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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

12
Abr18

ANGOLANA NO PÓDIO MUNDIAL DE POESIA FALADA

Talis Andrade

 

poesia angola.jpg

 

 

Bel Neto, pseudónimo literário da jovem escritora angolana Isabel Jussara Neto, também conhecida como “a poetisa do outro mundo”, sagrou-se terceira vencedora da copa do mundo de poesia falada da Festa Literária das Periferias (FLUP), realizada pela organização não-governamental Horizonte na Comunidade do Vidigal, cidade do Rio de Janeiro, Brasil.

 

O Folha 8 apercebeu-se da conquista da escritora angolana no evento, mundialmente conhecido como “Rio Poetry Slam”, e entrevistou a autora.

 

Bel Neto.jpg

 

 

Por Pedrowski Teca

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Folha 8 – Quem é a Bel Neto?

Bel Neto (BN) – A Bel Neto é uma Jovem angolana, natural de Luanda, a mais nova de oito irmãos, e mãe de dois filhos (Ésio e Kyame). Sou uma esposa dedicada, que se define como uma pessoa introvertida sendo este o principal motivo que levou a exteriorizar as minhas inquietudes, apesar da timidez. Tenho desde cedo a tendência de fazer falar a voz da mulher que cala, transmitindo nos meus escritos temáticas polémicas como «Outro homem matou a minha fome», que muitos ainda consideram tabu.

 

F8 – E quanto à sua voz…

BN – Sou dona de uma voz dócil, uma exímia declamadora que entrou na luta pelo empoderamento da mulher, actuando em vários recitais, tais como: «Sou do género palavra», «Chave e fechadura». Afirmo a minha marca pelo facto de ser sempre evidenciada pelos textos singulares que recito e tenho promovido os meus escritos em vários espaços culturais da cidade de Luanda, como: Artes ao Vivo, Lev´Arte, no King´s Club, Berço Literário, em galas culturais interprovinciais. Escrevo contos, poesias infantis, “spoken word” (poesia falada), comédia e romance. Sou argumentista, tenho textos adaptados em peças teatrais.

 

F8 – Quando começou a fazer poesia?

BN – Comecei a escrever poesia aos 13 anos de idade, fruto da necessidade de expor as minhas ideias e sentimentos criados em parte pelo número de leituras e a timidez. Uma das minhas maiores influências foi o meu pai, que me presenteava com livros sempre que se ausentava do país e o facto de ele ter uma biblioteca em casa, fez de mim uma pessoa sortuda e muito interessada pela leitura.

 

F8 – Quantos livros tem no mercado?

BN – Tenho participações em duas antologias: “Sexo e comida” com Wladimiro Cardoso e outras jovens angolanas em 2012 e “Poemas de berço e outros versos”, em 2014, pelo Movimento Berço Literário ao qual pertenço. Não tenho o meu livro ainda publicado mas é um dos projectos que tenho em carteira para breve.

 

F8 – Quais e quantos prémios nacionais e internacionais venceu no seu percurso?

BN – Tenho a 3ª classificação da 2ª edição do nacional concurso Luanda Slam, realizado em Julho de 2016, e a 3ª classificação do concurso internacional Rio Poetry Slam, realizado no Rio de Janeiro, Brasil de 10 a 15 de Novembro de 2017.

 

F8 – Descreva-nos a experiência vivida no Rio de Janeiro durante a Festa Literária das Periferias (FLUP)?

BN – Foi uma batalha onde a “palavra” foi a arma e a nossa melhor aliada. Foi uma das melhores experiências por mim vividas, pelo facto de desafiar as minhas aptidões como poetisa, por poder beber de vivências de outros povos e ter a certeza de que ao sair de lá já não seria a mesma pessoa. O facto de ter conhecido um público diferente e poder emocionar e ao mesmo tempo me sentir capaz de mostrar ao mundo que independentemente de sermos poetas de países diferentes, estávamos cientes que todos éramos bons e estávamos juntos por uma causa maior que é a Revolução.

 

F8 – A palavra falada é uma arma… pacífica?

BN – É fantástico usar a palavra falada para poder contestar, divertir, advertir, tentar mudar o mundo de uma forma mais pacífica e mais comunicativa. É extraordinário usar a palavra falada para mostrar ao mundo que os jovens acompanham a sua dinâmica e se actualizam e investigam. O festival incorpora o poder da criatividade, a maneira como usamos a arte para criar, recriar, amar, mostrar outras formas de fazer poesia, revolucionar. Deixamos de ser estáticos e nos movemos para a unanimidade… É a arte urbana no seu estado natural.

 

F8 – Como descreve a participação e o contributo da Mulher Angolana no mundo literário ou, especificamente, da poesia nacional?

BN – Cada vez é maior e melhor o envolvimento das mulheres nos eventos literários. Por outro lado, hoje temos muitas mulheres a publicar os seus escritos. É necessário referir aqui que antes de mim, passaram no Rio Poetry Slam dois outros angolanos, nomeadamente a Elizangela Rita, que foi pioneira «a descobridora do Brasil», uma mulher que depois de participar do mesmo evento, no ano seguinte criou o concurso Luanda Slam, que por sua vez apurou o artista António Paciência para participar no mesmo evento em 2016. A mulher angolana, apesar da barreira imposta pelo machismo que impede a livre circulação pelo facto de se ser mulher, tendo em conta as horas que terminam certos eventos, está a impor-se no mundo literário. Agora, existe um número maior de mulheres a participar ou a dar o seu contributo ao nível de poesia, o que é positivo.

 

F8 – Face à conquista do terceiro prémio da copa do mundo de poesia falada da FLUP, que mensagem tem para a juventude Angolana?

BN – Os mais velhos têm algo a dizer mas não são donos da verdade. A felicidade é o caminho. O mais importante não é vencer, é tentar e ainda que nos deparemos com uma perda, é importante insistir até que as nossas forças se acabem. Nunca devemos desistir dos nossos sonhos ou objectivos enquanto tivermos forças para continuar. Ler é fundamental. A leitura abre-nos portas para o mundo e através da arte conseguimos descobrir que somos capazes de fazer muito mais. O que nós, angolanos, precisamos perceber é que juntos somos mais fortes. Esta classificação na FLUP só foi possível porque tive apoio dos meus familiares e amigos, que se dedicaram até ao último minuto para uma estadia tranquila emocionalmente.

 

 

 

12
Abr18

LULA JULGADO SEM PROVAS DE CORRUPÇÃO

Talis Andrade

 

Folha 8/ Angola - O jornal mais respeitado dos Estados Unidos da América (The New York Times), abre a sua secção de Opinião a um qualificado analista, Mark Weisbrot, antes de ter início o julgamento do ex-Presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, no Tribunal Regional Federal 4, em Porto Alegre.

 

Justiça direitista.jpg

 

 

Lula é acusado de ter recebido um apartamento na localidade de Guarujá da empreiteira OAS, a troco de favorecimento de contratos na Petrobras.

 

Na primeira instância foi condenado pelo juiz Sérgio Moro, sem qualquer prova, sustentando apenas a decisão de mais de nove anos com a simples interpretações e suspeições. E essa incoerência jurídica, vinda do juiz, foi por ele mesmo textualizada, quando os advogados de defesa lhe pediram a clarificação.

 

Assim, tem-se um julgamento carente de provas, apenas sustentadas na delação premiada de um arguido preso que alterou o seu depoimento inicial depois de lhe ser garantido um acordo mas, desde que mencionasse o nome do antigo chefe de Estado como pessoa a beneficiar do apartamento, que nunca utilizou, nem chegou a ter contrato promessa.

 

Mais, o caricato é o imóvel servir de garantia bancária da própria empresa, OAS, logo não poderia nunca estar na esfera jurídico-patrimonial de Luiz Inácio Lula da Silva.

 

São essas incongruências que levam a maioria dos juristas e políticos a criticar a consistência da condenação do político mais popular do Brasil, como se a “lógica mãe” do julgamento seja a do seu crime ter sido o de ser o primeiro presidente de Esquerda a assumir o poder e ter retirado da extrema pobreza mais de 25 milhões de pobres, catapultando-os para a classe média.

 

Daí a pertinência de apresentarmos o artigo do colunista americano, que ora reproduzimos com o sugestivo título: “Democracia brasileira empurrada para o abismo”.

 

Este reputado economista que é colunista reputado, no The New York Times, analisa a situação da democracia brasileira. Ele abre o texto afirmando que o Estado de Direito e a independência do Judiciário é algo susceptível a mudanças bruscas em vários países.

 

No Brasil, “uma democracia jovem”, o que poderia ser um grande avanço quando o Partido dos Trabalhadores garantiu independência ao Judiciário para investigar políticos, acabou por se transformar no oposto, escreve Weisbrot. Para ele, como resultado, “a democracia brasileira é agora mais frágil do que era logo quando acabou a ditadura militar”.

 

O texto, afirma que, nas vésperas do julgamento de Lula, não há muita esperança de que a decisão seja “imparcial”, uma vez que um dos juízes já afirmou que a decisão de condenar Lula foi “tecnicamente irrepreensível”.

 

Para o autor americano, as evidências contra Lula são frágeis e estão abaixo dos padrões que seriam levados a sério, por exemplo, pela Justiça norte-americana.

 

Ele afirma, ainda, que o Estado de Direito no Brasil já foi atingido em 2016 com o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

 

Conclui que o mais importante talvez é o facto de que o Brasil se terá transformado num país com uma forma mais “limitada” de democracia eleitoral, no qual um “judiciário politizado” pode excluir um líder popular de uma disputa presidencial.

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