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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

01
Ago19

Deltan virou “hacker” do Supremo, revelam diálogos

Talis Andrade

pressao dallagnol hacker do stf.jpg

por Fernando Brito

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Deltan Dallagnol tem de ser afastado imediatamente de suas funções de coordenador da Operação Lava Jato.

As mensagens reveladas hoje, em mais um capítulo da apuração do The Intercept, em conjunto com a Folha, não revelam apenas um comportamento aético do procurador, mas o cometimento de crimes.

Violou as funções legais, ao investigar não um fato, mas diretamente pessoas, no caso os ministros José Carlos Dias Toffoli e Gilmar Mendes, do Supremo, usurpou funções que seriam apenas da Procuradoria Geral da República e violou, com a cooperação dos funcionários da Receita postos à sua disposição, o sigilo fiscal de ambos.

A capa infamante de Veja sobre o atual presidente do Supremo, numa história que veio depois a mostrar-se falsa, foi gestada e produzida por ele.

Deltan ultrapassou todos os limites para retaliar quem, no Supremo, não ratificava automaticamente as ações de Curitiba e os desígnios de Sérgio Moro.

Sua invasão aos dados fiscais dos dois ministros é pior, sob qualquer aspecto, que o crime cometidos pelos “hackers de Araraquara”, não apenas porque ele é um agente de Estado violando a lei como usa, para isso, os órgãos da Administração Pública como instrumentos.

hacker esconderijo.jpg

 

A história está detalhada na Folha e no The Intercept e não preciso repeti-la aqui, bem como o leitor e a leitora pode facilmente entendê-la pela transcrição dos diálogos.

O que importa, agora, é ver quais serão ( e se serão) as providências tomadas pela Procuradoria Geral da República e pelo Conselho Nacional do Ministério Público diante das evidentes transgressões legais de Deltan Dallagnol e outros procuradores.

Aqui, os diálogos completos.

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01
Ago19

Não houve eleição e não há presidente

Talis Andrade

Quem está no poder sabe tanto disto que sequer finge governar para a maioria do povo brasileiro

neilima bolsonaro.jpg

 


POR VLADIMIR SAFATLE
EL PAÍS

 

[Parte 3] O Brasil segue sem presidente. Quem está no poder sabe tanto disto que sequer finge governar para a maioria do povo brasileiro. O sr. Bolsonaro governa para os porões da caserna de onde saiu, além de governar para consolidar a mobilização dos 30% da população brasileira que seguirão lhe apoiando. Ele sabe que este é seu teto.

 

Seu ato sórdido de falar sobre um desaparecido político na cadeira de um barbeiro contando a história de seu pretenso justiçamento por membros da luta armada, quando todas as informações do estado mostram seu assassinato sob tortura não é “mais uma derrapada”. É um ato de governo pensado e encenado. É a sua real concepção de governo e que consiste em mudar paulatinamente o centro dos limites do intolerável. Os que dizem que “são só palavras” não entendem nada sobre o que palavras realmente são. Palavras são o que temos de mais real, pois sua circulação autoriza ações, violências, afetos e túmulos.

No entanto, Bolsonaro sabe ainda algo mais. Algo que seus opositores não sabem ou parecem não querer saber: que enquanto não houver incorporação efetiva da maioria que não lhe apoia em um processo comum, os 30% que lhe apoiam serão mais do que suficiente para ele continuar no governo. Se há algo que deve nos preocupar não é exatamente o que faz o sr. Bolsonaro, mas o que nós não fazemos.[Continua]

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01
Ago19

As contradições da farsa Globo-Moro

Talis Andrade

 

 
Por Jeferson Miola

A farsa sobre a inverossímil invasão hacker é tática diversionista da Globo com Sérgio Moro para esconder os conteúdos que

[i] incriminam o próprio Moro, agentes da Lava Jato [PF e MPF], desembargadores do TRF4 e ministros do STJ e do STF e que

[ii] revelam relações indecentes e ilegais de integrantes da força-tarefa, desembargadores e ministros dos tribunais superiores com banqueiros, especuladores, empresários e meios de comunicação corruptos.

Montado o enredo novelesco, Globo e Moro distraem acerca do essencial, que é a revelação sobre o subterrâneo imundo da conspiração tramada nos EUA para eleger o governo de extrema-direita que opera as políticas de entrega e liquidação do Brasil, como faz Bolsonaro.

Moro montou a armação dos supostos hackers para tentar criminalizar o Intercept por revelar os conteúdos e, a partir disso, tornar nulos seus crimes e os do seu bando criminoso.

Cinco dias antes da primeira revelação do Intercept, em 9 em junho, o ministro Moro – decerto alertado por Ali Kamel da Rede Globo sobre a iminente divulgação – surpreendeu com a falsa notícia de que seu celular havia sido hackeado. Fez isso para se vacinar em relação ao que seria divulgado.

O tiro, porém, saiu pela culatra. A tese da invasão hacker é uma versão débil, tem mais buracos que queijo suíço; é tecnicamente desmontável: o aplicativo Telegram é inviolável e inacessível pelo modo alegado pela PF e mostrado no bizarro organograma feito pela Globo.

O site El País publicou reportagem [aqui] com especialistas em segurança digital que derrubam as bases frágeis da armação Globo-Moro e confirmam as inconsistências já assinaladas desde o instante em que Moro anunciou a estapafúrdia versão para se defender.

Como, então, o site The Intercept obteve os documentos?

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Se não foram os supostos hackers, quem repassou os materiais a Glenn? As evidências mostram que não foi ninguém do grupo de Araraquara tomado por bode expiatório; o próprio Glenn atestou que as pessoas presas não são sua fonte.

O pessoal preso pela PF comprovadamente não é hacker, no sentido especializado do termo. Devem ser estelionatários plantados no caso em troca de favores penais ou contrapartidas financeiras; método análogo ao empregado por Moro com as delações premiadas para atingir seu alvo central, o ex-presidente Lula.

As evidências principais são de que a fonte do Intercept é de dentro da própria força-tarefa da Lava Jato, algum integrante da PF ou do MPF [aqui]; algum “garganta profunda” [1] assomado por sentimento de decepção, inveja, vingança, despeito, espírito público etc; enfim, um dissidente da força-tarefa.

A teoria absurda da invasão dos celulares de todo mundo, menos o do Deltan [sic]

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A PF alardeou que teriam sido invadidos “aproximadamente mil números telefônicos de autoridades”.

Criada a bravata da “epidemia”, Moro alegou um falso contágio sistêmico para comover [e chantagear] integrantes dos estamentos político e jurídico – sempre, contudo, escondendo os supostos diálogos, que pretendia destruir ilegalmente.

Nesta investida criminosa de violação do sigilo do inquérito, de manipulação da investigação conduzida por sua Gestapo e de destruição de provas, ele incrivelmente foi apoiado pelo ministro do STF João Otávio de Noronha [aqui], quem deve temer as mensagens em que ele, Noronha, figura.

O site BBC noticiou [aqui] que “no despacho em que autoriza a prisão temporária de Santos e de outros três suspeitos, o juiz federal Vallisney de Souza Oliveira não cita Dallagnol como um dos possíveis alvos da ação criminosa dos 4 suspeitos”[sic].

Neste aspecto reside uma contradição relevante da farsa Globo-Moro. A suposta abrangência de “mil números telefônicos” de diferentes autoridades, e a espantosa ausência de Deltan Dallagnol dentre quase um milhar de números invadidos, é contraditório com tudo o que vem sendo revelado pelo Intercept.

Todas – todas – as mensagens até então conhecidas são atinentes [i] a Deltan Dallagnol em diálogos bilaterais, [ii] a Dallagnol nos grupos Telegram dos quais ele fazia parte e [iii] ao período de 2014 a maio de 2019 – bem anterior, portanto, à data que Moro se vacinou com a mentira de invasão do seu celular , em 4 de junho de 2019.

Deltan é o pivô de todas as mensagens; é a partir dele que as conversações foram detectadas e armazenadas, e é inacreditável, por isso, que ele não esteja dentre os alvos da farsesca invasão inventada pelo Moro no inquérito conduzido pela sua Gestapo.

Como aparece Manuela D’Ávila

manuela.jpg

 



Por que no depoimento de Walter Delgatti que a Globo acessou com exclusividade consta que Manuela D’Ávila teria intermediado o contato com Glenn Greenwald?

É de se supor, a essas alturas, que Moro já tenha sido informado pela NSA e CIA a respeito do autor do repasse de documentos para o Intercept – e, principalmente, acerca do teor aterrador dos materiais repassados.

Na viagem aos EUA, onde cumpriu agendas secretas [mais que particulares], ele deve ter recebido das agências estadunidenses o rastreamento dos passos do “garganta profunda”, onde Manuela aparece no itinerário da fonte do Intercept – fato que ela própria confirma e, ao contrário do Moro, disponibiliza seu celular para perícia.

A ponte com Manuela, sem ela conhecer a identidade do interlocutor, pode ter sido feita pela fonte real do Intercept para garantir que os documentos chegariam com segurança ao destino desejado, o jornalista Glenn Greenwald.

Como é da praxe de polícias e sistemas corrompidos, o depoimento do estelionatário Walter à PF pode ter sido, então, adornado com esta informação obtida na ação de contra-inteligência – igual ao procedimento de “plantar” drogas para prender alguém.

Manuela foi candidata a vice-presidente do Haddad, por isso Moro e a Globo tentam repetir truques conhecidos, e insinuam que os supostos hackers queriam vender informações para o PT, mas o depoente curiosamente não soube dizer com quem do PT estaria negociando!

O essencial é o conteúdo

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A Globo e Moro fogem do essencial, que é o conteúdo aterrador da conspiração tramada no subterrâneo do esgoto por agentes públicos com fins políticos, partidários e de enriquecimento pessoal.

Globo e Moro então manipulam para conduzir a atenção pública para o secundário, que é a forma pela qual o site Intercept obteve os documentos.

Num país sob a vigência do Estado de Direito, Moro já não seria ministro e chefe da polícia judiciária e estaria preso preventivamente. A Rede Globo teria sua outorga cassada e seus dirigentes presos pelas reiteradas práticas criminosas.

Nota

1- Garganta profunda foi o codinome adotado por Mark Felt, ex-diretor do FBI que repassava informações a jornalistas do Washington Post sobre o escândalo de corrupção política conhecido por Watergate, de espionagem na sede do Partido Democrata dos EUA, que obrigou Richard Nixon a renunciar em 1974 para evitar o impeachment.
01
Ago19

“Falta a Bolsonaro decoro, ética, dignidade e idealismo”

Talis Andrade

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Prezado Senhor, quem escreve é Cristina Capistrano, filha de David Capistrano, desaparecido politico em 1974. Carta lida na ABI - Associação Brasileira de Imprensa, em reunião de solidariadade a Glenn Greenwald, e defesa da Liberdade.

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Ao povo brasileiro

Nós, familiares dos mortos e desaparecidos durante o período ditatorial, repudiamos a fala e os atos do Presidente Jair Bolsonaro sobre Fernando Santa Cruz.

Falta ao Presidente Jair Bolsonaro o decoro, a ética, a dignidade e o idealismo daqueles homens e mulheres que lutaram por um país justo e democrático.

De maneira irresponsável e mentirosa o Sr. Bolsonaro pretende zombar do que foi uma página triste e vergonhosa da nossa história recente.
Fazemos nossa as palavras:

“A natureza, como a história,
Segrega memórias e vidas
E cedo ou tarde desova
A verdade sobre a aurora.

Não há cova funda
Que sepulte
A rasa covardia

Não há túmulo que oculte
os frutos da rebeldia.

Cai um dia em desgraça
A mais torpe ditadura
Quando os vivos saem à praça
E os mortos, da sepultura.”

Affonso Romano de Sant’Anna, em Os Desaparecidos.

Assinam esta Nota os familiares de
Fernando Santa Cruz
David Capistrano
Elson Costa
Hiram Pereira
Jaime Miranda
João Massena
Joel Vasconcelos
Luiz Maranhão
Orlando Bomfim Junior

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01
Ago19

Não houve eleição e não há presidente

Talis Andrade

Não há eleição real quando se escolhe quem pode e quem não pode concorrer

01
Ago19

Um país avacalhado. Falo do que é sério nas bobagens ditas por Bolsonaro

Talis Andrade
 


Partilho com os leitores mais um comentário em vídeo, enquanto tento conseguir os meios para lançar um canal permanente no Youtube, desta vez falando do que há de consequências concretas nas bobagens ditas por Jair Bolsonaro, sobretudo a “pérola do dia”, a sua declaração de que está “cada vez mais apaixonado” por Donald Trump.

 

 

01
Ago19

O ‘sniper’ Witzel e a concorrência ao Pateta

Talis Andrade

 

sniper pateta.jpg

 

por Fernando Brito

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O bobalhão brincando de “sniper” aí da foto é o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel.

É o resultado de uma cuidadosa operação de marketing – reparem o cuidado com o uniforme, a boina e até o colete à prova de balas, regulado no máximo para acolher a pança de Sua Excelência – divulgada por seu assessor Roberto Motta, oficialmente para assuntos de segurança pública mas, vê-se, também para assuntos promocionais.

Espalhada com um texto que – se estivéssemos sãos – provocaria risos:

Deitado, treinando a mira e mostrando o significado de coragem moral, o governador do estado do Rio de Janeiro. Pela vida e liberdade dos cidadãos de bem. Por um futuro melhor – com paz e prosperidade – para todos”

Não consta, claro, que seja preciso que o governador treine a mira para tiros com fuzil, conseguindo uma precisão daquelas de “acertar na cabecinha”. Nem se vê qual é a “coragem moral” em fazer uns disparos de brincadeira num campo de treinamento, cercado por farta guarda e sem qualquer risco.

O contrário, o que se observa é alguém que só não é mais infantilmente escandaloso porque enfrenta a concorrência do atual Presidente da República.

Não é à toa que seu principal plano de desenvolvimento para o Rio é trazer – e de mentirinha, como mostra hoje Bernardo Mello Franco, hoje, em O Globo – para cá uma parada de personagens da Disney.

Como diz o jornalista, “o Pateta pode ser bobo, mas não gosta de concorrência”.

Nem mesmo com as risadas de Bolsonaro.

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01
Ago19

Não houve eleição e não há presidente

Talis Andrade

O que vimos foi simplesmente um processo sem condição alguma de preencher critérios básicos de legitimidade. Ou seja, uma farsa

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Desde que a opinião pública brasileira descobriu a natureza das mensagens trocadas entre o então juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol ficou claro que não houve nada parecido a eleições minimamente legítimas no ano de 2018. O que vimos foi simplesmente um processo sem condição alguma de preencher critérios básicos de legitimidade. Ou seja, uma farsa, mesmo para os padrões elásticos da democracia liberal.

Como todos sabem, as mensagens demonstraram algo cuja descrição correta só pode ser uma rede de corrupção envolvendo membros do poder judiciário. Pois é corrupção do estado toda ação feita tendo em vista a distorção de procedimentos legais para benefício próprio. O sr. Moro e seus asseclas utilizaram dinheiro público como se fosse privado (no caso do pedido do sr. Dallagnol para uso de 38.000 reais da 13ª Vara para o pagamento de campanha publicitária), aproveitaram-se financeiramente da condição de servidores públicos com informações privilegiadas (ao, em meio a processo envolvendo alguns dos maiores agentes econômicos nacionais, serem pagos em palestras milionárias), tentaram tomar para si a gestão de 2,5 bilhões de reais da Petrobras por meio da criação de uma fundação privada: tudo em nome ao combate à corrupção.

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Como se isto não bastasse, o sr. Moro foi flagrado “melhorando provas”, agindo juntamente com procuradores para fazer do julgamento de um dos mais importantes casos da política brasileira uma simples encenação. Pois todos, independente de quem sejam, têm o direito a um julgamento justo e imparcial. Mas isto não aconteceu no caso que estava sob sua jurisdição.

Seus apoiadores afirmam que era necessário “quebrar as regras” para conseguir enfim combater o pior de todos os males que assola esse país desde o momento que suas terras foram invadidas por portugueses, a saber, a corrupção. No entanto, ninguém precisa acreditar nessa história cínica. Na verdade, o sr. Moro quebrou todas as regras possíveis para benefício próprio, ou seja, para prender o candidato à Presidência que impedia seu próprio projeto pessoal de se tornar presidente em 2022 [Continua]

aroeira moro dallagnol.jpg

 

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