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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

31
Dez18

2019: entre o Tiririca e o “prendo e arrebento”

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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Começa amanhã um novo governo, em relação ao qual o eventual otimismo de parte da população tem duas vertentes.

A primeira, depois de Michel Temer, é a “Tiririca”: pior do que está, não fica.

Como, porém, o slogan do dito cujo foi criado em 2010, é evidente que sim, fica.

Quando o ano que se encerra começava também eram grandes as expectativas de melhoria. O PIB subiria 2,7% e, afinal, ficará na metade disso. Os relativos sucessos na inflação baixa e nos juros que, com isso, ficam baixos também, foram, nas palavras do competente analista de economia José Paulo Kupfer, ancorados pela demanda comprimida pelo “desemprego, subutilização de mão de obra e informalidade crescente “.

Não se vê nada para sugerir aumento de renda e emprego, ao contrário.

No resto, sabe-se muito sobre o que vão fazer, mas as desonerações fiscais que se anunciam costumam ir parar no bolso nos empresários, não nos preços ao povo e em investimento nas fábricas. Foi o caminho, aliás, ruinoso do segundo mandato Dilma.

Se ocorrer como nos cortes de impostos de Trump, como mostram os números, o grosso do dinheiro que deixará de ser recolhido irá para o jogo financeiro das empresas (recompra de dívidas e de ações) e para os segmentos mais ricos da população.

Como isso não gera consumo e impostos senão marginalmente, o resultado é maior dificuldade de lidar com o defict público e, portanto, menor disponibilidade de recursos para serviços à população. De novo, nos EUA, o ano fiscal de 2018 encerrou-se (lá, no final de setembro) com um deficit orçamentário de 3,9% do PIB, ante 3,5% no ano fiscal de 2017.

Diverge-se em que velocidade e em que profundidade, mas os analistas econômicos têm quase como uma unanimidade em esperar uma crise econômica severa em 2019. A implementação de decisões econômicas postergadas pela mudança de governo e acomodações na máquina fiscal podem até levar a bons resultados iniciais, mas não têm fôlego para substituir um projeto econômico que, até agora, não deu as caras.

A segunda fonte do otimismo de parte do eleitorado pode ter, com o sinal contrário, o famoso “Eu prendo e arrebento” com que o general João Figueiredo disse fazer àqueles que não queriam a abertura política iniciada por Ernesto Geisel. Agora, porém, o “prendo e arrebento” ganhou tons de “fechadura”: supressão de liberdade e perseguição policial-judicial sobre todos os que alguém se interessar em apontar como “corruptos”, mereçam ou não as aspas.

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Só que há pouco ou nada previsível de bom se prenuncia naquilo que alimenta o sentimento punitivista, insuflado pela mídia: a falência dos serviços públicos, a ruína das administrações estaduais, a violência generalizada não dão sinais de mudança. E estas batatas, muito quentes, agora cabem ao vencedor das eleições.

Agora some a estes dados objetivos da realidade os subjetivos – e imponderáveis – que vêm do fato de que o poder vai ser ocupado, nas áreas que não coube aos militares, por gente com pouca experiência e muito apetite, nenhum espírito público e toda a arrogância.

Sob a batuta de um regente que, ao contrário de sugerir um tom grave e pausado, segue açulando sua turma como fez hoje, culpando “o marxismo” pelas deficiências da educação brasileira. É claro que coisas assim só vão gerar conflitos, com a turma de oportunistas de dedo duro querendo usa-los para subir nas estruturas do serviço público.

2019 será, para o Brasil, um ano terrível. Mas não fatal, porque este país é imensamente maior que as mentes miúdas e mesquinhas que amanhã se entronizam no poder, que têm tudo para superar, em pequenez, a corja que subiu com o golpe de 2016.

Ter dúvidas de que se está implantando um governo obscurantista, autoritário, com estruturas crescentemente fascistas e de aniquilamento do pouco que temos de estado social e de soberania é o pior que nos pode esperar em 2019.

Se não as tivermos, sobreviveremos.

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31
Dez18

Psicopatas de colarinho branco

Talis Andrade

1% da população é classificada como psicopata: não sente empatia nem culpa. Esse percentual sobe para 4% entre executivos, políticos e pessoas que ocupam cargos de alta responsabilidade

 

por Lola Morón

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Ilustração  Mikel  Jaso

Se pensarmos em um psicopata, a imagem de um assassino em série nos vem à cabeça. No entanto, há muito mais psicopatas do que assassinos em série. Sujeitos maquiavélicos no sentido estrito. A frase “Os fins justificam os meios” é atribuída a Maquiavel. Além de escritor, o autor de O Príncipe foi filósofo e diplomata. Estava situado na primeira linha das altas esferas, onde se travavam batalhas políticas sem quartel, nas quais se decidia quem ocuparia o trono ou quem usaria o Anel do Pescador. Maquiavel foi um grande observador daqueles que moviam as cordas do mundo, mas que raramente manchavam as mãos de sangue.

 

É fácil falar de maldade e psicopatia quando nos referimos a personagens situados no limite da sociedade: o assassino de crianças indefesas, o alto executivo que enche os bolsos à custa de pessoas que trabalham em condições subumanas em fábricas a 10.000 quilômetros de distância ou o político que encontra armas de destruição em massa onde basicamente há petróleo. Esses psicopatas são muito evidentes, embora apenas o primeiro suje as mãos. Os outros dois são frequentemente admirados, pertencem a esferas socioeconômicas de difícil acesso e só ocasionalmente o opróbrio os persegue.

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Fora desse limite social, ninguém é mau em termos absolutos. 1% da população é classificada como psicopata. São sujeitos insensíveis, egoístas, despreocupados com o bem-estar dos outros, que não sentem empatia nem culpa. Essa porcentagem parece subir a 4% em executivos, políticos ou pessoas que ocupam cargos de alta responsabilidade.

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Se todas as coisas ruins que acontecem no mundo todos os dias se devessem a esses poucos psicopatas que são capazes de cometer as piores tropelias, a vida seria mais fácil. O problema é que a grande maioria de nós é capaz de mostrar essa falta de empatia e essa maldade, talvez em menor grau ou com menos frequência do que eles. A realidade é que nem todas as coisas ruins são feitas por psicopatas e nem tudo que os psicopatas fazem é ruim.

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Quando se fala de maldade não se fala de pessoas nem de grupos de indivíduos, de profissões, de posições sociais, de doentes mentais; assim como não se fala de raça, sexo ou orientação sexual. A maldade é a consequência de um ato. É derivada de um comportamento ou um pensamento compartilhado – e, portanto, um comportamento. Um pensamento íntimo não se torna malvado se não for executado. A maldade é uma decisão tomada em um momento e em uma circunstância. Não podemos saber o que cada um de nós faria em uma situação teórica. Podemos suspeitar do que faríamos com base na situação em que estamos no momento em que nos fazem a pergunta, mas será apenas uma aproximação. Somente a pessoa que fez o que fez sabe por que o fez e sob quais circunstâncias. Não há determinismo. Custa menos ao psicopata do que ao resto das pessoas fazer o mal, mas a personalidade é apenas mais um fator no contexto.

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31
Dez18

Governo Bolsonaro será sombrio, ultraconservador e imprevisível, dizem jornais franceses Por RFI

Talis Andrade

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RFI - A imprensa francesa destaca as mudanças radicais no horizonte do Brasil a partir desta terça-feira (1), com a posse de Jair Bolsonaro na presidência da República. A guinada ultraconservadora do país é manchete de capa do jornal católico La Croix. Os diários Libération e Les Echos também avaliam a posse de Bolsonaro como um risco "imprevisível" para o Brasil.

Bolsonaro representa uma revolução e preocupa por vários motivos, entre eles as declarações belicosas que tem feito contra a esquerda e o conservadorismo que pretende impor em todos os setores, diz La Croix. Avaliando as propostas de Bolsonaro em várias áreas, o jornal católico mostra que a economia será submetida a um choque liberal, a diplomacia mudará radicalmente para privilegiar o protecionismo e não mais o multilateralismo. No meio ambiente, a ordem será "explorar ao invés de proteger", enquanto o projeto de Bolsonaro para a educação é lutar contra um pretenso marxismo cultural, que teria sido criado para endoutrinar as crianças e jovens brasileiros, uma visão repetida à exaustão durante a campanha.

A liberação do porte de armas inquieta particularmente a publicação defensora de valores cristãos, num país onde os índices de violência são elevadíssimos. Diante de uma possível deriva autoritária, representada pela garantia de impunidade aos policiais, La Croix pondera que parte dessas medidas podem ser barradas pelo Judiciário. "Junto com Bolsonaro quem sobre ao poder no Brasil são os evangélicos pentecostais e seus 80 deputados eleitos", destaca a reportagem, um apoio que foi fundamental para a eleição do ex-militar. Os evangélicos estão na confortável posição de credores de medidas ultraconservadoras que devem ser tomadas pelo novo governo.

"Chanceler delirante"

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"Chegamos ao dia dessa posse sombria", anuncia o jornal progressista Libération. "O nostálgico da ditadura assume a presidência do maior país da América Latina, com um governo formado por sete militares, um adepto das teorias do complô [em referência ao chanceler Ernesto Araújo], uma pastora evangélica antiaborto, encarregada dos direitos das mulheres [a advogada Damares Alves], e o juiz Moro, que colocou Lula na prisão", resume Libération.

Quatro ministros recebem perfis do diário: Paulo Guedes, chamado de "czar", em função dos superpoderes que terá na área econômica; Sérgio Moro, apresentado como "o senhor limpeza", que "extrapolou limites da legalidade" à frente da Lava Jato"; Ernesto Araújo, o "iluminado", um chanceler "inexperiente e de ideias delirantes"; e o general Hamilton Mourão, "a voz da razão", que repreende Bolsonaro publicamente quando ele sugere se livrar da China ou transferir a embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém.

Les Echos relata que Bolsonaro multiplicou nos últimos dias anúncios radicais. Ele deu instruções precisas para seus 22 ministros, relata o diário. Mas a posse contará com a presença de apenas 12 chefes de Estado e de governo, a maioria conservadores. "A França não envia nenhum representante", destaca o maior jornal econômico francês. Aliás, os países da União Europeia estarão pouco representados em Brasília, assinala Les Echos.

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31
Dez18

Governo Bolsonaro será sombrio, ultraconservador e imprevisível, dizem jornais franceses

Talis Andrade

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RFI - A imprensa francesa destaca as mudanças radicais no horizonte do Brasil a partir desta terça-feira (1), com a posse de Jair Bolsonaro na presidência da República. A guinada ultraconservadora do país é manchete de capa do jornal católico La Croix. Os diários Libération e Les Echos também avaliam a posse de Bolsonaro como um risco "imprevisível" para o Brasil.

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Bolsonaro representa uma revolução e preocupa por vários motivos, entre eles as declarações belicosas que tem feito contra a esquerda e o conservadorismo que pretende impor em todos os setores, diz La Croix. Avaliando as propostas de Bolsonaro em várias áreas, o jornal católico mostra que a economia será submetida a um choque liberal, a diplomacia mudará radicalmente para privilegiar o protecionismo e não mais o multilateralismo. No meio ambiente, a ordem será "explorar ao invés de proteger", enquanto o projeto de Bolsonaro para a educação é lutar contra um pretenso marxismo cultural, que teria sido criado para endoutrinar as crianças e jovens brasileiros, uma visão repetida à exaustão durante a campanha.

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A liberação do porte de armas inquieta particularmente a publicação defensora de valores cristãos, num país onde os índices de violência são elevadíssimos. Diante de uma possível deriva autoritária, representada pela garantia de impunidade aos policiais, La Croix pondera que parte dessas medidas podem ser barradas pelo Judiciário. "Junto com Bolsonaro quem sobre ao poder no Brasil são os evangélicos pentecostais e seus 80 deputados eleitos", destaca a reportagem, um apoio que foi fundamental para a eleição do ex-militar. Os evangélicos estão na confortável posição de credores de medidas ultraconservadoras que devem ser tomadas pelo novo governo.

"Chanceler delirante"

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"Chegamos ao dia dessa posse sombria", anuncia o jornal progressista Libération. "O nostálgico da ditadura assume a presidência do maior país da América Latina, com um governo formado por sete militares, um adepto das teorias do complô [em referência ao chanceler Ernesto Araújo], uma pastora evangélica antiaborto, encarregada dos direitos das mulheres [a advogada Damares Alves], e o juiz Moro, que colocou Lula na prisão", resume Libération.

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Quatro ministros recebem perfis do diário: Paulo Guedes, chamado de "czar", em função dos superpoderes que terá na área econômica; Sérgio Moro, apresentado como "o senhor limpeza", que "extrapolou limites da legalidade" à frente da Lava Jato"; Ernesto Araújo, o "iluminado", um chanceler "inexperiente e de ideias delirantes"; e o general Hamilton Mourão, "a voz da razão", que repreende Bolsonaro publicamente quando ele sugere se livrar da China ou transferir a embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém.

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Les Echos relata que Bolsonaro multiplicou nos últimos dias anúncios radicais. Ele deu instruções precisas para seus 22 ministros, relata o diário. Mas a posse contará com a presença de apenas 12 chefes de Estado e de governo, a maioria conservadores. "A França não envia nenhum representante", destaca o maior jornal econômico francês. Aliás, os países da União Europeia estarão pouco representados em Brasília, assinala Les Echos.

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31
Dez18

Bailarina de favela do Rio brilha no palco em Berlim

Talis Andrade

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A bailarina Debora Goulart tinha 14 anos quando foi descoberta, numa favela carioca, por um professor de balé alemão. Aos 22, ela hoje faz parte do corpo de baile do Friedrichstadt Palast – um dos teatros mais tradicionais de Berlim.

por Cristiane Ramalho, RFI 

O salto aconteceu num lance de sorte. Debora já fazia dança desde os oito anos de idade no projeto “Dançando para Não Dançar”, no morro do Cantagalo, onde morava, em Ipanema, quando foi convidada pelo diretor de uma escola estadual de balé de Berlim – a Staatliche Ballettschule - para estudar na Alemanha.

O diretor da escola, Ralf Stabel, que visitava a favela para ver uma apresentação do projeto, ficou encantado com Debora. “Eu só dancei em grupo, para dar as boas-vindas. Quem deveria ter sido escolhida era uma outra menina, mais experiente”, lembra a carioca, que logo provaria que além de sorte, tinha mesmo talento.

Para se preparar para Berlim, Debora teve que disputar uma vaga na prestigiada Escola de Balé Maria Oleneva, do Teatro Municipal. E conseguiu. “Eram 50 meninas concorrendo, e fui uma das três aprovadas na prova. Foi importante para poder treinar e fortalecer a minha técnica”, conta.

Um ano depois, já estava de mudança para Berlim. Um começo difícil. Além de estudar balé, Debora teve que aprender todas as matérias do curso secundário alemão. Um desafio gigantesco. “Eu tinha que estudar tudo: alemão, inglês, matemática, geografia... Aprendi na marra mesmo”, lembra.

Debora também deu um jeito de estudar sozinha e fazer a prova para ter direito ao diploma do ensino médio brasileiro. “Até hoje não sei como consegui me organizar. Mas graças a Deus deu tudo certo”, conta a bailarina.

Racismo na escola

Negra, com um metro e setenta e oito de altura, e aluna aplicada, Debora chamava a atenção na escola. Tinha várias amigas, mas acabou sofrendo com o racismo de uma colega alemã.   

“Quando a gente chegou na escola de balé – eu e uma amiga minha – uma menina disse que não queria fazer aula com a gente na mesma turma porque éramos negras, e ela não gostava de negros”. Por sorte, foram defendidas pelas demais colegas. “A turma foi super legal com a gente, todas as meninas ficaram contra ela”.

Não foram poucos os momentos em que Debora pensou em desistir de tudo e voltar para o Brasil. “No começo, eu não conseguia me comunicar. Não falava alemão, não falava inglês, era super frio. Às quatro horas da tarde já estava escuro.”

Para uma adolescente acostumada com o calor e a informalidade carioca, foi uma mudança brutal. “Na comunidade você sai na rua e fala com todo mundo. Não gostava de estar aqui”, admite.

Jovens engravidando

Hoje, ela está mais do que adaptada. Mas o Brasil continua a ser uma referência forte na vida da carioca, que costuma visitar a família uma vez por ano. Da última viagem, Debora trouxe uma tristeza: constatar o impacto da crise sobre projetos como o ‘Dançando pra não Dançar’ e o Criança Esperança, que segundo ela, estão praticamente sem patrocínio.

“Esses projetos eram uma possibilidade para os jovens de ocupar o tempo livre. Com os pais trabalhando, eles ficam sozinhos, sem controle. É muito fácil para as meninas acabar engravidando cedo, ou os meninos entrarem pro tráfico. E é exatamente isso que está acontecendo agora”, lamenta a bailarina.

Sem falar no próprio Teatro Municipal. “É uma pena. Um teatro lindo, com bailarinos super talentosos que não têm mais dinheiro para pagar o aluguel, nem a comida. É triste demais a gente ver a nossa arte tão desvalorizada.”

Rotina puxada

Debora reconhece que só continuou no balé por insistência da mãe, que a estimulou a não desistir do projeto. “Eu me achava muito grande, diferente das outras meninas. Tinha vergonha. Elas eram pequenas – apesar de termos a mesma idade. Foi minha mãe que me incentivou. Hoje eu entendo o motivo”.

No teatro, a rotina exige muita disciplina. Mas Debora adora o que faz: “A gente tem ensaios de manhã e apresentações à noite. Mas ver o público aplaudindo no final do espetáculo faz parte do salário. A gente se sente super realizado”.

Depois de quase sete anos em Berlim, a carioca pensa agora em investir também na carreira de modelo. Além de fotografar para agências alemãs, ela acaba de gravar uma participação no famoso programa Germany’s Next Topmodel, pilotado por Heidi Klum, que vai ao ar a partir de fevereiro.

 

30
Dez18

Michel articula até o último minuto para salvar a pele

Talis Andrade

Temer recebe Bolsonaro no Planalto

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por Helena Chagas

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Michel, que vem conduzindo uma transição civilizada e até fidalga de governo para Jair Bolsonaro com o objetivo de manter boas relações com o futuro poder, já perdeu o medo de sair diretamente da rampa do Planalto para um camburão.

Ao que parece, estão sendo bem sucedidas as articulações que o presidente da República vem fazendo enquanto ainda está no cargo. O que se diz no establishment político-judicial é que são bastante remotas as chances de ele vir a ser preso no curto prazo. Depois, tem o tempo dos processos, as idas e vindas judiciais, a idade, etc.

Ainda que, do outro lado, no Brasil real, um monte de gente sem-indulto vá continuar trancafiada neste fim de ano. Leia mais 

 

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30
Dez18

Prisão de herói do Bope confirma: atrás de todo grande traficante, tem um homem de farda. Por Joaquim de Carvalho

Talis Andrade

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por Joaquim de Carvalho

Um dos heróis da Polícia Militar do Acre foi preso sob acusação de trabalhar para o Comando Vermelho, na proteção à distribuição de droga.

É o tenente Josemar Barbosa de Farias, o segundo na hierarquia do Batalhão de Operações Especiais, o Bope. É uma versão acreana do “Capitão Nascimento”, o da fictícia Tropa de Elite.

Era frequente a presença dele em programas de televisão, para ser entrevistado sobre prisões e apreensões de droga.

Era o “homem da lei”, “policial exemplar”, garantidor da ordem em Rio Branco.

O que as pessoas em geral não sabiam é que a drogada que ele apreendia e os traficantes que encarcerava ou matava eram rivais do homem que controla a venda de drogas no Estado.

Segundo reportagem de Marcos Venicios, publicada no AC 24 horas, escutas telefônicas, autorizadas pela Justiça no âmbito da Operação Sicário, mostram que ele recebia ordem do traficante Agilberto Soares de Lima, o Jiquitaia, que estaria ligado ao Comando Vermelho no controle da venda de drogas.

No despacho que autorizou a operação, os juízes Raimundo Nonato da Costa Maia, Maria Rosinete dos Reis Silva e Guilherme Aparecido do Nascimento Fraga registraram:

“De acordo com o apurado pelas autoridades, em inúmeros diálogos restou demonstrado que o Tenente Farias se utilizava do poder que a farda lhe proporcionava para usar veículos e valores pertencentes ao ‘erário’ com a finalidade de atender aos interesses do Comando Vermelho, fosse mandando viaturas para evitar ataques do Bonde dos 13 ou para auxiliar em situações cuja busca de informações interessava às atividades do Comando Vermelho.”

Em outro trecho, destacam:

“Até valores para abastecer veículos usados por outros membros do CV teriam sido arrecadados das quantias disponibilizadas pelo BOPE para abastecer as viaturas policiais.”

Farias foi preso, juntamente com o traficante, mas o caso está longe de significar algo isolado, numa região distante dos grandes centros, como Rio de Janeiro ou São Paulo.

Quando eu era repórter da Globo, um experiente policial, incomodado com a morte de um colega, que teve overdose no banheiro do Denarc (Departamento de Narcóticos) depois de cheirar uma grande quantia de cocaína apreendida, me procurou para contar sobre a ligação de policiais civis com o tráfico de drogas no Estado.

“Os policiais sabem quem são os grandes traficantes e dão proteção a eles, quando não participam diretamente do tráfico. Quando ocorre uma grande apreensão, é de quadrilha rival, tentando entrar no mercado”, disse.

Na época, inicio do primeiro mandato de Geraldo Alckmin, o delegado titular de uma das divisões do Departamento se mantinha no cargo apadrinhado por deputados estaduais.

“Ele paga uma caixinha semanal para se manter no posto. Se não pagar, é removido. Os postos mais importantes da Polícia Civil são ocupados por delegados que pagam a seus padrinhos políticos”, disse.

O informante chegou a me dar o endereço onde drogas apreendidas eram reempacotadas, com metade de seu grau de pureza.

Os policiais apreendiam pasta pura de quadrilhas rivais dos controladores do tráfico, levavam para uma casa, na Vila Carioca, em São Paulo, e ali misturavam a droga a talco, farinha de trigo, polvilho ou outra coisa mais barata.

Só depois de misturada é que a droga era apresentada. Se tivessem sido apreendidos 100 quilos, eram apresentados 100 quilos, só que num grau de pureza menor.

A pureza, entretanto, não é aferida na perícia técnica, apenas se o material apreendido estava enquadrado na relação de drogas ilícitas.

“Tem muito policial ganhando muito dinheiro”, alertou ele. “Os políticos também ganham, para manter o delegado no posto”, acrescentou.

Quando fui ao endereço fornecido por ele, estava vazio. “Eles ficam pouco tempo em cada lugar”, disse. Pouco tempo, deixei a Globo e a pauta ficou na gaveta, mas o relato dele nunca deixou de me instigar.

Hoje, quando li na página do jornalista Altino Machado a notícia do envolvimento do herói do Bope com o tráfico, lembrei da história.

O tenente Farias não é um ponto fora curva. Ele é quase uma regra, e isso explica por que o crime organizado é tão próspero no Brasil.

Não adianta encher as ruas de militares. Para combater o crime, é preciso de inteligência policial, coragem e independência.

Se se investigar de verdade, se verá que, por trás de todo traficante, tem uma viatura policial, seja militar ou civil.

Essas intervenções militares, como a que houve no Rio de Janeiro, são apenas espetáculos ou instrumentos para amedrontar pobres e pretos.

 

30
Dez18

Documentário “A Facada no Mito” é impressionante e exige resposta da PF

Talis Andrade

Ao terminar de assistir “A Facada no Mito” quero dizer que ficou abalada a minha convicção inicial de que era impossível o atentado a Bolsonaro ter sido uma armação

 

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por Renato Rovai

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A partir de uma matéria originalmente publicada na Rede Brasil Atual cai no canal do YouTube “True or Not” que foi criado apenas para divulgar o documentário anônimo “A Facada no Mito”. A primeira impressão é de que assistiria a um vídeo amador mal feito e que não mereceria qualquer credibilidade. Vamos dizer que há meia verdade na minha primeira impressão.

O documentário é de fato amador, provavelmente feito por pessoas sem formação em audiovisual ou jornalismo. Não é narrado. É baseado em imagens do dia do atentado a Bolsonaro, acompanhado de música e textos que questionam o que de fato aconteceu.

A questão é que mesmo sendo totalmente amador, o vídeo conduz quem assiste a uma série de dúvidas sobre o tal atentado e merece ser tratado como um novo objeto nas investigações acerca do que ocorreu naquele 6 de setembro.

Sua tese central é de que o atentado foi uma grande armação. Muita gente já achava isso naqueles dias. E o jornalista que escreve nunca deu bola para essa suspeita, entre outras coisas, porque fabricar um atentado envolvendo hospitais não me parece algo possível.

Ainda acho a hipótese muito improvável, mas ao terminar de assistir “A Facada no Mito” quero dizer que minha convicção inicial ficou abalada. E que a partir de agora considero importante que a sociedade tenha respondida uma série de questões realizadas pelo documentário.

Porque entre outras coisas, o vídeo mostra cenas de uma primeira tentativa de ataque de Adélio Bispo que teria sido assistida por vários dos seguranças de Bolsonaro. E que teria ocorrido após uma contagem regressiva de um deles com os dedos de uma das mãos que começa cheia, com cinco dedos e vai diminuindo um a um até chegar no zero. Momento em que Adélio parte para o ataque.

Essas pessoas que estão o tempo todo próximas a Adélio são marcadas em atos suspeitos no vídeo e parecem de fato terem agido em conjunto com ele. No momento da segunda tentativa de agressão, que foi a que teria ferido Bolsonaro, são elas que prendem Adélio e a protegem de ser agredido e morto ali no local da ação.

Além de mostrar um a um esses supostos envolvidos, o vídeo também aponta contradições em relação ao ferimento e à faca que foi apontada como a usada. E defende a tese de que o instrumento utilizado não seria o apresentado, mas sim um “folding Knife”, uma faca dobrável. E que por isso não há sangue no ferimento, já que a facada não teria ocorrido.

Os argumentos e as cenas apresentadas por incrível que possa parecer fazem muito sentido. Mas não explicam algo fundamental, se o evento foi produzido com tanta gente envolvida por que até agora a armação não veio à tona?

De qualquer maneira, há uma outra questão que o documentário chama atenção e que não havia sido tratada com importância devida.

No dia do atentado um fotógrafo do jornal Tribuna de Juiz de Fora, Felipe Couri, estava produzindo imagens. No exato momento em que Bolsonaro é atacado ele teve sua atenção desviada e não conseguiu fazer a foto que provavelmente o levaria a ganhar prêmios de jornalismo, mas mesmo assim foi retirado do local por um segurança de Bolsonaro de forma agressiva.

O jornal Tribuna de Juiz de Fora registrou o fato da seguinte forma:

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É imprescindível que a Polícia Federal responda as questões apresentadas no vídeo. E que as pessoas citadas como parte da ação de Adélio Bispo venham a público dizer o que ocorreu naqueles minutos entre o primeiro ataque, o segundo ataque e a prisão do esfaqueador.

Sem essas respostas, o atentado a Bolsonaro entra para o rol daqueles eventos em que a gente nunca sabe direito se ocorreu da forma como se diz.

 

 

28
Dez18

Flávio Bolsonaro diz que não sabia que seu funcionário era fantasma e morava em Portugal

Talis Andrade

funcionário turista bolsonaro.jpg“Ele está em Portugal, tem uns dois anos ou mais, 2015 por aí", disse o porteiro do edifício

 

O tenente-coronel da Polícia Militar do Rio, Wellington Servulo Romano da Silva, um dos funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro que fez depósitos na conta do motorista Fabrício Queiroz, passou 248 dias fora do Brasil durante o período de um ano e quatro meses em que estava formalmente lotado no gabinete. Neste tempo, em que estava morando em Portugal, ele recebeu todos os salários e gratificações. De acordo com a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Servulo Romano da Silva nunca tirou licença no período em que trabalhou na Casa.

O deputado disse que não sabia que seu funcionário, que depositava dinheiro na conta de Fabrício Queiroz, morava em Portugal.

Fabrício de Queiroz, ex-motorista de Flávio que, segundo relatório do Coaf, teve movimentação atípica de R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, recebia depósitos de nove funcionários do gabinete e, em seguida, sacava o dinheiro em espécie. Entre as operações de Queiroz estão depósitos na conta de Michelle Bolsonaro no valor total de R$ 24 mil. Saiba mais: (https://horadopovo.org.br/queiroz-recolhia-de-9-e-depositava-para-a-esposa-de-bolsonaro/ ).

 

Todos esses movimentos financeiros eram sincronizados e coincidiam com as datas de pagamento dos salários da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro

 

Entre os depositantes na conta de Fabrício Queiroz está Wellington Servulo. Leia mais: ( https://horadopovo.org.br/movimentacoes-de-queiroz-eram-precedidas-de-depositos-de-funcionarios/ ).

A senhora Nanci Silva, mãe de Wellington Servulo, admitiu à imprensa que seu filho era, na verdade, um funcionário fantasma da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Ele esteve lotado, primeiro na vice-liderança do PP, partido do deputado Flávio Bolsonaro à época, e depois no gabinete do próprio deputado, mas morava em Portugal. Ela disse que o filho havia se mudado para Portugal “há aproximadamente dois anos, depois que a nora foi vítima de um sequestro”. O apartamento onde Wellington morava no Rio de Janeiro, também está vazio há cerca de dois anos.

Outra testemunha que também comprova que o funcionário do gabinete de Flávio Bolsonaro estava morando no exterior mas continuava recebendo pelo gabinete, é o porteiro do prédio onde ele morava. “Ele está em Portugal, tem uns dois anos ou mais, 2015 por aí. A família está toda lá, resolveram se mudar para lá”, disse o porteiro do edifício. Wellington foi nomeado em maio de 2015 para trabalhar como assessor de Flávio Bolsonaro.

Enquanto estava fora do Brasil, Wellington foi dispensado do trabalho na vice-liderança do PP. Nos registros da Alerj ele não aparece na lista de pagamentos nos meses de abril e maio de 2016. Mas, ele não foi demitido. Ele foi apenas remanejado. Em 18 de maio, Wellington foi nomeado para trabalhar diretamente no gabinete do deputado Flávio Bolsonaro. Dois dias depois, embarcou no voo TAP 0070, das 22h45, com destino a Lisboa, para mais 15 dias no exterior. Em 15 de julho, Wellington viajou de novo: 45 dias longe do Brasil e do trabalho. Os salários continuaram a ser pagos.

As irregularidades foram encontradas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O órgão detectou movimentação financeira suspeita nas contas de 75 servidores e ex-servidores de deputados estaduais do Rio de Janeiro. Entre eles, Fabrício Queiroz, um ex-assessor do deputado e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Queiroz recebia depósitos de nove funcionários do gabinete e em seguida fazia saques em espécie. A movimentação financeira atípica em suas contas bancárias somaram R$ 1,2 milhão, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Agora, surge o nome de Wellington Servulo, que também fez depósitos na conta de Queiroz, e que recebia mesmo morando foram do país.

Explicações dos envolvidos, Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro

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“Abordam a movimentação na conta de meu ex-assessor, como se ele tivesse recebido R$ 1,2 milhões, quando na verdade foram R$ 600 mil que entraram mais R$ 600 mil que saíram de sua conta”, disse Flávio Bolsonaro. Vendo que o argumento não colou, ele acrescentou: “ainda assim um valor alto e que deve ser esclarecido por ele, que tomou a decisão de não falar com a imprensa e somente falar ao Ministério Público. Isso é ruim pra mim, mas não tenho como obrigá-lo”.

Jair Bolsonaro (PSL) falou nesta quarta-feira, 12, sobre o caso de Fabrício José Carlos de Queiroz que teve 1,2 milhão de reais em transações financeiras apontadas como suspeitas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Ele disse que o problema dói.

O “problema” “dói no coração”, mas que cabe a Queiroz dar explicações à Justiça, a partir da próxima semana. “Se algo estiver errado, que seja comigo, com meu filho ou com Queiroz, que paguemos a conta deste erro, que não podemos comungar com erro de ninguém”, declarou o presidente eleito. “Dói no coração da gente? Dói, porque o que nós temos de mais firme é o combate à corrupção”, acrescentou. Com essa conversa toda, o leitor deve estar pensando: “firme no combate à corrupção, pero no mucho”.

“O que a gente mais quer é que seja esclarecido o mais rápido possível, sejam apuradas as responsabilidades, se é minha, do meu filho se é do Queiroz, ou de ninguém, porque, afinal de contas, o Queiroz não estava sendo investigado, foi um vazamento que houve ali. Não sou contra vazamento, não, tem que vazar tudo mesmo, nem devia ter nada reservado, botar tudo pra fora e chegar à conclusão”, disse ele, nitidamente incomodado com o “vazamento” das falcatruas envolvendo o gabinete do filho as contas de sua mulher.

 

 

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