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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

03
Nov19

E se manchas de petróleo nas praias do Nordeste fossem um aviso dos deuses?

Talis Andrade

Resíduos de petróleo também podem ser um alerta da decadência política, social e humana que o país está enfrentando

02
Nov19

“Contaminação por óleo no Nordeste deixará sequelas no ecossistema marinho, na saúde e economia local”

Talis Andrade

Geocientista e biólogo explicam como os componentes químicos do óleo são capazes de matar espécies marinhas, impossibilitar pesca e turismo e causar graves doenças, como câncer, nos seres humanos

 

Jovem retira na terça-feira o óleo que atingiu praia de Itapuama, no litoral sul de Pernambuco.

Jovem retira na terça-feira o óleo que atingiu praia de Itapuama, no litoral sul de Pernambuco.TERESA MAIA

 

pesadelo ambiental que o Nordeste brasileiro vive provavelmente se estenderá pelos próximos anos. O petróleo derramado no oceano Atlântico atinge o litoral há quase 60 dias e tem potencial para danificar, em alguns casos de forma permanente, tanto o ecossistema marinho como a economia local e a saúde humana. É o que explicam, em entrevista ao EL PAÍS, o geógrafo e geocientista Tiago Marinho, doutorando da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e o biólogo André Maia.

Os especialistas consultados por El País acreditam que o Brasil já vive a maior tragédia ambiental de sua história. "O nível de contaminação química do petróleo é gritante, altíssima. Em águas isso se torna ainda pior, porque é conduzida para outros locais por causa das correntes marinhas. Essa é a maior preocupação", explica Marinho, que estuda a influência dos elementos no ecossistema e na vida do ser humano, além de ser ativista da ONG Greenpeace. "Vamos entrar agora numa fase de monitoramento dos ambientes costeiros, algo que demora de seis a nove meses de investigação. Ao menos durante esse tempo é recomendável evitar as áreas que tiveram contato com o óleo", alerta. Nesta quinta-feira, o Governo de Pernambuco anunciou que vai investigar, em conjunto com oceanógrafos da UFPE, a extensão do dano causado pela tragédia. Além dessa tarefa investigativa, há algo ainda mais urgente a ser feito: tentar evitar que o piche chegue a outros lugares, como o santuário de Abrolhos ou Fernando de Noronha, explica o geocientista.

O petróleo é um combustível fóssil que possui mais de 200 hidrocarbonetos. O benzeno, por ser cancerígeno, é considerado o mais tóxico de todos. Ainda que o piche que chega às praias seja retirado, esses componentes químicos continuam circulando pela corrente marítima sem que ninguém perceba a olho nu. "O cenário otimista é que algumas dessas áreas não tenha a presença do benzeno, mesmo as que tiveram algum contato com o óleo", explica Marinho. "O pessimista é a contaminação por benzeno. O ser humano não pode tomar banho se houver 0,7 mg por litro de água. A praia ficaria então imprópria para banho e para a pesca". Somente o processo investigação poderá definir o nível de contaminação de cada praia afetada. Assim, os danos ambientais no litoral no Nordeste ameaçam se estender para o turismo, a pesca e a culinária, pilares fundamentais da economia local. O desastre ambiental pode facilmente se tornar econômico e social.

Diante da lentidão das autoridades, milhares de pessoas vêm enfrentando o trabalho quase impossível de limpar as praias com as próprias mãos, muitas vezes sem qualquer tipo de proteção. Em Pernambuco, muitas delas tiveram que buscar clínicas e hospitais por causa de sintomas de intoxicação. "A curto prazo, essas toxinas causam dor de cabeça, náuseas, vômitos, dificuldade respiratória, dermatites e doenças de pele", explica o biólogo André Maia. O problema maior, porém, é que o benzeno é conhecido sobretudo por ser cancerígeno. "A longo prazo, essas pessoas podem ter problemas de origem respiratória, neurológica, circulatória e câncer. Essas pessoas deverão ser monitoradas pelo Governo pelos próximos 20 anos, para que se saiba os impactos do vazamento na saúde pública", opina.

O contato imediato com o óleo também faz com que espécies marinhas como corais, mariscos e peixes morram sufocados. “Pela quantidade de óleo que cai, é muito difícil salvar as estruturas que vivem nos corais. O que se percebe de morte na praia é uma pequena parte, uma proporção de 1 para 10”, explica Maia, que trabalha com a reabilitação e soltura de animais silvestres através de seu projeto, o Trilogiabio, e em parceria com órgãos ambientais e estaduais. “Isto é, se uma espécie morre no litoral, significa que 10 estão sofrendo ações piores em alto mar”, completa.

Outras espécies, mesmo que não morram, vão absorver o benzeno e outras toxinas liberadas na água. "Quando não morrem, seres como ostras, mariscos ou sururu, muito comuns em Pernambuco, filtram todo esse material, que vai se acumulando. Uma pessoa que se alimenta pode ter um problema de saúde sério associado a essa contaminação", explica Marinho. Maia complementa e explica como toda a cadeia alimentar pode acabar intoxicada: "Os animais que morrem intoxicados afundam em alto mar. Só que há outras espécies que se alimentam desses seres mortos. E aí esse produto começa a entrar na cadeia alimentar, realizando um processo que chamamos de biomagnificação [acúmulo progressivo de substâncias]", explica. E exemplifica: "Uma alga contaminada é comida por um peixe pequeno contaminado, que é comido por um peixe maior também contaminado, e assim sucessivamente. O final da cadeia é onde vai se acumular a maior quantidade de toxinas. E o final dela somos nós".

Leia mais: Como lidar com a contaminação

 

02
Nov19

Por que Bolsonaro não vai a Buenos Aires?

Talis Andrade

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247 (versão em português)

 

 

O presidente do Brasil anunciou que não irá à posse à posse do presidente e da vice presidente da Argentina, Alberto Fernandez e Cristina Kirchner, que se realizará dia 10 de dezembro próximo. Tradicionalmente os presidentes dos dois países compareciam à posse de seus colegas, além de que a primeira visita ao exterior de cada um deles se dava ao país vizinho.
 

O anúncio do presidente do Brasil é feito depois de suas declarações em relação às eleições argentinas, suas expectativas de que os candidatos vencedores não triunfassem e, dado o resultado adverso para ele, de que os argentinos se teriam equivocado e que se arrependeriam. Declarações feitas desde um governo que perdeu pelo menos 2/3 do apoio eleitoral que o elegeu em eleições marcadas pela manipulação de robôs e fake news. Ele afirma, como se sua ausência causasse dano à cerimônia da posse ou como se sua ausência fosse notada e lamentada.

Ao contrário, imediatamente o ministro de relações exteriores do governo Macri rejeitou as palavras do presidente brasileiro, antes inclusive que o novo presidente eleito também o fizesse. Mas por que Bolsonaro decidiu não ir à posse do novo governo do principal parceiro econômico e político do Brasil?

Antes de tudo, porque ele pode imaginar o tipo de recepção que teria, caso comparecesse. Sua imagem externa é a mais rejeitada de todas as existentes no mundo atual, personificando o que de pior existe. Desde a responsabilidade pelos incêndios na Amazônia até a contaminação das praias do Nordeste brasileiro, sem que o governo, em nenhum dos casos, tenha se empenhado em combater as catástrofes ecológicas. Ao contrário, tratou de se valer dos desastres, seja para expulsar os povos indígenas ou para tentar culpar o governo da Venezuela pela contaminação de petróleo nas praias brasileiras.

Não bastasse isso, o presidente do Brasil se notabilizou pelas posições desqualificadoras dos defensores dos direitos humanos, dos direitos das mulheres, dos negros, dos LGBT, dos ecologistas, como se caracterizou pela política de expropriação dos direitos dos trabalhadores, dos recursos para políticas sociais, pela intensificação da privatização de recursos públicos. Da mesma forma que, na política internacional, participou ativamente da ações que tratam de isolar o governo da Venezuela.

O presidente brasileiro sabe que o novo governo argentino caminha na direção exatamente oposta à do seu governo. Fernandez já anunciou que a Argentina sairá do Grupo de Lima, constituído para agir contra o governo da Venezuela. Os novos governantes argentinos foram eleitos com a crítica radical do modelo econômico similar de Macri e de Bolsonaro e de seus desastrosos efeitos sociais, com a estagnação econômica e os índices recordes de desemprego nos seus países.

O atual presidente brasileiro se mostrou sumamente incomodado com a visita que Alberto Fernández fez ao Lula antes ainda da sua eleição como novo presidente da Argentina e as reiteradas menções ao Lula Livre. Ele sabe que as relações entre o Brasil e a Argentina nunca foram tão boas como desde que o Lula e o Nestor Kirchner estabeleceram os acordos que levaram ao período de maior fortalecimento dos processos de integração regional e de intercâmbio econômico entre os dois países.

O atual presidente do Brasil soube que ainda no dia em que a Câmara de Deputados votava o impeachment da Dilma, ela recebeu telefonema de Mauricio Macri expressando sua solidariedade a ela. Sabe como não foi com comodidade que Macri o recebeu na Casa Rosada e o ouviu fazer pronunciamentos que nem sequer a direita argentina tolera.

Se quiser, uma vez mais, adular o presidente do país ao qual ele beija a bandeira, se deu mal também, com a fraternal conversa telefônica que tiveram Trump e Alberto Fernández, com o presidente norte-americano não apenas oferecendo-se a ajudar na renegociação argentina com o FMI, como prevendo que o novo presidente terá um mandato excepcional. Dia 10 de dezembro o atual presidente do Brasil vai assistir por televisão a extraordinária festa do povo argentino.

Ele pode supor como seria recebido, se estivesse ali, como seria sua recepção em Buenos Aires, no meio daquela imensa festa popular, que consagra a derrota e o fracasso do seu amigo, Macri, e a vitória de Alberto Fernández e de Cristina. Imagina como sua figura, sua presença, seria o alvo concentrado do repúdio a tudo o que ele representa, assim como a exaltação do Lula Livre.

Por tudo isso, ele anunciou que não vai à posse, para a qual nem sequer foi convidado e seria um convidado mal visto, deslocado, fora do contexto, em uma festa que consagra exatamente o oposto do que ele e seu governo representam. 

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31
Out19

Óleo que contamina Nordeste pode vir de poço em alto-mar, aponta análise

Talis Andrade

Com base em imagens de satélite, pesquisador identificou grande mancha no sul da Bahia, compatível com vazamento de petróleo abaixo da superfície do mar. Origem pode estar na região do pré-sal.

 

Voluntária remove óleo da praia Pedra do Sal, na Bahia

Voluntária remove óleo da praia Pedra do Sal, na Bahia

  • Autoria Nádia Pontes

Há semanas atrás de alguma pista que pudesse indicar a origem das misteriosas manchas de óleo que vêm atingindo praias do Nordeste desde o fim de agosto, o pesquisador Humberto Barbosa, do  Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), busca respostas em imagens de satélite.

Segundo o pesquisador, é sabido pela comunidade científica que o satélite europeu Sentinel 1-A é capaz de detectar derramamento de petróleo – e foi nele que o cientista apostou.

Imagens captadas no sul da Bahia mostraram, pela primeira vez, uma faixa da mancha de óleo ainda não fragmentada ou carregada pelas correntezas. Com cerca de 55 km de extensão e 6 km de largura, a uma distância de 54 km da costa, a mancha está numa região de intensa exploração de petróleo.

Em entrevista à DW Brasil, Barbosa explica o trabalho de análise científico e como chegou à hipótese de que a origem do petróleo que contamina praias há cerca de dois meses possa ser um poço de petróleo. A Marinha contestou o estudo.

 

DW Brasil: Como foi o processo de pesquisa com as imagens de satélite para se chegar à possível origem da mancha de petróleo? Dizia-se, até então, que imagens de satélite não eram suficientes para essa tarefa.

Humberto Barbosa: Primeiro eu tentei responder a uma grande pergunta: se a imagem a partir desse satélite europeu, de microondas, tecnologia SAR (radar que capta imagens, em qualquer horário do dia e da noite, mesmo em áreas cobertas de nuvens, tanto na superfície terrestre quanto marítima) consegue detectar manchas a partir de uma certa área. Eu já estava identificando várias manchas sempre com esse satélite, Sentinel, e não entendia por que o governo brasileiro não estava utilizando essas mesmas informações.

Houve um acordo da câmara setorial entre Brasil e Europa há três anos para fazer o uso dessas imagens. Estive na Alemanha e tive contato com outros grupos que já estavam com os dados bem encaminhados, e os dados do Sentinel seriam usados pelo Brasil. Todo mundo sabe que a melhor imagem seria a do Sentinel. Já há experiências na Ásia, no Pacífico, Oriente Médio que mostram que essas imagens têm capacidade de detectar derramamento de óleo.

Sessenta dias passados (da contaminação nas praias do Nordeste), o que a gente mais escutava dos órgãos governamentais é que as imagens de satélite não tinham capacidade para fazer detecção, que as manchas estavam na subsuperfície. A gente aqui já tinha essa resposta de que era possível.

A segunda pergunta era: qual era a origem disso tudo. Eu analisei segmento por segmento da imagem em toda a costa do Nordeste durante dois meses para encontrar um padrão que pudesse dar uma pista.

Na última segunda-feira, processei alguns dados, montando o quebra-cabeça, pois o satélite conseguiu pegar uma faixa privilegiada que ainda não havia sido mapeada. Consegui, com ajuda de pessoas que estavam em campo, validar algumas informações de manchas que o satélite mostrava.

Quando vi a imagem do sul da Bahia, eu vi a imagem de um fluido com resposta totalmente diferenciada da água onde ele estava menos dominante, ou seja, aquele corpo não pertence àquela água. Analisei se poderia ser um ruído do satélite, o que não se confirmou. Também pesquisei se teria havido algum abalo sísmico na região, o que não ocorreu, segundo os dados da USP (Universidade de São Paulo). Também chequei se haveria algum tipo de topografia do oceano que poderia interferir, o que não era o caso.

 

E como chegaram à conclusão de que poderia vir de um poço de petróleo?

Já tínhamos experiência com poços de perfuração, da altimetria, analisando teses de perfuração de poços. A Agência Nacional de Petróleo disponibiliza as informações da localização dos poços. Na região próxima de onde identificamos a mancha, na faixa de Porto Seguro, há intensa exploração [de petróleo], e nos últimos anos o pré-sal passou a fazer parte disso.

Comecei a olhar o padrão da imagem de satélite, busquei o que poderia estar interferindo. Eu tive a impressão de que aquele mancha me revelaria algo. O que ela tem em particular é a integração que ela mantém, embora ela tenha área que foi rompida. Nessa linha onde ela foi rompida você pode ver que um navio pode ter atravessado e ter rompido a mancha. É um navio que, junto com outros dois, está num posicionamento que não é um posicionamento geográfico normal de cruzamento de navios.

A Marinha informou que posicionou três navios no sul da costa da Bahia, porque em Abrolhos tem aparecido algumas manchas, e o satélite pega três navios muito perto das manchas.

Lembrando que 30 de agosto foi quando a primeira mancha encontrada, no litoral da Paraíba. A gente já está passando de sessenta dias. A quantidade de óleo que está derramando não pode mais ser apenas atribuída a um navio isolado.

O ponto extremo da mancha era o mais localizado e mais intenso, que me dava a percepção de que um fluido de densidade diferente está brotando em cima de uma superfície e poderia estar jorrando debaixo do oceano pra cima. Foi então que os poços de petróleo começaram a ser uma hipótese.

 

E como é possível diferenciar, com a imagem de satélite, a mancha que seria a origem do derramamento das outras que aparecem sobre o oceano? Quais são os elementos que permitem fazer essa separação?

Há uma terceira imagem que ainda não colocamos no site, embora ela já tenha sido registrada pelo satélite, e que pode ser acessada e processada por qualquer pessoa credenciada. Quando vi a mancha, fui em busca de imagens retroativas no sul da Bahia com olhar mais crítico.

Então, peguei um segmento mais afastado, no alto-mar, onde a imagem mostra a resposta de três fluidos. Um é dominante, que é a água do mar, diferenciada pelos ventos, pelas correntes, então torna o fluido da água do mar dominante na cena. O segundo é um fluido mais fino. O terceiro é estático, mais denso, podendo ser até do mesmo material do segundo fluido identificado, mas com densidade diferente.

A gente vê, nesse segundo fluido, como se fosse um balé "dançando" nessa água, com ventos arrastando. O terceiro fluido estava estático, muito mais pesado. Aí a gente precisa de muito mais informações da área, da região, a gente precisa coletar amostras para que possamos ser mais assertivos.

 

Isso quer dizer que esse pode ser o local de um vazamento de petróleo?

É um quebra-cabeça. Alguma coisa está acontecendo ali no sul da Bahia, isso é fato. É um padrão que não é simples de entender.

Embora não seja o nosso foco, estendi a nossa área de observação para o sul do Espírito Santo, onde encontrei uma mancha que não está associada às manchas do Nordeste, mas que tem a configuração de um fluido que não é água e não é ruído de satélite.

E tem uma quarta questão que são as informações meteorológicas. Essa região estava sob influência de correntes de ventos intensos no alto-mar que são dominantes nessa época. Isso provoca ressaca e foi determinante também para o transporte (do petróleo para as praias).

É difícil identificar a origem, porque as manchas se quebram. Mas, pela primeira vez nesta semana, encontramos um pedaço, um sinal e um padrão de fluido que não era água, onde algum navio cruzou provavelmente.

 

O senhor chegou a ser acionado pelo governo para ajudar no trabalho científico de identificação da origem do petróleo?

Não. Havia muitas questões que eu, como cidadão, não estava convencido. Já estava preocupado com o encaminhamento que foi dado no auge das queimadas na Amazônia, já que a gente também tinha um projeto de monitoramento. Sobre o petróleo no Nordeste, buscamos uma resposta para acalmar toda essa inquietação da própria sociedade, que acreditava que a gente não tinha ferramenta para encontrar uma resposta. Mas temos!

A imagem de satélite é um ferramenta mais fácil e disponível hoje, com custos razoavelmente baixos para que a resposta de ação a um desastre pudesse estar sendo tratado de uma forma muito mais ágil.

Escrevi ao Senado, fizemos um contato e devo enviar mais informações. Nas próximas semanas deve haver alguma reunião. Gostaria que outros cientistas fizessem também uma análise mais detalhada, que criticassem e pudessem cooperar com nosso trabalho.

 

26
Out19

Quinze praias do Nordeste sob o jugo do vazamento de óleo (23 fotos)

Talis Andrade

Dez fotógrafos de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia retratam os estragos do vazamento de óleo na região e o trabalho de voluntários para minimizar os prejuízos

 
 

contato oleo praias causa queimaduras, dores de ca

Veja aqui as fotos do descaso, do Brasil desprotegido, do Brasil do BRICS, que voltou a ser parte do Terceiro Mundo.

23
Out19

É preciso um "fora já" para Ricardo Salles

Talis Andrade

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por Gustavo Aranda

Foram necessários 41 dias para que o Ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, formalizasse o plano de contingência do governo federal para conter o maior desastre ambiental da história brasileira.

Enquanto voluntários se organizavam, colocando a própria saúde em risco, para tentar amenizar os efeitos do derramamento de óleo que atinge 2.000 quilômetros do litoral brasileiro. Enquanto a Justiça, dos Estados do Nordeste, e o Ministério Público Federal cobravam a atuação do governo para adotar medidas para conter a crise, o ministro Salles usava as redes sociais, com vídeo adulterado, para ironizar o Greenpeace.
 
DURANTE AS QUEIMADAS CRIMINOSAS QUE ATINGIRAM A AMAZÔNIA NO MÊS PASSADO, A ATITUDE DE RICARDO SALLES FOI PEGAR UM AVIÃO PARA A EUROPA PARA ENCONTROS SECRETOS COM EMPRESAS MULTINACIONAIS POLUIDORAS, INTERESSADAS NA EXPLORAÇÃO DA AMAZÔNIA, COMO REVELOU O THE INTERCEPT.

Ricardo Salles está condenado por improbidade administrativa e a perda dos direitos políticos, desde dezembro de 2018, por adulterar mapas de preservação ambiental, quando exerceu o cargo de secretário do meio ambiente de Geraldo Alckmin, em São Paulo, para permitir que a Suzano Papel e Celulose despejasse lixo tóxico na várzea do Tietê. A empresa pertence a família Feffer, que é a principal financiadora do grupo “Endireita Brasil”, fundada pelo ministro, e de suas campanhas eleitorais.

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Salles também foi denunciado pelos funcionários da secretaria, às vésperas de deixar o cargo, por tentar vender um prédio público do Instituto Geológico para um amigo pessoal, mentindo sobre o parecer da Consultoria Jurídica que foi contrária ao negócio por gerar danos ao erário. O Ministério Público arquivou o novo processo de improbidade, não por falta de provas, mas, porque o ministro já havia deixado o cargo, o MP conseguiu com a instalação do inquérito que o negócio não fosse concretizado.
 
Em agosto deste ano, o Ministério Público de São Paulo abriu um outro inquérito para investigar a suspeita de enriquecimento ilícito do ministro entre 2012 e 2018, período que ocupou cargos públicos na administração paulista. Em 2012, Salles declarou um patrimônio de 1,4 milhão em bens. Em 2018, quando se candidatou para deputado federal pelo Partido Novo, seu patrimônio era de 8,8 milhões de reais, montante incompatível com os rendimentos de servidor público. Nesse período, Ricardo Salles foi a justiça para reduzir a pensão alimentícia dos dois filhos, alegando que seu salário era baixo demais para cumprir a obrigação. Ele chegou a ser ameaçado de prisão por dever 28 mil reais de pensão para as filhas.
 
DEPOIS DE DISPUTAR A CADEIRA DE DEPUTADO FEDERAL, SALLES FOI ACUSADO DE ABUSO DE PODER ECONÔMICO E DE FAZER PROPAGANDA ANTECIPADA, POR APARECER EM PROPAGANDAS PUBLICADAS EM JORNAIS ANTES DO PERÍODO ELEITORAL. POR ISSO, A PROCURADORIA ELEITORAL QUER QUE ELE FIQUE INELEGÍVEL POR OITO ANOS.
 
O Ministro também foi pego em suas mentiras, ao divulgar durante anos em seu currículo um mestrado em direito público pela Universidade de Yale, onde nunca assistiu uma aula.
 
Em uma semana no ministério, Salles usou o Tweeter para atacar o IBAMA por um contrato de 28 milhões, alegando irregularidades. Bolsonaro compartilhou a mensagem do ministro, mas quando vieram as explicações, o presidente foi obrigado a apagar a postagem.
 
Não é de se esperar de um governo que tem como exemplo de moralidade torturadores, estupradores e criminosos de toda espécie, exigir probidade dos ministros que escolhe. Agora, que a justiça paulista, tão célere em encarcerar integrantes de movimento sociais e políticos de esquerda, mantenha o país e o planeta reféns de um político condenado, com vastas provas documentais e com tantas evidências de imoralidade no trato público, ocupando um cargo da importância que tem o Ministério do Meio Ambiente, se recusando a julgar um processo engavetado desde dezembro do ano passado, só pode ser visto como escárnio, provocação e cumplicidade.
 
Não basta que ONGs denunciem o descalabro da gestão ministerial para ONU e faça protestos pontuais, como a de hoje (23), em frente ao Palácio do Planalto.
É URGENTE QUE A SOCIEDADE SE MOBILIZE PARA COBRAR DA JUSTIÇA O JULGAMENTO DOS CRIMES COMETIDOS PELO MINISTRO PARA QUE AS INSTITUIÇÕES RETORNEM AO ESTADO DE NORMALIDADE DEMOCRÁTICA E POSSAM RESOLVER OS PROBLEMAS QUE AFETAM O PAÍS DE FORMA SÉRIA E SEGURA.
É preciso um “Fora já” para Ricardo Salles e para a política de destruição do meio ambiente imposta pelo governo federal.

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Em "Destaques" no Jornalistas Livres:
 
23
Out19

O trabalho quase impossível de se limpar com as mãos as praias contaminadas por óleo do Nordeste

Talis Andrade

Na praia de Itapuama, em Cabo de Santo Agostinho, centenas de voluntários tentam reduzir os danos do misterioso vazamento que já atinge praias de 201 localidades em nove Estados

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Cabo De Santo Agostinho (PE) 
 
 

"Hoje eu venho, amanhã eu venho, e depois também", afirma Paulo Vitor. O rapaz de 19 anos está bastante seguro de sua decisão, apesar de seu corpo estar coberto por uma espessa camada de óleo que faz a pele arder ao ficar exposta ao sol. Nesta terça-feira, ele era uma das centenas de pessoas que lotavam a praia de Itapuama para tentar salvar esse pedaço do litoral de Pernambuco. Localizada no município de Cabo de Santo Agostinho, a pouco mais de 20 quilômetros da turística praia de Boa Viagem, em Recife, Itapuama é umas das seis praias da região que foram contaminas por um misterioso petróleo derramado em alto mar que chegou ao litoral do Nordeste brasileiro há dois meses e já atingiu 201 localidades em 80 municípios de nove Estados, segundo o último balanço do Governo federal. "Se ficar alguma ferida, vai ter valido a pena. Isso que a gente está fazendo... Quem é cabense, quem frequenta essas praias, chega e vê uma coisa dessas... É até emocionante", conta o jovem, que está no primeiro período de Ciências Biológicas. Deseja ser biólogo marinho.

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Paulo Vitor não hesita em mergulhar na água para tentar retirar o petróleo que está submerso. Mas esta é apenas uma das muitas tarefas que mobilizam os voluntários, que vieram de várias cidades da região. Qualquer pessoa pode chegar e ajudar. Protegida com luvas, botas e máscara (conforme determinam as instruções difundidas por ONGs e pela Prefeitura), Patrícia Henry tenta retirar com uma espátula a substância preta que ficou incrustada nas pedras da praia. "Como o óleo está muito grosso, se alguém não tirar, não vai sair das pedras. Ontem, retiraram uma tartaruga que se debatia. O pessoal teve que cavar com a unha para retirar o óleo", conta esta engenheira civil, de 27 anos. "Estou tentando me dedicar àquilo que minha ferramenta me permite fazer, mas o óleo é bem espesso. Ele gruda, entra em qualquer buraquinho. Imagina como está nos corais dentro mar... Tem coisas que não dá para retirar", lamenta a produtora audiovisual Maíra Lisboa, que trouxe água e duas pás de casa.

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Enquanto conversa, forma com as mãos, devidamente protegidas por luvas, uma pequena bola preta com o óleo que conseguiu retirar das rochas. "Infelizmente já aconteceu e parecem não estar se importando muito. Como não temos ajuda do Governo, juntamos o que temos. É uma autogestão mesmo. Todo mundo está vindo, aprendendo e tentando ver qual é a maneira de fazer, e ajudando no que puder", explica. Seu desabafo parece refletir o sentimento de boa parte das pessoas presentes no mutirão: o de que o poder público como um todo falhou. Identificado há cerca de dois meses, o petróleo se espalhou ao longo de mais de 2.200 quilômetros de costa, entre o Maranhão e a Bahia, sem que as autoridades exibissem um algum tipo de plano detalhado de contenção. Continue lendo no El País...

 

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22
Out19

Marinha diz que óleo no Nordeste pode ter origem em navio irregular

Talis Andrade

Almirante afirma que investigações miram também 30 embarcações regulares de dez diferentes países. Segundo ele, não há indícios de envolvimento do governo venezuelano no vazamento que castiga praias brasileiras

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Mancha de óleo em uma praia de Pernambuco

 

DW - O comandante da Marinha do Brasil, almirante Ilques Barbosa Júnior, disse nesta terça-feira (22/10) que as investigações sobre a origem do óleo que atinge a costa do Nordeste miram cerca de 30 navios regulares, de dez países diferentes, que passaram perto da costa brasileira. 

A investigação inicial lidava com cerca de mil embarcações. "Nós saímos de mil navios para 30 navios", afirmou Barbosa, após reunião com o presidente em exercício, Hamilton Mourão, no Palácio do Planalto.

Mas, segundo o comandante, a maior probabilidade é que o vazamento tenha partido de um navio irregular, um "dark ship". "O mais provável é um dark ship ou um navio que teve um incidente e, infelizmente, não progrediu a informação como deveria", disse, explicando que, por convenção internacional, todo incidente de navegação deve ser informado pelo comandante responsável.

Um dark ship é um navio que transporta uma carga que não pode ser comercializada, muitas vezes por causa de sanções contra algum país. Ao navegar, ele busca linhas de comunicação marítimas pouco frequentadas para evitar ser interceptado e não alimenta seu sistema de identificação, muitas vezes desligando o transponder. "Ele procura as sombras. E essa navegação às sombras produz essa dificuldade de detecção", disse o almirante Barbosa.

Ainda segundo o comandante, a quantidade de óleo que já chegou à costa brasileira é muito menor do que a capacidade dos navios investigados, em torno de 300 mil toneladas. Até esta segunda-feira, haviam sido recolhidas 900 toneladas de resíduos de óleo cru nas praias do Nordeste.

Para Barbosa, é muito pouco provável que o vazamento tenha acontecido durante uma transferência de óleo em alto mar.

"A transferência é uma atividade marinheira de extremo risco. Isso, fazer em mar aberto, onde o mar pode estar em situação adversa, ou pode ficar em situação adversa ao longo do trabalho, não é uma atividade que os armadores, proprietários de navios, recomendariam. Não seria uma atitude de comandante responsável, muito menos dos armadores", explicou.

O comandante da Marinha informou que as apurações correm em sigilo e que não há data para a conclusão dos trabalhos. "As investigações prosseguem e só terminarão no dia em que nós localizarmos quem agrediu a nossa pátria. Isso é importante deixar sublinhado. Se demorar 200 anos, vamos fixar 200 anos nisso, até achar [os responsáveis]", afirmou Barbosa.

Por fim, o almirante disse que não há indícios de que as manchas de óleo que atingem o Nordeste tenham sido provocadas pelo governo ou pela indústria venezuelana. "O que se sabe pelos cientistas é que o petróleo é de origem venezuelana. Não quer dizer que houve, em algum momento, envolvimento de qualquer setor responsável, tanto privado quanto público, da Venezuela nesse assunto."

 

22
Out19

Praias, manguezais e recifes de coral ameaçados

Talis Andrade

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Nas áreas contaminadas vivem animais em contato direto com o poluente e têm grande importância econômica, como caranguejos, aratus, sururu, lambretas

 

Victor Uchôa
De Salvador para a BBC News Brasi

 

No petróleo, estão contidos compostos orgânicos voláteis (COVs) e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs), ambos altamente tóxicos e cancerígenos.


Os COVs evaporam com relativa rapidez, mas os hidrocarbonetos se mantêm íntegros por muito tempo. Para o mais famoso deles, o benzeno, a resolução 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) determina um limite que vai de 0,051 mg a 0,7 mg por litro de água salgada. Passando disso, já impacta a biota marinha e a saúde humana — ainda não existe resultado de medição na Bahia após a chegada do óleo.


"Os governos não querem fazer alarde porque um caso como esse afeta o turismo, mas existe a questão da saúde, tanto de quem frequenta praias como de quem trabalha nessas zonas, mariscando, pescando, vendendo", observa a química Sarah Rocha, que atua no laboratório da pós-graduação em Petróleo, Energia e Meio Ambiente da UFBA.

 

"Essas pessoas vão ficar em contato com esses resíduos por muito tempo, porque há também uma sustentação financeira em jogo. É muito difícil, por exemplo, que esses mariscos deixem de ser recolhidos para venda e é certo que muita gente vai ingerir alimentos contaminados", acrescenta ela.


Sarah Rocha integra a equipe que vem fazendo análises de amostras do óleo que tem chegado à Bahia, verificando sua origem e seu estado físico-químico. Segundo ela, o material que toca as praias já chega bem degradado, tendo passado por seguidas intempéries, e resta somente a fase da degradação bacteriana — justamente a mais demorada.


"Notamos que essas amostras têm pouca solubilidade em água. Então, o que não for retirado, ainda vai parar no fundo do mar, sem ninguém ver, contaminando mais esse ambiente."

 

Manguezais e corais ameaçados

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Pelo menos duas áreas de manguezais baianos foram atingidas, nas barras dos rios Itapicuru e Pojuca, no litoral norte; na foto, mangue de Itacimirim, nessa região


As Cartas de Sensibilidade Ambiental ao Óleo (Cartas SAO), publicação do Ministério do Meio Ambiente, indicam os níveis de sensibilidade de cada ecossistema costeiro e marinho no Brasil, servindo como um guia para ações que visem a mitigar os impactos de desastres como o do momento.


No documento está indicado, por exemplo, que os manguezais e recifes de coral têm sensibilidade nível 10, o mais alto na escala das Cartas SAO. Desse modo, deveriam ser as zonas prioritárias nas ações de contenção do óleo.


A Bahia foi o último Estado do Nordeste a ser atingido pelo derramamento, mais de um mês após o primeiro registro oficial, na Paraíba. Ainda assim, nenhuma barreira de contenção foi montada como medida preventiva.


Pelo menos duas áreas de extensos manguezais baianos já foram atingidas, nas barras dos rios Itapicuru e Pojuca, ambas no litoral norte. Além disso, o óleo já penetrou na Baía de Todos os Santos — maior do país e segunda maior do mundo —, margeada por dezenas de manguezais, bancos de coral e estuários.


"Em áreas lamosas como os mangues, que têm pouca movimentação de água e sedimentos mais finos, é mais difícil fazer a limpeza. Esse óleo entra nos buracos e se mistura com o sedimento. São décadas para o ambiente degradar (o óleo)", afirma Mariana Thevenin.

 

Carine Silva compartilha a preocupação. "Onde bate a onda, a abrasão dispersa o material. A areia também não tem tendência geoquímica de reter os resíduos. Mas no mangue a permanência é bem maior, porque é uma área porosa, que prende o contaminante."


"Nos próximos anos, vai ser bem complicado o consumo nestas regiões, porque esses ecossistemas são zonas de reprodução de muitas espécies e abrigam outras tantas que vivem enterradas no sedimento, como ostras, sururu e chumbinho. Justamente onde a contaminação vai impregnar", emenda a oceanógrafa.


Demora no combate 

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Em áreas de lama como os mangues, com pouca movimentação de água e sedimentos mais finos, é mais difícil fazer a limpeza


Para Carine, através das Cartas SAO, poderiam ser identificadas até mesmo "áreas de sacrifício", para onde o óleo seria direcionado se houvesse o entendimento que era impossível detê-lo. Mas, sem acionamento de um plano de contingência, o que se vê é um espalhamento da matéria por variadas zonas, sejam elas mais ou menos sensíveis. Leia mais 

O oleoso Imposto de Marinha serve pra quê?

22
Out19

A degradação lenta das praias do Nordeste, pelo óleo derramado

Talis Andrade

O perigo da contaminação química 

 

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Com Farol de Itapuã ao fundo, voluntários trabalham na limpeza do óleo em Salvador

 

Victor Uchôa
De Salvador para a BBC News Brasil


O petróleo cru, ainda que seja altamente tóxico, é uma substância orgânica. Dessa forma, ele pode ser degradado através de fatores naturais, como a rebentação das ondas (que dispersam o material), a irradiação solar (que evapora determinados componentes) e até mesmo bactérias que se alimentam do carbono contido no material. O problema, nesse caso, é o tempo.


"A degradação natural é extremamente lenta. A depender do ambiente, leva décadas. Em áreas onde já ocorreram derrames, temos análises feitas anos depois do episódio e ainda assim é detectada a toxicidade. Por isso seria importante evitar que esse óleo chegasse na costa", diz Carine Santana Silva, que é oceanógrafa, pesquisadora da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e especialista em petróleo e meio ambiente. 

 

Além do risco na cadeia alimentar, as pessoas também estão sujeitas a entrar em contato direto com os contaminantes que permanecerem no ambiente.


Isso pode acontecer em uma simples caminhada pela areia da praia ou no banho de mar, tocando involuntariamente em resíduos de óleo ou inalando os gases liberados por eles.


"O monitoramento das regiões atingidas precisa ser feito por anos, com análises constantes, para garantir que as pessoas não estão frequentando zonas intoxicadas", adverte Carine Silva.
A Bahia Pesca, órgão governamental responsável pelo fomento da atividade no Estado, produziu um relatório preliminar após monitoramento em áreas pesqueiras já atingidas pelo óleo.


"Neste ambiente vivem animais que estarão em contato direto com o poluente e têm grande importância econômica, como caranguejos, aratus, sururu, lambretas. A mariscagem será afetada diretamente nesses locais, visto que, com a presença de óleo, a recomendação é a paralisação da pesca. O comércio de organismos aquáticos dessas áreas ficará comprometido. A pesca como um todo deverá ser impactada, tendo em vista que os consumidores foram alertados para não adquirirem produtos pesqueiros", indica o documento.


De acordo com a estatal, o monitoramento seguirá sendo feito durante e após a crise, inclusive com análise química de potenciais contaminantes em peixes e mariscos a serem coletados. [continua]

 

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