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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

31
Out19

Partidos de esquerda acionam STF contra Eduardo Bolsonaro pela apologia da ditadura e ameaça do governo restaurar o Ato Institucional n.5

Talis Andrade

devorador democracia ditadura.png

 

Os partidos de oposição ingressaram com uma representação criminal no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL) após o filho do presidente declarar em entrevista que, se a esquerda “radicalizar”, pode haver um “novo AI-5” no Brasil. Os partidos vão pedir também a cassação de Eduardo no Conselho de Ética da Câmara por quebra de decoro parlamentar.

Representantes de várias instituições rechaçaram a declaração que mostra o desprezo da família Bolsonaro pela democracia brasileira. “Declaração de Eduardo Bolsonaro é criminosa, contra a Constituição e a democracia. Ele já fez discurso neste sentido e agora escancara a posição. Mais do que a oposição, presidentes da Câmara, Senado e STF precisam reagir. É preciso garantir a democracia que estamos construindo”, afirmou a presidenta do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann.

Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) afirmou, em nota, que considera uma afronta à Constituição: “É gravíssima a manifestação do deputado, que é líder do partido do presidente da República. É uma afronta à Constituição, ao Estado democrático de direito e um flerte inaceitável com exemplos fascistas e com um passado de arbítrio, censura à imprensa, tortura e falta de liberdade.”

Baixe aqui a nota oficial da Oposição

Lula@LulaOficial
 

O Brasil precisa de mais democracia e não de menos. O Bolsonaro tem que agir como presidente e respeitar o povo brasileiro. Ele não precisa concordar comigo, ele tem que respeitar democraticamente a opinião de todos. #RecadoDoLula

O presidente da Câmara dos DeputadosRodrigo Maia (DEM), declarou que a apologia de Eduardo à ditadura “é suscetível de punição”. Maia disse também que as declarações de um possível “novo AI-5” são “repugnantes” e “têm de ser repelidas como toda a indignação possível pelas instituições brasileiras”.

Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), ressaltou em nota que é inadmissível a incitação antidemocrática proferida pelo filho de Jair. “Não há espaço para que se fale em retrocesso autoritário. O fortalecimento das instituições é a prova irrefutável de que o Brasil é, hoje, uma democracia forte e que exige respeito”.

O ex-prefeito de São Paulo e candidato do PT à Presidência em 2018, Fernando Haddad afirmou ao jornal Folha de S.Paulo que “a única punição cabível” à fala de Eduardo Bolsonaro “é a perda do mandato”.

Mesmo após toda a polêmica, Eduardo Bolsonaro demonstra total desprezo pelas instituições republicanas. O filho 03 continua a postar em suas redes sociais sua admiração ao AI-5 e fez acusações de que Dilma e Lulaseriam ‘terroristas’. Além disso, Eduardo divulgou um vídeo de seu pai elogiando o torturador militar Ustra.

Entenda a grave ameaça de Eduardo

O AI-5 citado pelo filho 03 foi instituído durante a ditadura militar – vigente por 21 anos no Brasil (1964-1985) – e constituiu a fase mais repressiva do período. Assinado pelo marechal Arthur da Costa e Silva, o quinto ato fechou por tempo indeterminado o Congresso Nacional e as Assembleias nos estados, com exceção de São Paulo. O mesmo ato também renovou a concessão de poderes excessivos ao ‘presidente’ da época como permissão para cassar mandatos, suspender direitos políticos, além de suspender garantias constitucionais, como o habeas corpus em casos de crimes políticos.

De acordo com dados presentes na reportagem da Folha de S. Paulo, já nos dois primeiros dias de vigência do AI-5, presos políticos processados nas auditorias da Justiça Militar denunciaram mais de 2.200 casos de tortura. Além disso, os registros mostram que foram punidas, com perda de direitos políticos, cassação de mandato,aposentadoria e demissão, 4.841 pessoas; 513 deputados, senadores e vereadores perderam seus mandatos.

O Ato Institucional de número 5 instaurou ainda a censura prévia dos veículos de comunicação e as pautas passaram a necessitar de aprovação de censores do governo localizados nas redações. Todas as outras áreas culturais como cinema, teatro, música e televisão também ficaram sujeitas à censura prévia caso o inspetor designado entendesse que a obra era subversiva ou atentava contra ‘a moral e os bons costumes’.

O filho de Bolsonaro parece obcecado em perseguir a democracia e o direito de livre expressão até o fim. Essa é a segunda vez em menos de uma semana que Eduardo faz declarações polêmicas em relação às manifestações noChile. Na última terça-feira (29), o filho 03 afirmou no plenário da Câmara que se houver no Brasil protestossemelhantes, os manifestantes “vão ter que se ver com a polícia” e, caso haja uma radicalização nas ruas, “a história irá se repetir”. Naquele momento, o deputado não deixou claro sobre qual história se referia, porém, agora está nítido que Eduardo ameaça o Brasil e todos os brasileiros quando fala em trazer de volta o período mais obscuro e repressor da história brasileira.

‘Não vamos nos intimidar’

Nas redes sociais, a presidenta Nacional do PT, Gleisi Hoffmann e os senadores Humberto Costa e Rogério Carvalho se manifestaram sobre o caso e afirmaram que defenderão a democracia e a Constituição do Brasil.

Gleisi Lula Hoffmann@gleisi
 

Em menos de uma semana, @BolsonaroSP volta a defender regime de exceção e ameaça a esquerda. MP/STF precisam tomar providências e não vamos nos intimidar, continuaremos denunciando o desmonte e abusos. A população precisa saber o que vocês estão fazendo. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2019/10/eduardo-bolsonaro-diz-que-se-esquerda-radicalizar-resposta-pode-ser-um-novo-ai-5.shtml 

Eduardo Bolsonaro diz que se esquerda radicalizar resposta pode ser 'um novo AI-5' - 31/10/2019 -...

Afirmação foi feita em entrevista à jornalista Leda Nagle

folha.uol.com.br
Humberto Costa@senadorhumberto
 

O PT, junto com partidos de oposição, vai representar contra o deputado Eduardo Bolsonaro no Conselho de Ética da Câmara. Não há outra punição a se demandar senão a cassação do mandato de quem permanentemente ataca o regime democrático.

Vídeo incorporado
Humberto Costa@senadorhumberto
 

Ninguém pode defender um golpe e a reedição do AI-5 impunemente. A Comissão de Ética da Câmara tem que julgar esse procedimento do parlamentar. O STF tem que ser provocado para se posicionar sobre esse crimes contra a Ordem Democrática, previstos na Constituição .

Rogério Carvalho@SenadorRogerio
 

O assunto é de extrema gravidade: a ameaça de um #golpemilitar #GolpeDeEstado. A questão central é que ninguém pode por nenhum motivo colocar em risco a #Democracia ou ameaçar uma nação! #QuemMandouMatarMarielle

Vídeo incorporado
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31
Out19

Nota dos partidos de Oposição sobre declarações de Eduardo Bolsonaro

Talis Andrade

ditadura _sid ai 5.jpg

 

As Bancadas do PTPSOLPCdoBPDTPSB e Rede, juntamente com as Lideranças da Minoria e da Oposição na Câmara, repudiam veementemente a declaração do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) em defesa de um novo AI-5. Trata-se de um ato criminoso e de extrema gravidade, pois atenta contra a Constituição Federal e a democracia.

É inadmissível um parlamentar eleito pelo voto popular e que jurou respeitar a Constituição fazer apologia ao crime e a defesa da volta dos anos de chumbo. Diante disso, entendemos que a única punição cabível é a perda de seu mandato, medida que será analisada pelo Conselho de Ética da Câmara com base em representação que os seis partidos vão protocolar.

O ato do deputado, por ser filho do presidente da República, que reiteradamente defende a ditadura e a tortura, faz da declaração um risco concreto para a democracia.

O parlamentar do PSL e o grupo que governa o País neste momento são uma ameaça constante às instituições democráticas e ao Estado de Direito. Reiteradamente, demonstram intenções autoritárias, aversão ao diálogo e descompromisso com a democracia tão duramente conquistada pelos brasileiros. São inimigos da democracia e da liberdade e, por isso, devem ser contidos por toda a sociedade brasileira.

Ditadura nunca mais! Democracia sempre!

Brasília, 31 de outubro de 2019

Paulo Pimenta (RS)s, líder do PT
Ivan Valente (SP), líder do PSOL
André Figueiredo (CE), líder do PDT
Daniel Almeida (BA), líder do PCdoB
Tadeu Alencar (PE), líder do PSB
Joênia Wapichana (RR), líder da Rede
Jandira Feghali (PCdoB-RJ), líder da Minoria
Alessandro Molon (PSB-RJ),líder da Oposição

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A velha política do AI-5 dos saudosistas da ditadura 

31
Out19

O AGITADOR FASCISTA

Talis Andrade

Definitivamente, não vivemos em tempos normais

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por Rodrigo Perez Oliveira

Que as eleições presidenciais de 2018 não correram dentro da normalidade, todos sabemos. Afinal, não é normal que um deputado que durante quase 30 anos foi piada nacional, presença cativa em programas de auditório e folhetins de humor, se torne presidente do país que tem a décima maior economia do mundo.

No começo do mandato, havia duas possibilidades:

1°) Bolsonaro seria um presidente de direita normal, como outro qualquer, respeitador dos ritos e disposto a governar por dentro das instituições.

2°) Bolsonaro continuaria se alimentando da energia disruptiva liberada em 2013, colando nas instituições estabelecidas a pecha da “velha política”.

Bolsonaro decidiu preservar sua identidade política e a lealdade de sua base orgânica. Essa foi sua escolha e é em função dela que seu governo deve ser analisado.

Vai funcionar? Essa base orgânica é grande o suficiente pra sustentar um governo que abriu guerra contra o Congresso Nacional, contra o STF e contra sua própria base parlamentar? As eleições municipais do ano que vem dirão algo a respeito disso. Qualquer coisa que falarmos agora não passará de especulação e torcida.

Por enquanto, é possível dizer que Bolsonaro é, ao mesmo tempo, fraco e forte. Sua fraqueza é a fonte de sua força.

Fraco como presidente e forte como agitador fascista. Na minha percepção, essa é a síntese da liderança política de Bolsonaro.

A cada manifestação, Bolsonaro violenta os ritos fundamentais para o cargo que ocupa, mas ao mesmo tempo, e exatamente por isso, mobiliza sua base orgânica, formada por pessoas sem o menor compromisso com a institucionalidade vigente.

No momento em que escrevo este texto, a esquerda está debochando dos dois últimos lances de marketing político operados por Bolsonaro: o vídeo do leão e as hienas, publicado na fanpage do presidente em 27 de outubro, e a gravação ao vivo de 29 de outubro, feita durante viagem oficial aos Emirados Árabes.

O deboche é o resultado da combinação entre incompreensão e prepotência. Na política, poucos gestos são mais imprudentes do que a incompreensão e a prepotência.

Incompreensão porque parte da esquerda ainda insiste em tratar Bolsonaro como louco, aloprado, sem entender a natureza da energia política que constitui o bolsonarismo.

Bolsonaro é o Coringa, é a personificação de uma sociedade que se percebe como colapsada, que despreza qualquer tipo de mediação institucional.

Aquilo que muitos de nós consideramos ser loucura e burrice, talvez seja performance política.

Prepotência porque a esquerda ainda está convencida de que seus padrões de gosto e comportamento são universais. Para nós, a figura de Bolsonaro é detestável, grotesca.

Quantos brasileiros realmente se incomodam com uma piada sobre o tamanho do pinto de japonês ou com um comentário sobre a beleza de primeira dama de país vizinho?

O Brasil não é regido pelos mesmos valores que compartilhamos no nosso cotidiano, nas diversas faculdades de ciências humanas espalhadas pelo Brasil. É óbvio, é mais que óbvio. É tão óbvio que nem precisava ser dito.

Ouço companheiros e companheiras animados com rodas de hip hop, com movimentos sociais de afirmação identitária, com saraus de poesia, blocos de maractu, vendo nessas práticas indícios de uma futura redenção. “Centelhas de uma nova onda revolucionária”, como costuma dizer Vladmir Safatle. Não nego que seja algo confortável de se ouvir.

A esquerda torce a realidade pra fazer caber no desejo. Nisso, os velhos conservadores (Tocqueville, Burke, Möser), têm muito a nos ensinar: pensar no plano justo, coladinho na realidade.

Enfim.

Fato, fato mesmo é que, de acordo com a estratégia traçada, o plano de Bolsonaro vem sendo bem executado. Com o vídeo do leão e as hienas, foi reforçada a narrativa fundada em 2013: instituições corrompidas representando a “velha política” cercam o leão moralizador.

STF, direita tradicional, esquerda, imprensa hegemônica contra o felino majestoso destemido.

Acho clichê, ridículo, cafona. Você, leitor e leitora deste veículo de esquerda que me publica, provavelmente concordam comigo. Mas tem muita gente aplaudindo, muita gente mesmo. Basta sair da bolha e olhar. Recomendo que voltem rápido, para o bem de sua saúde mental.

Em uma ‘live’ de 23 minutos, Bolsonaro desqualificou a imprensa hegemônica, o governador do Rio de Janeiro (potencial adversário em 2022), se apresentou como pai e marido ofendido pela perseguição que os derrotados nas urnas movem contra sua família.

Bolsonaro não falou como presidente. Falou como o patriarca que sai em defesa do clã. É o tipo de coisa que cola mais que velcro em uma sociedade com baixa educação institucional e profundamente privatista nas relações sociais.

A ‘live’ foi um sucesso. Fez exatamente o que queria fazer.

Bolsonaro vinculou a Globo, que “diariamente corrompe moralmente a sociedade brasileira com suas minisséries e novelas”, ao PT, “que corrompeu a nação ao assaltar os cofres públicos”. Aí estão os dois conceitos de corrupção que constituem a semântica da crise institucional em curso no Brasil.

Bolsonaro ameaçou rever o regime de concessão dos direitos de comunicação social. Até bem pouco tempo atrás, essa era uma agenda da esquerda, que jamais foi tocada pelos governos petistas.

Bolsonaro ainda falou do Adélio e da “poderosa conspiração que tentou matá-lo”, e performatizou o mártir, o esfaqueado, na tentativa de esvaziar Marielle Franco, sem dúvida o principal símbolo da esquerda brasileira contemporânea.

Bolsonaro bateu na mesa, xingou palavrão, exalou carisma. Terminou pedindo desculpas pelo excesso. Retórica! Ele sabe perfeitamente que o excesso é seu principal capital político.

Se estou dizendo que Bolsonaro é carismático? Sim, estou dizendo exatamente isso. Em política, carisma é, fundamentalmente, a capacidade de afetar o outro pela produção de identidade. Bolsonaro representa perfeitamente o brasileiro médio.

Fraco como presidente, mas forte como agitador fascista. Em situação de normalidade institucional, essa seria a fórmula do obituário político. Em tempos normais, Bolsonaro ainda seria deputado de baixo clero.

Definitivamente, não vivemos em tempos normais.

 

31
Out19

Óleo que contamina Nordeste pode vir de poço em alto-mar, aponta análise

Talis Andrade

Com base em imagens de satélite, pesquisador identificou grande mancha no sul da Bahia, compatível com vazamento de petróleo abaixo da superfície do mar. Origem pode estar na região do pré-sal.

 

Voluntária remove óleo da praia Pedra do Sal, na Bahia

Voluntária remove óleo da praia Pedra do Sal, na Bahia

  • Autoria Nádia Pontes

Há semanas atrás de alguma pista que pudesse indicar a origem das misteriosas manchas de óleo que vêm atingindo praias do Nordeste desde o fim de agosto, o pesquisador Humberto Barbosa, do  Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), busca respostas em imagens de satélite.

Segundo o pesquisador, é sabido pela comunidade científica que o satélite europeu Sentinel 1-A é capaz de detectar derramamento de petróleo – e foi nele que o cientista apostou.

Imagens captadas no sul da Bahia mostraram, pela primeira vez, uma faixa da mancha de óleo ainda não fragmentada ou carregada pelas correntezas. Com cerca de 55 km de extensão e 6 km de largura, a uma distância de 54 km da costa, a mancha está numa região de intensa exploração de petróleo.

Em entrevista à DW Brasil, Barbosa explica o trabalho de análise científico e como chegou à hipótese de que a origem do petróleo que contamina praias há cerca de dois meses possa ser um poço de petróleo. A Marinha contestou o estudo.

 

DW Brasil: Como foi o processo de pesquisa com as imagens de satélite para se chegar à possível origem da mancha de petróleo? Dizia-se, até então, que imagens de satélite não eram suficientes para essa tarefa.

Humberto Barbosa: Primeiro eu tentei responder a uma grande pergunta: se a imagem a partir desse satélite europeu, de microondas, tecnologia SAR (radar que capta imagens, em qualquer horário do dia e da noite, mesmo em áreas cobertas de nuvens, tanto na superfície terrestre quanto marítima) consegue detectar manchas a partir de uma certa área. Eu já estava identificando várias manchas sempre com esse satélite, Sentinel, e não entendia por que o governo brasileiro não estava utilizando essas mesmas informações.

Houve um acordo da câmara setorial entre Brasil e Europa há três anos para fazer o uso dessas imagens. Estive na Alemanha e tive contato com outros grupos que já estavam com os dados bem encaminhados, e os dados do Sentinel seriam usados pelo Brasil. Todo mundo sabe que a melhor imagem seria a do Sentinel. Já há experiências na Ásia, no Pacífico, Oriente Médio que mostram que essas imagens têm capacidade de detectar derramamento de óleo.

Sessenta dias passados (da contaminação nas praias do Nordeste), o que a gente mais escutava dos órgãos governamentais é que as imagens de satélite não tinham capacidade para fazer detecção, que as manchas estavam na subsuperfície. A gente aqui já tinha essa resposta de que era possível.

A segunda pergunta era: qual era a origem disso tudo. Eu analisei segmento por segmento da imagem em toda a costa do Nordeste durante dois meses para encontrar um padrão que pudesse dar uma pista.

Na última segunda-feira, processei alguns dados, montando o quebra-cabeça, pois o satélite conseguiu pegar uma faixa privilegiada que ainda não havia sido mapeada. Consegui, com ajuda de pessoas que estavam em campo, validar algumas informações de manchas que o satélite mostrava.

Quando vi a imagem do sul da Bahia, eu vi a imagem de um fluido com resposta totalmente diferenciada da água onde ele estava menos dominante, ou seja, aquele corpo não pertence àquela água. Analisei se poderia ser um ruído do satélite, o que não se confirmou. Também pesquisei se teria havido algum abalo sísmico na região, o que não ocorreu, segundo os dados da USP (Universidade de São Paulo). Também chequei se haveria algum tipo de topografia do oceano que poderia interferir, o que não era o caso.

 

E como chegaram à conclusão de que poderia vir de um poço de petróleo?

Já tínhamos experiência com poços de perfuração, da altimetria, analisando teses de perfuração de poços. A Agência Nacional de Petróleo disponibiliza as informações da localização dos poços. Na região próxima de onde identificamos a mancha, na faixa de Porto Seguro, há intensa exploração [de petróleo], e nos últimos anos o pré-sal passou a fazer parte disso.

Comecei a olhar o padrão da imagem de satélite, busquei o que poderia estar interferindo. Eu tive a impressão de que aquele mancha me revelaria algo. O que ela tem em particular é a integração que ela mantém, embora ela tenha área que foi rompida. Nessa linha onde ela foi rompida você pode ver que um navio pode ter atravessado e ter rompido a mancha. É um navio que, junto com outros dois, está num posicionamento que não é um posicionamento geográfico normal de cruzamento de navios.

A Marinha informou que posicionou três navios no sul da costa da Bahia, porque em Abrolhos tem aparecido algumas manchas, e o satélite pega três navios muito perto das manchas.

Lembrando que 30 de agosto foi quando a primeira mancha encontrada, no litoral da Paraíba. A gente já está passando de sessenta dias. A quantidade de óleo que está derramando não pode mais ser apenas atribuída a um navio isolado.

O ponto extremo da mancha era o mais localizado e mais intenso, que me dava a percepção de que um fluido de densidade diferente está brotando em cima de uma superfície e poderia estar jorrando debaixo do oceano pra cima. Foi então que os poços de petróleo começaram a ser uma hipótese.

 

E como é possível diferenciar, com a imagem de satélite, a mancha que seria a origem do derramamento das outras que aparecem sobre o oceano? Quais são os elementos que permitem fazer essa separação?

Há uma terceira imagem que ainda não colocamos no site, embora ela já tenha sido registrada pelo satélite, e que pode ser acessada e processada por qualquer pessoa credenciada. Quando vi a mancha, fui em busca de imagens retroativas no sul da Bahia com olhar mais crítico.

Então, peguei um segmento mais afastado, no alto-mar, onde a imagem mostra a resposta de três fluidos. Um é dominante, que é a água do mar, diferenciada pelos ventos, pelas correntes, então torna o fluido da água do mar dominante na cena. O segundo é um fluido mais fino. O terceiro é estático, mais denso, podendo ser até do mesmo material do segundo fluido identificado, mas com densidade diferente.

A gente vê, nesse segundo fluido, como se fosse um balé "dançando" nessa água, com ventos arrastando. O terceiro fluido estava estático, muito mais pesado. Aí a gente precisa de muito mais informações da área, da região, a gente precisa coletar amostras para que possamos ser mais assertivos.

 

Isso quer dizer que esse pode ser o local de um vazamento de petróleo?

É um quebra-cabeça. Alguma coisa está acontecendo ali no sul da Bahia, isso é fato. É um padrão que não é simples de entender.

Embora não seja o nosso foco, estendi a nossa área de observação para o sul do Espírito Santo, onde encontrei uma mancha que não está associada às manchas do Nordeste, mas que tem a configuração de um fluido que não é água e não é ruído de satélite.

E tem uma quarta questão que são as informações meteorológicas. Essa região estava sob influência de correntes de ventos intensos no alto-mar que são dominantes nessa época. Isso provoca ressaca e foi determinante também para o transporte (do petróleo para as praias).

É difícil identificar a origem, porque as manchas se quebram. Mas, pela primeira vez nesta semana, encontramos um pedaço, um sinal e um padrão de fluido que não era água, onde algum navio cruzou provavelmente.

 

O senhor chegou a ser acionado pelo governo para ajudar no trabalho científico de identificação da origem do petróleo?

Não. Havia muitas questões que eu, como cidadão, não estava convencido. Já estava preocupado com o encaminhamento que foi dado no auge das queimadas na Amazônia, já que a gente também tinha um projeto de monitoramento. Sobre o petróleo no Nordeste, buscamos uma resposta para acalmar toda essa inquietação da própria sociedade, que acreditava que a gente não tinha ferramenta para encontrar uma resposta. Mas temos!

A imagem de satélite é um ferramenta mais fácil e disponível hoje, com custos razoavelmente baixos para que a resposta de ação a um desastre pudesse estar sendo tratado de uma forma muito mais ágil.

Escrevi ao Senado, fizemos um contato e devo enviar mais informações. Nas próximas semanas deve haver alguma reunião. Gostaria que outros cientistas fizessem também uma análise mais detalhada, que criticassem e pudessem cooperar com nosso trabalho.

 

31
Out19

Marielle na roda da História

Talis Andrade

arcos_lapa_marielle-.jpg

 

Por Paulo Moreira Leite

Jornalistas pela Democracia 

 

Qualquer que seja a verdade sobre a conversa de portaria no condomínio Vivendas da Barra, cabe não perder de vista o essencial.

Um ano e oito meses depois, o assassinato de Marielle Franco e de Anderson Gomes segue à espera de esclarecimentos capazes de levar ao julgamento e punição de responsáveis -- não apenas os operadores de ponta, mas os mandantes graduados.

A morte da vereadora do PSOL, em 18 de março de 2018, é o grande crime político ocorrido na estrada torta que conduziu uma democracia já esfrangalhada pelo impechament para um período de perseguição aberta e violência à espreita. A evolução dos acontecimentos tem uma cronologia clara.

Um mês antes da morte de Marielle, Michel Temer assinou o Estado de Emergência no Rio de Janeiro, entregando o segundo maior estado brasileiro, subjugado pelo poder paralelo das milícias, ao comando das Forças Armadas.

Um mês depois do assassinato, como se fosse uma sequência natural, Lula seria conduzido de helicóptero para a cela de Curitiba. Depois do assassinato impune, passou-se à prisão sem prova.

Em agosto, por 6 votos a 5, o Supremo decidiu que o candidato favorito ao pleito presidencial estava fora da campanha, decisão sacramentada por um tuíte do então comandante do Exército, general Villas Boas. Em janeiro de 2019, quando tomou posse, Bolsonaro reconheceu em voz alta que o general fora um dos responsáveis por sua  chegada à Presidência.

A história brasileira ensina que a preservação do esquema criminoso que assassinou Marielle e acobertou as responsabilidades maiores é parte essencial de mudanças recentes que ameaçam direitos e garantias conquistados com tantas dificuldades.

Acima de qualquer direito civilizatório, o segredo deve ser preservado de qualquer maneira. É o que se aprende nos manuais de guerra revolucionária dos professores da ditadura, heróis do presidente da República, que usavam até codinomes para dar choques e conduzir cidadãos indefesos para o pau-de-arara.

Quando foi possível acender luzes naquela indizível escuridão, diminuíram os crimes mais infames, a barbárie mais violenta, as atitudes mais hediondas. Nem tudo foi esclarecido, nenhum carrasco foi julgado, o que é uma lástima.

Ainda assim, por três décadas o país teve direito a encontrar-se consigo mesmo, curar  dores agudas, alimentar  esperanças.

Examinada em retrospecto, única forma de se compreender a História de um povo, a operação que assassinou Marielle Franco e Anderson representa uma tentativa de fazer a história andar para trás.

Está inteiramente ligada ao que veio depois. É preciso que seja esclarecida, para que a roda da história retome seu curso.

Alguma dúvida?

Caso-Marielle.png

 

31
Out19

Promotora do "caso Marielle" é bolsonarista militante

Talis Andrade

A promotora do MP- RJ Carmen Carvalho, que participou da coletiva onde foi colocado em xeque o depoimento do porteiro que citou Bolsonaro no assassinato de Marielle, é bolsonarista militante. Em várias postagens nas redes ela deixa claro seu viés ideológico e chegou ao ponto de tietar o deputado Rodrigo Amorim (PSL-RJ), que quebrou a placa de Marielle durante manifestação fascista

247 - Carmen Eliza Bastos de Carvalho, uma das promotoras que participou da coletiva de imprensa do caso Marielle Franco no Ministério Público do Rio de Janeiro, onde foi colocado em xeque o depoimento do porteiro que citou Bolsonaro no assassino de Marielle, é bolsonarista militante. 

O jornalista Leandro Demori, editor do site The Intercept, usou sua conta no Twitter para fazer a denúncia do viés ideológico de Carmen:

Leandro Demori @demori          Essa é Carmen Eliza Bastos de Carvalho, uma das promotoras do caso Marielle Franco no MPRJ.
View image on Twitter         31.3K9:10 AM - Oct 31, 2019Twitter Ads info and privacy 13.1K people are talking about this 

Apesar de atuar no Ministério Público, a promotora não possui pudor algum em expor nas redes sociais seu viés ideológico. Na imagem abaixo ela aparece ao lado do deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL-RJ), que ficou famoso por quebrar a placa de Marielle durante uma manifestação fascista.

Ela também já se posicionou contra a liberdade de Lula. Em  postagem, ela disse: vai ficar preso, babaca! Veja: 

31
Out19

Investigação acima de qualquer suspeita…

Talis Andrade

drummond58.jpg

 

 

por Fernando Brito

Então, com a mania infantil das “selfies”, fica-se sabendo que a Doutora Carmen Eliza Bastos de Carvalho, uma das três mocinhas elegantes que desmentiram a informação que havia sido publicada sobre a declaração do suspeito do assassinato da vereadora Marielle Franco de que tinha anunciado ir à “Casa 58” do “Seu Jair” é, afinal, uma adepta do mesmo “Seu Jair”, do qual disse ser a vitória eleitoral uma das “maiores emoções que já sentiu”.

Direito dela ser bolsonarista apaixonada, mas pode ficar num caso criminal no qual o nome de eu “mito” aparece?

Mas tem mais selfie, recente, recente, abraçada e sorridente com o deputado Rodrigo Amorim, que ao lado do marombado federal Daniel Silveira exibiu-se quebrando a placa com o nome de Marielle Franco, cuja morte é ela quem tem o dever de investigar.

Direito dela ter mau gosto, mas não o da promotora de confraternizar com quem vilipendia o cadáver que tem por dever de ofício apurar quem produziu.

E ontem, ao lado de duas outras promotoras – quase achei que eram clones – dizem, solenemente, que é o porteiro do condomínio, que não tinha motivos para mentir, quem havia mentido e que ia ser investigado com todos os rigores da lei. Da Lei de Segurança Nacional, aliás.

Ah, estes porteiros…Vai ver que era “paraíba”.

Se o Drummond estivesse vivo, com a poesia que eu não tenho, bem capaz de nosso porteiro virar personagem. Ou não, porque em certo poema escreveu que “Raimundo morreu de desastre”.

Não me lembro bem qual, era algo parecido com “Família”.

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31
Out19

Tudo dominado: Moro, Aras e MP-Rio inocentam Bolsonaro. E o porteiro sumiu

Talis Andrade

boni bolsonaro porteiro.jpg

 

Por Ricardo Kotscho

Balaio do Kotscho 

 

Em menos de 24 horas, foi abafada a grande crise deflagrada pelo Jornal Nacional na terça-feira, com o envolvimento do nome de Jair Bolsonaro no caso Marielle Franco.

Diretamente de Riad, na Arábia Saudita, antes de voltar ao Brasil, o capitão presidente mobilizou sua tropa de choque, liderada pelo ex-juiz Sergio Moro e o novo PGR Augusto Aras, nomeado por ele após rigorosa seleção.

Com a pronta colaboração das promotoras do MP-Rio responsáveis pelo caso do assassinato da vereadora e do seu motorista, Anderson Gomes, Bolsonaro foi sumariamente inocentado, o caso acabou arquivado e não se fala mais no assunto.

E o coitado do porteiro, pivô de toda a crise, sumiu.

Deve estar fazendo companhia ao já célebre Fabrício Queiroz, o outro desaparecido, que até hoje não prestou depoimento ao MP, nove meses após as primeiras denúncias sobre as rachadinhas no gabinete de Flávio Bolsonaro.

Claro que se alguém for condenado nesse processo será o funcionário da portaria do condomínio.

Bernardo Mello Franco, no Globo, levantou a lebre, a pergunta de um milhão de dólares: por que o porteiro, cujo nome não aparece no noticiário, teria mentido nos seus depoimentos para incriminar o presidente?

Faria ele parte da grande conspiração internacional, que botou fogo na Amazônia e empesteou as praias brasileiras de piche, para derrubar o governo a serviço da Rede Globo?

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31
Out19

Leandro Demori: promotora do caso Marielle precisa ser afastada

Talis Andrade

Promotora fã de Bolsonaro que desmente porteiro também arquivou caso Amarildo

 

247 - O editor do Portal The Intercept Leandro Demori, em sua coluna no site, considera que Carmen Eliza Bastos de Carvalho, uma das promotoras do MP do Rio de Janeiro responsáveis pelo caso Marielle Franco, precisa ser imediatamente afastada do caso. Militante bolsonarista, a promotora postou foto com Rodrigo Amorim, deputado do PSL que quebrou a placa de Marielle Franco em uma manifestação da extrema-direita e também publicou imagens com a camiseta de Bolsonaro. 

elize veste a camisa de bolsonaro.jpg

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"Como será a atuação dessa promotora no caso do assassinato de uma pessoa que ela define como esquerdopata? Como será sua atuação em um caso que envolve Bolsonaro, aquele que está estampado em sua camisa?", questiona Demori.

"Eu dei esse furo no Twitter hoje e já está circulando no noticiário do Brasil. Escrevi enquanto aguardava uma conexão de Dallas para Austin e agora escrevo durante o voo. Vou participar de uma conferência e falar sobre o trabalho investigativo do Intercept. Corro para dizer o óbvio: essa promotora precisa ser afastada imediatamente do caso. A Corregedoria-Geral do MPRJ tem que tomar providências", diz Demori.

Depois da condenação de 13 PMs envolvidos no sumiço do pedreiro em 2013, novas investigações foram arquivadas pela promotora Carmen por "não avançarem"

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Da Rede Brasil Atual - A promotora Carmen Eliza Bastos de Carvalho, que integra a equipe do Ministério Público do Rio de Janeiro responsável por investigar o assassinato de Marielle Franco, faz parte também a lista de frequentadores de redes sociais declaradamente fãs de Jair Bolsonaro. Ela mantém ainda nas suas redes foto com o deputado estadual do Rio de Janeiro Rodrigo Amorim (PSL), que ficou conhecido por quebrar uma placa com o nome da vereadora assassinada em 14 de março de 2018. Carmen tem também no currículo o arquivamento da ação contra policiais acusados de sumir com o pedreiro Amarildo Dias de Souza – desaparecido da favela da Rocinha em julho de 2013.

A posição ideológica da promotora Carmen começou a circular hoje (31), pelo Twitter do editor do Intercept Leandro Demori. E põe em dúvida um desmentido tratado ontem como certeza pelo noticiário.

A execução de Marielle, que tem como suspeitos o ex-policial militar Élcio Queiroz e o sargento aposentado da PM Ronnie Lessa, voltou às manchetes esta semana, após reportagem do Jornal Nacional na terça-feira (29). No dia seguinte à reportagem, a promotora Carmen afirmou que o porteiro teria mentido ao afirmar, em depoimento, que Queiroz teria utilizado chamada para a casa 58, onde mora Bolsonaro, para entrar no condomínio Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Por sinal, onde Lessa também mora.

O desmentido, porém, não encerra a polêmica. Ao contrário, amplia as perguntas sobre um caso há 600 dias sem muitas respostas. Uma nova pergunta surgida hoje seria: que imparcialidade teria uma promotoras do MP assumidamente pró-Bolsonaro e anti-Marielle (que para ela seria uma “esquerdopata”)?

Apesar da reação intempestiva do presidente da República, em vídeo divulgado nas redes sociais, Bolsonaro sabia que seria mencionado no caso há mais de 20 dias. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, no dia 9 o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), teria informado a Jair Bolsonaro que seu nome teria sido mencionado pelo porteiro do Vivendas da Barra no inquérito que apura a morte de Marielle Franco.

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Por que Bolsonaro sabia? Por que Witzel sabia?

Por que o Jornal Nacional de ontem (30) aceitou passivamente o desmentido sem questionar a imparcialidade da promotora? Pelo Twitter, o jornalista Luis Nassif, do Jornal GGN, provocou a emissora: “O condomínio não tem interfone. As ligações são para fixo e celular. No caso de Bolsonaro, para seu celular. Se fizer jornalismo, a Globo conseguirá ressuscitar a denúncia”.

Por que, no primeiro processo, a Justiça concluiu que Amarildo foi torturado e morto por 13 PMs que acabaram condenados? E num segundo processo o caso acabou arquivado (conforme nota não muita antiga do jornal Extra), devido, segundo teria justificado a promotora Carmen Carvalho, ao fato de a investigação não ter avançado?

O pedido de arquivamento foi feito pela promotora Carmen em abril deste ano, e aceito pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em 13 de junho.

Bolsonaro sabia

Ainda de acordo com a Folha, na manhã de 16 de outubro, Bolsonaro recebeu três dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), no Palácio do Planalto. “Ele teve uma audiência com os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, que preside a corte. Na sequência, falou em separado com Gilmar Mendes”, informa a reportagem.

Um dia depois do encontro, Toffoli, teria recebido integrantes do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro para tratar da menção a Bolsonaro na apuração sobre a morte de Marielle.

“Ainda naquela semana, antes de embarcar para a viagem de 12 dias por países da Ásia e do Oriente Médio, Bolsonaro recebeu seu advogado Frederico Wassef e o procurador-geral da República, Augusto Aras”, revela a Folha.

“Aras classificou a divulgação do episódio como um ‘factoide’”, relata a reportagem. “Ele afirmou à Folha que o STF e a PGR (Procuradoria-Geral da República) já arquivaram uma notícia de fato, enviada ao Supremo pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. E informou ainda que remeterá para o Ministério Público Federal um pedido feito pelo ministro Sergio Moro (Justiça) para que se investiguem as circunstâncias em que o porteiro do condomínio de Bolsonaro citou seu nome em depoimento à polícia do Rio.”

Apesar disso tudo, durante mais de 20 dias, a informação de que o nome do presidente da República surgiu no caso Marielle permaneceu em segredo. Mas Bolsonaro sabia. Que medidas pode ter tomado durante todo esse período? Há informações de pressão sobre os funcionários do condomínio.

Em suas redes sociais, o vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, publicou um vídeo com conteúdo gravado na administração do condomínio. As imagens mostram dados conflitantes aos apresentados na reportagem da Globo. E corroboram o afirmou o Ministério Público do Rio: o porteiro teria interfonado para a casa 65 –  e não para a casa 58, de Jair Bolsonaro. A entrada de Élcio Queiroz teria sido autorizada, então, por Ronnie Lessa.

Mas, em dois depoimentos à Delegacia de Homicídios, o porteiro teria afirmado que “seu Jair” autorizou a entrada de Élcio. E que, ao observar pelo circuito interno de TV que o visitante estava indo para outra casa, teria ligado novamente para a casa de Bolsonaro que teria dito saber onde Élcio estava indo.

Segundo a Folha de S.Paulo, perícia feita técnicos do MP apresenta lacunas e não afasta a possibilidade de que áudios do sistema de interfone tenham sido excluídos antes de serem entregues à Polícia Civil.

Concessão ameaçada

Em sua live, o Jair Bolsonaro ameaçou a Rede Globo com o fim da concessão pública, em 2020. A decisão não é de responsabilidade do presidente da República, mas do Congresso Nacional. O parágrafo 2º do Artigo 223 da Constituição Federal é claro: A não renovação da concessão ou permissão dependerá de aprovação de, no mínimo, dois quintos do Congresso Nacional, em votação nominal. O ataque de Bolsonaro, no entato, parece ter surtido efeito.

Na edição do Jornal Nacional da quarta-feira (30), a Globo voltou atrás de tudo e acatou sem questionamentos a versão de que o porteiro mentiu. Aqui surgem novas perguntas: o jornalismo da emissora não checou os dados e os áudios antes de divulgar uma reportagem dessa gravidade?

Em seu blog Tijolaço, o jornalista Fernando Britto levanta indícios: “A ameaça de cassação de sua concessão, afirmada explicitamente pelo presidente, ‘fez diferença’. Afinal, o que é perder o respeito perto de perder uma rede de TV? O império Marinho sai desmoralizado desta batalha de Itararé, que nem chegou a acontecer. Bom para entender que, quando enfrentada, a Globo pode ser um tigre de papel”.

Mais perguntas

O porteiro, ainda anônimo, será exposto e poderá ser processado. Se realmente mentiu, por que faria isso?

Por que Fabrício Queiroz, ex-assessor da família Bolsonaro que permanece desaparecido, falou em áudios vazados na semana passada em “pica do tamanho de um cometa” contra o clã?

Por que, como observou o jornalista Florestan Fernandes Jr., o MP que em nove meses não conseguiu tomar um depoimento de Fabrício Queiroz conseguiu em 24 horas descobrir que o porteiro teria mentido?

Bolsonaro chegou a anunciar em entrevista concedida em Riade, na Arábia Saudita, que vai acionar o ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro para que a Polícia Federal (PF) possa colher um novo depoimento da testemunha. Com isso, o presidente da República estaria incorrendo em crime de responsabilidade, passível de impeachment?

Por que o porteiro mentiria? Por que teria feito anotações erradas no registro do condomínio?

Se era mentira, por que Bolsonaro ficou tão alterado a ponto de, em live na sua página do Facebook, ameaçar a emissora e atacar o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, como responsável por “vazamentos”?

A relação da família Bolsonaro com as milícias acusadas da morte de Marielle e de milhares de outras pessoas no Rio de Janeiro pode estar na base dessas desconfianças?

Respostas nas cenas dos próximos capítulos desse país que segue desgovernado. A conferir.

31
Out19

Promotora do caso Marielle fez campanha para Bolsonaro, o que a CF proíbe

Talis Andrade

Carmen Eliza chamou a imprensa para afirmar que o porteiro mentiu. Sergio Moro, a mando de Bolsonaro, mandou a Polícia Federal abrir inquérito para investigar... o porteiro

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Carmen Eliza fez campanha para Bolsonaro: "O Brasil venceu!!! 57,7 milhões! Libertos do cativeiro esquerdopata. Família, moral, honestidade, vitória do bem!", comemorou


ConJur - Apesar de a Constituição Federal proibir a atividade político-partidária por membros do Ministério Público, a promotora Carmen Eliza Bastos de Carvalho, que participou da coletiva sobre o caso Marielle Franco, fez campanha em favor de Jair Bolsonaro durante as eleições de 2018.

Imagens de seu perfil no Instagram a mostram vestindo camiseta com a imagem do então candidato e o escrito "Bolsonaro presidente". Em outras publicações ela comemora a vitória de seu candidato: "O Brasil venceu!!! 57,7 milhões! Libertos do cativeiro esquerdopata", publicou.

As publicações podem render uma punição à promotora. De acordo com o artigo 128 da Constituição Federal, é vedado aos membros do MP exercer atividade político-partidária.

Em recomendação de 2016, o Conselho Nacional do Ministério Público afirmou que a vedação não se limita à filiação partidária, "abrangendo, também, a participação de membro do Ministério Público em situações que possam ensejar claramente a demonstração de apoio público a candidato ou que deixe evidenciado, mesmo que de maneira informal, a vinculação a determinado partido político".

O órgão, inclusive, tem punido aqueles que violam a regra. Em 2018, um promotor da Paraíba foi multado por exaltar, em um vídeo gravado dirigido ao povo de Bayeux (PB), a candidatura de Leonardo Micena a prefeito daquele município.

Em decisão mais recente, o CNMP puniu com suspensão não remunerada um procurador da Bahia que publicou um texto criticando Jair Bolsonaro e atacando membros do Poder Judiciário. Na decisão, o CNMP entendeu que o procurador não respeitou a impessoalidade e a isenção em relação à atividade político-partidária, deveres constitucionais dos membros do Ministério Público.

 

A LAVA JATO CONTRA O PORTEIRO


A promotora Carmen Eliza participou de entrevista coletiva nesta quarta-feira (30/10) sobre o caso Marielle Franco. Na entrevista, o MP-RJ disse que o porteiro do Condomínio Vivendas da Barra mentiu sobre ter ligado, a pedido de Élcio Queiroz, suspeito da morte da vereadora Marielle, para a casa da família do presidente Jair Bolsonaro. A versão do porteiro foi apresentada pelo Jornal Nacional, da TV Globo.

Atendendo a um pedido do ministro da Justiça, Sergio Moro, o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu que o MPF no Rio instaure inquérito para investigar as declarações do porteiro.

 

A PRIMEIRA VEZ DE CARMEN ELIZA

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Com a medalha do delegado Carlos Augusto, promotora publicou foto ao lado de Daniel Silveira, deputado que quebrou placa de Marielle

 

Veja - O Ministério Público revelou ontem que era falso o depoimento do porteiro que associou o nome do presidente Jair Bolsonaro ao de um suspeito de ter participado da morte de Marielle. A suspeita de que o MP desconfiava da versão foi antecipada por VEJA. No Instagram de Carmem também há imagens dela com uma camisa com o rosto de Bolsonaro, e uma foto ao lado do deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL). Ao lado do deputado federal Daniel Silveira (PSL), ele quebrou uma placa com o nome da vereadora Marielle Franco durante a campanha eleitoral de 2018. Em setembro deste ano, a promotora recebeu a Medalha Tiradentes, mais alta comenda do estado do Rio, por indicação do deputado estadual Delegado Carlos Augusto (PSD).

Essa foi a primeira vez que Carmen Eliza Bastos participa de uma coletiva de imprensa sobre o caso Marielle Franco. Nos outros posicionamentos do MP do Rio, a responsabilidade de dar explicações aos jornalistas sobre o rumo das investigações foi das promotoras Simone Sibilio, coordenadora do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e Letícia Petriz.

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