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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

01
Nov19

Por que os “inimigos do crime” Bolsonaro e Moro nunca se empenharam no caso Marielle?

Talis Andrade

marielle rj.jpg

 

 

Por Cynara Menezes

Socialista Morena 

 

Com o lema “bandido bom é bandido morto” sempre engatilhado, Jair Bolsonaro se apresentou ao país ao longo dos anos como um grande defensor da lei e da ordem. Em seu programa de governo, prometia “tolerância zero” com o crime. Deputado federal, Bolsonaro defendia abertamente que  “a Polícia Militar tem que matar é mais”. Na presidência, volta e meia se gaba nas redes sociais de estar “derrotando o crime”.

Jair M. Bolsonaro@jairbolsonaro
 

MP 885, que agiliza a venda de bens apreendidos do tráfico de drogas e permite o uso dos recursos no combate ao crime organizado, aprovada na Câmara, com obstrução do PSOL. Vitória do Brasil! Derrota do crime! Seguimos na construção de segurança pública eficiente e inteligente.

 

Seu ministro da Justiça, Sergio Moro, ganhou fama no país como justiceiro, ao liderar a operação Lava-Jato. Alçado ao governo com a vitória de Bolsonaro, cujo principal adversário prendeu, a meta prioritária de Moro é aprovar o “projeto anticrime”, que segundo ele irá “melhorar a qualidade de vida” dos cidadãos brasileiros, que desejam “viver em um país mais seguro” –embora especialistas em segurança pública digam que, na verdade, apenas contribuirá para aumentar o genocídio de jovens negros nas favelas ao dar aos policiais “licença para matar”.

Com tal currículo público de “inimigos do crime”, era de se esperar que Bolsonaro e Moro se empenhassem na solução do caso que mais causou repercussão internacional e danos à imagem do país nos últimos anos: o assassinato da vereadora Marielle Franco, do PSOL, do motorista Anderson Gomes, em março de 2018. Certo? Errado. Nem Moro nem Bolsonaro nunca se mostraram especialmente interessados em descobrir quem matou e quem mandou matar Marielle.

Pelo contrário, durante a pré-campanha, Bolsonaro foi o único entre os 13 presidenciáveisque ignorou a morte bárbara da vereadora. Na primeira declaração que deu sobre o caso, um mês depois do assassinato, o então pré-candidato à presidência se mostrou cético em relação à elucidação do crime. “Se não tiver alguém denunciando e que tenha participado do evento, eu acho que dificilmente vai chegar a uma conclusão”, disse Bolsonaro, salientando suas diferenças ideológicas com a vereadora.

Se o candidato do PSL era lacônico, o mesmo não se pode dizer dos seus aliados, que foram flagrados em várias ocasiões atacando a memória de Marielle. Os futuros deputados Rodrigo Amorim (estadual) e Daniel Silveira (federal) foram fotografados rasgando uma placa em homenagem à vereadora. Uma desembargadora bolsonarista chegou a espalhar o boato de que a vereadora era “casada com um traficante”. Um assessor de Flávio Bolsonaro e o primo de Carluxo, Leo Índio, também debocharam de Marielle em redes sociais.

Já presidente e entrevistado à época em que foram feitas as prisões de Élcio Queiroz e Ronnie Lessa, Bolsonaro se mostrou mais interessado em saber quem mandou matá-lo, em referência a Adélio Bispo (autor da facada que o levou à presidência), mesmo sabendo que o inquérito foi encerrado apontando não haver mandante algum e que o agressor tem problemas mentais.

Moro, por sua vez, pouco falou do assassinato de Marielle desde que foi designado para a Justiça. Na primeira entrevista coletiva ao ser nomeado, disse que ainda ia tomar pé do caso. 

“Não desconheço o problema que envolve o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco e do sr. Anderson Gomes, acho que é um crime que tem que ser solucionado. Assumindo o ministério, pretendo me inteirar melhor dessas questões e ver o que é possível fazer no âmbito do ministério”, disse.

Ministério da Justiça e Segurança Pública@JusticaGovBR
 

O Ministro Sergio Moro, espera que as prisões e buscas relativas ao assassinato da vereadora #MarielleFranco e do motorista Anderson Gomes, realizadas hoje, sejam mais um passo para a elucidação completa deste grave crime e para que todos os responsáveis sejam levados à Justiça.

Ministério da Justiça e Segurança Pública@JusticaGovBR
 

Moro lembra que a @policiafederal tem contribuído e continuará contribuindo com todos os recursos necessários para a continuidade das investigações do crime e das tentativas de obstrui-las. #MarielleFranco

 

Depois que assumiu, porém, Moro continuou a ser um homem de poucas palavras em relação ao crime, apesar da cobrança da Anistia Internacional, que coletou 800 mil assinaturas de cidadãos pedindo uma solução para o caso, e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos por um desfecho. “O Estado tem a obrigação de garantir uma investigação completa, independente e imparcial sobre esses assassinatos. Instamos o Brasil a concluir a investigação o quanto antes, levando os responsáveis intelectuais e materiais à justiça e oferecendo reparação e indenização às famílias”, disseram especialistas da CIDH e da ONU.

Em março, quando completou um ano do crime e a prisão dos suspeitos Élcio Queiroz e Ronnie Lessa foi anunciada, o ministro soltou duas notas, através do perfil do ministério do twitter, dizendo que a Polícia Federal “tem contribuído e continuará contribuindo” para as investigações. No perfil pessoal de Moro no twitter, inaugurado em abril, nunca foi dita nenhuma palavra a respeito de Marielle Franco.

Em agosto, a viúva de Marielle, Monica Benício, se queixou em entrevista ao Correio Braziliense que o ministro da Justiça se recusava a recebê-la, diferentemente do antecessor, Raul Jungmann, no governo Temer. “Jungmann nunca deixou de me receber, sempre tive com ele um amplo diálogo a respeito das investigações, coisa que o atual ministro se recusa a fazer. Foram muitas tentativas para que me recebesse e conversássemos a respeito da investigação, que é de competência da Polícia Federal, sob comando do próprio Moro”, disse Monica. “Tentei contato por meio de assessores, mas nunca fui recebida.”

Há duas semanas o ministro da Justiça finalmente concordou em receber a viúva de Marielle, que lhe pediu justamente maior empenho. “Solicitei que ele desse mais peso político ao caso, manifestando publicamente sua preocupação com a não elucidação até agora e inserindo essa cobrança de forma permanente em sua agenda, uma vez que todos nós passamos vergonha após um ano e sete meses de um crime político dessa proporção não estar solucionado. Estou convencida de que é necessária uma cooperação mútua das autoridades”, afirmou.

Monica Benicio@monica_benicio
 

Ontem estive com o min @SF_Moro e cobrei do governo federal que se manifeste publicamente sobre o crime político que executou Marielle e Anderson. O mundo quer saber #QuemMandouMatarMarielle https://oglobo.globo.com/rio/viuva-de-marielle-se-reune-com-moro-pede-forca-tarefa-formada-por-policia-mp-estadual-federal-24020286?utm_source=aplicativoOGlobo&utm_medium=aplicativo&utm_campaign=compartilhar 

Viúva de Marielle se reúne com Moro e pede força-tarefa formada por polícia, MP estadual e federal

Em Brasília, Mônica Benício disse que é necessária uma cooperação mútua das autoridades. 'O que o mundo espera do Brasil hoje é uma resposta', disse

oglobo.globo.com

A falta de empenho do governo Bolsonaro em cobrar a solução do assassinato contrasta com o aparente esforço em tentar apagar a imagem da vereadora da memória dos brasileiros. Em outubro, a revista Época revelou que a TV Brasil censurou um especial sobre Jackson do Pandeiro onde a imagem de Marielle aparecia durante 5 segundos, numa xilogravura, ao lado do homenageado. Duas semanas depois, a emissora pública exibiu no youtube outra versão do vídeo, sem a vereadora.

Por que tanta aversão da extrema direita a Marielle, mesmo depois de morta? Por que um governo que se diz tão comprometido com o combate ao crime nunca se mostrou seriamente empenhado em elucidar o assassinato da vereadora? Por que Bolsonaro e Moro, que se dizem “inimigos do crime” e “contra a impunidade”, não demonstram estar interessados em mandar os responsáveis para a cadeia? Não seria fundamental para dirimir as dúvidas em torno do fato de que um dos principais suspeitos é vizinho do presidente e que dois dos presos até agora, Élcio Queiroz e Josinaldo Lucas Freitas, aparecem em fotos com ele?

A impunidade no caso Marielle Franco só tem servido para desgastar a imagem do Brasil internacionalmente e para criar as mais variadas teorias sobre o crime –inclusive a de que as autoridades do país não cobram um desfecho do caso por ter algo a esconder.

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01
Nov19

Fúria contra Lula leva juíza a querer enviá-lo a colônia agrícola

Talis Andrade

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247 - A juíza Carolina Lebos não descansa na fabricação de maldades contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nota da coluna Radar da Veja informa que se não fosse o argumento da defesa do ex-presidente Lula de que havia uma liminar vigente do STF para garantir a ele o direito de ficar na superintendência da PF em Curitiba, a juíza Carolina Lebbos teria mandado o petista para uma colônia agrícola ou industrial – ou para a prisão domiciliar com o uso de tornozeleira eletrônica. 

A coluna cita um trecho da decisão que a magistrada deu nesta quarta-feira, autorizando a permanência de Lula na PF até que o STF julgue o recurso sobre a suspeição do ex-juiz Sergio Moro no caso do tríplex. 

 “Como já referido, o art. 33, §1º, “b” do Código Penal e o art. 91 da Lei de Execução Penal dispõem que o regime semiaberto deve ser cumprido em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar. Portanto, em regra, uma vez deferida a progressão ao regime prisional semiaberto deve-se verificar junto aos órgãos competentes a existência de vaga em estabelecimento adequado a tal regime”, afirma Lebbos no documento.

 

01
Nov19

Diplomatas em todo mundo estão pasmos e preocupados com ameaças do 'animal' Eduardo Bolsonaro

Talis Andrade

crapula animal eduardo .jpg

 

247 - O jornalista Jamil Chade, experiente na cobertura das atividades diplomáticas no âmbito da sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra, traz em seu blog informações sobre o impacto em círculos diplomáticos internacionais das ameaças antidemocráticas do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) 

"As declarações do deputado Eduardo Bolsonaro sobre um novo AI-5 deixam governos estrangeiros e a diplomacia internacional pasmos e preocupados com a situação no Brasil", escreve o jornalista. E mais adiante: "O temor no exterior é de que a retórica cada vez mais extremada saia do controle ou que seja encampada por alas mais reacionárias".

Mesmo evitando declarações públicas, para evitar que uma condenação oficial aprofunde ainda mais o radicalismo da família Bolsonaro e que relatores ou certos departamentos da ONU passem a ser vistos por Brasília como "inimigos", impossibilitando seus trabalhos, a preocupação na organização multilateral é grande.

Jamil Chade relata que há um "clima de inconformidade nos bastidores diante das declarações e a preocupação com o caráter do grupo no poder". 

"O que muitos querem saber é se a declaração tem algum respaldo, ainda que sigiloso, dentro das estruturas de poder", informa o blog.

"O que não podemos é nos dar ao luxo de ver tal proposta ser declarada publicamente, sem uma reação de condenação", disse um experiente mediador de conflitos como Síria ou Iemen. "Vocês estão brincando com fogo", insistiu - relata Chade.

"Para outro representante de alto escalão da ONU, com tensões no Chile, Haiti, Bolívia, Líbano, Espanha e tantos outros lugares, o cenário internacional não poderia comportar mais um foco de instabilidade como uma eventual crise institucional no Brasil" - acrescenta.

"Não temos o direito de simplesmente ignorar repetidas ameaças feitas por um político com influência numa região", comentou outro diplomata acreditado na ONU.

Em outro governo, um ex-ministro optou por uma reação de tristeza. "Tantos de nós admirávamos o Brasil. É muito tristeza tudo isso. É um animal". 

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01
Nov19

É repulsivo ouvir um deputado falar de um repugnante AI-5

Talis Andrade

Fala de deputado Eduardo Bolsonaro é um dos pontos mais baixos do seu mandato e revela a falta de confiança do parlamentar na capacidade do Governo do seu pai de driblar dificuldades

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