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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

08
Set18

Perpignan: festival destaca fotos de duas tragédias brasileiras

Talis Andrade

 

Perpignan: festival destaca fotos de duas tragédias brasileiras
 
Samuel Bollendorff registrou a tragédia do Rio Doce.(c) Samuel Bollendorff/Le Monde
 

 

O Festival de Fotojornalismo Visa Pour L’Image, de Perpignan, no sul da França, é parada obrigatória para os profissionais do setor. Para amantes da fotografia e turistas, é um evento excepcional para conhecer o trabalho de pessoas que rodam o mundo para contar histórias através de imagens.

 

Duas exposições mostram imagens do Brasil. Uma traz o Brasil do rio Doce, isto é, o “Rio Morto”, contaminado pelo rompimento das barragens da mineradora Samarco. Outra traz o Brasil como parte atuante da produção mega industrial de alimentos que avança pela Amazônia.

 

Usina de transformação de frangos na China.© George Steinmetz / Cosmos

 

 

O francês Samuel Bollendorf acompanhou jornalistas do diário francês Le Monde em várias partes do mundo ameaçadas pela contaminação, como Fukushima, no Japão, e o oceano Pacífico repleto de dejetos plásticos. No Brasil, o tema foi a catástrofe do rio Doce na região de Mariana.

 

Impunidade

 

“É horrível, pois a princípio são lugares muito bonitos, mas o que encontramos é um pesadelo. Conhecemos pessoas doentes, que perderam familiares, e que se sentem como Davi contra o gigante Golias, ou seja, pequenos demais para lugar contra lobbies poderosos e grupos industriais ligados à política e à justiça, e assim ficam impunes”, disse Bollendorf.

 

Samuel Bollendorff diante de uma foto sua do Rio Doce.(c) Patricia Moribe

 

 

O americano George Steinmetz é um fotógrafo conhecido por suas fotos aéreas. Armado de paraglider, drone e câmeras, ele sobrevoou estufas, plantações, criações e abatedouros, produzindo imagens impressionantes, coloridas e futurísticas. No Brasil, ele fotografou a produção industrial de ovos e carne de frango e porco, além de testemunhar o desmatamento da floresta amazônica.

 

Mundo natural vira industrial

 

George Steinmetz, em Perpignan.(c) Patricia Moribe

 

“O que me choca no Brasil é ver a Amazônia se transformando em zonas de cultivo. Não é o mundo que vai decidir o destino da Amazônia, é o Brasil. Mas acho que há uma ruptura entre a vida das pessoas na zona rural e urbana. Deveria haver mais conexão entre os dois lados. É perturbador ver o mundo natural se transformar em um processo industrial”, declarou Steinmetz à RFI Brasil.

 

A realidade nua e crua é obrigatória em Perpignan. A brasileira Alice Martins traz imagens duras da Síria, conflito que ela acompanha há seis anos. A americana Andrea Bruce mostra o problema da defecação ao ar livre e o saneamento em países carentes como Índia e Haiti. Ou ainda programas que deram certo, como no Vietnã. Cerca de 950 milhões no mundo não têm acesso a um sistema sanitário, provocando graves ameaças à saúde da população. Leia mais aqui

 

 
22
Mai18

17 fotos inusitadas da Terra vista do espaço

Talis Andrade

Empresa especializada em satélites fez registros com as lentes a uma inclinação entre 45 e 60 graus: “Assim conseguimos imagens similares à vista de um avião”. Veja as fotos no El País, Espanha

 

sao paulo.jpg

 

Nesta fotografia de São Paulo podem ser vistos os bairros residenciais que cercam o Parque Ibirapuera, a área natural na parte inferior da imagem. No canto superior esquerdo fica o rio Pinheiros. Foto tirada em 12 de março de 2018

10
Mai18

Uma outra história: a iconografia de um país nada cordial

Talis Andrade


Exposição em cartaz no IMS, em SP, abrange 75 anos de conflitos mostra país longe de ideia conciliadora

degola revolução federalista.jpg

 

Simbólica da violência dos conflitos brasileiros, imagem mostra a degola de um revoltoso durante a Revolução Federalista, guerra que durou cerca de dois anos no Rio Grande do Sul, entre 1893 e 1895

 

por André de Oliveira

 

 


Quando olha para as disputas, conflitos e violências atuais, o Brasil tem muitas vezes dificuldade em entender de onde partiu a centelha do conflito, exatamente. Afinal, o retrato do brasileiro como um povo cordial, pacífico e conciliador abunda tanto na historiografia, quanto na iconografia. As grandes imagens do Brasil falam, muitas vezes, de um país icônico: jangadas ao mar, religiões afro-brasileiras, novas cidades sendo erigidas em meio ao cerrado. Oferecer uma outra representação, que ilustre os conflitos e violências constantes que fizeram e fazem parte da história do país, é o que pretende a exposição Conflitos: Fotografia e Violência Política no Brasil 1889-1964, que, depois de uma temporada no Rio de Janeiro, chega ao Instituto Moreira Salles (IMS) de São Paulo nesta terça-feira, dia 8.

 

Cobrindo um período de 75 anos, as cerca de 400 imagens que compõem a exposição fazem um percurso através de revoltas populares, rebeliões, guerras civis, golpes de Estado e tentativas de revolução que se deram a partir da proclamação da República, em 1889, até o golpe militar de 1964. O grande período abarcado pela mostra e as especificidades de cada evento – são 19 ao todo – têm em comum o fato de que todos os conflitos retratados tiveram, de alguma forma, o envolvimento do Estado e foram parte de um processo maior de disputa política.

 

Na exposição, capítulos menos e mais conhecidos da história brasileira ganham, através das imagens, uma materialidade que permite uma compreensão maior de suas reais dimensões e reverberações, como a Guerra de Canudos (1896-1897) e o Tenentismo, que durou boa parte da década de 1920. A primeira foto que abre o percurso de eventos retratos, por exemplo, mostra um homem sendo degolado durante a Revolução Federalista (1893-1895), conflito pela disputa do poder do Rio Grande do Sul. Na época, a cruel degola era um evento corriqueiro desde, pelo menos, a Guerra do Paraguai (1864-1870), por motivos tão fúteis quanto a economia de munição e afirmação de superioridade. Chocante, contudo, a imagem é simbólica de uma prática disseminada não só naquele Brasil, mas também neste – quando se lembra das atuais rebeliões e disputas de facções em presídios.

 

Em conversa com o EL PAÍS, a curadora da exposição, Heloísa Espada, ressalta o fato de que, se por um lado, a mostra é um resgate de acontecimentos marcantes da vida nacional, também serve como uma pequena história da fotografia documental e do fotojornalismo no Brasil.

 

 

“Toda imagem realizada num conflito é interessada e abordá-la é abordar também os fatores que moldam seus significados”, diz Espada na abertura do livro catálogo – que pode ser lido e comprado separadamente. Por isso, segundo ela, o material serve ainda como um registro de como e por quem foi contada a história das violências brasileiras. Na elaboração de Conflitos: Fotografia e Violência Política no Brasil 1889-1964, foram gastos cerca de quatro anos, entre pesquisa e confecção do material, em que a curadora contou com o apoio de uma equipe de pesquisadores. A socióloga Angela Alonso, que participou do processo, escreve também no livro: “Se você aprendeu na escola que este é um país pacífico e conciliador, vai desaprender. Aqui se descortina uma sociedade de faca, tiro e bomba. Não pense que se fala de um mundo à parte, o dos 'marginais'. É do coração da República que se trata”.

 

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