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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

31
Mar20

Os jornais são sempre mais pudicos do que qualquer obscena fantasia

Talis Andrade

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Por Maíra Vasconcelos/ GGN

E hoje, ao ler os jornais, percebi que a ficção está muito longe de qualquer palavra informativa e muito próxima de todas as realidades

 

Hoje, ao ler os jornais, percebi, mais uma vez, a impossibilidade de se fazer qualquer leitura das realidades e dos fatos sem o uso da ficção. Meu Deus. Como seria raso o entendimento do mundo sem a fantasia, seria tudo tão resumido como não é a própria vida. Quem diz e aponta o inconfessável da humanidade? Ora, apenas a ficção de qualquer arte. Mundo vive milésima pandemia e continua sem entender o valor da vida, diria uma não-notícia.

Afinal, diante de um comportamento aberrante, os jornais estão restritos a nada mais do que interrogar as autoridades públicas. Presidente, o senhor não se preocupa com as mortes, perguntariam os jornais. Enquanto a fantasia escreveria uma novela inteirinha para destrinchar o que simplesmente chamaria de horror. No Brasil, vírus já matou 159 pessoas, sendo 22 em um só dia, e mais de 4.500 estão infectadas.

E os jornais, mais uma vez, apenas escutariam o presidente: sabe qual é o problema? é você achar que ninguém irá morrer, quando todo dia morre alguém no mundo, e essas mortes ajudam no controle populacional, motivam a economia; não se pode pensar que toda morte é ruim, disse o presidente. Isso que a fantasia jamais escutaria sem transformar e evidenciar sua face humanamente monstruosa. Afinal, o desumano é muito humano, diria outra não-notícia.

E hoje, ao ler os jornais, percebi que a ficção está muito longe de qualquer palavra informativa e muito próxima de todas as realidades. Assim como tão longe e tão perto está das páginas de qualquer jornal o horror daquela face da guerra, de Salvador Dali. Ora, a pregação da morte não é uma irrealidade. Mas onde já viu uma pintura de Dali ser manchete de jornal, como se descrevesse a cara de um presidente? Afinal, jornais são sempre mais pudicos do que qualquer obscena fantasia.

31
Mar20

56 anos depois, militares teimam em ser soldados rasos

Talis Andrade

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por Fernando Brito

Deveriam ser nossos heróis, gente em quem todos confiam para proteger nosso país e nosso povo.

Infelizmente, degradaram-se de tal modo que em pouco se diferenciam das matilhas ensandecidas que desfilam pelas ruas semidesertas.

Há 56 anos, puseram no poder, pelas armas, um marechal, Castello Branco. Veterano de guerra, homem de Estado Maior, era ridicularizado pela estatura física, pela “falta de pescoço” e por impor uma ditadura que, brutal por definição, foi se brutalizando rapidamente. Não era, porém, um burro rematado, embora tenha aberto a porteira para um, Costa e Silva.

Mais de meio século após, pelo voto e por seu aval, puseram no poder um capitãozinho desquilibrado, que fazia planos terroristas para aumentar soldo, metido com o pior da bandidagem parapolicial, um imbecil vaidoso de sua imbecilidade e que, diante de uma emergência sanitária mundial, porta-se como um valentão de botequim irresponsável e bravateiro.

Os militares brasileiros – que vergonha – agora dão suporte não aos que matam a democracia e perseguem líderes políticos, mas apoia quem expõe ao genocídio viral de sabe Deus quantos milhares de brasileiros.

Não vemos suas colunas se mobilizando pela vida, mas vemos seus oficiais se prestando ao papel de legitimadores de políticas suicidas de omissão e seu “intelectual”, o General Villas-Boas, ser usado – palavras de um amigo – como um Golbery tosco e decrépito.

Perderam a janela de oportunidade de serem uma força cada vez mais profissional e equipada pela viabilização de obterem vantagens salariais e uma leva de “boquinhas” pós-reforma para seus oficiais generais.

Trocaram o respeito por pequenos poderes, ainda que à custa de se humilharem à psicopatia do capitão.

Se querem lembrar de 1964, façam-no para comparar em quanto se rebaixaram desde então.

Ainda têm uma chance – e o tempo se esgota – para portarem-se como os homens que deveriam ser, os defensores do povo brasileiro.

Naqueles tempos, chamavam-nos de “gorilas”.

Não se rebatizem como miquinhos, os “micos do capitão”.

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31
Mar20

Mourão cometeu crime ao exaltar a ditadura

Talis Andrade
 
 

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Amanda Audi
@amandafaudi
Ainda estou tentado entender
 
 
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General Hamilton Mourão@GeneralMourao
 

Há 56 anos, as FA intervieram na política nacional para enfrentar a desordem, subversão e corrupção que abalavam as instituições e assustavam a população. Com a eleição do General Castello Branco, iniciaram-se as reformas que desenvolveram o Brasil. #31deMarçopertenceàHistória

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Mourão mente, que Castelo jamais foi eleito pelo povo. Depois do golpe militar que derrubou Jango, cassar e prender os deputados e senadores defensores da Democracia, da Liberdade, da Igualdade, da Fraternidade, baixou um ato instuticional para eleição indireta de militares presidentes. De marechais ou generais. E deu no que deu. Deu muito pau no lombo do povo. Nas masmorras do cabo Anselmo, do major Curió, do major Ustra, do delegado Freury e outros assassinos, o pau cantou.

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Golpe de 64

Que ninguém esqueça para que nunca mais aconteça

por Lorena Vale

Há 56 anos, no dia 31 de março de 1964, o Brasil sofria um dos períodos mais vergonhosos de sua história, o Golpe Militar. Uma ditadura que durou 21 anos de perseguições, censuras, torturas, estupros, desaparecimentos e mortes as minorias e opositores que não concordavam com o terrorismo dos agentes do governo brasileiro.

Os deputados da Bancada do PT na Câmara usaram suas contas no Twitter para relembrar aquele triste período e gritar Ditadura Nunca Mais. Também destacaram que os integrantes do governo Bolsonaro não cansam de passar vergonha ao tentar manipular o que realmente aconteceu na ditadura militar, se referindo ao vice-presidente Hamilton Mourão que exaltou e comemorou um dos períodos mais sangrentos do País em sua rede social.

Para o líder do PT, deputado Enio Verri (PR), Mourão cometeu crime ao exaltar a ditadura. “São inadmissíveis, uma afronta à história e aos trucidados pela ditadura civil-militar, as publicações da cúpula militar do Brasil, exaltando o famigerado período. O vice-presidente, Mourão, feriu a lei de Segurança Nacional e o Código Penal, ao exaltá-la”. O líder ainda deixou claro que as manifestações dão um claro recado de que a cúpula militar do Brasil não aprendeu nada com a história e se dispõe a restabelecê-la.

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O líder da minoria na Câmara, deputados José Guimarães (PT-CE) afirmou que homenagens são sinônimo de retrocesso. “Ditadura Nunca Mais. Há 56 anos, o Golpe de 64 marcava o início do período mais triste da história brasileira. Perseguição, corrupção, tortura e assassinatos de inocentes são apenas alguns dos crimes cometidos contra a população. Qualquer homenagem a isso é sinônimo de retrocesso.”

E deputado Carlos Zarattini (PT-SP), líder da Minoria no Congresso, recordou que durante o golpe a Constituição Federal foi rasgada, as liberdades individuais e de imprensa revogadas. “Foi um período marcado pela tortura, censura e morte de milhares de inocentes! A ditadura acabou com direitos e favoreceu os mais ricos. As palavras do Mourão hoje revelam a desfaçatez desse governo. Forças Armadas deram um golpe para acabar com a democracia e implementar um período negro na história. Comemorar esse período é um ato criminoso”.

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) disse que “Comemorar a ditadura militar e ser vice de Bolsonaro revelam o apreço pelo fracasso e pela desmoralização”. Para o deputado Odair Cunha (PT-MG) esse governo não deveria estar no poder. “A Ditadura Militar foi um período sangrento e vergonhoso da nossa História, mas alguns ainda insistem em distorcer a verdade”.

Não dá para esconder a verdade

A presidenta do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), escreveu em seu Twitter que não dá para esconder a verdade. “O golpe militar perseguiu, torturou, matou e exilou pessoas. Diante dos fatos não há argumentos. Não dá pra esconder a verdade! A história está aí para não deixar apagar o pior período político brasileiro para que ele não volte. Ditadura Nunca Mais”.

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Na avaliação da deputada Erika Kokay (PT-DF qualquer comemoração é uma “ode à barbárie!”. Ela recordou que A ditadura militar não poupava ninguém. “Mães foram torturadas com os filhos ainda na barriga e crianças foram torturadas com seus pais. O golpe militar estuprou também a democracia no Brasil! Isso jamais será esquecido! Ditadura Nunca Mais”, reforçou.

E o deputado Alencar Santana Braga (PT-SP) denunciou que as Forças Armadas continuam praticando o horror que instalaram no País durante 21 anos de muito sangue, mortes, tortura, censura e ditadura. Negam a História como se o período de maior terror fosse democrático!”, denunciou o deputado.

Para o deputado Vicentinho (PT-SP) é inaceitável a atitude de Mourão. “Em 31 de Março de 64, um golpe militar instaurava uma ditadura no País. Deixou mortos e até hoje desaparecidos(as). Na história ficou marcado por torturas e crueldades. Inaceitável em 2020 atitude do vice ‘eleito democraticamente’ comemorando o golpe militar.

Ministro da Defesa

Mourão não foi o único a elogiar o golpe de 64, o Ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, também comemorou e disse que a ditadura é um “marco para a democracia brasileira”.

“É revoltante ver o ministro da Defesa chamar o golpe civil-militar de 1964 de “revolução”. Foi ditadura e foi brutal, violenta. Pessoas foram presas, torturadas e mortas. (Des)governo Bolsonaro não tem nenhum respeito pelos familiares. Ditadura Nunca Mais”, lamentou a deputada Luizianne Lins (PT-CE).

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) advertiu que é preciso lembrar para que não se repita. “Em 31 de março de 64, um golpe militar, com o apoio dos Estados Unidos, derrubou um presidente eleito, acabando com as liberdades, prendendo, torturando e assassinando. Em um governo repleto de militares precisamos lembrar para que não se repita.” E a deputada Natália Bonavides (PT-RN) reforçou: “Pra que nunca se esqueça. Para que nunca mais aconteça. Ditadura Nunca Mais”.

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Coronel Ustra torturador e assassino

“Um marco triste da nossa história que ainda mantém feridas abertas. E ao lembrar dos momentos abomináveis em que Bolsonaro exaltou a ditadura militar, ficam ainda mais claros os motivos que o fazem menosprezar os impactos do coronavírus”, relembrou o deputado Paulo Guedes (PT-MG) das inúmeras vezes que Jair Bolsonaro, além de comemorar a ditatura, exaltou torturadores como o coronel Ustra.

Carlos Alberto Brilhante Ustra foi o chefe do DOI-Codi do Exército de São Paulo, órgão de repressão política do governo militar. Ali, sob o comando do coronel, ao menos 50 pessoas foram assassinadas ou desapareceram e outras 500 foram torturadas, segundo a Comissão Nacional da Verdade.

A deputada professora Rosa Neide (PT-MT) deixou claro que foi Golpe e não revolução. “31 de março, uma data amarga para a nossa história. Comemora-la significa fazer apologia à barbárie. Juntemos força para dizer “Ditadura nunca mais”. Hoje é o Dia da Verdade. Portanto, vamos lembrar que em 1964 tivemos um golpe no Brasil. Nada de revolução, foi golpe”, E para deputado Rubens Otoni (PT-GO) não temos “nada a comemorar, tudo a denunciar”.

Sem resposta, sem punição

O deputado Waldenor Pereira (PT-BA) lembrou que são 56 anos sem respostas e punições. “A ditadura militar é uma mácula sombria e vergonhosa à nossa história, que usurpou 21 anos da nossa democracia. Não há o que se comemorar. Mas é preciso lembrar para não repetir. São 56 anos sem respostas e punições aos crimes cometidos. Exigimos justiça!”.

O deputado Célio Moura (PT-TO) também cobrou punição. “56 anos da ditadura militar no Brasil. Minha denúncia e repúdio permanentes. Punição aos crimes contra a humanidade. É preciso memória, para que não se repita a triste história!”

Para o deputado Bohn Gass (PT-RS) o 31 de março é dia de reafirmar que o golpe militar perseguiu, prendeu sem razão, torturou e matou homens e mulheres no Brasil. “Em homenagem a todas as vítimas dessa atrocidade institucional, hoje, 56 anos após aquele trágico 31 de março de 1964, digo de novo: Ditadura Nunca Mais”.

Ao relembrar esse período triste da história brasileira, o deputado Carlos Veras (PT-PE) lamentou: “Constituição rasgada. Congresso fechado. Cassação de direitos. Tortura e execução como política de Estado. Eles tentam, mas não mudarão a história. Neste 31 de março, exaltamos a democracia. Apesar de Bolsonaro, amanhã há de ser outro dia!”, ressaltou.

Para o deputado Helder Salomão (PT-ES) golpe e ditatura têm que ser repudiadas. “O Golpe de 1964 inaugurou um período de trevas da história do Brasil. Perseguição, assassinatos, censura, toda forma de violação dos Diretos Humanos. Golpe e ditadura não se comemoram, se repudiam!”

Governo Autoritário Nunca Mais

Para o deputado Nilto Tatto (PT-SP) nos dias de hoje é mais que urgente clamar por Ditatura Nunca Mais. “Perseguição à imprensa; uso do Estado para perseguição política; rejeição à transparência nos gastos e atos públicos; exaltação de mecanismos antidemocráticos, como o AI-5. Ontem e hoje Ditadura Nunca Mais. Governo autoritário, como o de Jair Bolsonaro, nunca mais! Queremos um País que atente para as necessidades do povo e da classe trabalhadora. O retrocesso na valorização do salário mínimo notadamente nos governos Temer e Bolsonaro mostra a que vieram”.

 

 

 

  

 
 

 

 

 
31
Mar20

Advertência de Jeca Tatu ao presidente da República

Talis Andrade

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A essa altura da carreata da ignorância, só resta ao Jeca Tatu emancipado ― representante da gente na sala de televisão da quarentena - chamar na chincha o bocó lá de Brasília. Direto da Refazenda gilbertiana, cabe ao nosso Jeca Total mostrar que até o amarelão (ancilostomose) ainda faz estrago no Vale do Ribeira e em outras freguesias desprotegidas. Só o Jeca Tatu, o guru do Almanaque Biotônico Fontoura, para contar ao espertalhão do Planalto que o brasileiro, ao contrário do que ele folcloriza, não resiste meia hora ao esgoto e à falta de saneamento. 

A febre do rato (leptospirose) segue castigando nos mocambos e palafitas, adverte o Jeca, sorumbático e macambúzio, saindo de pés-descalços do “Urupês” (livro de 1918) de Monteiro Lobato. Quem tem que ser estudado, o capiau segue na prosa, é Vossa Excelência, com todo respeito deste caipira. O brasileiro pega de tudo, não me venha com seus arroubos de vilão Vaca-Brava, pois até a lepra (hanseníase), daquela mais primitiva, campeia solta no mato e nos arrabaldes.

A criatura corre do mosquito e não escapa do caramujo, foge da dengue e vem a zika, na mesma terra onde ainda persistem sarampo, caxumba e rubéola. O sujeito acha que é apenas mais uma ressaca existencialista e lá vem o diagnóstico: chikungunya na caveira. Na roça, para a tristeza do Jeca, resistem a doença de Chagas, a peste bubônica, a curuba... Agora dá licença que vou tomar meu elixir de salsa, caroba e cabacinha, ave!, tesconjuro. (Continua)

31
Mar20

Espanha proíbe funerais e cremações com mais de 3 acompanhantes

Talis Andrade

 

A covid-19 já levou 8.189 pessoas à morte na Espanha, forçando Madri a abrir um segundo necrotério improvisado nesta semana. 

No total, o país europeu já confirmou quase 88 mil infecções pelo vírus, ficando atrás apenas dos EUA e da Itália. Em relação ao número de mortes, a Espanha já é o segundo país atingido, atrás da Itália.

Instituto alemão diz que covid-19 "precisa ser levada a sério"

O presidente do Instituto Robert Koch (RKI) de prevenção e controle de doenças na Alemanha, Lothar Wieler, exortou a população a não subestimar a pandemia do coronavírus. "Quero pedir a todas as pessoas que levem a sério essa doença", afirmou, referindo-se à covid-19, enfermidade respiratória causada pelo vírus. 

Um estudo mencionado por Wieler teria mostrado que apenas 41% dos alemães acreditam que a covid-19 seja perigosa.

O presidente do RKI também afirmou que a estratégia adotada no país contra a disseminação do coronavírus continua sendo justificada. A Alemanha adotou medidas de contenção como o isolamento social, fechamento de escolas e creches e proteção dos grupos de risco, além do aumento das capacidades de atendimento. 

Espanha proíbe funerais e cremações com mais de 3 acompanhantes

O governo espanhol já anunciou na semana passada que, devido às altas taxas de mortalidade decorrentes da pandemia, criaria duas grandes instalações nos arredores de Madri, a região mais afetada, para servir como necrotérios.

A medida anunciada hoje prevê que, caso o falecido seja infectado pela Covid-19, nenhum funeral privado será realizado em casas particulares.

As casas funerárias, por sua vez, também não poderão realizar práticas habituais de condicionamento dos corpos ou intervenções por motivos religiosos que envolvam atividades invasivas até o final do estado de alarme, que começou no último dia 15.

Da mesma forma, a participação em grupo para o enterro ou cremação é restrita a um máximo de três membros da família ou amigos íntimos, além do ministro do culto que oficia a cerimônia. De qualquer forma, a distância de um ou dois metros entre os participantes deve ser respeitada.

No último dia 7, no início da pandemia na Espanha, um funeral realizado na cidade de Vitória, tornou-se um dos maiores surtos de propagação do coronavírus no país, com mais de 60 participantes naquela cerimônia infectados.

Desde então, as medidas relativas aos funerais foram reforçadas. EFE

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31
Mar20

"Nós subestimamos o vírus", diz governador de Nova York

Talis Andrade

 

O governador do estado de Nova York, Andrew Cuomo, reconheceu que as autoridades "subestimaram" a pandemia de coronavírus e precisam agora se preparar para o ápice do surto.

"Estou cansado de ser deixado para trás pelo vírus. Temos ficado para trás desde o primeiro dia", disse ele em coletiva de imprensa nesta terça-feira. "Nós subestimamos o vírus. Ele é mais poderoso e mais perigoso do que nós esperamos."

Nova York já soma 75.795 casos de covid-19, enquanto o número de mortos saltou 30% nas últimas 24 horas, para um total de 1.550, disse Cuomo, alertando que o estado "ainda está subindo a montanha", ou seja, ainda se encaminha para seu pico de infecções.

O governador ainda anunciou que o irmão dele, o âncora da CNN Chris Cuomo, foi diagnosticado com o novo coronavírus e ficará de quarentena em casa.

EUA superam China em número de mortos

O número de mortos por coronavírus nos Estados Unidos superou o da China, onde a pandemia teve início em dezembro, segundo a contagem mantida pela Universidade Johns Hopkins. O território americano soma 3.415 mortes, enquanto Pequim confirmou 3.309.

Os EUA têm ainda um total de 175.067 infectados, cifra mais alta do mundo e mais que o dobro do registrado oficialmente na China, de 82.278. Contudo, a transparência do regime de Pequim quanto à divulgação das infecções e o sucesso das medidas de contenção do vírus tem sido posta em dúvida.

O país com maior número de mortos segue sendo a Itália, com 12.428, seguida da Espanha, com 8.269 vítimas.

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31
Mar20

Para liberar leitos, hospitais de Paris vão testar oxigenação dos pacientes em casa

Talis Andrade

 

RFI

Para enfrentar a epidemia do coronavírus e os casos graves que lotam as UTIs na França, os hospitais de Paris devem testar a possibilidade de oxigenar os pacientes em casa. A afirmação é do diretor-geral dos estabelecimentos hospitalares da capital, Martin Hirsch.

A iniciativa, batizada de “Covidom 02”, consiste em oxigenar os pacientes em casa com acompanhamento médico à distância e “se preparar para a próxima etapa da epidemia”, disse Hirsch em entrevista ao jornal francês Libération. “A ideia é que os pacientes possam deixar a UTI o mais rapidamente possível para que outros possam ser atendidos. Estamos estudando a possibilidade de acompanhar o estado de saúde e o nível de saturação de oxigênio em casa”, explica.

Pico da epidemia ainda é incerto

Mais de 3.000 pessoas já morreram na França vítimas do coronavírus, mas o pico da epidemia ainda não foi registrado na região parisiense. “Ainda não sabemos quando o pico vai chegar. Vai ser quando houver uma diminuição de pacientes internados nas UTIs. Por enquanto ele só aumenta”, declarou o representante dos hospitais parisienses.

Um dos temores é a falta dos medicamentos usados nos setores que recebem pacientes em estado críticoDe acordo com Hirsch, os hospitais parisienses têm reservas para apenas mais alguns dias. A boa notícia,entretanto, é que em Paris, por enquanto, existem respiradores artificiais para todos os pacientes e novos aparelhos que estão sendo fabricados devem ser entregues rapidamente.

As equipes, entretanto, estão tendo que utilizar equipamentos que nem sempre são os mais adequados, sublinha Martin Hirsch. Ele também garantiu que, por enquanto, não faltam máscarasnos hospitais da capital.

DW

França alerta contra automedicação com hidroxicloroquina para covid-19

Todos os tratamentos que estão sendo testados para curar a covid-19, doença causada pelo coronavírus Sars-Cov-2, só podem ser realizados em hospitais, alertou a Agência Nacional de Segurança do Medicamento e dos Produtos de Saúde (ANSM) da França.  

Medicamentos "que não tiveram eficácia comprovada formalmente no tratamento ou na prevenção da covid-19" só devem ser aplicados no âmbito "de testes clínicos em curso". "Em caso algum esses medicamentos devem ser utilizados para automedicação, prescrição de um médico da cidade ou autoprescrição de um médico", insiste o texto.

Segundo Dominique Martin, diretor-geral da ANSM, hospitais na França teriam constatado até 30 efeitos colaterais relacionados a medicamentos utilizados para tratar a covid-19. Esses medicamentos estão sendo testados por pesquisadores europeus.

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31
Mar20

Marcia Tiburi: “Os que traem Bolsonaro hoje são iguais ou piores do que ele”

Talis Andrade

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247 - A escritora e filósofa Marcia Tiburi alertou seus seguidores sobre aqueles que “traem” Jair Bolsonaro. Até mesmo aliados do ocupante do Planalto têm criticado ele por defender que as pessoas voltem ao trabalho durante a crise do coronavírus, exceto idosos.

“No desespero, muitas pessoas se esforçam por separar o joio do trigo no governo Bolsonaro. O desejo de confiar em alguém faz parte da cultura política. É a esperança que não quer morrer. Mas não se enganem, os que traem Bolsonaro hoje, são iguais ou piores do que ele”, escreveu Tiburi.

“Bolsonaro continua na tática de adular sua torcida. Seu objetivo é só poder: poder pelo poder. Quem o crítica é tratado como o mais vil inimigo. Como o fascismo despreza valores positivos, como inteligência e amor ao próximo, não há contradição alguma no que ele faz”.

 
31
Mar20

O que está em jogo é uma disputa por novos discursos, regimes de verdade e fontes de autoridade

Talis Andrade

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II - Coronavírus: Bolsonaro só acredita na ‘ciência’ quando o resultado lhe interessa 

 
 
 

Baseando-se no método indutivo a partir do próprio umbigo, o que temos assistido é um show daquilo que podemos chamar de ignorância orgulhosa.

Desde que a crise do coronavírus chegou ao país, o bolsonarismo se mostrou no seu estado mais bruto. O bolsonarista raiz tem orgulho de jogar uma opinião como se ela fosse equivalente a fatos científicos. Se o tiozão se gripou e não morreu, então de nada vale dezenas de anos e milhões de dólares investidos no centro de pesquisa epidemiológica do Imperial College London, que se dedica ao estudo das grandes pandemias. A minha verdade é a verdade que eu imponho ao mundo.

No dogma bolsonarista, não faria diferença se Bolsonaro adoecesse pela covid-19 e mesmo que viesse a morrer da doença. Seus seguidores o enalteceriam pela bravura e em nada mudariam de opinião, pois não estamos falando de ciência, mas de crença. São sistemas de pensamentos distintos. Um é baseado em evidência; outro, na autoridade da fé. Há muitas décadas, a antropologia se esforça para que a ciência converse com outros sistemas de conhecimento. Mas não é o caso aqui. Afinal, a crença fascista não se assume dogmática e se torna eficiente entre os seus justamente porque emula uma relação com a ciência.

Como venho refletindo há algum tempo, os fanáticos anti-ciência não se consideram anti-ciência – e entender isso é fundamental. O que está em jogo é uma disputa por novos discursos, regimes de verdade e fontes de autoridade. No mundo todo, a extrema direita flerta com o (parco) conhecimento científico que existe para legitimar as próprias crenças. O grande alerta dessa relação dos fascistas com a ciência foi disparado quando a importante revista científica Third World Quarterly publicou em 2017 um artigo racista que justificava o imperialismo. O artigo havia passado pelo sistema de peer-review, isto é, revisão pelos pares, e mesmo assim foi aprovado. Felizmente, a revista retirou do ar a publicação após denúncias.

No domingo, 29 de março, recebi uma notificação de mensagem que criticava os fanáticos que ignoravam evidência científica. Certa de que era uma mensagem de minha própria rede progressista, surpreendi-me ao ver que era de um dos tantos grupos bolsonaristas que acompanho. Os fanáticos, no caso, seriam os esquerdistas que são movidos pela ideologia. Nessa bolha, eles compartilham estudos duvidosos e até mesmo matérias antigas, como foi o caso na reportagem do El País sobre a Itália antes da crise, que obrigou o jornal a emitir uma nota dizendo que se tratava de uma matéria antiga. O mesmo ocorreu com o uso descontextualizado de uma fala de Drauzio Varella se referindo à epidemia como uma gripezinha.

Esses exemplos indicam que os fanáticos bolsonaristas não estão ignorando a ciência como fonte de autoridade e recorrendo à ordem divina de Deus para justificar seu entendimento sobre a pandemia. Eles recorrem a um recorte conveniente e oportunista da ciência. É uma espécie de populismo científico vulgar. (Continua)

 
 
31
Mar20

'Quarentena para quem?': trabalhadores enfrentam rotina de transporte público e proteção precária

Talis Andrade

 

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por Felipe Souza/ BBC

Todos os dias quando liga a TV para acompanhar as notícias dos telejornais em meio à pandemia de coronavírus, a catadora de materiais recicláveis Janaina de Melo ouve um recado incessante: "Fique em casa".

Empurrando uma carroça ao lado dos filhos de 12 e de 13 anos, Melo diz que a pandemia de coronavírus não vai fazê-la parar. Pois é o trabalho dela que sustenta não só os adolescentes, mas também uma filha de 3 anos e o marido desempregado. E afirma que a política de isolamento adotada pela Prefeitura do Rio de Janeiro (onde ela vive) — seguindo as normas da Organização Mundial da Saúde (OMS) — derrubou o lucro dos coletores.

E enfatiza que não tem condições de obedecer os recados para ficar em casa. O que ela faz é apenas se proteger da maneira que pode, lavando com água e sabão as mãos e a caçamba da carroça que ela usa assim que termina o serviço.

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Dentro de uma cabine, o porteiro Rodolfo Pessoa Viana passa o dia vendo pessoas passando, recebendo encomendas e liberando o acesso de visitantes em um prédio em Moema, na zona sul de São Paulo. O medo de contrair coronavírus o deixa ansioso toda vez que escuta a recomendação para ficar em casa.

"Quarentena para quem? Ouvir isso para mim é um desespero, um terror. Toda vez que eu escuto para ficar em casa me bate preocupação e muito medo. Eu moro com a minha mãe de 62 anos e tenho esse sentimento de pânico por não poder ficar em casa", diz, em entrevista à BBC News Brasil.

Viana, que trabalha em dias intercalados, disse que não conseguiu nem mesmo reduzir a carga horário no trabalho. A maior preocupação dele é o risco de se contaminar no trajeto entre a casa dele, na favela de Paraisópolis, e o trabalho em Moema, ambos na zona sul de São Paulo. No deslocamento, ele pega um ônibus e um metrô.

"A gente não pode reduzir o trabalho porque os condôminos dependem da gente. Mas eu saio com muito medo. Tenho álcool em gel, uso luvas na mãos e máscara. O que mais assusta é que muita gente que está na rua, na verdade, deveria estar em casa", afirma.

No trajeto das ruas estreitas da maior favela de São Paulo até o condomínio no bairro de casas de alto padrão onde trabalha, Viana identifica uma clara disparidade de cuidados e preocupação em relação ao coronavírus.

"No meu bairro, acham que não está acontecendo nada, não estão nem aí. A rua está cheia e os moradores ainda falam que (o vírus) é uma mentira. Isso aumenta meu medo. Mas quando eu chego na Estação João Dias do metrô, vejo todo mundo de luvas e máscara", diz.
O porteiro conta à reportagem que não anda com luvas porque não encontrou nenhuma à venda.

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Já a faxineira Tatiana Aparecida da Silva trabalha na linha de frente do risco de contaminação. Ela é uma das responsáveis pela limpeza de um hospital de São Paulo.
Em meio à pandemia de coronavírus, ela precisa tomar cuidados redobrados. Isso porque trabalha não só nas áreas comuns, como corredores e salas de espera, mas também faz a limpeza dos quartos do hospital.Ela avalia como incoerentes as críticas do presidente Jair Bolsonaro contra o isolamento social de todos os brasileiros.

"Não parei de trabalhar um só dia, mas seguindo todas as orientações e acreditando na minha fé. Mas achar que todos devem sair de casa e contar com a sorte? Acho que vivemos em uma democracia, então quem quiser assuma os riscos", afirma.

Ela diz que tenta se manter calma porque disse não poder de trabalhar.

"Quem cuida de quem precisa não pode ficar doente. A gente tem que blindar a nossa mente. Tive colegas que saíram com medo de estar muito vulnerável e entrar nas estatísticas. Mas tem que encarar. Eu assisto todos os noticiários, mas não deixo o pânico entrar na minha mente. Eu sigo todas as técnicas de segurança e tenho fé". ( Transcrevi trechos)

 

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