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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

18
Abr20

Regina Duarte virou a fake news da Cultura

Talis Andrade

 

 

por Altamiro Borges 

- - -

Regina Duarte, a patética ministra da Cultura, replicou nas suas redes sociais que Marisa Letícia Lula da Silva deixou R$ 256 milhões em certificados de depósitos bancários (CDBs). A mentira teve como fonte um juizeco de nome Carlos Henrique André Lisboa, da 1ª Comarca de Família de São Bernardo do Campo (SP). 

Como os advogados do ex-presidente Lula comprovaram, Marisa Letícia tinha apenas R$ 26 mil em CDBs – e não R$ 256 milhões como "confundiu" o juizeco. Regina Duarte, os filhotes 02 e 03 de Bolsonaro – Carluxo e Dudu Bananinha – e a rádio Jovem Pan serão agora processados pela difusão da fake news. 

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Em seu perfil oficial, o ex-presidente Lula deu o nome dos criminosos que espalharam mentiras na internet. "Fake news sobre Dona Marisa com valor mil vezes maior do que o real foi divulgada por dois filhos de Bolsonaro, por Regina Duarte e pela Jovem Pan". 

Pelo Twitter, Lula postou que foi ao banco analisar o inventário de Marisa Letícia. "Como não temos nada a esconder, fomos até o Bradesco buscar informações. O próprio banco deveria ter desmentido. Vale tudo contra o Lula. O que eles não sabem é a minha capacidade de resistência". 

Já o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) anunciou que "Eduardo Bolsonaro será denunciado na Comissão de Ética da Câmara Federal e Regina Duarte na Comissão de Ética da Presidência da República. Basta de mentira e fake news. A impunidade tem sido a arma desta famiglia e seus cúmplices". A conferir se serão punidos! 

Abandono de 4,9 milhões de trabalhadores 


Enquanto a bolsonarista Regina Duarte espalha fake news, o seu ministério está totalmente paralisado e a área de cultura sofre ainda mais com a pandemia. Segundo a Folha, "coronavírus pode impactar 4,9 milhões de pessoas empregadas no setor cultural". 

A Folha se baseia no Painel de Dados do Observatório Itaú Cultural, que reúne informações sobre instituições culturais existentes em 2019. Dos 4,9 milhões de trabalhadores do setor, São Paulo empregava 1,4 milhão, seguido por Minas Gerais (510 mil) e Rio de Janeiro (428 mil). 

O Painel de Dados do Observatório Itaú Cultural analisou ainda o número de empresas da economia criativa no país. Em 2017, segundo os últimos dados reunidos, o Brasil contava com 147,3 mil organizações atuando no segmento – da indústria da moda até o cinema e a televisão.

A Folha realça: "Em 2016, segundo o último dado disponível, o conjunto de empresas dedicadas à economia criativa gerou receita bruta da ordem de R$ 335,7 bilhões e lucro bruto próximo a R$ 200 bilhões". Agora, com o coronavírus e com a incompetente Regina Duarte, quase tudo está parado e sem recursos. Só resta mesmo à namoradinha do fascista espalhar fake news. 

Ainda sobre a sinistra da Cultura, vale o comentário postado no Instagram pelo craque José Trajano: “Morre Moraes Moreira, nem uma palavra. Aldir adoece, nenhum gesto de solidariedade. Morre Rubem Fonseca, silêncio. Essa Regina Duarte é gente ruim! Segue os passos de um jumento. Uma lástima... Ela é secretária da Cultura ou limpa botas do capitão?

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13
Fev20

850 mulheres jornalistas repudiam ataques à repórter Patrícia Campos Mello

Talis Andrade

 

Violences sexistes. Et les médias? 1Por Tiago Angelo

ConJur

Cerca de 850 mulheres jornalistas assinaram nesta quarta-feira (12/2) um manifesto repudiando os ataques sofridos pela jornalista da Folha de S. Paulo Patrícia Campos Mello. Durante CPMI das Fake News, Hans River do Rio Nascimento, ex-funcionário da Yacows, disse que a profissional teria feito insinuações sexuais para conseguir informações para uma reportagem. 

Patrícia Campos Mello foi a responsável por revelar que empresas estavam enviando mensagens em massa pelo WhatsApp durante as eleições de 2018. Entre as empresas envolvidas na prática, que é ilegal, está justamente a Yacows.

Em reportagem, Patrícia Campos Mello mostrou que empresas usavam WhatsApp para disparo de mensagens em massa

 

A carta foi idealizada por Vera Magalhães, colunista do jornal O Estado de S. Paulo e apresentadora do programa Roda Viva, da TV Cultura. O documento foi assinado por jornalistas dos principais veículos de comunicação do Brasil, entre elas, Miriam Leitão, Mônica Bergamo e Bela Megale. 

"Sem apresentar qualquer prova ou mesmo evidência, o depoente acusou a repórter, uma das mais sérias e premiadas do Brasil, de se valer de tentativas de seduzi-lo para obter informações e forjar publicações", afirma o manifesto.

Ainda segundo o documento, "é inaceitável que essas mentiras ganhem espaço em uma Comissão parlamentar de Inquérito que tem justamente como escopo investigar o uso das redes sociais e dos serviços de mensagens como WhatsApp para disseminar fake news". 

As declarações feitas pelo ex-funcionário da Yacows ocorreram nesta terça-feira (11/2). "Quando eu cheguei na Folha de S. Paulo, quando ela [repórter] escutou a negativa, o distrato que eu dei e deixei claro que não fazia parte do meu interesse, a pessoa querer um determinado tipo de matéria a troco de sexo, que não era a minha intenção, que a minha intenção era ser ouvido a respeito do meu livro, entendeu?", disse Hans no Congresso.

Em uma extensa reportagem, a Folha desmentiu ponto a ponto as alegações do depoente, inclusive a de que a repórter teria feito insinuações. De acordo com a matéria, o ex-funcionário é que teria convidado Patrícia para um show. A repórter, no entanto, ignorou a mensagem. 

Em nota divulgada pela Folha, a advogada Taís Gasparian, que defende o jornal, disse que cabe reparação à jornalista pelas declarações. "A ilação de que a jornalista teria sugerido a troca de matéria por sexo causa danos a ela, não apenas porque se trataria de um desvio de natureza ética da profissão como também por atingir sua condição feminina", diz Gasparian. 

Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) também repudiou os ataques contra Patrícia Campos Mello e criticou o deputado Eduardo Bolsonaro, que endossou as alegações feitas por Hans. 

“É assustador que um agente público use seu canal de comunicação para atacar jornalistas cujas reportagens trazem informações que o desagradam, sobretudo apelando ao machismo e à misoginia”.

Leia a íntegra da carta assinadas por mulheres profissionais da imprensa

Manifesto em repúdio aos ataques à jornalista Patricia Campos Mello
Nós, jornalistas abaixo assinadas, repudiamos os ataques sórdidos e mentirosos proferidos em depoimento à CPMI das Fake News por Hans River, ex-funcionário da empresa Yacows, especializada em disparos em massa de mensagens de WhatsApp, à jornalista da Folha de S.Paulo Patricia Campos Mello

Sem apresentar qualquer prova ou mesmo evidência, o depoente acusou a repórter, uma das mais sérias e premiadas do Brasil, de se valer de tentativas de seduzi-lo para obter informações e forjar publicações. 

É inaceitável que essas mentiras ganhem espaço em uma Comissão Parlamentar de Inquérito que tem justamente como escopo investigar o uso das redes sociais e dos serviços de mensagens como WhatsApp para disseminar fake news.

Nós, jornalistas e mulheres de diferentes veículos, repudiamos com veemência este ataque que não é só à Patricia Campos Mello, mas a todas as mulheres e ao nosso direito de trabalhar e informar.  Não vamos admitir que se tente calar vozes femininas disseminando mentiras e propagando antigos e odiosos estigmas de cunho machista. 

Clique aqui para ler o manifesto

 

 

12
Fev20

Nova onda de ataques à jornalista Patricia Campos Mello é "abominável", diz CIDH

Talis Andrade

Créditos da imagem: Cartunista Gilma

Ocorrido nesta terça (11), o depoimento à CPMI das Fake News de Hans River do Rio Nascimento, ex-funcionário da agência de disparos de mensagens em massa Yacows, causou uma nova onda de ataques à jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de São Paulo.

Nascimento trabalhou para a Yacows durante a campanha eleitoral de 2018. Em dezembro daquele ano, reportagem da Folha indicou que diferentes empresas, incluindo a Yacows, fizeram uso fraudulento de nome e CPF de idosos para disparar mensagens em massa para políticos via WhatsApp.

Durante a apuração, Patricia falou várias vezes com Nascimento. No começo, ele disse que não sabia quais campanhas se valeram da fraude, mas mostrou-se solícito e respondeu às perguntas da repórter.

Porém, alguns dias depois de a Folha procurar a Yacows para solicitar esclarecimentos sobre o caso, Nascimento pediu que a repórter retirasse da matéria tudo o que havia falado.

Convocado pelo deputado Rui Falcão (PT-SP), o depoente sugeriu à CPMI das Fake News que a jornalista estava disposta a fazer sexo com ele em troca de informações para a reportagem.

"Quando eu cheguei na Folha de S.Paulo, quando ela [repórter] escutou a negativa, o distrato que eu dei e deixei claro que não fazia parte do meu interesse, a pessoa querer um determinado tipo de matéria a troco de sexo, que não era a minha intenção, que a minha intenção era ser ouvido a respeito do meu livro, entendeu?", disse Nascimento no Congresso.

A CPMI é formada por deputados e senadores e investiga a disseminação de notícias falsas na eleição de 2018.

''ABOMINÁVEL ATAQUE" DO DEPUTADO

EDUARDO BOLSONARO

Nas redes sociais e no Congresso, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) usou a fala de Hans para atacar a repórter da Folha, incitando seus apoiadores (reais e robôs) a fazer o mesmo.

"Eu não duvido que a senhora Patrícia Campos Mello, jornalista da Folha, possa ter se insinuado sexualmente, como disse o senhor Hans, em troca de informações para tentar prejudicar a campanha do presidente Jair Bolsonaro. Ou seja, é o que a Dilma Rousseff falava: fazer o diabo pelo poder", disse Eduardo.

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) emitiu nota repudiando as declarações do deputado, que repercutiram para "milhões de seguidores alegações difamatórias".

"É assustador que um agente público use seu canal de comunicação para atacar jornalistas cujas reportagens trazem informações que o desagradam, sobretudo apelando ao machismo e à misoginia. Além disso, esta é mais uma ocasião em que integrantes da família Bolsonaro, em lugar de oferecer explicações à sociedade, tentam desacreditar o trabalho da imprensa", frisou a entidade.

 

Edison Lanza, relator especial para liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), condenou "abominável" ataque de Eduardo Bolsonaro a Patricia Campos Mello

 

Edison Lanza, relator especial para liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), também repudiou o posicionamento de Eduardo Bolsonaro no caso.

"Condeno a abominável desqualificação do deputado @BolsonaroSP à jornalista
@camposmello com base em estereótipos de gênero, para minar sua excelente investigação sobre injeção de "notícias falsas" na campanha #Brasil. Não reproduzirei o ataque", tuitou Lanza.

10
Jan20

É preciso dizer que o presidente mente

Talis Andrade

As mentiras políticas precisam ser combatidas todos os dias, de modo taxativo, com todas as letras. Um país não pode fazer vista grossa a mentiras deslavadas de seu governante

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por Tereza Cruvinel

Mitomania, mentira patológica ou pseudologia são nomes de que a psiquiatria se vale para definir a doença incurável de Jair Bolsonaro, a compulsão por dizer mentiras e atacar a verdade. Há mitômanos que inventam histórias mirabolantes mas inofensivas, a não ser à própria reputação. Mas Bolsonaro mente seletiva e politicamente, para defender suas decisões e posições, atacando a verdade, a História e todos aqueles que odeia. O Brasil tem sido condescendente demais para com suas pseudologias.  Precisa começar a dizer, a cada ocorrência, que o presidente mente. E isso vale para a mídia, para as instituições democráticas e para cada cidadão.

Após o início da crise EUA-Irã, Bolsonaro mentiu três vezes publicamente, duas na live que o mostrou, em cena de servilismo explícito, assistindo contrito o pronuciamento de seu líder, Donald Trump, após o contra-ataque iraniano a bases americanas no Iraque.

Do presidente de Cuba, Diaz-Canel, levou uma enquadrada em regra. Para justificar seu apoio ao ataque de Trump, invocou o combate ao terrorismo, dizendo que havia “muitos terroristas” entre os médicos cubanos.  “Assim como os cubanos médicos, entre aspas, saíram antes de eu assumir. Sabiam que eu ia pegar os caras”.  

Mentira dupla. Cuba retirou seus médicos porque Bolsonaro já prometia romper o acordo mediado pela OPAS,  desqualificando e insultando os oito mil médicos cubanos que atuavam no Brasil. Nunca, nos governos Dilma e Temer, houve qualquer indício de atuação política, muito menos terrorista, de qualquer um deles. Ao enquadrar Bolsonaro, o presidente cubano lembrou que o feito deles foi ter atendido a 113.359.000 pacientes em mais de 3.600 municípios onde antes faltavam médicos,  dando cobertura permanente a 60 milhões de brasileiros.  Mais uma vez Bolsonaro apenas ecoou as políticas da Casa Branca contra Cuba.  Foi também para agradar Trump que o Brasil, pela primeira vez, aliou-se aos Estados Unidos e a Israel, na ONU, votando contra a moção que todos os anos condena o embargo econômico-comercial imposto a Cuba.  O Brasil honesto deve desculpas aos médicos que tão bem nos serviram.

Mas faltou quem dissesse, aqui dentro,  em alto e bom som, que Bolsonaro disse uma mentira.  A mídia precisa parar com eufemismos gentis para com ele, dizendo apenas que faltam evidências ou provas para suas afirmações.  Precisa dizer: “o presidente mentiu”. Aliás, mentiu e omitiu, neste caso,  porque leu artigo da Constituição que prevê compromisso do Brasil com o combate ao terrorismo, deixando de ler o resto: e ao racismo. Mas isso não importa, muito pelo contrário.

Mentiu Bolsonaro também, na mesma live, ao dizer que Lula esteve no Irã, quando era presidente, apoiando o enriquecimento de urânio em mais de 20%, condição para a construção de armas atômicas e nucleares.  Lula o desmentiu taxativamente, depois de chama-lo de “lambe-botas”.  Lembrou que uma simples consulta ao Google informaria que ele, juntamente com o chanceler Celso Amorim, e com o governo turco, negociaram um acordo que acabou não vingando por falta de aceitação americana, mas que depois se traduziu no acordo firmado com o Irã por Barack Obama e governantes europeus, em termos muito parecidos. Também neste caso, faltaram outras vozes a dizer: “o presidente mentiu”.

Bolsonaro mente e seus serviçais replicam a mentira, o que é pior. Nesta quinta-feira,  questionado por jornalistas sobre a fake news lançada contra Lula, seu porta-voz, general Rego Barros, endossou-a:  "Seria muito interessante buscar as informações do governo deste cidadão que está sendo citado na pergunta para verificar quem está mentindo". Levou também uma enquadrada de Lula: “Um general devia ser porta-voz, não porta-mentiras”.

Ainda ao justificar o desastrado apoio ao ataque de Trump – que pelos enormes custos políticos e financeiros que terá, o governo tenta agora minimizar, buscando alguma normalidade na relação bilateral -  Bolsonaro mentiu novamente.  Seu governo, disse, está muito preocupado com o terrorismo, inclusive na América do Sul. Citou a Venezuela, claro.  E afirmou, sem apresentar qualquer prova, para espanto da imprensa argentina, que o general assassinado, Soleimani, participou diretamente do ataque terrorista à associação judaica Amia, ocorrido em Buenos Aires, no ano de 1994.

O caso de Bolsonaro pode ser patológico mas suas mentiras são engajadas, estão sempre destinadas a justificar suas decisões, mesmo quando desastrosas. Ou a desqualificar seus críticos e adversários. Algumas trivialidades soam como mentiras. Após a recente queda que sofreu, disse que ficou algumas horas com amnésia.

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Quando a amnésia ocorre, costuma durar mais. Diante do alto preço da carne, disse que ela agora é servida apenas duas vezes por semana no Alvorada. Os cozinheiros estão rindo até agora. Estas não importam, mas as mentiras políticas precisam ser combatidas todos os dias, de modo taxativo, com todas as letras. Um país não pode fazer vista grossa a mentiras deslavadas de seu governante. Algum dia ele vai mentir ao Congresso, e aí veremos se serão capazes de processá-lo por crime de responsabilidade.

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26
Out19

A bomba da Veja: "disse ter ouvido..."

Talis Andrade

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por Rogério Correia 

Capa da revista Veja traz reportagem requentando o tal “caso Celso Daniel”. Põe a tarja “exclusivo” para um texto que pode ser assim resumido: 

1) “Valério DISSE TER OUVIDO de um empresário que o ex-presidente foi o mandante do assassinato” 

 Adiante, Veja condiciona: 

 2) “SE Marcos Valério estiver dizendo a verdade..”  Por fim, um adendo da própria revista: 

 3) “O novo depoimento, EMBORA NÃO TRAGA NENHUMA PROVA CONCRETA (...)” 

 O que deve ter ocorrido: prestes a fechar a revista e diante da possibilidade mais concreta de Lula livre proximamente, os editores de Veja tentam trazer mais uma denúncia do ex-ministro Palocci. Aí lembram a eles que Palocci já deu e não passa qualquer credibilidade. “Vamos ressuscitar o caso Celso Daniel então”. 

Pode apostar: não demorará e alguém ainda publicará que Lula mandou a Shell derrubar óleo no litoral do Nordeste... E não duvide que algum bolsominion vai babar com isso nos whatsapps da vida...  

Continuamos aqui a esperar uma continha bancária do Lula no exterior; um documento assinado por ele comprovando corrupção; um apartamentozinho (bunker) em que ele guardava dinheiro; uma gravaçãozinha em áudio ou vídeo em que o ex-presidente confesse crimes.   

Até agora, nada disso foi apresentado. Vamos lá, Veja, Globo, IstoÉ, Estadão, vamos lá Dallagnol e Sergio Moro: acharam coisa ruim de tanta gente (Aécio, Cunha, Temer, Gedel, Serra...), por que após tanto tempo não acham nada concreto do Lula?

TAL PAI, TAL FILHO

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26
Out19

A Veja faz um trabalho sujo

Talis Andrade

 

Por Leandro Fortes

Jornalistas pela Democracia

 

O fato de terem exumado, pela enésima vez, o cadáver de Celso Daniel para atingir Luiz Inácio Lula da Silva revela o total esvaziamento de opções, dentro da direita golpista instalada no Poder Judiciário, para atacar o ex-presidente petista. Que tenha sido a Veja o veículo escolhido para mais esse trabalho sujo, chega a ser entediante, de tão previsível.

O crime contra Celso Daniel, ocorrido há 17 anos, foi investigado meia dúzia de vezes pela polícia tucana de São Paulo, mas nem assim chegaram a qualquer ligação entre Lula e o PT com o homicídio, encerrado como ocorrência de crime comum. Ainda, assim, a cada eleição presidencial, de 2002 para cá, o caso foi desenterrado, apresentado como prova de um propalado gangsterismo petista que, apesar da nação de idiotas que nos tornamos, nunca colou.

Agora, quando o Supremo Tribunal Federal indica que Lula será libertado, por estar preso ilegalmente depois de condenado sem provas, o Ministério Público de São Paulo pegou um Palocci de estimação para colocar no pau-de-arara: o publicitário Marcos Valério, artífice dos chamados mensalões do PSDB e do PT, condenado a 37 anos de cadeia.

Assim, do nada, sem uma única prova e evidência, Valério "decidiu" acusar Lula de mandante do assassinato de Celso Daniel. Um dia depois do voto da ministra Rosa Weber que poderá retirá-lo da cadeia.

Se esse é o arsenal que resta contra Lula, um admirável mundo novo se anuncia, pois.

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12
Set19

Ameaça golpista de Carlos Bolsonaro é para ser levada a sério

Talis Andrade

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Por Bepe Damasco

Quando o vereador Carlos Bolsonaro, tido e havido como o responsável pela comunicação digital de seu pai, escreve no twitter que “por vias democráticas não haverá as mudanças rápidas desejadas no país”, ele está repetindo, na realidade, o que o presidente faz praticamente todos os dias: testando os limites das instituições e plantando as sementes do totalitarismo para ver se colhe lá na frente.

Seria, portanto, um equívoco tratar a declaração do 03 como mera bravata de um fascista idiota e deslumbrado com o poder do papai, a exemplo de seus irmãos. Hoje li um alerta do filósofo Paulo Arantes que merece atenção. Lembrando que na eleição de 2018 Bolsonaro disse que só aceitava como resultado sua vitória, Arantes afirma que não se pode descartar a possibilidade dele um dia, possivelmente em 2022, se negar a deixar o governo, caso perca a eleição.

E motivos para este tipo de preocupação existem de sobra. Seja nos seus inúteis 28 anos como deputado federal, ou nos oito meses como presidente que afronta as conquistas civilizatórias diariamente, Bolsonaro deu sobejas demonstrações de sua total falta de apreço pelo regime democrático.

Inimigo do conhecimento, da inteligência, da ciência, das artes, da cultura, da educação e do meio ambiente, Bolsonaro é adepto da tortura, da violência policial contra pobres e negros e da eliminação de adversários políticos. Defende ainda políticas discriminatórias contra indígenas, quilombolas, mulheres e homossexuais.

Pelo conjunto da obra, Bolsonaro talvez seja o ser humano mais desprovido de virtudes entre os 7 bilhões e duzentos milhões de habitantes do Planeta Terra.

Mas é esse sujeito que preside o Brasil, embora tenha chegado lá da forma mais suja possível, através de uma indústria de calúnias, injúrias e difamações financiada ilegalmente, de uma facada a cada dia mais suspeita e da negativa de comparecer a debates.

Ou seja, alguém com as convicções antidemocráticas de Bolsonaro, e que é capaz de toda sorte de golpes abaixo da linha da cintura e de táticas desleais durante uma campanha eleitoral, deve sonhar em liderar a instalação de uma ditadura escrachada no Brasil.

Mas se a sanha totalitária do clã Bolsonaro não deve ser subestimada, também é importante assinalar que, não obstante o apoio a intervenções militares ter crescido na esteira da onda obscurantista que infelicita o país, a grande maioria do povo brasileiro rejeita ditaduras.

E Bolsonaro sabe que contaria com forte resistência da sociedade, de partidos (de esquerda, centro e até da direita republicana), sindicatos, movimentos sociais, igreja progressista, estudantes, além da mídia e das instituições formais do regime democrático, que, embora corrompidas, teriam muito a perder diante com uma ditadura bolsonarista.

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27
Dez18

Como lutar contras as fake news?, pergunta jornal francês

Talis Andrade

 

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RFI - O combate às notícias falsas - as "fake news" - preocupa a imprensa francesa. "Como lutar contra essa ameaça?", pergunta o jornal Le Parisien em sua manchete de capa nesta quinta-feira (27).

O diário explica que o ano de 2018 foi marcado por uma quantidade inacreditável de fake news na França, fenômeno intensificado com a emergência do movimento dos "coletes amarelos". Le Parisien sublinha que o principal meio de difusão das fake news são as redes sociais, nas quais "mais de 4 bilhões de publicações são compartilhadas a cada dia, com informações verdadeiras ou falsas". 

O jornal questiona por que o público não faz a distinção entre o que pode e não ser confiável. "Por que as fake news são tão sedutoras?", pergunta. Le Parisien cita um estudo recente realizado pelo renomado Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT, nos Estados Unidos, segundo o qual as notícias mentirosas se propagam mais rapidamente do que as verdadeiras

A matéria cita como exemplo a grande quantidade de fake news disseminada a partir da criação do movimento dos "coletes amarelos", contra o aumento da taxa ecológica sobre o preço dos combustíveis. No meio de novembro, para contestar sobre a quantidade de participantes nas manifestações, uma foto ganhou forte popularidade no Facebook. Ela mostra milhares de pessoas reunidas no centro da cidade de Clermont Ferrand, no centro da França, como se fosse um protesto dos "coletes amarelos". No entanto, a imagem data de 2017 e corresponde à comemoração de uma das vitórias do time de rugby da cidade, cujo uniforme também é amarelo. 

"Essas falsas informações têm tanta importância quanto os 'coletes amarelos' dão pouca credibilidade às mídias tradicionais", afirma Le Parisien. "É desta forma que o público passa a confiar mais nos conteúdos que circulam nas redes sociais para se informar", explica ao jornal Arnaud Mercier, professor do Instituto francês da Imprensa.

Como verificar uma notícia

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Le Parisien também traz um passo a passo para os leitores aprenderem a conferir a veracidade e a coerência de uma notícia. Como, por exemplo, procurar a fonte e o autor da publicação para saber se são confiáveis. Ou analisar o conteúdo, conferindo as datas, os locais, o nome das pessoas entrevistadas. E, principalmente, refletir antes de compartilhar para evitar a propagação de mentiras. 

O diário também destaca que uma lei contra as fake news foi adotada na França em novembro. Ela prevê, por exemplo, que a justiça seja acionada até mesmo em caráter de urgência durante uma campanha eleitoral, para evitar que conteúdos falsos sejam divulgados. 

Entrevistado pelo jornal, o secretário de Estado encarregado do Digital na França, Mounir Mahjoubi, afirma que as fake news podem ter sim um impacto sobre o voto e indica que a França detectou a ingerência de elementos estrangeiros e da extrema direita nas falsas informações divulgadas sobre os "coletes amarelos". Por isso ressalta que não apenas a França, mas toda a Europa vem reforçando mecanismos para observar as informações disseminadas nas redes sociais. 

 

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26
Dez18

JOICE HASSELMANN FOI O PONTO DE PARTIDA DE ALGUMAS DAS MAIORES MENTIRAS DA ELEIÇÃO

Talis Andrade

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Joice Hasselmann (PSL), a mulher mais votada para o cargo de deputada federal. Foto: Geraldo Bubniak/AGB/Folhapress

JOICE HASSELMANN FOI O PONTO DE PARTIDA DE ALGUMAS DAS MAIORES MENTIRAS DA ELEIÇÃO

 

“QUERO SER O BOLSONARO de saias”. É assim que Joice Hasselmann projeta o seu mandato na Câmara. Eleita com mais de 1 milhão de votos pelo partido de Jair Bolsonaro, o PSL, a ex-jornalista paranaense ganhou fama nacional após virar uma expoente do reacionarismo brasileiro nas redes sociais. Seu alcance na internet é enorme. Só no Facebook ela conta com quase 2 milhões de seguidores. No YouTube, onde publica vídeos diariamente, já tem mais de 1 milhão.

O estrondoso sucesso online é diretamente proporcional à disseminação de boatos e notícias no mínimo mal apuradas em suas redes sociais. A ex-jornalista foi a principal responsável por espalhar uma das maiores mentiras do primeiro turno, a fraude nas urnas, segundo um relatório elaborado por pesquisadores e analistas de dados da Avaaz, uma comunidade de mobilização online com atuação 

pesquisadores e analistas de dados da Avaaz, uma comunidade de mobilização online com atuação mundial. Avaliando cerca de 10 mil postagens no Facebook, no Twitter e no YouTube, os pesquisadores descobriram que ex-jornalista foi um dos pontos de partida da história que visava desacreditar o processo eleitoral no Brasil – mas só os resultados que desagradassem os envolvidos, claro.

 
Relatório Avaaz Joice Hasselmann14 pages
 
 

A falsa história ganhou força, segundo o monitoramento, depois que Hasselmann fez uma transmissão ao vivo em suas páginas do Facebook e YouTube. No vídeo, Hasselmann “joiçou” uma suposta fraude nas urnas (ou seja, distribuiu conteúdo falso, exagerado ou plagiado, verbo já incorporado ao léxico da internet). Ela diz que ficou sabendo por uma fonte que um suposto hacker, que teria operado em três eleições anteriores, estava pronto para agir novamente. Catapultada por outros formadores de opinião bolsonaristas, inclusive os filhos de Bolsonaro e o próprio Jair, a mentira atingiu cerca 16,5 milhões de pessoas nas redes sociais nas 48 horas após as eleições. Às 11h do dia 7 de outubro, a hashtag #FraudeNasUrnas alcançou o topo dos trending topics do Twitter.

No dia da eleição, a ex-jornalista também contribuiu para a disseminação do vídeo em que um eleitor digita o número 1 e logo aparece a foto de Fernando Haddad, do PT. A postagem atingiu 3,9 milhões de visualizações em seu Facebook. O Tribunal Superior Eleitoral já provou a falsidade do vídeo, mas Hasselmann manteve o conteúdo vários dias no ar, antes de exclui-lo. Até agora, aliás, não postou uma correção sobre a mentira que ajudou a disseminar. Curiosamente, os questionamentos sobre as urnas, segundo ela, não se aplicam às votações para governadores e legislativo – a que a elegeu. Apenas para a Presidência.

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No segundo turno, o papel de formadora de opinião a partir de conteúdos de procedência duvidosa foi mantido. Desta vez, ela escolheu destacar uma suposta interferência do Irã, da Venezuela e do Hezbollah nas eleições brasileiras. A única evidência para a teoria é um documento escrito pelo deputado norte-americano Dana Rohrabacher para o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo. Hasselmann menciona que o deputado está preocupado com a integridade do processo eleitoral e a segurança dos candidatos, principalmente depois do ataque a Bolsonaro.

Em 20 de outubro, dia em que Joice Hasselmann publicou seu vídeo sobre o tema, a discussão atingiu seu auge. Só no Facebook a publicação teve mais de 2,5 milhões de visualizações e foi compartilhada por pelo menos 2.388 páginas e grupos. No YouTube, o vídeo teve mais de 1,8 milhões de visualizações. No dia seguinte após publicá-lo, a deputada alcançou 1 milhão de inscritos em seu canal.

Plágio, processos e uma lição de jornalismo

Natural de Ponta Grossa, no Paraná, Hasselmann começou a carreira em programas regionais de rádio e TV. Antes de se tornar um fenômeno das redes, foi âncora de programas na rádio Jovem Pan e da TVeja, lugares onde se sentiu à vontade para dar vazão à sua obsessão em criminalizar as ideias identificadas com a esquerda.

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Como profissional, Hasselmann se destacou mais pela oratória do que pelo jornalismo. Articulada e expressiva, sua carreira sempre privilegiou a forma – e não o conteúdo e a apuração. Quando ainda atuava no Paraná, foi denunciada no Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas por 23 colegas por plagiar pelo menos 65 reportagensem menos de um mês. A plagiadora em série copiava textos de colegas e publicava em seu blog como se fossem de sua autoria – sem crédito, claro. Roubar o trabalho intelectual de colegas de profissão é corrupção em estado bruto, mas ela omite esse detalhe de seu currículo quando brada pela moralidade e pelo combate às falcatruas no mundo político.

Apesar das provas irrefutáveis, Joice Hasselmann ainda nega o que aconteceu. Sua defesa é, basicamente, acusar as vítimas de seus plágios de serem “vagabundos ligados ao PT e à CUT”, “invejosos” e “frustrados”. Prometeu que iria processar um por um dos seus acusadores – mas, claro, não cumpriu a promessa, já que seria necessário provar em juízo que os plágios não existiram. O caso, no entanto, acabou com a sua carreira na imprensa: cinco meses depois, foi demitida e processada pela Editora Abril. Depois que o caso veio a público, Reinaldo Azevedo, seu então colega de bancada na TVeja, se recusou a continuar apresentando o programa ao seu lado. Essa seria uma mancha irreparável no currículo de qualquer jornalista – mas em tempos de pós-verdade, pouco importa. Na verdade, parece que foi justamente essa característica o que a fez alçar voos mais longos em sua carreira.

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'Sabe porque ele falou isso (‘você não merece ser estuprada’)? Porque você é chata e feia pra caramba!’

 

A mulher mais votada da história da Câmara despreza o movimento feminista que, segundo ela, é composto por uma “gente chata que arranca blusa para colocar peito na rua”. Em uma participação numa esquete de um canal de humor no YouTube, Hasselmann aparece vestindo luvas de boxe para defender Jair Bolsonaro de Maria do Rosário, em uma alusão à famosa discussão no Salão Verde da Câmara. “Você merece (ser estuprada)? Fala, mocreia!”, pergunta Hasselmann, enquanto desfere socos no ator que atua como Maria do Rosário. “Sabe porque ele falou isso (‘você não merece ser estuprada’)? Porque você é chata e feia pra caramba!”

Sempre bastante centrada em seu ego, Joice Hasselmann adora criar apelidos para si própria. Primeiro, de carona no sucesso de público da operação da Polícia Federal, se auto-intitulou “Madrinha da Lava Jato”. Ela chegou a escrever até uma biografia de Sérgio Moro que, do ponto de vista jornalístico, é uma historinha tão chapa branca que parece ter sido escrita pela mãe do juiz.

Depois que foi demitida da Veja, Hasselmann continuou usando a marca da empresa sem autorização – registrou, inclusive, o domínio vejajoice.com.br. Ainda manteve o nome da publicação em suas redes sociais e usava em suas imagens de perfil uma faixa horizontal vermelha, marca de identidade da TVeja. Os advogados da Abril conseguiram tutela de urgência para proibir Hasselmann de usar a palavra “veja”. A jornalista se recusou a acatar a decisão judicial, o que a levou a ser condenada a pagar multa e indenização por danos morais.

 
Veja Joice 05 pages
 
 

Outro enrosco judicial em que Hasselmann se meteu por causa de uma mentira foi com Luiza Nassif, filha do jornalista Luis Nassif. Ela publicou uma foto de Luiza debaixo da seguinte manchete: “Filha de Luis Nassif comanda ato contra Moro em NY. Nassif recebeu 5,7 milhões do governo petista”. Mas era só mais um boato para a coleção da jornalista – que foi condenada a indenizar Nassif. Na sentença, o desembargador a responsabilizou por “divulgar matéria jornalística inverídica” e ainda se viu obrigado a ensinar os preceitos básicos do jornalismo para uma pessoa que se identificava como jornalista. Segundo o juiz, o ofício tem “dever de ser reto e veraz, de checar suas fontes, de apurar a procedência dos fatos, de pesar evidências, evitando a todo custo a divulgação precipitada de fatos delituosos que possam prejudicar a vida e a reputação de pessoas indevidamente.” Aparentemente ela ainda não aprendeu.

Outro boato que Hasselmann ajudou a alimentar foi o “Decálogo de Lênin”, que seria composto por 10 mandamentos do revolucionário russo e que seria usado pelo PT como uma espécie de manual para se perpetuar no poder. Mas Lênin, a quem a jornalista chama de “ditador russo”, nunca escreveu nada disso. Era só Joice sendo Joice mais uma vez.

Do ~jornalismo~ para a política

Os serviços prestados por Hasselmann ao país encantaram Jair Bolsonaro, a quem ela chama carinhosamente de “zero um”, uma referência ao filme Tropa de Elite. A deputada eleita conta que tinha uma visão equivocada sobre ele, mas tudo mudou quando ela o conheceu de perto de perto e pôde medi-lo com sua régua moral. “Bastou uma conversa pessoalmente para eu enxergar que por trás daquele homem com posições fortes havia um coração bom, honesto, e uma espinha ereta que não se dobra.” O capitão a convidou para ser candidata, mas ela titubeou por um momento. “Tive algumas conversas com Bolsonaro e houve um dia em que ele, com olhos marejados, depois de ser carregado por uma multidão, me disse: ‘Se eu tiver um Congresso forte, eu mudo este país’. Aí não teve jeito. Eu não tinha o direito de fugir dessa responsabilidade”.

Hasselmann se vê como uma heroína na luta do bem contra o mal. Para ela, o mundo é bem mais simples do que se imagina. Não há complexidade, nuances, contradições. Seu mundo é binário e maniqueísta, como nos contos infantis. “Vou compor a bancada do bem. E a outra é a do mal, que vai tentar atrapalhar Brasil“. Parece que a única razão que a fez entrar para a política é a mesma que a move como jornalista: “a defesa ininterrupta da extinção do PT”, obsessão compartilhada por Bolsonaro e praticamente toda a bancada de seu partido.

Mas o ego de Hasselmann já causou problemas para o PSL durante a campanha. Ela não é considerada confiável por parte de seus correligionários. Sem consultar ninguém do partido, que havia definido sua candidatura como deputada federal, a jornalista anunciou publicamente que seria candidata ao governo de São Paulo, causando grande constrangimento. Major Olimpio, presidente do PSL em São Paulo, afirmou que ela “atravessou o samba para querer aparecer”. Já Alexandre Frota, também deputado federal eleito, foi ao Twitter para chamá-la de “biscate” e “ratazana que atua nos bastidores”.

 

Joice Hasselmann, Jair Bolsonaro e Viviane Senna durante a campanha no segundo turno. Foto: divulgação

 

Apesar de ter causado alvoroço dentro do PSL, Hasselmann é a candidata que mais recebeu verbas do partido: R$ 100 mil, enquanto as demais candidaturas do diretório paulista receberam apenas R$ 5 mil. A estrondosa votação de Hasselmann, junto com a de Eduardo Bolsonaro, garantirá pelo menos R$ 110 milhões em recursos públicos para o PSL a partir do ano que vem. Será que a ex-jornalista, que sempre se escandalizou com os milhões destinados ao Fundo Partidário, continuará escandalizada?

Além da carreira como política e cabo eleitoral da direita, Hasselmann agora também tem ministrado cursos online. Um deles se chama “Comunicação Global com Caráter e Verdade” e há tópicos interessantes como “Aprenda a enxergar a mentira”, “O som da verdade – a verdade tem um som diferente” e “Aula com treinamento para identificar a mentira no dia a dia”. No mínimo curioso.

Com esse currículo não é difícil entender porque Joice Hasselmann se tornou o principal polo disseminador da campanha de Bolsonaro. A ex-jornalista foi escalada para dar um verniz de credibilidade aos principais boatos que contribuíram para alavancar a candidatura do capitão, em um esquema de distribuição massiva de mentiras que impressionou até a Comissão Eleitoral da Organização dos Estados Americanos.

 

 

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