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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

08
Mar20

Na Baixada Santista 42 mortos, 36 desaparecidos, e Bolsonaro foi beijar a mão de Trump

Talis Andrade

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e o presidente dos EUA, Donald Trump, durante jantar na Flórida - Jim Watson/AFP

É muita trabalheira. Eita vida cansada

 

Mais um corpo foi encontrado hoje (8) no sexto dia de buscas por pessoas que foram soterradas após deslizamentos na região da Baixada Santista, no temporal da última segunda-feira (2). Com isso, já são 42 as vítimas encontradas sob os escombros. Há ainda 36 desaparecidos. As buscas, neste domingo, ocorrem somente na cidade do Guarujá, pois não há mais desaparecidos em Santos e em São Vicente.

Como nenhuma autoridade liga para os pobres mortos pobres, o governador estava de passeio na Oropa, e Bolsonaro pegou o avião presidencial e danou-se para as bandas dos Estados Unidos,  e com as bênçãos de Trump foi tratar de negociatas de cassino, a último esperança para levantar o pibinho lá dele, do governo dele e de Paulo Guedes, de Moro e dos generais de pijama.

O que se sabe do encontro dos dois guerreiros é que trataram da política de entrega do petróleo venezuelano. E como sempre, Trump prometeu vender armas sucateadas para o Brasil entrar na guerra, e derrubar Maduro. "O Brasil está realmente fazendo as coisas bem, deu uma virada", uma bunda canastra disse Trump.

17
Out19

Familiares de vítimas de Brumadinho denunciam TÜV Süd na Alemanha. Rompimento da barragem deixou 270 mortos

Talis Andrade

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Avalanche de lama. O rompimento da barragem em Brumadinho liberou milhões de toneladas de lama e resíduos, que mataram dezenas de pessoas, soterraram casas, carros e estradas e destruíram o meio ambiente. A TÜV Süd comunicou que realizou uma inspeção da barragem em nome da Vale em setembro de 2018

 

Deutsche Welle - Familiares de mortos após o rompimento de uma barragem da Vale em Brumadinho em janeiro apresentaram uma denúncia na Alemanha contra a certificadora alemã TÜV Süd e um diretor da empresa no país, sob acusações de de homicídio culposo, negligência e corrupção. A tragédia deixou 270 mortos.

A Procuradoria de Munique confirmou à agência de notícia alemã dpa nesta quinta-feira (17/10) que a denúncia foi recebida, detalhando que as acusações feitas são de corrupção em transações comerciais por omissão, negligência causadora de inundação e homicídio culposo por omissão.

A denúncia foi apresentada em Munique por cinco mulheres que perderam o marido, o pai ou um filho no desastre, junto com o Centro Europeu para Direitos Constitucionais e Humanos (ECCHR, na sigla em inglês) e a organização católica de ajuda humanitária Misereor. Cabe agora à Promotoria alemã examinar o caso e decidir se moverá uma ação.

"O processo na Alemanha não deve eximir a mineradora Vale de sua responsabilidade, mas queremos deixar claro que a TÜV Süd também é responsável pelas muitas mortes. O caso mostra que o sistema de certificação não garante somente a segurança, mas sobretudo oculta responsabilidades", destacou a jurista Claudia Müller-Hoff do ECCHR, em comunicado.

A TÜV Süd atestou a estabilidade da barragem em junho e em setembro de 2018. Segundo revelou nesta quarta-feira (16/10) uma reportagem da emissora alemã ARD, o diretor alemão da TÜV Süd que é alvo da denúncia viajava cerca de uma vez por mês ao Brasil, onde supervisionava a equipe local da certificadora e tinha conhecimento dos contratos. Investigações do Ministério Público brasileiro indicam que ele sabia dos problemas da barragem.

Em comunicado, o ECCHR disse que há indícios de que engenheiros da subsidiária da TÜV Süd no Brasil, Bureau de Projetos e Consultoria Ltda, sabiam desde março de 2018 de problemas na barragem.

De acordo com a reportagem da ARD, e-mails internos mostram que um dos funcionários chegou a manifestar preocupação com a parte superior da estrutura e recomendou não assinar o relatório de estabilidade.

Os e-mails também indicariam que os engenheiros estariam sendo pressionados pela Vale para assinar o relatório. Segundo a reportagem, diretor alemão responsável foi informado numa das idas ao Brasil sobre as preocupações dos engenheiros locais sobre a segurança da barragem.

"Vemos a principal acusação contra o diretor alemão, pois ele, como chefe, sabia que a barragem não era estável e tinha a obrigação de intervir, mas não o fez", disse Müller-Hoff à ARD.

De acordo com a reportagem, uma carta enviada pela certificadora à mineradora depois da tragédia indica que a barragem em Brumadinho não foi a única que foi certificada pela TÜV Süd apesar de dúvidas quanto à segurança. Após o rompimento, a empresa alemã contratou peritos externos para uma auditoria, aponta o documento.

Esses especialistas independentes teriam concluído que não poderiam confirmar inicialmente a estabilidade em nenhum dos casos porque os parâmetros adotados pela certificadora seriam "muito otimistas". A situação em sete barragens foi apontada com preocupante pelos peritos. Ao todo, mais de 30 barragens da Vale haviam sido certificadas pela TÜV Süd, segundo reportagem da revista alemã Der Spiegel.

A especialista da Misereor para os setores de energia e matérias-primas, Susanne Friess, afirmou à ARD que o mercado de certificação de barragens no Brasil é extremamente competitivo, com mais de 770 estruturas que anualmente passam por avaliações, e a TÜV Süd queria conquistar espaço neste mercado. "Diante desse potencial lucrativo, a TÜV Süd aparentemente violou seu dever de cuidado", afirmou.

Questionados pela ARD, a TÜV Süd e o gerente alvo da denúncia não quiserem comentar o caso. A certificadora confirmou, porém, à agência de notícias alemã dpa o recebimento da denúncia e afirmou que está cooperando com as autoridades para esclarecer o caso.

Com sede em Munique, a TÜV Süd tem 23 mil funcionários pelo mundo e é especializada na realização de trabalhos de auditoria, inspeção e testes, consultoria e certificação. As origens da empresa remontam à década de 1860, quando indústrias alemãs decidiram formar uma entidade independente para avaliar a segurança de suas instalações. As áreas de atuação da empresa incluem desde a inspeção de dutos e minas até a análise de alimentos e próteses mamárias.

No Brasil, a empresa conta com cerca de 500 empregados, além de três escritórios e um laboratório. As operações são concentradas em São Paulo. A área de engenharia geotécnica da empresa no Brasil atua especialmente no gerenciamento de áreas contaminadas e no desenvolvimento de projetos para a desativação de ativos de mineração, como barragens de rejeitos.

 

26
Mai19

Desastre iminente: como impedir tragédia após novo alerta de rompimento de barragem?

Talis Andrade

A imprensa alerta e a Vale, que só pensa no lucro, nem aí... Os governos federal e estadual também são responsáveis pelas tragégias anunciadas. A vida de um brasileiro na vale nada  

Barragem desabamento barao de cocais santa barbara

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Após a tragédia de Brumadinho, que deixou 240 mortos, a prevenção de novos acidentes virou tema recorrente de discussão. Apesar disso, a iminência de um novo rompimento de barragem em Minas Gerais preocupa as autoridades. Para discutir a questão a Sputnik Brasil ouviu o engenheiro civil José Lyra, especialista em engenharia estrutural e prevenção.

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Brumadinho: 240 mortos, e nenhuma idenização, e nenhum proprietário ou diretor da Vale responsabilizado criminalmente. É o direito de matar

 


Na quinta-feira (16), a notícia de que uma nova barragem da Vale poderia se romper lançou um sinal de alerta sobre o tema. A própria empresa assume que a barragem de Barão de Cocais, no estado de Minas Gerais, pode se romper neste mês de maio.

 

Para José Lyra, engenheiro civil especializado em engenharia estrutural e prevenção, a forma como as barragens são construídas está incorreta.

 

A forma como eles fazem essas barragens é uma barragem que vai aumentando a altura. Então, eles não fazem uma barragem para receber o material até aquela altura. Não, eles fazem um acréscimo da barragem para receber outra altura, outro acréscimo da barragem… Então, esse é um processo perigoso", afirma José Lyra.

 

O engenheiro acredita que uma maneira eficiente de se se construir essas barragens com segurança seria construindo mini-barragens à jusante, de forma que possíveis rompimentos pudessem ser contidos.

 

Com isso, caso um rompimento ocorresse, a lama teria sua velocidade reduzida e dessa forma a o desastre seria menor.

 

"Do jeito que existe quando ela rompe, ela pega o canal e sai tomando velocidade", explica.

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Para José Lyra, o processo utilizado pelos engenheiros para drenar água da barragem em Brumadinho foi o responsável pelo rompimento. Ele critica a solução utilizada e aponta que em sua opinião foi "o remédio que matou o doente" no caso da tragédia.


O engenheiro explica também porque a barragem acumula lama como resultado da extração de minério.

 

"Esse é um processo de lavagem para tirar a terra do ferro. Então você faz essa limpeza, e com isso, injetando água no conjunto você não consegue secar depois essa água", afirma. Lyra explica que é tamanha a quantidade de lama produzida, que é necessária a instalação de barragens.

 

"O ideal era você ter uma área muito grande para colocar essa lama para que no contato com o ar em uma área maior, e não acumulada, ela pudesse secar", acrescenta o engenheiro.

 

"Burrice atroz": barragem não pode ter pessoas morando por perto

 

O engenheiro José Lyra critica aspectos encontrados na barragem de Brumadinho e também em outras, como a proximidade com cidades e a construção, por exemplo, de um refeitório próximo da barragem.

 

O que não pode ter é vizinhança ocupada[…]. Se existir alguma coisa de casas, alguma construção à jusante, na parte de baixo, você tem que deslocar para que essa cidade crie uma cidade nova em um local seguro", critica.

 

Para Lyra, a única medida realmente segura para evitar mortes seria o deslocamento das pessoas que vivem nas proximidades da barragem. Sem isso, ele afirma, resta apenas o "medo" para os moradores.

 

Com as atividades de uma burrice atroz feita pela Vale, o cara tem mesmo é que ficar com medo. Não cabe outra coisa a fazer", diz.

 

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O engenheiro conclui lembrando do desastre de Mariana, em 2015, que deixou 19 mortos e devastou o ecossistema da região.

 

Depois de Mariana eles não terem feito nada no sentido de tirar as pessoas da rota de descida é inacreditável. Uma companhia internacional não poderia fazer uma falha dessa ordem', conclui.

 

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21
Mai19

Brumadinho: somos todos atingidos?

Talis Andrade

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por Fernando Bretas

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Existe em Brumadinho uma articulação chamada Somos Todos Atingidos. É uma reunião e união de movimentos sociais e pessoas interessadas em debater e discutir os impactos trazidos pelo crime hediondo cometido pela empresa Vale S/A, em particular, e discutir todo o sistema minerário excludente e espoliador do qual nosso município - como todos os municípios situados no chamado "Quadrilátero Ferrífero" mineiro - é refém.

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Como muitos outros movimentos que se organizaram sob a comoção do assassinato coletivo cometido pela Vale, este grupo busca colaborar com a organização popular em todas as regiões do município, no entendimento de que todas as pessoas são, de algum modo, atingidas por um crime destas proporções. Acreditam que, para além das reparações pecuniárias - que são fundamentais e que devem abranger todos os aspectos sociais, econômicos, ambientais e outros que sequer temos consciência, além de serem estendidas não apenas a Brumadinho, mas para todos os habitantes da calha do Rio Paraopeba e até onde os reflexos da lama tóxica derramada se fizerem sentir - será preciso construir uma nova ordem econômica para toda a região, que substitua a sanha e a avidez do lucro a qualquer custo. Pelo respeito à vida em seu sentido mais amplo. Uma nova ordem onde a cobiça e o acúmulo dêem lugar à solidariedade e à partilha, onde a consciência ecológica substitua a visão precificada da natureza e onde o "Ter" dê lugar ao "Ser" humano.

Para construir este caminho, é preciso que a dor que sentimos agora se transforme na energia renovadora que possa mudar as nossas práticas cotidianas. Precisamos entender que repetindo os mesmos hábitos, práticas e vícios haveremos de colher exatamente os mesmos resultados que são a morte e a destruição de nossos irmãos e modos de vida.

Com esta visão e entendendo que as relações humanas se dão nas cidades e é nelas que as forças da sociedade disputam seus espaços de atuação e suas visões de mundo, a articulação Somos Todos Atingidos procura congregar as forças sociais que entendem que outro mundo é possível, baseado nos valores que nos identificam: a democracia como única forma de expressar a tolerância, a inclusão, o respeito ao diferente, a harmonia, a sede de conhecimento e o amor, que entendemos como os valores a serem cultivados nesta nova ordem que esperamos nascer da lama que soterrou nossas vidas. Transcrevi parte 

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21
Abr19

Subiu para 22 o número de mortos no desabamento de dois prédios da milícia no Rio de Janeiro

Talis Andrade

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Subiu para 22 o número de mortos no desabamento de dois prédios na comunidade da Muzema, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, no último dia 12. Os bombeiros retiraram dos escombros neste sábado, 20, os corpos de mais duas crianças. 

 

As obras dos dois edifícios que desabaram eram irregulares e estavam formalmente embargadas desde novembro, segundo a administração do prefeito Marcelo Crivella (PRB). No entanto, como a própria Prefeitura reconheceu em nota, Muzema é área “controlada por milícia”, os grupos paramilitares formados, em sua maioria, por ex-policiais militares que dirigem e exploram bairros inteiros da cidade.

 

Depois da tragédia do desabamento de dois prédios na Muzema, na Zona Oeste do Rio, 16 prédios do condomínio Figueiras do Itanhangá serão implodidos pela Prefeitura. Três imóveis que serão demolidos ficam próximos aos dois prédios que desabaram.

 

As demolições ocorrerão após terminarem as buscas pelos desaparecidos, que ainda estão sendo procurados pelo Corpo de Bombeiros.

 

Outras quatro liminares estão sendo analisadas, e mais prédios podem ser demolidos.

 

Depois da tragédia do desabamento de dois prédios na Muzema, na Zona Oeste do Rio, 16 prédios do condomínio Figueiras do Itanhangá serão implodidos pela Prefeitura. Três imóveis que serão demolidos ficam próximos aos dois prédios que desabaram.

 

As demolições ocorrerão após terminarem as buscas pelos oito desaparecidos que ainda estão sendo procurados pelo Corpo de Bombeiros.

 

Outras quatro liminares estão sendo analisadas, e mais prédios podem ser demolidos.

 

Os proprietários desses edifícios foram,  possivelmente, todos presos na Operação os Intocáveis, desencadeada no dia 21 de janeiro último. 

 

O objetivo da ação é desmantelar uma milícia que explora o ramo imobiliário ilegal em Rio das Pedras. Segundo informações da polícia, o grupo atuaria de forma violenta. Há indícios de que dois dos alvos comandem o chamado Escritório do Crime, braço armado da organização, especializado em assassinatos por encomenda. Os principais clientes do bando de matadores profissionais são contraventores e políticos.

 

Na ação, foi preso o major da Polícia Militar Ronald Paulo Alves Pereira, 43 anos. O oficial da PM é investigado por integrar a cúpula do Escritório do Crime.

 

O major foi denunciado por comandar negócios ilegais, como grilagem de terra e agiotagem. É réu no processo de homicídio de cinco jovens na antiga boate Via Show – o crime aconteceu em 6 de dezembro 2003 – e vai a júri em abril deste ano.

 

Também foi preso Manuel de Brito Batista, o Cabelo, que atua na quadrilha como contador e gerente armado.

 

Para o general Richard Nunes, a vereadora Marielle Franco (PSOL) foi morta porque milicianos acreditaram que ela podia atrapalhar os negócios ligados à grilagem de terras na Zona Oeste do Rio.

 

A Interpol deve receber um alerta da Polícia Federal, a pedido do MP-RJ (Ministério Público do Rio), a respeito dos sete milicianos foragidos, após a realização da Operação Os Intocáveis. A lista de procurados internacional deve incluir, principalmente, o policial Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Especiais), acusado de ser o chefe da milícia de Rio das Pedras, uma das mais antigas e perigosas do Estado.

 

Além de Adriano, são procurados Jorge Alberto Moreth, o Beto Bomba; Fabiano Cordeiro Ferreira, o Mágico, Marcus Vinícius Reis dos Santos, o Fininho; Geraldo Alves Mascarenhas; Júlio Cesar Veloso Serra; e Daniel Alves de Souza. Todos foram denunciados pelo MP por organização criminosa armada, homicídio, grilagem de terras e agiotagem.

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Jorge Alberto Moreth, o Beto Bomba

 

 

 

 

 

19
Abr19

Justiça decreta prisão de três acusados pelo desabamento na Muzema e livra a cara da milícia Escritório do Crime

Talis Andrade

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Por Felipe Rebouças

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A Justiça do Rio expediu mandados de prisão temporária dos três suspeitos de envolvimento no desabamento que deixou pelo menos 20 pessoas mortas na Muzema, comunidade da Zona Oeste do Rio. A polícia está à procura de José Bezerra de Lima, o Zé do Rolo, responsável pelas construções, Renato Siqueira Ribeiro e Rafael Gomes da Costa, que atuavam como corretores do empreendimento. A polícia ainda investiga a participação de milicianos na obra irregular.

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Mais prédios que estão sendo construídos por Zé do Rolo que decidiu enfrentar a milícia Escritório do Crime, acusada de ordenar a morte de Marielle Franco

 

A delegada Adriana Belém, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), responsável pelas investigações, informou que policiais civis já estão nas ruas atrás dos três. "Vamos seguir apurando mais informações para chegar aos suspeitos. Enquanto isso vamos continuar colhendo provas e documentos para encaminhar à Justiça para responsabilizá-los por homicídio dolosos (quando há intenção) vezes vinte (número de vítimas fatais até o momento", afirma a delegada. "As pessoas construíram sonhos e eles receberam tragédias".

 

Zé do Rolo estaria foragido em Pernambuco ou Paraíba. Ora aparece com o nome de José Bezerra de Lima ou de Lira. Parece mais um bode expiatório. Dado como um grileiro que agia indepente da milícia Escritório do Crime, e continuar vivo... 

 

Publica Expresso: Zé do Rolo, de acordo com a investigação, contratou pessoal e comprou material para erguer os edifícios irregulares, e vinha lucrando com a venda dos apartamentos. Segundo moradores da Muzema, o Condomínio Figueiras do Itanhangá, onde ficavam os prédios, era uma espécie de “empreendimento fechado” dentro da comunidade, já que teria um esquema de administração independente do restante da favela, controlada por uma milícia, que usa da exploração imobiliária irregular como um dos seus principais negócios.

 

 

18
Abr19

CARNIFICINA DA MILÍCIA. SOBE PARA 18 O NÚMERO DE MORTOS EM DESABAMENTO DE DOIS PRÉDIOS NO RIO

Talis Andrade

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Derrubam o que resta da Floresta Atlântica para construir edifícios de apartamentos. O dinheiro vem do tráfico, do jogo do bicho, das sobras das campanhas eleitorais, da corrupção nos três poderes 

 

 

Akemi Nitahara, repórter da Agência Brasil

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No início da tarde de hoje (17) foram retirados mais dois corpos nos escombros do desabamento de dois prédios no condomínio Figueiras do Itanhangá, na comunidade da Muzema, na zona oeste do Rio de Janeiro, ocorrido na sexta-feira (12). Segundo informou o Corpo de Bombeiros, trata-se de dois adultos, sendo um homem e uma mulher.

Hoje (17) também foi constatado que uma das pessoas dadas como desaparecidas estava entre os óbitos identificados no Instituto Médico Legal (IML), portanto a estimativa de desaparecidos foi revista para baixo e permanecem as buscas por cinco pessoas.

O trabalho dos bombeiros na Muzema entrou hoje no sexto dia. Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros e secretário da Defesa Civil, coronel Roberto Robadey, o trabalho continua de forma manual até pelo menos sexta-feira (19), pois ainda há a esperança de encontrar sobreviventes entre os escombros.

Estão sendo empregadas britadeiras, cortadeiras e cães farejadores, que indicam os locais onde possa haver pessoas. A equipe completa do Corpo de Bombeiros conta com 11 militares no local, com substituições a cada 12 horas.

Vítimas


O total de vítimas está em 26, sendo oito sobreviventes. Destes, três permanecem internados e cinco já tiveram alta. Entre as vítimas fatais, cinco já foram sepultadas, os corpos de três pessoas de uma mesma família aguardam traslado para o Maranhão e outros oito corpos ainda estão no Instituto Médico Legal. Fora os corpos encontrados hoje, apenas um ainda não foi identificado.

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16
Abr19

Milícia Escritório do Crime atua como imobiliária ilegal na Muzema, no Rio

Talis Andrade

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Milícia Escritório do Crime derrubou floresta para construir edifícios 

 

por Flávio Costa

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"Escuta, fala com o velho aí que o quarto andar tá fechado, daquele jeito que ele falou, que ele aprovou. Sessenta parcelas de quatro mil [reais], valor final 150 mil. (sic)".

A fala acima foi retirada de um diálogo entre integrantes da milícia conhecida como Escritório do Crime e refere-se à venda de um apartamento construído de maneira ilegal na comunidade da Muzema, na zona oeste do Rio, onde dois prédios desabaram . O Corpo de Bombeiros confirmou a morte de quinze pessoas. Nove pessoas continuam desaparecidas. 

 

As informações constam na denúncia da Operação Os Intocáveis, deflagrada em janeiro pelo MP (Ministério Público). Para os promotores, líderes da milícia atuam como "sócios investidores", aplicando dinheiro obtido em atividades ilícitas nos empreendimentos imobiliários irregulares das comunidades de Muzema, Rio das Pedras e seus arredores.

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Capitão Adriano Magalhães de Nóbrega 

 

O Escritório do Crime é comandado pelo ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Especiais) Adriano Magalhães de Nóbrega, que está foragido há quase dois meses. Capitão Adriano, como é conhecido, é amigo do policial militar reformado Fabrício de Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), quando este foi deputado estadual.

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Fabrício Queiroz

 

 

Queiroz admitiu ter indicado a mãe e a mulher de Capitão Adriano para trabalhar no gabinete do filho mais velho do presidente da República, Jair Bolsonaro.

 

Dinheiro de extorsão financia construções ilegais

 

Os dois prédios que caíram eram construções irregulares e estavam em uma área "dominada por milícia", de acordo com a Prefeitura do Rio. Por isso, a administração municipal disse que só conseguiu chegar ao local em novembro de 2018 com apoio da Polícia Militar. As obras foram interditadas na ocasião.

 

A denúncia do MP detalha a atuação da milícia nas comunidades de Muzema, Rio das Pedras e seus arredores. A organização criminosa atua de forma setorizada age "em grilagem, ramo imobiliário com venda e locação ilegal de imóveis". Seus integrantes também cometem os crimes de "receptação de carga roubada, posse e porte ilegal de arma de fogo".

 

A milícia arrecada dinheiro com a extorsão de moradores e comerciantes da região, cobrando taxas referentes a "serviços" prestados, como segurança. O grupo age também no ramo da agiotagem e detém o monopólio da venda do gás de cozinha, entre outras atividades.

 

A renda proveniente dessas atividades ilegais financia os empreendimentos imobiliários irregulares.

 

Em chamada interceptada do dia 5 de novembro de 2018 entre dois investigados, um suspeito diz para o outro não deixar uma moradora entrar caso ela não pagasse o aluguel no dia. Segundo o MP, "a utilização da força e a demonstração de poder está claro nos diálogos"

"Se não pagar o aluguel hoje, amanhã é pra travar, não deixar ela entrar", diz o suspeito ao seu interlocutor.

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Major Ronald Paulo

 

Antes de ser preso na Operação Os Intocáveis, em janeiro, o major Ronald Paulo, da Polícia Militar, mantinha armazenadas diversas plantas de apartamentos, loteamentos de terrenos, imagens de empreendimentos em construção, contratos de locação e compra e venda de imóveis não declarados em seu Imposto de Renda, de acordo com o MP. [Transcrevi trechos]

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15
Abr19

Bombeiros encontram 15 corpos nos escombros do desabamento na Muzema

Talis Andrade

Continuam as buscas nos prédios na Muzema, Zona Oeste do Rio. Os imóveis caíram na sexta-feira (12). Já são 15 mortos e os bombeiros trabalham com o número de pelo menos 9 desaparecidos.

 

A Polícia Civil ainda não revelou os nomes dos responsáveis pela construção dos dois prédios que desabaram na Muzema, Zona Oeste do Rio, na última sexta-feira (13).

 

De acordo com a delegada titular da 16ª DP (Adriana Belem), os responsáveis serão identificados e responsabilizados, tanto pelas mortes, quanto pelas lesões e também pelas construções irregulares.

Major Ronald Paulo Alves Pereira, um dos alvos da operação Os Intocáveis

 

fim de semana, peritos da Polícia Civil voltaram ao local e fizeram uma perícia complementar. Os investigadores ainda não conseguiram ouvir testemunhas, moradores e vítimas da tragédia. Ainda segundo a polícia, assim que tiverem condições de prestarem depoimento, elas serão ouvidas.

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13
Abr19

Escutas revelam ameaças de milicianos a moradores dos prédios que desabaram no Rio

Talis Andrade

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Triunvirato miliciano do Rio das Pedras: os capos 'Capitão Alexandre', 'Maurição' e major da PM Ronald Paulo Alves Pereira

 

 

Rio - Escutas telefônicas autorizadas pela justiça e presentes na denúncia feita pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) revelam a rotina de cobrança, ameaças, negociação de imóveis irregulares, agiotagem, entre outras atividades criminosas dos milicianos de Rio das Pedras, alvos da operação "Os Intocáveis". A ação com a Polícia Civil prendeu cinco acusados de milícia, dois deles suspeitos das execuções de Marielle Franco e Anderson Gomes.

A denúncia divulgada pelo MP mostra a transcrição das gravações. Nas conversas, milicianos ameaçam moradores da comunidade que não pagaram o aluguel de seus imóveis irregulares. Uma gravação de um dos integrantes, identificado como Manoel Batista, o Cabelo, mostra a liderança do ex-cabo da PM Adriano Magalhães da Nóbrega, o "Capitão Adriano" ou "Gordinho", e Maurício Silva da Costa, o "Maurição", além do major da ativa da PM Ronald Paulo Alves Pereira.  

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"Eu tenho oito apartamentos naquele prédio, o resto é tudo do Adriano e do Mauricio entendeu, você procura ele e fala com ele entendeu, não adianta ficar me mandando mensagem, e você fala pro João que o Aurélio acabou de me falar aqui que ele falou que vai cortar os cabos lá no Pinheiro, se ele cortar, eu vou cortar os dois braços dele e as duas pernas", diz Manoel, na ligação de 15 de novembro de 2018.

Na mesma conversa, ele reforça a liderança de Maurição, dizendo que ele manda em tudo: "Ele manda em tudo, como ele não vai mandar no prédio entendeu? (...) Agora eu não posso passar por cima da ordem do homem pô", conclui.

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Manoel de Brito Alves, vulgo 'Cabelo'

 

Cabelo participa ativamente das "negociações" e ameaças dentro do ramo imobiliário. Em uma chamada do dia 5 de novembro de 2018, Cabelo conversa com um homem sobre uma moradora que poderia não pagar o aluguel no dia. "Se não pagar o aluguel hoje, amanhã é pra travar não deixar ela entrar não tá", sentencia.

Entre as provas juntadas na denúncia contra o major da PM Ronald Paulo Alves Pereira estão inúmeras plantas de imóveis, documentação de loteamento de terrenos, "restando evidenciada a sua participação ativa no ramo imobiliário", diz o Ministério Público do Rio.  

Cabelo é apontado como integrante de "destaque" na milícia de Rio das Pedras e espécie de gerente armado da quadrilha. "Ainda é o braço financeiro da quadrilha, responsável pelo acompanhamento da construção dos empreendimentos, bem como negociação, supervisão da cobrança, arrecadação e posterior repasse dos lucros auferidos ilegalmente, além da ocultação dos patrimônios pertencentes à malta (grupo), todas essas funções sob a constante vigilância dos denunciados Adriano e Maurício".

 

Outro integrante da quadrilha, Júlio César Veloso Serra, apontado como responsável pela contabilidade da quadrilha e homem de confiança do major Ronald e Manoel, destaca a chefia do capitão Adriano em outra escuta, de outubro do ano passado, na qual o chama de "patrãozão".

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Adriano Magalhães da Nóbrega

 

Ligações de luz e água irregulares e informações privilegiadas

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A denúncia do MP também aponta que os criminosos faziam ligações clandestinas de água e energia em seus empreendimentos imobiliários irregulares. Em conversa com um interessado em alugar um apartamento no condomínio Bosque das Pedras, no Anil, Cabelo fala que os serviços não são pagos. 

"Eu tenho um aí (apartamento), dois quartos, sala, cozinha e banheiro, Mil e Trezentos Reais. Não paga luz, não paga condomínio, não paga água, não paga nada", diz Manoel para a mulher interessada no imóvel. 

O grupo também recebia informações sobre operações tanto de órgãos municipais quando da polícia, inclusive com pagamento de propina para exercerem suas atividades sem serem incomodados. "Eu que levo o negócio pro homem, eu sei quando vem pô", diz Manoel sobre a presença da PM. Em outra conversa com um homem chamado Bruno, uma fiscalização é motivo de preocupação para Manoel.

MANOEL: Tá sabendo que tem alguma coisa amanhã?

BRUNO: Não, não to sabendo não.

MANOEL: Acabou de me ligar aqui que vai ter.

BRUNO: Aonde?

MANOEL: Muzema e Rio das Pedras, falou que não é, é pica heim.

BRUNO: O quê?

MANOEL: Falou que é INEA e Prefeitura.

BRUNO: Eu não aguento não mano.

MANOEL: INEA e Prefeitura, falou que os cara são do caralho.

BRUNO: É?

MANOEL: Hum, hum, eu nem sei o que eu faço.

BRUNO: Não aguenta o coração mais não, na moral

MANOEL: E aí, procura ver se é verdade mesmo.

Por meio da transcrição de áudios foi verificada as relações estabelecidas entre os criminosos e as funções desempenhadas por cada um deles na organização, tais como segurança (ou 'braço armado'), agente de cobrança de taxas, lavagem de dinheiro (na figura de 'laranjas'), agiotagem e forte atuação no ramo ilegal imobiliário.

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Dois alvos do 'Escritório do Crime'

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Maurício Silva da Costa, o 'Maurição'

 

 

Dois dos alvos de prisão, o major Ronald e o capitão Adriano, comandariam o "Escritório do Crime", braço armado da organização especializado em assassinatos por encomenda. Os principais clientes do grupo de matadores profissionais são contraventores e políticos. Há uma suspeita de que o "Escritório" esteja envolvido no assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Tanto Ronald quanto Adriano chegaram a ser ouvidos na condição de testemunhas no caso Marielle. "O caso Marielle corre em segredo de justiça. São investigações que não se confundem. Não podemos, nesse momento, nem afirmar e nem descartar a participação de todos ou de alguns desses integrantes no caso", disse Simone Sibilio, outra das promotoras que investiga as execuções da vereadora e do motorista. "É possível sim que eles façam parte do escritório do crime e as investigações serão aprofundadas nesse sentido", concluiu.

Foram denunciados Adriano Magalhães da Nóbrega, mais conhecido como "capitão Adriano" ou "Gordinho"; Ronald Paulo Alves Pereira, o major Ronald ou "Tartaruga"; Maurício Silva da Costa, conhecido como "Maurição", "Careca", "Coroa' ou "Velho"; Marcus Vinicius Reis dos Santos, "Fininho"; Manoel de Brito Batista, "Cabelo"; Júlio Cesar Veloso Serra; Daniel Alves de Souza; Laerte Silva de Lima; Gerardo Alves Mascarenhas, o "Pirata"; Benedito Aurélio Ferreira Carvalho, "Aurélio"; Jorge Alberto Moreth, o "Beto Bomba"; Fabiano Cordeiro Ferreira, o "Mágico" e Fábio Campelo Lima. [Reportagem de Adriano Araújo, publicada no jornal O Dia, em 23 de janeiro último.

 

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