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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

20
Jul18

Moro e Lula, fetiche e despudor

Talis Andrade

 

CH-MORO rei sol.jpg

 


por Dermeval Netto 

---
Moro é o dono do corpo de Lula. Sua relação perversa com Lula é a de quem está investido pelo fetiche da libido pelo objeto a quem destina desejo, paixão e ódio. Moro não admite que ninguém, a não ser ele, somente e exclusivamente, disponha sobre o corpo de Lula, sobre o qual se apossou e do qual se nomeia proprietário. Domínio ampliado e exibido em exposição midiática, permanente, no culto ao ego exacerbado, patrocinado na parceria despudorada da farsa do anti-jornalismo global. A anarquia judiciária que assola o Brasil passa também pela demência de um juiz, movido pelo desejo mórbido e corrompido de morte a Lula, fruto de tara e perversão sexual, narcísica, compulsiva, descontrolada, desesperada.


Moro é afinal o dono do corpo de Lula.

13
Jun18

DE JUSSARA SALAZAR / Exercício sobre a matéria e o amor

Talis Andrade

com tema de auguste rodin

 

rodin.jpg

 

 

Paolo e Francesca emergem de um bloco
pedra sem forma
massa de mármore

 

Rodin esculpiu
a sublime delicadeza do amor
         Dante
         Beatriz
entre o inferno e o paraíso


unidos
contraditórios

 

a claridade da pedra
a escuridão da noite
a leveza do amor
o peso do corpo
ou ainda a matéria bruta do solo
e a fragilidade da carne

 

Camille Claudel
Camille Claudel
chego a ti
ao teu tempo soterrado
entre o amor e
a violência de amar

 

 

13
Jun18

Retrato amoroso ou o retorno do querubim sobre as ondas

Talis Andrade

de Jussara Salazar

 

poesia jussara salazar.jpg

 

vagando
as ondas
o tule
do mar
do extremo amor
devolveu a
cabeça do querubim
perdido


os dias
os dias
os mesmos dias
viram teu torso
um desenho
costurado
à linha do horizonte

 

te aguardarei
menino
quando retornares
com o tempo
teu corpo
e tuas cicatrizes

 

 

---


com tema de Beth Moysés| Reconstruindo Sonhos

Performance realizada em Cáceres, Espanha. 2007

11
Mai18

de Hilda Hilts

Talis Andrade

hilda hilst p&b.jpg

 

 

Sonetos que não são

 

Aflição de ser eu e não ser outra.
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha

Objeto de amor, atenta e bela.
Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.

 


(A noite como fera se avizinha)

 

Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel.

Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra.

 

 

30
Abr18

Os amantes sem dinheiro

Talis Andrade

de Eugénio de Andrade

eugeniodeandrade.jpg

 

Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com  a água
e um anjo de pedra por irmão.

Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.

Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.

              
30
Abr18

Os amantes sem dinheiro

Talis Andrade

de Eugénio de Andrade

eugeniodeandrade.jpg

 

Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com  a água
e um anjo de pedra por irmão.

Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.

Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.

              
28
Abr18

O amor quer abraçar

Talis Andrade

anshu.JPG

 de Adélia Prado

 

O amor quer abraçar e não pode.
 
A multidão em volta,
 
com seus olhos cediços,
 
põe caco de vidro no muro
 
para o amor desistir.
 
O amor usa o correio,
 
o correio trapaceia,
 
a carta não chega,
 
o amor fica sem saber se é ou não é.
 
O amor pega o cavalo,
 
desembarca do trem,
 
chega na porta cansado
 
de tanto caminhar a pé.
 
Fala a palavra açucena,
 
pede água, bebe café,
 
dorme na sua presença,
 
chupa bala de hortelã.
 
Tudo manha, truque, engenho:
 
é descuidar, o amor te pega,
 
te come, te molha todo.
 
Mas água o amor não é.
 
 
17
Ago17

Bia Lira

Talis Andrade

bia lira.jpg

 

 

 

 

Eu ia pegar o avião,

eu ia invadir tua sala de jantar

onde fica nossa fotografia,

eu ia te abraçar

pra matar saudade

até tu dormir,

eu ia pedir pra tu cuidar

de mim.

eu ia te manchar

com meu batom,

mas como estou longe

de ti,

eu fiz esse verso

que é pra tu

não me esquecer

 

 

 

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