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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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02
Jan19

LARANJA A COR MAIS QUENTE O governo militar do casal Bolsonaro

Talis Andrade

posse casal bolsonaro.jpg

Bolsonaro usa a faixa presidencial na vertical, e a primeira-dama na vertical

 

247 - O presidente Jair Bolsonaro surpreendeu o país em seus discursos no Congresso e no púlpito do Palácio do Planalto que marcaram o início de seu governo. No primeiro, acusou "inimigos da pátria, da ordem e da liberdade" pelo atentado a faca que sofreu em Juiz de Fora em 6 de setembro. No segundo, disse que seu governo irá "restabelecer a ordem neste país" e que, com sua vitória, o Brasil irá "se libertar do socialismo" e do "politicamente correto". Ao final, falou em derramar sangue para defender a bandeira "verde e amarela". Qual será o próximo passo de seu governo?

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"Se não havia sangue, o médico não precisava de luvas", justificou Olavo de Carvalho

 

No discurso no Congresso, em tese mais formal, o capitão-presidente afirmou que teria ocorrido uma reação à trama contra sua vida: "milhões de brasileiros foram às ruas" -algo inusitado, que jamais aconteceu. Segundo a versão que apresentou, o atentado teria transformado a campanha eleitoral "um movimento cívico" que o teria levado à vitória. Na versão do agora presidente, os brasileiros "tomaram as ruas para preservar nossa liberdade e democracia" em reação ao atentado. O discurso serviu para manter a lógica de confrontação com a esquerda e os democratas do país.

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O tradicional discurso dos presidentes logo depois da posse, no púlpito do Palácio do Planalto, dirigido às pessoas que se concentram na Esplanada dos Ministérios, foi como que a consequência do primeiro. Bolsonaro afirmou que seu governo irá "restabelecer a ordem neste país" e que, com sua vitória, o Brasil irá "se libertar do socialismo" e do "politicamente correto". Diante de seus fãs, radicalizou os termos do discurso de posse de uma hora antes no Congresso Nacional. Percorreu toda a agenda de slogans dos fundamentalistas e da extrema-direita.

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Atacou as "ideologias nefastas", a "ideologização das nossas crianças", o "desvirtuamento dos direitos humanos"; falou em "acabar com a ideologia que defende bandidos e criminaliza policiais" para, em seguida, defender o "direito de propriedade" e o direito "à legítima defesa" -numa menção indireta à sua intenção de praticamente liberar a posse de armas no país. 

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No Congresso, Bolsonaro manteve o ataque ao sistema educacional do país e indicou mais uma vez que poderá iniciar uma campanha de perseguição ideológica nas instituições de ensino pois o país passaria a ter "boas escolas" com a função de "preparar seus filhos para o mercado de trabalho e não para a militância política". O espírito é o mesmo do tuíte da véspera, no qual havia afirmado que uma das metas de seu governo será "combater o lixo marxista que se instalou nas instituições de ensino", para ele, a educação no país forma "militantes políticos" e que passará a formar "cidadãos".

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Depois de atacar sistematicamente a esquerda e a oposição de uma maneira geral, Bolsonaro assentou o paradoxo: "Reafirmo meu compromisso de construir uma sociedade sem discriminação ou divisão".

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O discuso, recheados de ameças, foi presidido pela lógica da ação e do pensamento das elites nacionais. Bolsonaro falou em "um verdadeiro pacto nacional entre a sociedade e os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, na busca de novos caminhos para um novo Brasil" -corolário do processo de tomada da cúpula dos três Poderes pela direita e extrema-direita nos últimos anos. Seu conceito de pacto dos Poderes coma sociedade, indica seu discurso, exclui da "sociedade" todos aqueles que se opõem à agenda do novo regime. 

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Foi o discurso de posse de um presente que se considera em tempos de guerra (a íntegra está aqui). Seu ponto culimante foi o improviso cometido no púlpito do Planalto, depois de encerrado o discurso formal: chacoalhando uma bandeira brasileira, proclamou o slogan da direita segundo o qual "essa é a nossa bandeira que jamais será vermelha". E completou, em tom de ameaça: "Só será vermelha de for preciso nosso sangue para mantê-la verde e amarela".

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