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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

31
Mai20

Zambelli a Moro: "você não estava à venda porque já estava vendido"

Talis Andrade

 

O 'Jornal Nacional' propagou a conversa de Sergio Moro com a deputada Carla Zabelli. Ou melhor, parte da conversa vazada por Moro.

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Depois da conversa divulgada pela TV Globo, Zambelli (PSL-SP) chamou o ex-ministro de "vendido":

"Prezado, vc acha justo o que estão fazendo com cidadãos comuns? Com jornalistas? Esse era você o tempo todo? Meu Deus, como pode alguém se esconder por tanto tempo e tão bem? Liberdade, democracia.... nada disso vale pra você? Você não estava à venda, pq JÁ ESTAVA VENDIDO", escreveu a deputada, que chamou Moro para ser padrinho de casamento quando os dois eram próximos.

 

31
Mai20

Copo de leite: Bolsonaro usa símbolo nazista de supremacia racial em live

Talis Andrade

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"Ele vai dizer que não é, que é pelo desafio do leite, mas é um jogo de cena", afirma a antropóloga Adriana Dias, especialista em neonazismo

 

O presidente Jair Bolsonaro chamou atenção ao tomar um copo de leite puro durante live presidencial na última quinta-feira (29). Apesar do presidente dizer que estaria cumprindo um desafio de ruralistas, pesquisadores enxergam uma correlação do gesto com movimentos neonazistas – que adotam o copo de leite como símbolo.

Para Adriana Dias, que é doutora em antropologia social pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e que há anos pesquisa o fenômeno do nazismo, há uma referência clara entre o episódio e o neonazismo. “O leite é o tempo todo referência neonazi. Tomar branco, se tornar branco. Ele vai dizer que não é, que é pelo desafio, mas é um jogo de cena, como eles sempre fazem”, declarou à Fórum.

Dias, que é colunista da Fórum, ainda destaca que Bolsonaro pode se escorar no Shavuot, festa judaica que teve início na quinta-feira, para se justificar pelo ato, que ocorreu no mesmo dia em que explodiram manifestações em Minneapolis contra a violência policial contra negros – em razão do bárbaro assassinato de George Floyd. O leite como símbolo está diretamente ligado aos chamados “alt-right” estadunidenses. “O cara é engenhoso”, completou Dias.

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O antropólogo David Nemer, que pesquisa o bolsonarismo, fez uma sequência de postagens no Twitter comentando também a questão. “O extremismo do Bolsonarismo é tão tosco que eles apropriam tudo da Alt Right (extremistas brancos americanos) e com atraso – já que isso começou nos EUA em 2017”, declarou.

“Nacionalistas brancos fazem manifestações bebendo leite para chamar a atenção para um traço genético conhecido por ser mais comum em pessoas brancas do que em outros – a capacidade de digerir lactose quando adultos. É uma tentativa racista para se embasar em “ciência” p/ diferenciar e justificar a “raça branca”. Mas como já provado e explicado por toda ciência: Não há evidência genética para apoiar qualquer ideologia racista. O que há, é na verdade, um governo tosco e motivado pelo ódio”, detalhou Nemer.

O pesquisador ainda destacou a apropriação do leite por um grupo de bolsonaristas ligado ao perfil Leitadas Loen. Essa conta é alvo do inquérito do STF que investiga ataques ao Supremo e disseminação de fake news.

“O símbolo do copo de leite foi apropriado por uma facção das redes bolsonaristas, que são channers. Esse pessoal gosta da confusão que o meme gera com a simbologia nazista e se refestelam com a notoriedade que recebem da mídia. Essa fação é do Leon Leitadas”, acrescentou Nemer.

Desafio do Leite

Na live, Bolsonaro cita um desafio da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite) e elogia a ministra Tereza Cristina, no entanto, se nega a “desafiar” alguém, quebrando a corrente que estaria seguindo.

Após tomar o leite, ele fez questão de aproximar o copo da câmera.

 
31
Mai20

Bolsonaristas promovem marcha com tochas na noite de Brasília contra STF

Talis Andrade

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Os 300 de Sara Winter fazem protesto chupado dos neonazistas de Charlottesville

 

Protesto neonazista copiado de Charlottesville

por Kiko Nogueira

Membros do acampamento de Sara Winter em Brasília, o famoso “300″, fizeram uma performance macabra em frente ao Supremo Tribunal Federal na noite deste sábado.

Carregando tochas, mascarados, eles marcharam até a Corte.

Chegando lá, uma música tirada de um filme de terror B soou.

Gritavam: “Viemos cobrar, o STF não vai nos calar”

e “Careca togado, Alexandre descarado”(!?!).

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Fascistas em Charlottesville (EUA) com as tochas tiki

 

É uma cópia vagabunda da marcha neonazista de Charlottesville, nos EUA, ocorrida em agosto de 2017.

Na ocasião, centenas de supremacistas brancos reuniram-se na Universidade da Virgínia com “tochas tiki”, as mesmas que o bando de Sara usa agora.

A evocação era dos rituais da Ku Klux Klan. O protesto era um aquecimento para o evento “Unir a Direita” (“Unite the Right”).

“Sim, eu sou nazista, eu sou nazista, sim”, afirmava um sujeito. Entre as palavras de ordem, “judeus não vão nos substituir”.

Como no caso do brinde com leite, marca registrada da extrema direita americana, os simulacros nacionais capricham na capacidade de não surpreender ninguém.

 

31
Mai20

Mistérios de Moro

Talis Andrade

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por Marco Aurélio de Carvalho

- - -

 

“Ex” desde que abandonou a carreira com o objetivo de seguir, com mais liberdade, Jair Bolsonaro, o “Messias”.

A minúcia nesse caso é importante, pois estamos diante do desafio de decifrar quem realmente é esse personagem tão cheio de mistérios e segredos.

Para surpresa de muitos, o homem que se fazia exibir como um contraponto aos vícios da política, aceitou o convite para ocupar um ministério na velocidade de um pensamento, deixando para trás tristes e polêmicos 22 longos anos de magistratura.

E o fez para servir a um presidente a quem já esnobara, em um famoso encontro fortuito em uma lanchonete de um determinado aeroporto.

O que mudou? Mistério...

Empossado ministro da Justiça, com a promessa de plenos poderes e com uma vaga negociada e prometida ao Supremo Tribunal Federal, aceitou uma longa e desconcertante fritura, e engoliu calado os desaforos e as indignidades até ser apoucado.

Ao que parece, as maiores preocupações diziam respeito a uma “pensão” cujos contornos ainda devem trazer surpresa, espanto e responsabilidades...

Por quê? Mistério...

 

Surpreendeu mais uma vez ao deixar, recentemente, o cargo que ocupou, sem brilho ou marcas de gestão.

Entrou pequeno no Ministério, e de lá saiu minúsculo.

Depois de tanto tempo de cabeça baixa, decidiu fazer barulho ao revelar, na porta de saída, os bastidores e os segredos de sua desconcertante relação com o “poder”.

Acusou o ex-chefe Bolsonaro de ter interesses escusos e de não ter mostrado real compromisso com o combate à corrupção. Bandeira meramente retórica para uma eleição repleta de mentiras e irregularidades...

Para se defender, Moro mostrou trocas de mensagens telefônicas indiscretas, expondo amigos e “afilhados” ao fogo. Entregou, também, outras evidências comprometedoras aos principais jornais do país. De forma seletiva e estratégica, como bom lavajatista que é.

A essa altura, seria desnecessário e muito cansativo relembrar suas estripulias como juiz, mas é preciso voltar a pelo menos um único e específico aspecto.

Os áudios vazados de suas conversas com a equipe de investigadores da Lavajato parecem confirmar um certo padrão de conduta que se repete, por ironia, novamente agora.

Quando os diálogos foram revelados, descobrimos que muitos de seus celebrados “gols” vestindo o uniforme de juiz federal foram feitos com a mão. “

Tudo combinado com a equipe. Tudo em segredo...

Uma relação promíscua e inescrupulosa, cujos efeitos nefastos se pretende que sejam, em breve, reparados, ao menos em parte.

Eis, como se vê, um homem de muitos segredos e mistérios.

Agora, antes de novas surpresas, é fundamental descobrirmos quem é de fato Sérgio Moro.

Lá atrás, em meio ao encantamento com a imagem de um herói solitário lutando contra a corrupção, as vozes que denunciaram os desmando do ex-juiz foram solenemente ignoradas.

Em meio ao ruído constante dos aplausos, quando surgiram os áudios, Moro estava encastelado em seu Ministério.

Apesar das inúmeras evidências de graves irregularidades em sua conduta, ele pouco se explicou, e ocultou-se atrás da fama de ministro mais bem avaliado do governo.

Defendeu-se atacando, dizendo ter sido ele a grande vítima de um determinado hacker.

No governo, vimos um ministro sem habilidade na política.

Foi engolido pelo Congresso na discussão do projeto Anti-crime, seu grande e único projeto.

Sobre a violência urbana, o tráfico de drogas, e o alardeado combate à corrupção, não se sabe ao certo o que Moro realmente fez.

Nunca foi devidamente cobrado por isso. Nunca deu satisfações.

Curiosamente, o sujeito que se mostrava tão altivo e inalcançável na cadeira de juiz envergou a coluna e baixou a cabeça para um chefe que o humilhou seguidas e reiteradas vezes, que o desautorizou outras tantas e que o manteve constantemente envolvido em intrigas.

Para quê? Se desejava apenas uma vaga no Supremo Tribunal Federal, por quê não esperou?

Moro é de fato um mistério Se pretende vôos mais altos, precisamos saber quem ele é.

Foi-se o herói do combate à corrupção, foi-se o super-ministro e sua altivez já não parece tão convincente.

Mas o fato é que o ex-juiz e ex-ministro angariou um capital político expressivo. Em pleno e acentuado declínio, mas expressivo..

É fundamental, pois, jogar luz em cada um de seus gestos.

À  sua moda, Bolsonaro também fez do segredo um trunfo.

Ao fugir dos debates eleitorais e ao repelir perguntas de jornalistas com chiliques e ataques, escondeu sua incompetência e criou, com o apoio de uma poderosa indústria de fakenews, a figura do “mito”.

O mito que agora se revela como uma das maiores tragédias da política brasileira.

Moro para alguns ainda é uma espécie de “herói”.

Não precisamos disso. O Brasil precisa de políticos de verdade, sem segredos, comprometidos com os brasileiros e não com suas vaidades e projetos pessoais.

O Supremo Tribunal Federal tem um compromisso marcado com o Estado de Direito e com sua vocação contramajoritária. Poderá reestabelecer a confiança no nosso desacreditado Sistema de Justiça.

Na pauta, o julgamento da suspeição de Sérgio Moro na condução dos processos que ardilosa e criminosamente condenaram o Presidente Lula no âmbito da operação lavajato.

Julgamentos que começaram pelo fim, com o único e inconfessável objetivo de retirar das últimas eleições presidenciais o seu franco favorito.

Embora pareça uma discussão lateral, essa pode ser uma das mais importantes manisfestações do STF na história de nossa jovem democracia.

A Lavajato mudou os rumos da política no Brasil.

No seu momento fulgurante, mandou para a cadeia o principal líder político do país, na esteira de um processo fortemente criticado por ter ignorado o Direito em nome de um “justiçamento” seletivo sem amparo ou  justificativas de qualquer espécie ou natureza.

 Agora teremos a chance de conhecer as reais motivações de Moro e de sua equipe.

Não haverá paz no ambiente jurídico sem essa resposta.

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30
Mai20

Prefeito de Manaus pede intervenção internacional contra Bolsonaro

Talis Andrade

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O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, enviou na sexta-feira uma representação ao Tribunal Internacional de Justiça (o principal órgão judiciário da ONU) e a outras organizações internacionais, pedindo intervenção contra o presidente Jair Bolsonaro face à sua postura na pandemia de covid-19.

Virgílio endereçou ainda o mesmo documento à ONU e à Organização dos Estados Americanos (OEA), pedindo a intervenção dessas entidades, especialmente em favor da saúde e da sobrevivência dos povos indígenas do Brasil, segundo país mais atingido pelo coronavírus.

Virgílio cita Bolsonaro como responsável indireto pela "dizimação de brasileiros em geral e, especialmente das comunidades indígenas, que contam com cerca de 10 mil anos de história". 

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30
Mai20

Somos signatários do Estamos Juntos. Você pode integrar essa frente ampla

Talis Andrade

 

 

por Reinaldo Azevedo
 

Caras e caros,

Sou signatário do manifesto "Estamos Juntos", cuja íntegra segue abaixo.

Trata-se de um texto em defesa de valores que não são relativos nem têm outro lado: democracia, estado de direito, tolerância, diversidade e civilidade.

Como somos muitos, é certo que temos divergências. Mas tudo o que nos divide fortalece os fundamentos de uma sociedade aberta e plural.

Esses valores estão hoje sob constante ataque. Não precisa haver golpe de estado para que se dê a corrosão da democracia.

Leia o manifesto. Se você está junto e comunga desse entendimento, pode ser signatário do texto clicando aqui. O site apresentava instabilidade ao longo do dia. 

MANIFESTO ESTAMOS JUNTOS 

Somos cidadãs, cidadãos, empresas, organizações e instituições brasileiras e fazemos parte da maioria que defende a vida, a liberdade e a democracia.

Somos a maioria e exigimos que nossos representantes e lideranças políticas exerçam com afinco e dignidade seu papel diante da devastadora crise sanitária, política e econômica que atravessa o país.

Somos a maioria de brasileiras e brasileiros que apoia a independência dos poderes da República e clamamos que lideranças partidárias, prefeitos, governadores, vereadores, deputados, senadores, procuradores e juízes assumam a responsabilidade de unir a pátria e resgatar nossa identidade como nação. 

Somos mais de dois terços da população do Brasil e invocamos que partidos, seus líderes e candidatos agora deixem de lado projetos individuais de poder em favor de um projeto comum de país.

Somos muitos, estamos juntos, e formamos uma frente ampla e diversa, suprapartidária, que valoriza a política e trabalha para que a sociedade responda de maneira mais madura, consciente e eficaz aos crimes e desmandos de qualquer governo.

Como aconteceu no movimento Diretas Já, é hora de deixar de lado velhas disputas em busca do bem comum. Esquerda, centro e direita unidos para defender a lei, a ordem, a política, a ética, as famílias, o voto, a ciência, a verdade, o respeito e a valorização da diversidade, a liberdade de imprensa, a importância da arte, a preservação do meio ambiente e a responsabilidade na economia. Defendemos uma administração pública reverente à Constituição, audaz no combate à corrupção e à desigualdade, verdadeiramente comprometida com a educação, a segurança e a saúde da população.

Defendemos um país mais desenvolvido, mais feliz e mais justo. Temos ideias e opiniões diferentes, mas comungamos dos mesmos princípios éticos e democráticos. Queremos combater o ódio e a apatia com afeto, informação, união e esperança.

Vamos #JUNTOS sonhar e fazer um Brasil que nos traga de volta a alegria e o orgulho de ser brasileiro.

 

30
Mai20

Armar a população para eliminar comunistas

Talis Andrade

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BENGALADAS

 

 

Andei caindo, ou caí andando. Cara no chão, joelhos esfolados, mas nada grave. Uma das simpáticas enfermeiras que me atenderam na emergência do hospital se chamava Verlaine. Só vi os seus olhos, por cima da máscara. Um dos efeitos colaterais dessa maldita pandemia é que nos obrigou a migrar, de uma civilização de rostos inteiros para uma civilização só de olhos. Os rostos perderam os recursos de comunicação que tinham, como o beicinho e o muxoxo e, principalmente, o sorriso. Agora, os olhos precisam fazer trabalho dobrado, o trabalho de um rosto inteiro. A máscara nos roubou o rosto. Não posso dizer nada sobre o sorriso da Verlaine. Mas foi diferente ser atendido por uma enfermeira com nome de poeta.

Não foi minha primeira queda adulta, e não foi a primeira vez que ouvi a sugestão de passar a andar com uma bengala, para restabelecer o prumo perdido. Há quem diga que a bengala mais atrapalha do que ajuda quem precisa de uma terceira perna, e tropeçar na própria bengala é uma ocorrência que se repete, para divertimento geral. Outros dizem que a bengala não ajuda nem atrapalha, é apenas uma maneira de parecer inglês sem necessariamente ser inglês, uma exigência desumana. Existiriam tipos diferentes de cabos de bengala, dependendo do tipo e do caráter de quem as usa. Cabos com uma forma sensual feminina proporcionariam aos cavalheiros o prazer de uma bolina interminável, eximindo-o de bolinar sua mulher, ou cabos de guarda-chuvas usados como bengalas – três utilidades em uma! E, claro, cabos ocos, com espaço para um bom conhaque.

Mas é preciso lembrar que, do jeito que as coisas vão ou não vão no país, estamos à beira de uma guerra civil. O presidente Bolsonaro & Filhos já anunciou que quer armar a população brasileira para eliminar comunistas como o kal7xp0t!! do João Doria e tem sua própria polícia, o Primeiro Filho Flávio Bolsonaro tem, notoriamente, contatos com gente da milícia, e o Exército brasileiro se dedica ao seu papel constitucional, que é o de mal governar o país enquanto os outros poderes se xingam mutuamente. Nós precisamos ter lado nessa briga. Bengalas, gente!

 

30
Mai20

Só quem perdeu uma vida preciosa bem próxima de si entende no coração o valor da vida

Talis Andrade

 

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III - Bolsonaro é Moloque, o deus que exigia o sacrifício de vidas

 

Diante da crise do novo coronavírus, o presidente eleito por ampla maioria evangélica prega o contrário de todo o mundo, afirmando que a doença causada pelo vírus é uma “gripezinha” e que a economia é mais importante que vidas humanas, em uma dicotomia que nenhum país civilizado no mundo sequer discutiu por entender que vidas perdidas não se recuperam, mas a economia sim. Só quem perdeu uma vida preciosa bem próxima de si entende no coração o valor da vida e o buraco que causa a perda de uma.

Vou abrir meu coração aqui, pois o que eu puder fazer para dissuadir as pessoas a verem o erro e a cegueira a que estão submetidas, eu o farei.

Em 2006, eu já era um pastor com um ministério consolidado. Após ter lutado intensas batalhas contra desvios da fé e da ética cristã em nosso meio, resolvi não mais depender unicamente do sustento advindo do trabalho eclesiástico e, portanto, já havia entrado para o serviço público. Estava casado há 13 anos com a mulher que foi meu primeiro grande amor, com uma filha de 11 anos e um filho de cinco. Um dia antes de minha filha completar 12 anos, com sua festa pronta na casa da minha mãe, ela e minha esposa morreram afogadas em uma lagoa em Jaguaruna, Santa Catarina.

Na ânsia de tentar salvá-las e ao mesmo tempo impedir que meu filho de cinco anos entrasse na água e também sucumbisse, não obtive êxito no salvamento e ali, naquele dia, meu mundo entenebreceu, e a vida passou a não ter sentido para mim. Se não fosse o fato de meu filho ter sobrevivido a tudo isso e restado para mim como um presente de Deus, eu acredito que eu teria dado fim a minha vida no dia seguinte. Pensei nessa possibilidade inúmeras vezes. Mas lembrava do meu pequeno filho, ao lado no carro dos bombeiros, dizendo a mim que agora não tinha mais mamãe e a mana e que era somente ele e eu. Ele foi a causa primária de eu ter mantido minha vida. A perda de uma vida fez eu largar o ministério pastoral, só retornando em 2010. Fiquei recluso, reexaminando a minha fé.

Nesse período, para a provação ser maior e mais dolorida, “irmãos” na fé diziam que isso ocorreu comigo como castigo por eu enfrentar e denunciar “ungidos de Deus” e que a “mão de Deus pesou sobre mim”. Só um psicopata não revira toda a sua fé e teologia e a coloca em prova ante uma situação grave como essa. Posso dizer que passei pelo vale da morte a que Davi se refere no Salmo 23 e o fundo do poço onde José foi lançado pelos seus irmãos.

Por mais que nunca tenha acreditado na tola e herética teologia da prosperidade, eu ainda reservava no meu subconsciente uma fé, um fio de esperança de que coisas horríveis como essa não aconteceriam comigo. Mas aconteceram, e eu passei por esse vale e vi do outro lado a figura de um Deus que passei a conhecer mais intimamente após as ainda pendentes escamas de ilusões terem sido removidas dos meus olhos. É uma dor e um processo duro, que nem todos conseguem passar vivos e que não te deixam sem marcas. Tenho elas até hoje dentro de mim.

Por que conto tudo isso? Eu lamento, mas muitos evangélicos que hoje apóiam cegamente um homem como se fosse um mito, um presidente como se messias fosse, ou perecerão como tantos outros apoiadores ou não apoiadores ou também perderão pessoas próximas. Essa é a realidade triste, inconteste e inevitável que seria ainda pior se os governadores de vários estados estivessem agido conforme as ideias de Bolsonaro. Esse vírus não respeita fé e nem ideologia. No entanto, quando a tragédia é resultado de um acidente, onde nós não colaboramos ou não nos omitimos, a possibilidade de sairmos com a mente sã é bem maior do que quando colaboramos ou nos omitimos ante a tragédia anunciada.

Lembro do caso do menino Wesley Parker, nos EUA. Ele era diabético e seus pais evangélicos, cegos por uma crença na cura divina, negaram dar insulina ao seu filho levando-o a morte. O caso virou livro “We Let Our Son Die” (“Deixamos nosso filho morrer”), escrito pelo pai da criança Larry Parker. Nesse caso, os pais passaram por um vale que poucos conseguem passar e sair dele vivos. Quando saem, jamais terão fé em nada, nem em si mesmos, além de sofrerem o escárnio e a vergonha de todos ao seu redor. (Continua)

 

30
Mai20

Vil obediência ao maníaco do Planalto

Talis Andrade

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VI - O Nojo

EL PAÍS
 
- - -

Neste momento, por mais que os demais países promovam ações de controle e fechem suas fronteiras, sem conter o novo coronavírus num país com 210 milhões de habitantes será muito difícil controlar a pandemia no planeta.

É disso que se trata. É real. Aqueles que lavam as mãos, como disse o ator Lima Duarte, “o fazem numa bacia de sangue”. Lima Duarte fez essa declaração após o suicídio de seu colega Flávio Migliaccio, que tirou a própria vida dolorosamente decepcionado com o Brasil e com os brasileiros. Eu iria ainda mais adiante que Lima Duarte. Quem segue com Bolsonaro não está apenas lavando as mãos numa bacia de sangue. Está matando junto com ele. Uma das perversidades do perverso é produzir cúmplices. E é isso que Bolsonaro faz. Não é possível testemunhar o que está acontecendo e seguir com o humano monstro sem se tornar o humano monstro. Não haverá sabonete, álcool gel, desinfetante capaz de apagar esse sangue das mãos dos assassinos, estejam eles na Fiesp, no Congresso ou no Theatro Municipal.

O que vamos dizer à criança de dois anos que denuncia a nossa impotência em protegê-la quando ela pede socorro contra “o homem mau”?

Neste momento, seguidores de Bolsonaro se aglomeram em Brasília. Alegam que estão praticando a desobediência civil. Como tudo o que tocam vira mentira, todas as palavras saem estupradas depois de passar por sua boca, o que fazem nada tem a ver com desobediência civil, conceito caro a tantos movimentos que tornaram o mundo mais justo e igualitário. O que exercitam diariamente é a mais vil obediência ao maníaco do Planalto e também aos seus próprios instintos de morte, ao seu gozo por sangue e pela dor dos outros. O que treinam cotidianamente é a obediência ao seu próprio sadismo e desejo de violência que Bolsonaro libertou pelo exemplo e pela impunidade que desfrutou. Tentam encobrir seus piores instintos com a bandeira do Brasil, da qual também se apropriaram como se o país pertencesse apenas a quem mata o Brasil.

Desobediência civil hoje é ficar em casa apesar do maníaco que manda sair. Desobediência civil é cuidar de todos os outros apesar do perverso que diz “e daí?”. Desobediência civil é desobedecer ao projeto de genocida que está no poder. E para isso é necessário usar os instrumentos de nossa cada vez mais ferida democracia para tirá-lo de lá e impedir que continue matando. É isso ou dizer para a criança de dois anos que somos covardes demais para protegê-la e, depois da palavra o gesto, abrir a porta da casa para a morte.

 

30
Mai20

“Weintraub é um desqualificado"

Talis Andrade

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O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, fez duras críticas ao ministro da Educação, Abraham Weintraub. 

Maia afirmou que “é uma pena para o Brasil ter um ministro desqualificado” como Weintraub.

Ele criticou as falas do ministro na reunião ministerial do dia 22 de abril. “Um homem com essa qualidade não poderia ser ministro de pasta nenhuma (…). O homem que desrespeita democracia não poderia estar em um governo que se diz democrático".

Na reunião ministerial disse o ministro de Bolsonaro: "O povo tá gritando por liberdade, ponto. Eu acho que é isso que a gente tá perdendo, tá perdendo mesmo. A ge… o povo tá querendo ver o que me trouxe até aqui. Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia. Começando no STF. E é isso que me choca”.

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