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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

26
Out18

“HITLER EM BRASÍLIA”: JORNAL ISRAELENSE BATE DURO EM BOLSONARO

Talis Andrade

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247 - Segundo maior jornal de Israel, o Haaretz publicou nesta quinta-feira (25) um artigo criticando o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). Intitulado "Hitler em Brasília - Os evangélicos dos EUA e a teoria política nazista que estão por trás do candidato à Presidência do Brasil", o texto foi escrito pelo jornalista norte-americano Alexander Reid Ross, autor do livro "Contra o Crepúsculo Fascista" (sem tradução no Brasil). 

 

De acordo com os relatos dele, a ascensão de Bolsonaro mostra que Brasil está seguindo um movimento global e retornando para as "décadas feias", em referência aos regimes totalitários que vigoraram no continente no século 20.

 

"É também um sinal do retorno de uma compreensão repressiva e nacionalista do Estado e de suas políticas externas que chegaram ao auge na Alemanha nazista antes da guerra, se espalhou para o oeste até os Estados Unidos e foi impulsionada por sucessivas administrações dos EUA como uma estratégia", afirma Ross.

 

O jornalista relembra algumas situações onde Bolsonaro demonstrou simpatia aos regimes totalitários. Ross lembra que Carlos Bolsonaro, filho do presidenciável, convidou o então candidato a vereador pelo PSC, Marco Antônio Santos, para acompanhar uma discussão na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro. Santos é conhecido por desfilar utilizando alegorias nazistas.

 

Segundo Ross, Bolsonaro se adaptou às exigências que a sociedade brasileira exige para uma candidatura radical, com especial atenção à classe média do país. "A candidatura de Bolsonaro e sua provável ascensão à presidência é um sinal de uma crescente união geopolítica de forças de extrema-direita que formam a reação contra o liberalismo e a esquerda, e a reabilitação e glamourização do poder militar e do autoritarismo", conclui Ross.

camelo bozo nazismo.jpg

 

23
Set18

PAPA ALERTA CONTRA NOVAS FORMAS DE TOTALITARISMO

Talis Andrade

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Francisco rezou diante do monumento às vítimas dos nazistas

 

 

O papa Francisco pediu hoje (23) para que se possa detectar a tempo qualquer aumento das ideologias totalitárias. A declaração foi dada durante a oração do Ângelus que pronunciou após a missa que celebrou na cidade de Kaunas, na Lituânia.

 

Após rezar uma missa para cerca de 100 mil pessoas, segundo a Igreja local, Francisco falou de quem quer "submeter os mais frágeis, usar a força em qualquer de suas formas: impor um modo de pensar, uma ideologia, um discurso dominante, usar a violência ou repressão para oprimir".

 

"Há 75 anos, esta nação presenciava a destruição definitiva do Gueto de Vilnia; assim culminava o aniquilamento de milhares de judeus que já tinha começado dois anos antes", lembrou Francisco.

 

Ele pediu para se lembrar "daqueles tempos e pedir ao Senhor que dê o dom do discernimento a todos para detectar a tempo qualquer aumento dessa atitude perniciosa, qualquer ar que enfraqueça o coração das gerações que não viveram aquilo".

 

Na Lituânia, o único país com maioria católica (cerca de 80% da população) dos Bálticos, o pontífice lembrou uma "tentação sobre a que todos devem vigiar com insistência: o desejo de supremacia, de se sobressair aos demais"

 

"Quantas vezes aconteceu que um povo acredite ser superior, com mais direitos adquiridos, com mais privilégios a preservar ou conquistar?", perguntou o papa.

 

Francisco se despediu pedindo para que se trabalhe para dar "a atenção delicada aos excluídos, às minorias, para que se afaste das culturas a possibilidade de aniquilar o outro, de colocar ele de lado, de continuar descartando quem nos incomoda e ameaça nossas comodidades".

 

'Jerusalém do Norte'

 

Chamados "litvaks", os judeus lituanos formavam, até os anos 1940, uma comunidade de mais de 200.000 membros que fizeram florescer a literatura iídiche e a vida religiosa.

 

Muitos políticos, como o ex-premiê israelense Ehud Barak, personagens da cultura como o escritor Amós Oz, artistas e empresários têm raízes lituanas.

 

O extermínio cometido pelos nazistas — com alguns colaboradores lituanos — afetou praticamente todos aqueles que haviam transformado Vilnius na "Jerusalém do Norte".

 

Os poucos sobreviventes foram, em muitos casos, ajudados por amigos lituanos. Hoje, não restam mais do que 3.000 judeus no país.

 

Discernimento para descobrir a tempo germe do totalitarismo

O livro da Sabedoria, que escutamos na primeira leitura, fala-nos do justo perseguido, daquele cuja simples presença já incomoda os ímpios. O ímpio é descrito como a pessoa que oprime o pobre, não tem compaixão da viúva, nem respeita o idoso (cf. 2, 17-20). O ímpio tem a pretensão de pensar que a sua força é a norma da justiça.

 

Submeter os mais frágeis, usar a força sob qualquer forma, impor um modo de pensar, uma ideologia, um discurso dominante, usar a violência ou a repressão para dobrar aqueles que, simplesmente com o seu agir honesto, simples, operoso e solidário de todos os dias, manifestam que é possível outro mundo, outra sociedade.

 

Ao ímpio, não lhe basta fazer o que lhe apraz, deixar-se guiar pelos seus caprichos; também não quer que os outros, fazendo o bem, ressaltem este seu modo de proceder. No ímpio, o mal procura sempre aniquilar o bem.

 

Há setenta e cinco anos, esta nação assistia à definitiva destruição do Gueto de Vilna; culminava, assim, o aniquilamento de milhares de judeus, que começara dois anos antes. À semelhança do que se lê no livro da Sabedoria, o povo judeu passou por ultrajes e tormentos. Façamos memória daqueles tempos e peçamos ao Senhor que nos conceda o dom do discernimento para descobrir, a tempo, qualquer novo germe daquele comportamento pernicioso, qualquer aragem que atrofie o coração das gerações que, não o tendo experimentado, poderiam correr atrás daqueles cantos de sereia.

 

No Evangelho, Jesus lembra-nos uma tentação a propósito da qual deveremos vigiar atentamente: a ânsia de ser os primeiros, de predominar sobre os outros; tentação esta, que pode esconder-se em todo o coração humano. Quantas vezes sucedeu que um povo se julgou superior, com mais direitos adquiridos, com maiores privilégios a preservar ou conquistar!

 

Qual é o remédio proposto por Jesus, quando surge tal impulso no nosso coração e na mentalidade duma sociedade ou dum país? Fazer-se o último de todos e o servo de todos; permanecer no lugar para onde ninguém quer ir, aonde nada chega, na periferia mais distante; e servir, criando espaços de encontro com os últimos, com os descartados.

 

Se o poder se deixasse guiar por isto, se permitíssemos ao Evangelho de Cristo chegar às profundezas da nossa vida, então a globalização da solidariedade seria verdadeiramente uma realidade. «Enquanto no mundo, especialmente nalguns países, se reacendem várias formas de guerras e conflitos, nós, cristãos, insistimos na proposta de reconhecer o outro, de curar as feridas, de construir pontes, de estreitar laços e de nos ajudarmos “a carregar as cargas uns dos outros” (Gal 6, 2)» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 67).

 

Aqui, na Lituânia, há uma colina das cruzes onde milhares de pessoas, através dos séculos, plantaram o sinal da cruz. Convido-vos, enquanto rezamos o Angelus, a pedir a Maria que nos ajude a plantar a cruz do nosso serviço, da nossa dedicação onde precisam de nós, na colina onde moram os últimos, onde se requer a delicada atenção aos excluídos, às minorias, para afastar dos nossos ambientes e das nossas culturas a possibilidade de aniquilar o outro, marginalizar, continuar a descartar quem nos incomoda e perturba as nossas comodidades.

 

Jesus coloca uma criança no centro, coloca-a à mesma distância de todos, para que todos se sintam provocados a corresponder-Lhe. Lembrando o «sim» de Maria, peçamos-Lhe que torne o nosso «sim» generoso e fecundo como o d’Ela.

 

 

 

 

30
Abr18

CULTURA

Talis Andrade

Feira.jpg

 

 

 

O branco católico

traz entranhados

preconceitos e tre

jeitos seculares

 

 

Dos portugueses

o gosto do lucro fácil

Deitado em uma rede

espera os olhos de dono

engordem o gado

 

 

Dos espanhóis

a fome de prata

tudo devasta

uma fome que sangra 

e mata

 

Dos mascates

judeus e árabes

a alquimia de transformar

bugigangas em peças de arte

 

Dos negros e índios

a preguiça

a poesia a música

 

Da gente mestiça

os pregões de rua

vendendo as miudezas

do imutável cotidiano

 

Da mestiça gente

o prazer da noite

o samba no pé

a capoeira a ginga

o jeitinho de ser

brasileiro

 

a bola redonda

rolando no campo

o carnaval na rua

o ano inteiro

a vida entregue à sorte

no jogo de bicho

 

 

no jeitinho de ser

brasileiro

em que tudo termina

em pizza

para quem tem 

poder e dinheiro

 

 

em que tudo termina

em chacina

para o zé-povinho

o corpo estendido

nas empoçadas ruas

em que sobrevoam

as aves de rapina

os pássaros agourentos

as balas perdidas

 

 

===

Talis Andrade, O Enforcado da Rainha, ps. 72/74

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