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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

28
Abr20

Não se viu em Moro firmeza ao tratar de casos embaraçosos para a família Bolsonaro

Talis Andrade

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II - SERGIO MORO FOI O MINISTRO DA JUSTIÇA QUE MAIS ABRIU INQUÉRITOS PARA PROTEGER UM PRESIDENTE NOS ÚLTIMOS 25 ANOS  (continuação)

 
Ou Moro entendeu mal a noção de lealdade que devia ao chefe, ou não é um democrata. Dilma Rousseff foi difamada em adesivos repugnantes colados sobre o tanque de gasolina de carros no auge de sua impopularidade. Temer foi chamado de vampiro durante toda a carreira política. Lula, acusado de ter amputado o próprio dedo de propósito para não mais precisar trabalhar e de beber demais. Fernando Henrique era xingado quase que diariamente de fascista em protestos de gente inflamada – e, hoje percebemos, também mal informada sobre o real significado do termo. Não consta que nenhuma dessas agressões tenha gerado inquéritos por “crime contra a honra”.

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Não se viu em Moro a mesma firmeza ao tratar de casos embaraçosos para a família presidencial. Ele deixou de fora da lista de criminosos mais procurados do país o miliciano Adriano da Nóbrega, amigo dos Bolsonaro, envolvido nas rachadinhas de Flavio, o filho 01, e possivelmente envolvido no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. Nóbrega foi executado em seguida pela polícia baiana, levando ao túmulo seus segredos sobre a família Bolsonaro. Moro nunca comentou o caso.

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Adriano Magalhães da Nóbrega

 

Moro também mandou que sua Polícia Federal investigasse o porteiro do condomínio em que vivem Jair e Carlos Bolsonaro por ter dito a autoridades cariocas que Élcio Queiroz, motorista do carro usado para matar Marielle e Anderson, foi a casa do presidente no dia do crime. A investigação determinada pelo então ministro teve como alvo exclusivo o porteiro, e não todo o caso, que permanece nebuloso até hoje. Moro agiu para preservar o chefe.

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Élcio Vieira de Queiroz

 

Hoje, em seu depoimento de despedida, Moro falou que Bolsonaro queria no comando da PF alguém a quem “pudesse ligar, colher informações, relatórios de inteligência”. “E realmente não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informações”, asseverou, com ares de Rui Barbosa.

Também não é papel dela perseguir críticos do presidente da República. Nem é papel de um juiz federal, como ele já foi, coordenar o trabalho dos  acusadores ou oferecer informalmente aos procuradores provas contra um réu. Moro fez e mandou fazer tudo isso.

É tentador celebrar Moro por seu desembarque do bolsonarismo, que enfraquece o mais ordinário e perigoso governo que o país já teve. Mas é um erro: ele ajudou a eleger e foi durante 16 meses o fiador de um presidente que flerta abertamente com um autogolpe.

A advogada Rosângela Wolff Moro, a quem o agora ex-ministro confiou o papel de porta-voz desde os tempos da magistratura, certa vez disse ver o marido e Bolsonaro como uma coisa só. A história dificilmente deixará de fazer o mesmo.

Gabriela Prioli on Twitter: "Eita atrás de eita!… "

17
Abr20

Na verdade, nem o bicho escapou…

Talis Andrade

 

As milícias e o tráfico organizado bancam o ilegal jogo do bicho no Brasil de Dentro e no Brasil de Fora. As polícias militares tiram vantagem, e a Polícia Federal nada faz. O general Braga, interventor de Temer, no Rio de Janeiro, não se meteu nos negócios dos bicheiros, que dominam o crime organizado, e bem organizado. Tanto que os capangas e guardas de segurança dos bicheiros são oficiais da PM. Vide a vida exemplar de Ronnie Lessa, Élcio Vieira de Queiroz, Ronald Paulo Alves Pereira, Adriano Magalhães da Nóbrega, que virou arquivo morto porque empregou a mãe e a esposa no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro, hoje senador da República, por ser o filho primogênito do necropresidente Jair Messias dos fanáticos religiosos. 

No Plural Paraná, Francisco Camargo revela: Na verdade, nem o bicho escapou...

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O jogo do bicho, que era diário e livre em todo o Brasil, tinha resultados transmitidos pelo telégrafo

E temos o bicho nas telas: Amei um Bicheiro, 1952, filme de Paulo Wanderley e Jorge Ileli, produção da Atlântida Cinematográfica, argumento de autoria do ator Jorge Dória. No elenco, Grande Otelo, José Lewgoy, Cyll Farney, Josette Bertal, Jece Valadão e Wilson Grey.

Em tempo: um amigo só jogou uma vez no bicho. Completo neófito no assunto, foi conferir o resultado com o bicheiro.

– Ganhei?

– Não. Deu burro na cabeça. Seco e molhado.

 
10
Abr20

Declaração de Mandetta de que vai dialogar com tráfico e milícia 'irrita' policiais federais

Talis Andrade

 

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A declaração do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, de que vai dialogar com o tráfico e com a milícia na luta contra o avanço da covid-19 no Brasil irritou as melindrosas policiais federais da Liga da Justiça comandada por Moro.

De acordo com a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, policiais afirmam que o ministro Mandetta cometeu um erro histórico ao reconhecer a existência de poderes paralelos.

"Em mensagens trocadas em um grupo de WhatsApp, policiais federais disseram que a atitude do ministro não tinha precedentes na história do Brasil", diz a coluna Painel. Que exagero. Que gaiato revelou conversa tão importante para a Grande Imprensa? 

Por que a verdade ofende os policiais? Como fazer quarentena nos morros e nas periferias das principais cidades brasileiras sem conversar com as milícias e os comandos do tráfico, citados pelo ministro da Justiça e da Segurança Pública no seu pacote anticrime? 

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O general Braga, interventor de Michel Temer no Rio de Janeiro, jamais atravessou com suas tropas os limites territoriais das milícias. Não será agora, como chefe da Casa Civil de Bolsonaro, que o general passará a ordem de confronto para Moro. Para combater a máfia libanesa chefiada por Alberto Youssef. Para combater a máfia judia comandada por Dario Messer. A partir de um comentário do portal 247. 

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20
Fev20

Flávio Bolsonaro visitou miliciano Adriano Nóbrega na prisão, diz vereador

Talis Andrade

Ítalo Ciba, Adriano Magalhães da Nóbrega e Flávio Bolsnaro

247 - Mais uma revelação aponta a estreita ligação entre o clã presidencial com milícias. O vereador do Rio Ítalo Ciba (Avante) afirmou que, quando ele mesmo, parlamentar, e o miliciano Adriano da Nóbrega Silva, ex-capitão do Bope, estiveram na prisão, receberam a visita do senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ). Sargento da Polícia Militar, Ciba integrava o Grupamento de Ações Táticas (GAT) do 16º BPM (Olaria), comandado por Adriano. Em 2003, os integrantes do GAT foram presos e começaram a responder um processo criminal por homicídio, tortura e extorsão. Nesse período, Flávio os visitou na prisão. 

"Sei que ele (Adriano) se dava muito bem com o Flávio, devido ao (Fabrício) Queiroz. Queiroz trabalhou com Adriano lá atrás. Eu sei que o Adriano, de vez em quando, o Queiroz chamava pra ir lá no gabinete. Ele (Adriano) ia no gabinete, quando nós estivemos presos o Flávio foi lá visitar a gente. Mais de uma vez", contou o vereador ao jornal O Globo.

O miliciano Adriano da Nóbrega Silva foi citado nas investigações sobre a morte da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL) e acerca de um esquema de corrupção no gabinete do atual senador Flávio Bolsonaro quando o parlamentar era deputado estadual no Rio. A mãe e a esposa dele trabalharam no gabinete do parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

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Sobre a morte do miliciano, Ítalo Ciba disse acreditar que o ex-colega de corporação pode ter sido vítima de uma “queima de arquivo”. Ele afirmou que viu Adriano pela última vez num shopping, sem lembrar a data exata, mas antes das eleições de 2018.

"Foi de passagem, esbarrei com ele no shopping. Ele falou assim mesmo pra mim: "Estamos sendo perseguidos porque somos amigos do presidente. Não era presidente ainda não, devia ser deputado, candidato a presidente", afirmou Ciba.

Em nota, o filho de Jair Bolsonaro afirmou que esteve apenas uma vez na cadeia, em 2005, para ver Adriano e entregar a medalha Tiradentes, maior honraria concedida pela Alerj. “Não há nenhuma relação de Flávio Bolsonaro ou da família com Adriano”, diz a nota.

Prisões

Entre outubro e novembro de 2003, Adriano e os colegas do GAT se envolveram no sequestro, tortura e extorsão de três jovens da favela de Parada de Lucas, na Zona Norte, segundo a Corregedoria da Polícia da PM e o Ministério Público. 

A ficha funcional de Adriano apontou que as vítimas eram levadas para um terreno baldio no antigo Mercado São Sebastião, na Penha. Nesse local, os PMs foram acusados de torturar as pessoas e depois extorquir R$ 1 mil.

Ciba afirmou que o processo foi uma questão política. "Foi uma perseguição política comigo" disse, negando as acusações. 

Caso Marielle 

O ex-capitão do Bope integrava o Escritório do Crime, grupo de matadores profissionais do Rio e suspeito de envolvimento no assassinato de Marielle Franco, cometido pelo crime organizado. Os atiradores efetuaram dos disparos em um lugar sem câmeras na região central do Rio e haviam perseguido o carro dela por cerca de  quatro quilômetros. 

Dois suspeitos crime estão presos: o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-militar Élcio Vieira de Queiroz. O primeiro é acusado de ter feito os disparos e o segundo de dirigir o carro que perseguiu a parlamentar. 

Lessa morava no mesmo condomínio de Bolsonaro. Élcio Vieira de Queiroz, de 46 anos havia postado no Facebook uma foto ao lado de Jair Bolsonaro. Na foto, o rosto de Bolsonaro está cortado. 

De acordo com registros da Alerj, Flávio Bolsonaro foi o único a votar contra a proposta do deputado estadual Marcelo Freixo (PSol), atual deputado federal, para conceder a medalha Tiradentes em homenagem póstuma à Marielle. 

'Rachadinha'

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Outra investigação que cita Adriano é a que apura um esquema de corrupção no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj conhecido como "rachadinha". Um dos líderes do esquema é Fabrício Queiroz, envolvido em um esquema de lavagem de dinheiro que ocorria na Assembleia Legislativa do Rio quando o filho de Jair Bolsonaro era deputado estadual. Queiroz movimentou R$ 7 milhões em de 2014 a 2017, de acordo com relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

Em depoimento por escrito ao Ministério Público (MP-RJ), Queiroz afirmou que não se apropriou dos valores recebidos e que dinheiro era usado para ampliar a rede de "colaboradores" da base eleitoral de Flávio Bolsonaro no Estado por entender que "a melhor forma de intensificar a atuação política seria a multiplicação dos assessores da base eleitoral, valendo-se, assim, da confiança e da autonomia que possuía para designar vários assistentes de base, a partir do gerenciamento dos valores que cada um recebia mensalmente".

Jair Bolsonaro

Principal nome do clã presidencial, Jair Bolsonaro ordenou a Fabricio Queiroz que não comparecesse ao depoimento no MP-RJ em dezembro de 2018. A informação consta no livro Tormenta – O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos, da jornalista Thaís Oyama. É o que aponta a coluna de Guilherme Amado, da revista Época, publicada nesta segunda-feira (13). 

De acordo com o livro, após a divulgação do escândalo do Coaf, Bolsonaro e os advogados do ex-assessor dele fecharam a estratégia de que Fabrício Queiroz iria até os promotores, mas diria que não daria declarações até ter acesso à investigação. Também negaria qualquer relação com o clã.

rachadinhas metade fica com os sabidos bolsonaro .

 

19
Fev20

Flávio Bolsonaro divulga vídeo falso sobre a morte do miliciano Adriano

Talis Andrade

"PT tem denunciado e cobrado rigorosa apuração das evidentes relações criminosas entre a família Bolsonaro e o crime organizado no Rio de Janeiro, inclusive a milícia comandada por Adriano da Nóbrega”

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O deputado Jorge Solla (PT-BA) usou a tribuna da Câmara nessa terça-feira (18) para destacar mais um desespero da família Bolsonaro em relação à morte do miliciano Adriano Nobrega. “Hoje assistimos mais um episódio escatológico na forma de fazer política de Bolsonaro e sua ‘familícia’: a divulgação de um vídeo da necrópsia do suposto corpo do miliciano Adriano, nas redes sociais, pelo senador Flávio Bolsonaro. É mais um crime cometido pelo senador Flávio Bolsonaro”, acusou.

Segundo Jorge Solla, trata-se de mais uma fake news. “Seria interessante se a CPMI da Fake News se debruçasse também sobre mais esta ação criminosa, mais uma vez que o laudo pericial do corpo e a foto, que já se encontra na capa da revista Veja, mostra um tiro de fuzil, que atravessou seu corpo na região do tórax, com perfuração na parte frontal e traseira. O corpo no vídeo não possui essa lesão, deixando claro que a alegada tortura, por conta de fratura nas costelas, também não se sustenta”, esclareceu.

A perícia, continuou o deputado do PT baiano, mostra que as costelas fraturadas foram aquelas pelo tiro de fuzil, que atravessou de frente para trás o tórax. “Por fim, a lesão na cabeça, sem hematomas, sugere o ferimento que ocorreu após a morte. Eu sei que Flávio Bolsonaro não sabe nada de saúde, não entende nada de perícia legista, mas é primário. Um corpo que não tem circulação não forma hematoma na pancada. Então, a pancada ocorreu depois da morte no transporte”, explicou o parlamentar, que também é médico.

“Familícia” preocupada

Jorge Solla insistiu na preocupação da “familícia”. “Eles estão preocupadíssimos. Já têm foto. E não é só o Adriano que era amigo do Bolsonaro e sua familícia — não! O Leandro que foi preso era quem estava dando acobertamento e escondendo Adriano, que inclusive pagava R$ 1mil por dia em dinheiro no resort em que ele estava antes de a polícia ir ao seu encalço. O Leandro tem foto e é também amigo do presidente Bolsonaro”, destacou.

O deputado também relembrou que o governador da Bahia Rui Costa já disse — e ele ia repetir na tribuna: “A ordem era para tentar prender com vida, mas que diante da reação – pois qualquer bandido que atire em um policial – o policial tem direito, sim, de se defender, de reagir, mesmo que seja atirando em um amigo do presidente da República, em um bandido como Adriano e sua milícia”.

Vídeo fraudado

Na avaliação de Jorge Solla, é um absurdo um senador da República fazer um vídeo fraudado para tentar acobertar a ação da milícia, dos amigos e da “familícia” Bolsonaro. “Não podemos deixar que fiquem espalhando tantas mentiras de forma torpe. Ganharam a eleição com base na mentira, trouxeram a mentira para a estratégia de governo, praticam a mentira aqui nesse Parlamento todos os dias com a maior cara de pau. Não têm nenhum compromisso com a verdade, com dados, com a realidade, com nada! Mas um senador fraudar um vídeo para tentar acobertar os indícios! Estão muito desesperados”, criticou.

Perícia nos celulares

O deputado baiano observou ainda há vários dias o presidente e sua “familícia” não falam outra coisa. “Estão até supondo que a perícia que o Ministério Público do Rio de Janeiro fará nos celulares será fraudada. Eles apagaram o arquivo vivo, mas os pertences do arquivo vivo estão aí, e eles estão preocupados com tudo isso”, reforçou e indagou: “Quem tinha interesse em silenciar Adriano da Nóbrega? Quem tinha interesse em queimar esse arquivo? Aí o presidente pergunta quem fará a perícia nos telefones de Adriano. E já lança ele a vacina para já colocar sob suspeita a perícia do que se encontrar no celular. Do que que ele tem medo, afinal?”, provocou.

Solla afirmou ainda que parlamentares do PT e dos partidos de esquerda estão desde o início na luta para que a verdade seja apurada. “No período eleitoral, e durante todo o governo do atual presidente, o PT tem denunciado e cobrado rigorosa apuração das evidentes relações — repito — evidentes relações criminosas entre a família Bolsonaro e o crime organizado no Rio de Janeiro, inclusive a milícia comandada por Adriano da Nóbrega”, reforçou.

Jorge Solla também destacou que o PT acionou até mesmo o Supremo Tribunal Federal contra o presidente, em novembro de 2019, na tentativa de evitar a destruição de provas da investigação do assassinato de Marielle Franco. “A ex-vereadora foi assassinado por Élcio Queiroz, também ex-policial que participa do mesmo grupo criminoso de Adriano da Nóbrega, grande amigo do presidente Bolsonaro, comandante do escritório do crime, especializado em assassinato por encomenda, agora, apagado” explicou.

O deputado concluiu enfatizando que Adriano era um dos elos do “esquema criminoso” que envolve diretamente o presidente e sua família. “O seu depoimento era valioso para quem defende a democracia e repugna o mais importante cargo público do País ser comandado por quem se reporta a verdadeiros estados paralelos que desafiam os Poderes constituídos da República e impõe suas próprias leis e tribunais, ao arrepio da Constituição e dos direitos humanos”, frisou.

 

 

17
Fev20

Com Moro e Bolsonaro, proteção às milícias e ao crime é política de Estado

Talis Andrade

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por Jeferson Miola

O principal defensor do miliciano Adriano da Nóbrega não é nenhum advogado renomado; é ninguém menos que Jair Bolsonaro – o presidente do Brasil que age como chefe de milícia e advogado de miliciano.

Em comunicado publicado no facebook que evidencia a total ausência de decoro e a absoluta incompatibilidade com o cargo presidencial, o Bolsonaro defensor do excludente de ilicitude [licença para matar] veste um disfarce de defensor dos direitos humanos para reclamar que a polícia da Bahia “não procurou preservar a vida de um foragido, e sim sua provável execução sumária”.

O “foragido” a que Bolsonaro se refere com inusitada candura é ninguém menos que o miliciano Adriano da Nóbrega, contra quem existia um alerta de captura internacional da Interpol. A despeito, contudo, de Adriano ser um procurado internacional, o ministro bolsonarista Sérgio Moro surpreendentemente excluiu o miliciano ligado aos Bolsonaro da lista de bandidos mais procurados do país [sic].

No argumento de defesa do miliciano, Bolsonaro citou como atenuante que “O então tenente Adriano [que Bolsonaro chama de heróifoi condecorado em 2005”.

Embora declare não ter relações com Adriano, o que é uma mentira grosseira, Bolsonaro atua como quem conhece em detalhes a trajetória criminal do miliciano cuja mãe e esposa trabalharam no gabinete do filho Flávio na ALERJ até dezembro de 2018: “Até a data de sua execução, 09 de fevereiro de 2020, nenhuma sentença condenatória transitou em julgado em desfavor do mesmo”, disse ele.

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Para alimentar a matilha bolsonarista sedenta de ódio e para também desviar a atenção sobre o essencial, que é o notório interesse dos Bolsonaro no silêncio do miliciano mediante sua eliminação física, Bolsonaro mentiu e fez imputações delirantes a Lula, ao PT e a petistas.

O PT rebateu duramente as mentiras e truques baixos do Bolsonaro [ler aqui]. O governador petista Rui Costa, entretanto, continua devendo esclarecimentos sobre os enigmas que cercam a morte de Adriano, que o próprio Moro reconheceu tratar-se de assassinato [aqui e aqui].

A execução do Adriano e a obscuridade que cerca sua eliminação não é um episódio isolado do governo Bolsonaro, mas é um fato que carrega a marca registrada do universo bolsonarista: silenciamentos, sumiços, fugas, execuções, mentiras, manipulações, falcatruas, assassinatos etc – ou seja, uma realidade típica de máfias e esquemas criminosos incrustados no coração do poder.

É possível fazer-se um amplo inventário de fatos escabrosos que envolvem os Bolsonaro e que, por incrível coincidência, se tornam opacos: o sumiço do Fabrício Queiroz e seus familiares; a manipulação da investigação do assassinato da Marielle; a perícia farsesca do MP/RJ na gravação da portaria do condomínio Vivendas da Barra; o isolamento de Ronnie Lessa, vizinho de Bolsonaro acusado de assassinar Marielle; a presença de Carlos Bolsonaro no Vivendas da Barra [e não em sessão da Câmara de Vereadores, que ele usa como álibi] no mesmo momento em que os assassinos da Marielle ultimavam os preparativos do crime; a presença de Adélio Bispo no mesmo clube de tiro freqüentado por Carlos e Eduardo Bolsonaro em SC; a incomunicabilidade de Adélio Bispo em presídio federal e as mortes de um morador e da proprietária da pensão onde Adélio se hospedou em Juiz de Fora nos dias precedentes à suposta facada; o sinistro confronto entre as polícias de SP e MG no estacionamento do hospital de Juiz de Fora onde Bolsonaro recebeu atendimento; o laranjal do PSL do ministro do Turismo em MG; o tráfico internacional de 39 Kg de cocaína em avião da frota presidencial; a prevaricação do Moro para deixar o terrorista Eduardo Fauzi, do PSL, fugir do país depois de perpetrar atentado a bombas contra a sede do Porta dos Fundos etc.

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O diferencial em relação a estes fatos catalogados acima e a execução do Adriano é que com o miliciano capturado vivo se poderia talvez descobrir a fundo os negócios obscuros dos Bolsonaro na política e na criminalidade.

A execução do Adriano, por isso, tem características de um empreendimento meticulosamente planejado para a queima deste arquivo incômodo para os Bolsonaro, a começar pelo álibi de ser morto pela “polícia do governo petista” da Bahia [aqui].

Adriano pode ter sido fisgado pela mensagem “tranquilizadora” de Moro de que não constava da lista de bandidos procurados e, portanto, pode ter relaxado as precauções de fuga [aqui].

Matar Adriano não significa combater as milícias; mas, muito ao contrário, significa eliminar um fator de dificuldade para os interesses mafioso-milicianos dedicados a ilícitos variados, como controle de territórios urbanos, jogo do bicho, lavagem de dinheiro, peculato, venda de serviços clandestinos [gás, internet, luz] e assassinatos por encomenda.

Com Moro e Bolsonaro, a proteção às milícias e ao crime é uma política de Estado. Ainda que pertençam a facções distintas e possam ter conflitos pontuais, Moro e Bolsonaro estão unidos na corrupção dos sistemas policial e de justiça do país.

Moro e Bolsonaro “são uma coisa só”, como diz Rosângela Moro, esposa do ministro e sócia de Carlos Zucolotto, o padrinho do casal Moro que cobrou US$ 5 milhões de propina de Tacla Duran para facilitar um acordo de delação premiada com os procuradores da organização criminosa de Curitiba, como Gilmar Mendes denomina a força-tarefa da Lava Jato.

Como se vê, não é por acaso ou por mera coincidência que essa gente anda junto.

 

 
14
Fev20

Braga Netto na Casa Civil é derrota para “ala ideológica” do governo, escreve Le Monde

Talis Andrade

Intervenção militar jamais aconteceu

em território das milícias

 

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RFI

O jornal francês Le Monde desta sexta-feira (14) repercute a nomeação do general Braga Netto para o ministério da Casa Civil no Brasil. Nem bem a notícia foi confirmada em Brasília, o diário liberal publicava em seu site um artigo com o título: “um general nomeado chefe do governo por Bolsonaro”. O texto explica aos leitores que a Casa Civil equivale ao cargo de primeiro-ministro.

A nomeação do general Braga Netto ao cargo mais importante do governo é vista como uma vitória para a ala militar do governo, que os especialistas consideram mais pragmática do que a ala ideológica, composta principalmente por discípulos do sulfuroso filosofo Olavo de Carvalho, informa o texto.

O general de 62 anos, vai substituir Onyx Lorenzoni, que foi, segundo o Le Monde, “relegado” ao ministério da Cidadania, pasta que concentra a maioria das questões sociais, mas também o Esporte. Osmar Terra, que ocupava o ministério da Cidadania, vai recuperar seu mandato de deputado na Câmara Federal.

Com a nomeação de Walter Souza Braga Netto, anunciada na quinta-feira (13) por Bolsonaro pelo Twitter, o presidente reforça a presença de militares em seu governo, aponta o Le Monde, lembrando que agora nove dos 22 ministros brasileiros são militares. Além disso, a partir de agora, os quatro colaboradores mais próximos de Bolsonaro no governo, que têm seus escritórios situados no Palácio do Planalto, são militares, a começar pelo influente general Augusto Heleno, chefe do gabinete de segurança institucional da Presidência da República, ressalta o jornal.

Interventor militar no Rio

Le Monde publica a biografia de Braga Netto. Diz que o atual chefe do Estado Maior do Exército ficou conhecido do grande público em 2018, quando assumiu o comando militar das forças de segurança pública que intervieram no Rio de Janeiro. A matéria é, aliás, ilustrada com uma foto do general ao lado de Jair Bolsonaro. A fotografia foi tirada em novembro de 2018, Braga Netto quando era interventor federal militar do Rio e antes de o presidente assumir o cargo.

A intervenção do exército no Rio foi decidida pelo ex-presidente Michel Temer, precursor de Jair Bolsonaro, para tentar conter uma onda de violência urbana sem precedentes, recorda a matéria. A intervenção militar durou onze meses e, de acordo com o jornal, seu saldo foi heterogêneo: alguns indicadores de violência caíram, mas o número de mortos nas operações policiais aumentou sensivelmente. De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública, 6.695 mortes violentas foram registradas no estado em 2018.

A nomeação de Braga Netto também é destaque no jornal El País. O diário espanhol escreve que Bolsonaro, depois de tanto negar, começa a fazer, a conta-gotas, uma minirreforma ministerial. Além de dizer também que a mudança fortalece núcleo militar no Planalto, a decisão de levar Onyx para comando do Bolsa Família tem como objetivo de dar um novo direcionamento ao programa contra a miséria, que acumula demanda reprimida, acredita El País.

Como interventor do Rio, o general Braga sempre batalhou longe das milícias, que gozaram de ampla liberdade. O interventor passou longe da milícia do capitão Adriano da Nóbrega, no Rio das Pedras. Os pistoleiros Ronnie Lessa e Elcio Queiroz foram presos pela polícia civil no dia 30 de janeiro de 2019. 

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10
Fev20

Onze fatos que ligam a família Bolsonaro ao “capitão” Adriano, morto em circunstâncias misteriosas

Talis Andrade

 

por Joaquim de Carvalho

Morto a tiros ontem pela polícia na Bahia, Adriano Magalhães da Nóbrega prestou depoimento no caso Marielle e deixou pelo menos uma lacuna. Ele não se lembrou onde estava no dia em que a vereadora foi assassinada.

“Perguntado se o declarante se recorda de onde estava em 14 de março do corrente ano (2018), que respondeu não se recordar ao certo, mas provavelmente que,  na parte da noite e nos dias de semana, sempre está em sua casa ou em seu sítio, visto que costuma acordar bem cedo.”

O depoimento foi prestado no dia 20 de agosto de 2018, quando a Polícia ainda não tinha apresentado os Ronnie Lessa e Élcio Queiroz como executores do crime.

Adriano Magalhães da Nóbrega é apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como um dos líderes do Escritório do Crime, uma organização criminosa da qual faziam parte Ronnie e Élcio.

A morte de Adriano tem, portanto, consequências para a investigação do caso Marielle.

Para quem mandou matar vereadora, motivo de alívio ou comemoração.

Para quem quer buscar a verdade, o caminho fica mais difícil, mas não impossível.

Adriano pode ter deixado relato — uma carta, por exemplo —, como fez o jornalista Alexandre von Baumgarten, em um caso rumoroso do início da década de 80.

Em 1982, dois dias antes de ser assassinado, Baumgarten compôs um dossiê, que seria entregue, mais tarde, à revista Veja.

No documento, ele detalhava o plano do SNI para matá-lo. Baumgarten era jornalista e serviu à ditadura.

Relançou a revista O Cruzeiro, com linha editorial de apoio ao governo dos militares.

Tinha anúncio de organizações envolvidas em esquema de corrupção.

Baumgarten era também ligado ao empresário Ronald Levinsohn. Morava num apartamento dele em Ipanema, Rio de Janeiro.

O dossiê foi entregue à Veja uma semana depois da intervenção do governo militar na Delfin, instituição financeira de Ronald Levinsohn que administrava cadernetas de poupança.

O assassinato como solução para problemas políticos nem sempre dá bons resultados. Às vezes, o efeito é inverso.

No caso do assassinato do “capitão” Adriano, é impossível não cogitar implicações políticas.

E se o assunto é implicações políticas, o nome que vem de imediato à mente é o de Jair Bolsonaro — e sua família, claro.

O elo do miliciano com Bolsonaro é evidente. Seguem alguns fatos:

  1. Em 2005, o então deputado federal Jair Bolsonaro Bolsonaro defendeu Nóbrega em discurso na Câmara. Nóbrega respondia a processo por homicídio. “Um dos coronéis mais antigos do Rio de Janeiro compareceu fardado, ao lado da Promotoria, e disse o que quis e o que não quis contra o tenente (Adriano), acusando-o de tudo que foi possível, esquecendo-se até do fato de ele (Adriano) sempre ter sido um brilhante oficial e, se não me engano, o primeiro da Academia da Polícia Militar”, disse.
  2. Também em 2005, o primogênito de Jair, Flávio Bolsonaro, deputado estadual, condecorou Adriano com a mais alta honraria da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a Medalha Tiradentes.
  3. Danielle, a esposa de Adriano, foi nomeada no gabinete de Flávio Bolsonaro em 6 de setembro de 2007 e lá permaneceu até 13 de novembro de 2018, quando foi demitida no contexto do escândalo da rachadinha — esquema de desvio de dinheiro público (parte dos salários dos servidores) em benefício do deputado estadual.
  4. A mãe de Adriano, Raimunda, também foi assessora de Flávio Bolsonaro, primeiro na liderança do partido a que ele estava filiado, o PP, do qual era líder, depois no próprio gabinete.
  5. Danielle e Raimunda receberam na Assembleia Legislativa do Rio R$ 1.029.042,48, do qual repassaram R$ 203.002,57 a Fabrício Queiroz — que, por sua vez, é suspeito de fazer depósitos em dinheiro na conta de Flávio.
  6. Danielle faltou a depoimento no Ministério Público sobre o esquema da rachadinha por determinação do marido. “Boa noite! O amigo pediu para vc não ir em lugar nenhum e tbm não assinar nada”, escreveu Adriano em mensagem a Danielle no dia 15 de janeiro de 2019.
  7. No dia seguinte, 16 de janeiro, Queiroz perguntou a Danielle se ela tinha sido intimada a depor. “Eu já fui orientada. Ontem fui encontrar os amigos”, afirmou.
  8. “Amigos”, segundo o Ministério Público, é uma referência aos integrantes da milícia no Rio de Janeiro. A ausência de Danielle no depoimento beneficiava Flávio Bolsonaro, empenhado em impedir o avanço das investigações.
  9. Fabrício Queiroz, suspeito de ser uma espécie de intermediário do caixa 2 de Flávio Bolsonaro, recebeu depósitos de duas pizzarias controladas por Adriano — a Pizzaria Tatyara Ltda (R$ 45,33 mil) e o Restaurante e Pizzaria Rio Cap Ltda (R$ 26,92 mil).
  10. Fabrício Queiroz, o intermediário nesse esquema sujo, também depositou pelo menos um cheque na conta de Michelle Bolsonaro, esposa do presidente, no valor de R$ 24 mil.
  11. No livro “Tormenta”, de Taís Oyama, Bolsonaro é citado como aquele que deu a ordem para que Fabrício Queiroz não prestasse depoimento ao Ministério Público, no final de 2018, que indica a determinação dele para que a investigação sobre o esquema de corrupção no gabinete do filho Flávio não fosse adiante. Se não quis o depoimento de Queiroz, por óbvio Bolsonaro não queria também o de DanielleArmas encontradas no imóvel em Esplanada (BA) onde Adriano da Nóbrega estava escondido

A morte de Adriano no Estado da Bahia também traz à tona a defesa que Jair Bolsonaro fez na Câmara dos Deputados de integrantes de um esquadrão da morte no estado.

“Desde que a política de direitos humanos chegou ao nosso país, cresceu, se avolumou e passou a ocupar grande espaço nos jornais, a violência só aumentou. A marginalidade tem se sentido cada vez mais à vontade, tendo em vista esses neoadvogados para defendê-los. Quero dizer aos companheiros da Bahia que agora há pouco veio um parlamentar criticar aqui os grupos de extermínio e que, enquanto o Estado não tiver coragem para adotar a pena de morte, esses grupos de extermínio, no meu entender, são muito bem-vindos. E se não tiver espaço na Bahia, pode ir para o Rio de Janeiro. Se depender de mim, terão todo apoio. Que, no Rio de Janeiro, só as pessoas inocentes são dizimadas. E na Bahia — as informações que eu tenho, lógico que são grupos ilegais, mas, no meu entender, meus parabéns —, a marginalidade tem decrescido”, discursou.

A presença do foragido Adriano no estado indica mesmo uma certa proximidade entre grupos de extermínio dos dois estados.

Na hipótese de que tenha sido alvo de queima de arquivo, Adriano não contava com o fato de que, como na máfia, a milícia (ou grupo de extermínio) mata quem for preciso.

O policial civil Leonel Radde, do departamento de homicídios do Rio Grande do Sul e integrante do movimento Polícia Anti-Fascista, comentou:

“Será que o Flávio e o Jair Bolsonaro irão ao enterro do amigo miliciano Adriano da Nóbrega?”

Se eram amigos, o natural é ir.

Mas, até agora, apesar de sempre muito falantes, nenhum Bolsonaro se manifestou. Nem Sergio Moro, que não havia incluído Adriano da Nóbrega na relação de procurados do Ministério da Justiça.

30
Jan20

Polícia Civil faz operação contra milícias de Rio das Pedras

Talis Andrade
Região é reduto eleitoral da família Bolsonaro...
 

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A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro realizam na manhã desta quinta-feira 30/I uma operação contra as milícias na região de Rio das Pedras, zona oeste da capital fluminense. Até as 9h30, 31 pessoas haviam sido detidas.

Segundo o portal G1, a Justiça emitiu mandados de prisão preventiva e busca e apreensão contra 45 pessoas acusadas de pertencer aos grupos armados.

A operação foi deflagrada a partir de dados obtidos a partir de conversas entre o miliciano Ronnie Lessa e um policial civil. Lessa é um dos acusados pela morte da vereadora Marielle Franco.

Outros quatro mandados de prisão foram cumpridos no Piauí.

Rio das Pedras é reduto eleitoral dos Bolsonaros - em especial do filho Flávio, o 01.

A região é também onde Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, se escondeu após a divulgação do escândalo das "rachadinhas".

 

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30
Jan20

Polícia e MP do Rio prendem milicianos na base dos Bolsonaro

Talis Andrade

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Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz 

Jornal GGN – Uma megaoperação que prende pelo menos 31 pessoas na manhã desta quinta (30) foi deflagrada pela Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro. Os alvos são da região de Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde o clã Bolsonaro tem influência.

Foi em Rio das Pedras que Fabrício Queiroz permaneceu longe dos holofotes quando, em dezembro de 2018, a mídia revelou o esquema de rachadinha dirigido por ele, no gabinete de Flávio Bolsonaro.

Também são de Rio de Pedras os milicianos do Escritório do Crime, investigados por possível envolvimento na morte de Marielle Franco.

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Ronnie Lessa e Élcio Queiroz

 

Segundo o G1, para esta operação, conversas entre Ronnie Lessa e um policial civil foram usadas nas investigações.

Lessa foi acusado pelo MP de matar Marielle. Foi para buscar o miliciano, que é vizinho de Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro, que Élcio Queiroz teria solicitado liberação de entrada na portaria junto ao imóvel do presidente.

Megaoperação da Polícia Civil e do MP mira milicianos que agem na Zona Oeste do Rio

por Ana Carolina Torres, Rafael Nascimento de Souza e Vera Araújo
 

Extra - A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio fazem uma megaoperação, na manhã desta quinta-feira, em vários bairros da Zona Oeste do Rio para prender milicianos que atuam em Rio das PedrasMuzema e localidades próximas, naquela região. São 45 mandados de prisão preventiva a serem cumpridos. Agentes estão em diversos bairros, como Jacarepaguá, Pechincha e Barra da Tijuca. Até as 9h45, 31 pessoas haviam sido presas. Entre eles, o policial civil Jorge Luiz Camillo Alves. De acodo com o MP, foi flagrado em uma "intensa sequência de diálogos" com Ronnie Lessa, acusado de executar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes junto com Élcio de Queiroz.

O MP diz que "em vários trechos dos diálogos se refere a ele (Jorge Luiz) como o 'Amigo da 16', numa referência à delegacia (16ª DP, na Barra da Tijuca) onde o mesmo está lotado". Além de Camilo, outros policiais civis e militares são procurados por dar apoio ao bando paramilitar.

Camillo foi preso em casa. Além dele, outros dois agentes estão presos na Corregedoria da Polícia Civil, no Centro do Rio.

— Foi instaurado um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para a apuração do desvio funcional praticado pelo investigador. No final da apuração, ele e seus colegas poderão ser expulsos da Polícia Civil — disse o corregedor, delegado Glaudiston Galeano Lessa.

O MP chegou a esse policial civil graças à análise de um telefone celular apreendido na Operação Lume, durante a qual Lessa e Queiroz foram presos.

Os presos na operação seguem para a Cidade da Polícia, no Jacarezinho, na Zona Norte da capital. Um deles é o PM Francisco Valentim de Souza Júnior. O militar foi encontrado em casa, na Penha, na Zona Norte do Rio. Sua arma foi apreendida. Atualmente, ele trabalhava no Fórum da Barra da Tijuca.

A ação desta quinta foi batizada de Os Intocáveis II e é um desdobramento da operação Os Intocáveis, realizada em 22 de janeiro de 2019. Naquela ocasião, treze pessoas foram denunciadas por organização criminosa e foram apreendidos documentos e aparelhos eletrônicos. Esse material foi analisado e, então, foram identificados novos suspeitos de participação na milícia.

Além do Rio, a Polícia Civil também está em busca de quatro suspeitos no Piauí e de outros dois na Bahia. Durante as buscas e apreensões nas casas dos denunciados, os policiais apreenderam celulares, computadores e documentos que poderão ajudar nas próximas investigações e operações.

Por conta da quantidade de presos, três delegacias estão lavrando os autos de apreensão. São elas: Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), Defraudações (DDEF) e do Consumidor (Decon).

Participação de policiais

Os policiais alvos da operação são lotados na 16ª DP (Barra da Tijuca), no 18º BPM (Jacarepaguá) e no 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes). Independentemente do pedido de prisão preventiva, foi pedida a medida cautelar de suspensão do porte de arma de fogo e do exercício da função dos agentes.

Segundo as investigações, desde 5 de junho de 2014, os denunciados, chefiados por Dalmir Pereira Barbosa, Paulo Eduardo da Silva Azevedo e Epaminondas Queiroz de Medeiros Júnior, o Capitão Queiroz, praticam vários crimes. Entre os delitos estão grilagem; construção, venda e locação ilegais de imóveis; posse e porte ilegal de arma de fogo; extorsão de dinheiro de moradores e comerciantes com a cobrança de taxas; ocultação de bens por meio de "laranjas"; pagamento de propina a agentes públicos; agiotagem; e utilização de ligações clandestinas de água e energia em imóveis construídos ilegalmente.

Um funcionário da Fundação Parques e Jardins também está entre os denunciados. Joailton de Oliveira Guimarães é acusado de ter pedido "ajuda financeira" para seguir com um procedimento administrativo de interesse de Murad Muhamad, também denunciado.

Na denúncia, o MP lista a conduta dos 45 denunciados. eles estão distribuídos entre diferentes núcleos de atuação na quadrilha: liderança, auxiliares diretos da liderança, policial, segurança, financeiro, "laranjas" e imobiliário.

Megaoperação mira 45 envolvidos com a milícia de Rio das Pedras

Por ANDERSON JUSTINO e RAI AQUINO

Os 45 alvos da operação:Image
 
1. Jorge Luiz Camillo Alves: policial civil, chefe de Investigação da 16ª DP (PRESO)
2. Francisco Valentim de Souza Júnior: sargento da PM, lotado no 31º BPM (PRESO)
3. Epaminondas Queiroz de Medeiros Júnior, o Capitão Queiroz: um dos chefes da milícia
4. Dalmir Pereira Barbosa: um dos chefes da milícia
5. Paulo Eduardo da Silva Azevedo: um dos chefes da milícia
6. Joailton de Oliveira Guimarães: Servidor da Fundação Parques e Jardins
7. Antonio José Carneiro de Carvalho Lacerda

8. Douglas Rodrigues Moreira

9. Wagner Ignacio

10. Fabio Costa da Silva

11. Alex Fabiano Costa de Abreu
12. Durval de Souza Teixeira

13. Wesley da Silva Rodrigues

14. Alex Batista dos Santos

15. Antônio Narcelio Silva da Costa

16. Ramon Costa dos Santos

17. Lucas de Souza Mattos

18. Marcus Vinicius Azevedo Ramalho

19. Rodrigo Vassali Dutra

20. Antonia Cardoso Almeida

21. Rodrigo Rodrigues Fonseca

22. Caio Fernando Costa de Oliveira

23. Erileide Barbosa da Rocha

24. Adginaldo dos Santos

25. Charles Marques Basílio Gomes

26. Isamar Moura

27. Francisco das Chagas de Brito Castro

28. Walter Alves de Brito

29. Raelson Vieira Brito

30. Josiana Sousa da Silva

31. Fernando Braga Ribeiro

32. Celso Moura Ferreira

33. Carla Alexandra da Fonseca De Araújo

34. Bruno Leonardo Fonseca Teixeira

35. Francisco Francinário Bezerra

36. Higor Alberto Rufino

37. Tereza Paula Silva Felipe

38. Rafael Jesus de Oliveira

39. Uendson Conceição Batista

40. Murad Mohamad

41. Omar Mohamad

42. Geová Fidelis Soares

43. Daniel Alves de Souza

44. Bruno Pupe Cancella

45. Antonio Rondynele Silva Souza
Helicóptero da Polícia Civil dá apoio à ação - Reprodução / Internet
VÁRIOS CRIMES
 
De acordo com o Ministério Público, a organização criminosa age na região desde 5 de junho de 2014 e é liderada por Dalmir Pereira BarbosaPaulo Eduardo da Silva Azevedo e Epaminondas Queiroz de Medeiros Júnior, conhecido como Capitão Queiroz. O grupo é investigado pelos seguintes crimes:
 
. Grilagem
. Construção, venda e locação ilegais de imóveis
. Posse e porte ilegal de arma de fogo
. Extorsão de moradores e comerciantes com a cobrança de taxas mediante "serviços" prestados
. Ocultação de bens adquiridos com participação de "laranjas"
. Pagamento de propina a agentes públicos
. Agiotagem
. Utilização de ligações clandestinas de água e energia nos empreendimentos imobiliários ilegalmente construídos
 
Ainda segundo o MPRJ, a quadrilha usa arma de fogo para manter o controle sobre a região, além de contar com a participação de agentes públicos, ativos e inativos, especialmente policiais militares e civis. Com os servidores, os milicianos conseguem informações privilegiadas para manter as atividades ilegais e, assim, aumentarem sua área de atuação, "arvorando-se assim em poder paralelo ao Estado".
O grupo investigado age através de diferentes núcleos de atuação, dentre eles, a liderança e seus auxiliares diretos, como policial, segurança, financeiro, "laranjas" e imobiliário.
 
CASO MARIELLE
 
A operação Os Intocáveis foi realizada no dia 22 de janeiro de 2019, quando 13 pessoas foram denunciadas por formação de organização criminosa em Rio das Pedras e região. A partir da análise de documentos e aparelhos eletrônicos apreendidos na ocasião foi possível identificar a participação dos novos criminosos em crimes praticados pela mesma quadrilha.
As investigações avançaram a partir da análise de celulares apreendidos na Operação Lumerealizada em 12 de março de 2019. Na ocasião, foram presos Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, acusados pelos assassinatos da vereadora Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes.
 
O material mostrou uma intensa conversa entre um dos policiais civis denunciados agora, Jorge Luiz Camillo Alves, com Lessa. Em vários trechos dos diálogos, Ronnie se refere ao policial como o Amigo da 16, numa referência à delegacia onde o agente é lotado.
"Daí a importância da apreensão de documentos, agendas, cadernos de anotações, telefones celulares, notebooks, computadores, dispositivos de armazenamento como pendrives, HDs externos e cartões de memória, com a quebra do sigilo de dados, para a continuidade das investigações", diz trechos da denúncia.
 
A ação de hoje é comandada pelo Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE) e conta com a participação de várias delegacias e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). Um helicóptero da polícia dá cobertura aos agentes.
Jornal O Dia@jornalodia

Megaoperação da Polícia Civil contra a milícia em Rio das Pedras tem apoio de um helicóptero da corporação

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