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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

11
Mai20

Generais ocupam a Saúde em plena pandemia

Talis Andrade

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Por Altamiro Borges

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Os generais voltaram ao poder com o capitão Bolsonaro e hoje assumem várias funções no laranjal. São sete ministros, um vice-presidente e quase 3 mil milicos em cargos governamentais. Com tanta sede de poder, a imagem das Forças Armadas fica cada dia mais comprometida. Depois não adianta reclamar do desastre! 

Em plena pandemia do coronavírus, os milicos ocuparam o Ministério da Saúde e serão cobrados pelo avanço das mortes e da tragédia. Com a posse do sinistro Nelson Tech – já batizado de "Nelson Reich" –, houve uma "intervenção fardada" no setor, conforme aponta notinha da Folha. 

A troca de técnicos por militares

“A troca de funcionários do Ministério da Saúde por militares, promovida por Nelson Teich, foi vista com perplexidade por técnicos da pasta, que interpretam a manobra como uma intervenção fardada inédita e grave por ocorrer no meio de uma pandemia com milhares de mortos no país", informa o jornal. 

Um dos técnicos exonerados pelos generais de ocupação, Francisco Bernd, que trabalhava no ministério desde 1985, disse à Folha que nunca viu "uma mudança tão drástica, com a chegada de pessoas tão estranhas à Saúde". Para ele, "os militares que chegam não têm absolutamente nenhuma experiência histórica na Saúde" 

"O próprio Teich não tem experiência em gestão pública", afirma Francisco Bernd, que integrava a secretaria-executiva do Ministério da Saúde e foi substituído pelo tenente-coronel Jorge Luiz Kormann. Para ele, a ocupação fardada não terá êxito na gestão do setor em plena pandemia. 

“Nelson Reich” é tutelado por generais 

A ocupação militar da bilionária e complexa área da saúde federal ocorre em ritmo acelerado. Logo após ter enxotado Luiz Henrique Mandetta, o "capetão" Bolsonaro impôs ao seu novo capacho, "Nelson Reich", a indicação do general Eduardo Pazuello para ocupar o posto de número 2 do Ministério da Saúde. 

Na sequência, a ocupação fardada prosseguiu, reforçando os temores entre os técnicos da Saúde. Na semana passada, Nelson "Reich" nomeou mais cinco nomes de origem militar para cargos de direção do ministério. As nomeações foram publicadas em edição extra no Diário Oficial da União. 

A ostensiva presença militar na área da saúde ocorre no momento mais delicado do avanço do coronavírus no país – com o aumento das mortes e o risco do colapso dos hospitais. Os generais, que se travestem de técnicos e competentes, terão de enfrentar o capitão negacionista e o caos no laranjal palaciano. 

Novo epicentro mundial da pandemia 

No mundo inteiro, o Brasil já é visto como provável novo epicentro da pandemia. Na quinta-feira (7), a revista britânica The Lancet, publicação científica conceituadíssima, afirmou em duro editorial que Jair Bolsonaro é a maior ameaça no combate à Covid-19. Não há milico que salve a reputação do pária internacional. 

O editorial da Lancet enfatiza que o presidente brasileiro "semeia confusão, desprezando e desencorajando abertamente as medidas de distanciamento físico e confinamento". O texto ainda crítica a inabilidade do governo, que demite "influentes ministros" em plena crise e gera clima de forte radicalização política no país. 

Em entrevista à Folha, o médico Richard Horton, editor da revista Lancet, explicou as razões do editorial tão crítico. "É desesperador que o governo não esteja seguindo as recomendações das comunidades médica e científica do país”. Ele também criticou os ataques negacionistas de Jair Bolsonaro à ciência. 

“Há cientistas brasileiros que são líderes globais em muitos domínios, e esse é um recurso poderoso no qual um país deve se apoiar para o bem da sua população. É por isso que eu chamo o comportamento de Bolsonaro de traição a seu povo. E isso é imperdoável”, afirma Richard Horton.
20
Abr20

Generais condenam participação de Bolsonaro em manifestação golpista

Talis Andrade

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A presença de Bolsonaro em frente ao QG do Exército foi uma “provocação”, “desnecessária” e “fora de hora”, afirmaram os oficiais-generais ouvidos pela reportagem

 

247 – As manifestações em frente ao Quartel General do Exército contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF), que contaram com a presença de Jair Bolsonaro, provou um “enorme desconforto” na cúpula militar. Os oficiais-generais afirmaram ao jornal “O Estado de São Paulo” que não se cansam de repetir que as forças armadas servem ao Estado Brasileiro como instituições permanentes, e não ao governo. 

“Se a manifestação tivesse sido na Esplanada, na Praça dos Três Poderes ou em qualquer outro lugar seria mais do mesmo”, declarou um dos generais ouvidos pela reportagem. “Mas em frente ao QG, no dia do Exército, tem uma simbologia dupla muito forte. Não foi bom porque as Forças Armadas estão cuidando apenas das suas missões constitucionais, sem interferir em questões políticas”, acrescentou. 

Os oficiais observaram também que a presença de Bolsonaro em frente ao QG foi uma “provocação”, “desnecessária” e “fora de hora”.

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19
Abr20

Bolsonaro discursa em frente ao Quartel General do Exército na capital, para fanáticos que pedem uma intervenção militar

Talis Andrade

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Presidente volta a ignorar alertas das autoridades de saúde contra as aglomerações e se reúne com apoiadores que pedem a volta ao trabalho e reabertura do comércio, enquanto aumentam as mortes por covid-19

por Deutsche Welle 

O presidente Jair Bolsonaro discursou neste domingo (19/04) para um grupo de apoiadores em Brasília que participava de uma manifestação em defesa do governo. No ato, que ocorreu em frente ao Quartel General do Exército na capital, muitos defendiam uma intervenção militar no país e faziam fortes críticas ao Congresso Nacional.

Contrariando as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), que pede que as pessoas evitem aglomerações para deter a disseminação do novo coronavírus, os manifestantes se acumulavam em torno de Bolsonaro, que subiu em uma picape para discursar.

"Eu estou aqui porque acredito em vocês. Vocês estão aqui porque acreditam no Brasil. Nós não queremos negociar nada. Nós queremos é ação pelo Brasil", disse Bolsonaro. "O que tinha de velho ficou para traz. Nós temos um novo Brasil pela frente. Todos, sem exceção, têm que ser patriotas e acreditar e fazer a sua parte para que nós possamos colocar o Brasil no lugar de destaque que ele merece. Acabou a época da patifaria. É agora o povo no poder."

"Todos no Brasil tem que entender que estão submissos à vontade do povo brasileiro. Tenho certeza, todos nós juramos um dia dar a vida pela pátria. E vamos fazer o que for possível para mudar o destino do Brasil. Chega da velha política", disse o presidente.

Neste domingo, protestos semelhantes ocorrem em outras cidades pelo país, como São Paulo, Curitiba, Salvador e Manaus. Os manifestantes pedem a reabertura do comércio e a volta ao trabalho, enquanto aumentam o número de mortes e de pessoas infectadas por covid-19 em todo o país. Alguns governos estaduais impuseram medidas de quarentena e isolamento.

Bolsonaro, entretanto, vem questionando a eficácia dessas medidas, adotadas também em diversos países ao redor do mundo, e minimiza a gravidade da doença. O presidente vem realizando passeios e aparições públicas, causando aglomerações em torno de sua figura e até mesmo apertando as mãos de seus apoiadores, o que os especialistas em saúde também pedem que seja evitado. 

Neste sábado, ele voltou a criticar os governadores estaduais e o Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que os estados da federação têm autonomia para ordenar o fechamento do comércio.

Números divulgados pelo Ministério da Saúde neste domingo elevaram o total de mortes pelo novo coronavírus no Brasil para 2.462, com 115 óbitos registrados nas últimas 24 horas. Nos sete dias que antecederam a divulgação desses dados, o aumento no número de mortes foi de 101 % (1.239 óbitos).

Estudos divulgados por diferentes instituições acadêmicas e universidades brasileiras nesta semana alertaram que o número de óbitos e de pessoas infectadas em todo o país pode ser até 15 vezes maior do que o anunciado pelas autoridades.

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17
Abr20

O cavaleiro do apocalipse

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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Previsível e, agora, já presente, o colapso começa a mostrar seus sinais.

Hospitais lotados e lotando no Rio, Manaus, Fortaleza e até em São Paulo, o mais bem equipado deles.

O Exército mandando ofício para os prefeitos para saber se os cemitérios são capazes de lidar com uma montanha de cadáveres.

As cenas selvagens logo virão.

Não se iluda porque, ainda que doa muito, a realidade é o único remédio para nossas cabeças.

Mas há outro colapso, que igualmente era previsível e está em marcha: o colapso institucional.

O ataque de Jair Bolsonaro ao presidente da Câmara, dizendo que sua atuação é “péssima”

“Lamento muito a posição do Rodrigo Maia, que resolveu assumir o papel do Executivo”, afirmou . “Ele tem que me respeitar como chefe do Executivo.”

“Qual o objetivo do senhor Rodrigo Maia? Resolver o problema ou atacar o presidente da República? O sentimento que eu tenho é que ele não quer amenizar os problemas. Ele quer atacar o governo federal, enfiar a faca”, disse Bolsonaro em entrevista à CNN Brasil.

Acusou o que o presidente da Câmara de estar “conduzindo o país para o caos”.

“Não temos como pagar uma dívida monstruosa que está aí, não temos recurso. Qual a intenção? É esculhambar a economia para enfraquecer o governo para que eles possam voltar em 2022?​

E ainda disse, sugestivo, que Maia tenta obter vantagens pessoais : “A gente sabe seu tipo de diálogo. Este diálogo não vai ter comigo.”

Na Folha, vai mais longe e deixa vazar que tem “dados de inteligência de plano de Maia, Doria e STF contra ele“.

Foi o sinal para suas corjas de lunáticos e seu exército de robôs começarem o ataque nas redes sociais.

Mas não será o único.

Vai estrangular financeiramente os governos estaduais para obrigá-los a reabrir comércios e escolas, exatamente como faz Donald Trump, neste momento, anunciando as diretrizes da Casa Branca para “reabrir tudo”.

O “sinistro” da Saúde que me perdoe, mas está alçado ao ministério da Morte.

Bolsonaro alimenta o sonho de subir triunfante, em meio a montes de corpos, ao poder absoluto.

Atrás dele, um amontoado de generais decrépitos e sabujos, pequenos o suficiente para serem comandados de um capitão fascista.

Em nome de Cristo, o anticristo.

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15
Abr20

O “golpe” de Braga Neto que quase ninguém viu

Talis Andrade

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II - Um necropresidente e o holocausto brasileiro à vista

 
por Carlos Tautz
 
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É lógico supor que Braga Neto tenha aprofundado conhecimento sobre dois assuntos que atormentam Bolsonaro: as milícias e o caso Marielle. Por esta circunstância, chama a atenção o informe do site defesa.net, a voz semiformal dos quartéis, segundo o qual Braga Neto, hoje ministro da Casa Civil, seria desde 30 de abril um “presidente operativo” após ter dado um golpe de Estado que quase ninguém percebeu. Conforme figura no referido site, 

“A nova “missão  informal” foi produto de um “acordo por cima”, envolvendo ministros e comandantes militares e o próprio presidente da República. Sua (de Braga Neto)“missão” busca reduzir a exposição do presidente, deixando-o “democraticamente” (Apud Paulo Guedes) se comportar como se não pertencesse ao seu próprio governo. O general passa a enfeixar as ações do Executivo na crise. Pode, inclusive, contrariar as declarações de Bolsonaro”.

Somente o cotejamento das próximas ações do general-Ministro, do governo e de Bolsonaro confirmarão ou não o golpe. 

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Cadáveres a la  Equador?

Na lista de privilégios a militares, Bolsonaro atendeu sistematicamente os interesses pecuniários da elite da tropa, reforçou o status social das Forças Armadas e lhes ungiu com uma aura de honestidade e suposta capacidade administrativa que destoaram no primeiro inepto ano do mandato de nosso necropresidente. 

Essa estratégia deu um ganho estrutural para as Forças Armadas. Ao reforçarem sua imagem – que deve aumentar ainda mais quando as tropas forem mobilizadas para operar hospitais de campanha contra a COVID-19 -, os militares garantem que, no futuro, dificilmente se revertará o status social acumulado. Esta condição os vacinaria contra eventuais futuras Comissões da Verdade em que poderiam vir a ser enquadrados  – lembrando aqui que a CNV, durante o governo Dilma, com todas suas limitações, foi o verdadeiro e pragmático motivo do ódio que colocou este setor entre os principais golpistas (ativa ou passivamente) em 2016.

Apesar disso tudo, a aliança entre militares e o necropresidente já será firmemente confrontada nas próximas semanas, quando aumentar o número de mortos pela COVID-19. Basta uma só foto de corpos no meio da rua a la Equador “viralizar” nas “mídias sociais” e ser explorada pelo hegemônico Grupo Globo – opositor a Bolsonaro, mas não a Guedes, Moro  ou Mandetta – para as Forças Armadas serem obrigadas a decidir se continuam aliadas a um necropresidente que nega a gravidade do coronavírus porque necessita de um holocausto para se justificar.

Com um crescimento rápido e exponencial do número de mortos pela COVID-19 e o impacto da exaustão do sistema de saúde, os militares finalmente terão de responder à pergunta feita há algumas semanas pelo (quase demitido) Ministro da Saúde: “Alguém está preparado para ver os caminhões do Exército transportando corpos?”. Afinal, basta viralizar apenas uma foto de corpos e caixões sendo empilhados para que a população pobre, já duramente atingida pelo desemprego, exploda em reivindicações para muito além de saúde e comida, e passe a cobrar desorganizadamente direitos negados em 520 anos. 

Neste caso, dificilmente Bolsonaro conseguirá se livrar, diante da opinião pública, da responsabilidade maior pela resposta inadequada à COVID-19 e pelas mortes que já começaram a chegar.

O caldo de cultura em que pode se dar uma tal explosão social representaria um importante processo de desgaste político de Bolsonaro. Afinal, já se aproximam dos 30 dias consecutivos os panelaços contra ele nos bairros de classe média da maioria das capitais e maiores cidades do interior do País. Uma espiral de adesões a esses protestos nas favelas – que serão fortemente impactadas pelo coronavírus – produzirá uma situação explosiva no País inteiro.

Hitler operou o holocausto sobre seis milhões de judeus, ciganos, comunistas. A ver se as Forças Armadas brasileiras apoiarão um necropresidente e sua irresponsável política negacionista, que pode levar a morte de até 1,4 milhão de brasileiros – em particular os mais vulneráveis de sempre: pobres, negros e todos aqueles para quem um tal de Estado democrático de direito nunca passou de quimera. 

Se o necropresidente, militares e bancos (sócios ocultos do governo Bolsonaro-Guedes) dobrarem a aposta, como Bolsonaro tem feito reiteradamente, não existirão outras palavras para definir a situação que se instalará a não ser “golpe”, “ditadura” e “holocausto”. (Continua)

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14
Abr20

Um necropresidente e o holocausto brasileiro à vista

Talis Andrade

 

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por Carlos Tautz

O necropresidente Jair Bolsonaro manifesta inépcia política e administrativa, agressividade e até falta de decência para lidar com um momento histórico em que se amalgamam crise e depressão econômicas com o rápido agravamento da pandemia de coronavírus/COVID-19. Até aqui, nenhuma novidade. 

O problema é que a pior Presidência da história do Brasil manifesta-se em toda a sua descompostura e perversidade justamente quando um verdadeiro tsunami está a poucos dias de atingir o País. A partir de meados de abril, começa o primeiro pico da exaustão do sistema nacional de saúde e a consequente mortandade produzida pelo coronavírus. Já se sabe que no Brasil, a exemplo dos Estados Unidos, a letalidade desse patógeno atingirá especialmente a população pobre e negra de regiões precarizadas. 

Os resultados sociais são imprevisíveis porque à mortandade anunciada se somam a crise econômica e o desemprego crescente que já enfrentamos desde 2015. 

O “balanço do barco”

Em tal cenário, não passa de recurso discursivo a recente suavização do negacionismo de Bolsonaro sobre a COVID-19. Em verdade, continua a plena carga a estratégia bolsonarista de contrarrevolução preventiva. Como vê o professor Eduardo Pinto, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que se dedica a estudar as Forças Armadas, trata-se de um permanente “balanço do barco”. 

Em outras palavras, é uma compulsão de Bolsonaro simular diariamente crises e soluções para desnortear nossos sentidos e ocultar a total ausência de qualquer planejamento estratégico de seu governo que não seja destruir ou privatizar o patrimônio público. 

Para se manter, Bolsonaro fia-se no apoio, na lógica, na visão de mundo e nas armas dos militares. Ainda que as indivíduos das Forças Armadas pontuem contradições com o “estilo” do necropresidente, a vinculação de mérito entre Bolsonaro a elite da tropa (que ocupa bem remunerados postos de comando no primeiro escalão e em outros 2.500 cargos da estrutura do Estado brasileiro) indica a convergência de projetos e, o mais perigoso, de disposições para a realização de ações.

Bolsonaro não está isolado, como afirma uma imprensa que perdeu a capacidade analítica por não praticar a checagem de campo. Ele continua a ter muito mais respaldo do que todos do campo democrático gostaríamos que ele tivesse – inclusive entre a classe média branca e histérica que mantém escatológico apoio ao ocupante do Palácio do Planalto. 

Por sua vez, ele, sempre que necessário, reafirma a aliança férrea com as cúpulas das Forças Armadas, que no atual governo manobram orçamentos militares entre os mais altos da história da República e acumulam vantagens funcionais substantivas. Por exemplo, através das reformas da Previdência e trabalhista, a alta oficialidade distanciou-se salarialmente da baixa oficialidade  (de sargentos e de praças) – e adentrou a elite nababesca do funcionalismo, onde antes pontificavam juízes e procuradores.

Sabendo de que, para manter o apoio social, também necessita aliar-se à base da tropa e de suas famílias (que juntas a policiais e seus entornos sociais alcançam perto de 5 milhões de votos), Bolsonaro conferiu a esses grupos vantagens menores, embora importantes para a sobrevivência em tempos de crise. Entre outras migalhas, possibilitou-lhes a contratação, pela Previdência Social, de militares aposentados/da reserva para diminuir a fila de dois milhões de pessoas que tenta se aposentar – fila que se formou desde 2017 sob os golpistas Michel Temer e Bolsonaro. 

Assim consolidou-se entre Bolsonaro e os militares uma aliança férreaque se baseia em dois pilares. Do lado militar, o fornecimento de quadros para gestão do Estado que a partir de experiências acumuladas, se “pós-graduaram” em termos de intervenção durante a campanha da ONU no Haiti (Minustah), iniciada em 2004, em papel subserviente ao serviço secreto dos EUA. Esses quadros militares ainda fizeram um estágio prático no Rio de Janeiro em 2018, quando o General de Exército Braga Neto, atual ministro da Casa Civil, chefiou a intervenção federal no Estado. 

Todos os comandantes brasileiros no Haiti, e também Braga Neto, que retém importantes informações sobre o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco (ocorrido menos de um mês após ele tomar posse como interventor), integram hoje os primeiros escalões do governo federal. (Continua)

 

 

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