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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

13
Set17

Polícia Federal apresenta o Quadrilhão do PMDB de Temer e Moro fixado em Lula

Talis Andrade

Quando do impeachment de Dilma toda vez que aparecia uma notícia do quadrilhão de Temer, o juiz Sergio Moro para abafar o noticiário vazava uma delação, um grampo ou prendia algum delator ou doleiro hoje todos soltos. 

 

A mesma estratégia continua vigorando, sendo que o assédio judicial acontece com Lula ora sequestrado sob vara, ou chamado para depor em Curitiba com a ameaça de prisão neste momento que Temer aparece, comprovadamente, como chefe de uma organização criminosa.  

 

presos mais temer.jpg

Da esq, para a dir., Rodrigo Rocha Loures, Henrique Alves, Michel Temer e Eliseu Padilha assistem à votação do impeachment de Dilma, sessão presidida na Câmara dos Deputados por Eduardo Cunha

 

Fonte Polícia Federal, publicado da revista Veja: A Polícia Federal concluiu na segunda-feira o inquérito que investiga o chamado “quadrilhão” do PMDB da Câmara. Em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), os investigadores sustentam que deputados e ex-deputados do partido cometeram o crime de organização criminosa e, a partir dele, incorreram nos delitos de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, fraude em licitação e evasão de divisas, entre outros.

 

Segundo a PF, o “poder de decisão” no grupo, ou seja, de indicar cargos estratégicos na máquina federal e negociar propina, cabia ao presidente Michel Temer e ao ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Também são citados na conclusão da investigação os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) e os ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique Eduardo Alves.

 

A conclusão do inquérito deve ser um dos elementos para subsidiar nova denúncia contra Temer, a ser apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ainda nesta semana – ele entrega o cargo na segunda-feira a Raquel Dodge, escolha pessoal e nomeada por Temer.

 

Veja abaixo a estrutura da organização criminosa que a PF prova existir no PMDB da Câmara e o que há contra cada um dos investigados.

 

arte-quadrilha-pmdb.jpg

 

 

Michel Temer: segundo a PF, tinha “poder de decisão” no PMDB da Câmara e, em razão disso, recebeu 31,5 milhões de reais em propina dos esquemas de corrupção do grupo. Valor se divide entre os 500.000 reais entregues ao ex-assessor presidencial Rodrigo Rocha Loures por um executivo da JBS, os 10 milhões de reais que a Odebrecht teria pago ao PMDB a pedido de Temer em 2014, 20 milhões de reais referentes ao contrato PAC SMS da diretoria Internacional da Petrobras e 1 milhão de reais que teria sido entregue ao coronel aposentado da Polícia Militar João Baptista Lima Filho, amigo de longa data de Temer.


Eliseu Padilha: apontado pela PF como “longa manus” de Michel Temer na captação de propinas de empresas, teria recebido 4 milhões de reais da Odebrecht. O dinheiro seria parte dos 10 milhões de reais destinados pela empreiteira ao grupo político do presidente nas eleições de 2014. Os 6 milhões de reais restantes foram empregados na campanha de Paulo Skaf ao governo de São Paulo em 2014.


Moreira Franco: atuava na cobrança de propinas ao lado de Padilha, conforme a PF. Enquanto secretário da Aviação Civil do governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), Moreira Franco teria viabilizado repasses de 5 milhões de reais da OAS à campanha de Temer em 2014 e de 4 milhões da Odebrecht, referentes à concessão de aeroportos.


Geddel Vieira Lima: também classificado pela PF como “longa manus” de Temer no recebimento de recursos ilícitos de empreiteiras, teve R$ 51 milhões em dinheiro vivo apreendidos em um apartamento em Salvador. Réu em um processo decorrente da Operação Cui Bono?, que investiga corrupção na Caixa Econômica Federal, Geddel está preso em Brasília desde a semana passada.


Eduardo Cunha: conforme a PF, o ex-deputado federal era, ao lado de Temer, líder da organização criminosa do PMDB da Câmara. Cunha mantinha indicados em cargos estratégicos à arrecadação de propinas, a exemplo de vice-presidências da Caixa e secretarias do Ministério da Agricultura, e cobrava propina de empresários. Já condenado na Lava Jato a 15 anos e 4 meses de prisão, o ex-presidente da Câmara está preso em Curitiba desde setembro de 2016.


Lúcio Funaro: próximo a Cunha, o doleiro intermediava dinheiro sujo ao grupo do PMDB da Câmara. Preso em Brasília desde julho do ano passado, Funaro fechou um acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República (PGR), na qual afirma que Temer recebeu propina e cobrou doações ilegais para campanhas de aliados. O operador também distribuía valores oriundos da corrupção na Caixa. Apenas Geddel Vieira Lima teria recebido cerca de 30 milhões de reais do esquema, segundo Funaro.


Fábio Cleto: atuava ao lado de Cunha e Funaro no esquema de corrupção na Caixa. Como vice-presidente de fundos de governo e loterias do banco estatal, Cleto participava das reuniões que decidiam quais empresas receberiam dinheiro do Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS). Ele fornecia as informações ao deputado e ao doleiro, que procuravam empresários e cobravam propina em troca da liberação dos investimentos.


Rodrigo Rocha Loures: indicado por Temer como interlocutor junto à JBS, o ex-assessor presidencial e ex-deputado federal foi flagrado pela PF recebendo uma mala com 500.000 reais em dinheiro vivo de um executivo da empresa. Rocha Loures foi preso na Operação Patmos e denunciado pela Procuradoria-Geral da República, ao lado de Temer, por corrupção passiva.


José Yunes: amigo de longa data de Temer, o advogado e ex-assessor presidencial recebeu em seu escritório, em São Paulo, parte dos 4 milhões de reais pagos a Eliseu Padilha pela Odebrecht. José Yunes diz ter sido “mula” do ministro, que, conforme a versão de Yunes, pediu para que um “documento” pudesse ser entregue no endereço e, depois, fosse retirado por outra pessoa. Quem deixou o pacote no escritório foi Lúcio Funaro.


Henrique Alves: o ex-presidente da Câmara e ex-ministro está preso desde junho na Operação Manus, que apura corrupção na construção da Arena das Dunas, em Natal. Ele é réu pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por supostamente ter dividido com Eduardo Cunha 11,5 milhões de reais em propina referentes à obra. Alves também está no banco dos réus ao lado de Cunha em uma ação penal por propinas no FI-FGTS.


Antônio Andrade: Lúcio Funaro afirma em sua delação premiada que Andrade, indicado por Temer ao Ministério da Agricultura do governo Dilma, pediu e recebeu 25 milhões de reais para favorecer as empresas do grupo JBS em 2014. O vice-governador mineiro também teria dividido com Temer e Cunha um repasse de 7 milhões de reais da empresa, operacionalizado por Funaro.


Tadeu Filippelli: ex-assessor presidencial e ex-vice-governador do Distrito Federal, foi preso na Operação Panatenaico, que investiga um suposto esquema de corrupção que desviou dinheiro da obra do estádio Mané Garrincha, em Brasília.


Sandro Mabel: PF cita suposto favorecimento do ex-deputado federal e ex-assessor presidencial em favor da empreiteira OAS em duas medidas provisórias no Congresso, além de suposto repasse de 10 milhões de reais de Funaro a Mabel, a pedido de Cunha.

 

 

07
Set17

Geddel, o carregador das malas de Temer

Talis Andrade

A última lei para valer de combate à corrupção (pasmem!) foi de Fernando Collor presidente, quando acabou com o cheque ao portador. Assim começararm a aparecer as malas recheadas de dinheiro das propinas.

malas do geddel.jpeg

Malas de dinheiro em endereço atribuído a Geddel Vieira Lima em Salvador

 

 

Situação de Temer agravou-se muito

 

por Janio de Freitas

________________

Para quem em visita à Noruega pensa estar na Suécia, e, ao lado do presidente paraguaio, trata-o como governante de Portugal, uma confusão a mais seria apenas natural e inevitável. Não fosse, dessa vez, uma viagem de Michel Temer a respeito de si mesmo, ao acreditar que o afundamento de Joesley Batista extingue os efeitos judiciais e políticos do que tramaram no seu encontro noturno. A situação de Temer, na verdade, agravou-se muito. Além de inalterada, a já conhecida incriminação que Joesley lhe fez ganhou, entregue em malas e caixas, volumosa contribuição do seu parceiro Geddel Vieira Lima.

 

As gravações que Joesley traz não apagam a anterior, em que Temer lhe recomenda manter a compra de silêncio dos presos Lúcio Funaro e Eduardo Cunha. Nem elimina sua indicação, para representá-lo junto a Joesley, do "auxiliar de plena confiança" logo fotografado com a mala e meio milhão vindo do empresário. Temer continua denunciado, para ser processado quando termine o mandato.

 

Geddel é um político que não suscita dúvidas há 25 anos, quando se notabilizou como um dos "anões do Orçamento", que desviavam em favor próprio a destinação, pela Câmara, das verbas federais para o ano. Na década passada, Antônio Carlos Magalhães avisava, sobre negócios de Geddel com fazendas e outros imóveis: "Geddelzinho vai às compras", ou foi. Apesar de tal transparência, Geddel foi diretor da Caixa Econômica a pedido do então vice de Dilma Rousseff (para eliminar dúvidas teimosas sobre o sentido de suas escolhas, o outro diretor indicado por Temer foi Moreira Franco). Derrubada Dilma, Geddel estava na primeira fila a entrar no Planalto, feito ministro da Secretaria de Governo de Temer –um dos dois ministros que sabem e lidam com tudo no governo.

 

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O apartamento de Salvador tornou-se cofre de Geddel no ano passado, como informou à polícia o proprietário, Silvio Silveira. No governo Temer, portanto. A providência teve motivo claro: o governo resguardava Geddel de investigação sobre o pretendido prédio ilegal em Salvador, mas a Lava Jato e outros jatos poderiam escapar ao controle. Remeter dinheiro para o exterior, assim como aplicações encobertas, era um risco implícito nas circunstâncias. Malas e caixas passaram a compor um cofre dotado de sala, quartos, banheiro e cozinha. Tão único quanto Geddel. Mas sem negar a utilidade de cofres ainda mais turísticos, apesar de inconvenientes no momento.

 

As autorizações do juiz Vallisney de Souza Oliveira à Polícia Federal indicam disposição de esmiuçar a riqueza de Geddel, seus meios e fontes. Isso tem conexões com outro fator de agravamento para Temer: as revelações de Lúcio Funaro, intermediário de corrupção com ligações tanto a Geddel, em transações variadas, como a Temer, no mínimo em captações sob o nome do PMDB. A delação de Funaro homologada pelo Supremo foi um complemento adequado ao dia em que ficaram conhecidos o cofre e mais uma gravação de Joesley. A homologação encerra a espera do procurador-geral Rodrigo Janot para liberar nova denúncia criminal contra Temer.

 

Ainda em nível de expectativa, há mais quatro ou cinco gravações de Joesley e outros dirigentes do grupo J&F. Mais ameaças potenciais para Temer, sem exclusividade: seria a hora também de outros políticos. Acima de tudo isso, paira a indignação que invadiu o Supremo e, pode-se pressentir, exacerbou disposições ali quanto a tudo referente à corrupção e seus personagens. Uma boa perspectiva, pois. Não para Temer.

 

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10
Jul17

Quantos juízes tem o Brasil?

Talis Andrade

Pela campanha golpista que se fez para derrubar a presidenta Dilma Roussef.

Pela campanha que se faz para prender Lula. A impressão que o Brasil tem apenas um juiz, o Sergio Moro da República do Galeão do Paraná. 

 

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 Sérgio Cabral no presídio Bangu

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 Geddel chora ao saber que continuará preso

 

Lembra o lúcido jornalista Jânio de Freitas: "A versão carioca da Lava Jato não tem ou teve força-tarefa. O nosso pasmo com Sérgio Cabral se deve à associação eficiente de Polícia Federal, Ministério Público e a coragem do ameaçado juiz Marcelo Bretas. Simples, quase silenciosa, uma forma de ação que ocorre, com menor escala, também em Brasília, com o juiz Vallisney Oliveira, da prisão de Geddel Vieira Lima".

 

Diz Jânio de Freitas: "... Na sua ânsia promocional, o juiz Sergio Moro e os procuradores faturam com exclusividade todo o prestígio da Lava Jato, mal restando referência senão ao 'japonês da federal', no contingente ativo de uma centena de delegados, agentes e técnicos da PF".

 

Moro, cego pelos holofotes da imprensa, e picado pela mosca azul, faz da justiça um trampolim para sua candidatura a presidente tendo, consequentemente, Lula como um único adversário.

 

Assim sendo, razão tem Lula de reclamar da perseguição de Moro, quando se sabe que a Lava Jato mudou de rumo, porque criada para investigar o tráfico de drogas e de diamantes. Um tráfico que rende bilhões, e envolve políticos.

 

 

 

  

 

28
Jun17

Denunciado por corrupção passiva, falta Temer pedir o boné

Talis Andrade

Temer parece aquela mulher da vida que ficou grávida. 
- Quem é o pai?
- Não sei. Ele não tirou o boné!

 

Em entrevista à revista Época, o empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, denunciou Temer como "o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil".

 

A quadrilha, chamada de Orcrim (Organização Criminosa), é formada por ex-presidentes da Câmara dos Deputados e atuais ministros Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima, Henrique Eduardo Alves, Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência).

 

Leia aqui a entrevista do empresário que pagou 600 milhões de suborno e gravou o presidente

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O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou denúncia ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra Michel Temer (PMDB) pelo crime de corrupção passiva. Esta é a primeira vez na história do Brasil que um presidente é alvo de acusação formal durante o exercício do mandato.

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De acordo com trecho da denúncia que foi revelado pelo jornal “Folha de S.Paulo”, Janot argumenta que "entre os meses de março a abril de 2017, com vontade livre e consciente, o Presidente da República Michel Miguel Temer Lulia, valendo-se de sua condição de chefe do Poder Executivo e liderança política nacional, recebeu para si, em unidade de desígnios e por intermédio de Rodrigo Santos da Rocha Loures, vantagem indevida de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) ofertada por Joesley Mendonça Batista, presidente da sociedade empresária J&F Investimentos S.A., cujo pagamento foi realizado pelo executivo da J&F Ricardo Saud".


A denúncia contra o presidente foi originada a partir do acordo de delação premiada feito entre Joesley e o MPF (Ministério Público Federal), no qual o empresário apresentou a gravação de uma conversa com Temer, realizada em março deste ano no Palácio do Jaburu, em Brasília.

Joesley-Batista.jpg

 

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'Não precisamos de boné" disse Temer se referindo ao último depoimento em que Joesley cobriu a cabeça para entrar na PGR.

Precisa, sim. Pedir o boné. Cair fora. 

 

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