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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

11
Fev19

A morte de Boechat, a coragem de uma heroína que salvou o motorista do caminhão que colidiu com o helicóptero

Talis Andrade

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 A vendedora Leiliane Rafael da Silva, de 28 anos, que passava pela

Rodovia Anhanguera no momento da queda do helicóptero que matou o jornalista Ricardo Boechat, contou, em depoimento, ter visto um homem pular da aeronave antes da colisão com o caminhão. Com base em informações obtidas com o Instituto Médico Legal (IML) sobre a localização dos corpos, o delegado Luis Roberto Hellmester acredita a pessoa que pulou da aeronave era Boechat.

Leiliane estava na garupa da moto do marido quando viu o helicóptero voando muito baixo.

— Eu falei para o meu marido: eu acho que ele vai pousar na pista. Quando eu olhei para trás, eu vi uma pessoa pulando. Depois que a pessoa pulou, o helicóptero se chocou com uma carreta que vinha saindo do rodoanel e explociu.

Logo depois de ver o acidente, ela desceu da moto e correu em direção ao veículo.

— Não pensei em nada. Falei para parar a moto e voltei correndo.Fui checar no caminhão para ver se tinha alguém vivo. O moço estava vivo, felizmente.

A vendedora pediu uma faca para um grupo de trabalhadores que estava limpando o mato do canteiro da estrada para cortar o cinto de segurança.

— A gente tirou ele para fora pelo vidro porque a porta estava emperrada e não saia.

Leiliane vive em Pirituba, na Zona Norte de São Paulo, e tem três filhos: uma menina de 8 anos, um menino de 3 anos e um bebê de quatro meses. Prestes a passar por uma cirurgia, Leiliane tinha sido orientada a não passar por situações de estresse.

— No momento, eu queria ajudar e não pensei em mais nada. Leia mais

 

 O jornalista Ricardo Boechat, 66 anos, morreu na queda de helicóptero na manhã desta segunda-feira (11), em São Paulo. A aeronave caiu no quilômetro 7 da Rodovia Anhanguera, por volta das 12h14.

A informação de sua morte foi confirmada pela TV Bandeirantes. Boechat era apresentador do Jornal da Band e da rádio BandNews FM, além de ser colunista da revista IstoÉ. Ele é ganhador de três prêmios Esso. Ele estava voltando de Campinas, onde tinha ido dar uma palestra no Centro de Convenções do Royal Palm Plaza para 2,7 mil pessoas, o evento era promovido pela empresa farmacêutica Libbs, que seria a responsável pelo transporte de Boechat. Procurada, a empresa disse que estava apurando as informações e que se posicionaria em breve.

Segundo o Corpo de Bombeiros, a aeronave caiu em cima de um caminhão que trafegava pela via, no sentido interior, próximo à praça do pedágio. O motorista do caminhão foi socorrido pela concessionária. Leia mais

 

Postagens de evangélicos no Facebook associavam a morte de Ricardo Eugênio Boechat com a resposta dada pelo jornalista ao pastor Silas Malafaia durante uma transmissão ao vivo no programa de rádio BandNewsFM. Leia mais 

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11
Jan19

Zé Maria

Talis Andrade

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por Ivan Maurício

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José Maria Garcia era muito mais que um diagramador competentíssimo. Tinha opiniões próprias sobre política, amizade e futebol (torcedor apaixonado do Santa Cruz).

Mantinha a ordem na redação no Diario de Pernambuco.

Sua rotina era quase imutável. Hora de trabalhar, hora de beber.

Bebia nos demais dias da semana na Cristal, sempre às 18 horas. Na sexta-feira, dia de diagramar duas edições, não dispensava o litro de uísque embaixo de sua mesa.

Exemplo de profissional. Não quero nem pensar no que ele estaria sentindo hoje com a situação em que se encontra seu querido jornal.

Posso apenas dizer, com muita honra, que privei da sua amizade.

 

 

07
Jan19

Hora da solidariedade a um dos maiores jornalistas do Brasil independente

Talis Andrade

Fernando Brito publica hoje no seu blog, que tem como lema "A política, sem polêmica, é a arma das elites":

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"Explicação aos leitores

Todos notaram que o blog não é atualizado, e a razão é que: seu autor voltou a ser internado para exames, que vão definir a extensão e as características da cirurgia que terá de fazer, provavelmente, no fim de janeiro e início de fevereiro.

É difícil, no ambiente de hospital, conservar – não só a lucidez – mas a agilidade necessária para acompanhar as notícias. Ainda mais quando o governo se especializa em “bater cabeça” e se desmentir, sucessivamente.

Igualmente, é difícil acompanhar digressões filosóficas como a do ministro das relações exteriores – dizendo que o Brasil não deve se aliar com outros países, deve aliar-se a si mesmo. Dá pra escrever um tratado sobre tal sandice.

É claro que se houver possibilidade, necessidade e condições de escrever, eu o farei. É o meu trabalho, minha utilidade social e o meu ganha pão. Mas, é meio de vida, não de morte.

Em princípio, então, fico uma semana fora do ar, desta vez. E sei que conto a compreensão e a solidariedade de todos."

.

Quem faz hoje jornalismo verdadeiro e livre não está empregado nos meios de comunicação de massa, construídos nos tempos de chumbo da ditadura militar de 1964. Nas concessões entregues pelo presidente Sarney, via seu ministro das Comunicações, Antonio Carlos Magalhães, dono da Arena que virou PFL, que virou Dem, partido aliado a Jair Bolsonaro, e que deve eleger Rodrigo Maia, filho de César Maia, e genro de Moreira Franco, presidente da amaciada Câmara dos Deputados, que votou o impeachment de Dilma Rousseff, e fez Michel Temer presidente. Nas concessões de Rádios e Televisões que compraram a reeleição de Fernando Henrique presidente.

Não conheço Fernando Brito, sou apenas um velho jornalista e professor que admira o "Tijolaço", que divulga, com coragem e sonho, a História do Brasil.

O "Tijolaço" é escrito e editado por um único, e admirado, e verdadeiro, e patriota jornalista, amigo do povo.

Se você luta pela Independência, pela Liberdade, pela Democracia, pela Igualdade, pela Fraternidade, vai entender ... clique aqui 

 

 

02
Jan19

O choro da Imprensa

Talis Andrade

MIRIAM LEITÃO: NEM NA DITADURA HOUVE ALGO ASSIM

 

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247 - Em sua coluna no jornal O Globo, Miriam Leitão afirma que "a necessidade real de segurança do presidente eleito está sendo usada como pretexto para restringir o trabalho da imprensa".

"É claro que a segurança do presidente eleito, Jair Bolsonaro, e dos chefes de Estado que estão entre nós exige a imposição de regras, mas o que está acontecendo com os jornalistas é impensável e inaceitável", diz.

"Cubro posse desde o general João Figueiredo. Nunca houve nada tão restritivo. Naquela época, eu era uma jovem jornalista e tive acesso a vários pontos da cerimônia, circulei, fui convidada para o jantar de gala porque era responsável pela cobertura do Itamaraty. Lá pude falar com os novos ministros", acrescenta.

Segundo a jornalista, "durante a campanha e a transição os sinais de hostilidade à imprensa, ou pelo menos à parte da imprensa que não está disposta a simplesmente fazer a louvação dos novos poderosos, foram muitos".

"Este sinal de usar as regras de segurança para impor restrição física aos jornalistas e de exigir um desgaste fisico, de horas de espera além do razoável, é um perigoso precedente", continua.

 
02
Jan19

Choro da Imprensa II

Talis Andrade

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30
Nov18

A estranha obsessão de Olavo de Carvalho

Talis Andrade

 

 
Por Mário Magalhães, no site The Intercept-Brasil:
 
Leitor bissexto de Olavo de Carvalho, eu supunha que o escritor paulista tivesse superado a fase anal do desenvolvimento psicossexual. É aquela que, estabelece certa literatura psicanalítica, encerra-se aos três ou quatro anos de vida. O engano findou quando assisti ao vídeo de sua recente entrevista ao repórter Fred Melo Paiva, da CartaCapital. Ao falar da confiança de Jair Bolsonaro em ações policiais virtuosas, Carvalho provocou: “Isso é fascismo? Fascismo é o cu da sua mãe”.

Depois de uma carreira discreta como jornalista e astrólogo, Carvalho reencarnou na pele de autoproclamado filósofo. Ministrou cursos online para milhares de alunos e colecionou 533 mil seguidores no Facebook. Atribui-se a ele a indicação dos nomes ou a inspiração para a escolha de dois ministros pelo presidente eleito: o da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, e o das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Seria o guru ou o ideólogo mais prestigiado pela família Bolsonaro.

“Ideólogo”, preferiu numa edição a Folha de S. Paulo. Carvalho vituperou: “Atenção, ô chefe da fôia: Ideólogo é o cu da sua mãe”.
 
Louvaminheiros o cultuam como um pensador. Numa nota repetitiva, ele pronuncia incessantemente o substantivo com uma sílaba e duas letras que o Houaiss enuncia como “orifício na extremidade inferior do intestino grosso, por onde são expelidos os excrementos”.

Lacrador, gracejou: “Em breve só restarão duas religiões no mundo: maconha e cu”.

Interpretou o Brasil, do alto da condição de dono de “uma perspectiva geopolítica mais ampla” e “mais profunda” do que a “de Donald Trump” e “seu secretário de Estado”: “O cu do mundo é aí [o Brasil]”; “e olha que é um cuzão”; “vocês estão que nem aquele sujeito que estava limpando o cu do elefante, e o elefante decidiu sentar, e o cara ficou lá dentro, atolado”.

Negacionista das mudanças climáticas, sofisticou o argumento: “Combustível fóssil é o cu da sua mãe. Não existe combustível fóssil porra nenhuma. Isso é uma farsa, uma palhaçada”.

Confrontado com o pensamento divergente, nocauteou: “Ora, moleque, vai tomar no olho do seu cu”.

Autor de livros “aplaudidos pelas maiores inteligências do mundo”, a confiar em sua declaração à repórter Beatriz Bulla, de O Estado de S. Paulo, Carvalho especulou no passado sobre palavrões: “Segundo entendo, foram inventados precisamente para as situações em que uma resposta delicada seria cumplicidade com o intolerável”.

Seria intolerável um urso que o escritor matou numa caçada aparentemente legal nos Estados Unidos, onde se radicou há 13 anos? Ao lado de um animal abatido, ele disparou: “Fui buscar hoje a minha Henry Big Boy [rifle] cal. 45-70. Pau no cu dos ursos”.

Não trai cumplicidade, e sim receio, ao se referir a contendores políticos: “Os caras vêm com uma piroca deste tamanho e põem no nosso cu”. Uma variante, físico-erótico-estética: “Toda piroca se torna invisível ao entrar no seu cu”.

Carvalho se embrenhou na dialética do fiofó: “Esquerdistas são pessoas que lutam pelo direito de dar o rabo sem ser discriminadas, ao mesmo tempo em que protestam para reclamar que só tomam no cu”.

Assim como a peroração sobre “cumplicidade com o intolerável” se desmancha com o exemplo do urso, o ex-astrólogo que se apresenta como “escritor de envergadura universal” derrapa na aula de história. “Não se pode vencer uma guerra dando o cu”, pontificou. Do além, guerreiros gregos de outrora gargalham com a ignorância do professor.

‘O estado das pregas’
 
A obsessão pelo furico alheio não é comportamento merecedor de considerações morais, e sim um mistério da alma de Carvalho. Ela a expressa contra os suspeitos de sempre: “Quando um esquerdista brasileiro chama você de fascista, ele não quer dizer que você defendeu alguma ideia fascista. Ele só quer dizer o seguinte: ‘Ai, meu cu’”.

E nas dissensões da confraria reaça, como neste tuíte endereçado ao economista Rodrigo Constantino: “Só não digo que seita fechada é o seu cu porque não averiguei o estado das pregas”.

É o próprio Olavo de Carvalho, 71, quem associa xingamentos e prazer: “A velhice é uma delícia: você não precisa respeitar mais ninguém, pode mandar todo mundo tomar no cu. É uma libertação”.

Esse papo “libertário” já está qualquer coisa? O sábio cultivado por Bolsonaro dá de ombros: “O que essa palavrinha está fazendo aí em cima? Nada de mais. Apenas avisando que só pararei de falar de cus quando pararem de ensinar as criancinhas a dar os seus”.

Até para falar de cu Carvalho apela a palavras sem lastro nos fatos: lições para “criancinhas” darem “os seus” é invencionice.
 
ex-militante do Partido Comunista Brasileiro, hoje convertido ao ultradireitismo, proporcionou um discurso mais envernizado a legiões de extremistas de direita semiletrados. Jogada certeira do instrutor com formação autodidata: identificou uma necessidade e saciou-a. Mas não foi mais importante para o desenlace eleitoral do que, numa só menção, Edir Macedo. O que não significa que influencie menos do que o bispo na composição do futuro governo – ocorre o contrário.

O dito filósofo que se pavoneia como portador de “consciência da vida intelectual como ninguém mais tem”, recorre a pressupostos ilusórios para formular sínteses. Ao ouvir o nome da exposição Queermuseu, comentou: “Tava lá a menininha mexendo no pinto do homem”.

Isso, sabidamente, não aconteceu.

Carvalho chuta: “O empresariado brasileiro está vinculado à esquerda há mais de 50 anos”.

Eu penso: que o diga a coalizão, também empresarial, que derrubou Dilma Rousseff.

Relata: “As Farc têm o monopólio praticamente da distribuição de cocaína no Brasil”.

Pobre planeta: foi engambelado, em 2016, pela extinção da anacrônica guerrilha colombiana e sua decisão de depor armas.

Numa de suas satisfações supremas, historiar o jornalismo brasileiro, ensinou: “Durante o governo militar, os esquerdistas já dominavam a mídia inteira. Você não tinha um jornal chefiado por um cara de direita; nenhum”.

Trata-se de impiedosa injustiça com Boris Casoy, que chefiou a Folha durante anos, em plena ditadura. E com tantos outros editores de direita.
 
Em agosto de 2016, o guru de Bolsonaro concluiu, sobre o então presidente dos EUA: “Hoje em dia acredito mesmo que o Obama é um agente russo plantado na política americana”. Olavo de Carvalho é autor do livro “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”.

Com alicerce de fantasias, fica fácil erguer catedrais fictícias. Seria como eu alinhavar o balanço futebolístico do Flamengo neste ano considerando-o campeão nacional de 2018. Que tentação.
 
 
27
Nov18

A nova corte e a fragilidade de Bolsonaro

Talis Andrade

 

por Luis Nassif, no Jornal GGN

 
Peça 1 – as fragilidades de Bolsonaro

Prosseguimos na tentativa de decifrar Jair Bolsonaro, juntando mais fragmentos do homem e do grupo trazidos por pessoas que transitam por lá. Como Bolsonaro é um ator político totalmente não-convencional, esses bastidores são mais reveladores do que a cobertura da mídia brasiliense, espremida por pressões dos veículos ou pela necessidade de construir boas relações com as novas fontes.

Ontem, no Twitter, o jornalista norte-americano Vincent Bevins – que foi correspondente no Brasil do Los Angeles Times – traçou um retrato cruel da cobertura sobre Bolsonaro.

Disse ele:

"Os jornalistas estão tão desesperados para parecer neutros que toda vez que Bolsonaro diz algo que não é uma mentira ou um incitamento ao genocídio, eles praticamente quebram os dedos tentando retwittar (...)

O cara pode falar por uma hora incentivando eliminar uma classe de pessoas, mas se o discurso incluir "2 + 2 = 4" jornalistas aparentemente têm que dizer "Ele pediu por extermínio, o que é controverso, mas, para ser justo, sua matemática passou na checagem (...).

Eu digo que, como um americano confortável que nem vive mais em tempo integral no Brasil, muitos jornalistas brasileiros estão sob séria pressão financeira que os levam a ficar com a cabeça baixa. Mas isso não é verdade para os grandes nomes e vozes que têm a liberdade de serem melhores, mas não são (...)

E o mais engraçado é que os fãs de Bolsonaro ainda pensam que os jornalistas que fazem isso são comunistas que provavelmente não deveriam poder escrever".


Por isso mesmo, é mais produtivo tentar decifrá-lo através de olhos de terceiros, mais perspicazes, do que pela cobertura tradicional.

Uma primeira impressão, que tem chamado a atenção de pessoas que têm mantido contato com Bolsonaro, é sua fragilidade: física sim, devido à facada recebida; fragilidade intelectual óbvia, mas, principalmente, fragilidade social. Ele não fica à vontade quando confrontado com temas relevantes, se mostra incomodado presidindo reuniões ou se relacionando formalmente com pessoas de fora do círculo.

É significativo de ampla ignorância, o deslumbramento com o encontro agendado com John Bolton, assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos. Bolton não vem se encontrar com Bolsonaro. Ele vai a um encontro do G20 em Buenos Aires e fará uma parada no Rio para conhecer Bolsonaro. A notícia foi recebida por Bolsonaro com um autêntico êxtase cívico, divulgando seu deslumbramento pelas redes sociais.

Bolton é odiado da portaria à copa do Departamento de Estado. Só existe porque Trump o retirou da lata do lixo. Tornou-se inimigo declarado do Brasil quando fez o diretor geral da Organização contra as Armas Químicas, o diplomata brasileiro José Bustami, ser demitido do cargo porque recusou-se a endossar a informação de existência de armas químicas no Iraque.

Bustami estava certo e Bolton errado, o Itamaraty nunca esqueceu. Em Washington, sua credibilidade é nula. Na Europa é um paria diplomático. Que Bolsonaro de importância a Bolton diz muita coisa sobre seu nível de informação.


Peça 2 – os personagens da trama

Esse personagem socialmente inseguro está no meio de um jogo com vários personagens sem afinidade entre si, disputando espaço e comando de uma das sete maiores economias do planeta.

Personagem 1 – o apoio dos filhos

Bolsonaro demonstra necessitar da proximidade dos filhos. Estes, por sua vez, criam conflitos por todos os cantos com vários personagens da nova corte. Um dos filhos tem bom discernimento em análises de caráter, mas em nada ajudando para entender como trabalhar a lógica do poder.

Personagem 2 – os financiadores vorazes

O núcleo que deu base partidária e recursos para a campanha – o advogado Gustavo Bebiano, o dono do PSL, Luciano Bivar, e o lobista carioca Paulo Marinho – têm-se mostrado voraz, pretendendo controlar todos os grandes contratos do governo.

Personagem 3 – Onix Lorenzoni

O deputado Lorenzoni tem provavelmente a maior unanimidade contrária do Congresso. Ficou do lado da Lava Jato, mesmo tendo sido beneficiado por financiamentos de caixa 2. Hoje em dia é uma alma penada, sem trânsito algum no Congresso. E a ele está sendo conferido o papel de coordenador político.

Personagem 4 – o Imperador Paulo Guedes

Dia desses, houve uma reunião com Bolsonaro. Todos os presentes quedavam em atitude respeitosa normal. De repente, ouviu-se uma agitação. Era Paulo Guedes chegando, como se fosse o Imperador da Alemanha. Entrou, todos se levantaram para cumprimenta-lo, enquanto Bolsonaro permanecia quieto, em sua cadeira, observando. Parecia que Guedes era o presidente. Esses superpoderes sempre acabam se voltando contra quem os utiliza, sem deter o poder originário, a Presidência.
 

Peça 3 – a arbitragem de Mourão

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Todos os personagens acima giram em torno de Bolsonaro. Mas há um componente extra-Bolsonaro na história: o vice-presidente general Hamilton Mourão.

Em sua coluna de hoje, na Folha, Jânio de Freitas traz mais algumas informações relevantes sobre seu papel (clique aqui). Segundo Jânio, há indícios (ainda não confirmados por ele) de que Bolsonaro foi "aconselhado" na área militar a ceder o lugar de vice para Mourão.

Jânio reparou, corretamente, que Mourão tem uma segurança afirmativa que não se assemelha mais a meros arroubos, como passava a impressão durante a campanha eleitoral.

Por exemplo:

"Tenho certeza absoluta de que nós não vamos brigar" [com a China]. A mudança da embaixada brasileira em Israel, de Tel Aviv para Jerusalém, já reafirmada por Bolsonaro, "é uma decisão que não pode ser tomada de afogadilho, de orelhada". Sobre o fim do Mercosul, também dado como decisão, "antes de pensar em extinguir, derrubar, boicotar, temos que fazer os esforços necessários para que atinja os seus objetivos".
 

Peça 4 – a lógica do Congresso


Congressos repetem indefinidamente os mesmos vícios e virtudes do Senado romano. Entram os cidadãos mais abonados, muitas vezes comprando os mandatos com campanhas caras e/ou herança política, com o objetivo de negociar com o Imperador os filtros a seus atos.

A lógica política demandaria um acordo com o Centrão, apoiando a eleição de Rodrigo Maia na Câmara e Renan Calheiros no Senador. Seria um acordo de sobrevivência, não de adesão. Mas há convicção de que os círculos íntimos de Bolsonaro farão tudo para impedir e partir para o confronto.

Na hipótese de Bolsonaro ganhar a presidência de uma das casas, os perdedores irão retaliar. Mesmo porque há um clima pesado, por conta da indicação do juiz Sérgio Moro para o Ministério da Justiça, entendida como tentativa do grupo de Moro de intimidar o Congresso.

O resultado da eleição para o Congresso mostrará melhor o rumo do governo. Entre velhas raposas há a convicção de que Bolsonaro sabe que o melhor caminho – para seu governo – seria o acordo de sobrevivência. Mas duvidam que ele tenha força para enfrentar os lobbies internos, constituído de um pessoal primário que acha que poderá domar o Congresso – algo que nem o governo militar de 1964 conseguiu, a ponto de fechar o Congresso pela impossibilidade de controla-lo.
 

Peça 5 – os primeiros conflitos

Os primeiros conflitos à vista provavelmente serão entre os filhos, contra a gana dos financiadores e de Onix Lorenzoni.

A eles se somarão os generais Hamilton Mourão e Augusto Heleno, agastados com a fritura a que foi exposta o general Ferreira por Onix e o grupo dos financiadores.

Conforme observamos semanas atrás, as únicas ideias consistentes, sistematizadas, que poderiam ser entendidos como um projeto de governo era o plano integrado de infraestrutura, preparado pelo general Ferreira, contemplando o curto, médio e longo prazo.

E nem houve espaço para falar do novo Ministro da Educação Ricardo Velez Rodrigues e do inacreditável chanceler Ernesto Araújo.
 
 
20
Nov18

Porque o blog Tijolaço anda quase paralisado

Talis Andrade

 

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Há 20 dias, percebem os leitores, este blog anda “devagar, quase parando”.

 

Uma explicação é necessária.

 

A razão é o fato de que ele é um “exército de um homem só”: é feito por um único autor, sem equipe, e o autor está com problemas de saúde.

 

Que não se limitaram a uma simples virose, mas prosseguem, com febres diárias, mal-estares e, com eles, dificuldades para acompanhar tudo o que se passa e, sobretudo, concatenar o raciocínio para escrever.

 

Meia hora de concentração parece equivaler a muitas horas de trabalho e provocam um esgotamento total.

 

Na sexta-feira, com a ajuda de amigos médicos, comecei uma série de exames mais profundos que, espero, vão esclarecer as causas do problema e o cuidado adequado.

 

Outros estão marcados para o decorrer da semana.

 

Espero retornar em breve ao ritmo que sempre mantive, não só porque esta atividade é meu maior prazer como é, afinal, meu ganha-pão há cinco anos e mais de 12 mil postagens.

 

Mas, ainda assim, é um meio de vida, não de morte.

 

É o que queria explicar, pelo que devo a todos os leitores.

 

 

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Clique aqui

 

01
Nov18

Os jornalistas em luta contra o fascismo

Talis Andrade

 

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A Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ, representante máxima da categoria no Brasil, expressa sua preocupação com o futuro da nação brasileira, após a eleição da chapa formada pelo capitão reformado Jair Bolsonaro e pelo general Mourão, também reformado, para governar o país a partir de 1º de janeiro de 2019.

 

A FENAJ repudia a violência contra jornalistas e, em especial, as declarações do assessor de Bolsonaro, Eduardo Guimarães, que apenas esperou a divulgação, no início da noite de ontem (28/10), das pesquisas de boca de urna indicando a vitória de seu assessorado para enviar mensagem ofensiva a diversos jornalistas de diferentes veículos de mídia. Também ontem, jornalistas foram agredidos enquanto faziam a cobertura das comemorações da vitória de Bolsonaro em mais de um Estado brasileiro.

 

Os muitos casos de agressões contra jornalistas ocorridos durante a campanha eleitoral e a indiferença de Bolsonaro diante dos ataques reforçam o que a trajetória política dele já demonstrara: o político de ultra-direita é avesso a críticas e não admite ser questionado publicamente, mesmo quando as questões dizem respeito à sua atuação como homem público.

 

Ainda que Bolsonaro tenha assumido o compromisso de respeitar a Constituição brasileira, é de conhecimento público suas ideias autoritárias, como a defesa da ditadura militar, e até mesmo criminosas, como a apologia à tortura. Resta saber como vai se comportar a partir de agora, e se vai se submeter às regras democráticas, entre elas a do respeito às liberdades de expressão e de imprensa.

 

A FENAJ e os Sindicatos de Jornalistas não aceitam qualquer tipo de violência contra a categoria e categoricamente afirmam que não há justificativa admissível para as agressões que vêm ocorrendo e que cresceram no ambiente virtual no decorrer da campanha.

 

Igualmente, FENAJ e Sindicatos não aceitam a retirada de direitos dos trabalhadores e trabalhadoras e estarão nas trincheiras da resistência, para evitar mais prejuízos. Como deputado, Bolsonaro votou sempre contra os interesses da classe trabalhadora.

 

Estaremos firmes e alertas para impedir que os retrocessos iniciados por Temer se aprofundem ainda mais.

 

Diante das incertezas do futuro, a FENAJ e seus Sindicatos filiados reafirmam seu compromisso com a democracia, com o Estado Democrático de Direito, com as liberdades individuais e coletivas e com os direitos humanos, trabalhistas e sociais. E lembram que o Jornalismo e os jornalistas têm papel fundamental para a democracia e a constituição da cidadania e que governantes democráticos submetem-se à crítica e, principalmente, à vontade da maioria que, no Brasil e no mundo, é constituída pela classe trabalhadora.

 

01
Nov18

MANIFESTO DOS CORRESPONDENTES ESTRANGEIROS EM DEFESA DA LIBERDADE DE IMPRENSA

Talis Andrade

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A Associação de Correspondentes Estrangeiros (ACE), que reúne jornalistas da imprensa internacional, em São Paulo, une-se aos colegas brasileiros e às diversas organizações que representam o jornalismo, dentro e fora do país, para manifestar seu repúdio com a forma em que os repórteres estão sendo tratados durante manifestações, que deveriam ser pacíficas e de comemoração ao fim de mais uma jornada democrática no Brasil.

 

Temos recebido inúmeros relatos de colegas que têm sido assediados física e moralmente nas ruas das principais cidades brasileiras, no momento em que exerciam suas coberturas. Vários colegas estrangeiros foram hostilizados, vítimas inclusive de xenofobia, por parte de manifestantes, enquanto tentavam fazer entrevistas, pelo fato de usar câmeras, gravadores ou blocos de notas que os identificavam como jornalistas. Em alguns relatos, a polícia se absteve de proteger os nossos colegas, e fez vista grossa às agressões. Fazemos o apelo às autoridades da segurança pública para que garantam a proteção e o respeito aos jornalistas nas ruas.

 

Consideramos inaceitável este tipo de atitudes, ainda mais condenáveis em um país democrático e solicitamos às autoridades brasileiras, e em especial ao Presidente e aos políticos recém-eleitos, que se pronunciem e reprovem com veemência atos de violência e de desrespeito contra jornalistas e veículos de comunicação.

 

Solidarizamo-nos com os colegas brasileiros que também têm sido alvo de ataques e perseguições graves, assim como os meios de comunicação que estão sendo hostilizados e desrespeitados por cumprir seu papel de investigar, de combater a corrupção e de fomentar o diálogo, valores fundamentais para o exercício da democracia, um sistema político que vai além do voto, e que fica frágil sem o devido respeito às instituições.

 

Somamo-nos às organizações que defendem a nossa profissão, como a Associação Brasileira de Jornalistas Investigativos (Abraji), que documentou mais de 140 casos de ameaça e violência contra jornalistas durante as eleições.

 

Pedimos ao presidente recém-eleito, Jair Messias Bolsonaro que, em nome de tudo o que representa, tendo recebido a confiança dos brasileiros, e tendo garantido que honrará a Constituição e a Liberdade de Imprensa, cobre da sua militância e dos eleitores, o mesmo compromisso, e que não incite a perseguição de jornalistas e meios, já que só com eles será possível mantermos a verdadeira democracia que todos queremos.

 

Agora que a campanha eleitoral acabou e que teremos um novo Governo democraticamente eleito, a sua figura e as suas palavras serão de extrema importância para aquietar os ânimos e desestimular a violência.

Associação dos Correspondentes Estrangeiros (ACE)
São Paulo, 30 de outubro de 2018

 

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