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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

25
Fev20

“A verdade vos fará livre”

Talis Andrade

jesus espancado pm .jpg

 

 

Por José Roberto Torero

 

Ah, Diário, no ano passado a Mangueira já tinha me enchido o saco, mas esse ano foi pior. Até o título do samba-enredo foi pra me provocar: “A verdade vos fará livre” é meu slogan de campanha, pô! Eles deviam me pagar roialte para usar.

E eles nem disfarçaram. Disseram na cara dura: “Não tem futuro sem partilha, nem messias de arma na mão". Messias de arma na mão sou eu, pô! Entendi a indireta. Quer dizer, a direta. Já “futuro sem partilha” eu não tenho certeza, mas deve ser o Guedes.

O pior é que não foi só a Mangueira que quis me provocar:

- a Viradouro falou de mulheres (não aguento mais esse mimimi de mulher, tanto que nem trouxe a Michelle aqui pro Guarujá),

- a Estácio de Sá criticou o garimpo (ainda bem que não falou do nióbio, que aí eu ficava com mais raiva ainda).

- a Portela falou de índio (blargh!),

- a Grande Rio contou a história de um cara que era pai de santo e homossexual (pô, tem que proibir esses tipo de personagem, por que não falou do Duque de Caxias?),

- e a União da Ilha foi a pior de todas, porque falou de pobre, de favela, colocou os ricos em privadas gigantes e botou até um ônibus de verdade na passarela (desfile bom é aquele que fala de rei, rainha e riqueza, talkei?).

Olha Diário, essa madrugada foi insuportável. Vi o desfile todo pela televisão, do lado do Hélio Negão. Nós dois ficamos xingando todo mundo. Eu disse que os foliões eram esquerdopassistas e ele disse que ia fundar o movimento “Escola de samba sem partido”.

Então eu tive que ir no banheiro dar uma goldenshowerzada, que eu tinha tomado umas cervejas. Mas aí, na volta, que decepção... Peguei o Hélio Negão dançando na sala e cantando:

“Mangueira, samba que o samba é uma reza,

se alguém por acaso te despreza,

teme a força que ele tem.

Mangueira, vão te inventar mil pecados,

mas eu estou do seu lado

e do lado do samba também.”

Ah, Diário, que tristeza que eu senti quando vi aquilo. A traição vem de todo lado e de todo mundo. Até do Negão...

Chega logo, quarta-feira de cinzas.

@diariodobolso

21
Fev20

“Estamos no caminho para consolidar carreira internacional”, diz duo Anavitória em Paris

Talis Andrade

Ana Caetano e Vitória Falcão

Ana Caetano e Vitória Falcão RFI

Elas se completam. Não apenas no nome, que deu origem ao duo, mas num casamento de vozes afinado e espontâneo. Anavitória fez show nesta quinta-feira (20) na conceituada casa de espetáculos Newmorning, em Paris. As cantoras brasileiras estão em turnê pela Europa e passaram pelos estúdios da RFI, onde contaram sobre a carreira ascendente.

Ana Caetano e Vitória Falcão nasceram no Tocantins. Mas o talento precoce da dupla logo ganharia o mundo através das redes e plataformas de streaming. Daí para os palcos foi um pulo. Elas se apresentaram no Rock in Rio, em 2019, e hoje tem uma agenda cheia.

Antes da apresentação na capital francesa, estiveram em Barcelona e Lisboa. Depois viajam para Dublin, Londres e Nova York. Porém, ainda hoje, muita gente se pergunta como começou essa amizade musical.

“Nós somos de Araguaína, uma cidade pequena no interior do Tocantins. Nós nos conhecemos desde pequenas, mas não éramos próximas. Somos de séries diferentes na escola”, explica Ana. “E quando éramos adolescentes, eu fiquei muito próxima de uma amiga dela e essa amiga em comum nos apresentou. Eu vi que a Vitória cantava e já tinha um canal no Youtube. Então eu a chamei para gravar uma música comigo. Nós gravamos um cover e mandamos para o Felipe Simas, que é o nosso empresário hoje, e ele nos convidou para gravar em São Paulo. Assim nasceu o projeto”, completa.

Da Internet para o Grammy

No início, o duo Anavitória fez um sucesso enorme no Youtube. Em apenas um dia, a canção “Singular” teve mais de 1 milhão de visualizações. Quando perguntadas se a turnê na Europa é a consolidação de uma carreira internacional, elas se mostram prudentes.

“Eu acho que é caminho dela, o primeiro passinho. A consolidação ainda está longe”, responde Ana Caetano, com humildade.

Apesar da pouca idade (Ana tem 25 e Vitória, 24), as cantoras têm uma bagagem carregada de prêmios. O primeiro álbum, “Anavitória” (2016), ganhou um disco de diamante, com mais de 300.000 mil cópias vendidas. O trabalho também recebeu duas indicações ao Grammy Latino, vencendo melhor canção em Língua portuguesa com “Trevo”, parceria com o músico brasileiro Tiago Iorc.

Em 2018, o segundo álbum de estúdio “O Tempo É Agora” venceu o Grammy Latino de Melhor Álbum Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa. À RFI elas contaram que nunca esperavam um sucesso grande assim, tão cedo.

“De jeito nenhum”, diz Ana. “É sempre uma surpresa quando as coisas acontecem assim. Mas é a confirmação e resposta de que a gente está no caminho certo. Então é só alegria e muita gratidão”, acrescenta Vitória.

Inspiração no dia a dia

Violonista e compositora do duo, Ana Caetano diz que se inspira no próprio diário para escrever as letras, cheias de poesia e romantismo.

“Eu não sei como as letras chegam até mim, mas é tudo muito fiel à vivência. Eu gosto de escrever sobre as coisas que eu vivo e isso é muito transparente nas músicas”, afirma.

“Quando a música chega, a gente vai testando as vozes para ver o que a gente gosta, o que soa melhor aos nossos ouvidos e assim vai, até chegarmos a um formato que a gente ame muito”, completa Vitória.

Parceria com Nando Reis

O terceiro álbum de estúdio do duo Anavitória, intitulado N (2019), é composto por regravações de canções do cantor e compositor Nando Reis.

“A gente é muito fã dele desde sempre. Em 2018, fizemos uma turnê dos namorados com ele e foi quando selamos o nosso encontro”, diz Ana. “Porque a gente já tinha se visto, mas não se conhecia de verdade. Então nós fizemos cinco shows por capitais brasileiras e nos amamos muito. Depois, quisemos celebrar esse encontro gravando as músicas dele e dando outra voz ao discurso do Nando Reis. Foi um disco que a gente amou fazer. Foi a primeira vez que ficamos isolados no estúdio, somente a Vitória, eu e o nosso produtor, e foi muito especial”, conclui Ana Caetano.

A entrevista completa aqui

 

 

17
Set19

Música #MulheresContraOCoiso

Talis Andrade

Quem recorda o áudio lindo, nos grupos de WhatsApp, com uma mulher cantando que são elas, as mulheres, que não vão deixar ele vencer?

frida-kahlo-feminicidio.jpgUmas facadinhas de nada (“Unos quantos piquetitos!”), de Frida Kahlo, 1934

 

Ele é o olho roxo

De quem não caiu da escada

Ele é a violência

Escondida na piada

Ele é aquele aperto nojento

Na condução

Ele é a Casa Grande

Rindo da escravidão

Ele é o país na contramão

Da caminhada

Ele é o patrão

Violando a empregada

 

Ele é o nosso salário

Um terço mais baixo

A política do ódio

Covardia, esculacho

\A política do ódio

Covardia, esculacho

A barbárie de farda

Berrando no palanque

A hipocrisia mais truculenta

Ele é a mão suja de sangue

Que se diz

Ungida de água benta

 

Ele é o atraso

Que país nenhum

Merece ter

E nós somos as mulheres

Que não vão deixar ele vencer

 

 

19
Ago19

Criolo faz dancinha ao som de “Ei Bolsonaro, vai tomar no c*” e viraliza; assista

Talis Andrade

 

 

Revista Forum - Em participação no Festival Bananada, em Goiânia (GO), no sábado (17), o cantor Criolo roubou a cena ao mostrar todo seu gingado enquanto a plateia entoava um uníssono “Ei Bolsonaro, vai tomar no c*”. O vídeo com a dancinha do artista ganhou as redes sociais.

O vídeo compartilhado originalmente pelo usuário Daniel Blasius no Twitter recebeu diversas reações, retuítes e republicações. Crítico de Bolsonaro, Criolo demonstrou bom humor ao dançar enquanto o público entoava o “hit” que virou quase uma febre no último carnaval e segue sendo gritado em protestos e manifestações artísticas.

Daniel Blasius@Dan_Blasius
 

Criollo, seu doido ❤️

Vídeo incorporado
 

 

07
Jul19

Imprensa europeia homenageia "gênio da Bossa Nova" após morte de João Gilberto

Talis Andrade

 

Por RFI

O cantor e compositor João Gilberto morreu neste sábado (6), aos 88 anos, no Rio de Janeiro. A causa da morte ainda não foi divulgada. A notícia já tem repercussão na Europa. "A Bossa Nova perdeu seu pai", anuncia a rádio France Info, que toca a versão de "Garota de Ipanema" imortalizada na voz do violonista baiano, com letra de Vinicius de Moraes e Tom Jobim.

"Meu pai morreu. Sua luta foi nobre, ele tentou manter sua dignidade ao perder sua soberania", escreveu seu filho, João Marcelo, no Facebook.

O pai mais perfeccionista da Bossa Nova subiu nos maiores palcos mundo para seus shows de voz e violão. Entre suas muitas canções antológicas estão "Desafinado", "Garota de Ipanema", "Chega de saudade", "Rosa Morena", "Corcovado" e "Aquarela do Brasil". Entre os álbuns de sucesso estão Chega de Saudade (1959), O Amor, o Sorriso e a Flor (1960) e João Gilberto, de 1961. Entre 1976 e 1977, o artista gravou também o disco Amoroso. Na celebração de 60 anos da Bossa Nova, no ano passado, ele teve sua obra relançada no Brasil.

A rádio France Info refere-se à interpretação de "Garota de Ipanema" como uma gravação de importância "universal e intemporal". A voz do brasileiro ganhou espaço na programação noturna da emissora especializada em informação.

 

No jornal Le Monde, a jornalista Véronique Mortaigne – uma das maiores especialistas em MPB na França – lembra que João Gilberto era um inveterado fumante de maconha, que inventou a Bossa Nova, "um gênero que está conosco há seis décadas e continua a se renovar, uma revolução proteiforme, presente em tudo o que é música, de elevador até em festa rave". Intérprete genial, prossegue a jornalista, ele compôs poucas músicas, salvo algumas em forma de onomatopeia, como Bim Bom, mas se apropriava de tudo, dando às canções um ritmo muito particular e sussurros sensuais. Sozinho no palco, com o pé em uma cadeira, João Gilberto escreveu grandes capítulos de música, como o Live at The 19th Montreux Jazz Festival, em 1986, recorda Mortaigne.

O jornal português "Público" relata que João Gilberto estava isolado e longe dos palcos há vários anos. "Nascido em Juazeiro, João Gilberto Prado Pereira de Oliveira [...] tornou-se um ícone não só da música brasileira como mundial ao dar sentido e rosto ao movimento Bossa Nova em finais dos anos 1950", observa o diário português. "Foi na batida do violão de João Gilberto que residiu o segredo do novo gênero musical", completa.

Disputa familiar

"O violonista, que iluminou o estilo musical que o Brasil mais tarde exportou para o mundo, vivia longe dos holofotes [...], corroído por dívidas e problemas familiares", destaca o diário espanhol El País.

Por anos, João Gilberto se viu envolvido em um conflito entre dois de seus três filhos, João Marcelo e Bebel Gilberto, também músicos, e sua última esposa, Cláudia Faissol, uma jornalista 40 anos mais nova que ele e mãe de sua filha adolescente. Bebel e João Marcelo acusam Cláudia Faissol de se aproveitar da fraqueza do pai e provocar sua ruína. No final de 2017, Bebel obteve sua tutela, quando já não podia cuidar de sua saúde e de suas finanças devido à sua fragilidade física e mental.

A maioria dos brasileiros o viram pela última vez em um vídeo em 2015, onde apareceu muito magro e de pijama cantando "Garota de Ipanema" para sua neta acompanhado de seu violão.

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30
Mai19

Estudante na rua? Bolsonaro, a culpa é sua! Música de Chico

Talis Andrade

Os estudantes amanheceram nas ruas do Brasil

genildo-ruas 30m.jpg

 

A educação segue sob ataque, e por isso a UNE, universidades, institutos federais, escolas públicas e privadas, estudantes, professores, trabalhadores seguem mobilizados para ir novamente às ruas neste 30 de maio, para demonstrar sua indignação contra os cortes feitos na educação brasileira que ameaçam o funcionamento de todas universidades e institutos federais em todo o país.

“Estive na Câmara dos Deputados em uma audiência pública na última semana para tentar argumentar com o ministro da Educação contra os cortes, mas ele se recusa a nos ouvir. Então será pelas ruas que ele vai ter que entender. No dia 15M levamos mais de dois milhões de pessoas para as ruas, e hoje, o 30M tem tudo para repetir esse público”, destacou a presidenta da UNE, Marianna Dias.

 

24
Mar19

Artistas venezuelanos realizam campanha pela paz

Talis Andrade

caracas.jpg

 

 

A Venezuela atravessa um momento crítico, com uma guerra iminente, sofrendo pressão internacional e interferências disfarçadas de ajuda humanitária e como resposta, artistas venezuelanos do coletivo Ciudad Cancion iniciaram uma campanha pela paz que teve adesão global: #LaPazEsYa


O coletivo realiza um conserto em Caracas, como uma grande manifestação cultural para difundir a mensagem pela paz no país, e nesta edição, traz o lançamento da canção #LaPazEsYa, do cantor e compositor José Delgado. Pedro Azanr, Silvio Rodriguez, Piero, Fernando Buen Abad, Ramon Grosfoguel, são alguns dos artistas e intelectuais que também participam da campanha. A esperança, o fazer cultural, a criatividade são motores que unem esses artistas e ajudam a impulsionar essa mensagem pelo mundo.


Nesta semana, o coletivo lançou um clipe-manifesto com o mesmo nome da campanha


Veja o videoclipe da canção lançado nesta semana:

 

 

06
Mar19

Carnaval brasileiro visto pelo mundo

Talis Andrade

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05
Mar19

DANIELA MERCURY RESPONDE BOLSONARO: POSSO IR ATÉ BRASÍLIA TE EXPLICAR COMO FUNCIONA A LEI ROUANET

Talis Andrade

Escute e freva a música 'Proibido o Carnaval' 

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247 - Depois de ser atacada, junto com Caetano Veloso, por Jair Bolsonaro por conta da música 'Proibido o Carnaval', que faz críticas à censura e defende a liberdade de expressão, a cantora Daniel Mercury divulgou um longo comunicado em resposta ao presidente. Nele, a artista pede "respeito" pelo que é e pelo que representa e se propõe a ir até Brasília explicar a ele como funciona a Lei Rouanet.

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Em uma postagem no Twitter, Bolsonaro se referiu a Daniela Mercury e a Caetano Veloso, que estão entre os maiores artistas brasileiros, como "dois 'famosos'" e disse que, com a música "Proibido o Carnaval", os dois estavam acusando o governo Bolsonaro "de querer acabar com o Carnaval". "A verdade é outra: esse tipo de 'artista' não mais se locupletará da Lei Rouanet", respondeu.

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Respondeu Daniela:

"Sr. Presidente, sinto muito que não tenha compreendido a canção 'Proibido o Carnaval', que defende a liberdade de expressão e é claramente contra a censura. Mas acho que isso nem vem ao caso aqui porque percebo que há uma distorção muito grave sobre a lei Rouanet. Parece que ela ainda não foi compreendida. Por isso, me coloco à disposição para explicar como funciona o passo a passo dessa lei. E aproveito para tranquilizá-lo. Usei muito pouco de verba pública de impostos da lei Rouanet em cada projeto que tive aprovado. Para que o senhor entenda, cada desfile de trio sem cordas (sem cobrança de ingresso, de graça para os foliões), custa cerca de 400 mil reais. Em 20 anos, Eu tive apoio (TUDO DENTRO DA LEI) de cerca de um milhão de reais de verba de impostos da lei rouanet. 1 milhão em 20 anos, ressalto!!! Dá cerca de 50 mil reais por ano, se assim dividirmos. Considere, sr. Presidente, que eu comecei o movimento de trios sem cordas, de graça para o público, há 21 anos. Eles custaram, por baixo, cerca de 10 milhões de reais! Se tive cerca de 1 milhão de verba pública nesses 20 anos, isso significa que o restante (9 milhões) paguei ou do MEU BOLSO diretamente ou com o patrocínio de empresas privadas. Em 35 anos de carreira, fiz muitas apresentações de graça no Brasil, bancadas do meu bolso. Essa fake news sobre a lei Rouanet criada na eleição não pode continuar sendo usada para desmerecer o trabalho sofrido e suado dos artistas brasileiros. A arte, além de tudo, tem um valor imensurável e o retorno do nosso trabalho para a sociedade, para o turismo, pra a economia é gigante. Para que compreenda melhor, apenas com 1 ano do sucesso 'O Canto da Cidade' (uma música "famosa" minha), Salvador ganhou 500 mil turistas a mais. Mais um exemplo: eu tenho cerca de 50 milhões de reais de retorno de mídia espontânea em cada carnaval de Salvador. Esse retorno, a partir de minhas apresentações (6 horas por dia cantando e dançando sem parar nem para comer – somadas a mais 5 horas prévias de preparação – e mais 2 horas pós apresentação para recuperação da voz e do corpo – durante 6 dias seguidos) traz uma valorização gigantesca para a imagem da cidade, do Estado e do país. Tudo isso estimula o turismo e turbina a economia. Tenho visto que estimular o turismo é um objetivo do senhor. Não se engane: trabalhamos muito. Quando se ataca a arte de um país, quando se ataca os "artistas" brasileiros, se ataca a alma do povo desse país. Mereço respeito pelo que sou, pelo que represento e pelo que faço constantemente pela sociedade brasileira em diversas causas, não apenas na arte. Reitero aqui a minha disposição de conversar com o senhor e com sua equipe sobre a lei Rouanet. Se assim desejar, irei com minha esposa, que é também minha empresária, até Brasília para conversar com o senhor sobre o assunto. Abraços e feliz carnaval." Daniela Mercury Verçosa

EM PLENO CARNAVAL, BOLSONARO ATACA CAETANO E DANIELA MERCURY

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Num tweet na manhã desta terça-feira de Carnaval, Jair Bolsonaro atacou com violência Caetano Veloso e Daniela Mercury afirmando que eles sequer são artistas e acusou-os falsamente de viveram às custas da Lei Rouanet: "Esse tipo de 'artista' não mais se locupletará da Lei Rouanet". 

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No seu tweet, Bolsonaro divulga a gravação de um músico, cujo nome é omitido, com uma marchinha de ataque aos dois artistas, e que começa com o cantor anunciando: "Essa marchinha vai para o nosso querido Caetano Veloso e nossa querida Daniela Mercury... chupa!". O refrão da marchinha é o ataque mentiroso aos dois: "Ê ê ê ê ê, tem gente ficando doida sem a tal Lei Rouanet".

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O ataque de Bolsonaro é uma retaliação ao videoclipe "Proibido o Carnaval", que os dois lançaram no início de fevereiro. Que mistura ritmos e cores carnavalescas, e retrata uma festa repleta de convidados e dançarinos de ambos os sexos. O ritmo é frenético, alegre e o vídeo é sensual. Daniela e Caetano beijam-se, assim como vários dançarinas e dançarinos de todos os sexos, com beijos entre todos.

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O vídeo termina com uma homenagem a Jean Wyllys, que desistiu de seu mandato e exilou-se depois de mais de um ano de ameaças de morte dos bolsonaristas: ""Dedico este videoclipe ao meu amigo amado e incansável guerreiro Jean Wyllys. Estamos te esperando de volta: o Carnaval não está proibido! Axé!!!".

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A letra de "Proibido o Carnaval" faz uma crítica bem humorada a todo ideário bolsonarista quanto aos direitos civis e à moral social, com uma referência direta à declaração da ministra Damares Alves (da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos) para quem meninos deve vestir azul e as meninas, rosa. Cantaram Daniela e Caetano: "Vai de rosa ou vai de azul?".

.

Leia a letra e veja a seguir o videoclipe de 'Proibido o Carnaval'

guabiras rei carnaval laranja.jpg

 

Está proibido o Carnaval
Nesse país tropical
Está proibido o Carnaval
Nesse país tropical

.

Tô no meio da rua, tô louca
Tô no meio da rua sem roupa
Tô no meio da rua com água na boca
Vestida de rebeldia, provocando a fantasia

.

Tô no meio da rua, tô louca (hum)
Tô no meio da rua sem roupa (ah é)
Tô no meio da rua com água na boca
Vestida de fantasia, provocando a rebeldia

.

Minha alma não tem tampinha
Minha alma não tem roupinha
Minha alma não tem caixinha
Só tem asinha

.

Minha alma não tem tampinha
Minha alma não tem roupinha
Minha alma não tem caixinha
Minha alma só tem asinha

.

A mulherada comandando a batucada
O trio elétrico cantava, libertando a multidão
Frevo fervando no Galo da Madrugada
Pernambuco não parava de fazer revolução
Filhos de Gandhi, o afoxé na resistência
O Caboclo era soldado no Brasil da Independência
No crocodilo, Stonewall, estou aqui
No carnaval beijando free
Salvador é a nova Grécia

.
Quilombola, Tupinambá
O corpo é meu, ninguém toca
Vatapá, caruru
Iemanjá lá no sul
Vai de rosa ou vai de azul?

.

Abra a porta desse armário
Que não tem censura pra me segurar
Abra a porta desse armário
Que alegria cura, venha me beijar

.

Abra a porta desse armário
Que não tem censura pra me segurar
Abra a porta desse armário
Que alegria cura, venha me beijar

.

Está proibido o Carnaval
Nesse país tropical
Está proibido o Carnaval
Nesse país tropical

.

Tô no meio da rua, tô louca (tá louca?)
Tô no meio da rua sem roupa (uau)
Tô no meio da rua com água na boca
Vestida de rebeldia, provocando a fantasia

.

Minha alma não tem tampinha
Minha alma não tem roupinha
Minha alma não tem caixinha
Minha alma só tem asinha

.

Minha alma não tem tampinha
Minha alma não tem roupinha
Minha alma não tem caixinha
Minha alma só tem asinha

.

A liberdade, a Caetanave, a Tropicália
O povo de Maracangalha sai dançando o meu axé
O samba ensina, o samba vence a violência
O samba é a escola de quem ama esse país como ele é

.

Eu falei: Faraó, e ninguém respondeu
Quem come aqui sou eu, Romeu
Libera a libido
Forró em Caruaru, é?
Vai de rosa ou vai de azul?

.

Abra a porta desse armário
Que não tem censura pra me segurar
Abra a porta desse armário
Que alegria cura, venha me beijar

.

Abra a porta desse armário
Que não tem censura pra me segurar
Abra a porta desse armário
Que alegria cura, venha me beijar

Está proibido o Carnaval
Nesse país tropical
Está proibido o Carnaval
Nesse país tropical

.

Axé, axé, axé, axé, axé (proibido? Tá proibido proibir)
Axé (axé), axé (axé), axé, axé, axé, axé!

 

 

23
Fev19

Aya Nakamura, cantora da periferia, é a artista mais ouvida na França

Talis Andrade

Com ritmo dançante e linguagem “urbana”, jovem nascida no Mali se tornou a artista feminina mais ouvida na França

aya.png

Com ritmo dançante e linguagem “urbana”, Aya Nakamura, jovem nascida no Mali, de 23 anos, se tornou a artista feminina mais ouvida na França, com base nos dados dos serviços de streaming (que permitem acesso a uma biblioteca musical online). Ela cresceu na região metropolitana de Paris, em Seine-Saint-Denis, e reivindica em suas letras seu lado de “garota da periferia”.

A carreira musical de Aya Nakamura começou em 2014, com títulos misturando o ritmo Zouk e uma versão francesa e pop de R’n’B, com claras inspirações em cantoras americanas como Rihanna, Beyoncé ou Nicki Minaj. A publicação de seus primeiros clipes no YouTube e no Facebook abriram as portas para seu primeiro álbum, Journal Intime, lançado em 2017.

Mas foi a canção “Djadja”, que saiu em abril de 2018, que a levou a todas as playlists e se tornou uma das preferidas dos jogadores da seleção francesa durante a Copa do Mundo de 2018, da qual eles saíram vitoriosos. “Djadja” se tornou hit na Holanda, na Romênia, no Portugal e nos Estados Unidos. A revista especializada em música The Fader afirmou que seu segundo álbum, Nakamura, lançado esse ano, “muda magnificamente as regras francesas”.

A artista contou que, quando começou, ouvia dos diretores artísticos que, na França, uma menina bonita “tem a pele clara”. De personalidade forte, Nakamura é reivindicada não somente pelos militantes negros, mas também pelas feministas, mas ela recusa o dever de “dar um exemplo”. Ela denuncia a dificuldade de ser vista como uma “mulher negra forte e impulsiva” e, ao mesmo tempo, “selvagem e histérica”. “Uma mulher negra é tão cheia de nuances quanto as outras”, afirmou ao Le Monde. Leia mais 

 

 

 

 

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