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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

11
Mai19

Lula: Bolsonaro um doente que acha o problema do Brasil se resolve com arma

Talis Andrade

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Em entrevista para o jornalista Kennedy Alencar, divulgada na noite desta sexta-feira, pela rede britânica BBC World News, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso há pouco mais de um ano na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, voltou a defender sua inocência no caso do apartamento triplex no Guarujá, e criticou duramente os primeiros meses do governo de Jair Bolsonaro (PSL).

"Acho que ele tem um início de mandato extremamente desastroso. A impressão que eu tenho é que ele não sabe 'lé com cré'. Um doente, que acha que o problema do Brasil se resolve com arma, e o problema do Brasil se resolve com livro, com escola", disse Lula.

Lula analisa as grandes manifestações de junho de 2013, um movimento que, para ele, ainda não foi bem compreendido.

"Até hoje não avaliamos corretamente o que aconteceu em 2013. Ninguém me convence de que aquilo aconteceu porque a polícia de São Paulo bateu numa manifestação de 3 mil pessoas. Aquilo já fazia parte da arquitetura política para derrubar o governo, tirar o PT."

 

A elite brasileira


Na conversa com Kennedy Alencar, Lula analisa o que chama de "problema psicológico" da elite do país, que jamais aceitou as mudanças sociais promovidas pelos seus dois mandatos como presidente da República.

"Penso que no Brasil temos um problema psicológico coletivo na elite brasileira, que é não suportar a ascensão das camadas mais pobres. Incomoda, é triste, mas incomoda os pobres ocuparem as praças que eram dos ricos, os restaurantes, os aviões. Incomoda os pobres ocuparam o espaço de ascensão social que não estava previsto pela elite brasileira desde o fim da escravidão."

 

Política econômica


Dando mostras de que o ano preso em Curitiba não alterou sua conhecida verve política, o ex-presidente comentou os caminhos existentes para o Brasil enfrentar a crise e voltar a criar emprego e renda para a população.

"Tem duas formas de um país crescer. Uma é o mercado interno, é produzir para o consumo do seu povo, e a outra é produzir para a exportação. Para exportar, você precisa fazer um esforço incomensurável para vender, e foi isso que fiz nos meus governos", explica.

 

09
Mai19

O que significa Bolsonaro no poder

Talis Andrade

 

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por Jessé Souza

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A eleição de Jair Bolsonaro foi um protesto da população brasileira. Um protesto financiado e produzido pela elite colonizada e sua imprensa venal, mas, ainda assim, um "protesto". Uma sociedade empobrecida – cheia de desempregados, de miseráveis e violência endêmica, cujas causas, segundo a elite e a grande imprensa que a mantém, é apenas a "corrupção política" – elege o mais nefasto político que os 500 anos de história brasileira já produziu. Segundo a imprensa comprada, a corrupção é, inclusive, culpa do PT e de Lula manipulando a informação e criando uma guerra entre os pobres. Sem compreender o que acontece, a sociedade como um todo é manipulada e passa a agir contra seus melhores interesses.

A única classe social que entra no jogo sabendo o que quer é a elite de proprietários. Para a elite, o que conta é a captura do orçamento público via "dívida pública" e juros extorsivos, e ter o Estado como seu "banco particular" para encher o próprio bolso. A reforma da previdência é apenas a última máscara desta compulsão à repetição. Mas as outras classes sociais, manipuladas pela elite e sua imprensa, também participaram do esquema, sempre "contra" seus melhores interesses.

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A classe média real entrou em peso no jogo, como sempre, contra os pobres para mantê-los servis, humilhados e sem chances de concorrer aos privilégios educacionais de que desfruta. Os pobres entraram no jogo parcialmente, o que se revelou decisivo do ponto de vista eleitoral, pela manipulação de sua fragilidade e pela sua divisão proposital entre pobres decentes e pobres "delinquentes". Esses dois fatores juntos, a guerra social contra os pobres e entre os pobres, elegeram Bolsonaro e sua claque.

Foi um protesto contra o progresso material e moral da sociedade brasileira desde 1988 e que foi aprofundado a partir de 2002. Estava em curso um processo de aprendizado coletivo raro na história da sociedade brasileira. Como ninguém em sã consciência pode ser contra o progresso material e moral de todos, o pretexto construído, para produzir o atraso e mascará-lo como avanço, foi o pretexto, já velho de cem anos, da suposta luta contra a corrupção. Sérgio Moro incorporou esta farsa canalha como ninguém.

A "corrupção política", como tenho defendido em todas as oportunidades, é a única legitimação da elite brasileira para manipular a sociedade e tornar o Estado seu banco particular. A captura do Estado pelos proprietários, obviamente, é a verdadeira corrupção que, inclusive, a "esquerda" até hoje, ainda sem contradiscurso e sem narrativa própria, parece não ter compreendido.

Agora, eleição ganha e Bolsonaro no poder, começam as brigas intestinas entre interesses muito contraditórios que haviam se unido conjunturalmente na guerra contra os pobres e seus representantes. Bolsonaro é um representante típico da baixa classe média raivosa, cuja face militarizada é a milícia, que teme a proletarização e, portanto, constrói distinções morais contra os pobres tornados "delinquentes" (supostos bandidos, prostitutas, homossexuais, etc.) e seus representantes, os "comunistas", para legitimar seu ódio e fabricar uma distância segura em relação a eles.

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Toda a sexualidade reprimida e todo o ressentimento de classe sem expressão racional cabem nesse vaso. O seu anticomunismo radical e seu anti-intelectualismo significam a sua ambivalente identificação com o opressor, um mecanismo de defesa e uma fantasia que o livra de ser assimilado à classe dos oprimidos. Olavo de Carvalho é o profeta que deu um sentido e uma orientação a essa turma de desvalidos de espírito.

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É claro que Bolsonaro é um mero fantoche ocasional das elites brasileira e americana. Quando ele volta de mãos vazias dos Estados Unidos, depois de dar sem qualquer contrapartida o que os americanos nem sequer tinham pedido, a única explicação é que ele estava lá como sujeito privado e não como presidente de um país. Como sujeito privado, é bem possível que ele estivesse pagando, com dinheiro e recursos públicos, os gastos de campanha até hoje secretos e sem explicação. Mas é óbvio que sua campanha foi feita e muito provavelmente financiada pelos mesmos que fizeram e bancaram a campanha de Trump.

O seu discurso de ódio era o único remédio contra a volta do PT ao poder. E como a elite e sua imprensa querem o saque do povo, e para isso se aliam até ao diabo, ou pior, até a Bolsonaro, sua escolha teve este sentido. O ódio, por sua vez, é produzido pela revolta de quem não entende por que fica mais pobre e a única explicação oferecida pela imprensa venal é o eterno "bode expiatório" da corrupção política. Mas a corrupção política era a forma, até então, como se manipulava a falsa moralidade da classe média real. Como se chega com esse discurso manipulador também nas classes baixas? O voto da elite e da classe média no Brasil não ganha eleição nenhuma. Este é um país de pobres.

A questão interessante passa a ser como e por que setores das classes populares passaram a seguir Bolsonaro e permitiram sua eleição. Para quem Bolsonaro fala quando diz suas maluquices e suas agressões grosseiras? Ele fala, antes de tudo, para a baixa classe média iletrada dos setores mais conservadores do público evangélico. Este público que ganha entre dois e cinco salários mínimos é um pobre remediado que odeia o mais pobre e idealiza o rico. O anticomunismo, por exemplo, tem o efeito de irmanar este pobre remediado com o rico, já que é uma oportunidade de se solidarizar com o inimigo de classe que o explora e não com seu vizinho mais pobre com quem não quer ter nada em comum. Isso o faz pensar que ele, em alguma medida, também é rico – ou em vias de ser –, já que pensa como ele.

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O anti-intelectualismo também está em casa na baixa classe média. Isso é importante quando queremos saber a quem Bolsonaro fala quando ataca, por exemplo, as universidades e o conhecimento. A relação da baixa classe média com o conhecimento é ambivalente: ela inveja e odeia o conhecimento que não possui, daí o ódio aos intelectuais, à universidade, à sociologia ou à filosofia.

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Este é o público verdadeiramente cativo de Bolsonaro e sua pregação. É onde ele está em casa, é de onde ele também vem. Obviamente esta classe é indefesa contra a mentira institucionalizada da elite e de sua imprensa. Ela é vítima tanto do ódio de classe contra ela própria, que cria uma raiva que não se compreende de onde vem, e da manipulação de seu medo de se proletarizar. Quando essas duas coisas se juntam, o pobre remediado passa a ser mais pró-rico que o Dória.

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A escolha de Sérgio Moro foi uma ponte para cima com a classe média tradicional que também odeia os pobres, inveja os ricos e se imagina moralmente perfeita porque se escandaliza com a corrupção seletiva dos tolos. Mas, apesar de socialmente conservadora, ela não se identifica com a moralidade rígida nos costumes dos bolsonaristas de raiz, que estão mais perto dos pobres. Paulo Guedes, por sua vez, é o lacaio dos ricos que fica com o quinhão destinado a todos aqueles que sujam as mãos de sangue para aumentar a riqueza dos já poderosos.

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Os primeiros meses de Bolsonaro mostram que a convivência desses aliados de ocasião não é fácil. A elite não quer o barulho e a baixaria de Bolsonaro e sua claque, que só prejudicam os negócios. Também a classe média tradicional se envergonha crescentemente do "capitão pateta". Ao mesmo tempo, sem barulho nem baixaria Bolsonaro não existe. Bolsonaro "é" a baixaria. Sérgio Moro, tão tolo, superficial e narcísico como a classe que representa, é queimado em fogo brando, já que o Estado policial que almeja, para matar pobres e controlar seletivamente a política, em favor dos interesses corporativos do aparelho jurídico-policial do Estado, não interessa de verdade nem à elite nem a seus políticos. Sem a mídia a blindá-lo, Sérgio Moro é um fantoche patético em busca de uma voz.

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O resumo da ópera mostra a dificuldade de se dominar uma sociedade marginalizando, ainda que em graus variáveis, cerca de 80% dela. Bolsonaro e sua penetração na banda podre das classes populares foi útil para vencer o PT, mas é tão grotesco, asqueroso e primitivo que governar com ele é literalmente impossível. A idiotice dele e de sua claque no governo é literal no sentido da patologia que o termo define. Eles vivem em um mundo à parte, comandado pelo anti-intelectualismo militante, o qual não envolve apenas uma percepção distorcida do mundo. O idiota é também levado a agir segundo pulsões e afetos que não respeitam o controle da realidade externa. Um idiota de verdade no comando da nação é um preço muito alto até para uma elite e uma classe média sem compromisso com a população nem com a sociedade como um todo. Esse é o dilema do idiota Jair Bolsonaro no poder.

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09
Mai19

Veríssimo: os generais não podem se queixar

Talis Andrade

por Fernando Brito

Outro dia, perguntei aqui se alguem duvidava do que Lula disse sobre sermos governados por um bando de malucos.

Hoje, n’O Globo, o craque Luis Fernando Veríssimo responde magistralmente a esta pergunta.

Não é assim. É pior.

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Malucos e malucos no governo

por Luis Fernando Veríssimo

O Lula disse que o Brasil está sendo governado por um bando de malucos. Exagero, claro. É difícil associar o que acontece no Brasil hoje com qualquer atividade que lembre o verbo “governar”. A mesma coisa com o termo “bando”, que, bem ou mal, evoca algum tipo de organização. Lula também exagerou ao chamar de “malucos” os que se aproveitam da confusão para promover seus projetos políticos pessoais, e que de loucos não têm nada. No mais, o Lula tem razão.

 

A alusão mais precisa que Lula, talvez, procurasse para nossa situação seria a do manicômio dominado pelos pacientes. Este sentimento de um país à deriva, sem entender seu governo e sem entender a si mesmo, é — imagina-se — quase total, mesmo entre os que bolsonaram e esperavam em vão que o “mito” começasse a atuar, nem que fosse só na escolha de um ministério menos exótico. Um bando de malucos se apossando da administração deixa o país tremebundo, mas institucionalmente de pé. Maluco se revoltando contra a instituição é outra coisa, mais grave. Não fica nem uma caneca de pé.

 

Os generais que ganharam uma nação de graça, sem necessidade de disfarçar farda com terno ou tanque com discurso, estão achando difícil a convivência com civis, chame-se Olavo ou não. Descobrem como eram melhores as revoluções clássicas, com tropas nas ruas. Mas os militares não podem se queixar muito. Se a eleição do Bolsonaro provou alguma coisa — e provou várias — é que boa parte de 60 milhões de eleitores do país não deu a menor bola para o passado e os crimes das Forças Armadas brasileiras nos 20 anos da ditadura que o candidato vencedor diz que nunca aconteceu.

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08
Mai19

Alguém duvida do “bando de malucos” de que falou Lula?

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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Há menos de duas semanas, na sua primeira entrevista desde que foi encarcerado, falou que o país estava governado por “um bando de malucos”.

A esta altura, exceto os obnublados pelo fanatismo, pode achar que era errado ou exagerado o dignóstico de Lula sobre o governo brasileiro.

Se alguém despertou de um longo coma e lê os jornais e assiste à televisão vai ficar naquela situação do antigo personagem de Jô Soares, um general que “apagou” por seis anos e, ao saber do que acontecia no Brasil gritava “tira o tubo, tira o tubo!”

Vamos investir em educação, e tome corte de 30% na área. Vamos dar fim à violência, e liberam 300 mil pessoas para andarem de arma carregada. Com Bolsonaro os militares vão voltar ao governo e voltaram para serem chamado de “bostas” pelo guru da familia presidencial…

Não se discute uma, sequer uma, política econômica anticíclica, que nos afaste da recessão continuada, sequer uma política social que não seja a de cortar benefícios, aposentadorias, salários.

As discussões nacionais são apenas sobre quinquilharias, bobagens, moralismos sexuais e quejandos…

A toda hora, enquanto o país arde, um bando de alienados brinca de fazer “arminha”.

Podem cortar a zero as aposentadorias, ainda assim um país entregue à matroca, paralisado, decompondo-se... Não vai sair da crise nem com reza forte.

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04
Mai19

Este sim é o culpado

Talis Andrade

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Moro e a Lava Jato são o primeiro motor de um golpe inédito à Brasileira que deságua no governo Bolsonaro, antes demente que totalitário

 

por Mino Carta

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Nada de mais fácil entendimento do que a entrega do ministério da injustiça, com amplos poderes de investigar quaisquer cidadãos, a alguém que com a Justiça não tem o mais pálido achego. Em compensação Sérgio Moro e sua Lava Jato são os primeiros responsáveis pela desgraça que se abate sobre todos nós, cientes ou não. O prêmio a Moro dispensa explicação. Ninguém como este oportunista recalcado e provinciano, disposto a se atribuir alcances impensáveis e a mantê-los com o beneplácito de uma suprema corte de fancaria, foi tão eficaz para atingir o objetivo principal do golpe urdido desde antes do impeachment de Dilma Rousseff à sombra da inquisição curitibana: eliminar Luiz Inácio Lula da Silva do cenário político. A viagem do processo capaz de unir a tantos em nome desse denominador comum demora cerca de cinco anos para juntar passageiros díspares, de Eduardo Cunha a Michel Temer, dos chamados ministros do STF à mídia nativa, dos delatores acovardados a Antonio Palocci para nos conduzir à eleição de Jair Bolsonaro e sua turma tresloucada. Recheada também de generais entreguistas que por ora o mantêm na Presidência. Nisso tudo campeia Sérgio Moro.

 

Luigi Ferrajoli, jurista italiano respeitadíssimo mundo afora, inclusive no Brasil por quem entende das coisas, em novembro de 2017 escreveu em CartaCapital que, fôssemos um país democrático e civilizado, Moro teria sido removido das suas funções por desacato às regras mais elementares do processo justo. É peça impecável a mostrar como a politização da injustiça só pode acontecer nestas nossas infelizes latitudes. E tal é o ponto, o prego que volta e meia me ponho a percutir a bem da verdade factual.

 

É preciso entender que Bolsonaro não é neofascista, representa apenas a demência no poder, é seu intérprete, e talvez venha a ser sua vítima ao longo do vagaroso andar da história. Talvez? Corrijo, insuflado pela esperança: certamente será. Ele é a consequência de 519 anos de prepotências e desmandos e de um entrecho cujo primeiro motor é a Lava Jato. Bolsonaro é a aberração criada pelo constante ataque à Razão e à Lei, e nesta tarefa Sérgio Moro revelou-se imbatível. A já invocada verdade factual soletra que o inquisidor curitibano, secundado pelo pregador da cruzada Deltan Dallagnol, desde 2009 colocou-se à disposição de Washington, onde Lula, embora tivesse sido o “cara” de Obama, era considerado entrave fatal à devolução do Brasil ao quintal de Tio Sam. A política exterior independente não poderia ser do agrado estadunidense e os passos dados no campo social quem sabe abrissem os olhos de muitos ex-miseráveis.

 

Os lacaios dos EUA não se sabe exatamente o que ganham com a subserviência, mas conseguiram impedir uma nova vitória eleitoral do ex-presidente e, portanto, a volta integral a um projeto de governo do qual Dilma havia em boa parte se afastado. Impressa na minha memória a noite de 7 de abril do ano passado, quando Lula se entregou à PF, e o desfile sinistro dos carros pretos, como conviria a um enterro, a conduzir o ex-presidente ao primeiro paradeiro, antes de tomar o avião que o levaria a Curitiba. Enfim, a chegada ao telhado da PF curitibana, onde o aguardavam figuras desfocadas como fantasmas, prontas a acompanhá-lo escada abaixo até as entranhas do edifício.

 

Estamos no país da casa-grande e da senzala. E é por aí que se deve entender a presença impune dos canalhas que enchem a boca com a palavra pátria. Somente no Brasil a mídia em peso aplaude a prisão de Lula

 

Nada tão simbólico da ofensa a todo brasileiro consciente da cidadania, e dos que vivem no limbo, embora poucos se deem conta dela. Estamos, porém, no país da casa-grande e da senzala. E é por aí que se deve entender a presença impune dos canalhas que enchem a boca com a palavra pátria. Somente no Brasil a mídia em peso aplaude a prisão de Lula, somente no Brasil até agora faltou a manifestação fluvial de protesto e raiva, somente no Brasil quem se diz de esquerda não reagiu em proveito de uma automática e desassombrada união em torno do grande injustiçado. Consta, entretanto, que a celebrar um ano de infâmia está previsto um embate futebolístico, não se apurou se entre casados e solteiros, mas todos de declarada crença esquerdista, mesmo aqueles que no gramado atuam pela direita. E a torcida gritará gooooooool! Espero com todo o empenho e o máximo de fé, que outros eventos nas capitais do Brasil e do mundo programados para o domingo 7 ponham finalmente os pingos nos is.

 

Manifestações populares mais significativas deram-se no Carnaval, diria, contudo, mestre Ferrajoli: Carnevale ogni scherzo vale (Carnaval, toda brincadeira vale). Onde sobraram os beneficiados pelo governo Lula, sem contar o importante banqueiro que em junho de 2014 perguntava: “Mas por que Lula não tira Dilma do páreo e assume a candidatura?” Fica a constatação: o presidente que ao cabo de dois mandatos contava com 89% de aprovação está preso há um ano e, se depender da malta insana que pretende nos governar por obra de um regime antes demente que totalitário, vai apodrecer na cadeia.

 

Lula contrariou interesses graúdos quando impôs sua liderança e conquistou o favor popular. Paga por isso. E paga o Brasil, incapaz de registrar a profunda ofensa recebida com a prisão de Lula, enquanto o conge de dona Rosângela ganha farto alimento para a sua devastadora vaidade

 

O ex-presidente, constrangido no despojado espaço de 25 metros quadrados (banheiro incluso) que sequer admite janelas, mantém a altivez e a serenidade que lhe garantiram o respeito dos carcereiros. Já escrevi não saber se ele percebeu que mesmo dentro do seu PT há quem hoje o tenha como incômodo, e tampouco sei até onde o atormenta a ideia do tempo perdido, do vazio político, da insensibilidade das ruas. Aos meus olhos o metalúrgico que sentou no trono é figura shakespeariana obrigada a viver um enredo kafkiano ao despertar de um sonho efêmero de grandeza. Da areia movediça em que se move a política, a pasta da cordialidade brasileira, exalam maus humores para aturdir a plateia ignorante e por natureza velhaca. O verbo a ser conjugado é maneirar, o provérbio “deixa como está para ver como fica”. Lula tentou maneirar, mas nunca o bastante. Contrariou interesses graúdos quando impôs sua liderança e conquistou o favor popular. Paga por isso.

 

E paga o Brasil, incapaz de registrar a profunda ofensa recebida com a prisão de Lula, enquanto o conge de dona Rosângela ganha farto alimento para a sua devastadora vaidade. Já disse e repito: eu me sinto pessoal e gravemente golpeado entre o fígado e a alma.

 

 

30
Abr19

O CAPITÃO AGE POR IMPULSO, ESTÁ ACOSTUMADO A SER CONTRADITÓRIO

Talis Andrade

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por Helio Fernandes

___

Ou então ser desmentido por auxiliares, como já aconteceu as mais diversas vezes. São tantas e o capitão está tão desacreditado, que vou citar e comentar apenas as duas ultimas polemicas sobre preços, (Petrobras e Banco do Brasil), com enorme repercussão. E naturalmente anulando os próprios atos, não tinha capacidade legal para praticá-los.
 
Primeiro foi a Petrobras, invadiu a área da maior empresa brasileira, fixou preços sem consultar ninguém. Voltou atrás, Lorenzoni, apesar do cargo que ocupa não soube de nada, disse textualmente para os caminhoneiros: "Demos uma trava na Petrobras". (Como eles são obstinados pela linguagem das redes sociais, era FAKE).

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No fim de semana, sem informação ou convicção mas com muita arrogância e desequilíbrio e sem respeito por ninguém, mandou que "o presidente do BB cancelasse um anuncio publicado". Ordem cumprida sem a a menor analise, só a subserviência natural de quem pretende se manter no cargo,pelo menos por 4 anos.
 
Considerando que era um vitorioso, o capitão resolveu e transformou numa ordem e diretriz para o governo (desgoverno. Textual: "Toda a publicidade, mesmo mercadológica e abrangendo as  mais diversas estatais, precisa ser autorizada pelo Planalto". Designou órgãos e responsáveis, mandou publicar.
 
Menos de 48 horas depois, começou o protesto, a repercussão negativa, enorme. A ordem da "autoridade" responsável atingiu o Planalto em plena comemoração:" As estatais têm independência e exclusividade para destinar e distribuir sua publicidade".
 
PS- O capitão não reclamou, imediatamente mandou anular tudo.
 
PS2- Está acostumado. Perdão, acostumadíssimo.
29
Abr19

Lula: Todo mundo vai se lascar se aprovada a reforma da Previdência

Talis Andrade

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Disse Lula na entrevista ao El País e Folha de S. Paulo:

Com a família que ele tem, com a loucura que tem. O inimigo central dele, além o PT, que é o primeiro inimigo dele, é o vice. Quer dizer, é uma loucura. Ele passar a agredir os deputados, depois tenta agradar os deputados, diz que está fazendo a nova política, e ele faz a mesma, porque ele é um velho político. Então, o país está subordinado à ingovernabilidade. Está desgovernado. Ele até agora não sabe o que fazer, e quem dita regras é o Guedes. O homem de um trilhão. Todo santo dia, eu vejo o jornal das 19h, das 20h, das 21h, das 23h, do meio dia, em todos os canais. Nunca vi tanto jornal na vida. É tudo a mesma coisa. Parece as sentenças que dão contra mim. E é tudo a reforma da Previdência. Fez a reforma da previdência acabou o problema do Brasil, todo mundo vai ficar maravilhosamente bem. E eu acho que todo mundo vai se lascar se aprovada a Previdência tal como ele quer. Se a Previdência precisa de reforma, você senta com os trabalhadores e os atores empresários, aposentados, políticos, e encontra uma solução para arrumar onde tem que arrumar.

 

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27
Abr19

A imprensa vendida e partidária censurou a entrevista de Lula, que critica Bolsonaro e diz que "Brasil desmanchou"

Talis Andrade

Além da Folha de São Paulo que fez a entrevista, apenas um jornal brasileiro destacou a entrevista de Lula, que também foi concedida ao jornal El País da Espanha, e divulgada pelas agências de notícias para os principais meios de comunicação internacionais.

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Nina Santos, divulga na RFI:

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu sua primeira entrevista desde sua prisão, nesta sexta-feira (26). Ele criticou o governo Jair Bolsonaro, reafirmou sua inocência e disse que "o Brasil desmanchou". O ex-presidente relembrou a descoberta do pré-sal e afirmou que via naquela ocasião a oportunidade de "fazer o país virar gigante". Lula se diz incrédulo de ver a perda de prestígio internacional do Brasil.

Na entrevista, concedida a jornalistas dos jornais Folha de S.Paulo e El País, o petista relembrou seus mandatos como uma época em que o Brasil era referência. "Eu fui o único presidente a ser convidado para todas reuniões do G8", afirmou. Lula falou ainda do seu desejo de criar um bloco regional na América do Sul para dar mais força às posições da região e lamentou que tudo isso não tenha se concretizado. "A que ponto nós chegamos, que avacalhação", disse ele.

.

"Obsessão de desmascarar os que me condenaram"

Sobre os processos contra o ex-presidente, Lula afirmou que sua obsessão é desmascarar "a farsa montada". Ele disse que foi para a prisão com tranquilidade e que vai provar a inocência dele. Disse que adoraria estar em casa, mas que quer sair da cadeia com a cabeça erguida e só poderá fazer isso se "tiver coragem e lutar por isso".

O ex-presidente elogiou a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) em outros casos, destacando decisões históricas como a aprovação de pesquisas com células-tronco, da união civil de homossexuais e das cotas nas universidades. Segundo ele, a única coisa que ele deseja é que seu caso seja julgado de acordo com o processo e destacou que não quer favores.

Lula disse ainda que espera o dia em que as pessoas que o julgam estejam preocupadas com as provas e não com manchetes de jornais. "Ficarei preso 100 anos, mas não trocarei a minha dignidade pela minha liberdade", acrescentou.

Ele ainda brincou dizendo não ter ódio ou mágoa porque na idade dele esses sentimentos fazem mal e ele acha que é um ser humano que "nasceu pra ir até os 120 anos".

.

Preocupação com a família

Lula declarou estar preocupado com sua família principalmente pelo fato de seus bens estarem bloqueados para uso dos filhos. Ele disse que seus filhos o visitam com frequência, mas que "nenhum deles está bem".

Lula criticou ainda a multa aplicada a ele no caso do tripléx do Guarujá. "Eu tinha sido multado em R$ 32 milhões, o STJ diminuiu pra R$ 2 milhões. Qual é a lógica?", questionou ele.

.

Direito a dar entrevista

A primeira entrevista de Lula após a prisão aconteceu depois de muitas idas e vindas judiciais. O direito dele de conceder entrevistas havia sido negado pelo STF, que depois reviu a decisão.

Além dos jornais Folha de S. Paulo e do El País, que realizaram entrevistas hoje, o site The Intercept e a televisão TVT também conseguiram autorização para conversar com o ex-presidente.

 

 

27
Abr19

BOLSONARO, QUE FAZ O BRASIL PASSAR VERGONHA QUANDO FALA, DIZ QUE LULA NÃO PODERIA TER FALADO

Talis Andrade

Lula: "Quando eu sair daqui, quero sair daqui a pé e quero ir lá no meio deles. A primeira cachaça eu quero tomar com eles. E brindar" com os voluntários que participam da Vigília Lula Livre, há mais de um ano, em Curitiba, e todos os dias dizem "bom dia", "boa tarde" e "boa noite" presidente Lula

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Jair Bolsonaro disse na manhã deste sábado (27) que o Supremo Tribunal Federal (STF ) errou ao conceder o direito do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser entrevistado pela Folha de S. Paulo e pelo El País. "Lula nem deveria ter dado entrevista", informou o Uol.

"Segundo o presidente, o PT e Lula tinham um plano de poder que roubaria a liberdade dos brasileiros. Ele não detalhou como isso seria feito. Bolsonaro também declarou que o STF (Supremo Tribunal Federal) errou ao conceder o direito do petista dar entrevista", contou a reportagem.

Bolsonaro rebateu a frase de Lula de que o país está sendo governado por um "bando de maluco".

"Pelo menos não é um bando de cachaceiro. O Lula, primeiro, não deveria falar. Ele falou besteira. Quem era o time dele? Grande (parte) está preso ou sendo processado", disse Bolsonaro.

Bolsonaro não citou os nomes dos presos. Na entrevista, disse Lula: "Desde os anos 1970 você que tem no Brasil uma disputa entre o cara que foi preso e denunciou o companheiro que era traidor. Quem não denunciou é o herói. Eu nunca tratei assim. Eu acho que o ser humano tem um limite do suportável do ponto de vista psicológico, da dor que ele recebe".

"Eu tenho pena do Palocci porque um homem da qualidade política dele não tinha o direito de jogar a vida fora como ele jogou. Tenho um profundo respeito pela mãe do Palocci, que é fundadora do PT, que carrega barro até hoje pelo PT lá em Ribeirão Preto. Mas lamentavelmente eu tenho pena do Palocci. Ele não merecia fazer com ele o que ele está fazendo.

O ex-presidente Lula homenageou os voluntários que participam da Vigília Lula Livre, há mais de um ano, em Curitiba, e todos os dias dizem "bom dia", "boa tarde" e "boa noite" presidente Lula. "Eu escuto todo santo dia. Quando tem atividade, eu escuto discurso das 9h às 21h. É música, é canto. Eu sinceramente não sei como um dia eu vou poder agradecer a essa gente. Tem gente que está aqui [numa vigília em frente à PF] desde o dia em que eu cheguei aqui. Vai para casa, lava a roupa e volta para cá. Eu serei eternamente grato, não sei se isso já aconteceu alguma vez na história com alguém. Mas eu sinceramente não sei como fazer para agradecer. Eu já disse para todo o mundo aqui. Mas quando eu sair daqui, quero sair daqui a pé e quero ir lá no meio deles. A primeira cachaça eu quero tomar com eles. E brindar".

 

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