Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

02
Mai19

MORO, DESGASTE E DESPRESTÍGIO TOTAL E IRRECUPERÁVEL

Talis Andrade

Bozo-e-Moro-2.jpg

 

por HELIO FERNANDES

 

O vice eleito, general Mourão, em uma de suas falas atribuladas e logo

comentadas, afirmou, "Moro foi convidado para ministro, ainda durante

a campanha presidencial". Rigorosamente verdadeiro, me fartei de

revelar isso. Acrescentei: "Moro foi fundamental na eleição do capitão,

excluindo Lula da campanha, com a dupla condenação".

 

Não sabendo se o capitão seria eleito, garantiu, "sou magistrado, não

quero fazer carreira política". Com o capitão obtendo o lugar no

Planalto, não resistiu, a tentação era muito grande. 2 ministérios e a

maior proximidade de se transportar também para o Planalto.Depois do

capitão era ele.

 

Mas errou, cedeu e concedeu tanto e tão subservientemente, que será um

milagre se mantiver os cargos, até que surja uma vaga no STF. Chora

por essa vaga, tem que esperar 1 ano e 9 meses. Bolsonaro, que garante

"intimidade com Deus", pede a Ele que abra a vaga antes.

 

Enquanto isso, o projeto anti-corrupção não sai do lugar na Câmara. E

a própria Câmara quer retirar o COAF da alçada do seu ministério. Moro

nem reage ou protesta, pelo menos protege e esconde, criminosos e

cúmplices, que já deveriam estar investigados e punidos.

Acontece que são mais poderosos do que ele.

 

caixa 2 moro duas caras .jpg

 

02
Mai19

LULA É LEMBRADO NO MUNDO INTEIRO NO PRIMEIRO DE MAIO

Talis Andrade

 

bolsonaro .jpeg

 

247 - Em um fenômeno internacional sem precedentes, o ex-presidente Lula, preso político há mais de um ano no Brasil, foi lembrado no mundo inteiro nas manifestações do Primeiro de Maio. Munique, Copenhage, Bruxelas, Lisboa, Estocolmo, Walvis Bay, Berlim, Genebra, Madrid, Cidade do México, Sttutgart, Paris, todas essa cidades pediram por Lula Livre com o gesto dos dedos formando a letra L protagonizando as imagens divulgadas pelas redes sociais e agências internacionais. Cartazes, faixas e e palavras de ordem mostraram que a campanha Lula Livre se integrou ao Primeiro de Maio mundial.

 

Na América Latina, Lula também foi lembrado. Em Buenos Aires, cartazes com o ícone de Lula ainda jovem foram estampados pelos argentinos. Na Guatemala, entidades populares se reuniram e pediram por Lula Livre. 

Lula também foi lembrado em Nova Iorque, com a faixa amarela Free Lula. 

No Brasil, todas as manifestações associaram Lula ao Primeiro de Maio. Em São Paulo 200 mil pessoas ovacionaram as lideranças que discursaram no Vale do Anhangabaú quando o nome de Lula foi destacado. 

 

mundo livre lula.jpeg

 

01
Mai19

1 cor e 80 tiros: Por que precisamos lembrar que vidas negras importam?

Talis Andrade

 

por SPARTAKUS SANTIAGO

Como-estou-massacrando 8o tiros.jpg

80 tiros_thiagolucas2.jpg

duke 80 tiros .jpg

80 tiros _gabrielrenner.jpg

ivan 80 tiros.jpg

Pedro Gonzaga.
Homem negro inocente asfixiado por um segurança de supermercado.


Evaldo dos Santos.
Homem negro inocente fuzilado pelo exército com 80 tiros na frente dos filhos.


Clautênis José.
Homem negro inocente assassinado pela polícia dentro de um táxi.


E a lista continua: A cada 23 minutos um jovem negro é morto nesse país, boa parte deles pelas mãos de “agentes de (in)segurança”. De forma silenciosa e quase naturalizada, um povo é exterminado sem muito alarde, como se nossas mortes fossem um preço aceitável a se pagar pra que as elites se sintam mais seguras em seus condomínios.
É como se houvesse uma escala de vidas que importassem mais e outras menos: se um médico morre na área nobre o país pára, mas se um jovem negro morre na favela é só uma nota de jornal.

 

Porque isso acontece? Porque a melanina faz com que a violência em nossos corpos seja naturalizada? Porque o mundo não lembra que vidas negras importam?

 

Primeiro é preciso entender que quanto mais escura a sua cor, mais você é visto como suspeito. A sociedade racista vê o negro como marginal e esquece que foi a maior responsável pela sua marginalização. Após produzir riquezas em séculos de escravidão, pessoas negras foram jogadas ao relento sem direito a nada. Todo o produto do seu trabalho foi para mãos brancas que vem passando esse capital produzido por nós de geração em geração.


A liberdade sem oportunidades e reparação histórica serviu apenas pra nos acorrentar à miséria. Assim somos inseridos numa sociedade capitalista onde precisamos produzir muito mas não temos o direito de consumir nada, afinal os subempregos possíveis pra quem não teve educação de qualidade exigem esforço máximo e pagam salário mínimo. E você tem duas opções: achar esse sistema justo e lutar pra crescer dentro dele, através da sonhada meritocracia, ou se rebelar e buscar dinheiro sem ser explorado.

 

O crime é algo horrível e antiético, mas é preciso se questionar onde ele começa. A sociedade que constrói o criminoso não é tão culpada quanto ele?

 

Preocupadas com aqueles que se rebelaram contra o sistema, as elites contra atacam. Criam assim uma força de segurança para proteger seu patrimônio gerado pela exploração da mão de obra negra. E pra isso prometem ao pobre que, tornando-se parte desse escalão, ele terá chances de ascender socialmente e ter uma vida digna. O negro marginalizado vê nesse emprego público o fim da sua pobreza, sem notar que ela foi gerada pelo próprio Estado que o emprega. Esse homem muitas vezes não aprendeu a ter senso crítico, afinal sua escola pública não tinha nenhuma estrutura ou ensino de qualidade. Só o que ele recebe é treinamento pra matar suspeitos que são um reflexo dele mesmo.

 

E assim é cometido o crime perfeito: cria-se um sistema de segurança onde negros matam a si mesmos enquanto a branquitude segue com as mãos limpas de sangue.

 

Pra reforçar as engrenagens desse genocídio são criados mecanismos que transformam o assassinato de pessoas negras em meros acidentes de trabalho. Os chamados “autos de resistência” foram criados para justificar qualquer morte de quem resista a uma abordagem policial, dando carta branca pra matar e fazendo com que o assassino saia impune. É um padrão comum: os agentes de segurança declaram que sofreram uma “injusta agressão” de “suspeitos” e por isso tiveram que matar em “legítima defesa”. O problema é que muitas vezes a perícia comprova que as vítimas não tinham pólvora nas mãos, não carregavam drogas ou nada que justificasse esse assassinato

 

O auto de resistência serve apenas como desculpa pra matar pobre sem ser punido, alimentando a violência policial.

 

Outro mecanismo que foi ativado por Temer em 2017 foi a transferência dos crimes militares para a Justiça Militar. Criou-se uma espécie de foro privilegiado para militares criminosos, eximindo-os de serem punidos pela Justiça comum e deixando seu julgamento na mão de seus próprios colegas.


Com tantas proteções do Estado, o agente de segurança ganha o direito de confundir bandido e inocente sem ser punido. Só o que não confundem é a cor da vítima.

 

Some tudo isso a desigualdade racial da sociedade, que historicamente faz com que o acesso a empregos privilegiados, bons salários e poder gire em torno de mãos brancas. E aí qualquer negro, policial ou não, aprende através da cultura, da história e da mídia a olhar para o branco de um local de inferioridade.

 

Aprende que não se mexe com branco porque ele pode ser filho de alguém importante, porque pode dar processo, porque pode dar merda. E aprende também com a mesma cultura a se odiar, a ver o negro como alguém feio, ruim, suspeito e sem valor. E o resultado é esse: agentes de segurança que não vêem problema em matar gente preta mas dificilmente matam um branco por engano.

 

Em meio a tanto sangue derramado é impossível não ficar indignado. Protestos online e offline são necessários para mostrar que nenhuma vida negra passará em branco, mas precisamos transformar essa indignação em ações palpáveis.


Precisamos acabar com os autos de resistência, fazer com que todos os assassinos sejam julgados na justiça comum, treinar policiais e militares pra que eles entendam que vidas negras não podem ser destruídas por descuido sem maiores consequências. Mais do que isso, precisamos entender coletivamente como sociedade que morte é o oposto de segurança: Que bandido bom não é bandido morto.


Dá pra controlar criminosos, imobilizá-los e fazê-los responder pelos seus crimes na justiça sem precisar tirar suas vidas. Afinal, é isso que acontece quando o bandido é branco e mora na Barra da Tijuca. Quando é que isso vai valer pra todos? A polícia brasileira é uma das que mais mata e também que mais morre. Precisamos parar esse ciclo vicioso. Violência gera violência, e independente de etnia ou posição política, todos concordamos que precisamos de paz.

 

Milicos-Assassinos tiros.jpg

80 tiros _zedassilva.jpg

 

Pág. 20/20

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub