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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

27
Mai19

Lava Jato condenou Lula por visitar o tríplex, e se cala com os 19 imóveis de Flávio Bolsonaro

Talis Andrade

por Emanuel Cancella

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Élcio Queiroz, Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz

elcio queiroz.jpg

Élcio Vieira de Queiroz preso por dirigir o carro que conduziu o atirador que matou Marielle Franco, vereadora contemporânea de Carlos Bolsonaro

 

 

A Lava Jato, chefiada pelo juiz Moro, na véspera da eleição, prendeu o ex- presidente Lula sem provas, com base em denúncia por convicção do procurador Deltan Dallagnol, entretanto se cala diante do maior escândalo do país que personifica no Queiroz (3).

 
Moro prendeu Lula num claro intuito de beneficiar Bolsonaro. Segundo o Ibope, Lula ganharia eleição em primeiro turno, e, debochando da opinião pública, virou ministro da Justiça de Bolsonaro (2).

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bandeira laranja bolsonaro .jpg

 

 
O chefe do Queiroz, o senador Flavio Bolsonaro, aparece agora envolvido na compra e venda de 19 imóveis, num total de 9,425 milhões. Procuradores apontam indício de que Flavio Bolsonaro estaria operando lavagem de dinheiro (1).
 

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E o Queiroz era, segundo o Coaf, o homem que despejava dinheiro na conta do clã Bolsonaro. Até a primeira dama, Michelle Bolsonaro, recebeu depósito de R$ 24 mil (6). A sociedade quer conhecer toda a movimentação da conta de Fabricio Queiroz, assessor de Flavio Bolsonaro, e de onde saía esse dinheiro.
 
Queiroz pagou R$ 133,5 mil em espécie, em janeiro, ao hospital Albert Einstein, que deveria informar quantas pessoas fazem esse tipo de pagamento, normalmente o pagamento é em cheque ou cartão de crédito (5).
 

O brasileiro faz piada dizendo que ainda bem que Flavio Bolsonaro comprou os imóveis, pois Lula e sua esposa, a saudosa dona Marisa Letícia, foram denunciados por só ter visitado o tríplex. Isso porque a Lava Jato insiste que o o imóvel seja de Lula, entretanto nunca apresentou qualquer prova, ou seja, registro de imóvel ou qualquer outro documento válido em nome de Lula (4).

 

A Lava Jato trata Flavio Bolsonaro como tchutchuca e Lula como tigrão!

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Fonte:

1https://veja.abril.com.br/politica/exclusivo-flavio-bolsonaro-comprou-19-imoveis-por-r-9-milhoes-diz-mp/

2http://atarde.uol.com.br/politica/noticias/1124938-ibope:-lula,-com-47,-ganharia-no-primeiro-turno

3https://www.diariodocentrodomundo.com.br/nao-temos-provas-mas-conviccao-o-powerpoint-de-dallagnol-nos-jogou-de-vez-no-paraguai-por-kiko-nogueira/

4https://www1.folha.uol.com.br/paywall/signup.shtml?https://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/05/1882926-em-depoimento-moro-questiona-lula-sobre-visita-a-triplex-veja-videos.shtml

5https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/05/24/queiroz-pagou-cirurgia-em-hospital-de-sao-paulo-com-r-64-mil-em-dinheiro-vivo.ghtml

6https://veja.abril.com.br/politica/cheque-de-ex-assessor-a-michelle-foi-pagamento-de-divida-diz-bolsonaro/

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20
Mar19

A cada 60 minutos, uma criança ou adolescente morre por arma de fogo

Talis Andrade

 

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Da Agência Brasil

A cada 60 minutos, uma criança ou um adolescente morre no Brasil em decorrência de ferimentos por arma de fogo. Entre 1997 e 2016, mais de 145 mil jovens com até 19 anos faleceram em consequência de disparos acidentais ou intencionais, como em casos de homicídio e suicídio. Os dados fazem parte de um levantamento divulgado hoje (20) pela Sociedade Brasileira de Pediatria.

De acordo com o estudo, que considerou dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, em 2016, ano mais recente disponível, foram registrados 9.517 óbitos entre crianças e adolescentes no país. O número é praticamente o dobro do identificado há 20 anos – 4.846 casos em 1997 – e representa, em valores absolutos, o pico da série histórica.

O levantamento mostra que, a cada duas horas, uma criança ou adolescente dá entrada em um hospital da rede pública de saúde com ferimento por disparo de arma de fogo. Entre 1999 e 2018, foram registradas quase 96 mil internações de jovens com até 19 anos no Sistema Único de Saúde (SUS).

Despesas

As principais causas externas de morte por arma de fogo nessa faixa etária estão relacionadas a homicídios (94%), seguidos de intenções indeterminadas (4%), suicídios (2%) e acidentes (1%). No caso das internações, embora as tentativas de homicídio continuem na liderança (67%), é bastante expressivo o volume de acidentes (26%) envolvendo arma de fogo.

A avaliação contabilizou ainda as despesas diretas do SUS com pacientes atendidos após contato com armas de fogo. Nos últimos 20 anos, as internações de crianças e adolescente provocadas por disparos custaram mais de R$ 210 milhões aos cofres públicos.

O estudo considerou causas de morbidade hospitalar e mortalidade identificadas nas bases oficiais do Ministério da Saúde como acidentais, suicídios ou tentativas de suicídio, homicídios ou tentativas de homicídio e intenções indeterminadas.

 

 

 

14
Mar19

BOLSONARO, O PROPAGANTISTA DO FAKE NEWS

Talis Andrade

Marielle: PRESENTE
Mandante: AUSENTE

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por Helio Fernandes

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Surpreendentemente eleito com a invasão das redes sociais, não se envergonha nem se constrange, de governar, (perdão, desgovernar) através delas. Ocupa diariamente a Internet, sua comunicação como presidente da Republica é registrada ali, como fosse o seu Diário Oficial. O porta-voz não aparece mais, sua função foi usurpada de forma melancólica, deprimente e lamentável.

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Bolsonaro manifesta toda a satisfação em degradar a realidade, tentando implantar a indignidade dos seus próprios pensamentos e convicções, rasteiros, medíocres, sem grandeza, verdadeiras ofensas á comunidade, que não tem como se livrar dele, e de suas rajadas. Insiste nas mensagens negativas para ele mesmo, como aconteceu na monstruosa deturpação de um episodio policial do carnaval, que ele transformou num fato "que exigia a participação da mais alta figura da Republica". Os mais importantes jornais do mundo, trataram Bolsonaro, não como Chefe de Estado, e sim como personagem desprezível. A desmoralização e o desgaste para o país, impressionante.

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Agora, para atacar jornais, jornalistas, instituições de Comunicação, recorre á mentira, á mistificação, á farsa verbal, através da Internet, usando o que se identifica nas redes como Fake News. E o que é mais grave, insustentável e indefensável. Sabendo que era Fake, foi alertado para isso.

Nas mais diversas oportunidades, Bolsonaro exalta a democracia e a liberdade de Imprensa e de Expressão como o grande roteiro para a união do país. Mas irresponsavelmente, critica matérias que não existiram, mesmo depois que o Estadão, (um dos jornais atacados) retificou tudo e ratificou a total impropriedade das acusações.

Bolsonaro continuou passando recibo na sua indignidade, sendo criticado de todos os lados. Depois do brilhante e contundente discurso do senador Randolf Rodrigues, Bolsonaro só tinha uma saída; de joelhos e respeitosamente, pedir desculpas á comunidade. Mas como apaixonado pelo Fake, continuou, até ser desmentido pelo órgão da França, que ele afirmou que publicou matéria da jornalista Constance Resende, envolvida mentirosamente por Bolsonaro.

PS- Para concluir o desmonte da sua credibilidade, insultou o grande jornalista investigativo, Chico Otávio, acima de qualquer acusação.

Marielle: PRESENTE
Mandante: AUSENTE

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Essa é a realidade de 1 ano, que os fatos revelados (?) ontem, não modificaram. Prenderam dois personagens altamente comprometidos e conhecidos como pistoleiros de aluguel. A comunidade do Brasil e do exterior, protestou e se surpreendeu com dados pessoais sobre os que receberam fortunas pelo assassinato. Os que mataram, criminosos perigosos, são profissionais do crime, não deveriam estar soltos, e "trabalhando", a clientela é vasta e o pagamento, sedutor. Mas sem os que pagam, contratam e encomendam a execução, não teria acontecido nada.

Duas perguntas sem resposta, complicam muita gente, com uma semana, tiveram que fazer "a investigação da investigação". As perguntas.

1- Por que Marielle?

2- Quem seria atingido pelas denuncias dela?

Dados pessoais dos que mataram. Um deles mora num condomínio de alto luxo da Barra. O mesmo personagem guardou na casa de um amigo, 117 fuzis. Lógico, não havia espaço no apartamento, e poderia comprometer o excelente relacionamento que mantinha com os outros condôminos. O ex-policial não foi preso lá.

Num caso ESTARRECEDOR como esse, nada surpreendente que os criminosos soubessem com antecedência, que iriam ser presos.

14
Mar19

Assassino estava a 3 casas de Bolsonaro. E a Abin, nada?

Talis Andrade

na mesma rua residem bolsonaro e o assassino de Ma

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por Fernando Brito

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Os jornais revelam que não só o sargento reformado Ronnie Lessa, apontado como assassino de Marielle Franco e Anderson Gomes, morava no mesmo condomínio do Presidente Jair Bolsonaro, como morava na mesma rua. E a três casas de distância, como registra O Globo.

A pergunta é óbvia: a segurança presidencial, seja a Abin, o Gabinete de Segurança Institucional, a PF ou lá quem fosse não sabia quem eram seus vizinhos?

Uma pesquisinha básica: quem é, o que fez ou o que faz, se pode ser uma pessoa perigosa ou que atraia perigo para perto do presidente…

Você consegue imaginar se vão descobrir um assassino de aluguel a três casas de Donald Trump, Emmanoel Macron ou de Theresa May?

Ou que a segurança não tivesse perguntado ao presidente se ele conhecia bem o vizinho sicrano, beltrano ou fulano para saber se estes “tavoquei”?

Ou se trata de um bando de incompetentes ou tiveram o aval presidencial para tranquilizarem-se.

02
Mar19

O netinho de Lula e o ódio fascista

Talis Andrade

 

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por Altamiro Borges

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Qualquer ser humano com um mínimo de dignidade ficou triste e abatido com a morte prematura do menino Arthur Araújo, de 7 anos, neto do ex-presidente Lula. Mas os fascistas, os que cultivam o ódio e a violência, não são seres humanos. Não dá nem para chamá-los de vermes, já que estes têm função na natureza. Cínicos, eles berram “Deus acima de todos”. No fundo, eles veneram o demônio, a morte. Para estes psicopatas deveria servir a lição do Papa Francisco: “Quando você comemora a morte de alguém, o primeiro que morreu foi você mesmo”. Em vida, esses milicianos laranjas deveriam pagar por seus crimes. No poder, Hitler e Mussolini festejaram a morte de milhões de pessoas indefesas. Ao final, eles foram devidamente punidos!

 

Logo que a notícia da morte por meningite meningocócica do garoto foi estranhamente postada por um colunista de O Globo, na manhã desta sexta-feira (1), o ódio ao ex-presidente Lula saiu do esgoto. Dezenas de leitores deste jornal – que ajudou a chocar o ovo da serpente fascista com sua criminalização da política e sua satanização das esquerdas – fizeram questão de postar seus comentários asquerosos. Muitos desses babacas desalmados são apenas massa de manobra da cloaca burguesa, que nunca tolerou o “reformismo brando” do ex-presidente que tirou milhões de brasileiros da miséria. Manipulados, eles acreditam que todos os males da humanidade – inclusive sua imbecilidade e nulidade – são culpa de Lula. Por isso, festejaram a morte do neto Arthur Araújo, da esposa Marisa Letícia e do irmão Genivaldo Inácio da Silva, o Vavá, no mês passado.

 

No clima de ódio e irracionalidade que corrói a sociedade, eles inclusive já não se escondem no anonimato, como é o caso da “youtuber” Alessandra Strutzel. Logo após a notícia da morte, a figura escrota postou uma foto de Lula com Arthur e a frase sádica: “Pelo menos uma notícia boa”. Diante da reação de um seguidor – “Qual é a notícia boa?” –, a doente respondeu: “Um filho da puta a menos”. O seguidor replicou: “Acho que você não entendeu. Quem morreu foi o neto, uma criança de 7 anos”. E a tréplica da fascista bem que justificaria um processo na Justiça e uma severa punição: “Entendi sim. Pensa, iria crescer com exemplo do avô, um filha da puta a menos para roubar nosso país”. Na sequência, como todos os covardes fascistas, ela pediu desculpas e alegou que “com a postagem que fiz, eu só queria saber como as pessoas reagiriam”.

 

O pior neste dia triste não foram os comentários escrotos no jornal O Globo ou as postagens da “youtuber” babaca. O mais lastimável foi a postura do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente do laranjal da República. Diante de uma enquete sobre a liberação de Lula para acompanhar o enterro do neto, o que é previsto na legislação, o “pimpolho” do fascista respondeu: “Lula é preso comum e deveria estar num presídio comum. Quando o parente de outro preso morrer, ele também será escoltado pela PF para o enterro? Absurdo até se cogitar isso, só deixa o larápio em voga posando de coitado”. Para quem tem um pai que disse que não o visitaria no presídio da Papuda, é compreensível o rancor deste fascistinha!

 

Em tempo: Qual seria sua atitude diante da prisão de algum membro da famiglia Bolsonaro – seja devido aos vínculos com as milícias assassinas do Rio de Janeiro; ao uso de dinheiro público no emprego de laranjas; ou por apologia ao estupro e a violência; ou por outros crimes?

27
Fev19

Escritório do Crime (histórico e galeria de fotografias dos principais milicianos do Rio)

Talis Andrade

escritorio do crime por josé renato.jpg

 

 

Escritório do Crime é nome de uma milícia de pistoleiros e matadores de elite que atua na zona oeste do Rio nascida da exploração imobiliária ilegal em atividades como grilagem, construção, venda e locação ilegal de imóveis, cuja principal atividade é assassinato sob encomenda

 

O grupo é composto por policiais militares, ex-policiais e suspeita-se de ser comandado pelo o ex-capitão do BOPE Adriano Nóbrega (preso duas vezes, sob suspeição de ligações com a máfia de caça-niqueis e jogo do bicho e réu em processos de grilagem) e pelo major da Polícia Militar Ronald Pereira, ambos alvos da operação "Os Intocáveis".

 

Investigações indicam que o grupo usa técnicas de planejamento avançadas, aprendidas dentro da própria polícia, para executar suas atividades. Veículos são cuidadosamente escolhidos e adulterados desde seus acessórios até suas placas e ano, de modo a serem transformados em "carros limpos" segundo sua terminologia, à fim de despistar eventuais investigações. Após essa etapa de preparo estuda-se a rotina do alvo e planeja-se o local e hora da execução. O processo de planejamento busca por áreas sem câmeras de vigilância, pouco movimentadas e próximas à rotas de fuga. 

 

Suspeita-se que o grupo esteja envolvido em 19 homicídios não esclarecidos desde 2002, como o assassinato do bicheiro Waldomiro Paes Garcia em 28 de setembro de 2004 e do empresário Marcelo Diotti da Mata no estacionamento de um restaurante na Avenida das Américas, morto no mesmo dia de Marielle e Anderson. 

 

Em agosto de 2018 passaram a ser investigados sob acusação de envolvimento com o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes no dia 14 de março do mesmo ano. Suspeita-se que o assassinato da vereadora e de seu motorista tenham sido cometidos pelo grupo a fim de evitar que ela atrapalhasse seus negócios. A vereadora teria atravessado as atividades imobiliárias dos milicianos ao interferir num projeto de verticalização da comunidade de Rio das Pedras, o que resultaria em grandes perdas à eles, o que teria motivado-os à executa-la. Apesar da suspeição do envolvimento do grupo com no caso, não se descarta a hipótese de envolvimento do miliciano Orlando de Oliveira Araújo e do vereador Marcello Siciliano. 

adriano magalhães da nobrega pb.pngAdriano Magalhães da Nóbrega 

 

Em 22 de janeiro de 2019 foi noticiado que o recém eleito senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, empregou em seu gabinete desde o início de 2008 até novembro de 2018 a esposa do ex-capitão suspeito de liderar o grupo, Adriano Nóbrega, e desde abril de 2016, dois anos após sua expulsão da PM, empregou sua mãe, Raimunda Veras Magalhães. 

ronald paulo alves pereira maj ronald.pngRonald Paulo Alves Pereira 

 

O outro suspeito de comandar a milícia, major Ronald Pereira, também já foi homenageado por Flávio na Assembléia. Transcrevi trechos. Leia mais in Wikipédia

 

A polícia parece que esconde as fotografias dos chefes das mílicias. Veja aqui galeria de fotos.

 

 

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27
Fev19

COMO RIO DAS PEDRAS VIROU SEDE DO ESCRITÓRIO DO CRIME

Talis Andrade

A região afastada, na Zona Oeste do Rio, é controlada pela mais antiga e influente milícia do Estado

Reportagem de Elenilce Bottari
A Operação Os Intocáveis tentou desbaratar grupo criminoso de milicianos. O major Ronald Paulo Alves Pereira (de boné e camisa clara) é apontado como integrante da cúpula do Escritório do Crime Foto: Gabriel Paiva / Gabriel Paiva

 

 

 

O Escritório do Crime — elaborada definição para uma quadrilha de matadores de aluguel — nasceu no berçário das milícias do estado: a favela de Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A comunidade de mais de 60 mil moradores cresceu desordenadamente ao longo de cinco décadas, espalhando-se por uma área equivalente a quatro Maracanãs, entre os bairros de Jacarepaguá, do Anil e do Itanhangá. A região é controlada pela mais antiga e influente milícia do Rio de Janeiro, organização criminosa que tem entre seus integrantes agentes de segurança do estado, entre servidores da ativa, aposentados e afastados. O grupo se imiscuiu em atividades ilegais, como a grilagem de terras, a construção e venda de imóveis sem licença, a extorsão de moradores e de comerciantes e o controle e cobrança de serviços essenciais como água, gás, luz e transportes públicos. A quadrilha também negocia permissões para que candidatos possam pedir votos nas áreas que domina. Só faz campanha ali quem paga pedágio.

Como prestadores de serviços sujos, o Escritório do Crime acumula indícios de envolvimento em dezenas de assassinatos. O mais rumoroso deles foi o da vereadora Marielle Franco (PSOL). Até 14 de março de 2018, data da morte de Marielle, os crimes da quadrilha passaram impunes. Nenhum dos homens do grupo de extermínio havia sequer pisado na calçada da Delegacia de Homicídios da capital do Rio, que fica a menos de 10 quilômetros da favela onde está o Escritório do Crime. Eram considerados intocáveis, situação que deu nome à operação realizada na última terça-feira para prender integrantes do grupo de extermínio e da milícia que controla aquela parte da cidade, hoje turbulenta.

Mas nem sempre foi assim. Até os anos 50, Rio das Pedras era apenas o nome do córrego que cortava a bucólica Jacarepaguá, perto da Lagoa da Tijuca. Atraídas pela expansão imobiliária da Barra da Tijuca e de suas cercanias — alavancada pelo ousado plano diretor do arquiteto Lúcio Costa — e pela oportunidade de emprego na construção civil, famílias nordestinas fincaram raízes na região. Sem lugar para morar, muitos invadiram uma área pantanosa do sistema lagunar de Jacarepaguá, aterraram seus manguezais e ergueram ali os primeiros barracos.

Em 1964, ameaçadas de remoção por pessoas que se diziam donas do terreno, 96 famílias conseguiram que o então governador, Negrão de Lima, desapropriasse as terras, transformando-as em área de interesse social. Entre os beneficiários estava Octacílio Brás Bianchi. Ele foi um dos fundadores da primeira associação de moradores da favela. Sem a presença do poder público para garantir outros direitos, eles criaram as próprias leis. “O seu Octacílio era amado por comerciantes, que contribuíam de forma voluntária com a associação, que espantava ladrões e evitava que o tráfico invadisse a comunidade”, contou um antigo morador, que na terça-feira comemorou a prisão dos atuais chefes da organização.

Não demorou para que a favela ganhasse fama de matar bandidos na “peixeira”— faca comprida e afiada, comum no Nordeste, que era usada como arma branca.Com uma nova expansão a partir dos anos 80, a cobrança de taxa dos comerciantes passou a ser obrigatória. Em seguida, o crescimento do transporte público ilegal, batizado como “alternativo”, tornou-se novo filão de lucros. À medida que os negócios cresciam, o comando passou a ser cobiçado. Em 1989, Bianchi foi assassinado. Sua mulher, Elita, conhecida como Dinda, lhe sucedeu e acabou sendo morta seis anos depois, dentro da associação de moradores. O policial civil Félix Tostes assumiu o comando, com o apoio de outros policiais da ativa, para manter o local protegido de traficantes e de qualquer fiscalização que pudesse atrapalhar os negócios.

Em 2004, a associação lançou candidato próprio à Câmara dos Vereadores do Rio, o comerciante Josinaldo Francisco da Cruz, o Nadinho de Rio das Pedras. Ele concorreu pelo PFL, mesmo partido do prefeito Cesar Maia, reeleito naquele ano. Com muito dinheiro para a campanha, Nadinho foi o nono vereador mais votado, com 34.764 votos. Na mesma eleição, o então jovem candidato Carlos Bolsonaro também foi eleito, com bem menos votos: 22.355.

Assim as milícias entraram de vez na política. Outros dois candidatos de regiões controladas por milicianos foram eleitos no mesmo pleito: o policial civil Jorge Luís Hauat, o Jorge Babu (PT), reeleito com 24.532 votos; e Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho (PMDB), que conquistou 33.373 votos, integrante da Liga da Justiça, que se tornou nos anos 2000 a maior milícia do estado do Rio, controlando grandes bairros da Zona Oeste carioca, como Campo Grande, Inhoaíba, Paciência e Santíssimo.Em 2006, de nove candidatos com origem na área de segurança pública que fizeram campanha para deputado em áreas dominadas por milícias, cinco conseguiram se eleger. Entre eles estava o secretário de Segurança Pública do governo Garotinho, o delegado federal Marcelo Itagiba.

As milícias se multiplicaram na cidade, saltando de 42 para 92 áreas dominadas. Enquanto essas organizações paramilitares declaravam guerra a quadrilhas de traficantes pela disputa de território, às vésperas da realização dos Jogos Pan-Americanos de 2007, em novembro de 2006, o prefeito Cesar Maia afirmou que milícias eram “autodefesas comunitárias” e “um mal menor que o tráfico”. As declarações foram vistas como apoio velado. Entre 27 e 31 de dezembro daquele mesmo ano, facções do tráfico lançaram uma série de ataques contra alvos civis, da polícia e até do governo em toda a cidade, em represália ao avanço das milícias. Os traficantes incendiaram ônibus e jogaram bombas em prédios públicos. Nos ataques, 19 pessoas foram mortas.

No início de 2007, Félix Tostes foi assassinado, após se desentender com Nadinho de Rio das Pedras. Segundo investigações da polícia, o vereador encomendou o crime a outro grupo de extermínio, a Liga da Justiça, comandada pelo ex-vereador Jerominho e por seu irmão, o ex-deputado estadual Natalino José Guimarães (DEM).Já em seu segundo mandato como deputado estadual, Flávio Bolsonaro (PP) votou contra a instalação da CPI das Milícias e chegou a defender sua legalização. “As classes mais altas pagam segurança particular, e o pobre, como faz para ter segurança? O Estado não tem capacidade para estar nas quase 1.000 favelas do Rio. Dizem que as milícias cobram tarifas, mas eu conheço comunidades em que os trabalhadores fazem questão de pagar R$ 15 para não ter traficantes”, afirmou.

Em 2008, a CPI das Milícias foi instalada na Alerj, sob a presidência do deputado Marcelo Freixo (PSOL). Ao depor, Nadinho admitiu a existência do grupo na favela de Rio das Pedras e afirmou que, a partir daquela audiência, sua vida corria perigo. Ele foi assassinado em junho de 2009, na porta de sua casa, com mais de dez tiros.

A CPI das Milícias revelou 170 áreas dominadas por esses grupos, e identificou e indiciou 226 integrantes, entre eles Jorge Alberto Moreth, o Beto Bomba, presidente da associação de Rio das Pedras, que chegou a ser preso acusado de participação na quadrilha e condenado, mas conseguiu absolvição em segunda instância. Beto Bomba voltou a ser preso na última terça-feira.O Escritório do Crime tem estrutura própria e existe há pelo menos cinco anos. Só entrou no foco da polícia há alguns meses, com as investigações do assassinato de Marielle e de seu motorista, Anderson Gomes. A principal pista para ligar o grupo à execução da vereadora veio do interrogatório de um de seus integrantes. Embora ele tenha negado que estivesse no bairro do Estácio, onde Marielle foi morta, no dia do crime, dados de antenas de celulares, cruzados com um aparelho usado pelo suspeito, indicaram que ele estava no local no dia e na hora do assassinato.

Outro indício contra o grupo foi a confirmação de que o carro, modelo Cobalt, usado pelos assassinos de Marielle e Anderson passou pelo Itanhangá antes de seguir para a emboscada à vereadora. Uma câmera da prefeitura flagrou o veículo seguindo em direção a Rio das Pedras.

A lista de assassinatos atribuídos pela polícia ao Escritório do Crime é extensa. O grupo é suspeito do assassinato do presidente da Portela Marcos Vieira de Souza, conhecido como Falcon, de 52 anos, em setembro de 2016. Ele concorria a uma vaga de vereador pelo PP e foi executado em seu comitê eleitoral, em Oswaldo Cruz, na Zona Norte, quando seus seguranças o deixaram sozinho por alguns minutos. Foi o tempo suficiente para dois homens encapuzados entrarem no local e assassinarem o candidato com tiros de fuzil na cabeça. Nem a presença de câmeras no local inibiu a ação.

Outro homicídio atribuído aos mercenários é o do sargento reformado da PM Geraldo Antonio Pereira, no estacionamento de uma academia no Recreio, na Zona Oeste, em maio de 2016. Em junho do ano passado, a vítima foi o contraventor Haylton Carlos Gomes Escafura, de 37 anos, filho do bicheiro José Caruzzo Escafura, o Piruinha. Mais uma vez, o crime foi cometido por dois homens, que subiram até um quarto no oitavo andar de um hotel na Barra da Tijuca, onde estavam a vítima e sua acompanhante, a PM Franciene Soares de Souza, de 27 anos. Todos os crimes continuam sem solução.

Ronald Paulo Alves Pereira Fotografia Reginaldo Pi

Ronald Paulo Alves Pereira, capo do Escritório do Crime

 
 
 

 

27
Fev19

RJ investiga policiais suspeitos de atuar como agentes duplos para milícias

Talis Andrade

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Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão da PM-RJ, foragido da Justiça

 

247 - Um levantamento divulgado pelo Portal UOL revela que nos últimos 15 meses houve suspeita de vazamentos de informações sigilosas em ao menos cinco operações de enfrentamento a grupos paramilitares no Rio. Uma destas operações envolve o principal suspeito de ter executado a tiros a vereadora Marielle Franco (PSOL) e seu motorista, Anderson Gomes, na noite de 14 de março passado: o ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar) Adriano da Nóbrega, que segue foragido da Justiça há cerca de um mês.

Um dos alvos da operação "Os Intocáveis", o ex-oficial caveira - como são chamados os policiais que passam pelo curso do Bope - contaria com uma rede de proteção formada por agentes da lei infiltrados em batalhões e delegacias do Rio para se manter longe da prisão.

O episódio mais recente de infiltração aconteceu no último dia 14, quando dois policiais militares foram presos por suspeita de terem antecipado à milícia chefiada por Wellington da Silva Braga, o Ecko, informações sobre uma operação "Volante" desencadeada pela Polícia Civil na Zona Oeste do Rio. As equipes foram às ruas para tentar cumprir 20 mandados de prisão, sendo que dez deles em nome de suspeitos que já estavam presos. Apesar disso, apenas um homem foi detido na ação policial.

A reportagem de Sérgio Ramalho aponta ainda que interceptações telefônicas mostraram que o trabalho acabou prejudicado pelo PM Marcelo Tinoco Petuquio, que teve uma conversa telefônica captada pelas escutas autorizadas pela Justiça. No diálogo, ele dava detalhes sobre a operação a um interlocutor ligado ao grupo paramilitar. Além dele, também foi detido o sargento Marcelo Costa Brito, lotado no Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE), apontado como chefe da milícia de Rio da Prata, em Campo Grande. O grupo do PM tem ligação com a "Liga da Justiça", milícia chefiada por Ecko.

Em 22 de janeiro, durante a operação "Os Intocáveis", apenas cinco dos 13 mandados de prisão foram cumpridos pelos policiais civis envolvidos na ação, sendo que dois dos presos são oficiais da PM, o major Ronald Paulo Alves Pereira e o tenente aposentado Maurício Silva da Costa. Caso permanecessem foragidos, ambos perderiam prerrogativas, dentre elas, salário e aposentadoria. No dia seguinte, dois outros suspeitos foram detidos, elevando para sete o número de mandados cumpridos.

Além do ex-capitão Adriano, outro que conseguiu escapar da operação foi o presidente da Associação de Moradores de Rio das Pedras, Jorge Alberto Moreth, o Beto Bomba. Em um trecho da denúncia encaminhada pelo Ministério Público à Justiça consta a informação de que Beto Bomba tinha acesso a dados privilegiados sobre operações policiais realizadas nas localidades sob influência de milicianos e, com isso, alertava seus aliados com antecedência. Veja a vida de Adriano Magalhães da Nóbrega e suas ligações com o senador Flávio Bolsonaro aqui

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Milícia de Itaguaí tinha cemitério clandestino para enterrar inimigos

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A polícia descobriu que a milícia que atua em Itaguaí, Região Metropolitana do Rio, e é um braço da comandada por Wellington da Silva Braga, o Ecko, tinha um cemitério clandestino para enterrar “inimigos”. Segundo as investigações da Polícia Civil, pelo menos 10 corpos foram enterrados no local.

quadrilha de ecko.png

 

 

Milícia é máfia. Esses grupos são compostos em parte por agentes da lei, que atuam como agentes duplos, servindo ao crime organizado enquanto recebem salários para proteger o cidadão

Marcelo Freixo (PSOL-RJ), deputado federal

 

 

 

 

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