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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

30
Set18

A maior manifestação popular desde as Diretas Já

Talis Andrade


por Hildegard Angel

Jornal do Brasil

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Foi impressionante. Eu mal conseguia acreditar. Afinal, desde 1968 vou a manifestações na Cinelândia. A primeira foi a do estudante Edson Luís, morto no Calabouço. A última foi a de Marielle. Mas jamais vi nada parecido com a do #EleNão, acontecida ontem. Só comparável à das Diretas Já. Era literalmente uma massa humana comprimida, as pessoas sem espaço para mover, em toda a área da Cinelândia, ocupando a Rua Evaristo da Veiga e as outras transversais e descendo pela Avenida Rio Branco abaixo. Uma concentração alegre, festiva, entusiasmada, somando personalidades da política, de todos os partidos de esquerda e centro esquerda, professores, economistas, artistas, jornalistas e militantes de todas as áreas. Ao som de blocos de carnaval de gente jovem e comprometida, trios elétricos, torcidas de times, movimentos vários com seus estandartes e as bandeiras, e gente de todas as idades. Senhoras idosas, cabecinhas brancas, ocupando as mesas da calçada do Amarelinho, como se estivessem assistindo de camarote, e todo mundo respeitava. Pais, mães e crianças, levadas nos ombros ou correndo entre as mesas dos bares repletos de gente. Os adesivos apareciam de repente e todos corriam para colá-los no peito. Os bordões se sucediam. Pequenas canções que as pessoas rapidamente aprendiam. E o grito de #LulaLivre de tempos em tempos. E os gritos de guerra “Fascistas, racistas, nazistas, não passarão!”. E dá-lhe #EleNão! Foi uma experiência importante e única, que ainda será muito lembrada.

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 Panorâmica da manifestação #EleNão, que ocupou a Avenida Rio Branco, Cinelândia, e foi até o Aterro do Flamengo.

Foto Cristina Granato

 

E não se deu apenas na Cinelândia. Imagens chegavam da Washington Square, em Nova York, dos boulevards parisienses, de Dublin, de Berlim, de Estocolmo, de cidades norueguesas, dinamarquesas, da Itália, da Bélgica, do mundo inteiro. E as manifestações pelo Brasil. Se proibiram na capital, João Pessoa, o interior da Paraíba fez bonito. E esse passeio foi pelo Brasil inteiro. O interior de São Paulo impressionou com a quantidade de cidades que aderiu. No Rio de Janeiro a manifestação prosseguiu na Praça XV, com grande show. Quem comandou o palco foi Paula Lavigne, que levou até Gal Costa, numa programação maravilhosa. Corria o buxixo que Chico Buarque havia concordado em ir cantar para as mulheres. Eles iriam pirar! Mas a produção do palco alegou que eram só mulheres. Se eu fosse a produção lembraria que Chico Buarque foi o primeiro compositor que cantou a mulher do ponto de vista da mulher, falando das questões femininas, dando voz às cantoras brasileiras. Mas ninguém perguntou. Na próxima, tomara que o Chico de novo se anime.

 

 

 

 

30
Set18

Crime institucionalizado dos nazistas: Meninas pobres da periferia do RS são usadas como cobaias humanas

Talis Andrade

 

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Adolescentes que vivem em abrigos de  Porto Alegre estavam sendo testadas como cobaias pela empresa farmacêutica Bayer com consentimento  da Prefeitura, do Estado e de hospitais da Capital. Os testes consistiam na aplicação de dispositivos diretamente no útero das meninas que gradualmente liberam um hormônio para impedir a gravidez.

 

O termo de cooperação foi firmado entre Ministério Público Estadual, Bayer, Prefeitura de Porto Alegre, Hospital de Clínicas e Hospital Materno-Infantil Presidente Vargas [Talvez entre eles algum aprendiz do médico nazista, conhecido como 'Anjo da Morte', que viveu escondido no Brasil na década de 60. Com certeza, todos eleitores d'Ele sim]

 

Segundo o acordo, a única responsabilidade da empresa era ‘doar’ 100 unidades do SIU-LNG (Sistema Intra-Uterino). O medicamento foi rejeitado pelo SUS – (Sistema Único de Saúde) em 2016. O defensor público, Felipe Kirchner, que participou do caso divulgou em sua rede social o seguinte depoimento:  “As adolescentes em situação de vulnerabilidade serviam como cobaias humanas para treinamento de profissionais na aplicação de método contraceptivo desenvolvido pela Bayer”.

 

O termo foi assinado no dia 6 de junho deste ano pelo próprio Ministério Público em parceria com os abrigos, que se comprometeu a selecionar as adolescentes e encaminhar para receber os dispositivos.

 

O acordo foi suspenso nessa semana pela Defensoria Pública da União, Defensoria Pública do Estado do RS e a ONG Themis. Diversas falhas foram apontadas no caso entre elas, o fato de que a bula do medicamento recomenda que as usuárias recebam acompanhamento anual de um ginecologista. Além disso o dispositivo vence após 5 anos, e não há nenhuma garantia de acompanhamento das jovens durante ou após esse período.

 

Para justificar a ação, o Ministério Público alegou que o método já foi testado e é eficaz, e que as meninas eram livres para escolher usar ou não o dispositivo.  A Bayer disse que agiu de boa fé “cumprindo seu papel social” ao fornecer os medicamentos gratuitamente. A prefeitura de Porto Alegre afirmou que as meninas receberiam acompanhamento médico, apesar de não haver nada a respeito disso no documento assinado.

 

Com esse caso fica claro entender os interesses de quem o Estado burguês defende. Para não se indispor com a indústria farmacêutica, o poder público colocou em risco a saúde de meninas pobres, sem orientação. As adolescentes estavam colocando a sua saúde em risco sem receber nada em troca! Enquanto a Bayer se preparava para aumentar a lucratividade assim que comprovasse que o remédio era eficiente para ser fornecido pelo SUS. Texto de Lark Lapato. Faltam os nomes dos safados, dos animais predadores do Judiciário, da Prefeitura de Porto Alegre, dos diretores de abrigos e de hospitais, e dos mercadores da Bayer, que assinaram esse acordo nazista. 

 

 

30
Set18

Como o voto feminino, que pode ser decisivo, virou campo de batalha nesta eleição

Talis Andrade

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Manifestantes se reuniram em Londres e outras cidades da Europa, como Paris e Lisboa, contra Bolsonaro

 

A eleição presidencial de 2018 é claramente muito diferente das anteriores. Entre as novidades no comportamento dos eleitores, uma tem sido especialmente surpreendente: a enorme diferença que as pesquisas apontam nas intenções de votos entre homens e mulheres.


O fosso que se abriu no comportamento desses dois grupos é inédito em eleições presidenciais, destaca o cientista político Jairo Nicolau, professor da UFRJ. Dados das eleições de 2010 e 2014, por exemplo, mostram que homens e mulheres votaram em proporções similares nos diferentes candidatos.

 

Quem catalisa esse fenômeno nessa eleição é o candidato presidencial Jair Bolsonaro (PSL) - que se recupera de uma facada de um opositor [O pedreiro Adelio Bispo, desempregado, autodidata, que aprendeu a ler pregando a Bíblia] no início do mês e recebeu alta do hospital neste sábado, 29. Ele lidera a preferência do eleitorado com 27% das intenções de voto, segundo a mais recente pesquisa Ibope, divulgada na quarta-feira. Quando abrimos os números por sexo, no entanto, o levantamento mostra que ele tem apoio de 36% dos homens e 18% das mulheres.


Neste sábado, 29, manifestantes protestaram no Rio e em São Paulo contra Bolsonaro, como parte do movimento #EleNao, organizado por mulheres nas redes. Outros protestos foram registrados em mais de 40 cidades do país e em cidades europeias, como Lisboa, Paris e Londres.

 

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 Movimento "Ele não!" na Cinelândia, Rio de Janeiro

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 Os eleitoreiros de Bolsonaro em Copacabana

 


Por outro lado, também houve manifestações pelo país em prol do candidato. No Rio, apoiadores de Bolsonaro se reuniram em Copacabana

 

(...) As mulheres que rejeitam Bolsonaro se organizaram em setembro nas redes sociais em torno do movimento #EleNão, que convocou para este sábado protestos contra o candidato em dezenas de cidades do Brasil e também em algumas no exterior. A mobilização - que contou com apoio até de celebridades internacionais, como a cantora Madonna - agrega mulheres de diferentes visões ideológicas.

 

Transcrevo texto de Mariana Schreiber, BBC News Brasil, que torce para esconder as multidões que estiveram nas ruas deste 29 de setembro: 

 

Analistas políticos ouvidos pela BBC News Brasil divergem sobre o potencial do movimento para impactar a eleição, provocando, por exemplo, uma queda abrupta nas intenções de voto de Bolsonaro. Parte deles, porém, considera que, se a mobilização for grande, pode contribuir para aumentar a rejeição já elevada do militar reformado, dificultando sua vitória num provável segundo turno contra Haddad. Leia mais sobre a magia dos jornalistas que procuraram esconder as multidões nas ruas do Brasil, por Lula livre, e Haddad presidente. 

 

 

29
Set18

ELE NÃO O poder da farda em 1945, em 1964. O poder das fardas hoje (filme)

Talis Andrade

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O Capitão Bolsonaro

 

O capitão Jair Bolsonaro, depois de uma campanha pedindo intervenção militar, que culminou com a derrubada de Dilma Rousseff em um golpe jurídico-parlamentar, busca, nas urnas democráticas e livres, a presidência do Brasil.

 

Se perder no voto, ameaça vestir a farda de capitão. Ou uma de general. Que um usurpador não tem escrúpulo.

 

Informa a agência Reuters: O resultado da eleição desse ano vai ser questionado por qualquer candidato que saia derrotado nas urnas, avaliou o presidenciável do PSL, deputado Jair Bolsonaro.

 

Bolsonaro argumentou que em nenhum outro país do mundo a votação e a apuração é completamente eletrônica, o que seria um sinal claro da fragilidade do sistema adotado pelo Brasil.

 

O deputado disse que vem tentando desde de 2015 avançar no Congresso Nacional projetos que garantissem a votação impressa na eleição de 2018, mas os artigos sugeridos por ele não tiveram o crivo da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal Federal (STF).

 

“Quem quer que seja o vencedor, o outro lado vai acusar de fraude... vamos para eleições informatizadas e sabemos que nada é indevassável no Brasil e no mundo”.

 

Ao ser questionado se iria reconhecer o resultado das urnas caso fosse derrotado, o candidato do PSL disse que “qualquer que seja o lado perdedor não vai reconhecer”. Leia mais

 

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O Capitão Nazista 

 

por Marina Almeida

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O Capitão (Der Hauptmann, no original). A história de Willi Herold, um jovem soldado alemão que encontra uma farda de um oficial nazi em abril de 1945 e perpetra um massacre dos seus pares a duas semanas do fim da guerra. Um filme sobre guerra, sobre homens, sobre sobrevivência. Dá que pensar. E que falar.

 

No palco do cineteatro do cinema Monumental, em Lisboa, estavam a historiadora Irene Pimentel, o coordenador da imprensa, política e protocolo da Embaixada da República Federal da Alemanha, Holger Klitzing, a deputada do PSD Rubina Berardo (de ascendência alemã) e o crítico de cinema do DN Rui Pedro Tendinha para um debate com a moderação de Leonídio Paulo Ferreira, subdiretor do DN.

 

Coube a Holger Klitzing abrir a conversa. Frisando que as opiniões ali expressas são pessoais, disse que O Capitão toca em duas questões importantes: "Como foi possível tantos horrores e como foi possível que o regime sobrevivesse tanto tempo depois de ser claro para todo o mundo que a derrota estava iminente?" Enquadrou com o facto de o próprio regime impor uma certa normalidade, com os salários sempre pagos a tempo e horas e os cinemas sempre a funcionar, por exemplo. "Havia uma confiança nas autoridades, na burocracia." Acentuou ainda o recurso ao humor e ao grotesco, com que o realizador e argumentista Robert Schwentke consegue arrancar gargalhadas à plateia.

 

Irene Pimentel entende que o filme está "muito bem feito". O nacional socialismo não foi algo unificado mas "uma policracia com diferentes poderes que lutaram entre si", referiu aludindo ao filme em que o foco está nos perpetradores. A historiadora referiu que o estudo dos perpetradores é dos que mais estão a ser feitos atualmente e que se deve falar deles: "Eles andam aí."

 

Willi Herold (interpretado por Max Hubacher) é um jovem soldado que começa a história em fuga e a roubar para comer. Com a farda nazi, vai liderar uma pequena força de seis militares e conduzir à morte de dezenas de soldados alemães como ele. Como todos eles. Rubina Berardo chama a atenção para este "poder do uniforme" e põe o filme sobre 1945 em perspetiva: "É muito importante para o debate na Alemanha", uma Alemanha que tem "como principal partido político em 2018 o AfD, que nega o Holocausto." Este não é um filme sobre o passado nem apenas um filme sobre a Alemanha, "interpela atualmente", diria, a partir da plateia, Luísa Meireles.

 

 

A deputada do PSD, que tem origens familiares naquele país, junta uma outra perspetiva à discussão: "Os meus avós não falavam, aquela geração não falava" nestas questões. "Ficamos a pensar sobre o que não foi dito, o que é que os nossos fizeram?"

 

O jornalista Rui Pedro Tendinha assistiu à estreia mundial de O Capitão no Festival de Cinema de Toronto e, na altura, conversou com o realizador e argumentista alemão. "Schwentke queria muito contar a história deste homem. Ele não percebia como é que nos anos 2000 ainda havia um tabu, o receio de que pudesse chocar a Alemanha." Para o crítico de cinema, O Capitão (co-produzido por Paulo Branco) vai lançar o debate na Europa, onde está a ter estreia simultânea.

 

Holger Klitzing discorda. "Parece chocante em termos das imagens mas não do assunto, porque aqueles crimes cometidos contra alemães no fim da guerra são conhecidos há muitos anos, foram os primeiros a ser tratados pelos tribunais na Alemanha Ocidental", referiu. "São crimes minúsculos em comparação com o Holocausto." O que é novo neste filme "são os elementos de comédia, de absurdo, de grotesco. Não é o facto de ser um filme sobre a Segunda Guerra Mundial".

 

Klitzing lembrou outros filmes feitos sobre a Alemanha e a II Guerra Mundial desde os anos 1950, com focos específicos, muito focados nos nazis de topo. "Nos últimos tempos, as coisas mudaram", disse. "É importante olhar para todos os homens e mulheres que contribuíram de uma maneira ou de outra, numa altura eram perpetradores, noutra eram vítimas", referiu. Rui Pedro Tendinha lembrou outros filmes sobre o tema, como A Queda (2004, Oliver Hirschbiegel), sobre as últimas horas de Hitler, e referiu que Christian Petzold apresentou no Festival de Cinema de Berlim Transit, que mostra "a França ocupada no tempo da II Guerra Mundial mas nos nossos dias".

 

 

 

29
Set18

Hitler ainda vive

Talis Andrade

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por Juliane Krainski
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Não restam dúvidas de que Adolf Hitler foi uma das figuras mais macabras de que se tem notícias. O militar, líder do Partido Nazista, foi responsável por institucionalizar a perseguição e o extermínio de grupos étnicos, raciais, religiosos e minorias, como os ciganos, eslavos, testemunhas de jeová, homossexuais e, sobretudo, os judeus, culminando no maior genocídio da história. Segundo os relatos oficiais, Hitler se suicidou com um tiro em 30 de abril de 1945, ao perceber que a Alemanha havia sido derrotada na Segunda Guerra Mundial.

 

Mas e se o Fuhrer não tivesse morrido em seu bunker em Berlim? E se algum evento misterioso o trouxesse para viver nos dias atuais? Essa é a temática abordada no longa Ele Está de Volta, adaptado do livro homônimo (de Timur Vermes) e dirigido por David Wnendr. O filme que causou polêmica quando estreou em 2015 na Alemanha, chegou recentemente ao Brasil, disponibilizado na Netflix.

 

Na história, Adolf Hitler (Oliver Masucci) simplesmente acorda na belíssima cidade de Berlim, em 2014. Confundido com um humorista, ele sai pelas ruas tentando se localizar no espaço-tempo, observando e tentando entender as evidentes mudanças de seu país, que agora é inclusive governado por uma mulher. Boa parte da comicidade do filme se dá quando ele se depara com os avanços tecnológicos e coisas que nos são corriqueiras, como levar as roupas para lavar, por exemplo.

 

Ajudado por um repórter Fabian Sawatzki (Fabian Busch), ele sai em turnê pela Alemanha sendo filmado em uma espécie de reality show. O filme mistura ficção e documentário, mostrando a interação do ator com pessoas reais, que não estão representando e nem foram contratadas para o filme. E é neste ponto que a comédia toda deixa de ser engraçada e começa a ficar assustadora.

 

O mundo anda moderninho demais, só que não


Rapidamente surgem inúmeras pessoas que concordam totalmente com os argumentos conservadores da ideologia nazista. Basta uma chance para que todo tipo de clichês racistas e preconceituosos em geral sejam destilados (Brasil, é você?). Muitos falem abertamente o quanto os imigrantes são indesejados e deveriam ser expulsos. Com exemplos rasos e sem grande esforço, o Fuhrer consegue convencer que a mistura de raças é errada e gera aberrações (oi?).

 

São pouquíssimas as pessoas que questionam a situação ou dizem que um homem vestido de Hitler fazendo esse tipo de humor não é engraçado. Pelos lugares onde passa, ele recebe majoritariamente sorrisos, apoio e pedidos para tirar selfies, tanto que um de seus vídeos viraliza e então não demora até que uma rede lhe ofereça um programa de televisão. A televisão, aliás, é a coisa que mais lhe agrada no mundo atual, pois ela é uma possibilidade infinita de se fazer propaganda e disseminar ideias.

 

É triste pensar que um período tão traumático da história, que deixou um legado de terror e absurdos, continua tendo ainda hoje tão numerosos apoiadores. E talvez o aspecto do filme que mais cutuque as nossa feridas seja justamente mostrar que Hitler só conseguiu matar milhares de pessoas em campos de concentração porque tinha o apoio massivo da população.

 

Trágico sim, cômico também


O recurso de trazer um personagem histórico do passado e imaginar como ele se comportaria hoje, por si só já é muito interessante. Mas esse roteiro apresenta observações sensacionais, como por exemplo o fato de Adolf não concordar em nada com o atual cenário político do país, principalmente com seus seguidores, os Neonazistas, a quem considera uns fracotes. Embora o enredo não tenha compromisso com a realidade, é curioso também conhecer o personagem sob outro viés como seu amor pelos animais e pela natureza.

 

Um dos grandes destaques do filme é a atuação brilhante de Oliver Masucci, exagerada e engraçada na medida exata. Outro ponto forte é a edição, que consegue inserir um grande número de informações, piadas, ironias e insights com dinamismo e ritmo.

 

É um filme que possibilita uma série de reflexões sobre o modo como estamos nos comportando em sociedade, sobre como nossa forma de se organizar mudou pouco, mesmo com a história nos cobrando dívidas tão severas com o passado. E fica quase inevitável não fazer um comparativo com o atual momento político do Brasil, sendo uma pena que talvez os mais necessitados não enxerguem o quanto lhes serve a carapuça.

 

 

 

 

 

 

29
Set18

ELE? NÃO!

Talis Andrade

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por Gabriela Mendes Machado 

 

Primeiro levaram os negros

Mas não me importei com isso

Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários

Mas não me importei com isso

Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis

Mas não me importei com isso

Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados

Mas como tenho meu emprego

Também não me importei

Agora estão me levando

Mas já é tarde.

Como eu não me importei com ninguém

Ninguém se importa comigo.

INTERTEXTO - Bertolt Brecht

 

 

Empório do Direito - O texto supra fala por si. Quando estudamos História, é comum nos depararmos com as seguintes perguntas: “como foi que deixaram isso acontecer?” Como pode um ser humano agir desta forma com outro, com base em uma suposta superioridade étnica, financeira, de sexualidade. Olhamos para trás, exemplos não faltam.

 

* Na peça de teatro denominada “Unwanted”, a atriz Dorothée Munyaneza narra, de forma intensa e sofrida, relatos de mulheres vítimas de sucessivos estupros ocorridos durante o genocídio de 1994 em Ruanda, como arma de guerra. Narrativas que vão desde a introdução de pedaços de pau na vagina de meninas de dez, onze anos - que acabavam, muitas vezes, engravidando de seus algozes, e tendo que lidar, até os dias de hoje, com diversas DSTs, predominantemente a AIDs -, além de choques elétricos, dentre diversas outras formas de tortura, deixam os espectadores com o estômago se contorcendo durante todo o espetáculo. Pergunta-se: como isso pôde acontecer? Como deixaram isso acontecer? Conviviam em Ruanda algumas tribos, umas voltadas à agricultura, outras à pecuária, que tinham conflitos entre si, mas, nada que se comparasse com a matança generalizada havida após a colonização de Ruanda pela Alemanha, e posteriormente pela Bélgica. O conflito interno era interessante para os colonizadores, para fins de manutenção do poder. Mas, como proceder à manutenção do conflito junto àquelas tribos que habitavam o país, para que permanecessem em guerra? Superioridade racial. Não falha nunca junto aos desavisados, principalmente aqueles que já têm, em si, uma semente fascista precisando somente de algo ou alguém para germiná-la. No caso de Ruanda, com forte apoio da Igreja Católica, a Bélgica incutiu na mentalidade das pessoas de etnia tutsi – que foram escolhidas para ocupar cargos de administração local – a superioridade étnica, eis que eram eles os que tinham traços mais próximos dos europeus – tinham o nariz mais fino e a pele menos escura, embora ainda negra. Os tutsis tinham traços mais aristocráticos e menos rústicos que os hutus. Assim, questões políticas e de dominação europeia que foram instituídas pelo colonizador, mas permaneceram mascaradas pela suposta superioridade étnica dos tutsis em detrimento dos hutus – a conveniência do discurso racista – geraram, posteriormente, a reação hutu que ocasionou o genocídio de 1994, que deixou incontáveis vítimas e uma herança triste de guerra em Ruanda[1].


* No livro História Geral do Brasil, mostra-se de forma clara o contexto do país que permitiu a instauração do golpe militar que inseriu o país em duas décadas de ditadura. Após o governo de Juscelino Kubitschek, foi eleito Jânio Quadros, tendo como vice João Goulart. Àquela época, havia rumores de que este simpatizava com o comunismo, o que fez com que Jânio tentasse articular um golpe, com apoio do Congresso Nacional, para que tivesse amplos e ditatoriais poderes para governar. Decidiu, com isso, informar sua renúncia, a fim de que o Congresso, temeroso pela assunção de Jango ao cargo de Presidente, instituísse o comunismo no Brasil. Contudo, a renúncia foi aceita, tornando-se, Goulart, o novo presidente do Brasil. A seguir, a fim de tornar o presidente decorativo, aprovou-se uma emenda instituindo o parlamentarismo no país. Todavia, a seguir, temendo que, mesmo com o parlamentarismo, Goulart significasse um retorno ao populismo, os militares optaram por dar um golpe à democracia e assumir o poder em 1964, a pretexto de extinguir a ameaça do comunismo no país. Foram anos sombrios no país, nos quais várias pessoas foram capturadas, torturadas e mortas. Muitas famílias ainda sentem não terem tido a oportunidade de enterrar parentes queridos, desaparecidos na ditadura.


* A derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial instaurou verdadeiro caos no país, sobretudo após a assinatura do humilhante Tratado de Versalhes, que impunha uma séria de condições, tanto de abdicações territoriais, quanto de ordem indenizatória. Nesse contexto caótico, ascendeu no país a figura de Adolf Hitler, que, com um discurso nacionalista, antissemita e ditatorial, ganhou apoio dos cidadãos alemães, que acreditavam que ele podia reerguer o país. Acreditava-se na necessidade de unir a Alemanha, sobretudo considerando a possibilidade de existência de um inimigo interno, não alemão, que não ajudava a agregar o que sobrava do país no pós-guerra. O discurso de ódio a todo aquele que fosse diferente vingou entre os alemães, que se achavam superiores e não queriam a presença de não alemães em seu território. Nesse contexto, ganhou força o discurso purista, por meio do qual os alemães podiam se considerar uma raça superior, além de culpar o diferente tanto pela derrota alemã quanto pela dificuldade de reestruturação do país após a guerra. Daí, surgiram terríveis atrocidades contra os judeus e outros, sistematicamente enviados a campos de concentração, onde, após muita tortura, acabavam por morrer.


Das narrativas acima, verifica-se que o autoritarismo como um todo tem muito a ver com uma ideia de superioridade propagada por seus adeptos, aliada à existência de um perigo comum, muitas vezes hipotético, que unifica a sociedade em seu combate, custe o que custar.

 

O que tem o Brasil de 2018 a ver com tudo isso?

 

Temos um candidato à presidência da República que concentra, em si, todos os preconceitos possíveis em face das minorias políticas existentes no país. Ele ataca, com a mesma facilidade com que se faz uma piada sobre um jogo de futebol, negros, índios, mulheres, homossexuais. Exalta torturadores publicamente (conduta esta que é, inclusive, tipificada como crime). Fala em conter a ameaça comunista (é de uma falta de criatividade e de timing histórico...) e armar o “cidadão de bem” para combater o inimigo.

 

Em um país em que os negros são o maior alvo da seletividade do sistema penal[2], além de serem as principais vítimas de morte violenta[3], em que os índices de violência doméstica são absurdos e alarmantes (sendo o Brasil o 5º país em que mais se matam mulheres, conforme o último Mapa da Violência, realizado em 2015[4]), e no qual estas têm muito menos direitos que homens, e que lidera o ranking dos países em que mais se matam LGBTs no mundo, apoiar um candidato como esse é sintomático de que vamos mal em termos de Democracia.

 

Não podemos dizer que todos aqueles que compactuam com as ideias desse candidato sejam fascistas. Mas, soa um pouco contraditória a adesão ao candidato em questão, considerando que a justificativa de grande parte de seus eleitores é a falta de opções - pois não mais suportam um governo de esquerda, intervencionista, que os onera ao tutelar os mais pobres – quando há diversos outros candidatos concorrendo ao cargo de Presidente, alguns deles declaradamente liberais e qualificados para sustentar os seus discursos de direita, sobretudo na economia.

 

Reinaldo Azevedo, escritor historicamente ovacionado pela direita brasileira, adequadamente afirmou:

 

Não é o liberalismo de Bolsonaro que seduz porque este, a rigor, não existe. A sua trajetória o prova. É a mobilização da besta do preconceito e do rancor instalada no fundo de algumas consciências.

 

Menciona, a seguir, outros candidatos de viés inegavelmente liberal, que poderiam ser opções de voto, e conclui:

 

O Bolsonaro que atrai essas camadas de que falo é justamente o ILIBERAL, o reacionário, o do discurso fascistoide, o que alimenta a impressionante rede de ódio montada da Internet para xingar, intimidar, desmoralizar, enquadrar e demonizar pessoas que discordam dessa adorável visão de mundo[5].

 

Esse discurso de intolerância não pode ser admitido. O fascismo é assim. Vai nascendo aos poucos, florescendo, fazendo algozes e, na mesma medida, criando vítimas. Sempre há um inimigo comum a ser atacado: a ameaça comunista (golpe militar de 1964, no Brasil), o negro que é mais negro que o outro (como em Ruanda), o branco que é menos alvo que o outro (como na Alemanha fascista de Hitler). Quando vemos, as pessoas já estão matando as outras pelo simples fato de possuírem características que não lhes foi dado decidir se queriam ter, mas, das quais, não podem se livrar (ascendência, orientação sexual, cor da pele, gênero, etc.).

 

Como proceder, então? A única saída possível é a Democracia. É saber conviver com o diferente e respeitá-lo. Porque é fácil sustentar um discurso de opressão quando a vítima está do outro lado do front. Mas, e quando o fascismo bater à nossa porta e não tivermos feito nada sobre isso? E quando o homossexual morto é nosso filho? E quanto a mulher que perdeu o emprego “porque engravida” é nossa irmã? E quando o negro que é confundido com o autor de um delito é alvejado pelo “cidadão de bem” armado é a gente mesmo? Quem vai colocar limite no fascismo?

 

O ideal seria que tivéssemos empatia e conseguíssemos compreender a dor do outro (já que, por mais que tentemos, nunca conseguiremos saber a real dor de uma opressão sem, de fato, senti-la), mas, em não sendo possível, seria interessante que garantíssemos a dignidade do outro, porque isso é, em alguma medida, garantir a nossa própria dignidade.

 

Nunca é demais lembrar: "Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la”. (Edmund Burke)

 

 

Notas e Referências

[1] Sobre o tema, interessantíssimo o livro “Uma Temporada de Facões: Relatos do Genocídio em Ruanda”, de Jean Hatzfeld.

[2] No Brasi, 64% dos presos são negros, vide https://www.cartacapital.com.br/sociedade/no-brasil-64-dos-presos-sao-negros.

[3] Dados obtidos no Atlas da Violência de 2017, publicado pelo IPEA. Vide: http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=30253 .

[4] Vide: https://www.mapadaviolencia.org.br/mapa2015_mulheres.php .

[5] Vide: https://www3.redetv.uol.com.br/blog/reinaldo/e-o-liberalismo-de-bolsonaro-que-seduz-parte-dos-ricos-e-universitarios-nao-e-odio-a-pobre-e-a-diferenca-existem-os-candidatos-liberais/ .

 

 

29
Set18

TJRJ vai apurar vazamento de processo de ex-mulher contra Bolsonaro

Talis Andrade

Segundo a revista Veja, ela acusa candidato de furtar cofre, ocultar patrimônio e não declarar pagamentos

 

 

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JOTA - O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro informou nesta sexta-feira (28/09) que o Corregedor-Geral de Justiça, Claudio de Mello Tavares, instaurou sindicância administrativa para apurar eventual envolvimento de servidores e/ou magistrados no vazamento de um processo em segredo de Justiça contra o candidato a Presidência Jair Bolsonaro (PSL).

 

O teor do processo em questão, movido pela ex-mulher do candidato, foi noticiado pela revista Veja desta semana.Segundo a revista, na ação ex-mulher acusa candidato de furtar cofre, ocultar patrimônio, não declarar pagamentos e “agir com desmedida agressividade”.

 

Segundo a nota do TJRJ, a medida foi baseada no fato de que os processos de família tramitam em segredo de Justiça e a Editora Abril, responsável pela publicação, fez pedidos de desarquivamento de processos em trâmite nas Varas de Família da Comarca da Capital em que Jair Bolsonaro é parte.

 

Leia a nota do TJRJ:

 

“Considerando que, na data de hoje, foi veiculada pela imprensa matéria fazendo referência ao conteúdo de processo judicial relacionado ao candidato à Presidência da República, Jair Messias Bolsonaro;

 

Considerando que os processos de família tramitam sob segredo de justiça, só podendo ter acesso aos autos as parte e seus respectivos advogados;

 

Considerando que houve diversos pedidos de desarquivamento de processos em trâmite nas Varas de Família da Comarca da Capital em que o mencionado candidato é parte, formulados pela Editora Abril, responsável pela revista Veja;

 

Considerando que os requerimentos de desarquivamento são feitos mediante o preenchimento de formulário eletrônico, constante no sítio eletrônico do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, de forma automática e sem prévia apreciação do pedido pelos Magistrados responsáveis pelas Serventias Judiciais por onde tramitam tais processos;

 

Considerando que o Juízo da 5ª Vara de Família da Comarca da Capital formulou consulta a esta Corregedoria sobre a possibilidade de a Editora Abril solicitar o desarquivamento de processos de família, sob segredo de justiça, dando origem a procedimento administrativo;

 

Considerando que a matéria publicada, em uma primeira análise, não é esclarecedora sobre qual dos processos consta o conteúdo da matéria divulgada;

 

RESOLVE

Art. 1º – INSTAURAR SINDICÂNCIA ADMINISTRATIVA para apurar eventual envolvimento de servidores e/ou magistrados na concessão irregular de vista dos autos a terceiros;

 

Art. 2º – A presente Sindicância será processada nesta Corregedoria Geral da Justiça, tendo em vista que envolve Serventias Judiciais de Núcleos Regionais diversos;

 

Art. 3º – Encaminhem-se os autos para a COPPD para as providências de estilo;

 

Art. 4º – Autue-se e publique-se.

 

Rio de Janeiro, 28 de setembro de 2018.

 

CLAUDIO DE MELLO TAVARES

Corregedor-Geral de Justiça”

 

 

29
Set18

ELE NÃO Movimento libertário ganha o mundo hoje (vídeos)

Talis Andrade

Mulheres vão às ruas contra Bolsonaro em movimento histórico

media
Manifestações contra o candidato extremista de direita do PSL estão programadas neste sábado (29) em dez países

 

 

Milhares de mulheres simpatizantes do movimento #elenão vão sair às ruas neste sábado, 29 de setembro, contra a eleição do candidato da extrema direita Jair Bolsonaro (PSL) na presidência. Estão programadas manifestações em cerca de 80 cidades de 24 estados, além do Distrito Federal, e também no exterior, em pelo menos 10 países. Em Paris, o protesto das brasileiras está programado para amanhã, às 15h, na praça da República (Place de la République).

 

Em entrevista à RFI, a filósofa contou que teve sua senha no Facebook hackeada diversas vezes, quando então se deu conta do que estava acontecendo. “Fiquei sem comunicação, foi um susto, fiquei em pânico em Vitória da Conquista, estava há pouco tempo na cidade e não conhecia muitas pessoas”, explica. A direção da rede social foi alertada e passou a dar assistência às administradoras para evitar novos transtornos.

 

Depois de contatar advogados, reunir provas do hackeamento, protocolar queixa na delegacia local da Polícia Civil, Maíra e outras administradoras também deram entrada, na semana passada, com pedido de investigação na Polícia Federal por crime eleitoral da parte da campanha de Bolsonaro.

 

Movimento suprapartidário

 

A rapidez de mobilização das mulheres em todo o país e no exterior surpreendeu Maíra.

 

“Pelo que ele [Bolsonaro] representa para as mulheres no Brasil, eu esperava que o grupo fosse ter grande adesão. Mas o número de mulheres que alcançamos nessa luta me surpreendeu, principalmente porque foi num período curto de tempo, em poucos dias. Nunca pensei que conseguiríamos reunir tantas mulheres numa causa. O nosso movimento não é partidário. Cada uma tem sua escolha, sua opção. O que unifica a gente é este combate à misoginia, ao discurso de ódio desse candidato. Ouvimos relatos de mulheres que nos agradecem por estar sendo representadas nesse processo. É emocionante ver essa união tomar conta do mundo”, destaca.

 

A manifestação em Salvador, cidade onde vive a publicitária Ludmilla Teixeira, iniciadora da página no Facebook “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro”, terá proteção especial da polícia. Até a manhã desta sexta-feira (28), a página contava com mais de 3,8 milhões de mulheres inscritas. Devido à violência e às ameaças de partidários do candidato contra várias administradoras, policiais irão garantir a segurança dos protestos em outras localidades.

 

Ludmilla tem deixado claro em vídeos que a ideia da mobilização nasceu nas discussões do grupo, mas de forma espontânea, sem que as administradoras sejam responsáveis pelas manifestações.

 

Hackeamento e violência

 

Há 15 dias, a baiana Maíra Motta, professora de Filosofia residente em Vitória da Conquista (BA), foi a primeira administradora a ser hackeada por partidários de Bolsonaro. Ela trabalhava no recrutamento de moderadoras e colaborava na comunicação da página quando teve seu número de celular e contatos no Whatsapp sequestrados e resgatados em outra linha telefônica.

 

As administradoras têm reforçado com frequência em seus comunicados que se trata de um movimento suprapartidário. “Abraçamos democraticamente todos os posicionamentos políticos, ideologias diversas e temos membras de diferentes partidos políticos, desde que sejam contra o Inominável e seu discurso misógino, racista e homofóbico”, afirmam.

 

Segundo Maíra, a força do movimento representa “um fato histórico”. “Nós, mulheres, temos o poder em nossas mãos para contribuir para a mudança do nosso país”, diz emocionada. “Ver mulheres se posicionando no grupo contra maridos machistas que votam em Bolsonaro e ouvi-las dizendo que não vão se calar; vê-las vencendo o medo e se posicionando no mundo para defender seus direitos e exigir respeito, é fantástico”, descreve a filósofa.

 

Em entrevista gravada para a rádio Jovem Pan, na segunda-feira (24), o candidato do PSL disse que nunca pregou o ódio, declaração imediatamente contestada.

 

“Eu fui violentada. Quando hackearam meu telefone, chamaram professores baianos de um de meus grupos de macumbeiros. Eles propagam preconceito, misoginia, racismo, homofobia, o tempo todo. Bolsonaro dizer que não tem discurso de ódio é uma coisa triste. Afirmar que a última filha dele foi uma ‘fraquejada’ e enaltecer um torturador são práticas lamentáveis. Não é só isso: a campanha dele está sendo produzida com fake news, fotos de arquivo e vídeos de outras campanhas”, destaca a professora baiana. Maíra afirma que um dos filhos do candidato mantém em uma rede social a imagem do grupo hackeado, com a frase trocada ‘‘mulheres com Bolsonaro”. “Eles nunca fizeram uma retratação pública sobre isso”, deplora.

 

As administradoras do movimento, que utiliza as hashtags #elenão#elenunca#elejamais#MUCBvive#quase4milhoes#mulheresunidascontrabolsonaro, esperam que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) investigue o hackeamento como um crime eleitoral cometido pela campanha de Bolsonaro.

 

 

 

 

29
Set18

O roubo do cofre da ex-mulher de Bolsonaro

Talis Andrade

‘Ela disse que Bolsonaro estava mancomunado com o Banco do Brasil’, conta chaveiro do cofre da ex-mulher do presidenciável

 

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O chaveiro Jalmir Araújo de Azevedo, especializado em cofres bancários, na sua casa - Bruno Abbud / Agência O Globo

 

 

No fim de outubro de 2007, o chaveiro Jalmir Araújo de Azevedo, especializado em cofres bancários, cumpria expediente em Maricá quando recebeu um telefonema. Deveria socorrer uma cliente na agência do Banco do Brasil da Rua Senador Dantas, no centro do Rio. A cliente, a advogada Ana Cristina Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro, não conseguia abrir seu cofre com a chave de que dispunha. Quando Jalmir concluiu o serviço, a surpresa foi geral: o cofre estava vazio.

 

Segundo o chaveiro, a advogada creditou o sumiço de seus pertences — 200 mil reais em espécie, 600 mil reais em joias e 30 mil dólares, conforme revelou em depoimento na 5ª DP (Mem de Sá), em 26 de outubro de 2007 — a Bolsonaro. Continue lendo na revista Época da Globo

 

Leia mais na Folha de S. Paulo

 Leia mais no Estado de S. Paulo

 

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A principal disputa era sobre um roubo. Ana acusou Bolsonaro de furtar US$ 30 mil e mais R$ 800 mil (R$ 600 mil em joias e R$ 200 mil em dinheiro vivo) de um cofre em uma agência do Banco do Brasil, caso registrado em boletim de ocorrência no mesmo dia do furto (26 de outubro de 2007).

 

Alberto Carraz, gerente do BB e amigo de Bolsonaro até hoje, confirma apenas que o conteúdo sumiu. A investigação não deu em nada e acabou arquivada; Ana foi chamada a depor duas vezes e não foi.

 

Ocorria em paralelo uma outra disputa judicial, pela guarda do filho Jair Renan, levado por Ana para a Noruega em 2009.

 

Bolsonaro acusou a ex-mulher, no processo de partilha, de sequestrar o filho como forma de chantagem para receber de volta o conteúdo do cofre.

 

Segundo a VEJA, a anexação deste depoimento levou ao acordo sobre a partilha de bens nos termos acordados por Ana, assim como o retorno do filho do exterior.

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29
Set18

As jabuticabas do general Mourão contra os trabalhadores

Talis Andrade

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Políticos de Jundiaí contestam fala de Mourão sobre o 13º salário

 

por Carlos Santiago


Caiu como uma melancia, entre os políticos jundiaienses, a declaração dada pelo general Hamilton Mourão (PRTB), candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), de que “o 13º salário e o pagamento de adicional de férias são ‘jabuticabas’ – porque só existem no Brasil.”

 

Mourão fazia uma palestra na sede de uma entidade que reúne empresários de Uruguaiana (RS), quando se pôs a comentar o assunto. “Temos umas jabuticabas que a gente sabe que são uma mochila nas costas de todo empresário”, disse. Mourão prosseguiu: “Jabuticabas brasileiras: 13º salário. Como a gente arrecada 12 (meses) e pagamos 13? O Brasil é o único lugar onde a pessoa entra em férias e ganha mais. São coisas nossas, a legislação que está aí. A visão dita social com o chapéu dos outros e não do governo.”

 

A resposta do ‘chefe’ Jair Bolsonaro veio rápida, pelo Twitter: o candidato do PSL à presidência da República desaprovou o parceiro de chapa, afirmando que criticar o 13º salário é, “além de uma ofensa a quem trabalha, também mostra desconhecer a Constituição.”

 

Em Jundiaí, os comentários mais pesados vieram da ala esquerda. O presidente do PDT, Gerson Sartori, considerou a declaração vergonhosa. “É uma vergonha um candidato a vice-presidente da República achar que um direito do trabalhador, num país sofrido como o nosso, é um peso.”

 

Gerson prosseguiu em suas críticas, e lembrou até mesmo da situação dos países europeus com relação às condições de trabalho. “Nós falamos tanto em ‘buscar’ os países do Primeiro Mundo… Não à toa, a melhor remuneração do trabalhador, em relação a salário-hora, é na Alemanha.”

 

O presidente do PSDB, José Galvão Braga Campos, o Tico, chegou a ironizar: “Será que ele vive no mesmo país que a gente?” Para Tico, o General Mourão “vive em um patamar financeiro muito diferente da grande maioria do povo brasileiro. Ele nem sabe o que passa nosso povo. Esse é o tipo de gente que quer governar o país – pessoas que não se identifica com o povo brasileiro.”

 

O deputado federal Miguel Haddad (PSDB), no entanto, optou por um tom comedido. “O próprio candidato a presidente, Jair Bolsonaro, desautorizou, como mostra a imprensa, a fala do seu vice. É uma proposta que não faz sentido”, comentou Miguel.


O presidente do PP de Jundiaí, Edilson Chrispim, também preferiu um comentário mais ameno. “O 13º salário está previsto no artigo 7º da Constituição. Infelizmente, ele foi muito infeliz na sua fala. Os trabalhadores já são muito penalizados com os preços altos, não seria justo mais esta perda.”

 

 

 

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