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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

30
Out18

O pesadelo se tornou realidade", diz Libération sobre eleição de Bolsonaro

Talis Andrade

Por RFI

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O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, continua ocupando as páginas dos principais jornais franceses nesta terça-feira (30).

 

Em chamada de capa, Libération publica: "Bolsonaro, uma história de ódio". Para o jornal, "o pesadelo se tornou realidade no domingo: o maior país da América Latina elegeu um presidente de extrema direita, que nunca escondeu seu discurso de raiva e exclusão contra os militantes de esquerda, negros, mulheres ou da comunidade LGBT".

 

Libération traz um perfil de Bolsonaro, retraçando sua carreira na política. "Militar e nostálgico da ditadura, ele se revelou um parlamentar medíocre antes de começar a se aproveitar de programas televisivos para realizar ataques homóficos e racistas", escreve o diário. Após ter recebido pouco mais de 55% dos votos, no dia 1° de janeiro, "o Brasil vai assistir à passagem de poder de um corrupto que participou de um complô para depor a presidente Dilma Rousseff a um extremista que ostenta o desprezo pelas regras democráticas", diz Libération.

 

"Depois da vitória de Bolsonaro, o Brasil mais dividido do que nunca" é a manchete do Aujourd'hui en France. A correspondente do diário no Rio de Janeiro descreve a profunda polarização da sociedade brasileira: "enquanto uns comemoram o fim de uma classe política tradicionalmente corrupta (o quadrilhão do MDB na Câmara dos Deputados), outros temem a instauração de um regime autoritário", publica.

 

Com uma campanha eleitoral violenta, dois turnos marcados por declarações polêmicas do ex-militar, como quando Bolsonaro prometeu o exílio ou a prisão de seus oponentes, os eleitores de Haddad, preveem que o clima no país vai piorar nos próximos dias, publica Aujourd'hui en France.

 

Análise do programa de governo

 

 

"O Brasil se submete à autoridade de um presidente antissistema" é a manchete de capa do jornal Le Figaro. O diário destaca o que chama de "medidas choque" que o presidente eleito quer impor ao país, na área da segurança - com a liberalização do porte de armas e a redução da maioridade penal para 16 anos - e na economia, com a reforma da previdência e a privatização ou a supressão de cerca de 150 empresas públicas.

 

Em relação às questões ecológicas, Le Figaro diz que Bolsonaro parece ter revisto suas intenções de sair do Acordo sobre o Clima de Paris e de juntar os ministérios da Agricultura com o do Meio Ambiente, mas sem confirmar essa "marcha-ré". No quesito diplomático, Bolsonaro prometeu transferir a embaixada do Brasil em Israel à Jerusalém, a exemplo do que fez o presidente americano, Donald Trump.

 

Também se inspirando em Washington, pretende rever as relações com a China, o maior parceiro comercial do Brasil, além de evocar a retirada do Brasil do Comitê dos Direitos Humanos da ONU, além da extradição de Cesare Battisti à Itália.

 

Economia também no foco do jornal Les Echos, que se concentra nas propostas liberais de Bolsonaro, que vão ficar a cargo do economista Paulo Guedes "um monetário ultraortodoxo", classifica o diário. Les Echos destaca que a redução da interferência do Estado na economia, prevista no programa do ex-militar, é bem vista pelos mercados.

 

Mas se de fato ele vai conseguir aumentar em 20% a produtividade em quatro anos em uma das economias mais fechadas do mundo, resta esperar o início de seu mandato, em 1° de janeiro de 2019, escreve Les Echos.

 

 

24
Out18

BOLSONARO E SEUS PARTIDÁRIOS JÁ ENSAIAM UMA NOVA DITADURA

Talis Andrade

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O repórter Piero Locatelli comparou realidades separadas por meio século. Da década de 1960 até agora, a mortalidade infantil despencou de 124 para 14 bebês (antes de completar um ano, em cada mil nascidos vivos). O analfabetismo regrediu de 39,7% para 7% (entre pessoas de 15 anos ou mais). Quando Bolsonaro edulcora o passado, o que mais apavora é o porvir que ele esboça.

22
Out18

Negros, indígenas e gays já sentem nas ruas o medo de um governo Bolsonaro

Talis Andrade

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Episódios de intimidação aumentam ansiedade entre grupos vulneráveis por discursos feitos no passado, e hoje negados, pelo candidato. Debate sobre estratégias de proteção cresce para “resistir em tempos sombrios”

 

Denuncia reportagem do jornal El País da Espanha

 

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por JOANA OLIVEIRA 
 
 
 
Giulianna Nonato, de 24 anos, sempre teve medo de sair na rua, mesmo antes de identificar-se como travesti. “Antes de me apresentar com um corpo feminino, era uma bicha, então minha vida sempre foi marcada por bullying e violência”, conta em São Paulo. Leia mais 
 
 

Susane Souza, de 45 anos, e Camilla Silva, de 22, ambas mulheres negras da periferia, têm sofrido crises de ansiedade nos últimos dias. “Tenho medo de ser assassinada”, resume Silva, enquanto Souza teme por seu filho adolescente: “Não quero que um filho meu seja apontado na rua, agredido simplesmente pela cor da sua pele”.

 

Esse medo ao ódio que têm marcado as eleições não se restringe às grandes cidades. Nas aldeias indígenas, líderes políticos e religiosos expressam sua preocupação ante um possível retrocesso nas leis ambientais que protegem seus territórios. “Nosso principal temor é que ele [Bolsonaro] libere a mineração em nossas reservas naturais”, explica Cristine Takuá, de 38 anos, coordenadora de uma comunidade guarani no interior de São Paulo.

 

Para a ativista indígena Célia Xakriabá, de 29 anos, um dos grandes perigos de um Executivo de Bolsonaro seria a liberação do acesso às armas de fogo no campo. “Isso promoveria o genocídio dos povos nativos. Vamos sofrer um dos maiores impactos desde 1500. A proposta de armamento no campo já é muito problemática, por exemplo para a etnia Guarani-Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, onde os latifundiários matam até os nossos bebês”, lamenta. Ela mesma, que sempre sai nas ruas com um vistoso cocar e pinturas corporais típicas de sua tribo, tem sido alvo de ameaças. “Duas pessoas já gritaram para mim que, se eu continuar saindo vestida desse jeito, vão mandar me matar".

 

Apesar do medo, ambas coincidem na importância de resistir aos “tempos sombrios” e contam que as diferentes etnias indígenas do país estão organizando-se para pensar em estratégias de proteção e apoio, inclusive com os povos nativos de países vizinhos. “Ainda temos esperança. Resistimos há 518 anos, e continuaremos fazendo isso", afirma Takuá.

 

Giulianna Nonato tem a mesma postura. "Vamos defender tudo que já conquistamos. Acredito muito na força dos movimentos sociais", diz. Ela conta geralmente conversa com outras travestis e transexuais que sofreram os anos mais duros do regime militar e que elas lhe aconselham a não deixar-se paralisar pelo medo. O  psicanalista Christian Dunker, professor da Universidade de São Paulo, defende que isso é o que se deve fazer.

 

Dunker comenta que o Brasil sempre foi violento —lidera o ranking de homicídios por arma de fogo e é o país onde mais pessoas LGBT são assassinadas no mundo— e que o que ocorre agora é uma “sensação de medo intensificada no subconsciente coletivo”. “Em momentos de tanta tensão política, é comum que nos lembremos dos maus exemplos históricos, como a ditadura, mas precisamos saber que não é a mesma coisa", diz. “As pessoas nas favelas enfrentam, infelizmente, uma violência diária e continuam vivendo. É hora de aprender desses mais vulneráveis estratégias de sobrevivência emocional, para não se render". Continua

 

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21
Out18

BOLSONARO UM EXALTADOR DE TORTURA E TERRORISTA DA EXTREMA DIREITA

Talis Andrade

 

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Ex-ministra do governo Dilma, Eleonora Menicucci lembra com riqueza de detalhes dos tempos que sofreu tortura nos porões do DOI-CODI, a mando do coronel Brilhante Ustra, hoje exaltado como herói pelo candidato Jair Bolsonaro.

 

Em entrevista emocionante, ela fala do passado para alertar sobre o futuro: “corremos um sério risco de perdemos o Estado Democrático de Direito, não permitiremos um exaltador de tortura na presidência”.

 

Importante nunca esquecer que, quando o povo em geral ia para as ruas enfrentar seus algozes, e pedia diretas já para eleger o presidente do Brasil, Bolsonaro tramava lançar bombas para manter no poder os ditadores, os torturadores como Ustra, como o delegado Fleury, e os corruptos do "movimento" de 1964, que hoje estão com Bolsonaro, e que foram mantidos no poder ou nomeados governadores pelos marechais e generais: Ademar de Barros, Magalhães Pinto, Antônio Carlos Magalhães (ACM), Paulo Maluf, Aluízio Alves, Fernando Collor de Mello, Edison Lobão, João Alves Filho, Olavo Setúbal,  Marum, Delfim Neto, e outros, inclusive generais que o golpe foi financiado por caixa 2.  

 

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 Paulo Maluf chefe partidário de Bolsonaro durante décadas

 

247 - Ex-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres do governo Dilma Rousseff, Eleonora Menicucci lembrou nesta semana, na TV 247, as riquezas de detalhes dos tempos em que sofreu tortura nos porões do DOI-CODI, a mando do falecido coronel reformado do Exército, Carlos Alberto Brilhante Ustra, exaltado como grande herói pelo candidato Jair Bolsonaro.

 

Em entrevista emocionante concedida ao ex-ministro Aloizio Mercadante, Menicucci, que também é socióloga e feminista, fala do passado para alertar sobre o futuro: “corremos um sério risco de perdemos o Estado Democrático de Direito”.

 

No início da entrevista, o passado da ex-ministra se entrelaça com outro personagem, que ela viu desfalecer na prisão. Menicucci foi presa e torturada na cela ao lado da que o jornalista Luiz Eduardo Merlino encontrava-se, sendo testemunha de seu assassinato, que ocorreu a mando de Brilhante Ustra, em julho de 1971.

 

Nesta semana, a Justiça de São Paulo derrubou uma decisão que havia condenado Ustra, morto em 2015, a pagar de uma indenização de R$ 100 mil à família do jornalista. Para os desembargadores, a ação está prescrita. "É uma Justiça que tolera a tortura e contribui para que o sistema continue", comentou a viúva, Ângela Mendes de Almeida.

 

Menicucci explicou como funciona a tortura. "Fui conduzida, nua, para uma cadeira elétrica, onde colocaram fios em todos os meus orifícios, para que eu recebesse choques de altíssima voltagem. Ao meu lado, estava Merlino, no pau-de arara", relembra.

 

Ustra ficava em frente à cela ordenando todas as torturas, conta. "Ele dizia: arrebenta mais, quero mais choques elétricos, faz urinar, desmaiar, urinar", relembra.

 

Depois de ter sido torturado por mais de 24 horas, o jornalista, segundo sua família, adquiriu uma gangrena que resultou na perda de sua perna e depois generalizada em todo seu corpo.

 

Relembrando o assassinato de seu colega, ela considera "grave" a decisão da Justiça em extinguir o processo que incrimina Ustra, afirmando que tal fato "prenuncia os momentos antidemocráticos que se avizinham".

 

Com o triste relato do passado, a ex-ministra vê com temor a ascensão do fascismo no Brasil, representada pela candidatura de Bolsonaro, que tem Ustra como um “grande herói”. “Corremos risco de perdermos o Estado Democrático de Direito e elegermos uma pessoa que tem como ídolo um torturador”, expõe.

 

Golpe de Temer fortaleceu a ABIN, antigo SNI

 

Nesta quarta-feira (17) Michel Temer oficializou a criação da força-tarefa de inteligência para o enfrentamento ao crime organizado no Brasil.

 

O grupo será constituído pelo GSI, a ABIN (Agência Brasileira de Inteligência), os serviços de inteligência da Marinha, do Exército, da Aeronáutica, com o apoio da COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras do Ministério da Fazenda), Receita, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Segurança Pública; Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Segurança Pública.

 

“O decreto de Temer explicita a implementação do neoliberalismo mais cruel no País, somado ao uso da repressão violenta, para colocar em prática o regime ultra-liberal de Bolsonaro", conclui Menicucci.

 

Temer foi três secretário de Segurança de São, inclusive nos tempos de chumbo, comandando as polícias civil e militar na ditadura, e como deputado auou na bancada da bala.

 

Os deputados Jair e Eduardo Bolsonaro participaram da trama do golpe que derrubou Dilma Rousseff, e empossaram Temer na presidência da República.

 

A campanha de Bolsonaro tem todo o apoio do governo de Temer.  

 

 

 

21
Out18

Gays, negros e indígenas já sentem nas ruas o medo de um governo Bolsonaro

Talis Andrade

Episódios de intimidação aumentam ansiedade entre grupos vulneráveis por discursos feitos no passado, e hoje negados, pelo candidato. Debate sobre estratégias de proteção cresce para “resistir em tempos sombrios”

 

Denuncia reportagem do jornal El País da Espanha

 

JOANA OLIVEIRA 

 

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Giulianna Nonato, em uma oficina de costura para mulheres trans em São Paulo. DIEGO PADGURSCHI

 

 

Há uma semana, W.D. 34 anos, parou de andar de mãos dadas com o marido nas ruas de Porto Alegre. Ambos, que sempre se sentiram cômodos com sua homossexualidade, tomaram a decisão depois do resultado do primeiro turno das eleições, no dia 7 de outubro, que deu grande vantagem ao candidato de extrema direita Jair Bolsonaro, com 46% dos votos. “Vimos que a nossa atitude em público teria que mudar, não poderíamos mais trocar carinho na rua porque sentimos uma reação muito agressiva à nossa simples existência”, conta W. D., gerente de uma empresa do ramo imobiliário. O medo é um sentimento latente entre o coletivo LGBT, negros, indígenas e outras minorias atacadas por Bolsonaro, que lidera a corrida eleitoral para o Planalto e que tem um longo histórico de declarações racistas, misóginas e homofóbicas. Sua chegada à presidência é percebida como a legitimação de comportamentos que ultrapassam o limite do aceitável. Em campanha, o candidato já negou diversas vezes que seja homofóbico ou racista. Porém, suas falas contundentes em vídeos passados não escondem o desprezo que já empregou pelo que lhe parece diferente.

 

Giulianna Nonato, de 26 anos, sempre teve medo de sair na rua, mesmo antes de identificar-se como travesti. “Antes de me apresentar com um corpo feminino, era uma bicha, então minha vida sempre foi marcada por bullying e violência”, conta em São Paulo. Nas últimas semanas, depois dos vários casos de agressão e assassinatos motivados por questões políticas no Brasil, o medo da jovem aumentou. Em 10 dias, pelo menos duas pessoas foram assassinadas e outras 70 sofreram agressões por conta de seus posicionamentos políticos, de acordo com levantamento do  Open Knowledge Brasil e Agência Pública. Os dados mostram que em seis dos casos as vítimas foram apoiadores de Bolsonaro; as demais foram agredidas por pessoas afins a ele.

 

“Parece que há mais ultraconservadores saindo do armário do que gays. Eu já tirei todos os símbolos LGBT que podem me prejudicar”, diz G. G., de 16 anos. Bolsonaro afirmou que as agressões são “excessos” e “casos isolados” e lamentou os episódios de violência, ao mesmo tempo em que denunciou um “movimento orquestrado” de falsas denúncias para prejudicar sua campanha. “Os candidatos não podem ser responsabilizados por tudo que seus apoiadores fazem. No entanto, no mínimo, têm a obrigação de garantir que seus discursos não incitem a violência. E quando ameaças e atos de violência ocorrem, devem condená-los de maneira categórica”, defende Maria Laura Canineu, diretora para o Brasil da ONG Human Rights Watch. Bolsonaro de fato chegou a fazer uma fala mais direta. “Dispensamos voto e qualquer aproximação de quem pratica violência contra eleitores que não votam em mim”, escreveu no twitter no último dia 10. Mas na sequência da mensagem, relativizou algumas acusações ao supor que parte das queixas eram calúnias. “A este tipo de gente peço que vote nulo ou na oposição por coerência, e que as autoridades tomem as medidas cabíveis, assim como contra caluniadores que tentam nos prejudicar.”

 

Mais do que as agressões físicas durante o período eleitoral, Nonato teme a “violência institucional” de um possível Governo conservador, que pode modificar ou anular direitos sociais garantidos por lei, como o Protocolo Transexualizador, que assegura atendimento no SUS aos cidadãos trans, incluindo o terapias hormonais e cirurgias. “Atualmente, já enfrentamos uma escassez de hormônios e temos que esperar meses na fila para uma simples consulta médica… isso pode piorar”, lamenta a jovem.

 

Para a ativista Melina Kurin, bissexual de 33 anos casada com uma mulher trans, a situação é de “pânico” na comunidade LGBT. Ela traz de volta à memória um passado no Brasil de repúdio à vida dos trans nos tempos da ditadura. Naquela época,  a Operação Tarântula contava com forças policiais que prendiam, torturavam e matavam travestis e transexuais. Por agora, há um temor de que esses ecos voltem a soar no país. “As pessoas que já te olhavam com ódio agora te olham como se você fosse a personificação do mal que Bolsonaro pretende combater. Ele se apresenta como o salvador da pátria, então seus inimigos se convertem em inimigos do povo”, comenta sua mulher, a socióloga Leona Wolf, de 36 anos, que compara a situação no Brasil com a campanha de Donald Trumpem 2016, quando aumentaram as agressões racistas e xenófobas nos EUA. “Sei que não vamos ter aqui campos de concentração para homossexuais, como na Chechênia, mas tenho, sim, receio de que cheguemos a uma situação como a Rússia de Putin", acrescenta. Continua 

 

 

 
20
Out18

Brasil: seguidor de Bolsonaro assassina a transexual de 25 años a cuchillazos

Talis Andrade

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Nodal - A transexual identificada como Laysa Fortuna, de 25 anos, esfaqueada na noite desta quinta-feira (18) na região do tórax, no Centro de Aracaju (SE), morreu na tarde desta sexta-feira (19) no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), onde estava internada. O corpo já seguiu para o Instituto Médico Legal (IML).

 

Laysa Fortuna foi atacada por um apoiador do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), segundo informações de Linda Brasil, amiga da jovem e que a socorreu.

 

O homem foi preso e encaminhado à 4ª Delegacia Metropolitana, no Conjunto Augusto Franco, zona Sul da capital. Ele assinou Termo Circunstanciado e foi liberado pelo entendimento do delegado plantonista que entendeu lesão corporal leve. As informações são do Fan F1 (SE).

 

“Estamos aqui para prestar solidariedade”, diz a professora e a ativista LGBT, Adriana Lohana, que recebeu a notícia da morte de Laysa com muita tristeza. Para ela, acontecimentos como esse só reforçam a onda violenta de preconceito que os transexuais sofrem no Brasil.

 

Para a melhor amiga de Laysa, Bruna Medeiros, será difícil imaginar viver sem a convivência de Laysa. “Está sendo muito difícil pra mim saber que a minha amiga foi embora”, conta. Ainda de acordo ela, que estava com Laysa no momento do crime, a cena que ela presenciou será difícil de esquecer. “A polícia conseguiu pegar ele [o agressor] enquanto minha amiga chorava no chão e nos meus braços”, relembra.

 

O corpo de Laysa será velado na residência da mãe da jovem no bairro Porto Dantas.

 

 

16
Out18

PASTORAIS SOCIAIS DA CNBB: BOLSONARO USA DEMOCRACIA PARA DESTRUÍ-LA

Talis Andrade

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Pastorais Sociais, Pastorais do Campo e outras entidades da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tornaram pública a nota "Democracia: mudança com Justiça e Paz" alertando para possíveis retrocessos sociais com uma eventual eleição de Jair Bolsonaro (PSL); "A Constituição sai ferida com esta intolerância que nega a diversidade do povo brasileiro, estimula preconceitos e incentiva o conflito social"

 

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Pregam a tortura e a pena de morte, sustentam que as mulheres podem ter menos direitos que os homens, usam de violência contra a população LGBT, discriminam negros, índios e quilombolas com insultos, racismo e xenofobia

 

 

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Et plectentes coronam de spinis, posuerunt super caput eius  (Jo 19, 1)
 
 
 

 

Pastorais Sociais, Pastorais do Campo e outras entidades da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tornaram pública nesta segunda-feira (15) a nota "Democracia: mudança com Justiça e Paz" alertando para possíveis retrocessos sociais com uma eventual eleição do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL).

 

"A Constituição sai ferida com esta intolerância que nega a diversidade do povo brasileiro, estimula preconceitos e incentiva o conflito social. Estes candidatos e seus seguidores, que pregam a tortura e a pena de morte, sustentam que as mulheres podem ter menos direitos que os homens, usam de violência contra a população LGBT, discriminam negros, índios e quilombolas com insultos, racismo e xenofobia. Em resumo, atacam a democracia pelo desprezo dos seus valores republicanos", diz o texto.

 

De acordo com a nota, "nosso Brasil pode ter divergências, porém sem ódio". "Há necessidade do crescimento da economia com diminuição da desigualdade. Com base nestes valores, temos o dever fraterno de alertar a todos os nossos concidadãos e concidadãs, para que sua escolha no 2º turno contemple os princípios aqui defendidos e o candidato que os representa, integrante de uma ampla frente democrática pluripartidária, para assegurar um futuro de Justiça e de Paz para o Brasil".

 

 Os ricos estão cada vez mais ricos à custa dos pobres cada vez mais pobres

 

Há trinta anos a Constituição Federal entrou em vigor. Os constituintes objetivaram instituir "um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias".

 

No processo eleitoral em curso, um movimento antidemocrático fere estes valores supremos assegurados pela Constituição e apela ao ódio e à violência, colocando o povo contra o povo. Demoniza seus opositores, classifica-os de comunistas e bolivarianos, menospreza a população do nordeste brasileiro e tenta semear o ódio e o medo. Esta atitude já se concretiza por meio de agressões e assassinato contra os que manifestam posições divergentes.

 

A Constituição sai ferida com esta intolerância que nega a diversidade do povo brasileiro, estimula preconceitos e incentiva o conflito social. Estes candidatos e seus seguidores, que pregam a tortura e a pena de morte, sustentam que as mulheres podem ter menos direitos que os homens, usam de violência contra a população LGBT, discriminam negros, índios e quilombolas com insultos, racismo e xenofobia. Em resumo, atacam a democracia pelo desprezo dos seus valores republicanos.

 

O candidato deste movimento quer se valer de eleições democráticas em sentido contrário para dar legalidade e legitimidade a um governo que pretende militarizar as instituições, garantir impunidade aos abusos policiais, armar a população civil e reduzir ou cortar programas de direitos humanos e sociais. Em poucas palavras, é o abandono do Estado Democrático de Direito.

 

O Brasil é um país de desigualdades sociais profundas em que os ricos estão cada vez mais ricos à custa dos pobres cada vez mais pobres. Estes candidatos antidemocráticos atendem às imposições do sistema financeiro e da política neoliberal que atacam direitos sociais, ambientais e o patrimônio do país. As possíveis consequências deste programa são: o fim do décimo terceiro salário, a diminuição do Bolsa Família, a extinção das cotas nas universidades e a privatização sumária das estatais. Na verdade, tais medidas constituem a intensificação do Governo Temer, que está produzindo desemprego, sofrimento e abandono da população.

 

Tais políticas, já receberam veemente condenação do reconhecido líder mundial, o papa Francisco: "Assim como o mandamento «não matar» põe um limite claro para assegurar o valor da vida humana, assim também hoje devemos dizer «não a uma economia da exclusão e da desigualdade social». Esta economia mata." (Evangelii Gaudium, 53).

 

Este movimento apoia um candidato que pretende ser um político novo, salvador da pátria, que está no Congresso há quase trinta anos, trocou de partido oito vezes e não aprovou um projeto sequer para melhorar as condições de vida do nosso povo, votando contra todas as políticas sociais que beneficiariam os trabalhadores e trabalhadoras, principalmente, os mais pobres.

 

Por tudo isso, nós, integrantes de organizações da sociedade civil, portadores da convicção da inafastável dignidade da pessoa humana, fundamento dos direitos humanos, não podemos nos omitir. Respeitamos todos aqueles que, por motivos variados, tenham votado no 1º turno sem atentar para estes valores, mas queremos dialogar francamente com todos. A possibilidade de se instalar um governo como esse movimento deseja, retoma o passado de ditadura já superado.

 

Nosso Brasil pode ter divergências, porém sem ódio. Há necessidade do crescimento da economia com diminuição da desigualdade. Com base nestes valores, temos o dever fraterno de alertar a todos os nossos concidadãos e concidadãs, para que sua escolha no 2º turno contemple os princípios aqui defendidos e o candidato que os representa, integrante de uma ampla frente democrática pluripartidária, para assegurar um futuro de Justiça e de Paz para o Brasil.

Brasília, 15 de Outubro de 2018

Cáritas Brasileira
CBJP - Comissão Brasileira Justiça e Paz
CCB - Centro Cultural de Brasília
CIMI - Conselho Indigenista Missionário
CJP-DF - Comissão Justiça e Paz de Brasília
CNLB - Conselho Nacional do Laicato do Brasil
CPT - Comissão Pastoral da Terra
CRB – Conferência dos Religiosos do Brasil
FMCJS - Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social
OLMA - Observatório De Justiça Socioambiental Luciano Mendes De Almeida
Pastoral Carcerária Nacional
Pastoral da Mulher Marginalizada
Pastoral Operária
SPM - Serviço Pastoral do Migrante

10
Out18

BOLSONARISTAS CRAVAM SÍMBOLO NAZISTA EM CORPO DE JOVEM EM PORTO ALEGRE

Talis Andrade

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Uma jovem de menos de 20 anos de idade foi violentamente agredida por três bolsonaristas na noite de segunda-feira (8) em Porto Alegre, por andar com o adesivo #EleNão com as cores da bandeira LGBT em sua mochila. Não contentes em socarem a jovem, os três homens ainda usaram um canivete para cravar o símbolo nazista, a suástica, no seu corpo. A jovem L. foi marcada como se marca gado, como se marcavam os judeus nos campos de concentração.

 

Leia o relato da jornalista Ady Ferrerem sua página no Facebook: 

 

"Porto Alegre, 8 de outubro de 2018, um dia após o primeiro turno das eleições, por volta das 20 horas.

 

L* andava pela rua Baronesa do Gravataí, quando 3 homens avistaram o adesivo #EleNão com a bandeira LGBT que ela estampava na sua mochila. Foram ofensas duras demais para retratar em um texto, duras demais para mulheres lésbicas ouvirem e lerem. Talvez o erro de L tenha sido responder, mas são ofensas contra a dignidade de alguém que só quer ter a liberdade de ser quem é. Não sei se foi um erro, mas nada justifica o que veio a seguir.

 

Ela foi agredida, humilhada no meio da rua. E como se não bastasse, dois homens seguraram seus braços, enquanto o terceiro cravava uma suástica na sua costela. Uma suástica... o símbolo de um dos regimes mais cruéis da história, que assassinou judeus, ciganos, comunistas e homossexuais e que os culpou por todo o mal que assolava a Alemanha no início do século XX. Uma suástica cravada na costela de uma brasileira lésbica, que não chegou nem aos 20 anos, uma marca de opressão e ameaça, não só à L, mas à todas as minorias do país.

 

Esse texto deveria ser uma matéria jornalística, objetiva, sem muitos sentimentos expostos, mas essa jornalista que o escreve não tem sangue de barata, pois, assim como L, também é LGBT e viu seu medo triplicar ao saber dessa história e comprová-la como verdadeira.

 

O BO foi registrado na noite do dia 9 e os culpados por essa agressão devem ser processados assim que identificados. Assim esperamos.

 

*por questões de segurança, a identidade de L foi protegida."

 

 

09
Out18

Kit Gay tem apoio de Alexandre Frota deputado federal de Bolsonaro com mais de 150 mil votos

Talis Andrade

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Com pesquisas que mostram que o tema do inexistente kit gay rende votos de eleitores analfabetos, o extremista Jair Bolsonaro voltou a alimentar preconceitos para aliciar eleitores. "Estou procurando alguém para ser ministro da Educação que tenha autoridade. Que expulse a filosofia de Paulo Freire. Que mude os currículos escolares", disse Bolsonaro em entrevista à rádio Jovem Pan. "Para aprender química, matemática, português e não sexo". Foi sugerido a Bolsonaro, ele deslocar o ator pornô de filme gays Alexandre Frota do Ministério da Cultura para Eduçacão.

 

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Poucos eleitos tiveram permissão de visitar o capitão no hospital 

 

247 - O candidato da extrema-direita a presidente, Jair Bolsonaro, voltou nesta terça-feira, 9, a explorar eleitoralmente o tema do inexistente kit gay.

 

Bolsonarista de primeira hora, o ator, escritor e ex-jogador de futebol americano Alexandre Frota foi correspondido em seu entusiasmo com candidatura de Jair Bolsonaro. Pelo Twitter, ele celebrou o “recado do capitão”, que expressou seu desejo de ver Frota ministro da Cultura.

 

“Se você quer me ver presidente um dia eu quero te ver ministro da Cultura, já imaginou, cara?”, diz Bolsonaro. Leia mais na revista Veja aqui.

 

Candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL-RJ) disse, em um vídeo descontraído enviado para Alexandre Frota, que quer ver o ator como ministro da Cultura. Leia mais no jornal O Globo aqui. O próprio Frota compartilhou o vídeo em suas redes sociais. O que lhe garantiu a eleição de deputado federal com mais de 150 mil votos. 

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29
Set18

ELE? NÃO!

Talis Andrade

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por Gabriela Mendes Machado 

 

Primeiro levaram os negros

Mas não me importei com isso

Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários

Mas não me importei com isso

Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis

Mas não me importei com isso

Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados

Mas como tenho meu emprego

Também não me importei

Agora estão me levando

Mas já é tarde.

Como eu não me importei com ninguém

Ninguém se importa comigo.

INTERTEXTO - Bertolt Brecht

 

 

Empório do Direito - O texto supra fala por si. Quando estudamos História, é comum nos depararmos com as seguintes perguntas: “como foi que deixaram isso acontecer?” Como pode um ser humano agir desta forma com outro, com base em uma suposta superioridade étnica, financeira, de sexualidade. Olhamos para trás, exemplos não faltam.

 

* Na peça de teatro denominada “Unwanted”, a atriz Dorothée Munyaneza narra, de forma intensa e sofrida, relatos de mulheres vítimas de sucessivos estupros ocorridos durante o genocídio de 1994 em Ruanda, como arma de guerra. Narrativas que vão desde a introdução de pedaços de pau na vagina de meninas de dez, onze anos - que acabavam, muitas vezes, engravidando de seus algozes, e tendo que lidar, até os dias de hoje, com diversas DSTs, predominantemente a AIDs -, além de choques elétricos, dentre diversas outras formas de tortura, deixam os espectadores com o estômago se contorcendo durante todo o espetáculo. Pergunta-se: como isso pôde acontecer? Como deixaram isso acontecer? Conviviam em Ruanda algumas tribos, umas voltadas à agricultura, outras à pecuária, que tinham conflitos entre si, mas, nada que se comparasse com a matança generalizada havida após a colonização de Ruanda pela Alemanha, e posteriormente pela Bélgica. O conflito interno era interessante para os colonizadores, para fins de manutenção do poder. Mas, como proceder à manutenção do conflito junto àquelas tribos que habitavam o país, para que permanecessem em guerra? Superioridade racial. Não falha nunca junto aos desavisados, principalmente aqueles que já têm, em si, uma semente fascista precisando somente de algo ou alguém para germiná-la. No caso de Ruanda, com forte apoio da Igreja Católica, a Bélgica incutiu na mentalidade das pessoas de etnia tutsi – que foram escolhidas para ocupar cargos de administração local – a superioridade étnica, eis que eram eles os que tinham traços mais próximos dos europeus – tinham o nariz mais fino e a pele menos escura, embora ainda negra. Os tutsis tinham traços mais aristocráticos e menos rústicos que os hutus. Assim, questões políticas e de dominação europeia que foram instituídas pelo colonizador, mas permaneceram mascaradas pela suposta superioridade étnica dos tutsis em detrimento dos hutus – a conveniência do discurso racista – geraram, posteriormente, a reação hutu que ocasionou o genocídio de 1994, que deixou incontáveis vítimas e uma herança triste de guerra em Ruanda[1].


* No livro História Geral do Brasil, mostra-se de forma clara o contexto do país que permitiu a instauração do golpe militar que inseriu o país em duas décadas de ditadura. Após o governo de Juscelino Kubitschek, foi eleito Jânio Quadros, tendo como vice João Goulart. Àquela época, havia rumores de que este simpatizava com o comunismo, o que fez com que Jânio tentasse articular um golpe, com apoio do Congresso Nacional, para que tivesse amplos e ditatoriais poderes para governar. Decidiu, com isso, informar sua renúncia, a fim de que o Congresso, temeroso pela assunção de Jango ao cargo de Presidente, instituísse o comunismo no Brasil. Contudo, a renúncia foi aceita, tornando-se, Goulart, o novo presidente do Brasil. A seguir, a fim de tornar o presidente decorativo, aprovou-se uma emenda instituindo o parlamentarismo no país. Todavia, a seguir, temendo que, mesmo com o parlamentarismo, Goulart significasse um retorno ao populismo, os militares optaram por dar um golpe à democracia e assumir o poder em 1964, a pretexto de extinguir a ameaça do comunismo no país. Foram anos sombrios no país, nos quais várias pessoas foram capturadas, torturadas e mortas. Muitas famílias ainda sentem não terem tido a oportunidade de enterrar parentes queridos, desaparecidos na ditadura.


* A derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial instaurou verdadeiro caos no país, sobretudo após a assinatura do humilhante Tratado de Versalhes, que impunha uma séria de condições, tanto de abdicações territoriais, quanto de ordem indenizatória. Nesse contexto caótico, ascendeu no país a figura de Adolf Hitler, que, com um discurso nacionalista, antissemita e ditatorial, ganhou apoio dos cidadãos alemães, que acreditavam que ele podia reerguer o país. Acreditava-se na necessidade de unir a Alemanha, sobretudo considerando a possibilidade de existência de um inimigo interno, não alemão, que não ajudava a agregar o que sobrava do país no pós-guerra. O discurso de ódio a todo aquele que fosse diferente vingou entre os alemães, que se achavam superiores e não queriam a presença de não alemães em seu território. Nesse contexto, ganhou força o discurso purista, por meio do qual os alemães podiam se considerar uma raça superior, além de culpar o diferente tanto pela derrota alemã quanto pela dificuldade de reestruturação do país após a guerra. Daí, surgiram terríveis atrocidades contra os judeus e outros, sistematicamente enviados a campos de concentração, onde, após muita tortura, acabavam por morrer.


Das narrativas acima, verifica-se que o autoritarismo como um todo tem muito a ver com uma ideia de superioridade propagada por seus adeptos, aliada à existência de um perigo comum, muitas vezes hipotético, que unifica a sociedade em seu combate, custe o que custar.

 

O que tem o Brasil de 2018 a ver com tudo isso?

 

Temos um candidato à presidência da República que concentra, em si, todos os preconceitos possíveis em face das minorias políticas existentes no país. Ele ataca, com a mesma facilidade com que se faz uma piada sobre um jogo de futebol, negros, índios, mulheres, homossexuais. Exalta torturadores publicamente (conduta esta que é, inclusive, tipificada como crime). Fala em conter a ameaça comunista (é de uma falta de criatividade e de timing histórico...) e armar o “cidadão de bem” para combater o inimigo.

 

Em um país em que os negros são o maior alvo da seletividade do sistema penal[2], além de serem as principais vítimas de morte violenta[3], em que os índices de violência doméstica são absurdos e alarmantes (sendo o Brasil o 5º país em que mais se matam mulheres, conforme o último Mapa da Violência, realizado em 2015[4]), e no qual estas têm muito menos direitos que homens, e que lidera o ranking dos países em que mais se matam LGBTs no mundo, apoiar um candidato como esse é sintomático de que vamos mal em termos de Democracia.

 

Não podemos dizer que todos aqueles que compactuam com as ideias desse candidato sejam fascistas. Mas, soa um pouco contraditória a adesão ao candidato em questão, considerando que a justificativa de grande parte de seus eleitores é a falta de opções - pois não mais suportam um governo de esquerda, intervencionista, que os onera ao tutelar os mais pobres – quando há diversos outros candidatos concorrendo ao cargo de Presidente, alguns deles declaradamente liberais e qualificados para sustentar os seus discursos de direita, sobretudo na economia.

 

Reinaldo Azevedo, escritor historicamente ovacionado pela direita brasileira, adequadamente afirmou:

 

Não é o liberalismo de Bolsonaro que seduz porque este, a rigor, não existe. A sua trajetória o prova. É a mobilização da besta do preconceito e do rancor instalada no fundo de algumas consciências.

 

Menciona, a seguir, outros candidatos de viés inegavelmente liberal, que poderiam ser opções de voto, e conclui:

 

O Bolsonaro que atrai essas camadas de que falo é justamente o ILIBERAL, o reacionário, o do discurso fascistoide, o que alimenta a impressionante rede de ódio montada da Internet para xingar, intimidar, desmoralizar, enquadrar e demonizar pessoas que discordam dessa adorável visão de mundo[5].

 

Esse discurso de intolerância não pode ser admitido. O fascismo é assim. Vai nascendo aos poucos, florescendo, fazendo algozes e, na mesma medida, criando vítimas. Sempre há um inimigo comum a ser atacado: a ameaça comunista (golpe militar de 1964, no Brasil), o negro que é mais negro que o outro (como em Ruanda), o branco que é menos alvo que o outro (como na Alemanha fascista de Hitler). Quando vemos, as pessoas já estão matando as outras pelo simples fato de possuírem características que não lhes foi dado decidir se queriam ter, mas, das quais, não podem se livrar (ascendência, orientação sexual, cor da pele, gênero, etc.).

 

Como proceder, então? A única saída possível é a Democracia. É saber conviver com o diferente e respeitá-lo. Porque é fácil sustentar um discurso de opressão quando a vítima está do outro lado do front. Mas, e quando o fascismo bater à nossa porta e não tivermos feito nada sobre isso? E quando o homossexual morto é nosso filho? E quanto a mulher que perdeu o emprego “porque engravida” é nossa irmã? E quando o negro que é confundido com o autor de um delito é alvejado pelo “cidadão de bem” armado é a gente mesmo? Quem vai colocar limite no fascismo?

 

O ideal seria que tivéssemos empatia e conseguíssemos compreender a dor do outro (já que, por mais que tentemos, nunca conseguiremos saber a real dor de uma opressão sem, de fato, senti-la), mas, em não sendo possível, seria interessante que garantíssemos a dignidade do outro, porque isso é, em alguma medida, garantir a nossa própria dignidade.

 

Nunca é demais lembrar: "Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la”. (Edmund Burke)

 

 

Notas e Referências

[1] Sobre o tema, interessantíssimo o livro “Uma Temporada de Facões: Relatos do Genocídio em Ruanda”, de Jean Hatzfeld.

[2] No Brasi, 64% dos presos são negros, vide https://www.cartacapital.com.br/sociedade/no-brasil-64-dos-presos-sao-negros.

[3] Dados obtidos no Atlas da Violência de 2017, publicado pelo IPEA. Vide: http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=30253 .

[4] Vide: https://www.mapadaviolencia.org.br/mapa2015_mulheres.php .

[5] Vide: https://www3.redetv.uol.com.br/blog/reinaldo/e-o-liberalismo-de-bolsonaro-que-seduz-parte-dos-ricos-e-universitarios-nao-e-odio-a-pobre-e-a-diferenca-existem-os-candidatos-liberais/ .

 

 

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