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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

30
Ago18

A fria hora da execução

Talis Andrade

Pe Miguelinho no paredão1.jpg

 

Execução de Frei Miguelinho

 

 

por Fernando Brito

___

 

A ministra Rosa Weber, aquela que se preocupa com a delicadeza de “seguir o princípio da colegialidade” e votar contra o que – ao menos alegadamente – diz acreditar, resolveu “matar o mal pela raiz”.

 

Sem dizer claramente para o que é, marcou para sexta-feira uma sessão extraordinária do TSE que, na prática, será o fuzilamento da candidatura de Luís Inácio Lula da Silva à Presidência da República.

 

Não importa que a lei lhe garanta o direito de ser candidato se houver recurso plausível contra sua sentença.

Não importa que a ONU, através de seu comitê de Direitos Humanos, tenha exigido seu direito de candidatar-se.

Não importa que a maioria do povo brasileiro deseje, apesar de tudo o que se diz, dar-lhe o voto.

 

Roma não aceita que ele seja candidato e vença, como está claro que venceria, até pela boca de seus maiores inimigos.

Minto: nem em Roma, porque lá os melhores imperadores não voltavam o polegar para baixo quando a platéia do Coliseu clamava pelo gladiador derrubado.

 

O Judiciário brasileiro já há muito deixou “pra lá” o exercício de sua função de agir em nome do povo. Age em seu próprio nome e vontade, mesmo.

 

O novo presidente do STJ, João Otávio de Noronha, disse hoje que queremos ser “210 milhões de juízes” e que isso não pode ser tolerado, em nome do império dos “doutos”

Pois somos, excelência, somos 210 milhões de juízes dos que invocam o direito de usurpar nossa vontade e o dia haverá, ainda que na história, em que suas imunidades não os protegerão do julgamento destes 210 milhões.

 

Sexta-feira, não se iludam, os que querem ser donos da sua vontade, dos seus desejos, dos seus direitos, do seu voto decidirão que ele não pode ser dado a Lula.

O mesmo homem que, a vários deles, nomeou e deu poder, sem nunca lhes exigir submissão.

Não lhes pediu, mas não descobriu que eram submissos. Vassalos da mídia, vassalos das camadas dominantes, incapazes de porem retas suas colunas e dizer que a vontade do povo é soberana.

 

Vão disparar seus votos como o fariam com fuzis um pelotão de execução.

E, embora saibam, ainda não acreditam que nenhum corpo cairá à sua frente.

Ao contrário, levantar-se-á a vontade nacional, contra a qual nada podem.

 

Somos 210 milhões de juízes, sim, e em meio a este jogo de cartas marcadas e imundas, há um povo que, a comover o coração de quem ainda o tenha, está resistindo a esta camada de inúteis, para os quais a vontade popular é corrupta, burra e estúpida.

 

É o contrário.

Amanhã, proibindo Lula de ser candidato, os senhores e senhoras o elegerão, de alguma forma e não sem causar mais traumas a este país doído.

 

A pequenez de quem considera tão sábio – mas que não é capaz de ver o óbvio, que governos sem legitimidade, embora os senhores os considerem legalmente instituídos rapidamente se tornam isso que temos aí.

 

Mas os senhores dirão que têm objeções morais a Lula, que olha os pobres.

Mas nenhuma objeção a dormirem hoje, tranquilos, com seus aumentos embolsados.

Tripas forras das migalhas que lhes caem, por serem mansos.

 

 

 

 

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