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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

30
Nov18

ANGOLA O Semba como ferramenta de libertação

Talis Andrade

semba.jpegFernando Carlos encenou em livro os acordes histórico-políticos de “Ritmos da Luta – o Semba como ferramenta de Libertação”. Tal como o romance histórico, o drama histórico reinventa o passado e ressuscita os actores reais do tempo marcado para durar, actores de uma cena imortal, tais como Liceu Vieira Dias, Amadeu Amorim, Zé Maria, Euclides Fontes Pereira, Nino Ndongo, Mário Pinto de Andrade, Lourdes Van-Dúnem, Belita Palma, Maria do Carmo Medinae muitos outros.Esta obra do género dramático glorifica o Conjunto Ngola Ritmos e foi publicada no Camões-Centro Cultural Português, no passado dia 13 de Novembro.


Em declarações ao jornal O PAÍS, o autor da obra referiu que se trata de uma obra que surge para homenagear os nacionalistas que estiveram envolvidos na luta anti-colonial de libertação, que veio a culminar com a independência a 11 de Novembro de 1975. O historial sobre as causas que levaram a que se formasse o conjunto, a introdução do violão na música nacional, com o dedilhar do “maestro” Liceu Vieira Dias, no estilo que veio a designar-se “Semba” estão na base desta obra, com 84 páginas.Fernando Carlos contou que sentiu-se motivado em retratar o historial, por se ter “apaixonado” pela causa que estes nacionalistas abraçaram. “Eles eram assimilados, ainda assim não se acomodaram com a posição que tinham e lutaram a favor dos indígenas”, apontou. “Liceu, enquanto líder do agrupamento transmitia estrategicamente mensagens de libertação através da música. Como lhe era permitido cantar, o ritmo surge precisamente para não dar a entender os códigos que passam, e ainda em língua Kimbundu”.


O livro começou a ser esboçado em 2015 e só agora ficou concluído. O autor disse ter enfrentado algumas dificuldades, sobretudo no acesso às fontes e fidelização das datas por cada período, bem como a limitação de conteúdos a respeito do percurso destes camaradas da clandestinidade. Entretanto, foi possível serem ultrapassadas à medida que pôde colher depoimentos do nacionalista Amadeu Amorim, único sobrevivente do conjunto Ngola Ritmos, e de Ruy Mingas, sobrinho de Liceu Vieira Dias.


Qualquer narrativa ou drama histórico, mesmo Mayombe, de Pepetela, é um eco do nosso tempo, aportam para a nossa era, o verdadeiro sentido do humanismo que os poderes políticos lenta e penosamente vão cedendo à sociedade.


A abrir o livro, na cena I, lemos este diálogo entre Mário Pinto de Andrade e Liceu Vieira Dias que levanta o problema maior da africanidade contemporânea: a libertação da alma do homem:

 

“Mário – Só se for agora mesmo e de pé. Tenho de me apressar, vou à Marginal de Luanda fotografar o sol a espreguiçar-se, depois o mar a assobiar o nosso Semba e os barcos que nele bailam, trazendo e levando vidas, o cais de sorrisos e choros, os que partem desejando ficar e os que ficam desejando partir.


Fotografar tudo com este meu terceiro olho e guardar na minha memória externa. O café aguça-me a inspiração. Vou começar contigo (tira uma fotografia a Liceu). Um dia, esta foto vai parar ao Jornal de Angola, algo que tenho sonhado e vislumbrado no dia-a-dia de um país livre.


Liceu (a dar-lhe palmadas suaves nos ombros) – Este teu jeito ninguém iguala, tudo te sabe a poema!

Mário – A minha alma adora e tudo faço por ela. Quem somos sem a alma?


Liceu – Somos colonos.


Mário (aponta no bloco) – Tem piada. Um homem sem alma é colono. O Jacinto vai-se babar a rir quando ouvir isto.”

 

Mitografia do prefácio

 

Está de parabéns a editora Asas de Papel, recém constituída para competir no mercado editorial angolano. Só um reparo: é urgente ultrapassar a mitografia do prefácio. O leitor busca, num livro, em primeira mão, o discurso do seu autor, não o do autor do prefácio. Em Ritmos da Luta, o prefácio de Kizua Gourgel só veio destoar o conteúdo da peça e deitar cá para fora uma incongruência de todo o tamanho ao colocar no mesmo diapasão musical o Ngola Ritmos e Eduardo Paim e O2. Entre o Ngola Ritmos e estes dois grupos da nova geração não existe nenhuma solução de continuidade.


De igual modo dizer que “já existe uma nova vaga musical denominada por alguns de NMA (nova música angolana), também ela baseada no resgate e no aprimoramento das linhas harmónicas e rítmicas nascidas dos Ngola Ritmos. Vários nomes sonantes, apesar de jovens, têm assumido esta linguagem musical como a «bossa nova» de Angola.” Dizer isto é demonstrar um desconhecimento da alma da música angolana. Pois, se Beto Gourgel deu ao filho o nome de Kizua (kimbundu) é precisamente para honrar a luta do Ngola Ritmos pela identidade cultural angolana. “Bossa Nova” é brasileiro. Não tem nada a ver com o Semba. Melhor faria o editor em remover da obra o prefácio e em colocar na capa o nome do seu autor. Que contribuição deu, afinal, o prefaciador, para esta obra?

 

 

 

 

30
Nov18

Dos navios negreiros aos “navios prisões”

Talis Andrade

RioCristointervencao.jpg

 

Por Mariana Pitasse, no jornal Brasil de Fato:

Em um porão escuro e úmido, centenas de homens e mulheres se espremem para caber em um espaço limitado demais para todos. Eles estão muito próximos e aprisionados em correntes de ferro. O mau cheiro, a sujeira, as marcas na pele, os trapos que cobrem seus corpos denunciam que eles não têm condições mínimas de higiene e sobrevivência. A fome e a sede são constantes, as doenças se espalham com facilidade. Muitos deles morrem e adoecem gravemente em pouco tempo, antes de chegar ao final da travessia.

 

A descrição acima poderia estar circunscrita em um passado distante e, muitas vezes, esquecido nas narrativas que tratam sobre os transportes de negros escravizados, do continente africano ao Brasil, nos navios negreiros até o século XIX. No entanto, está mais atualizada do que nunca. Pouco antes do segundo turno das eleições, o governador eleito pelo Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSC) declarou que um de seus planos para área da segurança pública no estado é fazer “navios presídios” em alto-mar para abrigar o contingente de presos que não cabem em terra. Também disse que, se necessário, “cavaria mais covas para enterrar criminosos”.

As declarações, que carregam o peso e as marcas da escravidão no país, foram recebidas com entusiasmo e aplausos por militares, durante um encontro na Associação de Oficiais Militares do Estado do Rio de Janeiro (AME-Rio).

Não é gratuito que a proposta de “navios presídios” lembre os navios negreiros. Vale ressaltar que o número de pessoas encarceradas no Brasil chegou a 726.712 em junho de 2016 - o terceiro maior do mundo. Mais da metade dessa população é formada jovens de 18 a 29 anos e 64% são negros, segundo dados do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen) produzido pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça. Ainda segundo levantamento, o sistema prisional brasileiro tem 368.049 vagas, o que faz com que 89% da população prisional esteja em unidades superlotadas. São 78% dos estabelecimentos penais com mais presos que o número de vagas.

Também é preciso lembrar que as condições impostas à população carcerária têm mais pontos em comum com o período da escravidão. A tortura ainda é parte integrante do sistema carcerário brasileiro, segundo aponta o relatório “Tortura em Tempos de Encarceramento em Massa”, da Pastoral Carcerária. Fora a agressão física, o mero ato de privar uma pessoa de sua liberdade e colocá-la em uma cela superlotada, sem ventilação, higiene e outras condições minimamente aceitáveis já constitui uma forma de tortura.

Por décadas, existiu no Brasil um padrão de encarceramento de negros escravizados, que eram detidos depois de terem cometido crimes previstos pelo Código Penal da época, como fuga ou desobediência aos seus senhores. Nesses espaços, os senhores podiam delegar à máquina do Estado a prática da tortura. Havia duas motivações para isso, segundo aponta a pesquisadora Flora Thompson-Deveaux. Primeiro, era tecnicamente ilegal os senhores açoitarem seus escravos, ainda que o fizessem. Segundo, era mais fácil manter as mãos limpas e poupar os ouvidos dos vizinhos da Casa Grande dos gritos de desespero de quem recebia as chibatadas.


Um desses locais, que institucionalizou a prática da tortura no país, se localizou no Rio de Janeiro, mais precisamente, próximo onde hoje se encontra o Aeroporto Santos Dumont, na região central da cidade. Ele foi batizado de Calabouço, nome que é lembrado com facilidade pelos cariocas como parte da letra da música “Do Leme ao Pontal”, de Tim Maia. Também quando se retoma a história do assassinato do estudante Edson Luís, morto por oficiais do regime Militar no restaurante universitário denominado também de Calabouço - não por acaso, pois se localizou muitos anos mais tarde no mesmo galpão. Mas, ainda que seja um nome que permeia o imaginário dos cariocas, nenhuma das referências aponta para a memória de um local construído para institucionalizar a prática da tortura de negros escravizados.

Além do Calabouço, outras inúmeras experiências trataram, ao longo do tempo, a população negra como alvos de prisão, da tortura e da morte. Podemos citar alguns casos exemplares como a repressão aos marinheiros que realizaram a Revolta da Chibata, em 1910. De acordo com o historiador Clóvis Moura, os marinheiros foram embarcados nos porões de navios rumo à Amazônia. No caminho foram torturados, fuzilados e jogados ao mar, ao lado de muitos outros presos por infringir as leis vigentes na época.

Como podemos notar, a história de repressão à população pobre e negra não ficou no passado. Depois de eleito, o mesmo Wilson Witzel não limita seu discurso aos “navios prisões”, agora ele fala abertamente que polícia vai ser autorizada a fazer “o correto: vai mirar na cabecinha e… fogo! Para não ter erro".

A mira a que Witzel se refere está claramente apontada para as favelas, as periferias, o povo negro e pobre do estado do Rio. Os homens jovens e negros são as maiores vítimas de homicídios no país e no estado do Rio não é diferente. Segundo dados disponibilizados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), a cada 10 mortos pela polícia no estado do Rio de Janeiro, nove são negros ou pardos. Witzel nos recorda que o encarceramento, a morte e a tortura da população negra são um padrão institucional que acompanha a história do Brasil.

Esse é o primeiro novembro pós eleições, que trouxe ao Rio de Janeiro e ao Brasil governantes que tem o claro objetivo de segregar e exterminar ainda mais população negra do nosso país. Esse novembro nos mostra que temos, como sempre, nos unir para ser resistência. Como já disse Ângela Davis em frase batida, mas necessária de ser repetida: “Numa sociedade racista, não basta não ser racista. É necessário ser antirracista”.

 

30
Nov18

A estranha obsessão de Olavo de Carvalho

Talis Andrade

 

 
Por Mário Magalhães, no site The Intercept-Brasil:
 
Leitor bissexto de Olavo de Carvalho, eu supunha que o escritor paulista tivesse superado a fase anal do desenvolvimento psicossexual. É aquela que, estabelece certa literatura psicanalítica, encerra-se aos três ou quatro anos de vida. O engano findou quando assisti ao vídeo de sua recente entrevista ao repórter Fred Melo Paiva, da CartaCapital. Ao falar da confiança de Jair Bolsonaro em ações policiais virtuosas, Carvalho provocou: “Isso é fascismo? Fascismo é o cu da sua mãe”.

Depois de uma carreira discreta como jornalista e astrólogo, Carvalho reencarnou na pele de autoproclamado filósofo. Ministrou cursos online para milhares de alunos e colecionou 533 mil seguidores no Facebook. Atribui-se a ele a indicação dos nomes ou a inspiração para a escolha de dois ministros pelo presidente eleito: o da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, e o das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Seria o guru ou o ideólogo mais prestigiado pela família Bolsonaro.

“Ideólogo”, preferiu numa edição a Folha de S. Paulo. Carvalho vituperou: “Atenção, ô chefe da fôia: Ideólogo é o cu da sua mãe”.
 
Louvaminheiros o cultuam como um pensador. Numa nota repetitiva, ele pronuncia incessantemente o substantivo com uma sílaba e duas letras que o Houaiss enuncia como “orifício na extremidade inferior do intestino grosso, por onde são expelidos os excrementos”.

Lacrador, gracejou: “Em breve só restarão duas religiões no mundo: maconha e cu”.

Interpretou o Brasil, do alto da condição de dono de “uma perspectiva geopolítica mais ampla” e “mais profunda” do que a “de Donald Trump” e “seu secretário de Estado”: “O cu do mundo é aí [o Brasil]”; “e olha que é um cuzão”; “vocês estão que nem aquele sujeito que estava limpando o cu do elefante, e o elefante decidiu sentar, e o cara ficou lá dentro, atolado”.

Negacionista das mudanças climáticas, sofisticou o argumento: “Combustível fóssil é o cu da sua mãe. Não existe combustível fóssil porra nenhuma. Isso é uma farsa, uma palhaçada”.

Confrontado com o pensamento divergente, nocauteou: “Ora, moleque, vai tomar no olho do seu cu”.

Autor de livros “aplaudidos pelas maiores inteligências do mundo”, a confiar em sua declaração à repórter Beatriz Bulla, de O Estado de S. Paulo, Carvalho especulou no passado sobre palavrões: “Segundo entendo, foram inventados precisamente para as situações em que uma resposta delicada seria cumplicidade com o intolerável”.

Seria intolerável um urso que o escritor matou numa caçada aparentemente legal nos Estados Unidos, onde se radicou há 13 anos? Ao lado de um animal abatido, ele disparou: “Fui buscar hoje a minha Henry Big Boy [rifle] cal. 45-70. Pau no cu dos ursos”.

Não trai cumplicidade, e sim receio, ao se referir a contendores políticos: “Os caras vêm com uma piroca deste tamanho e põem no nosso cu”. Uma variante, físico-erótico-estética: “Toda piroca se torna invisível ao entrar no seu cu”.

Carvalho se embrenhou na dialética do fiofó: “Esquerdistas são pessoas que lutam pelo direito de dar o rabo sem ser discriminadas, ao mesmo tempo em que protestam para reclamar que só tomam no cu”.

Assim como a peroração sobre “cumplicidade com o intolerável” se desmancha com o exemplo do urso, o ex-astrólogo que se apresenta como “escritor de envergadura universal” derrapa na aula de história. “Não se pode vencer uma guerra dando o cu”, pontificou. Do além, guerreiros gregos de outrora gargalham com a ignorância do professor.

‘O estado das pregas’
 
A obsessão pelo furico alheio não é comportamento merecedor de considerações morais, e sim um mistério da alma de Carvalho. Ela a expressa contra os suspeitos de sempre: “Quando um esquerdista brasileiro chama você de fascista, ele não quer dizer que você defendeu alguma ideia fascista. Ele só quer dizer o seguinte: ‘Ai, meu cu’”.

E nas dissensões da confraria reaça, como neste tuíte endereçado ao economista Rodrigo Constantino: “Só não digo que seita fechada é o seu cu porque não averiguei o estado das pregas”.

É o próprio Olavo de Carvalho, 71, quem associa xingamentos e prazer: “A velhice é uma delícia: você não precisa respeitar mais ninguém, pode mandar todo mundo tomar no cu. É uma libertação”.

Esse papo “libertário” já está qualquer coisa? O sábio cultivado por Bolsonaro dá de ombros: “O que essa palavrinha está fazendo aí em cima? Nada de mais. Apenas avisando que só pararei de falar de cus quando pararem de ensinar as criancinhas a dar os seus”.

Até para falar de cu Carvalho apela a palavras sem lastro nos fatos: lições para “criancinhas” darem “os seus” é invencionice.
 
ex-militante do Partido Comunista Brasileiro, hoje convertido ao ultradireitismo, proporcionou um discurso mais envernizado a legiões de extremistas de direita semiletrados. Jogada certeira do instrutor com formação autodidata: identificou uma necessidade e saciou-a. Mas não foi mais importante para o desenlace eleitoral do que, numa só menção, Edir Macedo. O que não significa que influencie menos do que o bispo na composição do futuro governo – ocorre o contrário.

O dito filósofo que se pavoneia como portador de “consciência da vida intelectual como ninguém mais tem”, recorre a pressupostos ilusórios para formular sínteses. Ao ouvir o nome da exposição Queermuseu, comentou: “Tava lá a menininha mexendo no pinto do homem”.

Isso, sabidamente, não aconteceu.

Carvalho chuta: “O empresariado brasileiro está vinculado à esquerda há mais de 50 anos”.

Eu penso: que o diga a coalizão, também empresarial, que derrubou Dilma Rousseff.

Relata: “As Farc têm o monopólio praticamente da distribuição de cocaína no Brasil”.

Pobre planeta: foi engambelado, em 2016, pela extinção da anacrônica guerrilha colombiana e sua decisão de depor armas.

Numa de suas satisfações supremas, historiar o jornalismo brasileiro, ensinou: “Durante o governo militar, os esquerdistas já dominavam a mídia inteira. Você não tinha um jornal chefiado por um cara de direita; nenhum”.

Trata-se de impiedosa injustiça com Boris Casoy, que chefiou a Folha durante anos, em plena ditadura. E com tantos outros editores de direita.
 
Em agosto de 2016, o guru de Bolsonaro concluiu, sobre o então presidente dos EUA: “Hoje em dia acredito mesmo que o Obama é um agente russo plantado na política americana”. Olavo de Carvalho é autor do livro “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”.

Com alicerce de fantasias, fica fácil erguer catedrais fictícias. Seria como eu alinhavar o balanço futebolístico do Flamengo neste ano considerando-o campeão nacional de 2018. Que tentação.
 
 
29
Nov18

A misteriosa malinha de Olavo de Carvalho

Talis Andrade

Bolsonaro, um presidente sob domínio mental de um tarado e chefe de seita

 
 

cabritas olavo.png

por Carlos Velasco

A partir do momento que comecei a acompanhar Olavo de Carvalho pelas redes sociais, o que era muito diverso de ler artigos escritos com cuidado e ouvir esporadicamente programas de rádio voltados para um público mais vulgar, comecei a notar certos padrões perturbadores. A sua obsessão pelo ânus e por falos, com destaque para os africanos, tudo isso recheado de histórias bizarras envolvendo experiências grotescas e uma necessidade doentia de simular virilidade e inventar histórias de bravura altamente suspeitas, acabou depois por fazer sentido, já quando tomei contacto com relatos de pessoas que com ele conviveram, histórias que, na sua maior parte, omiti do público por pudor. Mas ainda assim deixei escapar algumas coisas, como a existência da "malinha secreta": 

A misteriosa malinha do "filósofo"


 
Hoje fui bloqueado na rede social facebook devido a uma campanha de denúncias em massa promovida pelos fanáticos do guru de Jair Bolsonaro, mas fiquei a saber que o chefe de seita atacou o ex-presidente Luís Inácio da Silva, do qual fui sempre um opositor (digo isso para que os recém-chegados não se enganem a meu respeito), a propósito de uma pergunta que atiçou as suas taras, respondendo à questão sobre o seu posicionamento a respeito da educação sexual acusando o ex-presidente de violar cabritas. Até hoje não soube de nenhum caso de zoofilia envolvendo Olavo de Carvalho (apenas de sacrifícios de gatos e galinhas de Angola em rituais de magia negra), mas aqui o duplo padrão de avaliação dele volta a ser exposto, afinal, Lula já foi presidente, portanto, já não entra na equação, mas o futuro presidente admitiu em público que estuprou galinhas, entre outras coisas que, ao menos para mim, são bastante invulgares e desqualificam qualquer um para um cargo de tal importância
 
 

  

bolsonaro trump.jpg

 

Ainda é tempo para se evitar o pior. Como já afirmei, bastará um teste de QI para se provar que o futuro presidente padece de um ligeiro retardamento, e a sua saúde física também não o habilita a um cargo tão exigente. Parafraseando o mote da campanha do atrasado: é melhor "jairem" pensando num plano B...

 

29
Nov18

Filha acusa o pai Olavo de Carvalho e Bolsonaro: "Um projeto de poder, no nível de ter exército de matadores"

Talis Andrade

Olavo de Carvalho astrólogo.JPG

 

 

Em texto divulgado em seu perfil no Facebook , no blog Prometheo Liberto, e entrevista à revista Veja, a bacharel em direito Heloisa de Carvalho Martins Arribas, filha do astrólogo Olavo de Carvalho, faz acusações graves contra o pai e o presidente eleito Jair Bolsonaro, que toma posse no dia 1 de janeiro. 

 

Para Heloisa, a relação entre o pai e os planos presidenciais de Bolsonaro configurariam “um projeto de poder, no nível de ter exército de matadores”. “Não que ele queira um cargo, meu pai quer poder e influência.”

 

Olavo recusou participar diretamente do governo, mas indicou os ministros do Exterior e da Educação. Escreve Tarso Genro


"Emplacados, o místico Ernesto Araujo como Ministro de Relações Exteriores e o colombiano Ricardo Velez Rodriguez como Ministro de Educação, o bolsonarismo completa a simbiose entre o fascismo mitificado – através do controle mental de uma grande parte do 'público' pela magia da magna mídia e das redes compradas – e o ultraliberalismo que, para ser aplicado, precisa destruir a confiança mínima na política e na democracia, que são sempre demoradas e pacientes. As grandes vantagens das tiranias modernas e antigas é que elas têm respostas prontas e se vencem a peleja pelo poder têm a possibilidade de apresentá-las, embora nem sempre sejam as mesmas que se comprometeram nas suas diatribes contra a velha ordem.

O fascismo e o ultraliberalismo não podem esperar. Eles respondem às ansiedades do ódio de classe e aos gemidos do mercado. E colocam, no íntimo de cada um, sempre um símbolo mitificado da inconformidade para destruir a razão. Emplacados – estes dois ministros, juntos com Paulo Guedes sem alma – desenham uma arquitetura original de dominação política e social. Ela ainda não foi experimentada na democracia continental: a integração política do fascismo -militarista e estatista nos velhos tempos – com o ultraliberalismo econômico, que só é capaz de operar se tiver a confiança da sociedade civil -leia-se- hoje, dos investidores nacionais e internacionais que 'financiam' a dívida pública e a classe média alta rentista."

ministro educação indicado por Olavo.png

 

Heloisa de Carvalho Martins Arribas faz outras acusações graves contra o pai. Revela que ele já apontou uma arma contra os próprios filhos e tratou com descaso o abuso sexual que ela sofreu quando era criança.

 

Relata a revista Veja que as acusações de Heloisa de Carvalho vêm ganhando destaque na internet desde o fim de semana. No Twitter, o número de menções a Olavo de Carvalho passou de 212, no dia 16 (sexta-feira), para 5 059 no dia 17 (sábado). No Google, o número de buscas começou a subir bruscamente no dia 17 às 10h, até chegar ao pico na madrugada desta segunda-feira, às 2h, com crescimento superior a 500%.

 

Heloisa conta ter escrito a “Carta Aberta a um Pai” com a intenção de “desmascarar” Olavo, pensador popular entre internautas conservadores, com 185.000 seguidores no Twitter.

 

Olavo foi um amaldiçoado filho, e péssimo pai e marido. Segundo Heloisa, ao relatar casos em que o filósofo foi um pai e um marido ruim e ausente para ela, seus irmãos e sua mãe, pretende “acabar com o mal que ele faz para as pessoas”, em uma referência, nas palavras dela, aos “aprendizes” que Carvalho amealha entre alunos de cursos e seguidores nas redes sociais, “vítimas de técnicas de lavagem cerebral”. Pelo relato de “podres” do pai, pretende desmontar a imagem de homem “conservador e cristão” que o colocou entre pensadores de referência da direita brasileira nos últimos anos.

 

Afastada do pai, Heloisa procurou conhecer os argumentos de alguns críticos do trabalho de Olavo de Carvalho, relata ter aberto “os olhos” e decidido então publicar o texto, ressaltando os aspectos familiares em uma resposta à “imagem de pai de margarina” que a obra associou ao filósofo. Na carta aberta, diz que Olavo já foi internado em clínica psiquiátrica, que fazia “farras” quando ela ainda era criança e estava em casa.

 

“Tudo o que escrevi é um recado para você: muda enquanto dá tempo para você se transformar em um ser humano decente. E não diga que eu me uni ao diabo. Isso sempre foi um direito só seu! Eu não preciso me unir a ninguém para falar e contar sobre você. E pode ter certeza de que lembro de muito mais coisas”, afirma na postagem. À reportagem, Heloisa também estabelece uma relação entre o pai e os planos presidenciais do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que configurariam “um projeto de poder, no nível de ter exército de matadores”. “Não que ele queira um cargo, meu pai quer poder e influência.”

olavo merda.jpg

 

Carta aberta a um pai

Estou escrevendo essa carta aberta por que você só sabe ficar xingando daí dos Estados Unidos, já que nunca teve a decência de enfrentar as pessoas cara a cara. E, quando digo enfrentar, é encarar que tudo o que falo sobre sua vida é a mais pura verdade. Não adianta mais o seu hábito de criar medo nas pessoas, o que fez com que seus filhos e esposas não abrissem a boca nem mesmo para Deus. Sempre foi sua tática chamar os outros daquilo que você é, e depois se sair de vítima quando é desmascarado ou ficar ironizando como uma forma de mascarar a verdade. 

Você não se lembra das inúmeras vezes em que você me pegou para passar o final de semana com você, e você nem me respeitava, ficando na sala ao lado enquanto eu dormia na sala do Bolla e era acordada no meio da noite com os gemidos das suas farras?

Lembra-se de que, quando minha mãe, meus irmãos e eu fomos despejados e passamos a morar em um quarto com banheiro nos fundos da sua escola de astrologia, a Escola Júpiter, enquanto você fazia uma farra com a sua segunda esposa, a Silvana, minha mãe tentou o suicídio e, se não fosse por mim, ela teria morrido? Já se esqueceu também de que, quando eu fui morar com você e a Silvana, meus irmãos foram morar com a nossa avó materna, mas você nunca foi visitá-los?

Esqueceu que, quando fomos morar na casa perto do aeroporto, você e sua esposa Silvana me largavam sozinha enquanto você ia dar aula de astrologia, e que depois saíam para jantar fora e chegavam de madrugada enquanto eu, com apenas 13 anos, ficava lá sozinha e sem comida?

Aliás, as suas casas, apesar de ter mais de uma esposa, sempre foram imundas, e as suas esposas faziam questão de ficar a madrugada toda acordadas, batendo papo furado com você, e depois dormiam o dia todo. A sua mãe nunca ia visitá-lo, pois tinha nojo! E eu, quando morei com você, acabei tendo de aprender todo o serviço de casa, já que nunca gostei de sujeira.

E já que estou falando da sua mãe, lembra-se que ela morreu recentemente sem ao menos receber um único telefonema seu enquanto estava consciente, apesar de ter pedido tanto que você entrasse em contato? Essa minha avó, com quem você tantas vezes brigou e deixava com enxaquecas, passando mal por sua causa, sendo que quem estava ao lado dela, muitas dessas vezes, era eu. 

E era eu também que, quando você foi internado na clínica psiquiátrica, ia te visitar, apesar de você ter internado minha mãe em um hospício por duas vezes só para que a sua vida ficasse mais fácil, já que assim ela não podia cobrar nada de você.

Nós sempre vivemos contando com a ajuda de familiares.Ou se esqueceu de que minha mãe deu a guarda judicial dos filhos para parentes, para que assim nós pelo menos tivéssemos acesso a tratamento médico, já que você não dava assistência aos próprios filhos?

Já esqueceu que nunca se preocupou nem com a escola dos filhos, mas agora fica postando fotos dos diplomas da Leilah aí nos Estados Unidos, sendo que as pessoas nem imaginam que ela só vai à faculdade porque, depois de 12 anos que estão aí, ela ainda não conseguiu a cidadania e precisa de vínculo com uma universidade para continuar no país?

Não se lembra mais de que nunca visitou a casa de um filho? Hoje, para dar ares de “família margarina”, fica se fazendo de pai de família e bom avô, mas as pessoas não sabem que, quando você surta, culpa a todos à sua volta pelos seus erros com essa sua fúria histérica.

Lembra que, em um surto de loucura, colocou uma arma na cabeça dos seus filhos?

E onde estava o pai da “família margarina” que, quando soube que eu tinha sido abusada sexualmente, não fez absolutamente nada, e que há uns quatro meses ainda me culpou pelo abuso? Acho que você esqueceu de que eu só tinha 9 anos.

Diante de tantos fatos ocorridos em nossas vidas, fatos esses não só da vida familiar, mas também muitas coisas que eu vi você fazer contra os seus amigos, eu agora percebo que você não mudou nada. Eu até cheguei a acreditar que tinha mudado, mas, quando te liguei para defender o Daniel Aragão e te contar sobre o caráter do Jossias Teófilo, você, a Leilah e a Roxane começaram a xingar a mim e ao Daniel numa gritaria cheia de palavrões que mais parecia um surto psicótico. Eu sei que, quando você surta, você fica incontrolável. Eu já vi muitos desses surtos. Daí caí na realidade: você não mudou nada!

Na comunidade muçulmana que você criou em sua casa na Bela Vista, todos te apoiavam e te seguiam incondicionalmente. Na época, eu não sabia que aquilo era uma seita. Quando tudo explodiu, as pessoas te largaram, muitas sumiram e algumas ficaram loucas. Como no caso da Liana, uma pessoa boa que você usou, de quem você realmente pegou dinheiro indevidamente e que te processou por isso. Ela só não ganhou porque estava perturbada demais para ser sensata no processo, e você acabou beneficiado pelo “in dubio pro reo”. 


Em relação a esse post: 
https://www.facebook.com/olavo.decarvalho/posts/10155629737847192

Por que não se inspirou nele quando ele disse que eu precisava ter uma vida normal de criança? Talvez por isso é que diga que ele não fosse um exemplo para você.

Quanto a esse outro post: 
https://www.facebook.com/olavo.decarvalho/posts/10155629744467192

Quando você ia “treinar” no Michel Weber, eu ficava andando pelo estúdo dele e via coisas macabras, como quadros e objetos que pareciam coisas satânicas. E tinha também aqueles cães sanguinários dele, que pareciam ter parte com o demônio, e, no dia em que quase me atacaram, o Michel, em vez de se preocupar comigo, ficou bravo com você por ter me deixado xeretando nas “coisas” dele. 

Então, quem aqui é grotesco, quem aqui sempre foi unido com o macabro, quem aqui não é bondoso para com seus parentes e amigos, quem aqui não teve talento, e eu estou falando em talento de fato, não o de criar um secto de fanáticos e cegos, quem nunca teve coragem perante a vida, quem aqui nunca trabalhou de verdade?

Você pouco sabe da minha vida, das pessoas que me cercam, dos meus amigos, do meu trabalho... Então começa a criar vergonha na cara e pare de dar indiretas (um hábito seu desde que eu me conheço por gente). Você nunca teve coragem e decência para enfrentar a vida real.

Tudo o que escrevi é um recado para você: muda enquanto dá tempo para você se transformar em um ser-humano decente. E não diga que eu me uni ao diabo. Isso sempre foi um direito só seu! Eu não preciso me unir a ninguém para falar e contar sobre você. E pode ter certeza de que lembro de muito mais coisas. E só não enxerga o que você está criando nas pessoas, usando o nome de Deus, quem é cego, pois eu vejo claramente, como já vi em outras épocas suas, um bando de pessoas insensatas, com ódio de tudo e de todos, que caem cegamente na sua pregação, criando um exército de intolerantes com seus semelhantes, e que, quando enxergarem, não vai ter psiquiatra e nem hospício suficiente para todos. 

Pai, você sabe que minha questão não é familiar como você pinta, fazendo parecer somente uma fofoquinha. Eu só falo de fatos familiares para que as pessoas enxerguem quem você é na vida real. Sinto muito que a sua lavagem cerebral sobre as pessoas já tenha tomado essas proporções. Sim, isso mesmo, lavagem cerebral com as técnicas que você domina tão bem, como as da Programação Neurolinguística. 

E quanto ao dente de leite que está sendo leiloado e você diz não ser seu, foi a minha avó quem deixou para mim muito antes de morrer. Mas você sabe muito bem que eu sempre fui o baú e memória viva da família. Tanto dos fatos quanto dos objetos. Acredito que você nem sequer tenha uma foto sua de criança, nem o peso de papel do seu pai, nem o seu álbum de bebê. Nenhum de vocês tem nada, pois a única que sempre conviveu de perto com minha avó fui eu. E você sabe bem disso.

Esse quadro, por exemplo, você tinha na parede da Escola Júpiter, não é? Deu para a minha avó e hoje está comigo.

Essa foto, você tirou em Paris. Lembra-se de que você me deu quando se mudou para os EUA?

Esse peso de papel do meu avô, seu pai, que você nem sabia onde estava, está bem aqui na minha casa. E você já até postou sobre isso:

Então não diga que o dente de leite não é seu. Você sabe muito bem que minha avó sempre me deu tudo o que ela guardava de você. 

Mas, se mesmo assim, tiver dúvidas quanto ao dente ser seu, eu posso mandar fazer um exame de DNA nele. 

Mas você não vai querer passar pela vergonha de ser desmentido novamente, vai?

Heloísa de Carvalho Martin Arribas.

Este texto vai estar com as fotos no blog do http://libertoprometheo.blogspot.com.br/

Não existiria Bolsonaro presidente sem Olavo de Carvalho

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28
Nov18

Bernard-Henri Lévy: “Bolsonaro derrotou mais a direita do que a esquerda”

Talis Andrade

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Bernard-Henri Lévy, durante sua visita a São Paulo, em 24 de novembro. JANSSEM CARDOSO
 
 
Tom C. Avendaño entrevista Bernard-Henry Lévy 
 
Filósofo lamenta a "pornografia política" do presidente eleito
 
 
Bernard-Henri Lévy visita o Brasil em um de seus momentos mais turbulentos, quase como nos tempos em que este filósofo, formado igualmente entre maoístas e holofotes, ainda estava construindo sua reputação de pensador de ação e ia ao Irã nos anos setenta ou à Bósnia nos anos noventa. Vestido com seu eterno uniforme – terno escuro camisa branca parcialmente desabotoada – com o qual se tornou um dos pensadores mais midiáticos e conhecidos da França e de grande parte da Europa, Lévy (Argélia, 1948) vai direto ao problema entre goles de chá em um hotel em São Paulo: “Todo o mundo está olhando para o Brasil. O que seu presidente eleito, [Jair] Bolsonaro, faz é discutido em todos os lugares e o que estamos vendo é um presidente sem programa, nostálgico de um dos momentos mais sombrios da história do país e sem amor genuíno por sua terra natal. O mundo está assombrado com a incrível vulgaridade de alguns de seus comentários. É pornografia política. Como fala das minorias, das mulheres. O mundo está estupefato”, repete com finíssima indignação parisiense. E resume a questão que mais escandaliza os cientistas políticos de todo o mundo: “E não venceu dando um golpe, mas através das urnas”.
 

O Brasil é apenas uma frente de uma guerra global, pondera com um certeiro cruzamento de pernas, uma guerra que absorve praticamente o mundo inteiro. “Há uma luta ideológica entre a xenofobia e o humanismo, entre os extremos, da esquerda à direita, que se alinharam nas ruas para destruir os valores republicanos e as forças do progresso”, diz. “O Brasil está dentro dessa corrente global e, de certo modo, seu líder populista é o mais caricatural de todos.”

 

Pergunta. Quando Trump ganhou a presidência em 2016, o senhor alertou os norte-americanos de que, para além da ideologia do vencedor, “milhões de gênios acabaram de sair da lâmpada” com aquela vitória. O senhor estenderia esse alerta hoje aos brasileiros?

Resposta. Fiz duas advertências quando Trump foi eleito. Os geniozinhos saíram da lâmpada e também avisei aos judeus que se cuidassem dos presentes e afetos de Trump. O afeto que não nasce do amor verdadeiro é muito perigoso e tem efeitos colaterais terríveis. Diria o mesmo aos brasileiros. A eleição de Bolsonaro libertou milhões de geniozinhos. E eu diria a eles para terem cuidado com esses gestos de amizade aparente, não porque podem se revelar uma mentira amanhã, mas porque podem ter um significado inesperado e triste amanhã. Não vi na história uma época em que os judeus não acabem como vítimas.

 

P. O senhor se mobilizou especialmente contra o Brexit nos últimos anos. Compartilha das comparações de que essa votação e a vitória de Bolsonaro pertencem à mesma convulsão destrutiva contra a ordem estabelecida?

R. O Brexit não está destruindo o establishment; o Brexit é o establishment. Boris Johnson, as pessoas que clamam pela separação, são o establishment. O que é que o Brexit destrói? O Reino Unido. Não o establishment. Da mesma forma, Bolsonaro também não faz dano algum ao establishment, ele o faz ao Brasil. Ou poderia fazer, pelo menos. Ele faz parte do establishment, do pior do Exército e do pior da direita das cavernas. E se é uma arma de destruição, não é da destruição das elites, mas do que foi construído neste país, desde que, mais ou menos, terminou a ditadura militar (1964-1985).

 

P. Ele, no entanto, declara guerra à esquerda e consegue que a direita o deixe em paz, talvez motivada por esse inimigo comum. Mas Bolsonaro não é mais inimigo?

R. A vitória de Bolsonaro é uma derrota da esquerda, mas é uma derrota muito mais importante da direita. Bolsonaro a devorou. Essa direita liberal, limpa, republicana, que quis construir um país de costas para a ditadura, essa direita é o objetivo principal de Bolsonaro. Ele quer acabar com ela e em parte conseguiu. Hoje ela está fora do jogo.

 

P. Bolsonaro fez com que milhões de pessoas falassem da esquerda como uma entidade única que abarca do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao venezuelano Hugo Chávez...

R. [interrompe] Não existe comparação possível entre Lula e Chávez. Mas existe entre Chávez e Bolsonaro, que pertencem à mesma família de líderes: populistas, mentirosos, líderes que não se importam com o seu país. Lula pode ter cometido erros, eu não sei, talvez o saibamos no dia em que for julgado com justiça. Mas, para mim, até agora, era um líder bom e decente para o Brasil, e sua presidência foi um momento honorável na história do país. Bolsonaro e Chávez, ou Bolsonaro e Maduro, têm mais semelhanças entre si do que diferenças.

 

P. Durante quase 40 anos e até recentemente o senhor disse que devíamos “quebrar a esquerda”, citando Maurice Clavel, para derrotar a direita. O senhor ainda mantém isso hoje?

R. A esquerda já está quebrada. Você tem por um lado Lula no Brasil, [o ex-presidente socialista François] Hollande na França e o [ex-primeiro-ministro italiano Matteo] Renzi na Itália, grandes líderes da esquerda ocidental, que se separaram da outra esquerda, a falsa, a radical. Na França não há relação entre o ex-presidente Hollande e [o líder da esquerda alternativa francesa, Jean-Luc] Mélenchon. Essa dissociação já aconteceu lá e na Itália também. A verdadeira rachadura, e isso existe na Europa e na América Latina, é o populismo contra os princípios humanistas, universalistas e reformistas. Lula é a personificação dessa diferença. Ele é a esquerda humanista, a verdadeira, aquela que defende os interesses do povo contra o nacionalismo, a xenofobia e a mentira. Contra as tentações de Chávez. Mas a história dele não acabou.

 

P. As eleições vencidas por populistas não foram desprovidas de candidatos, digamos, tradicionais, aceitáveis, de esquerda e de direita. O senhor está preocupado que certas formas se percam?

R. Esquerda e direita não importam mais. A única corrente que existe agora é que estamos vivendo um momento populista. Com a ajuda da Internet e das redes sociais, a subcultura das televisões, passamos por um momento que dá vantagem aos líderes populistas. E todo político republicano, democrático, razoável e old school deve se adaptar à nova situação. Eles ainda não o fizeram, mas terão de fazê-lo para não serem devorados por esse enorme monstro que está surgindo em todo o mundo.

 

P. É preciso se adaptar ou contra-atacar?

R. Será preciso tempo. As épocas sombrias nunca duram para sempre. Nos anos vinte, trinta e nos cinquenta havia multidões no Ocidente contra a democracia. E ainda assim esta prevaleceu. Eu acho que a mesma coisa vai acontecer agora. Do que tenho certeza é que não se derrotará o novo populismo usando suas mesmas armas. Os democratas devem ter a coragem de não cair nessa armadilha. Eles têm de defender seus valores mesmo se durante algum tempo são minoria e não são ouvidos o suficiente. Se abandonarem seus valores, estarão perdidos.

 

P. O mundo se aproxima desse paradoxo de ter que defender a democracia quando a maioria está contra ela?

R. O sonho de muitos líderes é acabar com a democracia. Trump, Bolsonaro, [Viktor] Orban na Hungria. Mas nos Estados Unidos estamos vendo até que ponto a democracia é capaz de resistir. O verdadeiro muro americano não é o que Trump quer construir entre os Estados Unidos e o México, mas o que a sociedade civil norte-americana construiu para ele. Trump não é livre para fazer o que quer e está dando cabeçadas na parede. Talvez isso acabe quebrando a cabeça dele, vamos ver. E o que eu desejo para o Brasil é algo parecido, que se revele um muro da democracia e enfrente a vulgaridade, a estupidez e a ausência de ideias.

 

MAIS INFORMAÇÕES

 
 
 
 
 
28
Nov18

"Homens grotescos e verdadeiros malandros políticos cercam Bolsonaro"

Talis Andrade

Bolsonaro pratica “política da paranoia” em país com “patologia histórica profunda”, diz psicanalista

 

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Um mês após a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) à presidência do Brasil, intelectuais e pesquisadores ainda tentam entender o que levou um povo conhecido internacionalmente por sua cordialidade e alegria a eleger um candidato de extrema direita. Para o psicanalista, ensaísta e professor de Filosofia da Psicanálise na Unifesp Tales Ab’Saber, a própria psicanálise, mas também a filosofia e a literatura podem explicar as contradições de um Brasil em crise de identidade.

“Os brasileiros ficaram loucos?”, perguntou uma conhecida jornalista na rádio France Inter ao entrevistar o fotógrafo Sebastião Salgado após a eleição. Salgado respondeu: “Foi o Brasil que ficou louco” e remontou à destituição de Dilma Rousseff em 2016.

Esta também é a opinião de Ab’Saber, autor do livro “Lulismo, Carisma Pop e Cultura Anticrítica”, entre outros, e vencedor de dois Jabutis (em 2005 e 2012). “O Brasil ficou louco, sim. Uma loucura que diz respeito claramente a romper o pacto democrático ocidental, seus princípios de civilidade e sociabilidade, e até mesmo seus fundamentos legais, já que a velha ética, no nosso caso, já foi dispensada há muito tempo”, dispara.

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"Bozo" tinha o apelido de "Palmito" na juventude  

 

 

Paloma  Varón (RFI) - Quais os efeitos dessa "loucura"?

Tales Ab’Saber - O Brasil se torna reduzido e provinciano novamente, caipira e inimigo dos valores democráticos globais. Parece mesmo que o Brasil está louco, rompendo os tratos societários da vida contemporânea global. Pelo menos é isso que ouvimos todos os dias da imprensa liberal mundial e de cidadãos democráticos esclarecidos de toda parte. Todo mundo nos diz que estamos loucos, é verdade. E não é de hoje. Não por acaso já diziam isso abertamente durante os 18 meses da crise artificial movida para a derrubada da presidente Dilma Rousseff. Um ano e meio de país parado e bloqueado por si mesmo. E depois diante das práticas de exceção jurídicas de muitas ordens utilizadas para criminalizar e prender o ex-presidente Lula, criando as condições estranhas para a eleição de um Bolsonaro, para muitos juristas, de toda parte, um julgamento sem provas. As elites brasileiras, e o povo brasileiro engajado no populismo autoritário do ex-capitão do Exército, de fato fizeram – ou desfizeram – tudo isso em apenas quatro anos. Uma loucura política única, de efeitos graves, até mesmo para um país como o Brasil.

 

RFI - Como aconteceu esse processo?

TAB - Hoje existem juristas que dizem simplesmente que a Constituição brasileira de 1988 não legisla mais. Ela é usada, falseada e ultrapassada de acordo com os poderes que estão em jogo, a cada momento do quadro de forças e de interesses. Nossa ordem jurídica seria uma falsificação interessada, pronta para ser negada, como foi em muitos momentos da criminalização da esquerda, ou da liberação geral dos atos de quebra de decoro democrático de Jair Bolsonaro, espantosos, por um pacto social ordenado desde cima, que o desejou e criou como uma alternativa possível. O Brasil tornou a voz de uma posição exterior à democracia democrática. E, de fato, o interesse das elites ditas modernas, que agora se acanham diante do mau humor do mundo com o destino do Brasil, é que o governo de extrema direita no poder destrua de modo livre e definitivo os pactos sociais que foram necessários, acordados na saída da ditadura em 1988, que orientavam a construção da tênue social democracia brasileira, para fazer o ajuste fiscal desejado, tornado hoje como um verdadeiro Santo Graal econômico da vida brasileira e da cabeça de tabela de bolsas de valores de nossas elites. E, como todo mito, pronto para explodir no ar.

 

RFI - As "fake news" são um sintoma da doença?

TAB - O Brasil está louco, por todos estes critérios de civilidade, cosmopolitismo e de lei que perde a própria legitimidade. E também não. Não, o Brasil não está louco. Porque, apesar da novidade tecnológica espetacular do uso maciço e de forma ilegal de mentiras industriais na internet, deste novo tipo de tomada do poder de nossa elite com tendências antidemocráticas, de fato observamos apenas o retorno de um ciclo de desrespeito democrático de uma nação que foi constituída assim desde suas raízes. Apenas verificamos mais um dos tropeços de nosso trabalho democrático, um grande mal-entendido, como dizia Sérgio Buarque de Holanda, que vai alinhar esta fase perigosa da democracia brasileira com os períodos antissociais ou não democráticos do passado: nosso Império escravocrata do século XIX, nossa República Velha antipopular e racista, a ditadura dos anos 1930 e 1940, de Getúlio, e por fim, mas não por último, a ditadura militar da Guerra Fria de 1964-1985, na qual tem origem o espírito belicoso e de política da paranoia de Jair Bolsonaro.

 

RFI - Nada de novo, então?

TAB - Não, sobre este aspecto o Brasil apenas reedita os seus tradicionais fundamentos psicopolíticos autoritários e conservadores, cujas origens, as raízes, estão na nossa configuração econômica escravocrata e concentracionária colonial, nosso conservadorismo simbólico católico ibérico e cortesão e nosso atraso satisfeito, nossa burrice ostentada, em relação ao andamento produtivo do mundo moderno.

 

RFI - Mas o Brasil parecia ter avançado...

TAB - Embora o mundo não saiba direito, e nos julgue por liberais, democráticos e criativos, há um Brasil real que sempre foi inimigo desta modernidade que o próprio país representou em algum momento do século XX, a modernidade derivada e expressa em nosso modernismo cultural, uma modernidade que poderíamos chamar de erótica. Sempre existiu um forte Brasil autoritário, antissocial e antierótico, que talvez o mundo desconhecesse em intimidade. Mas nós não. Certamente esta é uma faceta triste de nossa normalidade nacional, de fato a nossa maior loucura, nossa própria história, que insiste em se repetir.

 

RFI - E qual seria, então, o remédio para esta loucura coletiva?

TAB - Podemos dizer que não estamos mais nas condições de alienação e miséria dos anos de 1960, da nossa última gestão política abertamente autoritária: o país se modernizou, se integrou numa sofisticada rede de comunicações e milhões sentiram a experiência da subjetivação política e da cidadania nos últimos anos, embora o resultado produzido na política seja uma lamentável tendência neofascista, uma real regressão democrática. Há acumulação de experiência e algum debate público, nem sempre isento ou qualificado, que será interessante observarmos o desenvolvimento quando os equívocos anunciados e as violências projetadas do governo da nova direita se revelarem. Como está escrito no túmulo de Marcuse, em Berlim, não temos nenhuma alternativa neste momento, apenas a certeza de que 'o trabalho da civilização continua'.

 

RFI - O médico e psicanalista Donald Winniccott escreveu que “a democracia pressupõe maturidade para lutar com as contradições”. Neste caso, eleger alguém que diz que as minorias têm de se adequar à maioria é antidemocrático?

TAB - Para Winnicott, como para a psicanálise, nossas capacidades de pensar, de imaginar, de sonhar e de desejar estão assentadas em profundas raízes emocionais, na origem mesmo de nossa relação com a realidade partilhada, da qualidade dos vínculos afetivos com o outro que vivemos e da introjeção da negatividade universal da lei comum. Pensamos e agimos com base no que ordenamos inconscientemente como os vínculos de amor, ódio, respeito ou competição, com nossos objetos internos, os outros que nos constituíram. A norma kantiana de mútuo reconhecimento ético racional não é nem nunca foi inteiramente sustentável pela estrutura de lei particular do desejo humano, nos diz com realismo e algum pesar a psicanálise. Mas haveriam condições emocionais boas, necessárias, de raiz inconsciente, que ele chama de maturidade, para o bom exercício, na medida do possível, da vida de uma democracia. Neste sentido, seria importante uma sociedade democrática evitar a própria patologia, a sua tendência à cisão e ao fascismo, permitindo a chegada ao poder de homens que não têm claro os direitos à existência, à vida e aos direitos, do outro. Enfim, homens que desrespeitem abertamente os direitos humanos e acreditem em soluções mágicas e violentas para as complexidades da vida democrática plural. Pois foi exatamente isso que a paixão política popular, e a astúcia das elites antissociais brasileiras, fizeram: permitiram um semblante antidemocrático chegar ao poder em uma democracia.

 

RFI - A obra de Machado de Assis traz algum paralelo com o Brasil de hoje?

TAB - Se prestarmos atenção ao círculo de homens grotescos e verdadeiros malandros políticos que cercam Bolsonaro, veremos vários dos tipos irresponsáveis, autoritários e delirantes, com certeza social garantida na sociedade de escravos, parecidos com personagens de Machado de Assis, reeditados agora sob outra roupagem, pós-moderna em época de comunicação degradada na internet. Como já foi dito, a história do Brasil avança, mas não passa. Assim, os de baixo, que votaram no líder autoritário, têm muita vocação para Rubião, o ingênuo e basbaque servo do poder que não tem contrapartida de Quincas Borba, enquanto a elite que sustentou o projeto Bolsonaro, nunca foi tão escancaradamente Brás Cubiana, volátil, esperta e cínica quanto hoje. Machado de Assis realmente entendia de patologias sociais em sociedade de patologia histórica profunda.

 

RFI - Muitas pessoas adoeceram diante da violência dessa campanha...

TAB - Há um bom tempo que temos, de um lado, luto e desespero, degradação da esperança política comum e sofrimento, e de outro, excitação e passagem ao ato, gozo ilusório e gosto pela violência, nas palavras ou nos atos, no Brasil contemporâneo. De um lado estão aqueles que viram a destruição do projeto e do pacto democrático que funcionou até 2014, do outro os vencedores da violência simbólica e política atual, que gozam com suas novas práticas de predomínio e poder. Se observarmos as toneladas de mentiras veiculadas pelos bolsonaristas na internet para degradar o sentido político de seu adversário, teremos acesso a um verdadeiro museu contemporâneo da perversão bizarra e mórbida, da degradação da linguagem a uma modalidade de fragmentos de pesadelo, grotescos pop, inimaginável em qualquer ordem de direito minimamente mediada por uma lei decente. O pessoal se esmerou na perversão do imaginário bizarro e sádico para efeitos de política democrática, que pressupõe alguma racionalidade pública mínima, mas não era esse o nosso caso, de modo algum. É a forte tendência à difamação, calúnia e delinquência simbólica da nova direita agressiva brasileira. Do outro lado temos o luto e a melancolia degradante, a exaustão e a perda de referências, diante da vitória do que nos parece o pior existente e da perda da presença efetiva e à altura do tempo da esquerda despedaçada. Por isso escrevi em algum momento deste processo cindido, entre dor e excitação: hoje no Brasil quem não está doente, está doente, e, quem está doente, não está doente.

 

 

 

28
Nov18

Juiz Sergio Moro e a perseguição criminosa a Dilma

Talis Andrade

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por Emanuel Cancella

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Dilma, que lutou contra a ditadura militar e foi torturada jovem, aos 19 anos, pelo coronel Carlos Alberto Ustra Brilhante, para que tivéssemos liberdade e democracia, e não imaginava o que estava por vir (12)!
 
Dilma foi eleita e reeleita presidente da República pela vontade popular. Dilma foi deposta da presidência através de um impeachment onde nada foi provado contra ela (11).
 
Em seu lugar, colocaram MiShell Temer  que, de forma inédita na história do país, caminha para terceira denúncia de corrupção e, mesmo assim, Temer governa com tranquilidade (10). Agora então que Temer aprovou o aumento de 16% aos juízes do STF, nada o aborrece (9)! Os juízes chantagearam o governo dizendo que só abririam mão do imoral e ilegal auxílio-moradia com a aprovação do aumento.
 
Já Dilma sofre perseguição implacável do juiz Sergio Moro que é cúmplice do golpista MiShell Temer.
 
Essa cumplicidade fica também evidenciada quando MiShell Temer articulou, aprovou, e sancionou lei que isenta em um trilhão de reais as petroleiras estrangeiras, a mais beneficiada foi a Shell, e a Lava Jato, chefiada pelo juiz Sergio Moro, se omitiu criminosamente.
 
Para quem não sabe, a esposa do juiz Sergio Moro, Rosângela Moro, trabalha para o PSDB e para a Shell (6).  Talvez seja por isto que o PSDB seja blindado pela lava Jato. Nem o recordista em denúncias na Lava Jato, o tucano Aécio Neves, foi incomodado pela Operação (7,8). Como deboche, Aécio cobra arrependimento de Lula. O outro cliente de Rosângela Moro, é a Shell, concorrente direta da Petrobrás que abocanhou maior parte do trilhão de isenção em impostos.

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E na reeleição de Dilma, veio da lava Jato, às vésperas da eleição, a mentira de que Lula e Dilma sabiam da corrupção na Petrobrás. Veja o que disse o advogado Antonio Figueiredo Basto que representa Alberto Youssef, o pseudo-delator:
 
"Asseguro que eu e minha equipe não tivemos nenhuma participação nessa divulgação distorcida", afirmou ao Valor Pro. A informação de que Dilma e Lula sabiam da corrupção na Petrobras foi divulgada na sexta-feira passada pela revista "Veja" (2,3). Mas mesmo assim Dilma se reelegeu.
 
Agora, na eleição de 2018, a ex-presidente Dilma, segundo todas as pesquisas de opinião, tinha sua eleição para uma cadeira ao Senado como certa em Minas Gerais. Entretanto, a cinco dias da eleição, o juiz Sergio Moro vaza para toda a imprensa uma delação premiada do ministro Antonio Palocci envolvendo Lula e Dilma, lembrando que essa delação estava proibida por falta de provas pelo MPF.
 
”Delação de Palocci foi recusada pelo Ministério Público por falta de provas Carlos Fernando Lima, procurador da Lava Jato, já deu declarações à imprensa, afirmando que a delação de Antônio Palocci, na opinião do Ministério Público, não é válida, por falta de provas (4)”
 
Dessa vez, o juiz Sergio Moro conseguiu derrotar Dilma. E mais, com o vazamento Moro prejudicou a candidatura de Fernando Haddad, ligada a Lula e Dilma,  favorecendo assim a Bolsonaro. Como retribuição, Bolsonaro chamou Moro para ser super ministro da Justiça.
 
E agora, 27/11/18, novamente a Lava Jato anuncia nova delação contra Dilma:
 
“De acordo com pessoas próximas às negociações entre Palocci e a Justiça, dados novos devem aumentar o cerco a Dilma, já tornada ré em uma ação que corre em Brasília (5).”
 
Lembrando que vazamento de delação premiada é crime e agora a Lava Jato, com a certeza da impunidade, não só faz como anuncia o vazamento, a chamada está na coluna da Folha de Mônica Bergamo (1)!
 

Fonte:

1https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2018/11/dilma-deve-ser-alvo-preferencial-dos-depoimentos-ineditos-da-delacao-de-palocci.shtml

2https://www.cartacapital.com.br/blogs/midiatico/retificacao-em-depoimento-de-youssef-e-mentira-diz-advogado-6661.html

3https://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/158823/Advogado-de-Youssef-confirma-arma%C3%A7%C3%A3o-de-Veja.htm

4https://www.revistaforum.com.br/delacao-de-palocci-foi-recusada-pelo-ministerio-publico-por-falta-de-provas/

5https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/376122/PT-teme-uso-de-dela%C3%A7%C3%A3o-de-Palocci-para-a%C3%A7%C3%A3o-violenta-contra-Dilma.htm

6https://www.conversaafiada.com.br/brasil/2014/12/06/mulher-de-moro-trabalha-para-o-psdb

7https://www.brasil247.com/pt/247/minas247/255474/Recordista-em-dela%C3%A7%C3%B5es-A%C3%A9cio-Neves-cobra-arrependimento-de-Lula.htm

8https://www.ocafezinho.com/2014/12/05/sergio-moro-e-casado-com-advogada-do-psdb/

9https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2018/11/26/presidente-michel-temer-sanciona-o-reajuste-para-ministros-do-supremo.ghtml

10https://g1.globo.com/politica/blog/matheus-leitao/post/2018/04/02/terceira-denuncia-contra-michel-temer-nao-e-iminente-mas-e-provavel.ghtml

11https://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/240632/Per%C3%ADcia-comprovou-que-Dilma-%C3%A9-inocente-E-agora.htm

12https://www.brasildefato.com.br/2018/10/17/conheca-a-historia-sombria-do-coronel-ustra-torturador-e-idolo-de-bolsonaro/

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28
Nov18

Os militares no poder

Talis Andrade

por Helio Fernandes

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A cada dia o país é surpreendido com a entronização de mais um general na equipe do capitão presidente eleito. Todos da reserva como o próprio mandatário. Localizados no Palácio do Planalto, sem tropa, é uma espécie de militarização que precisa ser analisada, comentada, interpretada. É indispensável entender a preferência por tantos generais.

 

E a razão de serem colocados lado a lado, e diariamente, junto do presidente. Com presença, conselhos e influencia garantidas. Não é pelo poder de fogo, não existe ninguém mais desarmado do que um general da reserva.

 

Também não foram convocados e designados pela experiência, vivencia, competência política ou eleitoral. Ante ontem foi comunicado ao distinto publico pelas redes sociais, (o instrumento predileto do presidente eleito) que haverá mais um general no Planalto. Sua incumbência: coordenação política, dialogar com parlamentares, obter o numero de votos necessários para aprovação de projetos importantes.

 

O general não conhece nenhum parlamentar, jamais esteve na Câmara ou no senado, entregaram a ele quase missão impossível. Os outros generais, (com a rara e vaga exceção do general Augusto Heleno), estão na reserva ha muito tempo, desatualizados, desinformados, desconhecendo o presente, surgem de um passado distante.

 

Visivelmente, é um premeditado voto de desconfiança nos civis, políticos e parlamentares. Mas com meia dúzia de generais sem experiência, o presidente não obterá a confiança necessária para aprovar as 3 grandes reformas constitucionais que anunciou, desmentindo e desautorizando seu vice. Antes das reformas, seu primeiro grande teste será a eleição do presidente da Câmara e do senado.

 

Logo que foi eleito, sua primeira ideia, foi eleger um filho presidente da Câmara, outro, presidente do senado. Frustrado pelos conselhos dos lideres da campanha, retrocedeu, ou melhor, recuou decepcionado.

 

PS - Agora, ao lado de alguns generais, tenta enfrentar 513 deputados e 81 senadores.

PS2 - Tinha tudo para implantar o dialogo, longe do troca-troca, que vem predominando.

PS3 - Primário e autoritário, acredita mais no confronto.

PS4 - Por enquanto é isso que prevalece. Talvez aprenda com a realidade. O que é difícil para um homem com a sua formação

 

CONTINUA A NOVELA DOS SALÁRIOS DOS MAGISTRADOS

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È impossível acreditar no presidente corrupto e usurpador. Ele tinha ate o dia 20 para sancionar ou vetar o aumento dos magistrados. "Até as pedras da rua", (Rui Barbosa) sabiam que iria sancionar. Com surpresa, prorrogou o prazo para o dia 28. Mais surpreendente ainda, sancionou no dia 26. Aplausos de magistrados e "magistrados".

 

Imediatamente, o ministro Luiz Fux revogou a limitar que mantinha o "auxilio moradia" ha 4 anos. Revolta quase geral, com a alegação: "Ficou praticamente igual, ganhamos num lado, perdemos do outro".

 

Agora, juízes e associações de classe, consideram que a questão não está encerrada. Admitem entrar com recurso no próprio STF. Base da argumentação: o ministro Fux não podia decidir sozinho. Concedeu a limitar ha 3 anos. No ano passado devolveu o processo para o presidente. Portanto, só depois dele colocar em pauta, é que poderia haver o julgamento.

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PS - Do ponto de vista moral, indefensável.

PS2 - No exame jurídico, rigorosamente constitucional.

PS3 - Alguns ministros, particularmente, acham que Toffoli não colocará em pauta. Se colocar, o auxilio moradia acaba.

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28
Nov18

MANOEL BARBOSA, O JORNALISTA DA “CIDADE NUA”

Talis Andrade

por Ivan Maurício

 

 

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Devo minha formação como repórter a Manoel Barbosa. Ele me colocou literalmente no olho da rua. Pautava entrevistas com camelôs, garis, moradores de rua, gente do povo. Gente como ele que foi palhaço de circo até que enveredou pelo jornalismo.

 

Manoel Barbosa era leitor compulsivo. Lia todos os jornais do país, livros, revistas científicas e estudava sobre Ufologia e formação do universo. Seu conhecimento era diverso e complexo.


Manoel Barbosa foi Chefe de Reportagem do Diário da Noite – jornal vespertino da Empresa Jornal do Commercio - onde fui “foca”, em 1969, aos 17 anos de idade. Primeira pauta que me passou: entrevistar populares sobre a chegada do homem à Lua.


Manoel Barbosa escreveu a coluna mais lida do Diário da Noite: “Cidade Nua”. Era impressionante o número de leitores que compravam o jornal para desfrutar de seu texto objetivo, poético e sociológico sobre a crueza da desigualdade social de uma metrópole em crescimento populacional.


Manoel Barbosa desencarnou domingo (25/11/2018).


O jornalismo pernambucano precisa prestar uma homenagem a esse grande mestre que deixa uma lição para as novas gerações:
Lugar de repórter é no meio da rua.

 

 

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