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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

22
Jun18

Moro, a vocação de delegado y ser ou não ser Tuma ou Fleury

Talis Andrade

 

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A lava jato fez parte da trama que derrubou Dilma Roussef da presidência do Brasil. Participou da conspiração que entregou o poder a Michel Temer, que realiza um governo que forçou o Brasil sair do BRICS, para voltar ao Terceiro Mundo, como país dependente do FMI, e vassalo do império. Igual às republiquetas de banana da América Latina, ou país tribal da África, que usa e abusa das intervenções militares. 

 

No Rio de Janeiro, a presença armada do general de Temer, que preside "um Estado doente que mata criança com roupa de escola". Uma intervenção que promove vôos da morte: Rasantes de helicóptero e sete mortos em dia de pânico na Maré, no Rio

 

O mando do general Walter Braga Netto, chamado de "ensaio" de uma ditadura anunciada; e conforme o velho conceito golberyano de guerra interna, Temer sancionou lei que passa à Justiça Militar casos de mortes provocadas por militares das Forças Armadas em serviço. De capacete preto e miras laser, a nova forma de matar impunemente .

 

Escreve André Gonçalves, na Gazeta do Povo:

 

Nunca antes na história democrática deste país, um general participou de tantas entrevistas coletivas no Palácio do Planalto. Ministro do Gabinete de Segurança Institucional de Temer, Sérgio Etchegoyen está na linha de frente de qualquer problema do governo. E na “jogada” de criação do Ministério da Segurança Pública, Temer nomeou pela primeira vez em 19 anos um militar para o comando Ministério da Defesa: o general Joaquim Silva e Luna. Outro general, Antonio Hamilton de Mourão, se sentiu livre para, na ativa, falar sobre intervenção militar. Foi para a reserva e, na cerimônia da aposentadoria, elogiou um torturador da ditadura, criticou (...) a classe política e declarou voto em Jair Bolsonaro (PSL).

 

O mundo livre considera Lula um preso político, e seus algozes devem ser tratados, também, politicamente. Sergio Moro não age como juiz, e sim como um delegado qualquer dos tempos da ditadura militar de 1964. 

 

Moro & procuradores da corriola de Curitiba, em que são diferentes da dupla de delegados Romeu Tuma e Sérgio, o Fleury?

 

A lava jato, uma fábrica de delações e processos. Testemunhas denunciaram os abusos de autoridade, em depoimentos a Moro. Pela denúncia do eletricista Lietides Vieira, agentes da PF retiraram sua esposa e seu filho pequeno de casa às 6 horas da manhã para questioná-la. Ele afirmou que os agentes estavam com roupas camufladas e de armas na mão.


A esposa do eletricista e o filho permanecem abalados com o episódio, e o menino de 8 anos tem acompanhamento médico até hoje. Um irmão de Lietides Vieira, Edvaldo, também relatou constrangimentos sofridos.

 

O sequestro de criança pela lava jato lembra o descaso da chancelaria acovardada do cabo Anselmo Aloysio Nunes, que não ousa pedir pelas crianças brasileiras engaioladas pelo Trump, o novo Herodes, o Grande. 

 

Como Moro definiria o crime de tortura?  

 

 

 

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Da justiça espetáculo, com arautos televisivos, o professor Geraldo Prado alerta que Moro vem extrapolando os limites da magistratura e inspirando colegas a agirem de forma perigosamente ativa e política

 

Estamos lidando com ‘juízes de assalto’. Outros povos já lidaram com eles e perderam. Estou me referindo à magistratura alemã dos anos 30 e 40.  Juristas não podem ter medo de questionar. No passado, juristas aplaudidos até hoje entregaram Olga Prestes aos nazistas, apoiaram o golpe militar de 1964, declararam vaga a Presidência com Jango ainda no país. É muito fácil olhar pra trás e dizer 'se eu estivesse lá, não teria feito isso'. Mas agora é de nós que essas posturas de coragem são exigidas

 

O "direito 4.0 produz delações ilícitas e conduções inconstitucionais" , diz Lenio Luiz Streck:

Ponderação usada pelo judiciário como katchanga real, população carcerária aumentando dia a dia sem que isso resolva coisa nenhuma (e isso que o sistema carcerário foi “declarado” inconstitucional por ECI), decisões judiciais tomadas pela vontade pessoal do juiz, gente defendendo esterilização de pobres, juiz Moro sendo Moro, Dallagnoll prometendo um vídeo semanal nas eleições, TRF4 “decidindo” que o MPF não necessita ser isento, governo batendo cabeça no STF sobre MP do próprio governo, discussão sobre auxílio-moradia que vira conciliação (o Brasil é o rei da conciliação), com o autor se passando para o lado dos conciliandos e assim por diante (acrescentaria o elenco de ilicitudes delineadas por Janio de Freitas na Folha de 17.06.2018:TRF4 aceitou arbitrariedades de Moro, CNJ concedeu imunidade às violações de praticadas por Moro, o STJ e o STF substituíram a lei pelo agrado à opinião pública e o dever pela sujeição, além do direito paralelo criado por Moro e Dallagnol, tudo absorvido pelo TRF4 – a lista é bem mais longa, é claro).

 

O ex-presidente do Uruguai, senador Pepe Mujica visitou, ontem, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cela onde está preso na sede da Polícia Federal em Curitiba. Mujica, que foi preso político por 14 anos, disse, para a reflexão de todos, que "lo que más" le "preocupa" es "que el pueblo brasilero pueda encausar su futuro, sobrellevar sus contradicciones, no perder su alegría, y no caer en una confrontación penosa".

 

 

 

 

21
Jun18

49 CRIANÇAS BRASILEIRAS PRESAS EM GAIOLAS NOS EUA, MAS ALOYSIO NUNES SÓ FALA DA VENEZUELA

Talis Andrade

 

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Crianças brasileiras num número estimado em 49 continuavam aprisionadas nos EUA na manhã desta quinta, separadas dos pais, algumas em gaiolas; o governo brasileiro reage burocraticamente à verdadeira agressão do governo Trump ao Brasil e a outros países da AL - o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, permanece em silêncio e dedica-se a seu tema favorito, atacar o governo eleito da Venezuela.

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247 - Crianças brasileiras num número estimado em 49 continuavam aprisionadas nos EUA, separadas dos pais, algumas em gaiolas, na manhã desta quinta-feira. O governo brasileiro reage burocraticamente à situação que é uma verdadeira agressão do governo Trump ao Brasil e outros países da América Latina - o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, permanece em silêncio e dedica-se a seu tema favorito, atacar o governo eleito da Venezuela. Apenas na noite de ontem Itamaraty soltou uma nota formal sobre o assunto.

 

Ontem, o deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA) apresentou à Secretaria Geral da Câmara dos Deputados requerimento solicitando informações a Aloysio Nunes sobre quais providências estariam sendo tomadas pelo governo em relação às crianças brasileiras, mas sem qualquer resposta até agora. As únicas informações do governo brasileiro até o momento são iniciativa do cônsul adjunto do Brasil, em Houston, Felipe Santarosa. Ele informou à Agência Brasil que o trabalho dos diplomatas brasileiros neste momento é o de pesquisar onde estão essas instituições e fazer contato com os abrigos - um trabalho difícil por falta de informações precisas, informou. O cônsul Santarosa disse que a preocupação inicial é colocar as famílias em contato. O trabalho será localizar as crianças, visitá-las e verificar as condições em que estão. Depois, o intuito é estabelecer contato com as famílias.

 

Apenas na noite de ontem, depois que o assunto virou um escândalo de proporções mundiais, o Itamaraty soltou uma nota burocrática sobre a grave crise de direitos humanos. Na abertura da nota, um protesto frágil e a manifestação de "preocupação" em relação à crise, sem qualquer defesa das famílias e das crianças: "O governo brasileiro acompanha com muita preocupação o aumento de casos de menores brasileiros separados de seus pais ou responsáveis que se encontram sob custódia em abrigos nos Estados Unidos, o que configura uma prática cruel e em clara dissonância com instrumentos internacionais de proteção aos direitos da criança."

 

O Itamaraty disse ainda na nota que espera a “efetiva revogação da prática de separação” de crianças e pais -a revogação da política de separação das famílias foi anunciada por Trump ontem, depois de uma onda de repúdio mundial, que não contou com o concurso do governo Temer.

 

Além de não protestar e sair em defesa das famílias e especialmente das crianças brasileiras, o Ministério de Aloysio Nunes recomendou aos membros dos consulados a "realização de campanhas de esclarecimento, em coordenação com os conselhos de cidadãos brasileiros nos Estados Unidos, sobre os riscos da travessia pela fronteira, em especial com menores de idade".

 

A nota ainda afirma incrivelmente que "o governo brasileiro mantém consultas regulares sobre temas consulares com o governo norte-americano", como se a questão das crianças brasileiras fosse um "tema consular" - leia aqui.

 

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16
Jun18

"O Estado Democrático de Direito está em risco. Exceção em cima de exceção"

Talis Andrade

 

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O jurista Lenio Streck publicou, em sua página no Facebook, um pequeno texto que demonstra que a defesa de José Carlos Bumlai na Lava Jato não foi respeitada pelo juiz federal Sergio Moro.

 

Segundo Streck, o acompanhamento processual da ação envolvendo Bumlai mostra que a sentença pela condenação proferida por Moro, com 160 páginas, saiu dois minutos após a defesa juntar as alegações finais.

 

Para o jurista, o “Estado Democrático de Direito está em risco. Exceção em cima de exceção. Tudo em nome de argumentos finalisticos. A moral predou o direito. E com apoio de grande parte da comunidade jurídica. Os juristas estão canibalizando o direito! Isso não vai terminar bem!”.

 

Ao tomar conhecimento do texto, Sergio Moro, juiz da Lava Jato, que costuma dizer que só se pronuncia através dos autos (e em palestras), entrou no Facebook de Lênio para rebater as acusações.

 

Transcrevi o comentário acima do Pragmatismo Político. A invasão de Moro, para rebater uma crítica, escancara a face de inquisidor, que não respeita nenhum espaço democrático. Coisa de acostumado a ordenar prisões sob vara, do "prende e arrebenta", de quem usa lei alheia: "O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil". Moro esquece de dizer que a frase é de Juraci Magalhães, chanceler da ditadura militar imposta pelo marechal Castelo Branco em 1964. Moro também comunga da mesma ideologia do chanceler do golpe de 2016, Aloyzio Nunes, ministro de Temer e vice da chapa de Aécio Neves, candidato a presidente derrotado. 

 

Escrreveu Lenio Streck:  

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Sentença proferida por Sérgio Moro no caso Bumlay: Alegações finais da defesa entraram dia 14. Conclusão ao juiz as 7h52min do dia 15. Sentença de 160 páginas dois minutos depois, as 7h54min. Bingo! Será necessário dizer algo? Há anos aviso que o solipsismo judicial acabaria com o direito. E a dogmática jurídica tradicional foi conivente. Quem esteve no Ibcrim do ano passado e assistiu minha palestra sabe do que estou falando! O Estado Democrático de Direito está em risco. Exceção em cima de exceção. Tudo em nome de argumentos finalisticos. A moral predou o direito. E com apoio de grande parte da comunidade jurídica. Os juristas estão canabalizando o direito! Isso não vai terminar bem!


Leio na imprensa que o prolator da decisão viajou no dia 15, dia do protocolo da decisão, para os Estados Unidos. Ok. Protocolou de manhã. Claro: foi a assessoria. Mas se parte das alegações só chegaram um dia antes e os autos foram conclusos no dia 15 de manhã… Entendem o quero dizer? Uma procuradora disse: qual é o problema? As alegações do dia 14 eram do Zelaia e ele foi absolvido. Ok. E o que isso muda? Altera algo do simulacro em que se transformou o processo eletrônico? Se é verdade que os horários e datas não têm relevância, de que modo podemos confiar que o juiz leu ou não a argumentação? Ou podemos, como em Henry VI, matar os advogados? Kill the lawyers!!!!!!

 

Há 20 anos eu dizia: o livre convencimento é uma carta branca para o arbítrio. Alguns amigos do processo penal diziam: mas, Lenio, o livre convencimento é motivado. Eu respondia: isso não pode ser assim. Não se pode dar livre convencimento, porque vivenciada a depender o juiz ou tribunal e não da lei ou de uma estrutura com um mínimo de objetividade. Tudo se transforma em subjetivismo. Não me ouviram. Hoje os mesmos amigos sentem na carne o problema. Motivado? Ora, sequer motivação é igual a fundamentação. No debate no ibcrim, Moro tentou explicar o LC dizendo que isso substituía a prova tarifada. Ok. Sabemos disso. Mas, antes disso, há um problema de filosofia: o paradigma da filosofia da consciência. Sinceramente? Se voltarmos à prova tarifada pode ser um avanço. Um giro para trás para impedir o arbítrio. Saludos!!!!

04
Jun18

Lava Jato e a santa proteção para Youssef, Chater, Srour, Kodama, Nasr, Kobrossy, Traboulsi banqueiros dos tráficos de drogas e diamantes

Talis Andrade

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Alberto Youssef, o Rei dos Doleiros, ganhou duas delações premiadas de um único juiz 

 

Existe algum doleiro preso no Brasil?

 

Digo condenado e preso, que não vale o sujeito ser mantido enjaulado, para ficar cantando o repertório ensaiado com algum promotor, para o deleite de algum juiz, e enriquecimento de algum advogado.

 

Quem pagou e assinou a delação premiada é solto na hora. 

 

Relembre como começou a Lava Jato. Veja se alguém pode garantir se existe algum cambista cumprindo alguma sentença...

 

Em 7 de desembro de 2014, no AndradeTalis:   

 

Operação Lava Jato. Dez bilhões de reais desviados. O dinheiro provinha principalmente do tráfico de drogas, do contrabando de diamantes

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Interessante! ninguém fala os nomes dos bilionários traficantes de drogas e diamantes. Que a Operação Lava Jato envolve outros doleiros, além de Alberto Youssef, e todos atuando no tráfico de moedas, apesar de velhos conhecidos da Polícia Federal e do juiz Sergio Moro. Porque foram presos na Operação Banestado.

 

O esquema da Operação Lava Jato é o mesmo da Operação Banestado, assim como o Mensalão do PT foi a continuação do Mensalão Mineiro do PSDB.

 

Parece que prevaleceu o interesse de apenas vazar informações eleitoreiras, para beneficiar a campanha presidencial de Aécio Neves-Aloysio Nunes, criar uma opinião favorável ao impeachmente de Dilma Rousseff e aceitação popular do golpe que empossou Michel Temer na presidência do Brasil. 

 

Um duro golpe no establishment empresarial, político (e possivelmente bancário) do Brasil

 

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 Carlos Chater foi preso no posto da Torre, em Brasília...

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... onde funcionava sua rendosa casa de câmbio que deu nome a Lava Jato 

 

por Pedro Cifuentes/ El País/ Madri

Na sede regional da Polícia Federal em Curitiba, onde trabalham os agentes que deram início à Operação Lava Jato, o ambiente é de prudente satisfação. “Jamais imaginamos um caso tão grande… Nem em sonho”, admite Marcio Adriano Anselmo, o delegado que iniciou a maior investigação por corrupção na história brasileira. Anselmo tampouco imaginaria que uma modesta investigação contra três especialistas em lavagem de dinheiro, em Brasília e São Paulo, acabaria por conduzi-lo a Londrina (sua cidade natal, a 400 quilômetros de Curitiba), feudo do contrabandista Alberto Youssef, um velho conhecido da PF, cujas confissões acabariam detonando um escândalo de ressonância mundial.

 

Há 16 meses, em julho de 2013, Anselmo havia voltado seu foco para cl, um doleiro que havia anos operava em Brasília. Chater havia sido recentemente vinculado a um polêmico ex-deputado de Londrina, José Janene (PP-PR), morto em 2010. Mantinha uma rede de lavagem de dinheiro criada por seu pai (preso, como ele, há dois meses), e a PF sabia que fazia contatos em São Paulo com outro doleiro, Raúl Henrique Srour, que havia sido condenado em 2005 na chamada Operação Banestado, mas já terminara de cumprir pena. A partir de agosto, quando a Justiça autorizou escutas telefônicas, descobriu-se também que Chater trocava continuamente mensagens telefônicas sobre suas atividades com um desconhecido. “Era uma operação de pequena para média”, diz Anselmo. “Não tínhamos nem ideia do que iríamos encontrar.”

 

A equipe de Anselmo era formada por mais dois agentes. A investigação prosseguiu de forma discreta durante várias semanas. Depois de analisar milhares de operações bancárias, os três policiais vislumbraram um esquema com empresas fantasmas e transferências injustificadas. Avançaram lentamente, até que no começo de outubro o caso teve seu primeiro ponto de inflexão: a pessoa que tantas mensagens trocava com Charter via smartphone era Alberto Youssef, o mesmo especialista em lavagem de dinheiro que, num acordo de colaboração em 2004, havia se livrado de uma pena muito mais longa na Operação Banestado – por coincidência, o primeiro caso financeiro importante julgado pelo jovem juiz Sergio Moro, da 13ª. Vara Criminal Federal de Curitiba.

 

“Não podíamos acreditar que fosse Youssef”, conta Anselmo. “Foi um momento inesquecível.” Além de levar o caso para Curitiba, a descoberta significava que o doleiro e contrabandista havia violado seu acordo de delação premiada; estava novamente na ativa. Continuaria em operação o esquema supostamente desbaratado anos antes? A palavra Petrobras, até então, não aparecia nem remotamente no caso. Mas o reaparecimento de Youssef aproximava os policiais de outro foco importante da investigação: a escorregadia figura de Nelma Kodama, “a Dama do Mercado”, influente doleira paulista que, além do mais, era amante de Youssef. Kodama havia se safado do caso Banestado porque “foi a única pessoa a quem Youssef não delatou”, segundo os policiais, “seja por amor ou para que continuasse o negócio”. “Ela sempre havia movimentado grandes quantias de dinheiro, somas muito elevadas vinculadas a grandes comerciantes do setor de importação e exportação. Mas até aquele momento havia conseguido se livrar. […] Era uma pessoa muito complicada, considerava-se inalcançável, mostrava muita confiança em si mesma.”

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Nelma Kodama, a "Dama do Mercado", doleira amante de Youssef 

 

“Continuávamos sendo uma equipe muito pequena, mas mesmo assim continuamos puxando o fio”, recorda outro agente. Mas faltavam as provas… “Era possível que se tornasse um caso maior do que o esperado, mas nem isso.” A palavra ‘Petrobras’ só apareceu pela primeira vez nos autos da Operação Lava-Jato em janeiro deste ano. Foi, como tantas vezes, por um descuido: especificamente um presente. Os agentes comprovaram que Youssef acabava de comprar um carro de luxo (300.000 reais) em nome de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da empresa petroleira de capital misto. “Achamos isso muito estranho”, afirma um agente. “O salário de um diretor da Petrobras pode superar os 100.000 reais (40.000 dólares) mensais.” Com um meio-sorriso, Anselmo relembra que “foi aí que a temperatura começou a subir de verdade”. Os policiais se lembraram de que o falecido ex-deputado Janene, sócio de Chater, havia sido o responsável por colocar Paulo Roberto Costa à frente da Diretoria de Abastecimento da empresa, em 2004. E ampliaram o campo de atuação: “Começamos a investigar outras pessoas e, pela primeira vez, compreendemos que podia se tratar de um caso histórico”.

 

O carro dado por Youssef a Costa era justificado como sendo o pagamento por supostos “serviços de consultoria”. Havia milhares de notas fiscais por “serviços de consultoria”. Poucas semanas depois, veio à tona uma gigantesca máquina de lavagem de dinheiro. Os suspeitos transferiam somas elevadas ao estrangeiro, usando uma rede com mais de cem empresas de fachada e centenas de contas bancárias que remetiam milhões de dólares para a China e Hong Kong. As companhias, pura cosmética financeira, simulavam importações e exportações com o único propósito de receber e mandar dinheiro, sem comércio algum de produtos ou serviços reais.

 

As autoridades judiciais calculam que a quantia desviada chega a 10 bilhões de reais. O dinheiro provinha principalmente do tráfico de drogas, do contrabando de diamantes e do desvio de recursos públicos (nesse caso, como seria posteriormente revelado, em obras encomendadas pela Petrobras a grandes empreiteiras, com orçamentos de bilhões de reais, dos quais eram sistematicamente desviados pelo menos 3% em subornos). Posteriormente, e independentemente da origem do dinheiro lavado, os valores eram reintroduzidos no sistema mediante negócios de postos de gasolina, lavanderias e hotéis.

 

[Atentem: "O dinheiro provinha principalmente do tráfico de drogas, do contrabando de diamantes..." Pois é, até hoje, a Lava Jato não apresentou nenhum nome de traficante de drogas, nenhum nome de traficante de diamantes, investigado ou preso ou foragido]

 

O chamado Petrolão veio a público em 17 de março, quando a Polícia Federal deteve 24 pessoas (entre eles os doleiros mencionados nesta reportagem) por evasão de divisas em seis Estados. A imprensa brasileira ainda não citava o nome da Petrobras no noticiário. Ele só apareceria três dias depois, quando Paulo Roberto Costa foi detido, após a comprovação de que estava destruindo documentos relativos à sua longa relação com Youssef. Ambos chegaram a um acordo de colaboração com a Justiça e se tornaram delatores em troca de uma redução da pena. “Aí é que o caso explodiu”, admite Anselmo. Os três policiais passaram a ser quinze (cinco delegados e dez agentes). A investigação ganhou proporções gigantescas, com suspeitas crescentes sobre a implicação de altos executivos de empresas e políticos que eram citados nos depoimentos dos arrependidos.

 

Youssef, Costa e um diretor da empresa de engenharia Toyo-Setal, Julio Camargo, revelaram a existência de um clube de 13 empreiteiras que dividiam entre si os contratos com a Petrobras. As revelações indicavam que parte do dinheiro pago em subornos durante 10 ou 15 anos se destinava aos cofres de vários partidos políticos. Um duro golpe no establishment empresarial, político (e possivelmente bancário) do Brasil: as construtoras investigadas são responsáveis por oito das dez maiores obras do país. 

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Kátia Chater, foto de Roberto Castro

 

P.S. deste correspondente: A quadrilha de Carlos Habid Chater (na chamada Operação Perfídia, que mudou o nome para Lava Jato), tem duas mulheres no comando: Cláudia e Kátia Chater: A organização criminosa que atuava em cinco países com lavagem de dinheiro, falsificação de documentos públicos e evasão de divisas, coordenada por uma advogada de Brasília, Cláudia, e chefiada por Kátia, que assumiu o lugar do irmão, enquanto esteve temporiaramente preso. Veja que as quadrilhas de Chater e Youssef são familiares.

 

Leia reportagem de Lilian Tahan

Pouco conhecido do público, o doleiro Carlos Habib Chater é personagem chave para entender as origens da Operação Lava-Jato e a força do câmbio negro em Brasília

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Sujo e mal lavado

 

por Lilian Tahan

 

Fim de tarde do dia 21 de novembro de 2013. Um caminhão que passa pelo quilômetro 265 da Rodovia Washington Luís, na altura do município de Araraquara (SP), é abordado por policiais militares. Questionado sobre o carregamento, o motorista Ocari Moreira diz que transporta palmitos. Os PMs decidem conferir a história. Nervoso, Moreira muda sua versão e confessa levar uma carga com 698 quilos de cocaína, que saíra de Cuiabá e tinha São Paulo como destino. Acuado, ele ainda revela que um veículo batedor o acompanhava. Fingindo ser o condutor do caminhão, um dos policiais entra em contato com a escolta e consegue prender outros dois envolvidos, um deles o boliviano Ricardo Rodriguez.

 

Essa bem-sucedida apreensão de drogas se mostrou apenas a camada mais rasa de um mar de ilegalidades. Ela se tornou o ponto de partida para uma série de ações que desaguaram na identificação de um esquema internacional de narcotráfico. Mas não é só isso. A partir daquele flagrante, descobriu-se o personagem-chave que expôs uma máfia instalada no seio da comunidade libanesa de Brasília, chegou ao doleiro Alberto Youssef — o principal delator do maior episódio de corrupção do país — e inspirou o nome da Operação Lava-Jato. Preso no Paraná por sua ligação com o tráfico de drogas e prestes a ter a condenação ampliada por liderar crimes contra o sistema financeiro, o doleiro libanês Carlos Habib Chater, de 45 anos, ainda não teve seu papel devidamente explicado no escândalo que abala a nação desde março do ano passado. Para entender melhor esse protagonismo é necessário voltar no tempo e retomar os acontecimentos daquele 21 de novembro de 2013.

 

Depois da apreensão de quase 700 quilos de cocaína, as investigações policiais alcançaram o traficante Rene Luiz Pereira. Até ser preso, no Paraná, Rene morava em um condomínio em Águas Claras, no Distrito Federal. Ele era o dono da carga ilícita. A associação só foi possível porque Rene lamentou por telefone com um comparsa a interceptação da droga. Nessa trama, surge pela primeira vez o nome de Habib Chater. homem que somava três décadas de operação no câmbio negro em endereços centrais do DF era o responsável por levantar parte do dinheiro que havia viabilizado o carregamento de entorpecentes.

 

Batizada de Bidone, referência ao filme Il Bidone, de Federico Fellini — cuja tradução no Brasil é A Trapaça —, a operação do Ministério Público, em parceria com a Polícia Federal, desarticulou uma organização criminosa dedicada à distribuição de cocaína produzida na Bolívia e no Peru. Concentrados em elucidar a atividade dos traficantes, os investigadores chegaram aos detalhes da participação de Habib Chater. Especializado em fazer dólar-cabo, negociação de câmbio que envolve transferências financeiras internacionais sem registro no Banco Central, o proprietário do Posto da Torre, no Setor Hoteleiro Sul, acionou sua rede de parceiros em favor de Rene. O traficante precisava enviar 124 000 dólares ao exterior para comprar a cocaína. É a partir desse networking que Habib Chater, um doleiro do varejo de Brasília, vira isca para a captura de um tubarão do mercado clandestino de moedas no país. Em conversas e mensagens telefônicas interceptadas com autorização judicial, agentes da Justiça descobriram que entre os contatos fortes de Habib Chater — quase todos tratados por codinomes burlescos, como “Omeprazol”, “Matusalém”, “Black”, “Michelin”, “Salomão” e “Chavo” — havia um “Primo”.

 

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 Doleiros de Brasília

 

Primo, na verdade, era o apelido do doleiro Alberto Youssef, o elemento que contribuiu para aumentar as implicações políticas do petrolão. Foi no escritório dele, em São Paulo, que se deu parte da operação financeira com os traficantes. A pedido de Rene, Habib Chater — o “Zezé” nas conversas telefônicas — tratou com Salomão (Sleiman Nassin El Kobrossy, outro operador dentro da comunidade libanesa de Brasília) que uma parcela do dinheiro (36 000 dólares) seria entregue no 2º andar do imóvel de número 778 na Rua Dr. Renato Paes de Barros. Nas desprevenidas conversas entre os doleiros, esse nobre endereço na capital paulista, situado no bairro do Itaim Bibi, foi apontado como sede de uma empresa de Youssef. A partir do episódio, ele passou a ser monitorado e se tornou alvo da Operação Lava-Jato, uma referência ao Posto da Torre, de Habib Chater. Embora o local não abrigue um lava-jato de carros, é sede de uma das sete lavanderias (de roupas) vinculadas a laranjas do doleiro.

 

Um divisor de águas, contudo, jogou Habib Chater do centro para a margem das investigações. Leia mais

 

 

 

 

01
Jun18

O submundo de Paulo Preto: ameaças a testemunhas e fuga da filha para exterior

Talis Andrade

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por Mauro Lopes

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Paulo Preto voltou à prisão nesta quarta-feira (30), por algumas horas. Ficamos sabendo que a razão seria a de “descumprimento de decisão judicial”. A expressão, corrente em todas as mídias, escondeu da opinião pública o tenebroso submundo do operador do PSDB, que faz o “lado b” dos tucanos causar calafrios.

 

Segundo a decisão judicial, a volta do tucano à gaiola foi necessária para "assegurar a instrução criminal". Palavras neutras, que nada revelam. Você não deve saber, mas o motivo da volta de Paulo Preto voltou à cadeia deve-se ao fato de recorrentemente ameaças testemunhas que deporiam contra ele.

 

O operador do PSDB tem R$ 121 milhões de bons motivos na Suíça para ameaçar as testemunhas do processo contra ele.

 

Em audiência no dia 18 de maio, segundo o Ministério Público Federal, uma testemunha cujo nome está sob segredo para sua segurança pessoal estava chorando quando "fez contato telefônico" com o MP "com medo de vir à audiência, pois temia que algo lhe acontecesse e temia encontrar os réus". Não bastou ameaçar uma das testemunhas. Paulo Preto ameaçou a mãe de uma investigada no processo. Mulheres, todas as ameaçadas pelo “macho” Paulo Preto.

 

É este o padrão de comportamento do ex-homem de ouro de Serra, Alckmin e Aloysio Nunes no processo a que responde por desvios de R$ 7,7 milhões em reassentamentos para obras do Rodoanel Trecho Sul, entre os anos de 2009 e 2011 (nos governos José Serra e Geraldo Alckmin). O valor seria pagamento de propina para o PSDB.

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Se Paulo Preto ameaça testemunhas por “irrisórios” R$ 7,7 milhões, o que não faria por R$ 121 milhões.

 

Bem, então você pode pensar, “nossa, mas é uma surpresa essa coisa de coação de testemunhas, é muito grave, ainda bem que a Justiça agiu rapidamente”.

 

Pois é.

 

Mas o assunto já era conhecido nos tribunais. Não é a primeira vez que Paulo Preto ameaça testemunhas com o conhecimento do Poder Judiciário. Foi exatamente por este motivo que ele foi levado à cadeia em 5 de abril.

 

Mas quem foi em seu socorro? Ele mesmo, Gilmar Mendes, indicado ao STF por Fernando Henrique Cardoso e um dos principais quadros do PSDB no país, amigo-irmão de José Serra. No dia 11 de maio, Gilmar mandou soltar Paulo Preto porque, viu falta de "comprovação" das ameaças a testemunhas. Menos de uma semana depois de solto, o operador tucano voltou às ameaças.

 

E ainda teve a cara de pau (ou o bico de tucano) de conceder uma entrevista que foi um show de cinismo e fanfarronices, tripudiando sobre a Justiça, graças à proteção oferecida por Gilmar e todo o esquema do PSDB. Na entrevista, garantiu que ficaria de bico calado, para alívio da nação emplumada.

 

Basta de Paulo Preto?

 

Não. Tem mais.

 

Paulo Preto foi recolhido ao xilindró nesta quarta na companhia da filha, Tatiana Arana Souza Cremonini. Durante sua primeira estada na cadeia, de pouco mais de um mês, o terror dos tucanos quanto à delação de seu operar devia-se à preocupação de Paulo Preto exatamente com a filha e seu receio de ela ser arrastada ao processo. Ele estava a ponto de delatar para manter Tatiana longe de toda a história sórdida quando foi salvo pelo gongo Gilmar. Agora, ela está no olho do furacão.

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FREGUÊS - Paulo Preto, com a filha Tatiana: salvo por Gilmar Mendes outra vez (Jefferson Coppola/ VEJA)

 

Filha de tucano tucaninha é. São dois os motivos para a prisão de Tatiana Cremonini, a filha: ela vinha agenciando advogados para testemunhas de acusação, para transformar o processo contra o pai numa farsa; e preparava-se para embarcar em viagem às Ilhas Maldivas, paraíso fiscal localizado no Oceano Índico. Detalhe: o paraíso fiscal não tem acordo de extradição com o Brasil. Pelo visto, a tucana preparava-se para levantar asas e não mais voltar –para um paraíso fiscal, onde costumam-se guardar (esconder) milhões e milhões de dólares de operações ilegais. Viagem curiosa essa.

 

Bem, se você leu que Paulo Preto foi preso por uma inocente expressão, “descumprimento de decisão judicial”, ficou sem saber de nada.

 

Mas a história não acabou... Quem tem Gilmar Mendes tem tudo. O tucano-mor é a garantia de que os emplumados jamais conhecerão o inferno na terra. Enquanto finalizo este soube que há uma hora atrás Mendes mandou soltar Paulo Preto de novo. Ele poderá continuar a ameaçar testemunhas sem qualquer constrangimento. Mendes preza a família e não esqueceu da filha; ela também foi solta. Tem mais: Gilmar suspendeu um interrogatório de Preto que estava marcado para a próxima segunda-feira.

 

O submundo tucano é feito de jogo pesado. Muito pesado.

 

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12
Mai18

Paulo Preto recebeu a maior propina da Lava Jato foi solto por Gilmar. Os segredos do cofre que a PF esqueceu e os bandidos levaram

Talis Andrade

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 Paulo Preto, por Renato Aroeira 

 

Paulo Vieira de Souza, conhecido no mundo do crime como Paulo Preto, por lavar mais branco o dinheiro dos tucanos mil vezes milionários, foi preso no dia 6 de abril pela Polícia Federal. A prisão preventiva foi determinada pela Justiça Federal, que também autorizou a busca e apreensão em sua residência. 

 

Aconteceu que os policiais esqueceram o cofre de Paulo Petro, operador das campanhas eleitorais do PSDB, e intocável traficante de moedas para os paraísos fiscais. 

 

Paulo Preto é suspeito de receber R$ 173 milhões de propina em obras da Prefeitura de São Paulo.

 

Um boletim de ocorrência diz que ladrões levaram um cofre da casa de Paulo Preto, enquanto o ex-diretor da Dersa estava preso na Operação Lava Jato. Segundo Sergio dos Santos Júnior, caseiro da propriedade, homens armados assaltaram a casa duas vezes, nos dias 28 e 29 de abril. 


No BO, feito pelo caseiro no dia 30 de abril, consta que foram levados, além do cofre, a quantia aproximada de R$ 7.300, joias, quatro relógios, um jogo de faqueiro de prata com 130 peças, três televisores, um par de tênis, três óculos escuros, uma bolsa de viagem e dois perfumes femininos.


O caseiro, Sérgio dos Santos Júnior, disse ter sido rendido por dois invasores, que “usavam touca de motoqueiro e tinham armas de fogo”.


Gilmar Mendes revogou a prisão de Paulo Preto nesta sexta (11).

 

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Entre 2009 e 2011, segundo o Ministério Publico Federal (MPF), Paulo Preto comandou o desvio de 7,7 milhões de reais destinados ao reassentamento de indivíduos desalojados pela Dersa durante a construção do trecho sul do Rodoanel, do prolongamento da avenida Jacu Pêssego e da Nova Marginal Tietê, na Grande São Paulo.

 

A Promotoria da Suíça informou aos investigadores brasileiros que o ex-diretor da Dersa tinha quatro contas naquele país. Elas foram abertas em 2007, por meio de uma offshore no Panamá. Em fevereiro de 2017, o dinheiro foi transferido para um banco nas Bahamas.

 

Passaram meses e mais meses. Demorou quase uma década depois da denúncia da Promotoria da Suiça.

 

Em 22 de março, a Lava Jato em São Paulo denunciou Paulo Preto e outros três suspeitos por formação de quadrilha, inserção de dados falsos em sistema público e peculato. 

 

Ameação ao PSDB: "Não se larga um líder ferido"

 

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Paulo Preto dirigiu a Dersa, que administra as rodovias de São Paulo, entre 2005 e 2010 - nas gestões de Serra e Alckmin. Delatores da Odebrecht afirmaram que ele pedia propina e caixa dois em nome do PSDB em troca de obras viárias. Ele foi acusado da mesma prática por delatores da OAS e Andrade Gutierrez, e pelo lobista Adir Assad. 

 

Em 2010, Souza foi acusado por correligionários de embolsar cerca de 4 milhões de reais doados por empreiteiras para a campanha de Serra à Presidência da República. O hoje senador tucano tentou à época se distanciar do ex-diretor da Dersa, dizendo não saber “quem é Paulo Preto” e que “nunca” tinha ouvido “falar dele”. 

 

Acuado, Preto respondeu com uma ameaça velada. Ele disse que Serra o “conhecia muito bem” e que “não se larga um líder ferido na estrada a troco de nada, não cometam esse erro”. O senador, então, saiu em defesa do ex-diretor da Dersa. “Evidentemente, sabia do trabalho do Paulo Souza, que é uma pessoa muito competente. A acusação contra ele é injusta, ele é totalmente inocente”, disse o tucano.

 

Os senadores Aloysio Nunes (PSDB-SP) e José Serra, assim como Preto, são investigados no STF por suspeita de obter vantagens indevidas a partir de esquemas de cartel para construção do trecho sul do Rodoanel.

 

MP da Suíça aponta depósitos numerosos 

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Pouco mais de um mês após ser nomeado diretor de engenharia da Dersa, em 24 de maio de 2007, Paulo Vieira de Souza, considerado operador do PSDB, abriu quatro contas no banco Bordier & Cie, em Genebra, segundo documento sigiloso que as autoridades suíças enviaram ao Brasil.

 

Entre 2007 e 2009, durante o governo de José Serra (PSDB), as contas receberam “numerosas entradas de fundos”. No começo de 2017, quando Paulo Preto decidiu transferir os recursos da Suíça para as Bahamas, as quatro contas tinham um saldo de US$ 34,4 milhões. O valor equivale a R$ 121 milhões.

 

Ainda de acordo com o comunicado do Ministério Público da Confederação Suíça, do qual o jornalista Mário Cesar Carvalho teve acesso, as quatro contas de julho de 2007 não foram as primeiras abertas pelo operador na Suíça. “Em 1993, ele e sua mulher à época começaram a operar com o banco Bordier & Cie, cada um com uma conta. Os procuradores suíços não detalham no documento o saldo dessas contas”.

 

Na última semana, a Folha também revelou que o ex-diretor da Dersa é acusado de ter recolhido um suborno de R$ 173 milhões em obras da Prefeitura de São Paulo. As obras foram contratadas entre 2008 e 2011, na administração do então prefeito, Gilberto Kassab (PSD), ministro de Ciência e Tecnologia do presidente Michel Temer.

 

As cifras, a maior já revelada. Até hoje, uma das maiores propinas da Lava Jato foi relatada pela Andrade Gutierrez na construção da usina de Belo Monte, de R$ 150 milhões.  Os valores repassados a Paulo Preto foram levantados a partir de depoimentos de delatores da Odebrecht, como Carlos Armando Paschoal e Roberto Cumplido, ex-diretores da empreiteira.

Escrevinhador: quem é Paulo Preto, ferido na estrada

José Serra e Paulo Preto: líder do que? líder de quem?
 

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de Rodrigo Vianna:

Paulo Preto, o “líder ferido na estrada”


por Rodrigo Vianna (texto datado de 12.10.2011)


“Não se abandona um líder ferido na estrada”. A frase, pungente, marcou a campanha de 2010 – tanto quanto a bolinha de papel que atingiu a cabeça de Serra, e que o “JN” da Globo tentou transformar num atentado.


O líder – ferido e abandonado – era Paulo Preto. E o destinatário do recado  (sempre é bom lembrar) era José Serra. Paulo Preto estava magoado quando proferiu a frase. A revista “Istoé” havia publicado – em agosto de 2010 – reportagem bastante longa, mostrando o perfil de Paulo. “Veja” e “Época” haviam dado reportagens discretas sobre o sujeito, chamado de “homem-bomba tucano”.


Nada disso repercutiu. A velha mídia fingiu que Paulo Preto era um caso menor. E não era. No primeiro debate do segundo turno, Dilma trouxe Paulo Preto à tona. Colou Paulo Preto na testa de Serra. O tucano fingiu-se de morto. Disse que nem conhecia Paulo Preto. Magoado, Paulo proferiu então a frase – certeira feito uma flecha: “não se abandona um líder ferido na estrada”.


Até hoje, não conseguimos saber. Paulo Preto era líder do que? Pelo que se sabe, é um ex-funcionário da estatal paulista Dersa – que construiu obras milionárias, como o Rodoanel. Teria trabalhado também no Palácio do Planalto, na época de FHC. Imaginem se fosse um petista e tivesse trabalhado perto de Lula! Mas Paulo Preto não era propriamente um “líder político”.  Que tipo de negócios Paulo Preto liderava para se intitular assim: “um líder ferido na estrada”?


Agora, fica mais claro. Parece que, entre outras atividades, ele se dedica a liderar advogados. Paulo Preto aderiu à onda de processos contra jornalistas – que inunda a Justiça. Paulo Henrique Amorim acaba de revelar que Paulo Preto resolveu processar o titular do Conversa Afiada. Agora, são 40 processos contra PH Amorim. Ali Kamel da Globo – um dos que processam PH Amorim – resolveu abrir processos também contra esse escrevinhador, contra Azenha, Marco Aurélio (blog “Doladodelá”), Nassif – entre outros. Perto de Ali Kamel, Paulo Preto ainda é um amador…


Mas voltemos ao tucano. Um homem ferido e abandonado não teria tempo para se dedicar a processos. Pelo visto, Paulo Preto já foi recolhido pelos companheiros. Talvez ainda esteja ferido. Mas já não parece abandonado à beira da estrada.


Curioso é saber: o que esse homem tem a ver com as investigações da “Operação Castelo de Areia” – suspensa por ordem (!?) da Justiça. Em reportagem do R-7, ano passado, já se dizia que Paulo Preto fora citado na Castelo de Areia.


Um passarinho me contou que fatos novos sobre a “Castelo de Areia” podem aparecer em breve. Só que dessa vez Paulo Preto não estará sozinho à beira da estrada.


A conferir. 

 

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02
Nov17

O chanceler do Brasil, o santo das causas ganhas

Talis Andrade

O rei Midas tudo que tocava virava ouro. Aloysio Nunes supera o mito. Todo ouro que toca vira ouro santo no Brasil de tendas de milagres espalhadas por todas as cidades. De um Brasil que todo povo reza:

 

“Meu Santo Expedito das causas justas e urgentes, socorrei-me nesta hora de aflição e desespero, intercedei por mim junto ao Nosso Senhor Jesus Cristo. Vós que sois um Santo Guerreiro. Vós que sois o Santo dos Desesperados, vós que sois o Santo das Causas Urgentes."

 

Aloysio Nunes Ferreira começou a militância política, quando entrou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco da Universidade de São Paulo. Logo depois do golpe militar de 1964, filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), e foi presidente do tradicional Centro Acadêmico XI de Agosto, que lhe falicitou ser infiltrado na Ação Libertadora Nacional (ALN), organização guerrilheira liderada por Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira, o Toledo.

 

Assumiu na clandestinidade o pseudônimo Mateus. Durante muito tempo foi motorista e guarda-costas de Marighella. As ações da ALN incluíram assaltos para angariar fundos que sustentariam a resistência armada.

 

Em agosto de 1968, participou do assalto ao trem pagador da antiga Estrada de Ferro Santos-Jundiaí. Foi o motorista do carro no qual os assaltantes fugiram do local com os malotes que continham 108 milhões de cruzeiros novos (21 600 dólares estadunidenses), dinheiro suficiente para o pagamento de todos os funcionários da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Em outubro do mesmo ano, participou do assalto ao carro-pagador da Massey-Ferguson interceptando o veículo na praça Benedito Calixto, no bairro paulistano de Pinheiros. O lucro desse assalto nunca foi revelado. E num passe de mágica, Aloysio passou a viver na Europa, na Paris dos exilados com esposa e filhos.

 

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Cartaz de procurado pelo Exército na ditadura militar, e Aloysio em Paris  

 

 

Todos os companheiros de guerrilha foram presos e torturados e mortos. Aloysio 'matou' mais que o Cabo Anselmo. O preço conhecido: duas fazendas que tomou de algum defunto. Fazendas que escondem cocaína em tonéis de leite. Fazendas avaliadas em dois reais para o pagamento do devido e honesto imposto.

 

No Senado Federal, Aloysio é o santo sucessor do parceiro de crimes ex-senador Tuma, que fazia dupla com o herói da luta contra os comunistas o 'patriota' delegado Fleury, morto na cilada de uma orgia dentro de um iate.

 

Aloysio Nunes merece ser senador do São Paulo de governadores honestos como Maluf, líder civil da didatura, com Magalhães Pinto governador de Minas Gerais e ex-chanceler do Brasil dos militares.

 

De Aloysio, a gloria de ser chanceler de Temer três vezes secretário de Segurança, chefe das polícias civil e militar de São Paulo, inclusive durante os tempos de chumbo, e eterno rei do porto de Santos ancaradouro dos navios piratas, porteira do tráfico internacional.

 

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Nas últimas eleições presidendiciais, quase conquistou a vice-presidência do Brasil. Perdeu para Temer de quem é ministro do Exterior 

 

 

Mais um crime de Aloysio vai milagrosamente prescrever.

 

 

Em petição enviada ao Supremo Tribunal Federal, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, aponta que Aloysio Nunes Ferreira, chanceler do governo Temer, recebeu R$ 500 mil da Odebrecht em 2010, embora os recursos não tenham sido declarados à Justiça Eleitoral.

 

As informações foram publicadas pelos jornalistas Rubens Valente e Reynaldo Turollo, na edição desta quinta-feira 2, da Folha de S. Paulo.

 

"É fato incontroverso que houve o repasse de recursos para a campanha do senador Aloysio Nunes. Resta investigar a origem destes recursos e a finalidade do repasse", escreveu Dodge ao relator do caso no STF, Gilmar Mendes.

 

"O inquérito foi aberto em março a pedido do então procurador-geral Rodrigo Janot como desdobramento do acordo de delação. Dois delatores da empreiteira informaram à PGR sobre o pagamento a Aloysio. Um deles disse que repassou os dados sobre Aloysio ao 'departamento da propina´ da empresa e fez duas entregas, de R$ 250 mil cada uma, para o ´representante´ do candidato em hotéis da zona sul, não nominados, no segundo semestre de 2010. No sistema de acompanhamento dos pagamentos, Aloysio tinha o codinome ´Manaus´", apontam os jornalistas.

 

Há risco de que Aloysio Nunes se beneficie da prescrição, assim como o senador José Serra (PSDB-SP), outro senador de São Paulo também investigado e chanceler de Temer.

 

 

 

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