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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

24
Mar19

Bolsonaro no Chile: "Devemos beijar a informalidade porque a nossa mão-de-obra talvez seja uma das mais caras do mundo"

Talis Andrade

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Jair Bolsonaro encerra neste sábado (23) sua visita de três dias ao Chile. Após um encontro com o presidente chileno, Sebastián Piñera, em Santiago, Bolsonaro é o convidado de honra de um almoço com a presença de líderes parlamentares e referências políticas chilenas. Antes de se reunir com o Piñera, o presidente brasileiro participou de um café da manha com empresários chilenos e mandou um recado para Rodrigo Maia. Ele acusou “os que resistem a avançar com a reforma da Previdência de "não quererem largar a velha politica". Depois da reforma da Previdência, Bolsonaro quer reforma trabalhista que "beire a informalidade".

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Por Márcio Resende, enviado especial da RFI a Santiago

Antes de ser recebido no Palácio La Moneda, sede do governo chileno, pelo presidente Sebastián Piñera, Jair Bolsonaro se reuniu-se com empresários chilenos para detalhar o cenário econômico que pretende para o Brasil, com as reformas que abram o terreno para os investimentos estrangeiros.

Bolsonaro indicou que, depois da reforma da Previdência quer uma reforma trabalhista que desburocratize a economia com empregos que beirem a informalidade. "A nossa equipe econômica também trabalha numa reforma para desburocratizar a nossa economia, para desregulamentar muita coisa e, na questão trabalhista, nós devemos beijar a informalidade porque a nossa mão-de-obra talvez seja uma das mais caras do mundo. Uma CLT que não se adequa mais à realidade", afirmou.

Sobre a reforma da Previdência, Bolsonaro mostrou-se confiante. "Temos chance, sim, de sair dessa situação que nós encontramos com as reformas. E a primeira delas, a mais importante é essa da Previdência", afirmou confiante.

Em meio ao anúncio do presidente da Câmara de Deputados, Rodrigo Maia, que anunciou que não fará mais a interlocução do governo com a Câmara para aprovar a reforma previdenciária, Bolsonaro mandou um recado: "Os atritos que acontecem no momento, mesmo estando eu calado fora do Brasil, é porque alguns, não são todos, não querem largar a velha política", acusou.

Novas críticas ao sistema do voto eletrônico

Aos empresários chilenos, Bolsonaro voltou a questionar o voto eletrônico, mesmo tendo ganho as eleições. "Mesmo com um sistema eleitoral duvidoso, que utiliza as urnas eletrônicas, nós conseguimos chegar à Presidência", vangloriou-se.

Os jornalistas foram acusados de serem doutrinados pela esquerda. "É difícil encontrar um jornalista da grande imprensa que possa discutir conosco de igual para igual. Eles têm viés de esquerda. Estão doutrinados demais", criticou.

Também supôs que, se não tivesse ganho as eleições, o presidente brasileiro não estaria no Chile, mas na Venezuela. "Se o Haddad tivesse ganho as eleições, ele não estaria aqui, estaria conversando com o Maduro", comparou.

Após o café-da-manhã com os empresários chilenos, Jair Bolsonaro foi recebido pelo presidente chileno, Sebastián Piñera, com quem manteve uma reunião privada a sós. Em seguida, um outro encontro, com a participação dos demais membros dos dois governos foi realizado.

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12
Fev19

Papa Francisco: "Um Grito pela Vida" no Brasil

Talis Andrade

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No Angelus deste último domingo, o Papa Francisco recordou o Dia de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Seres Humanos, celebrado em 8 de fevereiro, festa de Santa Josefina Bakhita.

Ao rezar com os fiéis na Praça S. Pedro a oração a Santa Bakhita, o Pontífice fez também um apelo aos governos para que enfrentem com decisão as causas deste flagelo.


Porém, Francisco recordou que todos "podemos e devemos colaborar, denunciando os casos de exploração e escravização de homens, mulheres e crianças".

 

Um Grito pela Vida

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É justamente nesta linha que trabalha a Rede “Um Grito pela Vida” no Brasil.


A Rede de religiosas se dedica sobretudo no setor da prevenção, como explica a Ir. Glória Caixeta, falando de modo especial do núcleo de Manaus: Ouça a reportagem aqui

 

Papa pede para combater e denunciar tráfico de seres humanos

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"Eu faço um apelo especialmente aos governos, para que sejam enfrentadas com decisão as causas deste flagelo e as vítimas sejam protegidas", foi o pedido do Pontífice no Angelus deste Domingo.
Jackson Erpen – Cidade do Vaticano
Após rezar o Angelus com os fiéis reunidos na Praça São Pedro, o Papa Francisco recordou que há dois dias, na memória litúrgica de Santa Josefina Bakhita, realizou-se o quinto "Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas", e fez um forte apelo aos governos para combaterem este mal. Muitas religiosas que trabalham com esta realidade estavam na Praça, entoando o lema em alta voz e aplaudindo o Pontífice:

“O lema deste ano é 'Juntos contra o tráfico' (aplausos na Praça). Mais uma vez! (fiéis repetem): 'Juntos contra o tráfico'! Não esqueçam isto. Convida a unir forças para vencer este desafio. Agradeço a todos que lutam nesta frente, em particular tantas religiosas. Eu faço um apelo especialmente aos governos, para que sejam enfrentadas com decisão as causas deste flagelo e as vítimas sejam protegidas. Todos, porém, podemos e devemos colaborar denunciando os casos de exploração e escravização de homens, mulheres e crianças".
Oração pedindo a intecessão de Santa Bakhita

 

Oração pedindo a intecessão de Santa Bakhita

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O Santo Padre enfatizou que "a oração é a força que sustenta o nosso esforço comum", motivo pelo qual convidou os presentes a rezarem juntos com ele a oração a Santa Josefina Bakhita, que havia sido distribuída precedentemente aos presentes na Praça São Pedro:
"Santa Josefina Bakhita, que quando criança foste vendida como escrava e tiveste que enfrentar dificuldades e sofrimentos indescritíveis.
Uma vez libertada da escravidão física, encontraste a verdadeira redenção no encontro com Cristo e sua Igreja.
Santa Josefina Bakhita, ajuda todos aqueles que estão presos na escravidão.
Em nome deles, intercede junto ao Deus da misericórdia, de modo que as cadeias de seu cativeiro possam ser quebradas.
Que Deus mesmo possa libertar todos aqueles que foram ameaçados, feridos ou maltratados pelo tráfico de seres humanos. Leva alívio àqueles que sobrevivem a esta escravidão e ensina a eles a ver Jesus como modelo de fé e esperança, de forma que possam curar suas feridas. Te suplicamos para rezar e interceder por todos nós: para que não caiamos na indiferença, para que abramos os olhos e possamos olhar as misérias e as feridas de tantos irmãos e irmãs privados de sua dignidade e de sua liberdade e ouvir o seu clamor de ajuda. Amém".

 

Intenção de oração para fevereiro: rezar pelas vítimas do tráfico

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“Mesmo que tentemos ignorá-la, a escravidão não é algo de outros tempos", alertou o Santo Padre no vídeo da Rede Mundial de Oração do Papa, com a intenção de oração para o mês de fevereiro. "Perante esta trágica realidade, não podemos lavar as mãos se não quisermos ser, de certa forma, cúmplices destes crimes contra a humanidade”.
O Pontífice ressalta ainda que “não podemos ignorar que hoje há escravidão no mundo, tanto ou talvez mais do que antes. Rezemos pelo acolhimento generoso das vítimas do tráfico de pessoas, da prostituição forçada e da violência”.
São milhões de pessoas obrigadas a fugir diariamente de suas terras, devido à guerra, fome, perseguições políticas, religiosas ou situações de pobreza extrema, enfrentando abusos de todo tipo. O que por outro não vemos são as organizações criminosas que lucram com isso, escravizando homens, mulheres e crianças, no trabalho ou sexualmente, para o comércio de órgãos, para fazê-los mendigar ou entrar na delinquência. Veja vídeo

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27
Out18

“O muro é a ditadura”. Por Eleonora de Lucena

Talis Andrade

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Ninguém poderá dizer que não sabia. É ditadura, é tortura, é eliminação física de qualquer oposição, é entrega do país, é domínio estrangeiro, é reino do grande capital, é esmagamento do povo. É censura, é fim de direitos, é licença para sair matando. Por Eleonora de Lucena

 

 

Eleonora de Lucena, durante dez anos (2000/2010) editora-executiva da Folha de S. Paulo, publica hoje no jornal paulista um artigo que orgulha o jornalismo e desanca os covardes o os oportunistas, na imprensa, na política e no empresariado.

 

“O muro é do candidato da ditadura, da opressão, da violência, da destruição, do nojo”, resume assim a imperdoável atitude dos que acham que críticas, ainda que várias delas justas, a um partido possam justificar quem assiste omisso o risco da morte da democracia, da liberdade e do convívio civilizado.

 

Compartilho pela grandeza do texto, compartilho pelo que resta de dignidade de uma profissão que me chamou, ainda jovem, pelo que podia fazer pela liberdade.

 

Não adianta pedir desculpas daqui a 50 anos

 

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por Eleonora de Lucena, na Folha

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Ninguém poderá dizer que não sabia. É ditadura, é tortura, é eliminação física de qualquer oposição, é entrega do país, é domínio estrangeiro, é reino do grande capital, é esmagamento do povo. É censura, é fim de direitos, é licença para sair matando.

 

As palavras são ditas de forma crua, sem tergiversação – com brutalidade, com boçalidade, com uma agressividade do tempo das cavernas. Não há um mísero traço de civilidade. É tacape, é esgoto, é fuzil.

 

Para o candidato-nojo, é preciso extinguir qualquer legado do iluminismo, da Revolução Francesa, da abolição da escravatura, da Constituição de 1988.

 

Envolta em ódios e mentiras, a eleição encontra o país à beira do abismo. Estratégico para o poder dos Estados Unidos, o Brasil está sendo golpeado. As primeiras evidências apareceram com a descoberta do pré-sal e a espionagem escancarada dos EUA. Veio a Quarta Frota, 2013. O impeachment, o processo contra Lula e sua prisão são fases do mesmo processo demolidor das instituições nacionais.

 

Agora que removeram das urnas a maior liderança popular da história do país, emporcalham o processo democrático com ameaças, violências, assassinatos, lixo internético. Estratégias já usadas à larga em outros países. O objetivo é fraturar a sociedade, criar fantasmas, espalhar medo, criar caos, abrir espaço para uma ditadura subserviente aos mercados pirados, às forças antipovo, antinação, anticivilização.

 

O momento dramático não permite omissão, neutralidade. O muro é do candidato da ditadura, da opressão, da violência, da destruição, do nojo.

 

É urgente que todos os democratas estejam na trincheira contra Jair Bolsonaro. Todos. No passado, o país conseguiu fazer o comício das Diretas. Precisamos de um novo comício das Diretas.

 

O antipetismo não pode servir de biombo para mergulhar o país nas trevas.

 

Por isso, vejo com assombro intelectuais e empresários se aliarem à extrema direita, ao que há de mais abjeto. Perderam a razão? Pensam que a vida seguirá da mesma forma no dia 29 de outubro caso o pior aconteça? Esperam estar livres da onda destrutiva que tomará conta do país? Imaginam que essa vaga será contida pelas ditas instituições –que estão esfarrapadas?

 

Os arrivistas do mercado financeiro festejam uma futura orgia com os fundos públicos. Para eles, pouco importam o país e seu povo. Têm a ilusão de que seus lucros estarão assegurados com Bolsonaro. Eles e ele são a verdadeira escória de nossos dias.

 

A eles se submete a mídia brasileira, infelizmente. Aturdida pelo terremoto que os grandes cartéis norte-americanos promovem no seu mercado, embarcou numa cruzada antibrasileira e antipopular. Perdeu mercado, credibilidade, relevância. Neste momento, acovardada, alega isenção para esconder seu apoio envergonhado ao terror que se avizinha.

 

Este jornal escreveu história na campanha das Diretas. Depois, colocou-se claramente contra os descalabros de Collor. Agora, titubeia – para dizer o mínimo. A defesa da democracia, dos direitos humanos, da liberdade está no cerne do jornalismo.

 

Não adianta pedir desculpas 50 anos depois.

 

 

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22
Out18

Em aula pública, ativistas negros ampliam debate contra o fascismo de Bolsonaro

Talis Andrade

 

Evento também organizou a militância para conscientizar a população e reverter votos no segundo turno presidencial
 
 
por Redação RBA 
 
@MARIANOVAZKEZ/TWITTER
Evento discute racismo no Teatro Oficina

Evento no Teatro Oficina trouxe como tema 'No país da escravidão, de que fascismo falamos?'

 

 

São Paulo – Com objetivo de enfrentar o fascismo e a violência do racismo, ativistas e integrantes do movimento negro realizaram, na noite da última quinta-feira (18), uma aula pública no Teatro Oficina, em São Paulo. No evento, eles debateram sobre o futuro do país nas eleições de 2018 e mobilizaram uma frente contra a candidatura de Jair Bolsonaro(PSL).

 

Douglas Belchior, professor de História e coordenador da Uneafro, afirmou que a militância periférica precisa continuar forte depois do dia 28, independente do resultado do segundo turno da eleição à Presidência. Segundo ele, é necessário conversar com o cidadão comum para contrapor as informações que chegam para a massa.

 

"Nós suportamos 500 anos de opressão. No dia seguinte das eleições, vamos nos juntar em grupos de ações comunitárias, usar nosso empoderamento para organizar a luta no nosso bairro e enfrentar o fascismo no país", disse.

 

O evento trouxe como tema No país da escravidão, de que fascismo falamos?, na qual contou com a presença das deputadas estaduais Leci Brandão (PCdoB) e Erica Malunguinho (Psol), em São Paulo, e Andreia de Jesus, em Minas Gerais. Maria José Menezes, a Zezé Menezes, do Núcleo de Consciência Negra da Universidade de São Paulo (USP) também esteve presente.

 

Zezé endossou o discurso de Douglas. Ela lembrou que as pessoas que votarão em Bolsonaro não sabem se poderão participar da próxima eleição. "Nós vamos vencer esse monstro. Ele tem que ser enxotado as mentes e corações do povo da periferia para sempre. É um trabalho constante nesta guerra criada contra nós, mas venceremos. Sempre vencemos, se não nem estaríamos aqui", afirmou.

 

Já Leci Brandão lembrou de sua militância durante a ditadura civil-militar e aponta três inimigos da comunidade negra, atualmente: os grandes meios de comunicação, a igreja e o mal uso da tecnologia, como as fake news do WhatsApp

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A deputada estadual reeleita disse que acredita na mobilização popular para vencer as eleições e afirma que o candidato Fernando Haddad (PT) possui uma tropa consistente por trás dele. "Não é uma tropa de militar, é de gente que acredita na humanidade. A gente não quer voltar a ser o filho da sinhá, nós queremos as cadeiras nos poderes."

 

A ascensão do fascismo no Brasil foi bastante discutida. Os ativistas lembram de seu passado escravizado e que são vítimas deste movimento há centenas de anos. Erica Malunguinho, por exemplo, cita a continuidade dessa lógica nos dias atuais com a falta de negros e LGBTs em todos os espaços da sociedade. 

 

De acordo com a deputada eleita pelo Psol de São Paulo, a naturalização da ausência construiu o 'fenômeno bolsonarista'. Ela alerta que o fascismo brasileiro não será temporário. "Precisamos começar a se incomodar a ausência dessas pessoas, ou não vamos avançar", disse.

 

Ao defender Haddad, ela cobrou um novo pacto civilizatório. "O novo governo vai ter que considerar nossa presença lá dentro e não é como destinatários das políticas públicas, mas como escrevente delas", exigiu.

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03
Out18

Rede Havan escancara o voto de cabresto

Talis Andrade

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O empresário catarinense Luciano Hang (à dir.) e sua família visitam Jair Bolsonaro no hospital 

 

 


por Piero Locatelli

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Nesta campanha eleitoral, o Brasil escancarou algumas práticas que deveriam repousar na história. A uma semana do primeiro turno, mais uma delas veio à tona quando alguns patrões resolveram decidir em quem seus funcionários deveriam votar para que mantivessem seus empregos.

 

O voto de cabresto foi amplamente utilizado há 100 anos, na República Velha, e alguns patrões seguiram mandando no voto de empregados em diferentes locais. Agora, a prática é mostrada ao vivo no Facebook, direto de um dos estados mais ricos do país, Santa Catarina.

 

No Brasil profundo do vale do Itajaí, quem cumpre o papel de coronel é Luciano Hang, dono da Havan. No lugar da velha propriedade rural, entra uma rede de lojas de departamento conhecida por espalhar cópias da Estátua da Liberdade em beiras de estradas.

 

A ameaça de Hang não tinha sutileza: o dono avisou aos funcionários que eles podem perder o seu emprego se Jair Bolsonaro não for eleito presidente. “A Havan vai repensar o planejamento. Talvez não vai mais abrir lojas”, disse o empresário em um vídeo gravado em uma sala vazia na última semana. “E aí, se nós não abrirmos mais lojas, você está preparado para sair da Havan? ”

 

As ameaças de Hang chegaram ao seu ápice durante o seu “movimento cívico” – como ele chamou a reunião que juntou centenas de funcionários vestidos com camisetas de Bolsonaro em filas mal organizadas. Em uma mistura de documentário de estética nazista com comédia pastelão de 39 minutos, Hang comanda seus funcionários enquanto conta porque a experiência comunista na Rússia e na Alemanha foram mal sucedidas. Nos intervalos, projetou: se a esquerda ganhar, na avaliação dele, 15 mil pessoas ligadas à Havan perderiam o emprego – prejudicando, no total, 60 mil.

 

É inverossímil imaginar que centenas de funcionários acordariam numa segunda-feira por livre e espontânea vontade para ouvir seu patrão falar sobre perestróica e glasnost, a abertura política e econômica da União Soviética, que ele contou ter ouvido falar em uma viagem para lá nos anos 1990. A coerção, nesse caso, não precisa sequer de ameaças veladas. A relação entre patrão e empregado nunca é simétrica e, por isso mesmo, uma mera sugestão é uma ordem.

 

O Ministério Público do Trabalho considerou esses atos e vídeos ilegais, e pediu que eles sejam interrompidos imediatamente.

 

O caso da Havan não é o único. Em uma carta aos seus empregados, Pedro Joanir Zonta, dono do supermercado Condor, de Curitiba, elencou onze motivos para apoiar Bolsonaro. “Preservação da família” e “país sem corrupção” estão entre elas. Como razões para não votar na esquerda estão a “transformação do Brasil em uma Venezuela” e o “fim da família”.

 

No fim do comunicado, o empresário fez uma ameaça travestida de pedido. “Nesta carta, fica meu compromisso, com você meu colaborador hoje, de que não haverá de forma alguma, corte no 13º (décimo terceiro) e nas férias dos colaboradores do Grupo Condor. Acredito no Bolsonaro, votarei nele e peço que confiem em mim e nele para colocar o Brasil no rumo certo”, escreveu Zonta.

 

‘Terror psicológico’

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Ainda que as práticas de Hang e Zonta remetam ao começo do século passado, hoje elas atendem pelo nome de assédio moral. Em sua acusação contra Hang, o Ministério Público do Trabalho de Santa Catarina usa um termo ainda mais claro: terror psicológico.

 

Os procuradores lembram que o assédio moral começa quando não se aceita quem pensa diferente. Sem permitir essa discordância, o patrão obriga que os seus funcionários se comportem de determinada maneira, ou façam coisas para quais eles não foram contratados – como ficar prostrado às dez da manhã ouvindo Hang falar de política.

 

Para o MPT, dessa forma Hang infringiu uma série de direitos previstos na Constituição – incluindo a “existência digna” prevista a todos os brasileiros. Por isso, eles pedem que Hang pare imediatamente a divulgação dos seus vídeos e veicule um direito de resposta “em pelo menos três canais de grande audiência da rede nacional, em horário nobre, por pelo menos três dias”.

 

No caso do supermercado Condor, procuradores eleitorais do estado disseram se tratar de “temor reverencial”, ou seja, o receio do empregado em desagradar o patrão. Em um período de desemprego, esse medo piora. “Quando o dono de uma grande empresa divulga a seus funcionários em quem irá votar e, ao mesmo tempo, pede ‘que confiem em mim e nele para colocar o Brasil no rumo certo’, há clara ofensa ao direito de escolha desses empregados”, disse a procuradora Eloisa Helena Machado, responsável pelo caso.

 

O terror também se espraiou para empresas menores, com o sinal invertido: algumas prometiam churrascos e folgas caso Bolsonaro fosse eleito. A maior promessa veio de uma gráfica em Cianorte, interior do Paraná: três dias de folga, carne e chope. Cartazes de outras três empresas também prometiam ao menos um dia de folga em caso de vitória.

 

Segundo apurou o jornalista Eduardo Militão, o Ministério Público Federal abriu uma investigação sobre esses casos no Paraná.

 

Durante essa campanha, o Judiciário se mostrou rápido em tomar atitudes que influenciam no debate eleitoral – como soltar acusações, publicar delações e até determinar a prisão de candidatos. A curiosidade, agora, é saber se ela terá a mesma vontade e rapidez para julgar esses casos.

 

 

29
Set18

As jabuticabas do general Mourão contra os trabalhadores

Talis Andrade

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Políticos de Jundiaí contestam fala de Mourão sobre o 13º salário

 

por Carlos Santiago


Caiu como uma melancia, entre os políticos jundiaienses, a declaração dada pelo general Hamilton Mourão (PRTB), candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), de que “o 13º salário e o pagamento de adicional de férias são ‘jabuticabas’ – porque só existem no Brasil.”

 

Mourão fazia uma palestra na sede de uma entidade que reúne empresários de Uruguaiana (RS), quando se pôs a comentar o assunto. “Temos umas jabuticabas que a gente sabe que são uma mochila nas costas de todo empresário”, disse. Mourão prosseguiu: “Jabuticabas brasileiras: 13º salário. Como a gente arrecada 12 (meses) e pagamos 13? O Brasil é o único lugar onde a pessoa entra em férias e ganha mais. São coisas nossas, a legislação que está aí. A visão dita social com o chapéu dos outros e não do governo.”

 

A resposta do ‘chefe’ Jair Bolsonaro veio rápida, pelo Twitter: o candidato do PSL à presidência da República desaprovou o parceiro de chapa, afirmando que criticar o 13º salário é, “além de uma ofensa a quem trabalha, também mostra desconhecer a Constituição.”

 

Em Jundiaí, os comentários mais pesados vieram da ala esquerda. O presidente do PDT, Gerson Sartori, considerou a declaração vergonhosa. “É uma vergonha um candidato a vice-presidente da República achar que um direito do trabalhador, num país sofrido como o nosso, é um peso.”

 

Gerson prosseguiu em suas críticas, e lembrou até mesmo da situação dos países europeus com relação às condições de trabalho. “Nós falamos tanto em ‘buscar’ os países do Primeiro Mundo… Não à toa, a melhor remuneração do trabalhador, em relação a salário-hora, é na Alemanha.”

 

O presidente do PSDB, José Galvão Braga Campos, o Tico, chegou a ironizar: “Será que ele vive no mesmo país que a gente?” Para Tico, o General Mourão “vive em um patamar financeiro muito diferente da grande maioria do povo brasileiro. Ele nem sabe o que passa nosso povo. Esse é o tipo de gente que quer governar o país – pessoas que não se identifica com o povo brasileiro.”

 

O deputado federal Miguel Haddad (PSDB), no entanto, optou por um tom comedido. “O próprio candidato a presidente, Jair Bolsonaro, desautorizou, como mostra a imprensa, a fala do seu vice. É uma proposta que não faz sentido”, comentou Miguel.


O presidente do PP de Jundiaí, Edilson Chrispim, também preferiu um comentário mais ameno. “O 13º salário está previsto no artigo 7º da Constituição. Infelizmente, ele foi muito infeliz na sua fala. Os trabalhadores já são muito penalizados com os preços altos, não seria justo mais esta perda.”

 

 

 

27
Set18

Bolsonaro e a PEC das domésticas

Talis Andrade

 

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por Juliane Furno

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Na série de entrevistas realizadas pelo Jornal Nacional com os principais candidatos à Presidência da República, me chamou particularmente a atenção as declarações de Jair Bolsonaro do PSL quando questionado sobre ter sido o único deputado federal a votar contrário a PEC das domésticas em 2013.

 

Sobre a resposta do candidato presidenciável há duas questões importantes que quero tratar aqui: a primeira é a ignorância e o completo desconhecimento de Bolsonaro sobre os efeitos da PEC das domésticas sob a categoria, e a segunda é a externalização de um projeto de Brasil em que as relações servis e pessoalizadas de trabalho seguem como u modelo a ser seguido, fazendo regredir nossos avanços sociais à décadas atrás.

 

Bolsonaro afirmou ser contrário à equiparação dos direitos das trabalhadoras domésticas aos demais trabalhadores formais – sobre o que legisla a PEC – porque essa medida causaria desemprego. Esse foi exatamente o mesmo argumento utilizado pelos conservadores de plantão em 1972, quando passou a ser obrigatório o registro em carteira das empregadas domésticas. Segundo ele “Foi para proteger. (…) Muita gente teve de demitir porque não teria como pagar. Muitas mulheres perderam emprego pelo excesso desses direitos”.

 

Vamos analisar rapidamente essa relação. Em primeiro lugar, a PEC das domésticas regulamenta apenas um conjunto de direitos dos quais ainda estavam de fora as domésticas – particularmente o recolhimento do FGTS e INSS pelo empregador. Portanto, a PEC das domésticas só vale para o conjunto das trabalhadoras que já são registradas. Olhando essas alíquotas, que são de 8% cada uma delas para um salário mínimo, o acréscimo final – na simulação de um salário de 900 reais – é de um pouco mais de 100 reais.

 

Ou seja, não me parece razoável creditar à PEC das domésticas o aumento do desemprego das empregadas domésticas, uma vez que 100 reais a mais não é – efetivamente – um alto custo para o empregador – por outro lado, é de grande diferença para a empregada, que poderá gozar a dignidade da aposentadoria e do Fundo de Garantia. Dessa forma, o argumento de que muitos empregadores demitiram porque não teriam como pagar não é nada razoável!

 

Em segundo lugar, os empregadores não demitiram! Basta olhar os dados mais recentes sobre o mercado de trabalho para ver que entre 2015 e 2017 o emprego doméstico – ao lado do trabalho por conta própria – foram as únicas ocupações com saldo líquido positivo de emprego para as mulheres! Ou seja, o trabalho doméstico tem um comportamento anticíclico. Nos governos Lula e Dilma, quando o desemprego estava baixo e a economia crescendo, o empregado doméstico perdia participação no mercado de trabalho. Em períodos de crise econômica é apenas no trabalho doméstico que muitas mulheres desempregadas encontram possibilidade de reinserção laboral.

 

Essa é a reflexão quanto ao que chamei de ignorância e desconhecimento do candidato sobre o tema. No que tange ao seu projeto de país, a análise é simples. Bolsonaro comunga com aqueles que desejam a volta do Brasil servil.

 

Não regulamentar nem profissionalizar o trabalho das empregadas domésticas é a principal forma de manter esse trabalho na condição de serviçal, de agregado da família, relembrando a organização familiar do século XIX! Além disso, na medida em que persiste o desemprego e aumenta a oferta de mulheres se dispondo ao trabalho doméstico, menores se tornam seus salários. Pela Lei da oferta e da procura: quando mais oferta de mão de obra no mercado por menor preço é negociada a sua contratação.

 

Essa é mais uma faceta do golpe. Mulheres, especialmente as negras, retornam ao seu lugar de origem, submetidas a baixos salários, jornadas extenuantes e ausência de direitos trabalhistas.

 

Com Bolsonaro e seu projeto neoliberal de flexibilização ao máximo dos direitos trabalhistas é a volta do Brasil servil de novo.

 

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02
Set18

STF legitima padrão escravocrata de exploração

Talis Andrade

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por Jeferso Miola

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A aprovação da terceirização irrestrita dos contratos de trabalho pelo STF traduz a lealdade absoluta da suprema corte do país com os interesses estratégicos do golpe.

 

A decisão do STF espezinha o direito humano moderno, que concebe o direito de todo ser humano ao trabalho digno e decente, e cujas bases foram assentadas no Brasil por Getúlio Vargas em 1937, quando ele criou a CLT.

 

A decisão do stf propicia o aumento cavalar da mais-valia a níveis ainda mais escandalosos e num contexto de brutal desemprego e precarização dos direitos sociais, laborais e previdenciários dos trabalhadores.

 

A terceirização não compromete somente o presente do trabalhador. O futuro do trabalhador – ou seja, o direito a um regime solidário para a aposentadoria digna e decente – também ficará mortalmente alvejado por esta decisão infame e anti-civilizacional da suprema corte.

 

Em troca do aumento de 16% no salário e regalias nababescas que fazem do judiciário brasileiro o mais caro do mundo, o stf entregou a joia da coroa do golpe: incrustou no ordenamento jurídico do Estado brasileiro o padrão de exploração escravocrata do trabalhador.

 

O stf legitima, assim, um padrão escravocrata de exploração no Brasil.

 

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01
Ago18

5 fatos mostram que Bolsonaro é contra os trabalhadores e aliado de Temer

Talis Andrade

 

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por Lucas Fogaça

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Muitos colegas e amigos das fábricas e do SENAI acreditam que o deputado Jair Bolsonaro (PSC) é um bom político. Alguns dizem até que vão votar nele. Esses mesmos colegas e amigos são contra a Reforma Trabalhista e Previdenciária. Contra a lei da terceirização. Contra os cortes nos investimentos em saúde e educação feitos pelo governo Temer (PMDB) e contra a corrupção e os privilégios dos políticos. Todos esses operários esperam que Temer deixe a presidência da República. Quero explicar a esses colegas porque se querem mudanças no governo e o fim dos ataques aos trabalhadores não devem apoiar o deputado Jair Bolsonaro (PSC) nem seu filho Eduardo Bolsonaro (PSC) também deputado federal.

 

1 – Família Bolsonaro quer aprovar a Reforma Trabalhista com urgência

 

A Reforma Trabalhista significa que a CLT (legislado) não vale mais. O que vale é o que for negociado entre patrão e sindicato. É evidente para qualquer trabalhador que o trabalho que já tava difícil vai ficar ainda pior.

Saiba mais sobre a reforma trabalhista:

https://esquerdaonline.com.br/2017/04/25/cinco-grandes-ataques-aos-direitos-dos-trabalhadores-pela-reforma-trabalhista/

https://esquerdaonline.com.br/2016/12/22/entenda-reforma-trabalhista-de-temer/

 

2 – Família Bolsonaro e seu partido são grandes aliados de Michel Temer

O partido dos Bolsonaro é o Partido Social Cristão (PSC). O PSC apoia integralmente o governo Temer. Inclusive o líder do governo Temer na Câmara dos Deputados se chama André Moura e é do PSC.

 

3 – Eduardo Bolsonaro votou a favor e seu pai Jair Bolsonaro se absteve na votação da Lei da Terceirização para atividade-fim

O projeto de lei (PL 4302/98) aprovado permite a terceirização até da atividade-fim de uma empresa. Ou seja, uma escola poderá terceirizar não apenas o serviço de limpeza, mas até contratação de seus professores, por exemplo. Os operários e principalmente as operárias terceirizadas sabem como é terrível ser terceirizado: salários menores, piores condições de trabalho, menos direitos e benefícios, muitas vezes sem sindicato e um longo etc. Os terceirizados são trabalhadores precarizados, tratados como de 2ª divisão.

Apesar disso Jair Bolsonaro se absteve da votação. Abstenção é não votar a favor nem contra. Por que Jair Bolsonaro ficou em cima do muro numa lei que prejudica tanto o povo trabalhador? Acho que ele não quer perder a popularidade com a maioria dos trabalhadores que apoiam ele e nem com os empresários que financiam suas campanhas. Seu filho Eduardo Bolsonaro não hesitou: votou a favor da Lei.

Saiba mais sobre o impacto da terceirização:
https://esquerdaonline.com.br/2016/11/18/o-mito-da-terceirizacao-enquanto-modernizacao-empresarial/

https://esquerdaonline.com.br/2017/03/27/fora-terceirizacao/

 

4 – Família Bolsonaro falou contra a PEC 241 e votou a favor

A PEC 241 – conhecida como #PECdoFimdoMundo – foi aprovada no ano passado. Essa emenda na constituição prevê o congelamento de investimentos do governo em saúde, educação, moradia, entre outras por 20 anos. Jair e Eduardo Bolsonaro chegaram a se manifestar contra a Lei mas no dia da votação mudaram de ideia e votaram a favor do governo o que revoltou seus seguidores.

Saiba mais sobre a PEC 241:

https://esquerdaonline.com.br/2016/11/24/o-que-e-a-pec-55-antiga-pec-241-e-o-que-ela-muda-na-vida-dos-trabalhadores/

https://esquerdaonline.com.br/2016/10/17/a-luta-em-defesa-do-sus-e-a-luta-contra-a-pec-241/

https://esquerdaonline.com.br/2016/10/14/pec241vaiinviabilizarplanonacionaldeeducacao/

 

5 – Jair Bolsonaro usa dinheiro público de forma indevida para viajar pelo país fazendo campanha presidencial

Nos últimos 5  meses Jair Bolsonaro gastou 22 mil reais em 6 viagens pelo Brasil. Apesar das regras da Câmara dizerem que “não é permitido uso das verbas com finalidade eleitoral” os vídeos das viagens de Bolsonaro mostram claramente que é uma campanha presidencial antecipada, inclusive com gritos de Bolsonaro Presidente. Bolsonaro se diz contra os privilégios dos políticos, mas gasta dinheiro público de forma irregular.

Os 5 fatos acima mostram claramente que a família Bolsonaro é contra os trabalhadores. Eles defendem o odiado governo Temer e as leis que favorecem os grandes empresários do nosso país. Não merecem seu voto em 2018 e muito menos o seu apoio. [Transcrevi trechos]

 

Negronazista.jpg

 

01
Ago18

Sr. Presidente / Você nunca daria uma volta comigo.../ Daria?

Talis Andrade

Deixe-me te dizer sobre trabalho duro:
Salário minimo com um bebê a caminho

 

salário Júcalo.jpg

 

 

Dear Mr. President 

Caro Sr. Presidente
Venha dar uma volta comigo
Vamos fingir que somos apenas duas pessoas e
Você não é melhor do que eu
Eu gostaria de fazer-lhe algumas perguntas se pudermos conversar honestamente
O que você sente quando vê tantas pessoas sem lar nas ruas?
Por quem você reza a noite antes de dormir?
O que você sente quando olha no espelho?
Você está orgulhoso?
Como você dorme enquanto o resto de nós chora?
Como você sonha quando uma mãe não tem a chance de dizer adeus?
Como você anda com a cabeça erguida?
Você pode pelo menos me olhar nos olhos
E me dizer porquê?
Caro Sr. Presidente
Você era um garoto sozinho?
Você é um garoto sozinho?
Você é um garoto sozinho?
Como você pode dizer
Que nenhuma criança é deixada para trás
Nós não somos bobos e não somos cegos
Eles estão todos sentados em suas celas
Enquanto você financia o caminho para o inferno
Que tipo de pai tiraria os direitos da própria filha?
E que tipo de pai poderia odiar a própria filha se ela fosse gay?
Eu posso só imaginar o que a Primeira-dama tem a dizer
Você veio de um longo caminho de uísque e cocaína
Como você dorme enquanto o resto de nós chora?
Como você sonha quando uma mãe não tem a chance de dizer adeus?
Como você anda com a cabeça erguida?
Você pode pelo menos me olhar nos olhos?
Deixe-me te dizer sobre trabalho duro:
Salário minimo com um bebê a caminho
Deixe-me te dizer sobre trabalho duro:
Reconstruir sua casa depois que as bombas a levaram embora
Deixe-me te dizer sobre trabalho duro:
Construir uma cama com caixas de papelão
Deixe-me te dizer sobre trabalho duro
Trabalho duro
Trabalho duro
Você não sabe nada sobre trabalho duro
Trabalho duro
Trabalho duro
Oh
Como você dorme a noite?
Como você anda com a cabeça erguida?
Caro Sr. Presidente
Você nunca daria uma volta comigo...
Daria?

salário Abdallah.jpg

 

Dear Mr. President

Dear Mr. President
Come take a walk with me (Come take a walk with me)
Let's pretend we're just two people and
You're not better than me
I'd like to ask you some questions if we can speak honestly
What do you feel when you see all the homeless on the street?
Who do you pray for at night before you go to sleep?
What do you feel when you look in the mirror?
Are you proud?
How do you sleep while the rest of us cry?
How do you dream when a mother has no chance to say goodbye?
How do you walk with your head held high?
Can you even look me in the eye
And tell me why?
Dear Mr. President
Were you a lonely boy?
Are you a lonely boy?
Are you a lonely boy?
How can you say
No child is left behind
We're not dumb and we're not blind
They're all sitting in your cells
While you pay the road to hell
What kind of father would take his own daughter's rights away?
And what kind of father might hate his own daughter if she were gay?
I can only imagine what the first lady has to say
You've come a long way from whiskey and cocaine
How do you sleep while the rest of us cry?
How do you dream when a mother has no chance to say goodbye?
How do you walk with your head held high?
Can you even look me in the eye?
Let me tell you bout hard work:
Minimum wage with a baby on the way
Let me tell you bout hard work:
Rebuilding your house after the bombs took them away
Let me tell you bout hard work:
Building a bed out of a cardboard box
Let me tell you bout hard work
Hard work
Hard work
You don't know nothing bout hard work
Hard work
Hard work
Oh
How do you sleep at night?
How do you walk with your head held high?
Dear Mr. President
You'd never take a walk with me
Would you?

 

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