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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

26
Mai18

Eleições 2018: os dados estão lançados e o cenário é inquietante

Talis Andrade

 

 

por Eric Nepomuceno 

 

 

A essa altura do calendário eu acho muito difícil que o Lula seja posto em liberdade antes da eleições de outubro. Essa prisão completamente arbitrária e injustificável, não há uma prova contra ele faz parte do golpe que destituiu a Dilma Rousseff, mas o objetivo não era a Dilma.

O objetivo era o Lula.

 

Então, eu acho muito pouco provável, infelizmente, que ele seja libertado. E se ele não participar da eleição, o quadro é muito preocupante. Extremamente preocupante.

 

As últimas pesquisas mostram que o Bolsonaro é um candidato forte. Eu acho que ele está no teto dele, 17%, 18%, talvez 20%.

 

O problema é que os outros estão longe dele. E a perspectiva é a pior possível. Porque os golpistas, a direita não tem um candidato viável. Michel Temer já tirou o cavalinho da chuva. Henrique Meirelles é uma piada de mau gosto. É muito complicado e a esquerda sim tem chance.

O campo progressista tem chance, mas é preocupante.

 

No meio disso tudo 70 militares de pijama, ou seja, da reserva, vão disputar cargos no Brasil inteiro, deputado estadual, deputado federal, governador em alguns estados, alguém vai tentar o Senado.

 

Um militar da reserva tem direito de participar de uma eleição? Claro que sim. Qualquer brasileiro tem direito de participar de uma eleição. Menos o Lula, claro. Mas qualquer outro tem.

 

Então, porque é inquietante? Para mim é inquietante pelo seguinte: muitos deles, general Mourão, por exemplo, estavam na ativa faz muito pouco tempo. E passaram para a reserva com uma postura de uma virulência, de um reacionarismo atordoante.

 

Uma outra pesquisa que passou meio que em brancas nuvens diz que perto de 50% dos brasileiros querem uma intervenção militar.

Deve ser gente jovem que não viveu a ditadura e que não tem ideia do que é uma ditadura. Eu vivi duas, aqui e na Argentina.

Não quero que eles voltem de jeito nenhum. Como é que vai ser?

 

 

É muito, muito, muito nebuloso. É assustador esse cenário. Para quem fala de intervenção militar sem ter ideia do que está falando, convém lembrar aquilo que a gente já falou aqui: matar, estuprar, torturar, desaparecer foi política de Estado no Brasil. Durante qual período? A ditadura militar.

 

Agora vem o general e aquele ministro da Segurança Pública, o Raul Jungmann dizer que o telegrama da CIA mostrando que o Geisel autorizava assassinatos não vai arranhar a imagem das Forças Armadas do meu país, que também é o país dele.

 

Cia-e-Militares-Golpe-de-64 ditadura .jpg

 

Eu acho que o telegrama não arranha não. O que arranha foi o que os militares fizeram.

O que arranha a imagem foi ter torturado, violado, sequestrado, desaparecido com gente.

Isto arranha. Não só a imagem das Forças Armadas, mas a imagem do meu país.

 

 

Cuidado. Cuidado. Cuidado.

 

17
Jul17

A ONDA DO “SELFIE” NAS REDES SOCIAIS E SEUS REFLEXOS NUMA SOCIEDADE DOMINADA PELAS TENDÊNCIAS TECNOLÓGICAS

Talis Andrade

 

por  CHRISTIANE AFONDOPULOS

 

Até que ponto uma tendência lançada pela via da tecnologia pode revolucionar, de modo positivo ou negativo, a forma como vivemos e interagimos? E mais adiante, como isso reflete nas diversas situações do dia-a-dia aos olhos do outro?

 

 

selfie.jpg

 

 

A onda do “selfie”, como recente tendência das redes sociais, ganhou adeptos de todas as idades e faz parte do dia-a-dia das pessoas como algo divertido e descontraído, muitas vezes com a simples finalidade de mostrar um estado de humor, uma paisagem ao seu fundo ou um encontro de amigos que merece ser registrado. Isso é positivo? Acredito que sim, acho válido e coerente com o mundo moderno.


O problema é quando esse simples “clique” passa a ser tão habitual na vida do indivíduo, que de repente não consegue viver sem ele. E como tudo em excesso, o resultado é o risco do mergulho num estado febril em que não se consegue mais distinguir qualquer limite de tolerância.


Aí é onde entra o lado negativo desse fenômeno que invadiu e revolucionou as páginas das pessoas, as quais nem sempre são capazes de avaliar uma situação inadequada, constrangedora ou até mesmo desrespeitosa.


Não são raros os “selfies” em velórios, no meio de acidentes, templos sagrados, reuniões íntimas, com ar exageradamente provocante (até mesmo por crianças e pré-adolescentes), enfim, sem qualquer discernimento e consciência. Sim, algumas pessoas perderam totalmente a consciência diante dessa ferramenta e atingiram o ponto mais alto da alienação.


E isso reflete diretamente na sua forma de interagir com o mundo, que recebe estímulos deficientes a todo instante e os redireciona a outros indivíduos que, por conta da sua capacidade limitada de reflexão, adotam esse comportamento massificador.


Como se não bastasse, todo esse movimento vem acompanhado de uma vaidade típica das redes sociais, onde além de fazer o “selfie” é também preciso estar perfeito aos olhos do outro. E aí mais um acontecimento bizarro se estabelece, pois além de fazê-lo no local inapropriado, o indivíduo cria meios acrobáticos para sair impecável no “clique”.


Um retrato desastroso e triste que pode exemplificar isso, foi o dia em que presenciei um jovem casal fazendo um “selfie” dentro de um templo sagrado e, para que a foto saísse perfeita, utilizavam uma câmera adaptada a um suporte manual de mais ou menos 70 centímetros que esbarrava em qualquer um que se atrevesse a chegar perto deles! De fato eles não passavam desapercebidos e atraíam toda a atenção das pessoas que estavam no local. E pior, não demonstravam vergonha alguma.


Confesso que isso me causou estranheza e certo desconforto.


Parece que estamos diante de algo que merece ser pensado e refletido, não é?

 

 

 

 



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