pregadores da violência estão entre os mais votados.

 

Em dias tão negros - brasileiros voltaram a passar fome - lembrar que somos uma espécie capaz de amar equilibra uma balança cujo contrapeso é vasto: desemprego, racismo, exclusão. Oferecer abrigo ao morador de rua, um prato de comida ao faminto e até uma publicação de solidariedade no Facebook são mais dignos do que manipular o vídeo de uma entrevista com Luciana Genro e publicá-lo na Internet com o intuito de ridicularizar a Esquerda.

 

Nosso maior inimigo não é a corrupção, mas a vida nacional ter se desenvolvido em torno da pobreza e da violência e se habituado a elas ao ponto de desejarmos "bom dia" pelo WhatsApp, junto com balões e flores piscando, e logo em seguida curtirmos mensagens implorando intervenção militar no Twitter. A compaixão encerra o período de falhas seguidas da razão brasileira e derruba a ideia de antes ele, o pobre, do que eu.

 

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