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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

31
Mai21

Gilmar Mendes protesta contra repressão em Pernambuco e a violência das PMs: "Até quando?"

Talis Andrade

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes usou as redes sociais para criticar a “truculência e brutalidade” empregada pela Polícia Militar de Pernambuco para reprimir manifestantes que participavam de um ato contra Jair Bolsonaro no sábado (29).

“As cenas de truculência e brutalidade da ação policial em Recife causam imensa preocupação com o despreparo das forças para lidar com manifestações de grande porte, que tendem a se tornar frequentes em 2022. Dois homens que sequer manifestavam perderam um olho. Até quando?”, escreveu Gilmar Mendes no Twitter.

POLÍCIA NAZISTA. Daniel Campelo da Silva, 51 anos, foi alvejado no olho esquerdo por uma bala de borracha disparada por um policial do Batalhão de Choque. Ele sequer participava do protesto, mas perdeu o globo ocular e a visão.Desempregado Jonas Correia de França, 29 anos, é atingido por tiro pela PM no Recife e perdeu a visão do olho direitoDesempregado Jonas Correia de França, 29 anos, é atingido por tiro pela PM no Recife e perdeu a visão do olho direito 

 

A ação da Polícia Militar aconteceu quando o ato já estava próximo do fim e os manifestantes começavam a se dispersar. Os policiais do Batalhão de Choque atiraram bombas de gás e balas de borracha, além de  utilizarem spray de pimenta, contra a multidão. 

O adesivador Daniel Campelo da Silva e o arrumador Jonas Correia de França, que não participavam da manifestação, foram atingidos no rosto por balas de borracha disparadas por policiais militares e perderam a visão em um dos olhos. Image

Liana Cirne Lins
É necessário estabelecer novas diretrizes, rígidas, sobre como deve se conduzir a polícia em atos pacíficos.
LULADILMA 2022 
@DaysePirralha
Vereadora denunciando com Coragem, a PM que a Atacou, no Recife. precisa tomar atitudes Enérgicas contra os PMs e o Comandante da Instituição. Isso não vai ficar assim! #LianaSimEleNao #29MForaBolsonaro

Claudio Monteiro
O que tem que acontecer, a OAB precisa se posicionar, já que o MP está acovardado e nada faz, esses policiais deveriam serem expulsos e que hajam leis severas contra o abuso de autoridade e que sejam penalizados com cadeia, a polícia não é paga para agredir ninguém!Image
 
 
31
Mai21

Cerco se fecha contra Salles e situação está cada vez mais insustentável

Talis Andrade

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Situação do ministro do Meio Ambiente está cada vez mais insustentável, com a série de acusações da Polícia Federal de que ele integra esquema criminoso de exportação de madeira. Titular da pasta tem recebido apoio tímido de Bolsonaro

por Augusto Fernandes /Correio Braziliense
 
Revogação de medidas que proibiam a exportação ilegal de madeira; exoneração de servidores do Ministério do Meio Ambiente e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que queriam evitar a flexibilização das regras de envio de produtos florestais para o exterior; nomeação de pessoas de confiança para estabelecer atos oficiais que facilitaram o contrabando e as movimentações financeiras suspeitas de pelo menos R$ 1,7 milhão desde que entrou no governo federal. Esses são alguns dos indícios apontados pela Polícia Federal para a abertura de investigação contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, acusado pela corporação de integrar um esquema criminoso de tráfico de madeira.
 

Desde a revelação das informações, há quase duas semanas, o ministro pouco foi visto. Na entrevista à imprensa no dia da operação da PF — que recolheu celulares, tablets e outros aparelhos eletrônicos dele para a busca por mais evidências da sua participação no esquema —, Salles classificou a ação policial como “exagerada e desnecessária” e garantiu não haver “substância em nenhuma das acusações”. A partir daí, sumiu das redes sociais e deixou de informar os compromissos diários da agenda oficial. Chegou até a não comparecer à reunião do Conselho da Amazônia Legal, que busca auxiliar as ações do Ministério do Meio Ambiente para a preservação do bioma.

Além disso, teve pouco ou quase nenhum apoio público do presidente Jair Bolsonaro, seu maior defensor dentro do governo. A única manifestação do chefe do Executivo foi de que Salles é um “excepcional ministro” e de que ele luta contra os “xiitas ambientais” do Ministério Público.

Contudo, internamente, Bolsonaro tem sido aconselhado a afastar o ministro do cargo para preservar a sua gestão. A avaliação de pessoas próximas ao presidente é de que ele balança no cargo a cada dia que passa, visto que a Polícia Federal já revelou ter “fortes indícios de uma série bastante complexa de condutas empreendidas” por Salles para favorecer o contrabando de madeira.

 

Denúncias

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A apuração conduzida pelo delegado Franco Perazzoni, chefe da Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros, afirma que Salles agiu em favor de empresas madeireiras com sede no Pará, na região amazônica. Elas pediram a suspensão de uma instrução normativa do Ibama, que entrou em vigor em 2011, para permitir a exportação de produtos e subprodutos madeireiros de origem nativa de florestas naturais ou plantadas apenas mediante autorização do instituto.

Para cancelar os efeitos desse ato, o ministro do Meio Ambiente e o presidente afastado do Ibama, Eduardo Bim — também investigado —, desconsideraram recomendações técnicas de servidores de carreira e, “em total descompasso com a legalidade”, anularam a instrução normativa, legalizando retroativamente milhares de cargas que haviam sido remetidas ao exterior sem a respectiva autorização. Segundo a PF, é “evidente que o interesse privado de alguns poucos empresários foi colocado à frente do interesse público”.

“A situação que se apresenta é de grave esquema criminoso de caráter transnacional. Essa empreitada criminosa não apenas realiza o patrocínio do interesse privado de madeireiros e exportadores em prejuízo do interesse público, mas também tem criado sérios obstáculos à ação fiscalizatória do Poder Público no trato das questões ambientais com inegáveis prejuízos a toda a sociedade”, afirma a Polícia Federal.

 

Inércia do governo

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A corporação também alerta, no inquérito, sobre um crescimento constante da devastação da Amazônia e diz que, se a situação do bioma “nunca foi confortável, o momento atual é gravíssimo”. Diante dos relatos de testemunhas, a corporação diz que se tornaram uma constante “as denúncias de sucateamento dos órgãos ligados ao Ministério do Meio Ambiente; o afastamento de fiscais de carreira, com anos de experiência, de suas funções; e a adoção de novos procedimentos e interpretações, contrariando pareceres técnicos”.

As testemunhas ouvidas pela Polícia Federal também afirmam que isso não acontecia em governos anteriores e que a questão ambiental nunca era colocada em segundo plano. Segundo os depoimentos, houve uma militarização na pasta do Meio Ambiente e no Ibama, com Salles tendo indicado ex-integrantes da Polícia Militar de São Paulo para postos de importância nos dois órgãos. Alguns deles, inclusive, teriam emitido documentos que não têm previsão de expedição pelo Ibama para defender as empresas que enviaram ilegalmente remessas de madeira para os Estados Unidos e países da Europa.

Na avaliação da PF, há uma “evidente inércia governamental” que precisa ser cessada. “A tarefa exige dos poderes constituídos forte papel no fomento de modelos sustentáveis de exploração da floresta, sem, contudo, perder de vista o papel de suma importância que a fiscalização ambiental possui nesse contexto”, frisa a autoridade policial. “É urgente e necessário que as autoridades e os poderes constituídos estejam atentos a todas essas questões, sobretudo diante do atual momento em que vivemos.”

A reportagem tentou contato com Ricardo Salles e com a defesa do ministro, mas não obteve retorno.

 

Crítica

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A ausência do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, na reunião do Conselho da Amazônia Legal, na quarta-feira, irritou o vice-presidente Hamilton Mourão, coordenador do grupo. “Lamento profundamente a ausência do ministério mais importante, que não compareceu à reunião nem mandou representante, que é o Ministério do Meio Ambiente. Na forma como eu fui formado, considero isso falta de educação”, criticou.

 

Facilitação

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Com a nova instrução do Ibama, os produtos florestais passaram a ser acompanhados apenas do chamado Documento de Origem Florestal (DOF), algo que, como alertou a própria área técnica do órgão ambiental, não era suficiente para garantir a fiscalização. Essas observações, no entanto, foram ignoradas, e a nova regra passou a vigorar. O DOF de exportação, que existe desde 2006, serve, na prática, apenas para que a madeira seja levada até o porto, ou seja, é uma licença de transporte e armazenamento, enquanto a instrução até então vigente exigia uma autorização específica para exportação. Com a mudança, uma guia de transporte emitida pelos órgãos estaduais passou a valer no lugar de uma autorização do Ibama.

 

Ação popular pede afastamento

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Líder da minoria na Câmara dos Deputados, Marcelo Freixo (PSol-RJ) anunciou, ontem, ter apresentado ação popular na Justiça Federal pedindo o afastamento do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. “Por usar o Ministério do Meio Ambiente para proteger madeireiros e garimpeiros ilegais. Também pedi a abertura de CPI na Câmara. Temos de deter a devastação e o extermínio dos povos indígenas”, escreveu Freixo em sua conta oficial do Twitter.

Em uma série de publicações, o parlamentar afirmou que a destruição na terra indígena Munduruku cresceu 363% em dois anos, atribuindo a destruição ao garimpo. “Milhares de indígenas estão desenvolvendo doenças graves e morrendo por causa da contaminação por mercúrio. Está em curso um genocídio patrocinado pelo governo Bolsonaro”, acusou.

O deputado federal afirmou, também, que lideranças indígenas estão sendo assassinadas. “Há uma escalada de violência sem precedentes. Lideranças estão sendo assassinadas, aldeias estão sendo destruídas, criminosos avançam sobre as reservas e a covid está matando ante a indiferença do governo”, acrescentou.

 

 

31
Mai21

OAB-DF repudia ação truculenta da PM contra jovem negro

Talis Andrade

 (crédito: Twitter/ Reprodução)

Toda ação que mostra a abordagem ao youtuber negro, Filipe Ferreira, na Cidade Ocidental, foi gravada e postada nas redes sociais. Em nota, a OAB classificou a ação policial como "agressiva e preconceituosa"

por Veronica Soares/ Correio Braziliense
 
Uma abordagem policial ao atleta e youtuber negro, Filipe Ferreira, viralizou nas redes sociais, no sábado (29/5), e foi classificada pela Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) como mais uma atitude “agressiva e preconceituosa” por parte dos militares. No vídeo, que teria sido registrado em um parque da Cidade Ocidental (GO), dois policiais militares param o atleta, que treinava de bicicleta e, de forma truculenta, ordenam a ele para se posicionar para uma revista.
 

Durante todo o tempo, os policiais apontavam a arma para Filipe e mandava, repetidamente, que ele colocasse as mãos na cabeça. O jovem questionou a maneira como a dupla falou com ele, uma vez que estava apenas andando de bicicleta. O jovem chega a tirar a camisa para deixar claro o fato de não estar armado. Diante dos questionamentos de Filipe, a autoridade o algemou e disse que iria conduzi-lo à delegacia. A filmagem é cortada neste momento.

Na nota postada no site da entidade na tarde de ontem, a OAB-DF afirma que, “ao longo de décadas, os negros e negras passaram por todo e qualquer tipo de discriminação; rotineiramente os jovens das periferias são abordados sem qualquer motivação idônea, simplesmente por serem negros e negras…É fato que é que as novas gerações já não aceitam abaixar a cabeça. A indignação é verdadeira e fruto de um rompimento com a subserviência”.

A entidade informa ainda que está em contato com advogados da cidade goiana onde ocorreu o episódio. “Dizemos Não ao racismo! Racismo não é mal-entendido. Racismo é crime!”, finaliza a nota.


Racismo Institucional

A reportagem mostrou a imagem publicada nas redes sociais para a professora da UnB e pesquisadora em relações raciais, Kelly Quirino. Para a pesquisadora, a ação truculenta é mais uma demonstração do racismo institucional presente na sociedade e no Estado Brasileiro, onde o sistema policial e judiciário trabalham com a ideia de que as pessoas negras “são criminosas”.

“A polícia, ao abordar uma pessoa negra, já parte do pressuposto de que aquele cidadão é um criminoso e chega apontando a arma”, relata Kelly.

Ela explica ainda que, infelizmente, ações como essa não são casos isolados. “Todos os dias, a polícia faz abordagens como esta, onde agride, aponta arma e faz pressão psicológica em pessoas negras apenas pela cor da pele, sem nenhuma justificativa ou suspeita. Essa abordagem traz impactos psicológicos, porque a todo momento ele pensa que vai morrer”, explica.

A pesquisadora lembra que a ideia de inferiorização de pessoas negras prejulgando-as como mais propensas a cometerem crimes foi construída ao longo dos séculos. Esse pensamento contribui para o fato de a polícia brasileira figurar entre as mais letais do mundo. “Isso precisa mudar. É preciso fazer uma reforma na polícia. Não pode continuar atuando para proteger pessoas brancas e ricas, e coagir e matar pessoas negras”, finaliza a pesquisadora.

31
Mai21

Tacaram-lhe spray de pimenta diretamente em seu rosto

Talis Andrade

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por Elika Takimoto

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Essa imagem de hoje em Recife, para mim, foi muito forte por diversos motivos. Vou abstrair o fato de nela estar minha amiga.
 
Liana mostrava a carteira de vereadora para a polícia dizendo com esse gesto, dentre outras coisas, que falava por muitas pessoas.
 
Não havia arma, não havia escudo. Era uma mulher pedindo o diálogo para, através dele, mostrar a inconstitucionalidade da violência em uma manifestação pacífica.
 
Professora de Direito há mais de vinte anos que é, não faltariam argumentos para Liana defender com propriedade o povo que estava atrás dela no momento desse registro.
 
Impossível não lembrar da foto do homem com sacolas de supermercado desafiando tanques de guerra em um ato de resistência que se tornou símbolo do Massacre da Praça da Paz Celestial em Pequim.
 
Os policiais não aceitaram o diálogo e, na falta de capacidade para rebater os argumentos de Liana, tacaram-lhe spray de pimenta diretamente em seu rosto o que poderia ter asfixiado ou causado algum dano sério em seus olhos se ela usasse, como eu, lentes de contato.
 
Gostaria que vocês olhassem mais para essa imagem e reparassem na assimetria da força. De um lado temos um bando de homens dentro de um carro com coletes e armas. No outro lado, infinitamente mais forte, temos uma mulher.
 
No caso de Pequim, até hoje não sabemos o nome de quem se colocou em frente aos tanques de guerra. No caso de hoje, sabemos bem de quem se trata. O nome dela é Liana Cirne e fala por milhões de outras pessoas deste país.

 

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31
Mai21

“Policiais atiraram para ferir os manifestantes”, diz Liana Cirne Lins, vereadora agredida em Recife

Talis Andrade

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Vítima da violência da PM em manifestação contra Bolsonaro, Liana afirma que é urgente um novo protocolo de atuação policial

 
 
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Vítima da violência policial durante manifestação contra o governo de Jair Bolsonaro, neste sábado (29), em Recife (PE), a vereadora Liana Cirne Lins (PT) criticou o despreparo dos agentes e disse que espera providências.

“Os policiais atiraram com o intuito de ferir os manifestantes. Eu lamento profundamente e espero que não apenas os responsáveis e o comandante da operação sejam responsabilizados, mas espero, também, que o governo do estado de Pernambuco compreenda a urgência para estabelecermos um novo protocolo de ação policial em casos como esse”, afirma Liana.

Ela conta que tomou conhecimento, por volta do meio-dia, de que estavam ocorrendo atos de violência e repressão policial durante o protesto que pedia “Fora Bolsonaro”.

“Nós nos dirigimos para o local e, na Ponte Princesa Isabel, eu desci do carro. Com minha carteira de vereadora em punho impedi que a viatura perseguisse os manifestantes, que estavam pacíficos no ato, correndo e pedindo socorro”, relata.

“Apesar de eu ter me apresentado e tentado dialogar, infelizmente os policiais desceram da viatura e começaram a disparar balas de borracha diretamente nos manifestantes. Não atiraram para cima ou tentaram qualquer tipo de dispersão. Atiraram com o intuito de ferir os manifestantes”, revela Liana.

A vereadora destaca que tentou dialogar e dizer que o procedimento estava incorreto, que os policiais não podiam atirar nos manifestantes, pois eles não ofereciam nenhum tipo de risco.

“Fiz isso com muita calma. Sou professora de Direito há 25 anos, tive centenas de alunos policiais. Por isso, para mim, é muito natural o diálogo com policiais, sempre de maneira muito respeitosa. Mas, infelizmente, eles estavam bastante alterados. Eu pedi ao policial que me agrediu posteriormente que ele se identificasse e informei que iria abrir um procedimento administrativo contra ele, porque ele não estava seguindo o procedimento correto”, diz.

Spray de pimentaImage

“Ele se dirigiu até a viatura e eu, mais uma vez, pedi para que ele se identificasse. Então, ele disparou um jato muito longo de spray de pimenta, diretamente no meu rosto, a cerca de um palmo de distância. Felizmente, não tive nenhuma lesão mais grave nos meus olhos”, acrescenta.

Liana avalia o episódio como lastimável, “totalmente evitável. Era possível dialogar, o procedimento está equivocado. Eu cumpri minha função institucional, pois sou vereadora da cidade do Recife e não posso assistir passivamente a lei ser descumprida e ficar inerte. Fiz o que deveria fazer, o que qualquer cidadão e cidadã deveriam fazer: impedir que um ilícito ocorresse”.

“Infelizmente, os policiais, sob comando equivocado, não tiveram serenidade suficiente para se acalmar e as coisas ocorreram da pior forma possível”, completa Liana.

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31
Mai21

PM de Pernambuco age como milícia de Bolsonaro

Talis Andrade

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31
Mai21

Além de Daniel Campelo, PM mirou no olho e o tiro certeiro cegou o segundo homem no Recife (vídeos)

Talis Andrade

Desempregado Jonas Correia de França, 29 anos, é atingido por tiro pela PM no Recife e perdeu a visão do olho direito

247 - A violenta repressão da Polícia Militar de Pernambuco à manifestação contra Jair Bolsonaro nesse sábado (29) no Recife fez uma segunda vítima grave. 

Além de Daniel Campelo da Silva, a PM também atirou balas de borracha no rosto de Jonas Correia de França, 29 anos. Assim como Daniel, Jonas não participava da manifestação e também perdeu a visão de um olho, o direito, em razão do disparo. 

A vereadora do Recife Dani Portela (PSOL) trouxe detalhes do episódio durante entrevista ao Boa Noite 247 deste domingo (30). Dani visitou Jonas no hospital Altino Ventura, no Recife, onde ele está internado junto com Daniel Campelo. 

Segundo a vereadora, Jonas é pai de dois filhos, está desempregado e fazia serviços pontuais. Ele havia realizado um serviço de mudança e recebido R$ 60. "Jonas tinha recebido este dinheiro e tinha ido ao centro comprar carne moída para o almoço. Ele estava voltando, mostra a carne moída para a polícia e diz: 'pelo amor de Deus, eu sou um pai de família, eu estou levando carne para os meus filhos'. O policial aponta para ele e atira, duas vezes", relata a vereadora Dani Portela. Um policial covarde. Mais um horrendo crime que ficará impune. 

Durante a repressão da PM no Recife, a vereadora do PT Liana Cirne Lins também foi agredida. Ela recebeu um jato de spray de pimenta no rosto quando tentava dialogar com os policiais.

Aquiles Lins
@linsaquiles
Replying to
[CENAS FORTES] Aqui Jonas de França aparece sangrando logo após ser atingido no olho pelo tiro disparado pela PMPE. Ele voltava para casa com uma porção de carne moída para alimentar os dois filhos. Jonas perdeu a visão do olho direito.

30
Mai21

Nas redes sociais, policiais bolsonaristas tentam emplacar versão de que violência evitou “aglomeração e baderna”

Talis Andrade

Ato fora Bolsonaro no Recife

Policias linha dura, bolsonaristas da extrema direita, mentem mais que o mito, o capitão Cloroquina: declaram que o povo nas ruas é comunismo, baderna 

 

Inácio França /Marco Zero

Nas redes sociais, policiais militares e militantes de extrema-direita tentam, desde a noite de sábado, desmentir vídeos, fotos e relatos de milhares de testemunhas na tentativa de emplacar a versão de que eles estavam tentando “evitar aglomerações” e conter uma suposta “baderna” protagonizada pelos participantes do protesto contra Bolsonaro em Recife. Por meio de seus perfis pessoais e de perfis não-oficiais de seus batalhões, postavam comentários de que os policiais agiram para “manter a ordem” e revidaram apenas para que não houvesse “depredação do patrimônio público”.

O perfil do 16º Batalhão da PM, sediado na antiga rodoviária do Cais de Santa Rita, no instagram foi um dos primeiros a postar uma sequência de fotografias de rapazes arremessando pedras retiradas da obra da calçada da rua da Aurora. As postagens induzem ao erro, pois sugerem que teria sido o que provocou o ataque, quando, na verdade, aconteceu quase uma hora depois que as primeiras bombas e tiros foram disparados na ponte Duarte Coelho.

O pequeno grupo que fugiu em direção ao Ginásio Pernambucano, na Aurora, foi empurrado naquela direção por um dos grupos de policiais em formação. Àquela altura, o Batalhão de Choque já havia tomado a ponte que liga as avenidas Guararapes e Conde da Boa Vista e o trabalhador Daniel Campelo já havia sido baleado no olho esquerdo.

A acusação de baderna, sem qualquer vídeo ou fotografia, vem frequentemente acompanhada por slogan sádicos que enaltecem a violência, tão ao gosto bolsonarista: “É pau. O Choque é mau”. Essas palavras, com pequenas variações, aparecem em centenas de comentários ou montagens postadas pelos policiais.

Também é frequente o argumento de que os policiais estavam em missão de fazer valer o decreto do governador que proíbe aglomerações. No perfil do 16º BPM, um advogado sugere que se use conteúdo do site do Ministério Público em favor dos policiais acusados. Curiosamente, o local onde houve a concentração do protesto foi a praça do Derby, exatamente em frente ao quartel onde funciona o Comando Geral da PM, que não tomou nenhuma medida para impedir a “aglomeração”. Nenhuma postagem analisada menciona esse fato.

Governador na mira

Os perfis dos policiais também não perdoam o governador Paulo Câmara por ter afastado o comandante da operação e os policiais que jogaram spray de pimenta nos olhos da vereadora Liana Cirne (PT). Nesta questão, os argumentos parecem fazer coro com o deputado estadual bolsonarista Joel da Harpa (Progressistas) que gravou vídeo criticando a decisão. A nota oficial da diretoria da Associação dos Cabos e Soldados da PM teve conteúdo praticamente igual.

 

As acusações contra o governador também são insinuam que ele teria conhecimento do planejamento do Batalhão de Choque e estaria sabendo das ações que seriam tomadas pela PM para que seu decreto de medidas restritivas fosse respeitado.

Contra o comunismoDiario de Pernambuco on Twitter: "O bom dia desta quarta-feira vem da Ponte  Santa Isabel, no Centro do Recife. O clique é do leitor Will Conserva… "

Ponte Santa Isabel, que dá acesso ao Teatro Santa Isabel e ao Palácio das Princesas, sede do governo e residência oficial do governador

Justamente na ponte Santa Isabel, local de tocaia, que a vereadora Liana Cirne Lins foi covarde, cruel e humilhantemente agredida, o aviso da polícia nazi-fascista: "Eles que venham. Por aqui não passarão!"

O perfil não oficial da Rocam (sigla para Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas), porém, manteve no ar durante algumas horas, desde o sábado, uma pista do envolvimento do regimento com grupos bolsonaristas. Até o final da manhã deste domingo, 30 de maio, os perfis no instagram e no twitter tinham como descrição a palavra de ordem de extrema-direita “Contra o comunismo”. No início da tarde, depois que os prints viralizaram, o administrador mudou o perfil, publicando uma postagem mais na defensiva, explicando que a Rocam não estaria ao lado da direita nem da esquerda, mas da “ordem”. As postagens do perfil também saíram em defesa da repressão aos manifestantes do protesto contra Bolsonaro.

Nos stories do instagram de vários policiais dos Batalhões de Choque e de Rádio Patrulha, responsáveis pelos atos mais violentos do sábado, foram feitas postagens que sugerem que muitos deles sabiam o que aconteceria. Numa delas, espingardas para balas de borracha, bombas de gás lacrimogênio e spray de pimenta aparecem com a frase “Vamos de muvucão hoje”. A tradução livre seria algo como “Vamos fazer confusão”, por exemplo.

Por que só a polícia pernambucana ficou contra o movimento pacífico fora Bolsonaro (comida no prato, vacina no braço)? 

30
Mai21

Bolsonaro, “pessoa que não tem valor”

Talis Andrade

Bolsonaro visita São Gabriel da Cachoeira e tira máscara para cumprimentar  dezenas de indígenas | Amazonas | G1

 

Liderança André Baniwa disse que Bolsonaro é uma pessoa ‘makadawalitsa‘, o mesmo que grosseiro e sem valor

 

Por Leanderson Lima e Elaíze Farias /Amazônia Real

Manaus (AM) – Em uma live na internet na noite desta quinta-feira (27), durante visita a São Gabriel da Cachoeira, município no norte do Amazonas, o presidente Jair Bolsonaro provocou a CPI da Pandemia sugerindo que os senadores convoquem indígenas que utilizam a medicina tradicional na prevenção do novo coronavírus. E, sem máscara, voltou a dizer que usou de remédio sem eficácia comprovada quando apresentou sintomas de reinfecção de Covid-19 no início do mês.

Em São Gabriel da Cachoeira, ele esteve em comunidades da Terra Indígena Balaio, e na comunidade Maturacá, na Terra Indígena Yanomami (ambas no Amazonas). Bolsonaro se referiu aos indígenas da TI Balaio, onde a maioria é do povo Tukano, como “os balaios”.

“Perguntei num primeiro momento quando estive na comunidade dos balaios, que fica perto da BR-307. Eu perguntei: ‘foi antes da vacina’ [sobre casos de covid-19]? ‘Foi antes da vacina’. ‘Não morreram por que’? ‘Tomaram alguma coisa?’ Anota aí. Segundo eles, tomaram chá de canapanaúba, saracura ou jambu. Não tem comprovação científica. Mas tomaram isso”, disparou ele, demonstrando pouco caso com o conhecimento indígena. As três plantas citadas são espécies nativas da Amazônia comuns entre povos indígenas e populações tradicionais, mas também são utilizadas em pesquisas científicas.

“Ele [Bolsonaro] fez essas perguntas [aos indígenas, sobre os chás] não para valorizar sobre as plantas tradicionais na comunidade. Ele fez isso para ter argumentos para provocar os adversários; a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) no caso. Não é para valorizar conhecimento. Eu acho péssima essa atitude do presidente”, criticou André Fernando Baniwa, da Organização Indígena da Bacia do Içana (Oibi), sobre a postura de deboche do presidente. André Baniwa é uma das mais reconhecidas lideranças do Alto Rio Negro. A liderança do povo Baniwa indicou um sinônimo, em sua língua, para o comportamento do presidente

“Eu não sei como chamar esse presidente. Em baniwa, a gente chama de ‘makadawalitsa’, que é uma pessoa que a gente considera que não tem valor, é bagunceira. Tudo o que diz parece que não tem sentido, mas ao mesmo tempo está destruindo tudo. Em português, deve ser isso: grosseiro, tosco, sem valor”, resumiu André Fernando Baniwa.

Chá de carapanaúba

Na viagem a São Gabriel da Cachoeira, Bolsonaro disse que também conversou com os indígenas Yanomami no 5º Pelotão Especial de Fronteira, no entorno da região de Maturacá, e que teria sido informado por eles que houve apenas três mortes por Covid-19. E desdenhou: “Eram índios já bastante idosos. Com toda certeza deveriam ter alguma comorbidade. E falaram que tomaram também… chá de carapanaúba, saracura e jambu”, insistiu o presidente.

A pandemia foi devastadora na região do Alto Rio Negro: até o momento, 2.332 indígenas foram infectados pelo novo coronavírus e 26 morreram, segundo dados do Ministério da Saúde. Este número não inclui os indígenas que moram na zona urbana dos municípios cobertos pelo Distrito Sanitário Especial Indígena Rio Negro (Dsei Rio Negro): São Gabriel da Cachoeira, Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro. O único hospital da região, administrado pelo Exército, não tem Unidade de Terapia Intensiva (UTI). No ano passado, cerca de oito pessoas enfrentaram risco de morrer por falta de oxigênio.

Segundo a Rede Pró-Yanomami e Ye’kwana, que monitora a pandemia no território no Amazonas e em Roraima, 21 indígenas desses dois povos morreram por Covid-19 desde abril de 2020. Outras dez mortes estão sendo investigadas e 13 são suspeitas de infecção pelo vírus.

Em um outro momento da live, Bolsonaro voltou a defender o uso da medicação sem eficácia ao falar que teve sintomas de Covid-19, mas não citou os nomes cloroquina ou ivermectina, remédios do tratamento precoce instituído na gestão do ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, que é investigado pela CPI da Pandemia. “Eu não vou falar aquilo que eu tomei lá no Brasil, porque senão vão cortar o sinal meu da internet”, referiu-se, mesmo estando em território nacional.

Desde 3 de abril, Bolsonaro pode se imunizar no Distrito Federal, mas ele já declarou que não iria tomar a vacina. Ele não informou se fez um teste de Covid-19 para comprovar o que fala. Em vez disso, provocou diversas aglomerações desde então e caso a reinfecção seja real pode ter colocado centenas em risco.

Ataques à CPI da Pandemia

Na live, realizada dentro do 5º Pelotão, localizado em Maturacá, Bolsonaro fez ataques ao presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD). “Omar Aziz, pelo amor de Deus. Eu não quero entrar em detalhes para discutir como era a saúde no teu estado no tempo que tu foi governador, aqui, e o que aconteceu depois”, numa clara referência a operação Maus Caminhos, da Polícia Federal, que prendeu familiares do senador em 2019.

Com mais ironias, Bolsonaro insinuou que os indígenas estavam tomando remédios sem legitimidade científica para novamente provocar Aziz. “Poderia nessa querida CPI do Senado, que tem como presidente o senador Omar Aziz, poderia convocar os índios para ouvi-los e levar o chá saracura e jambu. Lá nos balaios [sic]. Mas os índios não se enquadram nessa questão de convocação, são protegidos por lei. Mas poderia convidar para ouvi-los e levar o chá de carapaúba, saracura e jambu”, desinformou.

São Gabriel da Cachoeira fica a 856 quilômetros de Manaus. O acesso à região é por via fluvial e aérea. A maioria da população, cerca de 45 mil habitantes, é indígena de 23 etnias diferentes. Cerca de 25 mil indígenas vivem em 750 comunidades. São 11 terras indígenas na região do Alto Rio Negro, que também abrange os municípios de Santa Izabel do Rio Negro e Barcelos. 

O repúdio dos indígenas

O presidente chegou na manhã de quinta-feira em São Gabriel da Cachoeira e inaugurou uma ponte de madeira construída pelo Exército na BR-307. A ligação passa pelos entornos das Terras Indígenas Balaio e Yanomami e segue até Cucuí, na tríplice fronteira do Brasil com Venezuela e Colômbia. A região vive em estado de tensão com a entrada de garimpeiros para os territórios indígenas.

Embora tenha desembarcado com máscaras, ao ser recebido por populares no aeroporto do município, Bolsonaro causou aglomerações e dispensou o uso da proteção. Na live, embora já tenha declarado que apresentou sintomas de reinfecção, tossiu algumas vezes ao lado do tradutor de línguas de sinais. E como aparece em um vídeo com militares, durante o almoço, discursou também sem o uso de máscara. 

O presidente não deu declarações à imprensa. Desde o dia 10 de maio, quando aconteceu o primeiro ataque à aldeia Palimiu, do povo Yanomami, em Roraima, por garimpeiros ligados à facção do narcotráfico PCC, ele se mantém em silêncio sobre o assunto. 

Cartas de repúdio

Antes da chegada de Bolsonaro a São Gabriel da Cachoeira, os indígenas do povo Baniwa, da comunidade de Tunuí-Cachoeira, escreveram uma carta de repúdio, por ocasião da ocasião da visita ao Alto Rio Negro e à comunidade Maturacá, dentro da TI Yanomami. Na carta, os Baniwa lembraram as pautas e ações anti indígenas do presidente, como por exemplo em favor da mineração.

“Manifestamos nossa total contrariedade a qualquer iniciativa de abertura das terras indígenas às atividades econômicas, políticas e culturais que venham ameaçar nossa paz e nossa tranquilidade de viver em nossas terras tradicionais conforme nossas tradições, culturas, nossos saberes, valores e modos milenares de vida e de existências”, diz o texto, que lembra todos os problemas que os garimpos costumam trazer à reboque.

“Somos contrários à mineração que causa graves problemas socioculturais para nossos povos, comunidades e famílias, por meio da desestruturação social, cultural, familiar, exploração sexual, drogas, alcoolismo, doenças transmissíveis, alta de preços, outros males e violências”, pontua.

Para o povo Baniwa, é um equívoco do governo federal entender que a  exploração mineral seja solução para o desenvolvimento dos povos indígenas. “A instalação de empreendimentos minerários provocaria um fluxo migratório para o interior das terras indígenas, deslocaria os povos tradicionais de seus locais de origem e impactaria o meio ambiente”, lembra os Baniwa na carta, que é assinada por 33 lideranças. 

André Baniwa conta que a iniciativa da carta de repúdio é apenas o início de uma articulação para enfrentar os ataques sistemáticos do governo federal à população indígena. “Na nossa avaliação, ele (Bolsonaro) está por trás de promover a mineração em terras indígenas. Ele quer legalizar. Então, este é o contexto que levou a gente a fazer uma carta inicialmente de repúdio. Mas a gente tem um plano mais forte para os próximos dias”, revela a liderança.

A ideia é mobilizar todas as comunidades do Rio Negro para desenvolver uma cartilha que será divulgada nas aldeias mostrando os perigos da política do governo federal, em relação aos constantes desrespeitos aos direitos indígenas.  

Yanomami reagem

O povo Yanomami também escreveu uma carta de repúdio à visita de Bolsonaro.  Os caciques, tuxauas, líderes e gestores das Associações Yanomami do Rio Cauaburis e Afluentes (Ayrca) e das Mulheres Yanomami Kumirayõma, assinaram o manifesto.

“Entendemos claramente da referida visita que o governo fará ao local do garimpo, tratar e tentar acordar conosco legalização de mineração no território Yanomami, portanto essa não é nossa ansiedade Yanomami. Ao contrário disso, exigimos que o governo deva implementar ações de fiscalização de forma  contínua nos entornos, limites dos territórios indígenas”, pontua as associações. 

No documento, os Yanomami ressaltam que não haverá nenhum benefício satisfatório para os povos indígenas, a legalização da mineração naquela área. A carta ressalta ainda que os indígenas só tomam decisões a partir de um consentimento coletivo. 

“Nós, yanomamis, não tomamos decisão de forma precipitada em algo que desrespeita anuência coletiva. Tratamos assuntos externos de forma coletiva. Não há único cacique no território yanomami para representar o povo em geral, no espaço político externo, porém, cada comunidade tem seu chefe. Essa diferença de organização social e governança do território deve ser respeitada pelo governo”, reafirmaram as lideranças. 

Nesta sexta-feira (28), a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) também divulgou nota manifestando “profunda insatisfação contra o presidente da república”. Segundo a Foirn, Bolsonaro preferiu uma agenda “feita às escondidas”.

“Ao invés de convidar as lideranças e instituições reconhecidas e comprometidas com o coletivo, privilegiou uma agenda com líderes autoproclamados, como ocorreu na Terra Indígena do Balaio, para mais uma vez produzir fake news e narrativas grotescas sobre nosso povo e nossa cultura”, diz trecho da nota (leia na íntegra).

Resposta do Exército

O Exército Brasileiro informou que a recuperação da ponte Rodrigo e Cibele faz parte do “Plano de Trabalho estabelecido entre o Exército Brasileiro e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, mediante Termo de Execução Descentralizada, cujo objeto é a execução dos serviços de manutenção, conservação e recuperação da rodovia BR-307/AM, no segmento compreendido entre o km 1.327,80 (São Gabriel da Cachoeira-AM) e o km 1.429,60 (Ponte da Comunidade do Balaio-AM), com uma extensão de 101,80 km”.

De acordo com o Exército, a obra foi executada por administração direta, pela 21ª Companhia de Engenharia de Construção, que empregou 19 militares. A ponte possui uma extensão de 18 metros e 6 de largura.

A Assessoria de Imprensa informou que o presidente seguiria para uma visita de rotina no pelotão do Exército Santa Isabel do Rio Negro, cidade vizinha a São Gabriel da Cachoeira, e deveria dormir no local. A volta à Brasília está prevista para esta sexta-feira (28).

 

30
Mai21

Capitã Cloroquina: o tênis e o pênis do Fon-fon

Talis Andrade

por José Ribamar Bessa Freire /Taqui Pra Ti

- - -

Essa versão cearense daquela piada manjada e preconceituosa aconteceu de verdade na Praia de Iracema, em Fortaleza, a antiga Praia do Peixe. Taí minha irmã Tequinha que não me deixa mentir. Ou deixa? Da varanda de sua residência de veraneio, ela viu quando uma jovem senhora que passeava no calçadão parou na Ponte dos Ingleses para curtir o pôr do sol e foi logo abordada por Chico Feitosa, figura popular que vendia aos banhistas água de coco e até protetor solar, competindo com um batalhão de vendedores ambulantes. 

Chiquinho Feitosa tinha o lábio leporino ou “goela de lobo”. A fissura no lábio superior, agravada por um buraco no céu da boca, atingia a base do nariz, o que dificultava a pronúncia especialmente das consoantes bilabiais. Não se ofendia com o apelido de Fon-fon, mas a situação piorou quando um câncer de alto risco se instalou em sua próstata.  Para controlar a doença que podia ser mortal, um cirurgião extraiu-lhe os testículos. A crueldade da turba enriqueceu o apelido: Fon-fon Capado. Tristonho e macambúzio, consultava todos os médicos que passavam pela praia para tentar recuperar o bem perdido que lhe haviam cortado.

Foi aí que naquele belo entardecer o Fon-fon cruzou com a pediatra neonatologista Mayra Pinheiro, bastante conhecida naquela praia. Numa manifestação pública em 2013, ela havia gritado raivosa aos médicos cubanos que voltassem “para a senzala”. Um ano depois se candidatou a deputada federal e em 2018 ao Senado (Partido Novo, vixe vixe), sendo derrotada em ambas com votação inexpressiva. O Fon-fon, seu cabo eleitoral, distribuíra gratuitamente “santinhos” na praia. Agora, perguntava de que maneira ela podia retribuir, ajudando-o a reaver o falo ausente.

A fala e o falo

 A Tequinha, que quase não é fofoqueira, nada ouvia de onde estava. Despachou seu filho Fabico, jornalista, como enviado especial, para fazer a cobertura daquele encontro na Ponte dos Ingleses. Ele desceu rapidamente e acompanhou tudo. Reproduzo aqui aquilo que meu sobrinho apurou.

Mayra, conhecida como “Capitão Cloroquina”, receitou o remédio para curar a fala e o falo do fanho Feitosa. Tirou da bolsa Vuitton um vidro com um líquido espesso. Era uma “garrafada” em cuja composição entrava cloroquina, ivermectina, azitromicina, mel de rapadura e o caríssimo leite condensado de quartel. O “lambedor” prescrito para covid-19 curava ainda castração do pênis, lábio leporino, pereba no pé, maneba na mão, coceira no corpo e curuba não-digo-onde, além de frieira, febre aftosa e tristeza parasitária bovina. A “Garrafada da Mayra”, válida até as eleições de 2022, garantia no rótulo que trazia de volta a fala e o falo.

– Tome uma dose três vezes ao dia – ela recomendou.

O Fon-fon tomou logo a primeira lapada ali mesmo. Os dois caminhavam pela praia quando viram uma lâmpada na areia. A médica derramou sobre ela o líquido cloroquinado, transformando-a na lâmpada mágica de Aladin. De dentro dela saiu um gênio que se curvou diante do Chico Fon-fon:  

– Faz três pedidos, atenderei tuas súplicas.

Estimulado pela doutora Mayra, o Fon-fon, com sua fala sem consoantes como o “p” de Pazuello, rogou: 

– Um …into. Um …into.

O gênio pensou, pensou… e colocou ao seus pés um cinto. Fon-Fon sinalizou o equívoco do gênio e fez o segundo pedido com um sinônimo iniciado com o “c” de cloroquina:

–  Eu …ero um …aralho.

Quando viu diante dele o baralho, abriu o zíper da calça onde outrora residira sua “alavanca-de-arquimedes”, apontou pra lá e berrou desesperado o último pedido numa palavra que começava também com “p”:

– Um …ênis,

O gênio ouviu o “t” de Traticov e entregou-lhe o par de Nike Moon Shoe anunciado por Neimar antes de ser acusado de assediador.

renan e a capitã.jpg

 

CPI e CTI

O episódio foi tão marcante que levou Mayra a ver pênis por todos os lados e até no Kremlin, visão compartilhada por Damares e Carlucho, colegas no gabinete das sombras. Durante seu depoimento na sessão desta terça (25), o vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) exibiu áudio no qual Mayra, alucinada, acusa a Fundação Oswaldo Cruz – uma instituição respeitada no mundo inteiro – de ter “um pênis na porta” de sua sede. Nem Freud explica.

– Eu ouvi “tênis” – declarou o leniente presidente da CPI, Omar Aziz, cujos ouvidos similares aos do gênio da lâmpada foram herdados do seu avô árabe que falava “babai” por “papai”. De fato, os fonemas P & T distinguem significados de palavras em português, mas os meios eletrônicos podem dificultar a distinção entre eles e aí cada pessoa ouve de acordo com seus interesses e seus fantasmas. É por isso que, ao telefone, se faz necessário informar: “P” de “pato” ou “T” de “tatu”, para não transformar uma CPI em uma CTI.

No entanto, a aguerrida Capitã Cloroquina, atual secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, desdenhou a tentativa de contemporização do Omar Aziz e reafirmou com todas as letras que ela não era fanha e havia dito “pênis” mesmo, com “p” de Pazuello, tal como aparece no áudio:

–  […] Eles têm um pênis na porta da Fiocruz, todos os tapetes da porta são a figura do Che Guevara, as figurinhas são do Lula Livre, Marielle Vive. Então é um órgão que tem um poder imenso, porque durante anos eles controlaram a saúde do país através do movimento sanitarista que foi todo construído pela esquerda, eles mandam no Ministério da Saúde”.

Questionada por Randolfe se ainda concorda com o que disse na gravação, Mayra respondeu que sim, o que podia comprovar com o pênis inflável representado no logo da instituição.

O chá e a vacina

A fala despirocada da Capitã Cloroquina, ridicularizada no Brasil e no exterior, se auto propagou em memes e trendig topics no Twitter. É inacreditável ser sua protagonista a médica do Ministério da Saúde, cujo mentor é o Capitão Cloroquina, que após visitar comunidades indígenas em São Gabriel da Cachoeira (AM), recomendou nesta quinta (27) contra a covid-19 o uso de “chá de carapanaúba, saracura ou jambu usada pelos índios Balaios”, povo que não existe.

O que ele chamou rudemente de “Balaios” são vários povos de etnias, línguas e culturas diferentes: Tukano, Tuyuka, Baniwa, Baré Desana, Koripako, Kubeo, Piratapuya e Tariana, que vivem na Terra Indígena Balaio homologada pelo presidente Lula em 21/12/2009. No atual governo, não foi reconhecida nenhuma terra indígena.

O Capitão aproveitou sua visita para ironizar os conhecimentos tradicionais indígenas ao colocá-los no mesmo nível da cloroquina, que não tem eficácia comprovada e pode ser fatal quando usada por pacientes com covid:

– Você pode tomar o chá disso daqui e pode curar. Pode não curar também. Agora, se não tomar, vai para o beleléu” –  disse o Capitão Cloroquina, omitindo-se sobre a distribuição de vacinas aos índios.

Como escreveu Thomaz, outro sobrinho que me enviou a notícia, “a declaração do presidente da República pode levar a uma nova onda de preconceito em relação à medicina e aos saberes indígenas, que aparecem aqui descontextualizados”. Ele exibe aqui o seu projeto político des-educativo, não só nos modos, que não primam pela cortesia, mas pelos conteúdos anti-ciência em qualquer área do conhecimento.

O Capitão Cloroquina entrou em terra indígena sem estar vacinado, sem máscara, com uma comitiva igualmente negacionista, capaz de transmitir vírus e bactérias, demonstrando aquela competência que defendeu em discurso no dia 15 de abril de 1998, publicado no dia seguinte no Diário Oficial da Câmara:

– A cavalaria brasileira foi muito incompetente. Competente, sim, foi a cavalaria norte-americana, que dizimou seus índios no passado e hoje em dia não tem esse problema em seu país”. 

A cavalaria está operando atualmente aqui. Os Yanomami e os Munduruku que vêm sofrendo frequentes ataques de garimpeiros ilegais estimulados por Ricardo Salles, ministro Contra o Meio-ambiente, sabem o que é essa “competência”. Os invasores estão usando armamento pesado, como metralhadora e outras armas liberadas por este (des) Governo.

O Brasil, sinceramente, não merece o Capitão e a Capitã Cloroquina, nem muito menos o seu “gordinho de estimação”. Eles representam a derrota da inteligência e do pensamento, a vitória do terraplanismo, da cloroquina e das armas.

Chico Feitosa, que agora vive jogando baralho, calçado com o tênis da Nike e ostentando um cinto de couro cor café com fivela dourada, acabou ofendendo as mulheres ao definir o atual mandatário:

– Ele é …ilho da …uta. Um …enocida.

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