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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

04
Ago19

Doente de Brasil

Talis Andrade

Não há normalidade nem jogo democrático quando um perverso governa a partir da administração do ódio e da mentira

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[Terceira parte] “Tóxico” é palavra de uso frequente de brasileiros ao relatarem o sentimento de viver em um país onde já não conseguem respirar. Na constatação de que o governo Bolsonaro já aprovou 290 agrotóxicos em apenas sete meses, o envenenamento ganha uma outra camada. É como se os corpos fossem um objeto atacado por todos os lados. País que ultrapassou a possibilidade das metáforas, a toxicidade do Brasil abrange todas as acepções.

Mas que adoecimento é este que Tenório chama de “doente de Brasil”? Um psicanalista que prefere não se identificar por temer represálias explica que aumentou muito nos consultórios os quadros depressivos provocados pelo momento vivido pelo Brasil, em que especialmente pessoas ligadas à esquerda, mas não necessariamente ao PT, sentem uma total perda de sentido e horizonte. “Para a psiquiatria, a depressão é a tristeza sem contexto. Ou seja, ela é relacionada à estrutura psíquica de cada pessoa, às fundações e alicerces construídos na infância”, explica. “O que temos vivido hoje nos consultórios é o aumento da depressão com contexto, esta que não tem a ver com a estrutura do indivíduo e que nem vai melhorar no divã. Esta em que o uso de medicamentos só vai servir para obscurecer o esclarecimento das questões. Esta que só pode ser sanada por mudanças sociais.”

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O rompimento dos laços, como a divisão das famílias provocada pela polarização política, tornou as pessoas ainda mais sujeitas ao adoecimento mental e com menos ferramentas para lidar com ele. Como disse um filósofo, ninguém deixa de dormir porque está tendo uma guerra no outro lado do mundo, com exceção daqueles que vivem a guerra. Com isso, ele queria dizer que as pessoas perdiam o sono muito mais por pequenas dores e preocupações comezinhas com as quais se identificavam, como as relacionadas à família e ao mundo dos afetos, do que por enormes barbáries que ocorriam no outro lado do mundo.

O que os brasileiros testemunharam foi uma inversão: a política, que sempre foi algo do campo público, invadiu o campo privado, passando a ser um fator íntimo, um fator primeiro de identificação. Dias atrás uma amiga presenciou uma conversa em que duas garotas decidiam quais os critérios para dividir apartamento com uma outra. “Não suportaria dividir com uma petista”, disse uma delas. Essa conversa, exceto no caso de militantes mais radicais, dificilmente aconteceria anos atrás: ninguém costumava perguntar qual era a orientação política antes de dividir a casa com alguém.

A eleição, que costumava ser um acontecimento pontual, da esfera pública, tornou-se algo crucial na esfera privada. Do mesmo modo, o inverso também aconteceu. Questões íntimas, como a orientação sexual de cada um, como o que acontece na cama de cada um, passaram a ser discutidas publicamente. Esse fenômeno atingiu fortemente laços que cada um considerava incondicionais, como os familiares, laços com os quais se contava para enfrentar a dureza da vida. E acentuou ainda mais os quadros depressivos e persecutórios, aumentando ansiedade e angústia, corroendo a saúde.

Uma psicanalista de São Paulo, que também prefere não se identificar, acredita que o adoecimento do Brasil de 2019 expressa a radicalização da impotência. [Continua]

 
03
Ago19

Doente de Brasil

Talis Andrade

"O povo, adoecido de Brasil, permanece inerte. Vai trabalhar sem direito a aposentadoria até morrer de Brasil”

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[Segunda parte] Podemos – e devemos – discutir como chegamos a ter um presidente que usa, como estratégia, a guerra contra todos que não são ele mesmo e o seu clã. Como chegamos a ter um presidente que mente sistematicamente sobre tudo. Podemos – e devemos discutir – como chegamos a ter um antipresidente. Assim como podemos – e devemos – perceber que a experiência brasileira está inserida num fenômeno global, que se reproduz, com particularidades próprias, em diferentes países.

Esse esforço de entendimento do processo, de interpretação dos fatos e de produção de memória é insubstituível. Mas é necessário também responder ao que está nos adoecendo agora, antes que nos mate.

Em 10 de julho, o psiquiatra Fernando Tenório escreveu um post no Facebook que viralizou e foi replicado em vários grupos de Whatsapp. Aqui, um trecho: “Acabei de atender a um homem de 45 anos, negro, sem escolaridade. Nos últimos cinco anos, viu seus colegas de setor serem demitidos um a um e ele passou a acumular as funções de todos. Disse-me que nem reclamou por medo de ser o próximo da fila. Tem sintomas de esgotamento que descambam para ansiedade. Qual o diagnóstico para isso? Brasil. Adoeceu de Brasil. Se eu tivesse algum poder iria sugerir ao DSM (o manual de transtornos mentais da psiquiatria) esse novo diagnóstico. Adoecer de Brasil é a mais prevalente das doenças. Entrei agora na Internet e vi que a reforma da previdência corre para ser aprovada sem sustos. O povo, adoecido de Brasil, permanece inerte. Vai trabalhar sem direito a aposentadoria até morrer de Brasil”.

Alagoano da pequena Maribondo, Fernando Tenório fez residência e atuou na rede pública de saúde mental do Rio de Janeiro. Atualmente, mantém consultório na capital fluminense e atende trabalhadores de um sindicato do setor hoteleiro. O psiquiatra me conta, por telefone, que cresceu muito o número de pessoas que chegavam ao seu consultório com sintomas como taquicardia, desmaios na rua, sinais de esgotamento corporal, dores de cabeça frequentes, sentimentos depressivos. Eram pessoas que estavam objetiva e subjetivamente esgotadas pela precarização das condições de trabalho, como jornada excessiva, acúmulo de funções, metas impossíveis de cumprir, falta de perspectivas de mudança, insegurança extrema. Tinham um “trabalho de merda” e, ao mesmo tempo, medo de perder o “trabalho de merda”, como testemunharam acontecer com vários colegas.

O psiquiatra diz que ele mesmo se descobriu adoecido meses atrás. “Fiquei muito mal, porque me senti quase um traficante de drogas legais. Estava tratando uma crise, que é social, no indivíduo. E, de certo modo, ao dar medicamentos, estava tornando essa pessoa apta a sofrer mais, porque a jogava de volta ao trabalho.” Na sua avaliação, o adoecimento está relacionado à precarização do mundo do trabalho nos últimos anos, acentuada pela reforma trabalhista aprovada em 2017, e foi agravado com a ascensão de um governo “que declarou guerra ao seu povo”. “O Brasil hoje é tóxico”, afirma.

Após a publicação do post, Tenório sentiu ainda mais o nível da toxicidade cotidiana do país: recebeu xingamentos e ameaças. Um dos agressores lembrou que sua filha, cuja foto viu em uma rede social, um dia poderia ser estuprada. A menina é um bebê de menos de 2 anos. [Continua]

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03
Ago19

Doente de Brasil

Talis Andrade

Como resistir ao adoecimento num país (des)controlado pelo perverso da autoverdade

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El País
 
 

[Primeira parte] Jair Bolsonaro é um perverso. Não um louco, nomeação injusta (e preconceituosa) com os efetivamente loucos, grande parte deles incapaz de produzir mal a um outro. O presidente do Brasil é perverso, um tipo de gente que só mantém os dentes (temporariamente, pelo menos) longe de quem é do seu sangue ou de quem abana o rabo para as suas ideias. Enquanto estiver abanando o rabo – se parar, será também mastigado. Um tipo de gente sem limites, que não se preocupa em colocar outras pessoas em risco de morte, mesmo que sejam funcionários públicos a serviço do Estado, como os fiscais do IBAMA, nem se importa em mentir descaradamente sobre os números produzidos pelas próprias instituições governamentais desde que isso lhe convenha, como tem feito com as estatísticas alarmantes do desmatamento da Amazônia. O Brasil está nas mãos deste perverso, que reúne ao seu redor outros perversos e alguns oportunistas. Submetidos a um cotidiano dominado pela autoverdade, fenômeno que converte a verdade numa escolha pessoal, e portanto destrói a possibilidade da verdade, os brasileiros têm adoecido. Adoecimento mental, que resulta também em queda de imunidade e sintomas físicos, já que o corpo é um só.

É desta ordem os relatos que tenho recolhido nos últimos meses junto a psicanalistas e psiquiatras, e também a médicos da clínica geral, medicina interna e cardiologia, onde as pessoas desembarcam queixando-se de taquicardia, tontura e falta de ar. Um destes médicos, cardiologista, confessou-se exausto, porque mais da metade da sua clínica, atualmente, corresponde a queixas sem relação com problemas do coração, o órgão, e, sim, com ansiedade extrema e/ou depressão. Está trabalhando mais, em consultas mais longas, e inseguro sobre como lidar com algo para o qual não se sente preparado.

O fenômeno começou a ser notado nos consultórios nos últimos anos de polarização política, que dividiu famílias, destruiu amizades e corroeu as relações em todos os espaços da vida, ao mesmo tempo em que a crise econômica se agravava, o desemprego aumentava e as condições de trabalho se deterioravam. Acirrou-se enormemente a partir da campanha eleitoral baseada no incitamento à violência produzida por Jair Bolsonaro em 2018. Com um presidente que, desde janeiro, governa a partir da administração do ódio, não dá sinais de arrefecer. Pelo contrário. A percepção é de crescimento do número de pessoas que se dizem “doentes”, sem saber como buscar a cura.

Vou insistir, mais uma vez, neste espaço, que precisamos chamar as coisas pelo nome. Não apenas porque é o mais correto a fazer, mas porque essa é uma forma de resistir ao adoecimento. Não é do “jogo democrático” ter um homem como Jair Bolsonaro na presidência. Tanto como não havia “normalidade” alguma em ter Adolf Hitler no comando da Alemanha. Não dá para tratar o que vivemos como algo que pode ser apenas gerido, porque não há como gerir a perversão. Ou o que mais precisa ser feito ou dito por Bolsonaro para perceber que não há gestão possível de um perverso no poder? Bolsonaro não é “autêntico”. Bolsonaro é um mentiroso. [Continua]

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06
Jun17

O jogo da Baleia Azul a serviço do golpe de Temer

Talis Andrade

 

 

GOLPE PARLAMENTAR. Quando Michel Temer assumiu a presidência do Brasil, em 31 de agosto de 2016, os estudantes reforçaram vários movimentos de luta e protesto, sendo o mais notável o “Ocupa escola”.

Nas ruas, as passeatas estudantis passaram a ser reprimidas por polícias de choque, e o uso do taser, de balas de borracha, de chumbo, bombas de efeito moral, de gás lacrimogêneo, de spray pimenta, cassetetes, cachorros, cavalaria, tortura e prisões.

Temia Temer uma greve nacional como a Revolução dos Pinguins, mobilização estudantil que aconteceu no Chile em 2006, e o apoio de pais e professores aos estudantes.

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Os serviços de inteligência passaram a agir, com infiltrados, e vários programas secretos, um deles o alarme do Jogo da Baleia Azul. Tática igual foi adotada na ditadura militar. A CIA lançou o Projeto Camelot, baseado nos efeitos do Movimento Hippie dos universitários estadunidenses, que pregavam contra o recrutamento militar obrigatório e a guerra do Vietnã. No Brasil, o slogan "faça amor, não faça a guerra” desviou os estudantes dos movimentos de guerrilha para uma mudança no comportamento sexual, que motivou a quebra de tabus como a virgindade, e a introdução de drogas, notadamente a desconhecida cocaína. A maconha era coisa das classes baixas, de negro, de terreiro de macumba.

O jogo da Baleia, com uma falsa onda de suicídios, desviou a preocupação natural dos pais para o comportamento dos filhos. Todos os atos impulsivos estão sob suspeição e impedimento. Os meios de comunicação de massa e as escolas estabeleceram uma política de medo da Baleia.

Os primeiros casos passaram a surgir em abril último. Nenhum curador foi preso. Nenhuma baleia foi presa. A baleia fiscaliza o cumprimento do jogo estúpido, irrealizável, desprazeroso, que tem como prêmio a morte.

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JOGO QUE COMEÇOU COM UMA NOTÍCIA FALSA 

 

Passo a transcrever reportagem da FAPCOM, Faculdade Paulus de Comunicação, tendo como fonte “violência social”, com comentários deste correspondente entre colchetes:

Você com certeza já ouviu falar sobre o Baleia Azul. O jogo, que apresenta uma série de 50 desafios macabros, que tem como objetivo final que o jogador se suicide, tem como principal alvo os adolescentes. No Brasil há pelo menos dois casos de morte sob investigação policial [Cito o caso da adolescente Thalia Mendes Meireles, 15 anos, em Monção, Maranhão, estranhamente escondido pela grande imprensa. Quem levantou a lebre da Baleia foi o incestuoso empresário José Meireles da Silva. Thalia denunciou, antes do suícidio, que durante dois anos sofreu abusos sexuais do "próprio pai"], além de uma tentativa de suicídio, que supostamente podem ter relação com o jogo. Mas de onde ele surgiu?

Nessa matéria vamos apresentar:

1. Qual é a origem do Jogo?

2. O que motiva os adolescentes a entrar em um desafio que tem como fim a morte? 3. Baleia Azul e depressão – Como detectar mudanças de comportamento nos jovens?

4. A prevenção pode começar na escola

5. Sinais claros de que o adolescente está participando do jogo

6. Como denunciar

 

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QUAL É A ORIGEM DO JOGO  


 

O Baleia Azul surgiu através de uma notícia falsa publicada na Rússia em 2016. O portal “Snopes”, que é especializado em verificar a veracidade de boatos que se alastram pela internet conseguiu rastrear a origem da matéria, que foi publicada pelo portal Novaya Gazeta e apontava que cerca de 130 jovens russos haviam cometido suicídio após participar de um jogo denominado “Baleia Azul”. Os dados da matéria do Novaya não tinham qualquer apuração e os suicídios não foram realmente confirmados, bem como a existência do jogo.

O estrago da matéria falsa porém já estava feito. Em todo o mundo jovens começaram a buscar mais informações sobre os 50 desafios propostos, enquanto aproveitadores passaram a se comportar como os chamados “curadores”, que são os responsáveis por enviar os desafios e monitorar se os jogadores estão cumprindo cada uma das etapas. No Brasil o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) determinou que a Polícia Federal investigue os desafios. De acordo com comunicado divulgado pelo governo na última quarta-feira (26 de abril último), a orientação foi dada pelo ministro Osmar Serraglio em resposta ao pedido do prefeito de Curitiba Rafael Greca e de quatro deputados federais: Laudívio Carvalho, Carmem Zanoto, Pollyana Gama e Eliziane Gama. Instigar ou induzir ao suicídio é considerado crime pelo artigo 122 do Código Penal.

[A polícia que mata e tortura jovens passou a salvar. Quando o abuso de autoridade da polícia militar, de delegados, de promotores, de procuradores, de juízes é um direito consuetudinário. Para um exemplo: Não existe cadeia para juízes e desembargadores. Os togados possuem anistia antecipada para todos os crimes.

Além do interesse político ditatorial, jogo da baleia mantém a tradição do incesto e a cultura do estupro, e lava as mãos do governo que faz do Estatuto da Criança e Adolescente uma farsa, e da sociedade que faz que não vê os filhos da rua, a adultização, as 500 mil prostitutas infantis, o trabalho escravo, o tráfico de órgãos.

Várias lendas encobrem a realidade: o pago-fico para o tráfico de crianças, o boto para a gravidez de incestos, a baleia azul para os suicídios]

 

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QUAL É A DINÂMICA DO JOGO?

 

O Baleia Azul se trata na verdade de uma série de conversas entre os curadores e os jovens. Os organizadores procuram os adolescentes e propõem para eles uma série de 50 desafios que incluem acordar de madrugada para assistir vídeos de terror, auto mutilação, privação do sono, voto de silêncio e, por fim, o suicídio. 

Os jovens são procurados através das redes sociais e os curadores começam a conversa perguntando sobre o seu interesse em participar. Após a aceitação, começa uma rotina macabra de desafios e ameaças por parte dos curadores, que levam os jovens a acreditar que estão sendo monitorados e que sofrerão consequências sérias caso não cumpram alguma das exigências.

Por questões de segurança e para que evitar que os desafios sejam ainda mais disseminados, optamos por não publicar as 50 etapas do jogo. [ O conhecimento do jogo desmotiva qualquer imbecil, qualquer porra louca, porque exige disciplina, horários rígidos, obediência extrema e cega a um curador, fiscalização total por parte de outro suicida também chamado baleia e ações exibicionistas que seriam notadas por familiares, professores e amigos]

 

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O QUE MOTIVA OS ADOLESCENTES?

 

De acordo com a psicóloga Cleusa Sakamoto, docente e Coordenadora do Núcleo Psicopedagógico da Universidade Fapcom, o desejo de superação pessoal, que em geral é inconsciente, é um dos grandes motivadores. “A pessoa se sente provocada, mas não tem necessariamente consciência disso. Considero que os jovens que se sentem atraídos por este jogo e resolvem participar, entram sem consciência do que estão aceitando e, provavelmente, no início não têm condições de perceber o que vai ocorrer ao longo de todo o processo”, explica.

[Assim sendo, fica explícita a necessidade dos jovens conhecerem os 50 exercícios, impraticáveis para uma pessoa depressiva, isto é, em profunda tristeza e apatia]

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) também mostram que cerca de 90% dos casos de suicídio estão ligados a algum problema psicológico, isso é, podem estar ligados a doenças mentais, como a depressão. Cleusa considera que a depressão pode sim ser um dos elementos motivadores para a entrada no Baleia Azul.

[ Os motivos dos suícidios antes de 2017 continuam os mesmos hoje e sempre. Um suicida não aceita obediência a deuses, pais, professores. E, muito menos, o autoritarismo, o mando de um curador desconhecido, que não persuade, não justifica, apenas ordena e cobra]

“Os jovens hoje não colocam filtros, estão mais impulsivos do que nunca”, Cleusa Sakamoto.

[Impulsivo tem os antônimos: ajuizado, prudente, sensato, comedido. Não pratica as loucuras escandalosos do Jogo da Baleia]

 

BALEIA AZUL E DEPRESSÃO – COMO PERCEBER OS SINAIS

 

 

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Os dados da OMS indicam ainda que nos últimos 12 anos tivemos um aumento de 10% dos casos de suicídio na população jovem. Um dos principais indicativos de que os jovens estão passando por algum conflito é a mudança repentina de comportamento, mas a quais sinais os pais devem ficar atentos?

Youtuber Felipe Neto fala sobre o jogo Baleia Azul

“Uma coisa que é bastante complicada é que a característica do comportamento adolescente já é a instabilidade, uma certa impulsividade. Então como a gente vai ter uma referência de mudança de comportamento no jovem, se ele já apresenta um comportamento instável? É preciso uma avaliação bastante delicada, cuidadosa, para ter uma referência do que melhorou ou piorou no comportamento do adolescente”, explica a psicóloga Gisela Monteiro, que fala sobre relações humanas através do canal “Falatório com Gisela”.

Confira em vídeo o posicionamento completo de Gisela Monteiro sobre o jogo Baleia Azul:

De acordo com Cleusa, os adolescentes são bastante irreverentes ou muito retraídos, e por isso muitos pais têm dificuldade de perceber mudanças, mas é preciso estar alerta para quando eles mudam drasticamente seu comportamento usual. “No caso de Bullying, pode ser mais fácil perceber caso os pais encontrem os filhos em algum momento do dia, pois eles podem aparecer machucados, com roupas rasgadas, tendo “perdido” objetos ou dinheiro, apresentam atitude de medo e queixam-se de ir à escola (quando é lá que ocorre a violência). Já os sinais de depressão podem ser: indiferença em relação a tudo ou irritabilidade, insônia ou sono excessivo, falta de apetite ou compulsão alimentar, retraimento excessivo (de amigos, familiares) ou impulsividade elevada (faz tudo que vem à mente, age sem pensar)”.

Já no caso de pensamentos suicidas, a observação é mais difícil, pois nem sempre sentimentos como esses são verbalizados. “É importante perceber falta de ânimo e desinteresse pelo cotidiano. Ideias suicidas não significam necessariamente pensar em cometer o ato do suicídio, mas também expressar a ideia de que a vida não tem sentido para pessoa”, explica Cleusa. 



 

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SINAIS CLAROS DE QUE O ADOLESCENTE ESTÁ PARTICIPANDO DO JOGO

No caso do jogo Baleia Azul, é preciso também ficar atentos a sinais como:

Cortes nas mãos e pernas;

Mudança de hábitos de sono, já que o jogo induz o adolescente a acordar durante a madrugada;


Silêncio repentino;

Posts em redes sociais com os dizeres “#iamwhale”;

Uso de roupas de manga longa mesmo no calor, para esconder os cortes;


Cortes nos lábios

[Que contraditório: esconde os cortes nos braços e exibe os cortes nos lábios, os furos nas mãos, e a marca F40, escrita com um lâmina]

Interesse em sair de casa em horários estranhos

[Uma criança que sai de casa às 4 horas da madrugada está totalmente abandonada pela família. E sair para locais ermos na escuridão, possivelmente será vítima da violência]  

Os pais precisam ainda recordar os jovens sobre a importância de não agir por impulso e de refletir sobre as consequências de seus atos. É de extrema importância também que falem abertamente sobre o jogo com eles e orientem que, caso já tenham ingressado no jogo, peçam ajuda.

[Como os pais podem falar de um jogo que não conhece? Fica, mais uma vez, estabelecida a necessidade de divulgar os 50 exercícios, e investigar as ordens secretas].

“O jovem precisa saber que pode sair do jogo e que as ameaças podem ser abordadas adequadamente se ele tiver um apoio de adultos experientes, ou especialistas. É necessário que eles reconheçam que fazemos escolhas erradas às vezes e que, entrar neste jogo, foi uma delas”, orienta Cleusa

[Isso é besterol. Quem inicia o jogo, não passa do primeiro exercício. E para começar ele precisa encontrar outra baleia como confidente, testemunha e vigia]

 

A PREVENÇÃO PODE COMEÇAR NA ESCOLA

 

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A prevenção da depressão em jovens e crianças pode começar na escola. É o que acredita o médico psiquiatra Celso Lopes de Souza, fundador do Programa Semente, metodologia que está sendo aplicada em escolas brasileiras e que ensina os alunos a lidarem com as emoções.

[Essa prevenção deve ser realizada sim, nunca motivada pelo jogo que não existe, mas por 1001 motivos. O desejável seria que cada escola, com mais de cem alunos, contasse nos seus quadros com psicólogos e assistentes sociais. Isso por obrigação legal]

 O Programa oferece a possibilidade de preparar os alunos a lidarem com os próprios sentimentos, como ansiedade, medo e tristeza. “Saber reconhecer emoções, relacionando-as com os pensamentos que as geram e entendendo como tudo isso influencia o comportamento permite que cada um compreenda melhor as próprias limitações e conheça suas fortalezas, o que aumenta a confiança, o otimismo e a autoestima”, afirma Celso.

Para isso, o programa ensina ao aluno estratégias para identificar e questionar os pensamentos, especialmente quando há uma emoção desconfortável. Para Celso, as competências socioemocionais, se trabalhadas com êxito nas escolas, e também em casa, podem ser um grande trunfo tanto para prevenir que a tristeza e ou a frustação em crianças se tornem patológicas quanto para que os jovens não se sintam impulsionados a participar do desafio Baleia Azul.

[Não conheço o Programa Semente, não posso opinar]

“Os pais e as escolas precisam incorporar que as emoções importam. Do mesmo jeito que ensinamos as crianças a nadar e andar de bicicleta, devemos ensiná-las a lidar com suas emoções”, Celso Lopes de Souza

 

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COMO DENUNCIAR 

 

 

Quem for procurado por um dos curadores do Baleia Azul no Facebook deve imediatamente denunciar a publicação para que assim o perfil seja bloqueado pela rede social. É possível sinalizar como “Ameaçador, Violento ou Suicida”, gerando assim uma notificação para o próprio Facebook de que aquele perfil está infringindo as regras da Rede.

[Pois é, pelo noticiário da imprensa sensacionalista vários curadores estão matando jovens, e nenhum identificado e, necessariamente, preso. Quanta incompetência das polícias e serviços de inteligência!]

 

Além disso, a denúncia deve ser encaminhada para a Delegacia de Crimes Digitais para que o “curador” seja identificado e as medidas legais possam ser tomadas. Em caso de qualquer ameaça, a polícia deve ser imediatamente envolvida no caso através do Disque Denúncia – 181.  

 

04
Jun17

Adeus

Talis Andrade

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 de THALIA MENDES MEIRELES

 

 

É difícil acordar de manhã

e pensar:

Mais um dia

em que irei ter

lembranças más.

Mais um dia

ao lado de pessoas

que não me amam,

que me odeiam

Mais um dia

sentindo

uma imensa vontade

de chorar

em todos os momentos.

Mais um dia

desejando morrer.

 

Então eu quero pedir

que sejam mais tolerantes.

Depressão não é frescura.

Não neguem ajuda a aqueles

que estão angustiados

no fundo do poço.

E quando forem se lembrar de mim,

pensem em uma Thalia verdadeira.

Aquela feliz que vocês viam

era total mentira.

Adeus

 

 

---

Fotografia: Thalia Mendes Meireles

A menina enforcada/ Carta suicida

 

 

 

04
Jun17

No meio de uma tempestade

Talis Andrade

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de THALIA MENDES MEIRELES

 

 

Eu sei que a decisão

que eu tomei

foi totalmente desqualificada

e imoral.

Quem diabos é

para tirar a própria vida?

Mas eu posso dizer uma coisa:

Para que serve o livre arbítrio?

A vida é minha,

a essência é minha.

Respeitem.

 

Então eu digo:

Ninguém me influenciou,

não pensem isso .

Eu me matei porque

não aguentava mais

existir assim.

Eu já estava morta,

o que mais eu serviria

nesse mundo?

Uma garota totalmente

sem essência,

sem nada por dentro.

Já imaginou um oceano

no meio da tempestade?

O céu escuro?

É assim dentro de mim.

Mas tudo silencioso.

Tudo muito destruído

e silencioso.

Tudo muito angustiante

e doloroso.

 

---

 

Foto: Thalia Mendes Meireles

A menina enforcada/ carta suícida

 

 

03
Jun17

Coisas inexplicáveis

Talis Andrade

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de THALIA MENDES MEIRELES

 

Pais que estupram os filhos,

mães que humilham,

irmãos que rejeitam.

Malditos. Malditos.

 

Tudo isso faz 

a mente humana enlouquecer,

sabia?

 

Ela definha,

fica angustiada e

cheia de coisas inexplicáveis,

pensamentos perigosos.

 

Malditos. Malditos.

 

 

---

Foto: Thalia Mendes Meireles

A menina enforcada/ Carta suícida 

 

 

 

28
Mai17

A lenda da Baleia Azul esconde crimes hediondos

Talis Andrade

Apesar do sensalismo do título, recomendo a leitura do texto de Nathali Macedo sobre suicídio. Começa pelo alerta: "O suicídio já mata mais que homicídios, desastres e HIV em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde. Isso quer dizer que o seu assassino mais provável é você mesmo.

Entre os jovens, a incidência é maior: na faixa etária de 15 a 29 anos, apenas acidentes de trânsito superam o suicídio".

Pergunta Nathali: "Por que, afinal, é mais provável que as pessoas queiram se matar quando são jovens?

Porque os velhos já se conformaram.

Quanto mais jovem se é, mais coisas são uma questão de vida ou morte. Quando se é jovem, absolutamente tudo parece irreversível.

Na adolescência, então, é sempre tudo ou nada, então não é exatamente estranho querer abandonar um mundo que não te entende e, sobretudo, um mundo que você também não entende". Nathali acrescenta:

 

"NÃO É 'VONTADE DE CHAMAR ATENÇÃO', É DEPRESSÃO"

 

A adolescente Thalia Mendes Meireles, 15 anos, que se enforcou em um pequena cidade do interior do Brasil, Monção, escreveu na carta suicida: "Você pode ver uma pessoa sorrindo, parecendo feliz, mas não se engane, sempre há coisas além. Por isso somos cegos. Nunca vemos além.

Aquela menina sentada de cabeça baixa tá precisando de ajuda. Mas o que as pessoas fazem? 'Fulana está na bad'.

Que sociedade maldita. Como se tristeza fosse algo irrelevante, que não precisa de atenção. Idiotas. Quando é tarde eles se perguntam o que tinha de errado.

Pais que não vêem seus filhos se cortando, se drogando, se destruindo.

Escolas que não vêem o bullying debaixo do seu nariz.

Pais que estupram os filhos, mães que humilham, irmãos que rejeitam.

Malditos. Malditos.

(...) Então eu quero pedir que sejam mais tolerantes. Depressão não é frescura. Não neguem ajuda a aqueles que estão angustiados no fundo do poço".

 

NETFLIX E “13 REASONS WHY”

 

Mais duas perguntas de Nathali: "Não é sintomático, no mínimo, que a juventude do século XXI esteja trancada em casa maratonando séries no sábado à noite porque já não tem paciência (ou habilidade, nunca saberemos) para relações interpessoais?

Não é sintomático, sobretudo, que a série mais assistida da história da Netflix seja justamente uma série sobre suicídio?

Os nossos jovens estão se suicidando, e cada vez mais, porque a gente não presta atenção neles. A gente também não presta atenção na gente".

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Thalia Mendes Meireles, na carta suicida, responde: "Ontem vi pessoas dizendo que a série 13 Reasons Why influência jovens a se suicidarem. Mas eu não acho isso.

Eu estava planejando tirar minha vida a meses e essa serie só fez eu parar e pensar: 'Estou prestes a fazer algo muito idiota'. Sim, eu tinha desistido de tirar minha vida por causa de uma série, mas depois algo mudou. Eu voltei com a decisão . Então eu digo: Eu não me matei porque uma serie me influenciou, não pensem isso".

 

A BALEIA AZUL E "A EPIDEMIA SILENCIOSA DO SUICIDIO"

 

Não concordo com Nathali quando considera: "Sintomaticamente, o jogo da Baleia Azul é viral. São 50 desafios que envolvem automutilação e atividades arriscadas em geral. O último desafio é tirar a própria vida: só assim, eles dizem, você ganha o jogo.

'Ganhar o jogo', para muitos de nossos adolescentes, é se livrar da obrigação de continuar vivendo".

A lenda universal da Baleia Azul, propagada pela imprensa sensacionalista, esconde os descasos dos governos com o abandono das crianças e adolescentes nos acampamentos de refugiados, nas favelas, nos despejos coletivos, no tráfico de pessoas, na prostituição infantil, na falta de escolas. Para dois exemplos: O Brasil possui 250 mil crianças prostitutas, conforme a Polícia Federal e a ONU. Para as ONGs são 500 mil. Nos Estados Unidos, 400 mil crianças estão em lares de acolhimento.

O suicídio é um tabu. Revela segredos de família. Principalmente incestos. Thalia Mendes Meireles foi estuprada durante dois anos pelo "próprio pai", o empresário José Meireles da Silva, que ela chamava de "monstro". Seu Meireles, para se defender, acusou: "Thalia jogava um tal de um jogo Baleia Azul. É um jogo diabólico, que leva os adolescentes a cometer tal loucura. Claro que não sabia. Uma pessoa da família que me falou".

Automutilação infantil sempre existiu. Notadamente de adolescentes. Nos supostos casos da Baleia Azul sempre apresentam esta mesma foto:

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 A apatia de uma criança ou adolescente depressivo impede de realizar os 50 desafios exigidos. Pela rigidez dos horários, das normas, da obediência a um curador, e a disciplina de internato de colégio, de convento de freira ou de quartel militar.

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Nunca foi preso um curador. A indução ao suicídio é classificado como um crime contra a vida, que consiste no açular, provocar, incitar ou estimular alguém a suicidar ou prestar-lhe auxílio para que o faça.

 

 

 

 

 

25
Mai17

Impressionante carta de uma menina suicida

Talis Andrade

"Você pode ver uma pessoa sorrindo, parecendo feliz, mas não se engane, sempre há coisas além. Por isso somos cegos. Nunca vemos além".

 

 

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 Thalia Mendes Meireles, 15 anos, vivia e morreu enforcada no dia 13 de abril último, Quinta-Feira Santa, em Monção, pequena cidade do Maranhão, onde imperam o patriarcado, e uma cultura de incesto e estupro de crianças. No Brasil, incesto não é crime. 

Thalia, desde os 13 anos era violentada pelo pai, o empresário José Meireles da Silva.

Invejada pela beleza e inteligente, Thalia sofria bullying na escola. 

Escrevia um diário, um romance, confiscados pelo pai, e páginas nas redes sociais e blogues, que foram deletados.

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 A CARTA DE THALIA

 

 

Eu sei que a decisão que tomei foi totalmente desqualificada e imoral. Quem diabos é para tirar a própria vida?

Mas eu posso dizer uma coisa: Pra que serve o livre arbítrio?

A vida é minha, a essência é minha. Respeitem.

 

As pessoas passam a vida inteira julgando tudo que vêem. Jogam palavras que não voltam, olhares que machucam, rejeitam, maltratam, usam. Isso dói, tá legal? O ser humano vai guardando isso dentro de si até formar uma grande bola prestes a explodir. Você pode ver uma pessoa sorrindo, parecendo feliz, mas não se engane, sempre há coisas além. Por isso somos cegos. Nunca vemos além.

 

Aquela menina sentada de cabeça baixa tá precisando de ajuda. Mas o que as pessoas fazem? “Fulana está na bad”.

 

Que sociedade maldita. Como se tristeza fosse algo irrelevante, que não precisa de atenção. Idiotas. Quando é tarde eles se perguntam o que tinha de errado.

Pais que não vêem seus filhos se cortando, se drogando, se destruindo. Escolas que não vêem o bullying debaixo do seu nariz. Pais que estupram os filhos, mães que humilham, irmãos que rejeitam. Malditos. Malditos.

 

 

Tudo isso acima faz a mente humana enlouquecer, sabia? Ela definha, fica angustiada e cheia de coisas inexplicáveis, pensamentos perigosos. Você vê no jornal aquele jovem que matou inúmeros estudantes e julga. Já parou pra pensar o que levou ele fazer aquilo? Será que não foi a hipocrisia e idiotice da sociedade? Essa sociedade que nos coloca em um lugar durante anos, em total humilhação, e depois quer escolher um futuro pra nós. Ninguém nunca vê. Até que é tarde.

 

Eu não queria morrer. Eu penso que tenho um futuro pela frente. Eu sei que tenho. Tenho mais amigos para fazer, mais músicas para escutar, mais pessoas para namorar, mais shows para ir. Tanta coisa.

 

Mas sabe o que eu e outras milhões de pessoas pensam sobre isso?

“Eu não tenho força de vontade para continuar. Eu não sou forte, eu não consigo seguir em frente sem derrubar mais uma lagrima”.

Sejam mais gentis, por favor. Amem mais, ajudem mais, vêem mais, peguem na mão de pessoas que estão se afogando. Dê sua mão.

Dê um sorriso.

 

Eu tenho inúmeros motivos para ter feito o que fiz.

Meu próprio pai me abusou e foi por isso que eu morri por dentro. Eu fui morrendo durante dois anos.

Fui vendo minha morte sem poder fazer nada a respeito.

Quantos cortes eu não fiz?

Eu até apelei a drogas, o que não resultou em nada.

Meu pai iniciou a destruição.

 

Minha mãe me tirou minha rotina e passou a assistir tudo em total inconsciência. Eu sei que ela via, mas quem disse que ela percebia?

Ela era uma mãe tão atenciosa, o que aconteceu? Por que ela ficou tão alheia? Por que ela demonstra amar mais a meu irmão? Por que ela não me ama? Por que ela não me abraça e me beija assim como ela faz com meu irmão?

Por que ela me humilha por causa de um erro tão pequeno?

Por que ela não pergunta como foi meu dia na escola? Por que ela não quer saber o motivo de eu estar tanto tempo trancada no quarto? Por que ela não pergunta o motivo de eu usar tanta blusa de manga comprida?

Ela tá deixando eu morrer sem fazer nada. E eu não quero as lágrimas de meus pais. Eu sentiria nojo delas. Eu sentiria nojo porque eu passei a odiar meu pai e odiar minha nova mãe. Porque eu ainda amo aquela mãe que me abraçava e me beijava. É como se ela não me amasse mais porque fui usada pelo meu pai, como se ela sentisse nojo de mim. Sim, ela sabe do abuso, mas jogou pra debaixo do tapete. Assim como aquela maldita escola em que eu passei os piores momentos da minha vida.

 

Eu já tentei suicídio outras vezes. E isso e é horrível, porque eu já sei a sensação. Pensar em suicídio é uma coisa, mas planejar e ir no ponto é outra. Dá aquele aperto no peito, aquela sensação de frio na barriga. “O que acontecerá depois disso?” Eu não acredito em deus, eu creio que depois disso não há nada. Mas enfim, fazer isso é difícil. Eu sou muito covarde.

Eu irei deixar muita coisa no mundo e o mundo irá perder muita coisa. Eu sou diferente.

Eu sou uma daquelas pessoas que os outros precisam .

As vezes acho que sou hipócrita porque eu vejo pessoas depressivas e vou ajudar, dar conselhos, tirar a pessoa daquela situação. Mas eu não faço isso comigo. Porque não dá mais.

 

Droga, eu queria tanto ficar aqui. Por que ninguém me ajudou antes?

 

Ontem vi pessoas dizendo que a série 13 Reasons Why influência jovens a se suicidarem.

Mas eu não acho isso.

Eu estava planejando tirar minha vida a meses e essa serie só fez eu parar e pensar: "Estou prestes a fazer algo muito idiota”.

Sim, eu tinha desistido de tirar minha vida por causa de uma série, mas depois algo mudou. Eu voltei com a decisão .

Então eu digo: Eu não me matei porque uma serie me influenciou, não pensem isso .

 

Eu me matei porque eu não aguentava mais existir assim. Eu já estava morta, o que mais eu serviria nesse mundo? Uma garota totalmente sem essência, sem nada por dentro. Já imaginou um oceano no meio da tempestade? O céu escuro? É assim dentro de mim. Mas tudo silencioso. Tudo muito destruído e silencioso. Tudo muito angustiante e doloroso. É difícil acordar de manhã e pensar: “Mais um dia em que irei ter lembranças más” “Mais um dia ao lado de pessoas que não me amam, que me odeiam” ”Mais um dia sentindo uma imensa vontade de chorar em todos os momentos”. “Mais um dia desejando morrer”

 

Então eu quero pedir que sejam mais tolerantes. Depressão não é frescura. Não neguem ajuda a aqueles que estão angustiados no fundo do poço. E quando forem se lembrar de mim, pensem em uma Thalia verdadeira. Aquela feliz que vocês viam era total mentira.”

Adeus

Thalia Mendes Meireles.

 

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