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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

31
Jan20

Guedes e Moro são faces do mesmo Bolsonaro, goste ou não a grande mídia

Talis Andrade

 

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por Roberto Amaral

Trata-se de farsa ideológica e ética a grande imprensa brasileira tentar apresentar-se como isenta e independente face ao governo Bolsonaro, quando, de fato, o apoia, como apoiou o golpe de 1964 e a era Campos-Bulhões-Delfim, como apoia todo governo de força que promova o império do capital, efetivo condutor de seus movimentos.

E é este, exatamente, o regime de nossos dias, a aliança antipopular neoliberal e ao mesmo tempo autoritária que assegura a absoluta liberdade do mercado e impõe restrições aos direitos civis, às liberdades e aos interesses dos trabalhadores. Nesse regime, que ajudou a implantar (desde a preparação do impeachment), o papel da grande mídia é o de legitimar, junto às grandes massas, dos interesses da classes dominante, promovendo a sistemática distorção da realidade, a construção do falso como substituto do real.

Critica em editoriais os excessos autoritários do capitão, no mesmo tom em que se dedica à defesa da “pauta Guedes” e entoa odes e loas ao ex-juiz feito ministro como recompensa aos seus deslizes na Lava Jato, buscando passar para a população a falsa imagem de que estamos diante de entidades distintas, e não de duas faces da mesma moeda. Repete e amplia essa falsa percepção como se reproduzisse a realidade. Ora, esses personagens, e seus projetos, são inseparáveis e interdependentes como vasos comunicantes.

A “pauta Guedes” – nota promissória que caucionou o apoio do mercado à candidatura do capitão – foi levada ao governo pelo atual presidente, e é um dos esteios de sustentação do bolsonarismo junto ao grande capital, e, para operar, de mãos e pés livres como agora, depende do projeto autoritário militar-civil em plena consolidação. Pois só um Estado autoritário pode levar até às últimas consequências uma pauta econômica neoliberal em país de economia estagnada, crivada por uma patológica desigualdade social e algo como 13 milhões de desempregados, epidemia que, segundo a FGV, mais atinge os jovens de 19 a 29 anos, principalmente os jovens mais pobres.

Os jornalões, que aqui e acolá fazem restrições, justas, ao capitão e sua caterva são os mesmos que, em suas páginas de fundo e nos textos de seus principais articulistas, exalta o ex-juiz, como se pudessem ser medidas as diferenças entre essas duas espécimes de autoritarismo caboclo.  Pensará essa gente que o juiz das falcatruas da Lava Jato é menos próximo do fascismo do que seu chefe de hoje?

 

O mesmo jornalismo que se abespinha com os excessos canhestros da súcia governante – acima de tudo porque não contribuem para a coesão em torno do chefe – canta os “avanços” da economia brasileira, a pílula dourada com a qual tenta vender à população um país que só existe nos contos de carochinha. Mente para sustentar o bolsonarismo.

No regime do ajuste fiscal – um dos pleitos do golpe de Estado parlamentar que derrubou Dilma Rousseff –, a dívida pública federal sobe 9,5% e vai a R$ 9 trilhões. O crescimento do PIB continua medíocre e a renda per capita dos brasileiros permanece estagnada, quando a taxa de crescimento demográfico cai a níveis de países europeus desenvolvidos. No período 2010-2019 o PIB marcou sua pior taxa em 12 décadas, mesmo considerando a previsão otimista de crescimento de 1,7% do Boletim Focus do Banco Central para 2010. O PIB do quarto trimestre de 2010 cresceu apenas 1,0%.

As contas externas têm hoje um rombo de US$ 50,7 bi, o pior resultado desde 2015. A crise econômica internacional, a crise geral do comércio e a desaceleração da China (embora ainda seja a economia que mais cresce no mundo, a previsão de aumento do PIB para 2019 é de 6,1%, a menor taxa em 29 anos), nosso principal parceiro comercial, fazem antever a continuidade da queda das vendas externas e, ao mesmo tempo, se o país não tiver sua crise interna agravada, a expectativa é de aumento das importações de matérias-primas, insumos e bens de consumo final.

A dívida externa bruta saltou de US$ 320,61 bi, em 2018, para US$ 323,59 bi em 2019, e o quadro só não é mais grave porque o governo está deitado no colchão de US$ 356,9 bilhões acumulados como reservas internacionais a partir dos governos Lula. No entanto, a “confiança do empresário é a maior desde 2010”, disse o jornal Valor Econômico em 24 de janeiro de 2020.

Esse empresário não tomou conhecimento da queda das vendas do varejo, que se deu apesar das campanhas de liquidação de Natal e fim de ano e da Black Friday. O mais de grave de tudo é que esse empresário ignora a queda da produção industrial (-1,2%). Depois da estagnação, começamos a andar para trás.

Entre 2015 e 2018 o Brasil perdeu 17 fábricas por dia. Em 2019, sob o reinado da “pauta Guedes” que encanta nossa imprensa, a produção da indústria de transformação operou 18,4% abaixo do pico de março de 2014 (dados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física do IBGE). Cada ponto percentual de queda representa o fechamento de 5,9 mil unidades produtivas.

Ao todo, 25.376 unidades industriais encerraram suas atividades, diz levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). As instituições patronais não apuram ou não informam o número de desempregados. mas os dados  do ICT-DIEESE do terceiro trimestre de 2019 comprovam  a degradação do trabalho, principal consequência da ocupação precária.

“O índice registrado em 2019 foi o menor do ICT-DIEESE para todos os terceiros trimestres desde o início da série  histórica. A economia brasileira tem apresentado baixo crescimento (em torno de 1%, anualizado), abrindo postos de trabalho  em ritmo lento e, essencialmente, em condições mais precárias. Com isso, o ICT-DIEESE mantém-se em patamar  baixo e sem perspectivas de melhora estrutural, diante do rebaixamento de direitos e da precarização do trabalho”.

Sabe-se que a precariedade das condições de trabalho e o desemprego só tendem a crescer, alimentados pelas reformas antitrabalhistas do governo, pela crise geral do trabalho em face das novas tecnologias, pela  desindustrialização, pela desarticulação da engenharia nacional e pela desmontagem das estatais e as demissões em setores industriais estratégicos, como a BR-Distribuidora e a Casa da Moeda, como as subsidiárias da Petrobras vendidas na bacia das almas, e mais adiante o complexo Eletrobras, cobiçado pela especulação.

Qual a resposta da “pauta Guedes”?  Desaparelhar o Estado e investir no austericídio. Nenhum plano estratégico de desenvolvimento, que requer, aqui e em qualquer parte do mundo, investimentos públicos e privados (estes puxados por aqueles). Na sua lógica a pauta econômica é fenômeno autônomo, tem vida própria e independente, e não pode se comover com questões sociais. De sua parte, o dito mercado aguarda, ávido, as prometidas privatizações, quando espera fazer grandes negócios. Não tem do que reclamar de seu preposto.

A queda do setor industrial parece sem fim. Apesar de ainda possuir o 9º maior parque industrial do mundo, o Brasil perde relevância no comércio internacional de produtos manufaturados. Em 2018 nossas vendas representaram apenas 0,62% do mercado internacional; caímos da 29ª para 32ª posição no ranking dos maiores exportadores (dados da OMC). O único mercado para nossas manufaturas é o Mercosul, visto de revés pelo “posto Ipiranga”, e nele a Argentina, cujo governo, hostilizado pelo capitão, é nosso principal importador, dando fôlego à indústria automotiva aqui instalada.

A indústria de alta/média tecnologia (veículos e peças automotivas, aviões e remédios) tem o menor peso em 24 anos; retornando aos níveis de 1995 respondeu, em 2019, por 32% das vendas externas da indústria de transformação, a menor participação desde 1995. Essa indústria, porém, é a medida do desenvolvimento nacional pelo seu potencial gerador de emprego e  renda e de atração de dólares para a balança comercial. Envolve, como a indústria da construção civil, mais insumos e produtos de outros fabricantes na cadeia de fornecedores, gerando empregos.

De atraso em atraso, vivemos uma nova “revolução dos caranguejos”, andando para trás na ordem política e na ordem econômica. Retornamos aos meados do século passados e voltamos a depender das exportações de matérias-primas, dependente dos preços das commodities. Estima-se já em 10 bilhões de dólares os prejuízos que advirão em consequência do acordo provisório entre Washington e Beijing de que resultará, de imediato, a substituição de commodities brasileiras por equivalentes chinesas.

Quando as políticas públicas de educação, ciência e tecnologia e inovação são cruciais para a retomada da indústria nacional e a recuperação de nossa capacidade industrial exportadora, o governo da Fiesp-Febraban aposta no desmonte da universidade brasileira, do ensino público e da pesquisa.

É  importante evitar ilusões em relação aos atritos epidérmicos  que se dão no seio da classe dominante: seus agentes se entendem no fundamental: a manutenção do governo dos mais ricos.  É preciso mobilizar a maioria da população, desprezada pela pauta Guedes, que hoje assiste como que bestializada à destruição dos seus direitos e o encurtamento do seu horizonte. Mas para isso precisamos de oposição e estratégia.

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31
Jan20

127.585 estupros, dos quais 63,8% ocorreram em menores de 14 anos

Talis Andrade

 “Entre 40% e 60% dos casos de gravidez na adolescência resultantes de violência sexual"

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A campanha pela abstinência sexual que Damares Alves pretende lançar durante a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, prevista para acontecer na primeira semana de fevereiro em parceria com o Ministério da Saúde, comandado pelo médico ortopedista Luiz Henrique Mandetta, vem colocando os dois ministros em lados opostos. O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos dita ―ou tenta ditar― as diretrizes da ação, mas o custo de 3 milhões de reais será bancado pelo Ministério da Saúde. Em nota técnica obtida pelo jornal O Globo no último fim de semana, a pasta comandada pela pastora evangélica afirma que o início precoce da vida sexual leva a “comportamentos antissociais ou delinquentes” e “afastamento dos pais, escola e fé”, entre outros resultados.

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Já a pasta de Mandetta afirmou, em outra nota técnica, que a campanha deve reforçar a autonomia e o protagonismo do jovem sobre sua iniciação sexual, colocando à disposição os métodos contraceptivos. Ao jornal Folha de S. Paulo o ministro afirmou que a mensagem do “comportamento responsável é válida”, mas que “o problema é complexo” e “não se pode minimizar a discussão e dar ênfase só para isso". Ele também disse que questões religiosas não devem pautar a discussão e que tem "apostado muito muito em informar as consequências, porque acredito que esse seja um ponto essencial para a conscientização”.

Fora desse embate estão os números alarmantes de estupros cometidos em meninas menores 14 anos, uma das principais causas da gravidez precoce, segundo diversos especialistas e estudos. Os dados mais recentes constam no último relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A entidade mostra que nos de 2017 e 2018 foram registrados um total de 127.585 estupros, dos quais 63,8% ocorreram em menores de 14 anos ―o que se configura como estupro de vulnerável. Além disso, 81,8% dos casos aconteceram em mulheres, 75,9% foram cometidos por alguém conhecido e em de 95% deles os autores pertencem ao sexo masculino. “É de se destacar que os crimes sexuais estão entre aqueles com as menores taxas de notificação à polícia, o que indica que os números aqui analisados são apenas a face mais visível de um enorme problema que vitima milhares de pessoas anualmente”, afirma o texto.

A ministra Damares também vem apontando para o aumento dos casos de doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis. Em julho do ano passado, a ONU apontou que o contágio do vírus da AIDS no Brasil cresceu 21% em oito anos, apesar das campanhas e tratamentos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Essa tendência já vinha sendo observada por entidades e especialistas, que apontam para o nível de desconhecimento das novas gerações, que não vivenciaram o pânico gerado pelos primeiros contágios a partir da década de 1980. Seja como for, o Governo Bolsonaro foi criticado por ter transformado o órgão responsável pelo combate à doença em uma coordenadoria dentro do Ministério da Saúde —antes, era um departamento específico. Na prática, isso significou que a política de enfrentamento ao vírus, tida como referência no combate ao HIV em todo o mundo, perdeu relevância.

A ministra também abordou na entrevista alguns problemas reais e apelou para o senso comum: “A gravidez precoce está crescendo de uma forma absurda. E mais do que a gravidez precoce, as doenças sexualmente transmissíveis. Sabiam que estamos em epidemia de sífilis?

Em relatório de 2017, a Unicef aponta “entre 40% e 60% dos casos de gravidez na adolescência resultantes de violência sexual”..

Além disso, o estudo destaca que os abusos ocorridos repetidas vezes aconteceram em 45,6% dos casos de meninas de 10 a 14 anos e 25,7% das jovens de 15 a 19 anos. Entre as que ficaram grávidas em decorrência de estupro, em 72,8% (10 a 14 anos) e 44,1% (15 a 19 anos) dos casos a violação teve caráter repetitivo. Portanto, continua o estudo, “a gravidez na adolescência e as notificações de estupro podem estar associadas, evidenciada pela alta prevalência de violência de repetição, de ocorrência de estupro e outras vulnerabilidades”.

A ministra Damares Alves não nega esta realidade e diz que defende a educação sexual em escolas, desde que falada “de forma certa”. Coincidindo com movimentos feministas, afirmou ao Correio que “quem for falar para a criança de 3 anos sobre educação sexual deve fazê-lo inclusive para empoderar essa criança a se proteger”. Ela inclusive aproveitou para lembrar seu histórico pessoal de violação: "Vocês conhecem a história do meu abuso, daquele momento terrível da minha vida. Se eu soubesse o que era aquilo, eu teria gritado. Eu tinha 6 anos”. 

relatório da Unicef também aponta quatro “macrofatores” causais para o alto índice de gravidez precoce: além da violência sexual, aponta para o “descompasso entre o desejo sexual e o risco de gravidez, que pode resultar na gravidez não planejada (escapulida)”; a “vontade da maternidade, que resulta na gravidez desejada”; e a “necessidade de mudança de status social, que resulta na gravidez estratégica”.

Nesse contexto cabe também destacar o elevado número de uniões estáveis e casamentos entre adolescentes, uma realidade para 23,2% das meninas com de 10 a 14 anos, e 36,8% entre aquelas de 15 a 19 anos, lembra o Ministério da Saúde. “As dificuldades para resolver os vínculos de dependência do grupo familiar podem levar os jovens a buscar uma pseudoindependência, substituindo os laços com os pais pela dependência afetiva do casal. A adolescente que vive em um meio social desprovido de recursos materiais, financeiros e emocionais satisfatórios pode ver na gravidez uma expectativa de futuro melhor, embora ela possa se tornar mais vulnerável nessa situação”, explica. A Unicef coloca o Brasil como o país com mais casamentos precoces da América Latina e o quarto de todo o mundo.

[Transcrevi trechos de reportagem de FELIPE BETIM. Leia mais no jornal El País

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31
Jan20

Brasil é o país que mais mata defensores dos direitos humanos

Talis Andrade

“Há quase uma identificação do conceito de direitos humanos com defesa de bandidos, e os defensores de direitos humanos são agredidos, insultados, perseguidos e até mortos"bolsonaro direitos humanos

Entidades francesas e internacionais que atuam sobre o Brasil lançaram nesta quinta-feira (30) um banco de dados inédito sobre as violações dos direitos humanos no país desde 2016. As estatísticas, recolhidas junto a organismos oficiais e organizações da sociedade civil, evidenciam o aumento da violência contra as minorias, como mulheres, indígenas e homossexuais.

Os dados estão compilados em um site em francês e integram a campanha “Le Brésil resiste: lutter n’est pas um crime” (O Brasil resiste: lutar não é um crime), promovida por 17 organizações reunidas na Coalizão Solidariedade Brasil. Os números não são inéditos, nem refletem novos estudos – porém, uma vez agrupados, dão uma dimensão global da piora da situação dos direitos humanos no país.

“Existem vários dados anunciados por setores no Brasil, mas não existe nada transversal”, explica Erika Campelo, co-presidente da Autres Brésils, que participa do projeto. “Essa é a força desse barômetro, para mostrar que, desde 2016, as coisas pioraram muito no Brasil e só estão piorando mais. O governo federal tem a ambição de apagar a história e os dados, mas eles são importantes para entender como a progressão é forte e a violência só cresce.”

Estatísticas alarmantes

Alguns exemplos refletem essa avaliação: de 2016 a 2018, houve 47,3% de aumento do número de vítimas da violência policial, que em 75% dos casos visou negros, 113% de alta dos assassinatos de LGBTQI+ e 141% nos de indígenas. As estatísticas de 2019, primeiro ano do presidente Jair Bolsonaro, ainda estão em fase de conclusão. Entretanto, as diferentes políticas adotadas pelo líder de extrema direita “não sugerem que essa curva vai se inverter, pelo contrário”, como ressaltou Juliette Gallou, da ONG Secours Catholique.

“O governo Bolsonaro se mostra catastrófico para as populações LGBT, tanto em termos de violências e mortes quanto em medidas que terão claramente um impacto terrível na luta contra a aids, principalmente os mais pobres”, afirma Fraçois Emery , integrante da organização Act Up Paris, que combate a propagação do vírus HIV. “Ele acabou com os tratamentos de substituição para os usuários de drogas, bloqueou o desenvolvimento de pesquisas de medicamentos antirretrovirais genéricos e prega a abstinência sexual como método de prevenção”, denuncia.

Pressão internacional via acordos econômicos

No portal Le Brésil Résiste, representantes da sociedade civil dão testemunhos da degradação na sua área de atuação, como o humorista Gregório Duvivier, da Porta dos Fundos. Em um vídeo, ele relata os recentes ataques e censura ao grupo, que é alvo de “ameaças físicas e judiciais” cotidianas, diz Duvivier.

“Os governos europeus continuam a importar as nossas matérias-primas, mas sabem pouco sobre o Brasil. Seria bacana se pudessem se informar mais sobre esse país que está cada vez menos democrático”, comenta o humorista.

Já o padre Julio Lancellotti, do programa A Gente na Rua, ressalta que “o Brasil é o país que mais mata defensores dos direitos humanos. “No Brasil, há quase uma identificação do conceito de direitos humanos com defesa de bandidos”, frisa o religioso.  “Os defensores de direitos humanos são agredidos, insultados, perseguidos e até mortos. Existe um ódio permanente, constante e sistemático contra eles.”

A coalizão espera que o banco de dados, que será regularmente atualizado, possa se transformar em uma ferramenta para o governo francês e a União Europeia pressionarem Brasília, em especial pelo acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. O tratado foi firmado em 2019 entre os dois blocos, mas ainda deve ser ratificado pelos Parlamentos dos países contemplados pelo acordo

 

30
Jan20

Que rufem os tambores

Talis Andrade

É raríssimo encontrar alguém dentro da corporação militar com coragem suficiente para verbalizar o óbvio

 

30
Jan20

O surto autoritário do MP morista não poupa nem repórter e fotógrafo

Talis Andrade

 

por Fernando Brito

Publica o Conjur que “dois repórteres da Folha de S. Paulo foram investigados durante a fase de inquérito que gerou uma nova denúncia contra o ex-presidente Lula”, por conta da invasão – simbólica, diga-se, porque todos retiraram-se espontaneamente – do triplex “atribuído” a Lula no Guarujá, no dia 16 e abril de 2018.

Pela cobertura do jornal, é possível saber quem são as vítimas deste arreganho autoritário do MP: a repórter Cátia Seabra e o fotojornalista Marcelo Justo.

Nem é preciso dizer que os dois estavam no mais estrito exercício profissional. A menos que cobertura jornalísca, nestas cabeças doentes, tenha a passado a ser indício de crime, a pedir investigação.

Mesmo tendo decidido “não denunciar” os jornalista, só o fato de terem sido investigados se constitui num abuso contra a liberdade de imprensa.

Aliás, com o requinte sórdido de registrar que ainda podem ser denunciados, caso surjam “novas provas”, com uma citação ao artigo 18 do Código Penal.

Espera-se que a Folha tome providência contra esta violência contra seus profissionais.

Se estas feras, bem alimentadas com o dinheiro público, não forem detidas, a liberdade de imprensa estará sepultada no Brasil.

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30
Jan20

Chico Buarque: temos um país governado por loucos

Talis Andrade

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O compositor e escritoor Chico Buarque defendeu nesta quinta-feira, o documentário Democracia em Vertigem, que concorre ao Oscar de melhor documentário. 

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Chico declarou:

“A cineasta Petra Costa soube captar, com sensibilidade os bastidores da cena política, principalmente a partir de 2014, quando os derrotados não aceitaram o resultado das urnas e passaram a tramar, com apoio de grande parte da classe política, com a grande mídia e com a complacência da Justiça, começaram a tramar contra o governo de Dilma Rousseff. Não souberam esperar mais quatro anos, quando talvez pudessem implantar um governo liberal”.

“O que a gente vê ali dá a impressão que eles estavam brincando  com a democracia. E o resultado está aí: temos hoje um país governado por loucos”, disse o romancista.

 

30
Jan20

Bolsonaro da dinero a medios amigos

Talis Andrade
 Un estudio en Brasil revela la distribución discrecional de publicidad estatal
 

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El gobierno del presidente ultraderechista brasileño, Jair Bolsonaro, está privilegiando alevosamente con los fondos públicos de la publicidad a tres empresas de televisión que funcionan como su sostén, en una reproducción de un modelo totalmente discrecional, como el de Argentina y otros países, según un estudio publicado en medios no convencionales.
 
El trabajo, difundido en el espacio Tijolaço, un medio que agrupa a comunicadores progresistas, muestra que las cadenas Bandeirantes, STB y Record se vieron beneficiadas con un incremento de los fondos públicos, que administra la Secretaría de Comunicación Social, durante 2019, el año en que empezó la gestión de Bolsonaro. Las tres tuvieron subas en comparación con 2018.
 
La nota, firmada por Fernando Brito, deja en evidencia una paradoja muy singular para la realidad brasileña: el grupo Globo, el más grande del país, y que fue decisivo para la gran operación política y judicial que causó el derrocamiento de la presidenta Dilma Rousseff y el encarcelamiento y proscripción de Luiz Lula da Silva, es el más perjudicado.
 
El texto dice que se verifica un “inexplicable favoritismo” del gobierno por las cadenas Record y Bandeirantes en la publicidad estatal. “Gústese o no de Globo”, escribe Brito, las cifras muestran que ese grupo, si bien está en un período de retroceso, “todavía retiene poco más de la mitad de la audiencia” en el total nacional.
 
Agrega que las decisiones para publicitar en una u otra estación se adoptan básicamente según el número de personas que verán el mensaje, un criterio que sin embargo es discutido en Brasil y otras partes del mundo, donde esa ecuación es puesta en discusión con la necesidad de que los Estados se comprometan en la existencia y desarrollo de una amplia gama de medios, no solo los convencionales y comerciales, como lo establecen los estándares internacionales reivindicados por la Organización de Naciones Unidas para la Educación, la Ciencia y la Cultura (UNESCO).
 
Brito expresa de hecho que puede haber “variaciones” en el parámetro por él enunciado, por ejemplo cuando se hacen “recortes de públicos” a los que se desea alcanzar específicamente.
 
El texto, que cita una publicación previa de Folha de São Paulo, destaca los beneficios recibidos por el grupo del obispo Edir Macedo, fundador de la Iglesia Universal del Reino de Dios, convertida en una corporación para la intervención política, económica y comunicacional, aliada del presidente ultraderechista, racista y misógino, y propietaria del grupo mediático Record.
 
Esta empresa tiene una porción publicitaria estatal que multiplica al menos por cuatro lo que le correspondería recibir en términos de volumen de audiencia en comparación con la que Globo reúne.
 
Globo, con su red nacional de televisión, sus periódicos, radios, revistas y espacios en internet, fue crucial para el desplazamiento del poder del Partido de los Trabajadores, al que combatió en todas sus gestiones. Sin su accionar, la denominada operación Lava Jato no habría llegado a los resultados que obtuvo, en especial las causas, sentencias y proscripción de Lula da Silva, favorito indiscutible para ganar las elecciones de 2018, que depositaron al neofascista Bolsonaro en el poder.
 
Es que, como ocurrió también en Argentina, en ocasiones Globo lanzaba versiones y acusaciones de corrupción contra dirigentes del PT con las cuales los jueces, muy especialmente Sergio Moro -hoy ministro de Justicia de Bolsonaro-, lanzaban pesquisas, investigaciones y requisitorias a la vez ampliamente difundidas por el sistema mediático. A veces era al revés: Moro hacía llegar sospechas y acusaciones a Globo, para que las amplificara a escala nacional.
 

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30
Jan20

Bolsonaro y la rutina del desastre y la ridiculez

Talis Andrade

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Si 2020 empezó con el mandatario brasileño Jair Bolsonaro respaldando el asesinato del general iraní Quasem Soleimani por órdenes directas de Donald Trump, lo que vino después no hizo más que confirmar algo que desde que el ultraderechista asumió la presidencia se hizo visible e inmutable: su personalidad, en la que se destaca un permanente desequilibrio, así como actitudes de sus ministros, impulsan una rutina de desastres y ridiculeces.
 
El sector considerado ‘ideológico’ del gobierno – todos seguidores estrictos del astrólogo que se autonombró ‘filósofo’, Olavo de Carvalho, gurú del clan presidencial – sufrió una pérdida importante, es verdad, pero sigue ocupando, con exuberante capacidad de producir disparates, ministerios de importancia fundamental para los proyectos del ultraderechista tosco que nos preside: Medioambiente, Educación y Relaciones Exteriores, además de Cultura.

La pérdida se dio en un campo específico de la saña presidencial, el de la cultura.

En su primer día como presidente Bolsonaro extinguió el antiguo ministerio y creó la ‘secretaría especial’, con rango inferior. Pasó a defender el retorno de la censura, declaró guerra al cine y pidió un arte ‘acorde a los principios cristianos y de la familia brasileña’.

Pues su hasta ahora titular, el director de teatro Roberto Alvim, fue expelido del puesto pocas horas después de, en la noche del jueves 18, haber sido fuertemente elogiado por Bolsonaro.

El motivo: luego del encuentro con el presidente, Alvim anunció, vía internet, su nuevo programa de incentivo a las artes, con un texto que traía copiados varios trechos de un discurso de Joseph Goebbels, el ministro de propaganda de Adolf Hitler.

Advertido, dijo tratarse de una ‘coincidencia de retórica’, para luego aclarar que subscribiría cada palabra robada al alemán.

Por primera vez un funcionario del gobierno de Bolsonaro asumió su plena coincidencia con uno de los ideólogos del nazismo.

Bolsonaro solo decidió catapultarlo luego recibir una muy furiosa llamada del embajador de Israel en Brasil.

Al mismo tiempo, otra bomba: la fiscalía nacional pidió la suspensión de los resultados del examen nacional de ingreso en universidades públicas, creado en tiempos del PT de Lula da Silva.

La razón: errores en las notas concedidas a los estudiantes. Pura mala interpretación, pura incompetencia.

El ministro de Educación, Abraham Weintraubm, otro discípulo del astrólogo-gurú, es una máquina de disparar groserías, comete equívocos primarios de ortografía cuando escribe y de concordancia verbal cuando habla. Sin embargo, cuenta con total respaldo de Bolsonaro, por su fidelidad a la misión de erradicar el "marxismo cultural" de la enseñanza pública.

¿Más desastres en el primer mes de 2020? Pues claro…

Bolsonaro anunció que iría al Foro Económico Mundial que se realiza anualmente en Davos, una pequeña aldea en los Alpes suizos y que reúne la flor y la nata del empresariado y de los dueños del dinero del mundo.

Informado de que el tema del medioambiente tendría peso en las reuniones, cambió de idea, y con justa razón: al fin y al cabo, su primer año de gobierno registró un sinfín de agresiones a la amazonia, con invasiones de tierras públicas y de reservas indígenas, fuerte estímulo a los prendedores de fuego y devastadores de madera, bien como a la minería ilegal que contamina ríos y arroyos.

Prefirió despachar a su ministro de Economía, el neoliberal fundamentalista Paulo Guedes, ex funcionario de Augusto Pinochet en Chile.

Pues cuando surgió la cuestión ambiental, Guedes no tuvo duda: aclaró que los peores agresores son los pobres, que devastan el medioambiente para tener qué comer.

Fue fulminado no solo por ambientalistas y organismos de defensa de la naturaleza, pero también por el ex vicepresidente norteamericano Al Gore. Hasta su colega de gobierno, la ministra de agricultura Tereza Cristina Días, lo desmintió.

Bolsonaro viajó el pasado jueves a la India. Dice que pretende ampliar el comercio bilateral, aumentando las exportaciones brasileñas. Fue invitado a las celebraciones de las fiestas de independencia del país asiático, que a cada año selecciona un único jefe de Estado para merecer tal honor.
 
Con su habitual delicadeza y luciendo los modales refinados de siempre, su primer almuerzo en país con una de las culinarias más diversificadas y ricas del planeta constó de arroz y tallarines con salsa de tomates. Cuando de su visita a Japón ya había cometido grosería semejante, argumentando que no le gusta el pescado crudo.
 

Ha sido por otra razón, sin embargo, que Supriya Gandhi, profesora de la universidad de Yale, protestó de manera vehemente al saber que Bolsonaro iría visitar el Memorial dedicado a su bisabuelo, Mahatma Gandhi, el padre de la independencia de India.

Su argumento: Bolsonaro no tiene respeto alguno por las normas democráticas y no reconoce la urgencia de la crisis ambiental.

Nadie la contradijo.

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30
Jan20

Três interpretações na esquerda sobre o significado do governo Bolsonaro

Talis Andrade

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por Valerio Arcary

(versão em espanhol aqui)

1 – Recordemos a metáfora da curvatura da vara utilizada por Lênin: quando a vara está muito inclinada numa direção, se queremos encontrar o ponto de equilíbrio, é preciso incliná-la, primeiro, até ao extremo oposto. Lênin herdou este método de Marx. Um debate entre posições opostas, não se resolve produtivamente pela via das mútuas concessões. Em um primeiro momento, para esclarecer as diferenças e reduzir as margens de erro, o melhor caminho é desenvolver cada uma das posições até ao extremo, para conferir quanto e quais das hipóteses iniciais se sustenta. As forças que explicam os fluxos e refluxos das lutas sociais, as inflexões inesperadas, as longas estagnações, as bruscas acelerações e, de novo, a terrível lentidão das mudanças que não vêm, até que se precipitam transformações vertiginosas, quase como uma surpresa, não se revelam com facilidade. A história conhece os movimentos de superfície, e as transformações nas camadas tectônicas mais profundas. Estamos em uma situação reacionária, mas não contrarrevolucionária.

2 – Este governo de extrema-direita não foi um acidente histórico. Mas não foi, tampouco, uma derrota histórica. Só foi possível porque aconteceu uma derrota séria. Ainda há reservas sociais e políticas na esquerda brasileira para deter Bolsonaro, e tudo que seu governo significa.

3 – As três grandes batalhas políticas da última década foram as jornadas de junho de 2013, o impeachment de Dilma Rousseff de 2016, e as eleições de 2018. Perdemos todas, mas a relação entre os três processos é a chave da situação atual. Existem, grosso modo, três interpretações na esquerda brasileira sobre o significado do governo Bolsonaro. Elas são incompatíveis. O debate entre as três pode e deve ser, intelectualmente, honesto. Entre as três há, também, posições intermediárias que fazem, como sempre acontece, mediações. Mas são três as grandes narrativas, em perspectiva histórica.

4  – A primeira posição defende que junho de 2013 inaugurou uma onda conservadora, e abriu o caminho para uma ofensiva burguesa em 2015/16 que derrubou o governo Dilma Rousseff, criminalizou e prendeu Lula. O governo Bolsonaro resultou, essencialmente, de uma reação às reformas progressivas dos governos de coalizão liderados pelo PT, ou seja, seus acertos. A segunda explica que junho de 2013 foi uma mobilização democrática progressiva; as mobilizações contra a corrupção em 2015 estavam em disputa; e o governo Bolsonaro resultou, fundamentalmente, dos limites e dos erros dos governos do PT. A terceira sustenta que as jornadas de junho de 2013 estavam, socialmente, em disputa, mas que as mobilizações da classe média em 2015/16 eram, politicamente, reacionárias. Defende que o giro do governo Dilma Rousseff para o ajuste fiscal que produziu uma recessão econômica catastrófica, provocou   desmoralização social entre os trabalhadores; conclui que o governo Bolsonaro só foi possível em função de derrotas acumuladas pelos erros da direção do PT, mas seu significado histórico repousa numa reação burguesa, em escala continental, impulsionada pelo imperialismo.

5 – Existem debates históricos encerrados, e outros que estão em aberto. As interpretações sobre a derrota do Quilombo de Palmares, dos paulistas na Guerra dos Emboabas, da Inconfidência Mineira, da Confederação do Equador, de Canudos, ou do governo Jango Goulart em 1964 são debates instigantes, mas encerrados. A discussão das derrotas acumuladas nos últimos cinco anos têm, também, uma dimensão histórica, mas permanece em aberto. Trata-se de um debate de importância estratégica. Isso quer dizer que dele depende o futuro.

6 – A maioria do campo petista-lulista explica este processo como reação às reformas progressivas que foram feitas durante treze anos. Ou seja, foram derrotados pelos seus acertos, e não pelos seus erros. A ideia impressiona porque tem um grão de verdade. Mas nenhum governo é derrotado quando acerta. Este campo identifica o início da ofensiva reacionária nas jornadas de junho de 2013, contextualiza o giro da burguesia para o impeachment na pressão de Washington, sublinha o papel das agências de inteligência e serviços secretos (a formula das guerras híbridas), adverte que o deslocamento da classe média seria produto de um incontível ressentimento social, e explica a debilidade da mobilização popular contra o golpe pela reestruturação produtiva. Vê uma continuidade ininterrupta da dinâmica da luta social entre as jornadas de junho de 2013, as mobilizações pelo impeachment de 2015/16, as lutas contra Temer e a prisão de Lula, culminando com a eleição de Bolsonaro. A análise se restringe a uma avaliação da evolução desfavorável da relação social de forças, desconsiderando as variações que a relação política de forças conheceu nesses cinco anos. Quando aceita atribuir sentido à luta política, capitula a versões de teorias de conspiração. No aniversário dos seus quarenta anos a direção do PT abraça um discurso ideológico fatalista circular de autojustificação. Perdemos porque nossos inimigos eram mais fortes.

7 – A segunda análise tem expressão em correntes da esquerda radical que vê, também, uma continuidade ininterrupta da dinâmica da luta social ao longo destes cinco anos, mas de signo oposto. Por isso defende o Fora Bolsonaro como campanha política prioritária. A miopia tem o efeito inverso. Despreza o peso acumulado das derrotas na consciência da classe trabalhadora, e sobrevaloriza as tensões do governo Bolsonaro com frações da classe dominante. Desconsidera que prevaleceu a insegurança política na hora de lutar contra a reforma de previdência. Mas destaca os conflitos entre o governo de extrema-direita e o Congresso, o STF, e a mídia empresarial. Explica o governo Bolsonaro como um acidente histórico. Um acidente histórico deve ser compreendido como um fenômeno superficial, portanto, sem consistência duradoura. A eleição de Bolsonaro pode ser descrita como um acidente histórico, porque não era o candidato preferencial da burguesia. Mas a ofensiva de golpes institucionais em Honduras, Paraguai, Brasil e Bolívia, não. Ela obedece a um projeto estratégico do imperialismo na America Latina. O governo Bolsonaro só foi possível em função de um processo de acumulação de derrotas dos trabalhadores na luta de classes, anterior às eleições de 2018. Nesse contexto, o governo Bolsonaro se beneficia de uma grande unidade burguesa, e do apoio da maioria da classe média.

8 – A terceira análise é aquela que identifica melhor, dialeticamente, as contradições sociais e políticas do processo. Não foi linear a evolução política entre 2013 e 2018. As mobilizações de junho de 2013 foram um campo de batalha em que tudo estava em disputa, e o desenlace muito longe de estar pré-determinado. Tanto que Dilma Rousseff venceu as eleições em 2014. Já as mobilizações de 2015/16 foram, desde o início, uma explosão de fúria reacionária da classe média. Um deslocamento tão reacionário que abriu o caminho para que a extrema direita, até então muito marginal, pudesse se transformar em um movimento com influência de massas. Não é necessário um exercício de contrafactuais, recorrendo a hipóteses do que poderia ter acontecido se o governo do PT não tivesse apostado em Joaquim Levy como neutralização in extremis das pressões burguesas em 2015, para concluir que o governo Bolsonaro não era inevitável. Mas tampouco é correto concluir que foi um acidente histórico. Não fosse Bolsonaro, seria outra liderança. A eleição de Bolsonaro é incompreensível sem a Lava Jato, a prisão de Lula, a facada em Juiz de Fora, e tem portanto, muito de aleatório, fortuito, contingente. A ruptura da burguesia brasileira com o governo Dilma Rousseff, não. Mas esta ruptura não se explica pelo Bolsa-Família, nem pelo Minha casa, minha Vida, nem pela expansão da rede federal de ensino, nem pelo Luz para todos. Ela obedeceu a um projeto estratégico de reposicionamento do capitalismo brasileiro no mercado mundial.

9 – Uma análise marxista deve considerar diferentes níveis de abstração. O estudo da relação social de forças busca identificar na estrutura da sociedade as posições respectivas das classes em luta. A investigação da relação política de forças procura compreender a esfera da superestrutura onde a luta social se expressa através de representações: as instituições do Estado, as distintas organizações, os partidos, a mídia, o mundo da cultura, etc. Não há sempre coincidência perfeita entre a relação social e a relação política de forças, embora haja tendência à confluência. Neste momento, a relação social de forças está um pouco pior que a relação política de forças.

10 – Ao longo do primeiro ano do governo Bolsonaro surgiram tensões com o Congresso, o STF, alguns dos principais grupos de mídia comercial em torno de diferentes temas. Foram variados os choques, as desavenças, até algum tumulto diante de inciativas esdrúxulas do núcleo neofascista. O secretário de cultura foi demitido. Estas crises na superestrutura não iludem que estamos em uma situação reacionária. Prevalece uma unidade burguesa no apoio ao governo, ainda com sustentação majoritária na classe média. Pesquisas de opinião são um indicador significativo da variação dos humores na sociedade, mas somente uma variável, entre outras, para aferir as relações de forças. A situação é reacionária, mas não sofremos uma derrota histórica. A resistência em 2020 pode se elevar a um patamar superior ao de 2019.

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30
Jan20

Quieren callar a Greenwald

Talis Andrade

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30-01-2020

Hildebrandt en sus trece (Perú)

 

El régimen Bolsonaro pretende amordazar el periodista Glenn Greenwald usando tácticas muy parecidas a las que Estados Unidos ha empleado contra Julian Assange, de WikiLeaks. Lo quieren acusar de crímenes “cibernéticos” por –presuntamente– colaborar con quienes hackearon los sistemas de mensajería del tramposo Juez Moro y los fiscales con los que coordinó el encarcelamiento del expresidente Lula da Silva.

 

“Lawfare”

Corría junio del 2019 cuando The Intercept Brasil, el medio dirigido por Greenwald, dio a conocer al mundo las comunicaciones privadas entre el Juez Sergio Moro y el equipo de fiscales a cargo de acusar al expresidente Luis Ignacio “Lula” da Silva. Los mensajes de chat filtrados pusieron al descubierto que Moro no solo coordinaba con el equipo de fiscales, sino que los dirigía en sus pesquisas y hasta le sugería filtraciones a la prensa. Ellos debían probarle a él que el líder del Partido de los Trabajadores (PT) había incurrido en actos de corrupción relacionados a Petrobras.

El encarcelamiento del socialista, en plena carrera electoral de 2018, le impidió competir por la presidencia de su país siendo el claro favorito, factor que le allanó el camino al ultraderechista Jair Bolsonaro, sirviéndole la victoria en bandeja. En un claro quid pro quo, el nuevo presidente nombraría a Moro ministro de justicia.

Así fue como la derecha brasileña se libró, luego de 15 años de gobierno del PT, de una de las figuras políticas más populares de los últimos tiempos, quien además sacó a decenas de millones de sus compatriotas de la pobreza.

Lo que no pudieron lograr en las urnas, sí lo consiguió el “lawfare”, el uso político del sistema judicial que ya había conseguido destituir a Dilma Rousseff, la sucesora de Lula, una de las pocas figuras no manchadas por la extendida corrupción política de su país. En los últimos años, cuanto izquierdista gobernó en Latinoamérica fue posteriormente empapelado. Detrás de bambalinas se esconde un elefante difícil de ocultar: el departamento de Justicia de Estados Unidos, colaborador cercano del Juez Moro. El golpe de Estado contra Manuel Zelaya, de Honduras, ocurrido en 2009, así como el efectuado contra Evo Morales, en 2019, sacaron a populares líderes de izquierda y vieron el ascenso al poder de políticos impopulares –como Janine Añez–, completamente negados en las urnas. En ambos casos subió al poder una derecha retrógrada, cavernaria; en el caso de Honduras, además, una profundamente involucrada en narcotráfico.

“Vaza Jato”

Antes de destapar esta trama de corrupción, el abogado y periodista que dirige The Intercept ya había cubierto el caso de Edward Snowden, el exagente de inteligencia norteamericano convertido en “whistleblower” que hace algunos años filtró información sobre los programas secretos de espionaje de la Agencia Nacional de Seguridad de Estados Unidos, más conocida por sus siglas: la NSA. Desde los ataques terroristas de 2001, esta oscura agencia tiene permiso para espiar a sus ciudadanos –y a quien le plazca– sin necesidad de andar tramitando esa sandez que los cojudos llaman “orden judicial”.  

Greenwald, pues, es un ducho abogado, además de experimentado periodista, y la acusación de colaboración con los hackers, que la justicia de Moro le quiere endilgar, no se sostiene. Incluso si hubiera prestado consejo o asistencia a los hackers en el manejo de la información filtrada, eso es una práctica inevitable en el manejo de fuentes delicadas, como explicó el año pasado el famoso “whistleblower” de los “Pentagon Papers”, Daniel Ellsberg, con respecto a la persecución de WikiLeaks. Greenwald aseguró, además, no haber dirigido en ningún momento la sustracción de los datos.

Qué duda podría caber, por otro lado, del interés público y el derecho de los brasileños y el mundo de enterarse de las trampas con las que se sacó de carrera a un político incomodísimo para el poder. Lula, salido de los sindicatos de trabajadores, terminó su mandato presidencial con un apabullante e inaudito 85% de aprobación. Nada a lo que la rancia derecha brasilera pueda aspirar.

En un reciente artículo, The Intercept Brasil explicó que los cargos hechos por el Ministerio Público Federal son “estrictamente los mismos que ya habían sido analizados por la policía” el año pasado, cuando el medio destapó el entuerto (21/01/20). Entonces, la policía brasileña no pudo encontrar ninguna conducta criminal.

Vaza Jato, como se bautizaron las filtraciones cubiertas por Greenwald y su equipo, en colaboración con Folha de Sao Paulo, revelaron, entre otras cosas, que Moro dirigió las delaciones premiadas de Leo Pinheiro, dueño de la constructora OAS, quien en un principio no habría involucrado a Lula en sus declaraciones. Pinheiro sería la clave de su encarcelamiento, pues aseguró haber sobornado al expresidente petista con un lujoso departamento en la playa.

Bolsonaro y su ocupado régimen

The Intercept Brasil ha sido un duro antagonista del ultraderechista, cubriendo, entre otros asuntos, el presunto involucramiento de su familia en el asesinato de la política y activista negra Marielle Franco –una “hija de la favela”, como ella misma se definía–, asesinada de tres balazos el 14 de marzo de 2018. Las investigaciones apuntaron a un aparato de represión integrado por milicias y paramilitares, del cual forman parte operadores vinculados a la familia Bolsonaro.

A fines del año pasado, su gobierno colaboró en la “Operación Trilogía”, una fallida incursión militar contra Venezuela llevada a cabo el último 22 de diciembre. Como informó Rede Globo (30/12/19), la incursión estaba planeada para producirse desde 3 frentes, uno en Colombia, otro en Brasil y el último en algún punto marítimo cerca de las costas venezolanas. Durante la fallida incursión, que finalmente solo se realizó desde el frente brasileño, varios disidentes venezolanos y algunos integrantes de la etnia pemón lograron robar una centena de fusiles y otras armas de una base militar. Algunos disidentes fueron capturados por el ejército bolivariano de Venezuela y otros lograron huir a Brasil, donde obtuvieron la protección del régimen Bolsonaro.

Globo informó al respecto haciendo eco de fuentes presuntamente militares y gubernamentales. Debemos tomar nota de lo que ellas advirtieron: la incursión sería parte de un esfuerzo conjunto de varios países vecinos; los fusiles se habrían sustraído con la finalidad de construir “una fuerza superior”, que actuaría en “futuras operaciones” militares contra Venezuela.

Debemos tener en claro que este tipo de operaciones no son nuevas en Latinoamérica y que no beneficiarán al “pueblo” venezolano, como tiende a asegurar la prensa corporativa siguiendo el discurso del establishment norteamericano. La motivación detrás es puramente política. Si no fuera así, las fuerzas “democráticas” coordinadas desde el norte y el Grupo de Lima ya habrían apuntado sus intentos de cambio de régimen hacia Colombia, donde durante años el gobierno Uribe asesinó a miles de civiles para disfrazarlos de guerrilleros y simular que se estaba ganando la guerra interna. Esa atrocidad contó con la colaboración de casi todos los estamentos militares colombianos y permanece, en gran medida, impune, pues los más altos responsables del ejército, lejos de pisar una celda, recibieron ascensos.

Human Rights Watch ha señalado que las políticas de seguridad de Iván Duque, sucesor de Uribe, presentan claros incentivos para un regreso de los falsos positivos (08/07/19). Además, en lo que va del año ya han sido asesinados una veintena de líderes sociales, un recrudecimiento de la violencia que ha sacado a los colombianos a las calles en señal en protesta.

Con gran descaro, este violento régimen criminal, protegido por Estados Unidos, pretende “liberar” Venezuela con la ayuda del ultraderechista Bolsonaro, un fanático de la tortura. Estos orates solo podrían empeorar considerablemente la situación de Venezuela y cualquier interés genuino por su gente escapa a sus capacidades.

Avanza la criminalización del periodismo

Tenemos derecho a conocer los crímenes de nuestros políticos. Los métodos por los cuales un periodista es capaz de sacar información como la referente a las tramposas operaciones políticas del juez Moro y el fiscal Deltan Dallagnol, servidores públicos, deben ser protegidas en aras de la transparencia. En su lugar, los periodistas que sí encaran al poder y destapan sus cochinadas están siendo acusados de pertenecer a “organizaciones criminales” o “agencias de espionaje”, como pretenden hacer con Greenwald y como ya han logrado con Assange, respectivamente.

Para llevar a Assange al calabozo, la colaboración de la prensa corporativa fue absolutamente indispensable. Ahí está The Guardian, el diario británico que sistemáticamente embarró su reputación con engaños, como cuando aseguró que un operador de Donald Trump llamado Paul Manafort visitó al australiano en la embajada ecuatoriana en Londres, una invención descarada para la que jamás presento evidencias. Su reportaje basura fue repetido por el resto de la prensa corporativa mundial, que no verifica la información cuando proviene de los medios santificados por el establishment.

En otros desenlaces alarmantes, el asesinato del iraní Soleimani provocó que Instagram censurara las cuentas de periodistas, activistas y políticos iraníes y, en general, de cualquiera que mostrara su simpatía hacia el líder ilegalmente asesinado. La sombra de una distopía nos acecha.

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