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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

09
Mai20

França retira medalha da Ordem do Mérito de torturador argentino da ditadura

Talis Andrade

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Em foto de arquivo tirada em 27 de junho de 2003, o ex-oficial Ricardo Cavallo (à esquerda) é escoltado por um policial da Agência Federal de Investigações para a sala da Procuradoria-Geral do México, no aeroporto internacional da capital mexicana. AFP/Archivos

O jornal Le Monde noticia que a França retirou a medalha da Ordem Nacional do Mérito do torturador argentino Ricardo Cavallo, condenado duas vezes à prisão perpétua nos anos 2000 por crimes contra a humanidade durante a ditadura na Argentina (1976-1983). Cavallo recebeu a condecoração em 1985, em Paris, mas não poderá mais reivindicar a distinção.

O governo francês finalmente decidiu retirar sua medalha da Ordem Nacional do Mérito deste ex-soldado, hoje com 68 anos, condenado duas vezes na Argentina. A primeira, em 2011, por sequestros, sessões de tortura, espancamentos e assassinatos na sinistra Escola Superior Marinha (ESMA), transformada, sob a junta militar, em um centro de detenção ilegal a partir do qual desapareceram cerca de 5.000 oponentes à ditadura argentina. A segunda vez em que foi condenado, em 2017, Cavallo foi julgado por sua participação nos "voos da morte", durante os quais os prisioneiros, depois de torturados, eram drogados e depois jogados ainda vivos de aviões no mar.

Segundo o Le Monde, Cavallo foi reconhecido como responsável pelo desaparecimento, em 1977, de duas freiras francesas, Alice Domon e Léonie Duquet. Mas, alguns meses antes do final da ditadura, em reconhecimento aos seus serviços prestados, aquele que era apelidado em seus tempos de ESMA como "Sérpico" ou "Marcelo" foi enviado à França, como adido da Marinha na Embaixada da Argentina em Paris. Foi neste momento, em 27 de junho de 1985, dois anos após o retorno da democracia, que o Estado francês lhe concedeu a Ordem Nacional do Mérito, desconhecendo sua participação nos crimes.

Impunidade

Na época, a impunidade era total para os torturadores da ditadura. Duas leis de anistia tinham sido aprovadas, em 1985 e 1986. Milhares de soldados, policiais e civis responsáveis ​​por esses crimes escaparam à Justiça.

Em 1989, Cavallo, ainda livre para se mudar, estabeleceu-se no México sob o nome de Miguel Angel Cavallo. Sua verdadeira identidade só foi revelada 11 anos mais tarde pelo jornal mexicano Reforma. Ele foi, então, extraditado para a Espanha, onde o juiz espanhol Baltasar Garzon apresentou uma queixa, em nome da justiça universal, contra muitos algozes argentinos por "genocídio e terrorismo de Estado", devido aos crimes cometidos durante a ditadura.

Preso no aeroporto de Cancún em 24 de agosto de 2000, enquanto se preparava para fugir para a Argentina, onde sabia que estava protegido, Cavallo foi enviado a Madri seis meses depois. Mas enquanto aguardava seu julgamento na Europa, a Argentina anulou a anistia, em 2003, abrindo caminho para um julgamento em Buenos Aires. Cavallo foi finalmente extraditado em 2008.

A Ordem Nacional do Mérito, concedida pela França em 1985, irritou organizações de direitos humanos, que assinaram uma carta em janeiro pedindo às autoridades francesas que a retirassem. "Nós que sofremos na carne sua perversão, sua violência e seu cinismo, só pudemos nos surpreender quando descobrimos que essa distinção havia sido dada a um criminoso", escreveram Victor Basterra, Miriam Lewin e Lila Pastoriza, sobreviventes da ESMA.

06
Mai20

Macron quer indenizar artistas até meados de 2021: a cultura pós-Covid na França

Talis Andrade

 

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O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou uma série de medidas a favor da comunidade artística, cujas atividades estão interrompidas desde meados de março. Martin BUREAU / AFP

O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou nesta quarta-feira (6) um plano de recuperação para o setor cultural na França, gravemente afetado pela pandemia e pela quarentena, em vigor desde 17 de março no país. Entre as principais diretrizes para a cultura na França, Macron anunciou que manterá o sistema de remunerações dos artistas, produtores e técnicos das artes até agosto de 2021 e a criação de um “fundo de indenização” para todos os profissionais do audiovisual francês cujas produções foram canceladas devido à crise do coronavírus.

Artistas e técnicos das artes puderam finalmente respirar um pouco aliviados nesta quarta-feira (6), após o anúncio do presidente francês com as primeiras medidas destinadas à recuperação do setor cultural na França pós-pandemia. O país começa a sair da quarentena na próxima segunda-feira, 11 de maio, mas o processo deve ser longo e será realizado através de etapas, inclusive para o setor cultural.

Muito criticado pelo setor, e pressionado por grandes nomes da cultura francesa, que recentemente se manifestaram publicamente sobre o “esquecimento da cultura” na França, Macron realizou os anúncios por meio de uma videoconferência com uma dúzia de artistas para tranquilizar a comunidade cultural. Entre eles, a cantora Catherine Ringer, os diretores de cinema Eric Tolédano e Olivier Nakache, o diretor de teatro Stanislas Nordey, o escritor Aurélien Bellanger, o rapper, escritor e diretor de cinema Abd Al Malik, e a atriz Sandrine Kiberlain, entre outros.

Macron defendeu que os direitos [de indenização salarial por parte do governo francês] dos chamados “intermitentes do espetáculo”, como são conhecidos os artistas, produtores e técnicos das artes na França, “sejam prolongados de um ano", num período em que sua atividade será "impossível ou muito degradada, ou seja, até final de agosto de 2021". "Muitos não poderão trabalhar. Quero que nos comprometamos que artistas e técnicos intermitentes tenham seus direitos estendidos até o final de agosto de 2021", disse ele durante a videoconferência com representantes do setor cultural.

O sistema da intermitência, uma especificidade francesa, garante a sobrevivência de artistas e técnicos do espetáculo durante o período em que não estão em atividade na França. Para ter direito a esta indenização especial e dedicada à classe artística, cada profissional deve cumprir e comprovar 507 horas de trabalho por ano, sem as quais não se consegue o subsídio. Ao estender a indenização até metade de 2021, Macron garante a remuneração à classe artística, que não poderá cumprir suas horas de trabalho até lá, devido à crise sanitária.  

 

Pela "reinvenção" da Cultura

Resta saber agora se as medidas anunciadas pelo presidente francês estarão realmente à altura do desafio. Segundo Franck Riester, ministro da Cultura da França, "o que está em jogo é a capacidade de nosso país permanecer um país cultural. Em 30 de abril, um manifesto assinado por cem dos maiores artistas franceses exigiu não ser esquecido nesta crise sem precedentes provocada pelo Covid-19. Hoje, no diário Le Monde, mais de 200 artistas e cientistas de todo o mundo, incluindo Madonna, Robert de Niro, Juliette Binoche e Guillaume Canet, publicaram uma coluna dizendo não ao retorno 'ao normal' após a crise de coronavírus. Entre outras coisas, eles querem uma 'transformação radical' do sistema contra o consumismo", alertou Riester.

A indústria cultural da França emprega 1,3 milhão de pessoas. Ela pesa tanto quanto a indústria de alimentos e muito mais que a indústria automotiva na economia francesa. Só o cancelamento do Festival de Avignon representou uma perda de € 100 milhões para a cidade e a região. A Ópera de Paris já anunciou um prejuízo de € 50 milhões este ano. Na indústria do entretenimento, a perda de bilheteria apenas até o final de maio é estimada em € 590 milhões.

“Um novo relacionamento com o público”

O destino dos trabalhadores intermitentes da cultura era uma das demandas mais importantes do setor na França, que se mobilizou nas redes sociais para deixar de ser a grande "esquecida" das autoridades na crise da saúde. "É necessário que os locais de criação revivam, adaptando-se às restrições da epidemia, e, sem dúvida, inventando um novo relacionamento com o público", sublinhou Macron, que disse contar com o "bom senso" e "criatividade" do setor.

"Precisamos reabrir livrarias, museus, lojas de discos, galerias de arte e os teatros devem poder começar se abrir para ensaios”, disse o presidente francês. Como o setor audiovisual é bastante fragilizado pelo risco da volta da pandemia e uma possível nova quarentena, o presidente francês se declarou a favor de um fundo de compensação temporário para filmes e séries que foram canceladas devido à crise sanitária. "Colocaremos seguradoras e bancos frente às suas responsabilidades", disse o chefe de Estado, com o objetivo de retomar as filmagens, analisando "caso a caso" após o final de maio.

Ajudas e mudanças no setor audiovisual na França

É exatamente nesse período que Macron decidiu reabrir espaços culturais. Enquanto as livrarias e galerias de arte se preparam para reabrir, a cortina permanece fechada até novo aviso em cinemas, festivais e outras salas de concerto, por causa das necessidades de isolamento social, que devem continuar na França.

No setor audiovisual, o primeiro ramo do setor cultural na França em investimentos, o presidente francês defendeu a transposição "antes do final de 2020" da diretiva europeia AVMS (serviços de mídia audiovisual). Este regulamento planeja reequilibrar as regras entre canais de televisão, sujeitos a inúmeras obrigações, e plataformas on-line, contribuindo para a criação audiovisual francesa. 

Macron finalmente anunciou o lançamento de um "grande programa de contratações públicas", visando especialmente "jovens criadores com menos de 30 anos", com a ambição de "inventar uma temporada extraordinária" e procurar públicos às vezes esquecidos no mundo da cultura. "Vamos com tudo", sublinhou ele, "seja para o artesanato, performances ao vivo, literatura, ou as artes plásticas", detalhou. "Estou pensando em criadores com menos de 30 anos", destacou o chefe de Estado.

“Verão diferente”

Emmanuel Macron pediu ao mundo da cultura que ajude a "reinventar" um "verão diferente" para os "milhões de jovens" que não sairão de férias, devido à crise do coronavírus. "A nação não poderá viver suas férias como de costume. Precisamos criar um verão cultural e de aprendizado", declarou o chefe de Estado ao fim da conversa por videoconferência com os artistas e representantes do setor cultural.

Macron insistiu em particular na necessidade de mobilização cultural para os "milhões de crianças, jovens e adolescentes" que "não poderão sair de férias" neste verão, especialmente aqueles "de origem migrante" cujas famílias têm o hábito de viajar várias semanas nas férias para seus países e que não poderão fazê-lo neste verão do Hermisfério Norte em 2020, devido à crise sanitária.  

 As fronteiras devem permanecer fechadas nos próximos meses entre a França e os países do Magrebe, no norte da África, impedindo o retorno de muitos franceses que têm raízes familiares na região. As ligações aéreas foram suspensas com a Argélia e Marrocos desde meados de março.  

"Nos nossos subúrbios, em outros distritos da República, já pedimos um grande esforço aos habitantes em quarentena", sublinhou Emmanuel Macron, convocando a população a "reinventar os acampamentos de verão". O presidente francês disse ainda que os artistas podem ser mobilizados através de uma "plataforma" para coordenar iniciativas. Ele esperava que o Estado "dê aos artistas e suas equipes a possibilidade de inventarem de maneira diferente neste verão".

Jean-Marc Dumontet, proprietário de seis teatros parisienses, elogiou no canal BFMTV "o apoio ao mundo da intermitência cultural" e o tom "voluntarista" do chefe de Estado. "É uma mensagem de esperança e precisamos dela", afirmou.   Na manhã desta quarta-feira, o deputado de oposição do partido França Insubmissa, Alexis Corbière, chegou a exigir do presidente francês a declaração de um "estado de emergência cultural" e uma ajuda de "quantia comparável" aos € 7 bilhões prometidos à Air France para "salvar a cultura".

(Com informações da AFP e imprensa francesa)

04
Mai20

Coronavírus: 329 prefeitos da região parisiense pedem que escolas continuem fechadas em 11 de maio

Talis Andrade

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A Associação dos Prefeitos da Região Parisiense publicou no domingo (3) uma carta aberta direcionada ao presidente francês, Emmanuel Macron, pedindo que as escolas não sejam reabertas em 11 de maio - data prevista para o início do relaxamento da quarentena na França. AFP - DAMIEN MEYER

 

A Associação dos Prefeitos da Região Parisiense publicou uma carta aberta direcionada ao presidente francês, Emmanuel Macron, neste domingo (3), pedindo que as escolas não reabram em 11 de maio. A data, que marca o início do relaxamento das medidas de quarentena na França, é considerada precipitada pelas autoridades locais.

"Senhor presidente da República, na região parisiense, o Estado não pode se abster de sua responsabilidade da reabertura das escolas em 11 de maio. Esse calendário é impraticável e irrealista", escreve a Associação dos Prefeitos da Região Parisiense em uma carta aberta publicada no site do jornal francês La Tribune.

O documento, assinado por 329 prefeitos - entre eles, a de Paris, Anne Hidalgo - denuncia a falta de organização do governo, além da impossibilidade de receber os alunos em boas condições. “A preparação do fim do confinamento se faz em um calendário forçado, quando ainda não temos todas as informações para orientar a população”, afirma a carta aberta.

A associação pede, desta forma, o adiamento da abertura das escolas. “A flexibilização e a adaptação às condições locais são necessárias e os prefeitos desejam, evidentemente, estar associados às negociações. (…) Mas a falta de engajamento do Estado de suas responsabilidades em matéria educativa e sanitária, em plena crise e quando o estado de emergência será prolongado, é inimaginável”, reitera o documento.

 

Polêmica volta às aulas

Várias organizações sindicais já haviam criticado, nos últimos dias, a data de volta às aulas, considerada “arbitrária”. A principal organização do ensino primário, a SNUipp-FSU lembrou que esse calendário não foi aprovado por nenhuma autoridade médica. Já a central sindical Sud reivindica a reabertura das escolas em setembro devido “às exigências impraticáveis”.

“As condições sanitárias não estão reunidas e não permitem uma volta às aulas em maio em boas condições para os alunos e profissionais. Recomeçar em setembro permitiria ter tempo para preparar melhor as aulas e os estabelecimentos tanto na organização do material quanto em contratações suplementares”, afirma o sindicato.

Pais também se preocupam com a reabertura das escolas em um momento em que vários países europeus, entre eles a França, registram casos da Síndrome de Kawasaki em crianças contaminadas pelo coronavírus. O próprio Conselho Científico francês – criado pelo governo durante a pandemia – recomendou a reabertura das escolas somente em setembro. Mas o governo insiste na volta às aulas em 11 de maio.

Nesta segunda-feira (4), ao apresentar o projeto do fim gradual da quarentena ao Senado, o primeiro-ministro Edouard Philippe afirmou que a reabertura das escolas é uma prioridade do governo. “Onde ela pode acontecer, ela vai acontecer, se possível para as crianças que mais precisam”, afirmou.

Os estabelecimentos escolares estão fechados desde 16 de março na França devido à epidemia que já deixou 24.895 mortos no país. O projeto do governo prevê a abertura dos maternais e do ensino primário a partir de 11 de maio. As classes seguintes devem voltar as aulas a partir de 18 de maio. Já a situação do ensino médio será reavaliada no final do mês, segundo o primeiro-ministro. As medidas foram aprovadas pela Assembleia, na semana passada, e passam por exame e votação no Senado nesta segunda-feira.

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02
Mai20

Estado de emergência sanitária será prolongado na França até 24 de julho

Talis Andrade

 

RFI

O governo francês decidiu neste sábado (2) prolongar por mais quase dois meses o estado de emergência sanitária na França. A medida excepcional para lutar contra a pandemia de coronavírus no país ficará em vigor até 24 de julho, anunciou o ministro francês da Saúde, Olivier Véran. Mas a pressão continua grande para que o governo esclareça as medidas que serão adotadas para o fim da quarentena, principalmente em relação à complexa reabertura das escolas e à polêmica sobre as venda de máscaras.

A vigência atual do estado de emergência, desde 24 de março, terminaria em 23 de maio, mas sua suspensão seria "prematura", afirmam as autoridades francesas.  "Os riscos de uma nova agravação da epidemia são reais se as medidas atuais forem interrompidas rapidamente", indica o projeto de lei propondo sua prolongação.

O texto será debatido a partir de segunda-feira (4) pelo Senado, antes de ser enviado à Assembleia. A votação final deve acontecer durante a próxima semana. Além de medidas já em vigor, como a limitação da circulação de pessoas, o novo projeto de lei traz detalhes sobre a quarentena e o isolamento que poderão ser impostos aos viajantes que "chegarem ao território" francês.

Desde 1° de março, o coronavírus matou 24.594 pessoas na França. Nas últimas 24 horas, foram 218 novos óbitos, mas a tensão nas UTIs continua diminuindo, com menos 141 pacientes internados nesta sexta-feira (1°), informou o diretor-geral da Saúde, Jérôme Salomon.

 

Medidas contestadas

Ainda há muita indefinição sobre as medidas para o fim gradual da quarentena a partir de 11 de maio. Por exemplo, o mapa que classifica as regiões francesas pelas cores vermelho, laranja e verde, em função da taxa de contaminação de cada uma e da superlotação dos hospitais, e que será usado para determinar o fim do isolamento, teve que ser corrigido uma primeira vez devido a erros de contagem. A imprecisão provocou muitas críticas de políticos em todo o país.

A reabertura das escolas é outro tema que preocupa. "A maioria dos estabelecimentos" do maternal e ensino básico voltará a funcionar a partir de 11 de maio, declarou o ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer, ao jornal Le Figaro deste sábado. Haverá no máximo 15 crianças por sala, detalhou o ministro, mas muitos prefeitos continuam inquietos com os riscos de contaminação.

A prefeita socialista de Nantes, Johanna Rolland, previne que será "impossível" que todas as crianças voltem às aulas daqui a dez dias e que a retomada do ano letivo será "progressiva". Vários políticos de Seine-Saint-Denis, na região parisiense, também revelaram sua intenção de não reabrir os estabelecimentos escolares, preocupados com eventuais reponsabilidades penais em caso de infecções de crianças, professores e funcionários. Em Paris, a reabertura das escolas será reservada, pelo menos em um primeiro momento, a alunos "prioritários", isto é, filhos de profissionais de serviços considerados essenciais ou crianças com dificuldades de aprendizado, indicou o secretário municipal de Educação.

Para receber os alunos, as escolas deverão respeitar um protocolo sanitário rígido. As linhas gerais deste plano foram divulgadas na quinta-feira (30): as crianças terão que lavar as mãos várias vezes por dia, os brinquedos estão proibidos, o material escolar terá que ser desinfetado, o sentido da circulação de pessoas nas salas e corredores será indicado no chão. São tantas imposições que, principalmente, os estabelecimentos pequenos consideram muito difícil aplicá-las.

Crise sanitária e econômica

Já se sabe que o uso de máscaras será obrigatório nos transportes públicos, mas a venda do produto é outra fonte de tensão. A dez dias do fim da quarentena, o governo decidiu tabelar o preço das máscaras cirúrgicas a € 0,95 cada. Mas as proteções alternativas em tecido não tiveram o preço enquadrado devido a variedade de modelos e proveniência.

A crise sanitária continua a aprofundar a crise econômica. Último dado que indica a gravidade da situação é o prejuízo registrado pela Rede Ferroviária Francesa (SNCF). O presidente da empresa estatal, Jean-Pierre Farandou, informou hoje perdas de € 2 bilhões e disse que estuda um plano de corte de pessoal. As dificuldades econômicas do país pesam a favor do fim da quarentena, embora os profissionais de saúde temam a possibilidade de uma "segunda onda" da epidemia.

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30
Abr20

Crise: para proteger economia, França reforça controle de investimentos estrangeiros

Talis Andrade

Tudo começou com a Lava Jato: Brasil continua entregando suas empresas

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O ministro francês da Economia, Bruno Le Maire, anunciou nesta quarta-feira (29) que a França fortalecerá seu controle sobre os investimentos estrangeiros, a fim de proteger as empresas nacionais em dificuldade devido à crise econômica causada pela pandemia de Covid-19.

O Brasil de Bolsonaro & Paulo Guedes prefere escancarar as porteiras, entregando suas riquezas em defesa do estado mínimo. 

Na França, o limiar para acionar o controle de investidores não europeus que estejam participando de uma grande empresa francesa será "reduzido de 25% para 10%" até o final do ano, anunciou o ministro no canal de televisão LCI. Essa nova regra se aplica "a todos os investidores que não são europeus, para empresas muito grandes, por um período que vai até o final do ano", detalhou.
 

O governo agora incluirá também o setor de biotecnologia no campo de atividades protegidas, anunciou Le Maire. "Neste período de crise, algumas empresas estão vulneráveis. As de biotecnologia estão enfraquecidas e podem ser compradas a preços baixos por concorrentes estrangeiros, não deixarei que isso aconteça", insistiu.

 

Atualmente, Paris tem a possibilidade de bloquear aquisições de mais de 25% do capital de empresas que operam em determinados setores considerados estratégicos, como defesa, energia, aeroespacial e transporte. Esse limite de 25% está em vigor apenas desde o início do ano, após uma decisão do governo tomada em um contexto de desconfiança europeia em relação a certos “apetites estrangeiros”, em especial dos chineses. Anteriormente, esse percentual era de 33,33%.

O jornal Hora do Povo publica hoje: 

Saab sueca adquire brasileira Atmos Sistemas

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O anúncio da desnacionalização em 100% da empresa Atmos Sistemas, com sede em São Paulo, é mais um duro golpe contra a economia nacional e a independência tecnológica do Brasil, neste caso no âmbito de radares para aeronáutica e metereológicos, bem como aviônicos (sistemas tecnológicos embarcados em uma aeronave).

A sueca Saab, escolhida pelo governo federal em 2014 para renovar a frota de caças da Força Aérea Brasileira (FAB) através da aquisição de 36 caças Gripen, comprou a Atmos Sistemas. O contrato foi celebrado no dia 6 de abril e deve ser concretizado nas próximas horas.

O valor do negócio, realizado em plena pandemia, com os preços das empresas desabando e os países entrando em recessão, não foi anunciado.

A “nova” ATMOS deverá ser responsável pela manutenção de radares dos caças Gripen, mas também tem o objetivo de atender a clientes civis e militares, no Brasil e no exterior, diz a Saab. O primeiro caça deverá ser entregue no ano que vem e o último está previsto para o ano 2026.

A brasileira Atmos é uma empresa altamente capacitada em eletrônica, incluindo o desenvolvimento, modernização, manutenção e reengenharia de sistemas críticos. Atua também em programas de absorção de tecnologia (Off-Set) em projetos estratégicos e de interesse do Governo Brasileiro.

É uma indústria de tecnologia de ponta na produção de softwares e equipamentos com certificação junto ao Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED).

A empresa nacional realiza a manutenção das nove estações de radares meteorológicos de banda S, doppler, com dupla polarização, pertencentes ao CEMADEN (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais).

Estas estações realizam um serviço de monitoramento das condições ambientais (chuvas observadas e previstas). O objetivo principal do CEMADEN é realizar o monitoramento e emitir alertas de desastres naturais que subsidiem salvaguardar vidas e diminuir a vulnerabilidade social, ambiental e econômica decorrente desses eventos.

A empresa foi responsável pela recuperação de um radar no Centro de Lançamento de Alcântara, mantido e operado pela FAB. O radar meteorológico banda X de dupla polarização e fabricação americana ficou inativo por diversos anos devido a panes em seus componentes. A Atmos foi selecionada para resolver o problema e fornecer manutenção e treinamento para os operadores deste equipamento.

Contratada pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), os engenheiros da ATMOS realizaram o desenvolvimento de um protótipo para a medição da posição do mecanismo de acionamento de barras do reator que equipará o futuro Submarino Nuclear Brasileiro.

Alemanha segue o caminho nacionalista da França

Publica RFI:

No início de abril, a Alemanha também anunciou um maior controle sobre os investimentos estrangeiros. Berlim já tem a possibilidade de bloquear aquisições de mais de 10% do capital em áreas consideradas sensíveis, como defesa e telecomunicações, robótica, inteligência artificial e biotecnologia, se a operação representar um perigo para a segurança pública.

 

 

20
Abr20

Papel de crianças na disseminação do novo coronavírus não é o que se pensava, dizem médicos

Talis Andrade

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Cientistas lançaram estudos para investigar por que carga viral do novo coronavírus em crianças seria baixa. REUTERS - Mohamed Abd El Ghany

 

por RFI

O papel das crianças na transmissão do novo coronavírus "não é o que se pensava no início da epidemia", diz o pediatra francês Robert Cohen, especialista em doenças infecciosas no Hospital de Créteil, na região parisiense. De acordo com os dados científicos mais recentes, as crianças têm menos probabilidade de carregar o vírus SARS-Cov-2, vetor da Covid-19, do que os adultos, disse Cohen à rádio France Info.

"Em adultos, temos 30% de resultados positivos, enquanto nas crianças, temos apenas 10%", afirma o pediatra. "Sabemos que as crianças são menos seriamente afetadas, mas existem formas graves de vez em quando", admitiu o especialista do Hospital de Créteil.

"A quantidade de vírus em crianças provavelmente não é tão alta assim, é mais baixa do que em adultos", confirma o professor Jean-François Delfraissy, presidente do Conselho Científico que assessora o presidente Emmanuel Macron nas decisões sobre as medidas de controle da epidemia.

Na França, desde o início da pandemia, as crianças infectadas representam entre 1% e 2% do total de casos confirmados, indica a Sociedade Francesa de Pediatria. As vítimas mais jovens que morreram por causa da nova pneumonia viral no país tinham 6, 10 e 12 anos de idade. Em quase todos os casos notificados nas unidades de pediatria, um dos pais contaminou a criança, e não o inverso.

"Ao contrário do que conhecemos em relação à gripe, em que as crianças são os principais transmissores, parece que com o coronavírus elas excretam menos vírus", diz a professora Odile Launay, especialista em doenças infecciosas no Hospital Cochin, em Paris.

 

Segundo o doutor Pascal Crépey, epidemiologista e professor-pesquisador da Escola de Altos Estudos em Saúde Pública de Rennes (na região noroeste do país), pessoas assintomáticas, especialmente crianças, contribuem pouco para a disseminação do coronavírus.

Reabertura das escolas causa preocupação em pais e professores

O retorno anunciado das aulas em 11 de maio, quando o governo francês deve adotar medidas de flexibilização do isolamento social, deixa pais e professores preocupados. Mas, de acordo com Cohen, embora seja necessário aguardar os resultados de estudos aprofundados sobre a Covid-19 em crianças, o risco maior de contaminação não seria dentro da sala de aula, e sim fora dela, nos horários de entrada e saída das escolas, quando adultos se aglomeram e conversam enquanto aguardam as crianças.

"Mesmo se os estudos confirmarem que as crianças não são importantes vetores da doença, os pais devem continuar ensinando os filhos a adotar os gestos de prevenção, assim como os professores", defende o pediatra. Ele recorda a importância de se lavar as mãos várias vezes ao dia e ventilar as salas de aula. "Se isso for levado em consideração, o risco será relativamente limitado", acredita Cohen.

A Sociedade Francesa de Pediatria vai lançar nos próximos dias um estudo sobre o papel das crianças na transmissão do novo coronavíruas. "Se for comprovado que as crianças carregam uma carga viral baixa, isso confirmará que, no momento da epidemia, elas não desempenham um papel relevante na transmissão", explica Cohen.

O pediatra e imunologista Jean-Laurent Casanova, que dirige com o geneticista Laurent Abel o laboratório de genética humana de doenças infecciosas baseado em Paris (Instituto Imagine, Universidade de Paris, Inserm) e Nova York (Howard Hughes Medical Institute, Universidade Rockefeller), lançou uma pesquisa para averiguar o papel das variações genéticas na sensibilidade ao coronavírus. Os médicos ficaram intrigados ao constatar que alguns pacientes sem qualquer fator de risco agravante, como obesidade, diabetes ou hipertensão, desenvolvem formas graves da Covid-19 e morrem, enquanto outros, considerados de maior risco, conseguem se recuperar.

"A ideia de que as doenças infecciosas têm uma origem genética já foi demonstrada por estudos clássicos realizados entre 1905 e 1945. Desde estudos publicados em 1985 e principalmente em 1996, sabemos que várias alterações genéticas podem explicar uma predisposição a infecções graves, como a encefalite herpética, a tuberculose e a gripe. As formas severas da Covid-19 sugerem uma predisposição genética", disse Casanova em entrevista ao Le Monde.

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18
Abr20

Balé das baleias

Talis Andrade

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“Em compensação” não pode ser o começo de nenhuma frase sobre a pandemia que nos assola. Nada compensa, mitiga, inocenta, redime, atenua, suaviza ou absolve o vírus assassino, por respeito aos que ele já matou e continua matando. Portanto não veja como simpatia pelo demônio a simples constatação, noticiada pela imprensa internacional, que um efeito da pandemia e das medidas tomadas para controlá-la tem sido a queda dos índices da poluição em todo o planeta. Triste ironia: o ar se torna respirável pela diminuição da atividade industrial e a ausência de gente nas ruas justamente onde ele é mais venenoso. O demônio tem suas astúcias.

Li que os habitantes de Marselha, no sul da França, estão vendo, diariamente, um espetáculo raro. Baleias se aproximam da costa e se exibem, certamente surpreendidas pela sua própria súbita ascensão ao estrelato. O porto de Marselha é o mais importante da França, e seu movimento incessante mantém as baleias longe. Ou mantinha. Com as limitações impostas pelo coronavírus, abriu-se o espaço para o balé das baleias, que não demora estarão integradas na vida social de Marselha, provando a “bouillabaisse” do Vieux Port e dando autógrafos.

Perdão pela brincadeira, admissível num cronista inconsequente que só está tentando não sucumbir ao terror destes tempos – o equivalente literário a assoviar no escuro – mas inaceitável no humor involuntário e trágico com que o governo mais incompetente da nossa história vem tratando do assunto coronavírus, transformando o que pode significar a vida ou a morte para milhares de pessoas numa mesquinha briga de egos. Os heróis que estão na linha de frente da guerra contra o vírus, nos hospitais, arriscando sua vida pela vida dos outros, merecem, mais do que ninguém, outro governo. Nós todos merecemos outro governo. Até quem elegeu este governo, por convicção ou engano, merece um governo menos inconscientemente cômico.

 

17
Abr20

Covid-19: Como os asilos da França organizam visitas a pacientes em fim de vida (capas jornais hoje)

Talis Andrade

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Um paciente em um EHPAD, estabelecimento para pessoas idosas na França REUTERS/Regis Duvignau

 

"Alguns dos que nos deixaram morreram não da Covid-19, mas de tristeza”

A epidemia do novo coronavírus revela a falta crônica de pessoal nos asilos de idosos (conhecidos como “Ehpad”) na França, mas também uma solidariedade de todas as categorias de funcionários para cuidar dos velhos, com ações destinadas a proporcionar conforto e manter laços familiares. Entre as medidas autorizadas pelo presidente francês, Emmanuel Macron, para aliviar a pressão da população, consta a liberação de uma visita “em casos extremos” de familiares em casas de repouso, para darem o último adeus a infectados, quando a situação é irreversível.

Permitir que as famílias se despeçam de seus entes queridos no final de suas vidas. Esse processo muitas vezes doloroso é particularmente difícil durante a crise do coronavírus. Com a necessidade urgente de limitar os contatos e a restrição drástica de visitas a hospitais ou casas de repouso, as possibilidades de acompanhar um membro da família até a morte são muito limitadas.

Durante seu discurso televisionado na segunda-feira (13), Macron falou sobre esse problema, que muitas famílias enfrentam atualmente em quase todos os lugares do planeta. “Desejo que hospitais e asilos possam organizar, para os mais próximos, equipados com as proteções corretas, uma visita aos contaminados pelo coronavírus no final da vida, para que eles possam se despedir”, disse o presidente francês.

Como as visitas são organizadas na França? Na maioria dos hospitais, elas são proibidas, mas "já existem exceções, que permitem apoiar os entes queridos no final da vida", disse um representante do Ministério da Saúde francês, entrevistado pela rádio France Info. "Essas autorizações excepcionais ficam a critério dos diretores de cada estabelecimento”, como determinado por Macron.

A declaração do chefe de Estado visa os asilos, onde o isolamento é ainda mais rigoroso. Por decisão do governo, as visitas foram "totalmente suspensas" desde 11 de março, uma semana antes do confinamento em todo o país. Desde então, as autoridades de saúde têm tolerado exceções "concedidas pelo diretor do estabelecimento, após uma avaliação caso a caso".

Exceções podem ser abertas pelos seguintes motivos: "Uma situação clara de estado terminal, uma descompensação psicológica ou uma recusa em se alimentar que não consegue ser resolvida com os recursos do estabelecimento".

Na falta de pessoal, solidariedade

A estratégia lançada pelo governo  francês no início de março nos lares de idosos e estabelecimentos de saúde impôs uma mobilização "máxima" de profissionais diante da epidemia de Covid-19. Na prática, "a falta de pessoal já era flagrante antes do novo coronavírus, mas os estabelecimentos estão ainda mais afetados, com até 40% de absenteísmo em determinados locais", lamenta Malika Belarbi, auxiliar de enfermagem e representante do coletivo de cuidadores de idosos do sindicato nacional CGT, na França.

No entanto, "em um setor com pouco pessoal ao longo do ano, é importante demonstrar solidariedade, ainda mais em tempos de crise", acrescentou Romain Gizolme, diretor da Associação de Diretores de Serviços para Idosos (AD-PA).

A situação é "muito difícil", diz Marie-France, enfermeira em uma casa de repouso em Hauts-de-Seine (norte da região parisiense), designada para uma unidade de Covid-19. "Vemos a situação se deteriorar, nossos pacientes perderem peso, morrerem na nossa frente em poucas horas, somos impotentes". Só na quarta-feira (15), dois moradores de sua unidade morreram.

"Felizmente, os outros serviços estão lá: funcionários administrativos, pedicures, esteticistas, psicólogos nos ajudam. Eles estão na linha de frente para fortalecer as equipes. Não é o trabalho deles, mas o fazem por solidariedade e dedicação", insiste Malika Belarbi, que conta ter "se encontrado dois dias atrás com uma pedicure lavando a louça para 40 moradores".

"As barreiras hierárquicas estão caindo" 

"Quando um confinamento se impõe, felizmente a equipe de enfermagem e a equipe de limpeza ajudam a de catering a distribuir refeições na sala", diz Romain Gizolme. "Os agentes administrativos, os secretários nos ajudam a fazer os idosos comerem; tenho um colega da Bretanha (noroeste) que veio ajudar. Isso nos faz muito bem", explica Marie-France.

Aicha, que trabalha no departamento de admissões de um lar de idosos em Asnières (Hauts-de-Seine), ofereceu-se para dar apoio a seus colegas de enfermagem. "Eu os libero de suas tarefas administrativas, como organizar a partida de um falecido”. Ela descreve uma "cadeia de solidariedade" que a envia "ao campo todos os dias". "Existe o envolvimento de todos. Nunca vi tanta solidariedade entre as equipes", confirma Raphael Berhaiel, delegado central do sindicato CFDT dentro do grupo Korian, o número um na Europa entre os lares de idosos.

"Antes, havia um certo individualismo. Terminávamos o trabalho e íamos para casa. Hoje, recebemos notícias. Há um desejo de cuidar bem um do outro. Até as barreiras hierárquicas caem", acrescenta Berhaiel. Os funcionários geralmente se esforçam para manter contato com os entes queridos. "Equipes foram criadas para dar notícias diárias às famílias", disse o cuidador.

"No meu estabelecimento, sessões de videoconferência via Skype são organizadas", diz Marie-France. "Tentamos reservar um tempo, o máximo possível com os moradores para dar suporte. Alguns dos que nos deixaram morreram não da Covid-19, mas de tristeza”, acredita. Para Romain Gizolme, "essa crise revela o melhor, o grande comprometimento dos profissionais, às vezes à custa de sua saúde. E também o pior, mostrando como o setor está com falta de pessoal", conclui o profissional.

Com informações da AFP

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16
Abr20

Porta-aviões francês tem mais de 650 marinheiros contaminados pelo novo coronavírus

Talis Andrade

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O porta-aviões francês Charles-de-Gaulle em sua chegada ao porto de Toulon (sul), no dia 12 de abril de 2020. AFP

O Ministério da Defesa da França anunciou que mais de um terço da tripulação de seu porta-aviões Charles-de-Gaulle testou positivo para a Covid-19. Até agora, 668 marinheiros foram contaminados, mas o número informado nesta quinta-feira (16) pode aumentar porque os resultados de 30% dos testes efetuados ainda não foram divulgados.

Até o momento, mais de 20 marinheiros do Charles-de-Gaulle precisaram ser hospitalizados. Segundo relatou o capitão do porta-aviões, Eric Lavault, em entrevista à televisão francesa, o estado de saúde dos militares não é preocupante, à exceção de uma pessoa que se encontra em terapia intensiva.

O médico da Força de Ação Naval, Laurent-Melchior Martinez, afirma que nenhum caso suspeito da Covid-19 tinha sido notificado ao serviço de saúde da Marinha antes de uma escala do porta-aviões em Brest, na região noroeste da França, entre os dias 13 e 15 de março. “Eu entendo a preocupação das pessoas. Mas é preciso manter o sangue frio”, afirmou Martinez. “Queremos saber o que aconteceu, investigações estão sendo realizadas. É preciso esperar o resultado para se pronunciar”, disse a porta-voz da Prefeitura Marítima do Mediterrâneo, Christine Ribbe.

A Marinha francesa lançou uma operação sem precedentes para desembarcar e colocar em quarentena os tripulantes do porta-aviões e sua escolta, que atracou no domingo (12) na cidade de Toulon (sul), após a descoberta de possíveis casos de Covid-19 a bordo.

Origem da contaminação

A origem da contaminação no porta-aviões ainda é desconhecida e a tripulação, que estava em missão há três meses, não teve contato com nenhum elemento exterior ao porta-aviões desde a parada em Brest, durante a qual 50 pessoas subiram a bordo, segundo a Marinha. 

“As Forças Armadas brincaram com nossa saúde, nossa vida”, declarou sob anonimato um dos membros da tripulação contaminado pelo coronavírus, em entrevista à rádio France Bleu. Segundo ele, o comandante do porta-aviões teria proposto interromper a missão na escala do Charles-de-Gaulle em Brest, quando muitos marinheiros já apresentavam sintomas do vírus, mas esta proposta foi recusada pelo Ministério da Defesa.

A ministra da Defesa, Florence Parly, deve participar de uma audiência por videoconferência na Assembleia Nacional na sexta-feira (17), para prestar esclarecimentos sobre o incidente aos deputados da Comissão de Defesa Nacional e das Forças Armadas.

Oficialmente, o Charles-de-Gaulle é o segundo porta-aviões no mundo a ter sua tripulação contaminada pelo coronavírus, depois do Theodore Roosevelt, dos Estados Unidos.

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13
Abr20

França usa quartos de hotéis e amplia albergues para proteger população sem teto do coronavírus

Talis Andrade

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Em Cannes, o palácio que abriga normalmente o famoso festival de cinema foi transformado para receber sem-tetos durante o período de confinamento REUTERS - ERIC GAILLARD



 

Enquanto toma medidas de isolamento social para reduzir a rapidez do contágio do coronavírus, o governo francês usa 9.000 quartos de hotéis e transforma prédios públicos em albergues para a população de rua do país.

Após decretar o confinamento nacional, em 17 de março, o governo francês encaminhou pedidos de quartos de hotéis para a grande rede hoteleira do país e pediu que os governantes de cada cidade disponibilizassem prédios públicos para serem transformados em abrigos para a população de rua.

O esforço federal ampliou em 17 mil lugares a capacidade de abrigo para a população mais vulnerável, somando 174 mil vagas. O total, no entanto, não é suficiente para atender os cerca de 200 mil moradores de rua da França, segundo estimativas de associações que ajudam esta população.

Ginásios, hotéis e campings para os sem-teto

A cidade de Cannes, que não terá este ano sua famosa mostra internacional de cinema, transformou o palácio que recebe o Festival de Cannes para hospedar 80 moradores de rua.

Em Paris, seis ginásios esportivos foram abertos para acolher os sem-teto. Outros oito ginásios foram colocados à disposição de associações dedicadas à acolhida desse público e refugiados.

Na capital, os quartos de hotéis disponibilizados são prioritários para famílias com crianças, de acordo com a prefeitura de Paris. No balanço do ministério, a capital tem pouco mais de 800 quartos para a população de rua. Diversas prefeituras do interior aderiram à iniciativa abrindo seus campings municipais.

Com a mobilização de voluntários e um orçamento de 65 milhões de euros, o Ministério da Habitação ampliou a capacidade nacional de abrigo de 157 mil lugares para 174 mil e abriu 86 locais especializados para confinar moradores de rua vítimas do coronavírus que não precisam ser hospitalizados.

Não é o suficiente

As associações de direitos humanos, no entanto, dizem que o número de abrigos e a ajuda com cheques para alimentação de 7 euros por dia, para 60 mil pessoas, são insuficientes para atender essa população atingida por grandes vulnerabilidades.

Pelas ruas de Paris e de outras grandes cidades francesas, os sem-teto são os poucos que seguem nas ruas e praças durante o confinamento nacional.

“Os invisíveis nunca foram tão visíveis», afirmou o fundador da associação LHA, de atendimento à população de rua em Lille (norte). Um membro da LHA disse ao jornal 20 Minutes que as ruas continuam cheias de sem-teto sem nenhuma proteção.

A França já identificou mais de 93 mil pessoas contaminadas pelo coronavírus. Entre hospitais e casas de repouso para idosos, o país registrava até a noite de sábado (11) 13.832 mortes em decorrência da epidemia.

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