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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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15
Mar18

A execução de Marielle Franco escancara a farsa da intervenção no Rio

Talis Andrade

 

 

marielle.jpg

 

por Kiko Nogueira/ DCM

 

 

Nove tiros assinalam o fracasso da intervenção militar no Rio de Janeiro.

 

Eles alvejaram a vereadora Marielle Franco, do Psol, assassinada no bairro do Estácio.

 

Aconteceu por volta das 21h30 na Rua Joaquim Palhares.

 

O motorista que estava com ela também foi morto. A assessora sobreviveu.

Nada foi roubado.

 

A Delegacia de Homicídios afirma que a principal linha de investigação é execução.

 

Marielle havia acabado de sair de um evento chamado “Jovens Negras Movendo as Estruturas”, na Rua dos Inválidos, na Lapa, e seguia para sua casa na Tijuca.

 

Um dia antes, ela postou nas redes sociais um libelo curto:

 

“Mais um homicídio de um jovem que pode estar entrando para a conta da PM. Matheus Melo estava saindo da igreja. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?”

 

Marielle era relatora da comissão que acompanha a intervenção no Rio.

 

No último dia 11, denunciou a violência policial na Favela de Acari.

 

“Precisamos gritar para que todos saibam o que está acontecendo em Acari nesse momento. O 41° Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro está aterrorizando e violentando moradores de Acari. Nessa semana dois jovens foram mortos e jogados em um valão. Hoje a polícia andou pelas ruas ameaçando os moradores. Acontece desde sempre e com a intervenção ficou ainda pior”, escreveu.

 

Marielle se apresentava como “cria da Maré” e foi a quinta vereadora mais votada em 2016, com 46 502 votos.

 

Socióloga formada pela PUC-Rio e mestra em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense, teve dissertação de mestrado com o tema “UPP: a redução da favela a três letras”.

 

Torna-se agora, morta, símbolo de uma guerra antiga e sem fim, maquiada por um governo corrupto e incompetente com tanques e soldados investindo sobre os suspeitos de sempre.

 

Segurança pública? Onde? Para quem?

 

“Quem cala sobre teu corpo consente na tua morte”, cantava Milton Nascimento.

 

Agora, mais do que nunca, é hora de não se calar.

 

 

 

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