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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

13
Jul20

Preso por lavagem de dinheiro é 'oráculo' do MBL e sócio de fundador do grupo

Talis Andrade

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Deputado Youtuber ‘Arthur Mamãe Falei’ ao lado de Luciano Ayan (Carlos Afonso)

 

Preso Luciano Ayan, uma espécie de 'oráculo' do MBL e considerado um dos grandes disseminadores de fake news no Brasil. Ele espalhou boatos sobre Marielle Franco e também ajudou Jair Bolsonaro nas eleições de 2018, mas deixou de apoiar o presidente e se tornou um crítico da atual gestão

por Kiko Nogueira/ DCM

Dois integrantes do MBL foram presos na manhã desta sexta-feira (10) em operação realizada pela Polícia Civil, Ministério Público Estadual e Receita Federal.

Alessander Mônaco Ferreira e Carlos Augusto de Moraes Afonso são investigados pelo desvio de mais de R$ 400 milhões de empresas. De acordo com o MP, praticaram lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

São cumpridos seis mandados de buscas e apreensão, um deles na sede do Movimento Brasil Livre na Vila Mariana, em São Paulo.

Em nota, o MBL afirma que os dois “não são integrantes e sequer fazem parte dos quadros do MBL. Ambos nunca foram membros do movimento.”

A verdade é que a ligação é umbilical. Carlos Augusto de Moraes Afonso ficou famoso sob o pseudônimo de Luciano Ayan.

No início de 2018, ele admitiu ser o dono da página Ceticismo Político, que disseminou fake news sobre a morte de Marielle Franco. Detalhou como operava a Arthur do Val, o Mamãe Falei, hoje deputado estadual.

A conta foi retirada do ar pelo Facebook após ter sido apontada como grande impulsionadora das calúnias contra Marielle, agindo em conluio com o MBL.

Afonso/Ayan é sócio de Pedro D’Eyrot (veja aqui), líder e um dos fundadores do grupelho em uma consultoria. Até o início deste mês, ele também era sócio, em outro negócio, de Rafael Rizzo, coordenador de comunicação do MBL.

Na Receita Federal, consta que a Yey Inteigência tem sede no Centro de São Paulo e capital social de R$ 30 mil, sendo que o dirigente do MBL possui 75% das cotas.

Outra empresa do consultor ligada a lideranças do MBL é a Itframing Serviços de TI que foi criada em 12 de julho de 2016, três meses depois do golpe em Dilma.

O sócio de Afonso era Rafael Almeida Rizzo, coordenador de comunicação do MBL.

Afonso ratifica que o MBL desde sempre compartilhou o material publicado no site Ceticismo Político por concordar com as análises feitas por ele.

“Existe uma relação de parceria, porque o movimento desde o início compartilhou o meu material, concordou com as minhas análises de guerra política e muitas das estratégias que publiquei foram adotadas”, falou.

Ex-olavista, Afonso/Ayan tornou-se crítico de Bolsonaro após fazer campanha para o sujeito.

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06
Jul20

A corrupção tucana

Talis Andrade

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II - Lava Jato procura desviar a atenção dos crimes que cometeu contra a pátria 

por Umberto Martins

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Dono de contas opulentas no exterior, o senador tucano José Serra recebeu propinas no valor de pelo menos R$ 27,5 milhões da Odebrecht, em troca de favores em obras como a do Rodoanel Sul de São Paulo, e montou um sofisticado sistema de ocultação e administração da fortuna que usurpou na atividade política, segundo os procuradores. Ele e sua filha, Verônica Allende Serra, foram denunciadas pela prática de lavagem de dinheiro transnacional. O MPF obteve autorização na Justiça Federal para o bloqueio de cerca de R$ 40 milhões em uma conta da dupla na Suíça.

“José Serra e Verônica Allende Serra, entre 2006 e, ao menos, 2014, ocultaram e dissimularam, por meio de numerosas operações bancárias, a natureza, a origem, a localização e a propriedade de valores sabidamente provenientes de crimes, notadamente de corrupção passiva e ativa, de fraudes à licitação e de cartel, praticando, assim, atos de lavagem de capitais tipificados no art. 1º da Lei nº 9.613/1998”, sustenta a denúncia do ministério público.  

Política externa

As falcatruas de Serra e Aécio Neves já eram de amplo conhecimento público bem antes de sexta-feira  e são um testemunho poderoso da hipocrisia do tucanato. O PSDB foi grande protagonista político no golpe de Estado de 2016, que derrubou uma presidenta honesta com a falsa bandeira do combate à corrupção. À época, o hoje senador tucano foi premiado por Temer com o Itamaraty. Lá, ele quem inaugurou a nova política externa marcada pela hostilidade com governos progressistas da América Latina e a submissão aos Estados Unidos, orientação radicalizada pelo governo Bolsonaro.

Quando os holofotes midiáticos se voltaram para os malfeitos de Serra o senador paulista pediu demissão (em fevereiro de 2017). Não é de se lamentar a sorte do corrupto tucano. A delação da Lava Jato sobre as propinas de R$ 27 milhões data de dezembro de 2016, quase quatro anos atrás. Lula foi indiciado, condenado e preso em abril de 2018 num processo relâmpago por reformas em um triplex em Guarujá que não era dele e foi vendido após o kafkiano julgamento. A operação conduzida pela República de Curitiba foi orientada por objetivos políticos.  

03
Jun20

Relembre: Tacla Duran pagou Marlus Arns através de banco acusado de lavagem

Talis Andrade

Marlus Arns é também ligado à família Moro. Era o advogado a quem Rosângela encaminhava todas as ações da APAE do Paraná, no período em que comandou a diretoria jurídica da entidade

 
por Luis Nassif
GGN
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O jornalista Jamil Chade mostra, em seu blog na UOL, que o advogado Rodrigo Tacla Duran pagou US$ 612 mil ao advogado Marlus Arns, de Curitiba, através do Banco Paulista, acusado pela Lava Jato por lavagem de dinheiro.

É a segunda comprovação de atuação de advogados estreitamente ligados ao casal Moro. Um deles, Carlos Zucolotto, foi autor da proposta de redução da multa de Tacla, mediante honorários de US$ 5 milhões, pagos por fora. Zucolotto é considerado o melhor amigo de Sérgio Moro.

Marlus Arns é também ligado à família. Era o advogado a quem Rosângela Moro encaminhava todas as ações da APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) do Paraná, no período em que comandou a diretoria jurídica da entidade.

Aqui, o trecho da matéria em que Jamil narra o pagamento a Marlus Arns. Agora, documentos bancários também submetidos ao MP da Suíça, apontam que, no dia 14 de julho de 2016, um pagamento ocorreu e teria sido feito a partir de um banco em Genebra para a conta de um escritório de advogados de Curitiba. Naquele dia, Tacla depositou US$ 612 mil ao advogado Marlus Arns em uma conta no Banco Paulista. As informações fazem parte de documentos que constam de processos na Suíça. A reportagem tentou contato com Arns. Mas o advogado não respondeu nem por telefone e nem por email. No início do mês, a força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná denunciou três ex-executivos do Banco Paulista: Tarcísio Rodrigues Joaquim, Gerson Luiz Mendes de Brito e Paulo Cesar Haenel Pereira.

(continua)

 
 
18
Mai20

Além da PF, Lava Jato de Moro e Deltan também acobertou Flávio Bolsonaro

Talis Andrade

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por Jeferson Miola

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A denúncia do empresário Paulo Marinho sobre a proteção da Polícia Federal a Flávio Bolsonaro confirma as suspeitas de manipulação não só da PF, mas da Lava Jato na Operação Furna da Onça, executada em 8 de novembro de 2018.

Furna da Onça, “um desdobramento da Lava Jato no estado do Rio de Janeiro, contou com a participação de 200 policiais federais, 35 membros do Ministério Público Federal e 10 auditores da Receita Federal”.

Na ação, foram presos 10 deputados estaduais colegas de Flávio Bolsonaro, todos eles adeptos da mesmíssima prática da “rachadinha”, corrupção e lavagem de dinheiro de Flávio Bolsonaro.

E, além dos 10 deputados, também foram presos 16 assessores parlamentares, todos eles colegas do fugitivo Fabrício Queiroz, e todos eles igualmente “laranjas” e operadores dos esquemas corruptos dos gabinetes parlamentares.

A investigação que causou as prisões se baseou em relatórios do COAF de movimentações financeiras atípicas de parlamentares e assessores.

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No caso de Fabrício Queiroz, parceiro de churrascadas e pescarias do Jair e assessor do Flávio Bolsonaro, o COAF identificou a movimentação atípica de pelo menos R$ 1,2 milhão, mas que na realidade pode ultrapassar os R$ 6 milhões. O COAF inclusive encontrou depósitos de Queiroz na conta da hoje primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Como se percebe, a sucursal da Lava Jato no RJ poupou tanto Flávio Bolsonaro como Queiroz do destino dos demais 26 criminosos enjaulados.

Quando finalmente o escândalo do envolvimento de Flávio Bolsonaro veio à tona e a identidade de um personagem de nome Queiroz foi descoberta, Deltan Dallagnol mostrou estranha inapetência com o caso.

E, então, num ato supremo de prevaricação/crime, ele abandonou a investigação.

 

Via twitter, o prevaricador Deltan afirmou em 12 de dezembro de 2018: “Relatório do COAF apontou que 9 ex-assessores de Flávio Bolsonaro repassaram dinheiro para o seu motorista. Toda movimentação suspeita envolvendo políticos e pessoas a eles vinculadas precisa ser apurada com agilidade. É o papel do MP no RJ investigar” [aqui].

A decisão do Deltan, além de ilícita, é insustentável. Como ele pode defender que “É o papel do MP no RJ investigar” um caso que “contou com a participação de 200 policiais federais, 35 membros do Ministério Público Federal e 10 auditores da Receita Federal”, mas que não envolveu nenhum policial militar ou civil do Rio, nenhum membro do MP do Rio e nenhum auditor fiscal do Rio?

Aliás, é curioso que em março de 2020, um ano e meio depois de Deltan se desincumbir duma investigação que caberia à Lava Jato presidir, o juiz lavajatista Marcelo Bretas tenha mandado bloquear R$ 420,4 milhões em bens dos 26 réus da Furna da Onça a pedido, justamente, de colegas de Lava Jato do Deltan. Ou seja, os colegas do procurador chefe da Operação Lava Jato fizeram aquilo que Deltan, o prevaricador, se recusou a fazer. [aqui].

A denúncia de Paulo Marinho é mais uma extraordinária evidência de que Sérgio Moro e Deltan Dallagnol usaram seus cargos públicos para atuarem na política para auxiliarem a eleição do fascista Bolsonaro.

Isso inclusive corrobora a reclamação da defesa do ex-presidente Lula no STF sobre a suspeição do Moro e consequente anulação de todas as farsas jurídicas por ele fabricadas em nome de interesses político-ideológicos.

Esta denúncia também comprova que facções criminosas, constituídas por funcionários públicos – juízes, procuradores, policiais –, em associação ilícita com agentes políticos, capturaram e aparelharam o Estado brasileiro para viabilizar o ascenso do extremismo fascista ao poder.

Só a anulação da eleição de 2018 e a convocação de eleições limpas, livres e democráticas será capaz de devolver alguma esperança para o país evitar a hecatombe.

 

06
Mai20

Investigando no Brasil

Talis Andrade

 

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II - No Ministério da Justiça, Sergio Moro abriu as portas para o FBI

por Natalia Viana

Agência Pública

- - -

Embora as duas maiores investigações da Lava Jato pelo Departamento de Justiça (DOJ) americano já tenham terminado, com os acordos da Odebrecht e Petrobras, o FBI ainda tem muito a fazer para investigar corrupção no Brasil, nas palavras do chefe do FBI no país, David Brassanini, em palestra no 7º Congresso Internacional de Compliance, em maio de 2019, em São Paulo.

Anúncio da partcipação de David Brassanini no Congresso de Compliance

 

A parceria com a PF nas investigações da Lava Jato foi destacada por ele como uma aliança que merece ser louvada. Foi a partir daí que a relação entre os agentes se intensificou. Reportagem conjunta do site The Intercept Brasil e Pública mostrou que desde 2015 os agentes do FBI estiveram em Curitiba para interrogar os delatores que estavam fechando acordo com os procuradores brasileiros.

A cooperação foi descrita por Brassanini como “fluida, sem problemas e transparente”, pois seus agentes já tinham familiaridade com a cultura e a sociedade brasileiras. “A habilidade de desenvolver e entender as peculiaridades locais é grande. Não só a questão da língua, mas em entender realmente como o Brasil funciona, entender as nuances”, afirmou.


O FBI atua para investigar corrupção transnacional graças à legislação FCPA (Foreign Corrupt Practices Act), uma lei que permite ao governo americano investigar e punir, nos Estados Unidos, atos de corrupção que envolvam autoridades estrangeiras praticados por empresas e pessoas estrangeiras. Os crimes não precisam ter ocorrido em solo americano – basta, por exemplo, que tenha havido transferência de dinheiro através de algum banco americano ou que as empresas envolvidas vendam ações nas bolsas nos EUA. Foi com base nessa lei que o governo americano puniu com multas bilionárias empresas brasileiras alvos da Lava Jato, entre elas a Petrobras e a Odebrecht.

Brassanini relatou também, no mesmo evento, que agentes do FBI vêm a São Paulo “toda semana para tratar de diferentes casos que envolvem FCPA e lavagem de dinheiro”. Segundo ele, a colaboração com a PF já rendeu muitas informações para os próximos anos. “Agentes da Polícia Federal do Brasil me disseram recentemente que, mesmo que eles não coletem nenhuma informação adicional, nem façam nenhum trabalho investigativo, ainda assim eles teriam material para continuar inquéritos sobre corrupção e lavagem de dinheiro pelos próximos cinco anos.”

Brassanini pediu fundos adicionais ao DOJ para a operação no Brasil, o que permitirá ao escritório ter uma equipe especializada em lidar com pedidos de colaboração judicial. “O Brasil é o maior requerente de informações para evidência, inteligência e casos tanto no Brasil quanto nos EUA”, afirmou à revista Latin Lawyer.

David Brassanini é o chefão do FBI no Brasil desde agosto de 2017, mas desde 2006 atua no órgão por aqui. É casado com uma brasileira, com quem tem quatro filhos, e é fluente em português. Atualmente gerencia o trabalho do FBI na embaixada em Brasília e nos consulados em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte e Porto Alegre – incluindo a cooperação com a Lava Jato – uma equipe de 20 pessoas, segundo a publicação especializada Global Investigative Review.

Foi ele o principal articulador de uma postura mais “altiva” da polícia americana junto ao ministério capitaneado por Moro. Além de se reunir com o próprio ministro no começo do mandato, Brassanini encontrou-se com secretários e chegou a ter uma reunião com o polêmico assessor especial do presidente Jair Bolsonaro, Filipe Martins. O jovem olavista é um dos nomes que influenciam a política externa do governo, ao lado de Eduardo Bolsonaro.

O encontro ocorreu no dia 18 de julho de 2019, às 17h30, no Palácio do Planalto. Acusado pelo deputado Alexandre Frota durante depoimento à CPI das Fake News de ter apresentado Bolsonaro ao marqueteiro Steve Bannon e de “promover linchamentos virtuais”, Martins foi convocado para comparecer à CPI para prestar esclarecimentos sobre sua suposta participação no “gabinete do ódio”, gestor de milícias digitais favoráveis ao presidente e centro de criação de fake news.

Dois meses antes, o chefe do FBI no Brasil havia comparecido a um compromisso no campo oposto ao de Martins: um debate no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para discutir, justamente, como as fake news podem ser usadas para manipular eleições. Brassanini já havia participado, no dia 17 de maio, de um evento com o diretor do departamento de cooperação e observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Gerardo de Icaza, quando falou sobre o combate a crimes cibernéticos e mencionou a criação de uma força-tarefa internacional sobre interferência estrangeira em eleições. O Brasil foi convidado para participar, ao lado da Índia.

No encontro com Filipe Martins, Brassanini estava acompanhado de William Popp, encarregado de negócios da embaixada dos Estados Unidos.

Meses depois, estava de volta ao centro do palco em um grande evento de treinamento de policiais federais e procuradores no Itamaraty, que ocorreu nos dias 5 e 6 de setembro de 2019. O DOJ, o FBI e a Securities and Exchange Commission (SEC) realizaram um Treinamento em Combate à Corrupção e Suborno Transnacional em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), a Controladoria-Geral da União (CGU) e o governo federal.

 

 

 

 

17
Fev20

Peça 4 – aparece o nome de Januário Paludo

Talis Andrade

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Xadrez das suspeitas do doleiro que encantava procuradores

 

por Luis Nassif

Novembro de 2019 – Durante a Operação Patron, última fase da Lava Jato do Rio, a Polícia Federal do Rio de Janeiro apreendeu o celular de Messer. E localizou mensagens para a namorada, na qual ele afirmava pagar propinas mensais a Januário Paludo, a título de proteção nas investigações a seu respeito. Os diálogos aconteceram em agosto de 2018.

Segundo a reportagem, a mensagem de Messer dizia que “sendo que esse Paludo é destinatário de pelo menos parte da propina paga pelos meninos todo mês.”:

“Segundo a PF, os “meninos” citados por Messer são Claudio Fernando Barbosa de Souza, o Tony, e Vinicius Claret Vieira Barreto, o Juca. Ambos trabalharam com Messer em operações de lavagem de dinheiro investigadas pela Lava Jato do Rio. Depois que foram presos, viraram delatores. Em depoimentos prestados em 2018 à Lava Jato no MPF-RJ (Ministério Público Federal do Rio de Janeiro), Juca e Tony afirmaram ter pago US$ 50 mil (cerca de R$ 200 mil) por mês ao advogado Antonio Figueiredo Basto em troca de proteção a Messer na PF e no Ministério Público”.

Fevereiro de 2020: reportagem da UOL mostrava que procuradores da Lava Jato viram proteção ao doleiro Clark Setton em 2005, e propunham anulação do acordo de delação. [Continua]

 

 

17
Fev20

Com Moro e Bolsonaro, proteção às milícias e ao crime é política de Estado

Talis Andrade

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por Jeferson Miola

O principal defensor do miliciano Adriano da Nóbrega não é nenhum advogado renomado; é ninguém menos que Jair Bolsonaro – o presidente do Brasil que age como chefe de milícia e advogado de miliciano.

Em comunicado publicado no facebook que evidencia a total ausência de decoro e a absoluta incompatibilidade com o cargo presidencial, o Bolsonaro defensor do excludente de ilicitude [licença para matar] veste um disfarce de defensor dos direitos humanos para reclamar que a polícia da Bahia “não procurou preservar a vida de um foragido, e sim sua provável execução sumária”.

O “foragido” a que Bolsonaro se refere com inusitada candura é ninguém menos que o miliciano Adriano da Nóbrega, contra quem existia um alerta de captura internacional da Interpol. A despeito, contudo, de Adriano ser um procurado internacional, o ministro bolsonarista Sérgio Moro surpreendentemente excluiu o miliciano ligado aos Bolsonaro da lista de bandidos mais procurados do país [sic].

No argumento de defesa do miliciano, Bolsonaro citou como atenuante que “O então tenente Adriano [que Bolsonaro chama de heróifoi condecorado em 2005”.

Embora declare não ter relações com Adriano, o que é uma mentira grosseira, Bolsonaro atua como quem conhece em detalhes a trajetória criminal do miliciano cuja mãe e esposa trabalharam no gabinete do filho Flávio na ALERJ até dezembro de 2018: “Até a data de sua execução, 09 de fevereiro de 2020, nenhuma sentença condenatória transitou em julgado em desfavor do mesmo”, disse ele.

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Para alimentar a matilha bolsonarista sedenta de ódio e para também desviar a atenção sobre o essencial, que é o notório interesse dos Bolsonaro no silêncio do miliciano mediante sua eliminação física, Bolsonaro mentiu e fez imputações delirantes a Lula, ao PT e a petistas.

O PT rebateu duramente as mentiras e truques baixos do Bolsonaro [ler aqui]. O governador petista Rui Costa, entretanto, continua devendo esclarecimentos sobre os enigmas que cercam a morte de Adriano, que o próprio Moro reconheceu tratar-se de assassinato [aqui e aqui].

A execução do Adriano e a obscuridade que cerca sua eliminação não é um episódio isolado do governo Bolsonaro, mas é um fato que carrega a marca registrada do universo bolsonarista: silenciamentos, sumiços, fugas, execuções, mentiras, manipulações, falcatruas, assassinatos etc – ou seja, uma realidade típica de máfias e esquemas criminosos incrustados no coração do poder.

É possível fazer-se um amplo inventário de fatos escabrosos que envolvem os Bolsonaro e que, por incrível coincidência, se tornam opacos: o sumiço do Fabrício Queiroz e seus familiares; a manipulação da investigação do assassinato da Marielle; a perícia farsesca do MP/RJ na gravação da portaria do condomínio Vivendas da Barra; o isolamento de Ronnie Lessa, vizinho de Bolsonaro acusado de assassinar Marielle; a presença de Carlos Bolsonaro no Vivendas da Barra [e não em sessão da Câmara de Vereadores, que ele usa como álibi] no mesmo momento em que os assassinos da Marielle ultimavam os preparativos do crime; a presença de Adélio Bispo no mesmo clube de tiro freqüentado por Carlos e Eduardo Bolsonaro em SC; a incomunicabilidade de Adélio Bispo em presídio federal e as mortes de um morador e da proprietária da pensão onde Adélio se hospedou em Juiz de Fora nos dias precedentes à suposta facada; o sinistro confronto entre as polícias de SP e MG no estacionamento do hospital de Juiz de Fora onde Bolsonaro recebeu atendimento; o laranjal do PSL do ministro do Turismo em MG; o tráfico internacional de 39 Kg de cocaína em avião da frota presidencial; a prevaricação do Moro para deixar o terrorista Eduardo Fauzi, do PSL, fugir do país depois de perpetrar atentado a bombas contra a sede do Porta dos Fundos etc.

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O diferencial em relação a estes fatos catalogados acima e a execução do Adriano é que com o miliciano capturado vivo se poderia talvez descobrir a fundo os negócios obscuros dos Bolsonaro na política e na criminalidade.

A execução do Adriano, por isso, tem características de um empreendimento meticulosamente planejado para a queima deste arquivo incômodo para os Bolsonaro, a começar pelo álibi de ser morto pela “polícia do governo petista” da Bahia [aqui].

Adriano pode ter sido fisgado pela mensagem “tranquilizadora” de Moro de que não constava da lista de bandidos procurados e, portanto, pode ter relaxado as precauções de fuga [aqui].

Matar Adriano não significa combater as milícias; mas, muito ao contrário, significa eliminar um fator de dificuldade para os interesses mafioso-milicianos dedicados a ilícitos variados, como controle de territórios urbanos, jogo do bicho, lavagem de dinheiro, peculato, venda de serviços clandestinos [gás, internet, luz] e assassinatos por encomenda.

Com Moro e Bolsonaro, a proteção às milícias e ao crime é uma política de Estado. Ainda que pertençam a facções distintas e possam ter conflitos pontuais, Moro e Bolsonaro estão unidos na corrupção dos sistemas policial e de justiça do país.

Moro e Bolsonaro “são uma coisa só”, como diz Rosângela Moro, esposa do ministro e sócia de Carlos Zucolotto, o padrinho do casal Moro que cobrou US$ 5 milhões de propina de Tacla Duran para facilitar um acordo de delação premiada com os procuradores da organização criminosa de Curitiba, como Gilmar Mendes denomina a força-tarefa da Lava Jato.

Como se vê, não é por acaso ou por mera coincidência que essa gente anda junto.

 

 
12
Fev20

Enigmas da morte do miliciano ligado aos Bolsonaro

Talis Andrade

 

por Jeferson Miola

A morte do miliciano Adriano da Nóbrega está cercada de enigmas. Os muitos pontos obscuros, as contradições e dúvidas sobre o episódio animam as suspeitas de execução.

As suspeitas sobre a queima de arquivo ganham veracidade porque Adriano não era um bandido trivial. Ele chefiava o Escritório do Crime, milícia especializada em assassinatos por encomenda com matadores de aluguel, e privava da intimidade nos negócios do clã Bolsonaro na política.

Por intermédio do sumido Fabrício Queiroz, a mãe e a esposa de Adriano ficaram contratadas pelo gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembléia Legislativa do RJ até dezembro de 2018. Elas só foram demitidas depois que começaram as investigações sobre as “rachadinhas” e os crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa contra Flávio Bolsonaro.

A morte do miliciano, envolta em enigmas, está longe de ser esclarecida:

1. Adriano era alvo de uma ordem de captura internacional da Interpol desde janeiro de 2019. Apesar disso, Moro não incluiu o perigoso miliciano na lista de bandidos mais procurados no Brasil, publicada em janeiro passado pelo seu Ministério [ler aqui a respeito];

2. Sérgio Moro “desconhecia” o pedido de captura de Adriano em qualquer parte do mundo; mas, curiosamente, sabia da operação montada para matar Adriano – não para prendê-lo – numa propriedade rural no interior da Bahia;

3. a execução do miliciano ligado aos Bolsonaro em alegado “confronto” com a polícia de um Estado governado por petista não deixa de ser um ótimo álibi para a alegação de “isenção” policial, não de queima de arquivo;

4. o filho presidencial Eduardo Bolsonaro coincidentemente estava em Salvador justo no dia da execução do miliciano. Segundo ele avisou em rede social, estava em Salvador pela 1ª vez. E não escondeu sua “Satisfação [em] conhecer Salvador com @alexandrealeluia”. Incrível coincidência [ler aqui].

5. Adriano foi morto na chácara de Gilsinho de Dedé, vereador do PSL de Esplanada, uma pacata cidadezinha interiorana distante 155 km da capital Salvador. A curiosidade é que a Câmara de Vereadores de Esplanada, composta por 13 vereadores, tem 12 partidos representados no Legislativo. Por outra daquelas incríveis coincidências que rondam os Bolsonaro, o miliciano fugiu para se esconder justamente no sítio do vereador do PSL e não na propriedade de nenhum vereador dos outros 11 partidos do Legislativo de Esplanada;

6. chama atenção o silêncio ensurdecedor dos Bolsonaro em relação à morte de Adriano, a quem no passado recente Jair e Flávio devotaram discursos de homenagem nas tribunas da Assembléia do Rio e da Câmara dos Deputados. Flávio elogiou a “dedicação e brilhantismo” de Adriano, e Jair declarava o miliciano como um “brilhante oficial”, talvez por associação do adjetivo com o nome do seu ídolo e inspirador, o também bandido morto Brilhante Ustra.

7. Maurício Teles Barbosa, o Secretário de Segurança da Bahia, alega que Adriano foi morto [não executado] durante tiroteio. Entretanto, vídeo e fotografias da cena da execução mostram que houve de fato uma execução, não um tiroteio.

8. Adriano era um alvo fácil para ser capturado com vida. Estava numa chácara isolada, sozinho, sem comparsas, sem munições, com arsenal bélico inexpressivo [1 revolver, 1 pistola 9 mm e 2 espingardas enferrujadas] e sitiado no interior de uma pequena casa. Este cenário da operação mostra, portanto, que a prioridade nunca foi prender Adriano, mas sim matá-lo. O advogado de Adriano, aliás, confirmou que o próprio miliciano sabia que não queriam prendê-lo, mas sim matá-lo. Ele sabia que era alvo de queima de arquivo.

9. Um estranho mistério ronda o corpo de Adriano da Nóbrega. Até o momento, nada se sabe sobre o paradeiro do defunto. O corpo do Adriano já está ficando tão sumido quanto Queiroz e tão inverossímil como a facada em Bolsonaro. Afinal, cadê o corpo do morto? Ou este é um caso raro de morte sem cadáver?

10. E, quando o cadáver aparecer, é preciso confirmar cientificamente que pertence à pessoa física do Adriano da Nóbrega. E é preciso que uma autopsia confiável mostre quantos tiros foram disparados em Adriano e quais partes do corpo dele foram alvejadas. Com a autopsia, o Secretário de Segurança da Bahia poderá então comprovar a tese de que não houve execução.

11. Aliás, outra coincidência é que o Secretário de Segurança da Bahia é do Rio de Janeiro e delegado da Polícia Federal. Na descrição da concessão da Comenda 2 de Julho ao Secretário de Segurança, que fora proposta pelo deputado do PSL [outra vez o PSL!] Delegado Deraldo Damasceno em 2015, a biografia de Maurício Teles Barbosa apresenta credenciais importantes que permitiriam que a caçada a Adriano tivesse desfecho bem distinto do havido. No seu currículo, o Secretário Maurício tem “Cursos de inteligências – ABIN, Ações Táticas – PF, Operações de Inteligência – Polícia Federal, Operações Especiais – Polícia Federal, Gerenciamento de Crises – Polícia Federal e participou de cursos em outros países de Inteligência Anti sequestro – Colômbia, Inteligência em Terrorismo – Israel”.

Não menos enigmáticos são os silêncios tanto do Ministro Sérgio Moro, como do governador da Bahia, Rui Costa, sobre a morte do miliciano ligado ao clã dos Bolsonaro.

É enigmático, aliás, que tenha sido Witzel/RJ e não Rui Costa/BA o governador que, até o momento, se pronunciou sobre a execução de Adriano da Nóbrega – e, naturalmente, para sustentar a falsa tese do “confronto”.

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11
Fev20

Cenário de fuga e morte na Bahia do capitão Adriano chefe da mais antiga e poderosa milícia do Rio de Janeiro

Talis Andrade

Assista como ficou o interior da casa após tiroteio que matou suspeito de executar MarielleESPLANADA, BA, 10.02.2020 - ADRIANO-NÓBREGA - Sítio onde ocorreu operação que matou Adriano Nóbrega, um ex-capitão da Polícia Militar, acusado de comandar a mais antiga milícia do Rio de Janeiro. Foragido há mais de um ano, o miliciano estava escondido no sítio do vereador Gilson Batista Lima Neto, conhecido como Gilsinho da Dedé, do PSL. A operação foi realizada em conjunto entre o Bope da Bahia e inteligência da polícia do Rio. Polícia diz que esconderijo de miliciano ligado a Flávio Bolsonaro tinha 4 armas e 13 celulares. (Foto: Raphael Muller/Folhapress)

O esconderijo do ex-capitão do Bope do Rio Adriano Magalhães da Nóbrega, na cidade de Esplanada (BA), expõe uma série de dúvidas sobre a rede que teria ajudado o miliciano e sobre a própria versão oficial da morte dele.

Ele estava inicialmente abrigado em uma fazenda que possui um parque de vaquejada, e depois fugiu, na noite do sábado, em um carro, por 8 km, até um sítio onde foi cercado.

Conforme a polícia, a operação envolveu cerca de 70 agentes do Bope da Bahia. Os militares cobriram toda a área, para tentar impedir uma possível fuga do miliciano.

Na abordagem à casa, em uma área isolada, três PMs formaram um triângulo. O primeiro policial, na frente, segurou um escudo e arrombou a porta. A polícia informou que, em seguida, Adriano atirou e houve confronto.

O ex-capitão da PM foi atingido por dois tiros. 

Escreve o jornalista Fernando Brito:

"Os relatos sobre a operação são inacreditáveis.

Imaginar que um especialista em confronto armado, como Adriano, dispararia de peito aberto contra quatro homens armados de escudos e fuzis é menos crível do que se ele praticasse o suicídio. Tiros de fuzil, a cinco ou seis metros de distância, teriam atravessado o corpo e marcado as paredes ou, ao menos, as deixariam salpicadas de sangue.

Isso sem contar a história de um homem que chega a um lugar – sozinho – e se diz comprador de cavalos, recebe hospedagem de um promotor de vaquejadas e, que é por ele obrigado a levá-lo a uma casa semiabandonada de um vereador…

Informa a Folha: 

Segundo a versão oficial, Adriano tinha em sua mão um pistola austríaca 9mm e foi baleado após reagir a tiros contra a polícia. A reportagem identificou apenas uma marca de bala dentro da casa, em uma janela da madeira. 

Segundo a reportagem do jornal Metro, o cenário da casa no sítio indica certo nível de organização de Adriano ao se dirigir ao local. Na mesa da cozinha, havia uma garrafa térmica com café e pães "relativamente frescos". Em um dos quartos havia um colchão e o outro servia como um depósito de sal para animais.

O secretário estadual da Segurança Pública da Bahia, Maurício Teles Barbosa, defendeu o que chamou de "profissionalismo: Estávamos diante de uma pessoa de alta periculosidade, envolvidos em diversos crimes e com treinamento de tiro, pois chegou a ser um policial de operações especiais. Óbvio que queríamos efetuar a prisão, mas jamais iríamos permitir que um dos nossos ficasse ferido ou saísse morto do confronto".

Apesar de a rota de fuga indicar que Adriano recebeu ajuda, os donos dos imóveis, o pecuarista Leandro Abreu Guimarães e o vereador do PSL Gilsinho de Dedé, negam vínculo com ele.

Moradores da região relataram à reportagem que a ação foi rápida, com barulho de tiros por pouco tempo.

Leandro Abreu Guimarães também foi preso durante a operação sob acusação de porte ilegal de armas. Em depoimento, confirmou que Adriano usou sua propriedade como penúltimo esconderijo. Leandro conta que o ex-capitão chegou à região de Esplanada no final do ano de 2019, dizendo que buscava fazendas para comprar.

Leandro e Adriano já eram conhecidos do circuito de vaquejadas. Para o pecuarista, Adriano era um simples criador de cavalos.

Leandro disse que, diante das ameaças, levou Adriano ao sítio de Gilsinho de Dedé na noite de sábado (9). Nos 8 km que separam a fazenda do sítio do vereador, metade do trecho é percorrido por uma estrada de terra, parte na rodovia BR-101 e parte na BA-233 -- estrada que leva ao município vizinho de Acajutiba. O sítio fica logo no início da rodovia estadual, no povoado de Palmeira.

Segundo Leandro, Adriano aparentava nervosismo na véspera de sua morte e, sob ameaças, na noite de sábado (8), o ordenou que fosse levado ao sítio do vereador Gilsinho de Dedé, um dos que havia sido alvo do suposto interesse de compra de fazendas do ex-policial, chefe da principal e mais antiga milícia da ex-Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro.Alex Lima reafirmou que Gilsinho estava viajando e não sabia que Adriano | Foto: Divulgação - Foto: Foto: Divulgação

Deputado Alex Lima 

Dono do sítio onde foi morto o miliciano Adriano da Nóbrega, o vereador Gilsinho da Dedé (PSL) prestou depoimento nesta terça-feira, 11, de forma espontânea, na sede do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco), em Salvador, disse o deputado Alex Lima (PSB), em discurso na Assembleia Legislativa. Irmão do vereador, Alex reafirmou que Gilsinho estava viajando e não sabia que Adriano, foragido há mais de um ano, estava no local.

"Meu irmão estava em viagem em Recife, foi visitar uma tia com a minha mãe. No domingo, acordou com ligação de um vizinho da sua chácara dizendo que havia uma troca de tiros naquelas imediações. Então, ele ligou para o delegado, que informou que era uma operação conduzida por Salvador e não sabia do que se tratava", discursou Alex.

O deputado negou que alguém de sua família conhecesse Adriano e destacou que seu irmão se filiou ao PSL, ex-partido do presidente Jair Bolsonaro, quando a legenda era conduzida na Bahia pelo então deputado estadual Marcelo Nilo (PSB), aliado do governador Rui Costa (PT). "O que ocorreu foi uma fuga de um criminoso, que, fugindo da polícia, chegou durante a madrugada e foi abatido nas primeiras horas da manhã. Fomos vítimas de uma invasão", disse.

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Vereador Gilsinho de Dedé

10
Fev20

Adriano da Nóbrega lavava dinheiro da milícia em fazendas, aponta investigação

Talis Andrade

Ex-capitão Adriano mudou de esconderijo na véspera de sua morte

por Vera Araújo
 

Extra — Mesmo com a morte do ex-capitão do Bope, Adriano Magalhães da Nóbrega, na manhã deste domingo numa operação na Bahia, onde ele estava escondido, as investigações continuam, principalmente em seus negócios ilícitos. A polícia do Rio acredita que as fazendas de gado — ele teria terras na Bahia e em Sergipe em nome de laranjas — eram uma forma usada para lavar o dinheiro do crime. Ele também seria competidor em vaquejadas em Sergipe, com o nome de equipe Dakar.

Há cerca de um ano, Adriano vinha sendo monitorado. No início deste mês, houve uma operação na Costa do Sauípe, Bahia, para prendê-lo, mas ele escapou, deixando para trás uma identidade falsa. Ontem, o ex-policial foi localizado no município de Esplanada, na área rural da Bahia, no sítio de um político. Na casa, havia duas pistolas e duas espingardas. Ao ser surpreendido, atirou com uma Glock calibre 9mm. Agentes contam que houve troca de tiros e que o ex-militar chegou a ser socorrido, mas não resistiu.

'Capitão Adriano': miliciano foi morto na manhã de domingo durante tiroteio com o Bope da Bahia em área rural de Esplanada

A Secretaria de Segurança da Bahia informou que, na ação, Adriano “resistiu com disparos de arma de fogo e terminou ferido”. Ele foi atingido por dois tiros. Antes do confronto, os agentes baianos prenderam homens que davam segurança ao miliciano. O material apreendido deverá ser analisado pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MP do Rio. O corpo de Adriano deve chegar ao Rio nos próximos dias.

Deflagrada em 22 de janeiro de 2019, com base em investigações do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado, do MP, a operação Os Intocáveis revelou que o ex-capitão comandava um esquema de agiotagem, grilagem de terras e construções ilegais, com o pagamento de propina a agentes públicos, a fim de manter seus negócios ilícitos, “sempre de forma violenta e por meio de ameaças”. Adriano era o único foragido. Outros 12 integrantes da milícia de Rio das Pedras estão presos.

 

 

 

 

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