Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

27
Set18

NÃO EXISTEM PESSOAS HETEROSSEXUAIS, DIZ A CIÊNCIA

Talis Andrade

Quando muito, maioritariamente heterossexuais, segundo um estudo que garante que preto e branco é coisa que não se aplica à sexualidade humana. Isso e que somos todos mais fogosos na cama do que alguma vez pensámos.

 

life .jpg

 

 

 

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

 

Romances cor-de-rosa e comédias românticas, com mais ou menos erotismo, têm todos a mesma fórmula. Um homem e uma mulher, uma atração irresistível, as mais variadas contrariedades, o clímax, e, enfim, felizes para sempre.

 

Tudo muito bonito, não fosse pelo facto de a ciência vir dizer que não há pessoas heterossexuais, o que pressupõe outros enredos bem mais interessantes. Para elas e para eles.

 

A sexualidade humana é complexa, fluida, impossível de conter nas típicas convenções sociais e culturais de género.

 

É pelo menos esta a conclusão de uma pesquisa publicada no Journal of Personality and Social Psychology (Jornal de Personalidade e Psicologia Social), segundo a qual a sexualidade humana é complexa, fluida, impossível de conter nas típicas convenções sociais e culturais de género que definem alguém como sendo heterossexual, gay, bissexual ou outro rótulo qualquer.

 

«Estamos a tentar chegar ao que as pessoas realmente são e não fiquei nada surpreendido», revela à revista canadiana Vice Ritch Savin-Williams, um dos autores do estudo que dirige também o Laboratório de Sexo e Género no Departamento de Desenvolvimento Humano da Universidade Cornell, em Nova Iorque. «Por vezes parece que vão num sentido, embora acreditem ter de mostrar que caminham noutro diferente, o que não é bom», diz.

 

Não é bom e não admira, à luz de uma sociedade ainda aferrada à ideia de que o indivíduo tem de poder encaixar numa ou noutra orientação, não há cá misturas. Isto quando, na prática, ao medir os efeitos fisiológicos da pornografia em mulheres e homens, a investigação de Savin-Williams apurou que os corpos delas – tal como os deles – reagem positivamente quer ao sexo heterossexual, quer ao homossexual.

life 2.jpg

 

 

«Tem tudo a ver com a pessoa sentir-se livre para ser ativada por um ou outro género, apreciando a consciência do prazer», diz Cristina Mira Santos.

 

«Tem tudo a ver com energia erótica, com a pessoa sentir-se livre para ser ativada por um ou outro género, apreciando a consciência do prazer», explica a psicóloga e sexóloga Cristina Mira Santos. Porque insistimos à força numa compartimentação, nós e os outros? «Se sou mulher e gostei do toque de outra mulher, porque não encarar essa experiência como qualquer outra com alguém do sexo oposto?»

 

E eles também, óbvio, sublinha Cristina Mira Santos. A lógica que impera é a de que o sexo serve para procriar, contudo ter prazer e fazer filhos são coisas diferentes: «Se concebermos a separação entre aparelho reprodutor e sexual, com órgãos comuns mas funções distintas, porque é que um homem também não há de poder sentir-se atraído por alguém do mesmo sexo só por prazer?»

 

Uma questão que cruza diretamente com os resultados, no mínimo inesperados, de uma sondagem levado a cabo pela Victoria Milan, a plataforma de encontros para casais que procuram casos discretos: a avaliar pelos números, obtidos numa amostra de 1300 entrevistados de ambos os sexos em vários países do mundo, 87 por cento dos homens admitem que algumas das fantasias sexuais mais comuns incluem os seus melhores amigos do sexo masculino (veja as outras conclusões na fotogaleria).

 

Homens retraem-se mais do que as mulheres por serem rotulados, julgados e tratados com especial dureza pela sociedade.

 

Para o professor de desenvolvimento humano de Cornell, o facto de os homens se retraírem tanto comparativamente às mulheres deve-se a uma inclinação geral da sociedade para rotulá-los, julgá-los e tratá-los com particular dureza, às vezes a raiar a repugnância. Daí continuar a trabalhar numa formulação a que chama de «maioritariamente heterossexual», no sentido de desbloquear mentalidades.

 

«Sempre reconhecemos a existência de mulheres maioritariamente heterossexuais, isto é, mulheres que são sobretudo hetero, mas caso a mulher certa surja talvez experimentem também com ela», traduz Savin-Williams. Não sendo um fenómeno exclusivamente feminino – a sua própria pesquisa encarregou-se de lho mostrar –, que sentido faria deixar os homens de fora?

 

Numa sociedade mais aberta, muitos de nós sentir-se-iam atraídos por pessoas de ambos os sexos.

 

«Também eu penso que, numa sociedade mais aberta, muitos de nós se sentirão atraídos por pessoas de ambos os sexos», admite o psiquiatra e sexólogo Júlio Machado Vaz ressalvando, desde logo, a diferença entre isso e dizer que somos necessariamente bissexuais, ou poderíamos andar todos a saltitar entre fases mais hetero, gay ou bi – não é verdade.

 

«Ao longo dos anos, ouvi inúmeros homossexuais lamentarem o fracasso de tentativas desesperadas para se manterem ao abrigo do preconceito», justifica o especialista, sabendo que nem no meio da maior homofobia social, por necessidade, conseguiam que essa alegada capacidade latente viesse ao de cima para lhes facilitar a vida.

 

A psicóloga Cristina Mira Santos explica a evidência com processos inconscientes de substituição: «Num casal de lésbicas, por exemplo, há muitas vezes um membro com uma energia mais yin, feminina, e outro mais yang, que por escolher o papel masculino se torna reativo a gostar de homens.»

 

Em matéria de prazer, os olhos são o espelho da alma, como crê a sabedoria popular.

 

O mesmo sucede num casal de dois homens, diz Mira Santos: à partida, o yang estará mais aberto ao erotismo com mulheres do que o parceiro yin, que se identifica com elas e, como tal, não se sente ativado por um corpo feminino.

 

E ao que parece os olhos são mesmo o espelho da alma em matéria de prazer, garantem os cientistas da Universidade Cornell. «Basicamente, o que fizemos neste estudo foi avaliar a orientação sexual de alguém vendo se os seus olhos dilatavam ou não, algo que não podemos controlar», conta Savin-Williams. É a derradeira missão do projeto: determinar a sexualidade sem se fiar no que cada um diz de si. Palavras só atrapalham.

 

«Outro modo de fazê-lo era analisar a resposta genital ao estímulo, mas seria um pouco invasivo», acrescenta o especialista norte-americano, dando razão a Shakespeare quando dizia que há mais coisas entre o céu e a terra – neste caso entre normas de género – do que sonha a nossa vã filosofia. Uma coisa é certa: a sexualidade humana acabou de se tornar muito menos aborrecida. In Diário de Notícias/ Portugal

21
Set18

Bolsonaro - Porque não voto nele

Talis Andrade

 

criança ele nao.jpg

 



 

por Suzane Kummer
___

Sou médica pediatra desde 1993. Um dos maiores desafios profissionais que enfrentei em minha carreira foi ser chefe da emergência pediátrica de um hospital em Porto Alegre referência de atendimento para crianças vítimas de violência. De todas as situações que chegavam a nós, as mais difíceis, sem dúvida, eram as violências sexuais. Diferente das outras violências, que necessitavam atendimento dos traumas físicos e psicológicos, a violência sexual se seguia a outros procedimentos “violentos” à criança dentro do ambiente hospitalar: coleta de exames laboratoriais, exame minucioso da genitália, medicações injetáveis para prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. E uma longa jornada pela frente com ocorrência policial, atendimentos médicos, psicológicos, conselho tutelar, etc. Também sabíamos que as sequelas seriam para sempre, que todas ficariam tristes por muito tempo, muitas ficariam deprimidas, teriam sua vida comprometida. E ainda se sentiriam culpadas. Com dificuldades para processar o que aconteceu, grande parte acredita que teve um castigo que mereceu, acredita que provocou o estupro.


Tento imaginar o que passa pela cabeça de uma dessas crianças quando assiste a cena de um adulto falando para uma mulher “eu só não te estupro porque você não merece” em pleno congresso nacional.


O único sentimento que Bolsonaro me provoca é repugnância.


EleNão
EleNunca

20
Jul18

Moro e Lula, fetiche e despudor

Talis Andrade

 

CH-MORO rei sol.jpg

 


por Dermeval Netto 

---
Moro é o dono do corpo de Lula. Sua relação perversa com Lula é a de quem está investido pelo fetiche da libido pelo objeto a quem destina desejo, paixão e ódio. Moro não admite que ninguém, a não ser ele, somente e exclusivamente, disponha sobre o corpo de Lula, sobre o qual se apossou e do qual se nomeia proprietário. Domínio ampliado e exibido em exposição midiática, permanente, no culto ao ego exacerbado, patrocinado na parceria despudorada da farsa do anti-jornalismo global. A anarquia judiciária que assola o Brasil passa também pela demência de um juiz, movido pelo desejo mórbido e corrompido de morte a Lula, fruto de tara e perversão sexual, narcísica, compulsiva, descontrolada, desesperada.


Moro é afinal o dono do corpo de Lula.

26
Jun18

“Estou perdida, mamãe”: adolescente revela pesadelo em rede de prostituição na França

Talis Andrade

escrava.jpg

 

 

RFI - Em entrevista ao site de France Info nesta segunda-feira (25), uma francesa de 15 anos detalha os horrores vividos dentro de uma rede de prostituição que recrutava adolescentes pelo Instagram na região da Grande Paris. Doze homens, com idades entre 17 e 30 anos, estão envolvidos nos crimes, e são interrogados no Tribunal Correcional de Paris.

 

Acusados de proxenetismo - delito que consiste em obter benefícios econômicos advindos da prostituição de outra pessoa -, os acusados se encontram em prisão preventiva. Segundo Edwige, a mãe da jovem de 15 anos que decidiu quebrar o silêncio à France Info, “as meninas eram seduzidas pelos presentes e a facilidade de ganhar dinheiro rapidamente”.

 

Segundo a rádio francesa, no entanto, trata-se de um fenômeno que se desenvolve em várias “cités” da região de Île-de-France, no entorno da capital. O termo designa áreas pouco desenvolvidas, ocupadas por pessoas de baixa renda, que habitam as chamadas “moradias sociais” do país, complexos habitacionais subvencionados pelo Estado para populações pobres. “Ela não dorme em casa um dia, depois um fim de semana, enfim, uma semana inteira, e depois abandona de vez a nossa casa”, conta a mãe da adolescente, identificada pelo nome fictício de Hawa na reportagem.

 

Vendidas em sites de prostituição

Após tê-la “testado”, segundo expressão utilizada pelos próprios criminosos, os acusados compraram maquiagem, roupas de marca e sapatos caros. Além disso, fotografaram a garota produzida, colocando anúncios em sites como Vivastreet, Wannonce ou EscortSexe, dedicados à prostituição na França. Ameaçadas de violência física pelos homens, as garotas eram obrigadas a trabalhar sem pausa durante os sete dias da semana, mas recebiam cada vez menos dinheiro.

 

“Eles escolhiam suas ‘esposas’ e depois as jogavam como pasto aos clientes. Na maior parte do tempo eram orgias. Havia velhos, gente muito rica envolvida”, conta a mãe de Hawa. Para manter as meninas isoladas em apartamentos miseráveis, relata France Info, os cafetões faziam com que elas consumissem cocaína. Dependente, Hawa contraiu infecções sexualmente transmissíveis e abortou várias vezes. Ela tentou cometer suicídio e, certa noite, fugiu com outra jovem prostituta, decisão que lhe custou caro. Os criminosos acabam por ameaçá-la em sua própria casa: “Sabemos onde você mora, onde estão seus pais, vamos contar tudo na internet”, provocaram.

 

O pesadelo durou dez meses, antes que a polícia, alertada por pais em perigo como Edwige, desse início à investigação, que durou longas semanas. Um sistema de escuta telefônica e de vigilância foram implementados, segundo France Info, capturando os criminosos. Os dois principais organizadores da rede ainda se encontram sob custódia policial, assim como outros 20 envolvidos, mas isso não foi suficiente para tranquilizar Hawa e sua mãe, que preferem continuar sob disfarce de novas identidades na cidade para onde se mudaram, após o episódio, em 2015. Hawa recebe ajuda psiquiátrica: “Estou perdida, mamãe, eu não valho mais nada”, diz, escondida em seu quarto, bem longe da cidade onde nasceu e cresceu.

29
Mai18

Venda de virgindade online: prostituição ou estupro velado?

Talis Andrade
media
No começo deste mês, uma francesa de 20 anos vendeu a virgindade por US$ 1,2 milhões no site alemão Cinderella Escorts.

 

 

O fenômeno da venda da virgindade por jovens mulheres na internet não é novo, mas se torna cada vez mais comum e midiatizado. Entrevistados pela RFI, especialistas em sexo e direitos das mulheres oscilam ao classificar a prática de prostituição e estupro velado.

 

Nos últimos anos, jovens que vendem sua primeira experiência sexual na internet por quantias milionárias se multiplicam. No Brasil, Catarina Migliorini, que leiloou sua virgindade online em 2012, chamou a atenção de todo o país e foi assunto de um documentário. Na Inglaterra, no início deste ano, uma jovem recebeu um milhão de libras vendendo sua virgindade a um misterioso ator de Hollywood. Aqui na França, no início deste mês, uma jovem parisiense também atraiu a atenção da opinião pública ao anunciar ter arrematado US$ 1,2 milhão em troca de sua primeira experiência sexual.

 

Em um vídeo publicado nas redes sociais, a parisiense Jasmine, de 20 anos, explica o que a motivou a vender sua virgindade. “Quero estudar, conhecer o mundo, aprender com isso, ser uma empresária e também ajudar meus pais”, disse a jovem, alegando que tem muitas contas para pagar.

 

Segundo o site alemão Cinderella Escorts - plataforma onde a transação foi realizada -, um banqueiro de Wall Street foi quem deu o lance de US$ 1,2 milhão pela virgindade de Jasmine. Entrevistada pelo jornal britânico The Sun, a jovem classifica a experiência, que aconteceu nos Estados Unidos, de “positiva”, ressaltando que o homem foi “gentil e cuidadoso” durante o ato sexual e que eles planejam se encontrar novamente. “A maioria das pessoas trocaria um milhão de dólares por sua primeira vez se pudessem voltar no tempo”, disse.

 

A questão parece ser muito mais complexa e é alvo de duras críticas na França. As matérias publicadas pela mídia francesa questionam a prática, lembrando que se fosse na França, ela não aconteceria, já que a prostituição é ilegal no país. “Quando o hímen será cotado na bolsa?”, ironiza o jornal Libération em uma matéria publicada na semana passada, estimando que o fenômeno coloca em questão a evolução da relação com o corpo e deste rito de passagem.

 

Um fenômeno que data da Idade Média

“Esse fenômeno me dá a impressão que ainda estamos na Idade Média”, diz o sexólogo Philippe Arlin. O especialista lembra que nesta época, na França, os homens ricos tinham o direito de deflorar suas serviçais, ainda que estivessem conscientes que, tirando a virgindade delas, essas mulheres estariam para sempre afastadas da sociedade.

 

Séculos após o período “das trevas”, muitos mitos ainda permanecem no imaginário masculino. “É a ideia de possuir, de ser o primeiro, e de se apropriar da juventude de alguém – noções que foram criadas por homens e que continuam ainda hoje a perseguir as mulheres na forma de assédios e agressões sexuais”, salienta Arlin.

 

O sexólogo compara o interesse dos homens em comprar a virgindade de mulheres na internet à pedofilia. “Aceitar pagar pela prática é reconhecer o interesse em mulheres que não são sexualmente maduras”, avalia.

 

Na internet, tudo se compra

Vender a virgindade em plataformas como a Cinderella Escorts leva milhares de dólares ou euros para as contas das candidatas. Mas a exposição que recebem das mídias também é uma espécie de recompensa, em uma época em que reality shows produzem “celebridades” a granel e que a popularidade nas redes sociais é sinônimo de sucesso.

 

Por isso, a estratégia de recorrer ao método é considerado como um caminho mais curto e simples para alcançar a fama ou ganhar dinheiro, na opinião do sexólogo. “Na internet, tudo pode ser comprado e tudo pode ser vendido”, reitera Arlin.

 

Embora o método seja relativamente recente, a polêmica questão existe “desde que o mundo é mundo”, avalia a militante feminista Lorraine Questiaux, do Coletivo Francês para os Direitos das Mulheres. “O sistema patriarcal continua impondo que a mulher é uma mercadoria”, reitera.

 

Ela compara a venda da virgindade na internet ao casamento forçado, que em muitas sociedades é realizado em troca de bens ou dinheiro. Afinal, para a militante feminista, o consentimento das mulheres que vendem a virgindade é questionável. “É evidente que, em uma cultura que educa as mulheres a se tornarem objetos sexuais, vamos exigir delas que colaborem com sua própria dominação”, analisa.

 

Por isso, para Questiaux, muito além da prostituição, a venda da virgindade na internet não passa de um estupro velado e normalizado sob a ideia de que a prática tem o acordo da candidata em questão. “O que deveríamos nos perguntar é de que forma essas jovens foram condicionadas para que, aos 20 anos, elas queiram vender na internet sua primeira vez a um desconhecido”, diz.

 

Em entrevista ao jornal Libération, um responsável do site Cinderella Escorts afirma que não promove a prostituição, mas apenas proporciona uma forma segura para as mulheres ganharem dinheiro. “Elas são selecionadas sob critérios de beleza, mas também tentamos saber se elas estão seguras de sua escolha”, garante, lembrando que a quantidade de virgens no site subiu de 400 para 20 mil nos últimos dois anos.

 

 

30
Abr18

Hilda Hilst

Talis Andrade

Hilda Hilst incompreendida.jpg

 

 

Araras versáteis

 

Araras versáteis. Prato de anêmonas.
O efebo passou entre as meninas trêfegas.
O rombudo bastão luzia na mornura das calças e do dia.
Ela abriu as coxas de esmalte, louça e umedecida laca
E vergastou a cona com minúsculo açoite.
O moço ajoelhou-se esfuçando-lhe os meios
E uma língua de agulha, de fogo, de molusco
Empapou-se de mel nos refolhos robustos.
Ela gritava um êxtase de gosmas e de lírios
Quando no instante alguém
Numa manobra ágil de jovem marinheiro
Arrancou do efebo as luzidias calças
Suspendeu-lhe o traseiro e aaaaaiiiii…
E gozaram os três entre os pios dos pássaros
Das araras versáteis e das meninas trêfegas.

28
Abr18

metamorfose

Talis Andrade

metamorfose patricia smaniotto.jpg

 

 
 
e se eu dissesse
que tudo que havia nas minhas mãos
eram destroços.
e então veio você e me virou
e revirou pelo avesso
fez do meu corpo arena de desejos loucos
dos meus cabelos fontes, dos meus olhos noites
dos meus seios frutos, do meu ventre lago
das minhas coxas abertas pontes,
do meu sexo exposto templo.
e na manhã última dos tempos,
me cobriu de folhas mortas
para que eu fecundasse a terra
e renascesse sem dor e sem nome,
como deusa nova, para o teu deleite.
 
22
Abr18

Denúncia de abuso sexual estremece o mais famoso celeiro de jogadores do Brasil Crianças à mercê do abuso sexual no futebol brasileiro

Talis Andrade

“Nunca contei a ninguém sobre o que aconteceu. Só queria esquecer e continuar jogando futebol, mas não consegui”, diz Ruan Pétrick, que acusa ter sido molestado aos 11 anos por um dirigente do Santos

 

ruan pétrick.jpg

Ruan Pétrick denunciou dirigente do Santos por abuso sexual. RENATO PIZZUTTO

 

Seguir os passos do conterrâneo Paulo Henrique Ganso e trilhar o caminho bem-sucedido de Neymar. Foi com esse pensamento que Ruan Pétrick Aguiar de Carvalho saiu de casa aos 10 anos, em Marabá, no interior paraense, para embarcar rumo a São Paulo com um time amador. Mas, ao contrário do que sempre sonhou, seu nome não ganharia o noticiário como mais uma história em que o menino pobre alcança o estrelato da bola. Na última semana, ele procurou a polícia para registrar queixa contra Ricardo Marco Crivelli, o Lica, coordenador das categorias de base do Santos Futebol Clube, por abuso sexual. Lica nega a acusação, mas a Delegacia de Repressão e Combate à Pedofilia na capital paulista abriu inquérito para investigar o caso.


De acordo com o boletim de ocorrência, o abuso teria ocorrido em 2010. Com 11 anos, Ruan estava sem clube após treinar na Portuguesa Santista e conheceu Crivelli no alojamento onde morava em São Paulo. Segundo depoimento à polícia, Lica, que até então atuava como observador técnico do Santos, teria acariciado seu corpo e praticado sexo oral com ele durante uma noite. “O cara prometeu que me levaria pra jogar no Santos. Depois de algumas semanas, eu fui chamado para entrar no clube”, conta Ruan ao EL PAÍS.


Ele ficou na base do Santos por um ano e meio. Ao longo desse tempo, conviveu com chacotas de companheiros de time, que tripudiavam de sua proximidade com o dirigente.

12
Abr18

PROFISSIONAIS DO SEXO REPUDIAM OSCAR MARONI E MANIFESTAM APOIO A LULA

Talis Andrade

 

maroni 1.jpg

oscar-maroni 3.jpg

bahamas_club_ 1.jpg

Maroni 2.jpg

 

 

 

 

A Associação Mulheres Guerreiras de Campinas lançou uma carta de repúdio ao empresário Oscar Maroni, um dos maiores empresários voltados à prostituição de luxo no país e que deu uma festa, distribuindo cerveja grátis, no dia em que Lula foi preso; as trabalhadoras falam sobre respeito e dignidade sobre seus corpos; numa cena grotesca da festa, ele expôs o corpo nu de uma profissional do sexo, num cenário em que aparece vestido de presidiário

 

 

 

por Vanessa Ramos - A Associação Mulheres Guerreiras de Campinas lançou nesta quarta-feira 11 uma carta de repúdio ao pré-candidato ruralista nas próximas eleições, Oscar Maroni, um dos maiores empresários voltados à prostituição de luxo no país.

 

Ele não apenas comemorou a prisão política de Luiz Inácio Lula da Silva no último sábado (7), com comentários incentivando o assassinato do ex-presidente dentro da prisão, como também ofereceu cerveja gratuita e expôs o corpo nu de uma profissional do sexo, num cenário em que aparece vestido de presidiário.

 

A imagem viralizou nos últimos dias pela internet, tendo como cenário de fundo as imagens do juiz Sérgio Moro e da ministra Cármen Lúcia, como numa espécie de altar de adoração após o resultado de uma prisão injusta e arbitrária.

 

Na carta, as mulheres reforçam a luta pela garantia de seus corpos e por dignidade e, ainda, manifestam apoio a Lula. "Nós temos lado nessa luta e o nosso lado é contrário a esse machismo que violenta, machuca e mata corpos e mentes diariamente". Em outro trecho afirmam que "existe um Lula em cada uma e em cada um de nós e as suas ideias e seus sonhos seguirão conosco eternamente."

 

Para a ex-ministra de Políticas para Mulheres do governo eleito de Dilma Rousseff, Eleonora Menicucci, as atitudes de Maroni, que não se resumem a este fato, são um retrato do golpe que, segundo ela, é machista, discriminatório e preconceituoso. "Este golpe e esta prisão injusta, comemorados por este senhor que usa as mulheres como objeto de uso sexual é mais uma representação da violência estrutural da sociedade brasileira, que é de classe, de gênero e racial", avalia.

 

NOTA DE REPÚDIO À AGRESSÃO SOFRIDA PELA MULHER E PROFISSIONAL DO SEXO COMETIDA PELO EXPLORADOR OSCAR MARONI

Nós, da Associação Mulheres Guerreiras, profissionais do sexo de Campinas e unidas por respeito, vimos através desta nota registrar nosso repúdio à atitude do empresário paulista Oscar Maroni, dono da casa liberal Bahamas Club, zona sul de SP, no que diz respeito à agressão à profissional do sexo.

 

Estão sendo veiculados na mídia fotos e vídeos desse suposto empresário, em que o mesmo exibe uma mulher nua, sendo agredida na sua dignidade como mulher e como profissional do sexo. Nestas imagens e vídeos, a profissional tem a sua boca tapada e é segurada com gestos grosseiros e agressivos pelo empresário, numa clara atitude machista, oferecendo a mulher como presa aos "homens de bem", defensores da moral e dos bons costumes que comemoravam a prisão do ex-presidente Lula em frente ao seu estabelecimento.

 

É visível que a mulher e profissional do sexo ali exposta está contrariada, envergonhada com a atitude do empresário e tenta se desvencilhar da humilhação pública. E para completar o cenário grotesco, ao fundo estão expostas as fotos do juiz Sérgio Moro e da Ministra do STF, Carmem Lúcia. Tudo no seu devido lugar.

 

Nós, profissionais do sexo, somos trabalhadoras e trabalhadores sérios, exigimos respeito no exercício do nosso trabalho e não aceitamos ser tratadas e tratados como objetos. Lutamos diariamente pela garantia de nossos direitos e por dignidade. Nós temos lado nessa luta e o nosso lado é contrário a esse machismo que violenta, machuca e mata corpos e mentes diariamente.

 

Vale lembrar que foram esses sentimentos de machismo, de violência e de ódio que derrubaram a presidenta legitimamente eleita Dilma Rousseff sem crime algum; que encarceraram Lula sem nenhuma prova, contrariando a Constituição; e que querem calar as vozes daqueles/as que ousam a se levantar em críticas e protestos contra esse fascismo que cresce a cada dia nesse país. Vale lembrar que é esse mesmo ódio que tenta calar as ideias e os sonhos de Luiz Inácio Lula da Silva de construir um país mais justo e mais igualitário para cada um e cada uma.

 

Diante da atitude covarde e insana desse empresário golpista, repudiamos veementes seus atos machistas, misóginos e criminosos. Lamentamos profundamente que a Lei que "que deve ser para todos", infelizmente, ainda não alcançou isso. Em tempo, nos solidarizamos com a mulher trabalhadora e profissional do sexo pela violência sofrida e reafirmamos que a nossa luta não vai parar, pois existe um Lula em cada uma e em cada um de nós e as suas ideias e seus sonhos seguirão conosco eternamente.

 

ASSOCIAÇÃO MULHERES GUERREIRAS DE CAMPINAS/SP
Campinas, 11 de abril de 2018

 

27
Jan18

PODRES PODERES

Talis Andrade

BRA_CB-1.jpg

 

 

Letra de Caetano Veloso

 

Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Motos e fuscas avançam os sinais vermelhos
E perdem os verdes
Somos uns boçais

 

Queria querer gritar setecentas mil vezes
Como são lindos, como são lindos os burgueses
E os japoneses
Mas tudo é muito mais

 

Será que nunca faremos senão confirmar
A incompetência da América católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos?

 

Será, será que será que será que será
Será que essa minha estúpida retórica
Terá que soar, terá que se ouvir
Por mais zil anos?

 

Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Índios e padres e bichas, negros e mulheres
E adolescentes fazem o carnaval

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub