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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

31
Ago18

Ele é o melhor candidato a presidente do Brasil

Talis Andrade

 

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Na votação de cartas marcadas no Tribunal Superior Eleitoral, no entender de Luís Roberto Barroso, o PT tem até dez dias para apresentar eventual substituto à candidatura Dele.

 

"Voto pela procedência das impugnações formuladas, pelo reconhecimento da incidência da causa de inelegibilidade e, como consequência, eu indefiro o pedido de registro de candidatura Dele à Presidência da República", disse Barroso. 

 

O ministro relator do caso entende ainda que Ele, o candidato do povo, não pode nem fazer campanha eleitoral, portanto, está proibido de pedir votos para si na propaganda de rádio e TV

 

Contra os nazistas, os fascistas, os golpistas, os direitistas, os privatistas, os duplas nacioanalidades, os entreguistas vote no candidato dos sem terra, dos sem teto, dos que vivem com menos de mil reais por mês, dos sem nada, dos favelados.

 

Vote Nele!

 

Ele é o melhor candidato para a independência do Brasil e felicidade do povo em geral. 

 

Os safados, os agentes do Império, os inimigos do povo, os traidores da Pátria, os vendilhões do Brasil podem censurar o nome Dele, mas o nome Dele está gravado nos corações de todos os brasileiros.

 

Não há como amordaçar.

 

O grito virá das urnas democráticas: - É Ele livre!

 

- Ele Presidente!

 

"Cálice" Barroso!

"Cálice" TSE!

"Cálice" Moro!

"Cálice" TF-de 4

 

 

 

 

 

 

31
Ago18

Bolsonaro: inimigo da democracia e do Brasil

Talis Andrade

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por Paulo Moreira Leite

 

Basta ter um mínimo de memória política, para reconhecer que o universo de preconceito e violência que alimenta a campanha de Jair Bolsonaro pertence a uma árvore genealógica conhecida, que produziu os piores ditadores que a humanidade conheceu em tempos recentes.

 

Ian Kershaw, o respeitado biógrafo do cabo austríaco Adolf Hitler, deixou uma observação definitiva sobre o personagem responsável pela Segunda Guerra Mundial, que matou 50 milhões de homens e mulheres no século XX. Ao contrário de lideres políticos tradicionais, explicou, Hitler não possuía um projeto de país nem um programa claro de governo. Toda sua ação era motivada por uma causa única - o preconceito - e o impulso mórbido para confirmar suas convicções de qualquer maneira, tentando castigar e eliminar povos inteiros, como judeus, eslavos e ciganos.

 

Ainda que seja necessário evitar comparações simplistas, as semelhanças estão aí para quem quiser ver. A incapacidade de Bolsonaro apresentar elaboração própria para resolver qualquer uma das grandes mazelas brasileiras é indiscutível e constrangedora e ajuda a explicar a presença cada vez mais destacada do Chicago Boy Paulo Guedes na campanha.

 

Responsável pela abertura dos salões da elite globalizada a um capitão considerado por muitos como tosco demais para ser levado a sério, Paulo Guedes faz o serviço político básico de eliminar qualquer vestígio de nacionalismo - mesmo retórico - no discurso de um candidato que, como militar, tem (ou deveria ter) na soberania nacional um item básico de formação. Como já observei aqui neste espaço, o economista anunciou a linha de política econômica de Bolsonaro ao declarar na Globo News, com toda clareza, que o projeto do candidato é dar continuidade ao mais impopular e entreguista governo de nossa história republicana: "Vamos fazer o que o Temer tem feito, só que mais rápido".

 

Vamos fazer o que o Temer tem feito, só que mais rápido

 

"Ele (Paulo Guedes) pode ser presidente do Brasil", diz uma capa de Veja (22/8/2018), confirmando seu espaço na campanha. Essencialmente, o economista tornou-se o fiador do compromisso estratégico de entregar ao setor privado nacional e principalmente internacional as estatais que representam a herança positiva do desenvolvimentismo do período militar. Esta operação envolve o repasse, em clima de liquidação, de empresas com desempenho regular, bom e mesmo ótimo em várias áreas. Como, na visão de Paulo Guedes, estatal é sinônimo de lucro, até uma doação pode ser considerada benéfica.

 

Depois de uma longa fase inicial de investimentos custosos e retorno demorado, boa parte das estatais chegou à fase do filé mignon, tornando-se alvo de cobiça compreensível e sem disfarce. No Brasil de 2018, a história se encontra neste ponto.

 

Há exatamente 40 anos, num seminário da antiga Gazeta Mercantil, os maiores empresários do país assinaram um manifesto no qual incluíam a privatização de estatais como sua maior reivindicação ao defender a democratização do país.

 

Entre vitórias, derrotas e muitos empates, o país tem resistido desde então. A cobiça econômica do andar superior da pirâmide permanece. Mas o compromisso com a democracia se enfraqueceu ainda mais, como demonstra a sustentação irresponsável a Bolsonaro, cuja campanha é marcada por manifestações permanentes de ódio ao regime democrático e seus protagonistas visíveis e obrigatórios - os pobres, as mulheres, os negros, os gays.

 

Nos 27 minutos de depoimento ao Jornal Nacional, em 28 de agosto, Bolsonaro deixou claro o apoio incondicional ao golpe militar de 31 de março de 1964, incompatível com os princípios legais em vigor no país desde a promulgação da Carta de 1988 - e que um presidente tem obrigação de cumprir e fazer cumprir. É preocupante mas coerente com a história do candidato. Os vídeos da lamentável sessão da Câmara, na qual se consumou o golpe que derrubou Dilma Rousseff, mostram um brilho estranho no olhar de Bolsonaro quando celebra a queda de uma presidente eleita como uma revanche para homenagear o coronel da tortura Carlos Alberto Brilhante Ustra. Essa é sua visão do curso da historia presente, entendeu?

 

Feia demais para ser estuprada

 

Por trás da expressão "feia demais para ser estuprada" dirigida à deputada Maria do Rosário, não se expressa só uma ofensa patriarcal ou machista, mas também um impulso de morte, de quem tem ódio pelas mulheres, fazendo o possível para que sejam humilhadas em público. As manifestações de preconceito bruto contra brasileiros negros - maioria da população, alvo de uma opressão de três séculos - são tão visíveis que se tornaram objeto de uma decisão no STF, na qual sua chance de escapar de uma investigação necessária se concentra no auxílio de Alexandre Moraes, instalado na mais alta corte de país pelo amigo Temer - aliado não apenas em assuntos de política econômica, como se vê.

 

O retrospecto mostra que Bolsonaro faz o possível para enfraquecer a sempre frágil democracia brasileira há pelo menos 30 anos. Em 1988, quando o povo sequer havia recuperado o direito de escolher o presidente da República nas urnas, o capitão entregou à revista Veja o croqui de um atentado terrorista na adutora do Guandu e outros pontos estratégicos do Rio de Janeiro, segunda maior cidade do país. A revista não apenas publicou o esquema do atentado, esclarecendo que fora elaborado "de próprio punho" pelo capitão. Veja também escreveu que "sem o menor constrangimento, Bolsonaro deu uma detalhada explicação sobre como construir uma bomba-relógio. O explosivo seria o trinitrotolueno, o TNT, a popular dinamite. O plano dos oficiais foi feito para que não houvesse vítimas. A intenção era demonstrar a insatisfação com os salários e criar problemas para o ministro (do Exército) Leônidas Pires Gonçalves”, diz a Veja, que gozava de uma credibilidade impensável nos dias de hoje e era célebre pelas fontes na cúpula das Forças Armadas.

 

Embora o próprio Bolsonaro tenha desmentido a notícia, ele chegou a ser condenado em primeira instância. O episódio também está na origem de sua passagem para a reserva - não remunerada - quando deu início à carreira política como vereador, no Rio de Janeiro. Criando conflito com oficiais que sustentavam a democratização com Sarney, jogava ao lado daqueles que resistiam a todo esforço de abertura política.

 

O círculo se fecha na campanha de 2018, quando fez da segurança pública, alvo número 1 de sua retórica de candidato. Seu caminho é a violência. A resposta única de Bolsonaro se expressa numa encenação mórbida, na qual ele simula dar aulas de tiro a uma criança de colo, gesto que confirma a irresponsabilidade social e leviandade política.

 

Nenhum aprendiz de policial pode imaginar que, com armas na mão, homens e mulheres ocupados em pagar as contas do fim do mês e cuidar do futuro dos filhos, serão capazes de enfrentar bandos criminosos profissionais que infernizam as grandes cidades. Nossa violência policial produz uma safra de 60.000 mortes por ano, em sua maioria criminosos reais, potenciais ou suspeitos. O patamar é recorde mundial. Apesar disso, o saldo é uma violência que não para de crescer - o que apenas demonstra que é necessário procurar outros caminhos, a começar pela ampliação de oportunidades para milhões de brasileiros emparedados pelas dificuldades de uma sociedade tão desigual e injusta.

 

Nem mesmo nos Estados Unidos, a pátria da liberação de armas, acredita-se que a venda de metralhadoras pelo correio tenha alguma utilidade para elevar a segurança das pessoas. Pelo contrário. Traumatizada por tragédias frequentes, a população quer controle e mesmo proibição. O debate não avança, e nenhuma proposta chega a ser votada em função dos lobistas da industria de armas. Considerados os mais poderosos de Washington, eles financiam um Congresso submisso com verbas de campanha - fenômeno que o eleitor brasileiro conhece muito bem. Corrupção disfarçada, não tem nada a ver com a segurança dos cidadãos e suas famílias.

 

Conclusão: enquanto o candidato finge dar aula de tiro para crianças, sua campanha faz acenos de verdade para a indústria que busca um mercado de morte e violência para seus produtos.

 

Alguma dúvida?

 

 

31
Ago18

Bolsonaro mentiroso e desonesto acusa escritora francesa

Talis Andrade

No que talvez tenha sido o momento mais tumultuado da sua entrevista no Jornal Nacional, na noite desta terça-feira, Jair Bolsonaro (PSL) mostrou às câmeras por poucos segundos um livro intitulado Aparelho sexual e Cia, cuja capa traz o desenho de um menino de topete loiro olhando um tanto quanto assustado para o que tem dentro das próprias calças. Seria só mais um dos incontáveis episódios polêmicos de um candidato que tem esbravejado contra o que chama de campanha para o ensino de "ideologia de gênero" nas escolas do Brasil, não fosse um detalhe: praticamente tudo o que o candidato falou quando se referiu à publicação não encontra respaldo na realidade. Confira aqui

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Hélène Bruller

 

A escritora francesa Hélène Bruller não sabia que o seu livro Aparelho Sexual e Cia. (Le Guide du Zizi Sexuel, no original em francês) havia se tornado alvo no Brasil de uma verdadeira cruzada promovida por Jair Bolsonaro, candidato à presidência da República pelo PSL. Mas não se pode dizer que ela, que assina obra junto com o suíço Philippe Chappuis (conhecido como Zep), tenha ficado propriamente surpresa: “Grupos extremistas católicos já tentaram proibir o livro e a exposição que foi feita a partir dele. Como sempre, aumentaram o sucesso da obra. Talvez eu devesse agradecê-los... Mas aí já é me pedir demais”, ironiza a autora.

 

 “Eu acho que lá no fundo do Bolsonaro existe um pequeno garoto, o petit Jair, que teria adorado se, na sua infância, lhe tivessem dado de presente um exemplar do Aparelho Sexual e Cia", diz.

 

E mais uma coisa: se ignoramos tudo, como podemos saber a diferença entre sexualidade e pornografia? Esse senhor, o Bolsonaro, nunca falou com mulheres sobre a experiência da sexualidade. Porque, do contrário, ele saberia que muitas jovens que foram casadas com homens sem ter qualquer informação sobre a sexualidade lamentaram essa união. Algumas se casaram com homens torpes , nunca conheceram o prazer ou sequer souberam que ele existe! Outras deixavam seus maridos realizarem certas práticas, como a sodomia, sem que elas necessariamente as desejassem. Tudo isso porque essas mulheres não sabiam que tinham o direito de dizer “não”. É essa a vida que o senhor Bolsonaro promete às jovens mulheres brasileiras? Socorro.

 

Disse mais Hélène Bruller:

"Há, no entanto, algumas particularidades muito claras da personalidade do senhor Bolsonaro: ele denigre o meu trabalho, então é uma pessoa sem qualquer respeito; e se sente no direito de usar o meu livro para sua autopromoção sem me consultar antes, então é uma pessoa desonesta. Não são as características que esperamos de um suposto representante da moralidade.

Agora o mais importante é a perversidade subjacente desse senhor: ele grita para quem quer ouvir que não temos que falar muito sobre a sexualidade, mas ele só fala disso. Eu acho que as obsessões do senhor Bolsonaro dizem muito sobre o que ele próprio tem na cabeça". Leia entrevista aqui 

 

31
Ago18

Lula é a estrela virtual da campanha eleitoral no Brasil, diz Le Monde

Talis Andrade

 

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O jornal Le Monde desta sexta-feira (31) dá destaque a Lula.Fotomontagem RFI

 

 

A imprensa francesa desta sexta-feira (31) fala sobre eleições no Brasil. "Lula, a estrela virtual da campanha presidencial" é a manchete de uma matéria assinada pela correspondente do jornal Le Monde em São Paulo.

 
 

"Sua imagem aparece na maioria dos cartazes do Partido dos Trabalhadores, seu nome está em todas as bocas e sua herança é citada em todos os debates. Mas, Luiz Inácio Lula da Silva, de 72 anos, não está presente", escreve a repórter do Le Monde Claire Gatinois. Ela explica que Lula está preso em Curitiba, onde ele cumpre uma pena de 12 anos e um mês de prisão por corrupção.

 

Entretanto, salienta, o petista é "o grande favorito nas pesquisas de intenção de voto" e "vive a campanha eleitoral à distância, diante de sua televisão". "A seus advogados, cada segunda e sexta, ele dita os tuítes que serão enviados em seu nome e acompanha os passos de seu pupilo, Fernando Haddad, que percorre o país para tentar eleger esse candidato fantasma", publica Le Monde.

 

O jornal lembra que nesta sexta-feira, o Tribunal Superior Eleitoral pode colocar um fim ao que classifica de "estranha situação" e validar ou não a candidatura do ex-presidente. "Raros são aqueles que, tanto à esquerda, como à direita, imaginam uma decisão favorável [a Lula]", escreve Le Monde, lembrando que a Lei da Ficha Limpa estabelece que um condenado em segunda instância, como é o caso do petista, não pode concorrer em eleições ao menos durante oito anos.

 

Lula continua liderando as pesquisas

 
 

O diário destaca que, de acordo com as últimas pesquisas, Lula teria 39% dos votos no primeiro turno, bem à frente do candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro, que tem 19% das intenções de voto, e Marina Silva, "porta-voz da consciência ecológica", que tem 8%. Nos últimos meses, "Lula ganhou nove pontos, sem jamais sair de sua cela", publica Le Monde.

 

Gênio político para uns, oportunista para outros, Lula tira proveito de uma conjunção de acontecimentos que permitiram que ele superasse uma situação desastrosa, reitera o diário. Le Monde lembra o impeachment de Dilma Rousseff e a presidência do Brasil assumida pelo impopular Michel Temer, envolvido em diversos casos de corrupção, bem como seus aliados, que o ajudaram a aprovar reformas impopulares que em nada permitiram melhorar a situação econômica, o desemprego e a segurança no Brasil.

 

Por isso, escreve Le Monde, a campanha de Lula, que propõe salvar o Brasil, faz sucesso, enquanto as diversas investigações anticorrupção que o visaram são apresentadas como uma manobra política vulgar para o impedir de voltar à presidência. A tese é reforçada por um poder judiciário, que é incapaz de mostrar a mesma eficácia empregada contra o petista a seus opositores, como o próprio Michel Temer ou o Aécio Neves, do PSDB.

31
Ago18

Líder do partido social-democrata da Alemanha visita Lula na prisão em Curitiba

Talis Andrade

 

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Martin Schulz (esq), e o ex-prefeito de São Paulo e candidato a vice na chapa de Lula, Fernando Haddad, em visita ao ex-presidente brasileiro na prisão em Curitiba

 

 

RFI - “Encontrei o presidente Lula na prisão e vi uma pessoa muito corajosa e combativa”, disse Martin Schulz, líder do partido social-democrata alemão (SPD) e ex-presidente do Parlamento europeu, que visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na prisão em Curitiba, nesta quarta-feira (30).

 

“Vim ao Brasil na condição de representante da social-democracia alemã e dos socialistas europeus para cumprimentar uma pessoa com a qual nós cooperamos muito tempo enquanto ele foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, presidente do Partido dos Trabalhadores e presidente da República”, disse Martin Schulz, uma das maiores lideranças políticas da Alemanha.

 

Schulz afirmou em coletiva após a visita que as eleições de 2018 no Brasil não serão importantes apenas para o país e para o continente latino-americano, mas também para “o mundo inteiro”. “Nós estamos numa situação política muito peculiar”, disse o líder social-democrata alemão. “No lugar do multilateralismo, e da democratização que foram defendidos pelo governo de Lula e Dilma Rousseff, nós estamos vivenciando, não apenas no Brasil, mas também no mundo inteiro, um retorno a políticas nacionalistas”, disse.

 

“Será que é possível fazer do Brasil ainda um motor da democratização no mundo inteiro?”, continuou Schulz, que também foi presidente do Parlamento europeu. Ele disse acreditar que o PT, Lula e a esquerda brasileira simbolizam a “cooperação internacional” em torno dos “direitos humanos e fundamentais”. “Por essa razão, estou aqui para expressar a solidariedade com o Partido dos Trabalhadores e seu candidato”, declarou o político alemão.

 

Martin Schulz disse ainda que não era de sua competência “formar um juízo sobre as sutilezas jurídicas do embate jurídico no Brasil”, mas que “uma coisa fica clara para nós: as circunstâncias do processo contra Lula semeiam dúvidas em relação a esse processo”. “O Brasil teve um papel muito importante na política internacional, e nesse sentido deveria aceitar a recomendação da comissão de Direito Humanos da ONU”, afirmou.

 
 

“Nenhum poder neste momento poderá evitar que eu siga confiando em um homem com quem cooperei durante muitos anos e em quem eu continuo confiando”, declarou o parlamentar alemão.

 

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31
Ago18

Os capas pretas têm medo de Lula

Talis Andrade

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Em novo e emocionante vídeo da campanha de Lula, há um contundente questionamento: "Por que o pessoal de preto quer impedir Lula de ser candidato?", pergunta o narrador.

 

Por que não soltam Lula e não querem deixá-lo concorrer? É que a turma de preto tem medo. Eles sabem que se deixar Lula jogar, ele ganha".

 

No vídeo, o ex-presidente diz que ele não está em julgamento, mas sim "o tipo de governo" que o PT fez: "Estou com a consciência leve, dos inocentes".

 

No vídeo, o ex-presidente recorda os tempos do seu governo. "O que está em julgamento na verdade não é Lula. O que está em julgamento, na verdade, é o tipo de governo que nós fizemos neste país".

 

"Como é que nós vamos prestar contas ao nosso telespectador, aos nossos ouvintes, se, de repente, esse Lula não cometeu o crime que disseram que ele cometeu?", questiona em audiência com o juiz Sérgio Moro.

 

Segundo Lula, os juízes que lhe julgaram "devem estar com a consciência pesada". "Eu estou com a consciência leve, dos inocentes", afirma ele no vídeo:

 

 

31
Ago18

Juíza carcereira cobra de Lula 31 milhões por um triplex que foi leiloado por 2 milhões

Talis Andrade

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O Brasil tem a justiça mais cara do mundo. Cara porque precisa bancar o custo de mais de cem tribunais e palácios com suntuosas cortes, e juízes, promotores, procuradores, desembargadores, ministros com salários acima do teto, mais diferentes auxílios e prendas mil. 

 

A carcereira Carolina Lebbos, que responde pela execução penal de Lula, que vem sendo mantido como preso político para não disputar eleições presidenciais que venceria com extrema facilidade, decidiu cobrar nada menos que R$ 31 milhões do ex-presidente, como multa e indenização decorrente do processo do triplex – um imóvel que nunca foi dele, e que foi leiloado por R$ 2,2 milhões. 

 

Lebbos, considerada a "algoz de Lula" pela revista Veja,  é a mesma que ontem proibiu a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) de advogar para Lula – o que nem a ditadura militar ousou fazer, que Lula teve inclusive permissão de ir ao enterro da mãe, e podia conceder entrevista para a imprensa.

 

Parece piada, humor macabro. Ordenou a carcereira: Que Lula pague R$ 31.195.712,78 referentes a multa, custas processuais e reparação de danos no caso do triplex do Guarujá (SP) ou formule proposta de parcelamento em 15 dias. 

 

Será que Lesbos explica os 12 reais e 78 centavos dessa fatura? 

 

Pelo referido triplex, Sergio Moroo cobrou do ex-presidente R$ 1.003.600 de multa.

 

Dias atrás, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, disse que o Poder Judiciário, com esta perseguição insana, criou um mártir: Lula.

 

31
Ago18

O Brasil da miséria, do ódio e da violência: o que a mídia tem a ver com isso?

Talis Andrade

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Em sua 33ª edição, o Criança Esperança revela um pseudo-altruísmo da emissora

 

por Jeana Laura da Cunha Santos

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Feminicídio, latrocínio, analfabetismo, miséria, subemprego, informalidade, degradação do mercado de trabalho, doenças antes erradicadas e que voltam a assombrar. Prisões e morte de líderes políticos, silenciamento em universidades públicas, espancamento de estrangeiros em fronteiras outrora amigáveis… Manchetes alarmantes sobre um Brasil que retrocede a olhos vistos após o estopim de um golpe jurídico-parlamentar-midiático, cuja consolidação no país nos lembra a cada manhã o quanto a democracia se fragiliza e o Estado de Direito se torna uma tênue quimera.

 

Os números são contundentes: segundo o anuário estatístico do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou novo recorde com 63.880 mortes violentas intencionais em 2017, uma média de 30,08 mortes por 100 mil habitantes, um morticínio superior ao de países em conflitos armados; a mortalidade materna voltou a crescer no Brasil, registrando, em 2016, 64,4 óbitos de mulheres para cada 100 mil nascidos vivos; os subocupados e desempregados no país somam 26 milhões de pessoas, um quarto da força de trabalho de 104 milhões; 84% dos trabalhadores estão com problemas financeiros e 32% dos brasileiros que pedem empréstimo pessoal o fazem para pagar dívidas.

 

Tal situação deplorável avançou aceleradamente nos últimos anos desde que um governo ilegítimo vem implantando sua política nefasta e neoliberal de cortes em áreas estratégicas e vitais, levando o país a uma situação econômico-social das mais graves de que se tem notícia nos últimos tempos.

 

O problema é que a denominada grande mídia anuncia tais manchetes como se nada tivesse a ver com isso.

 

O “Criança Esperança” da Globo e o fim da esperança

 

Atrelada até a medula às oligarquias financeiras da qual faz parte, a mídia hegemônica, patrocinadora do golpe, até hoje não fez mea-culpa sobre o papel preponderante que teve no cenário aterrador em que o Brasil se encontra. Nunca estabeleceu uma relação direta entre o golpe disfarçado de impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, e que acabou levando à prisão de Lula, e o fim melancólico das políticas sociais que ela procurou implementar com o objetivo de diminuir as desigualdades sociais e assim evitar o que a sucessão de dados estatísticos aterradores mais acima evidencia. No cenário de hoje, os grupos empresariais jornalísticos apenas matraqueiam notícias sobre um País em crise, mas sem jamais reconhecerem seu protagonismo deletério neste processo. Quando muito, procuram trazer matérias inócuas sobre indivíduos empreendedores que driblam a crise ou campanhas “altruístas” para se sair da miséria.

 

Um exemplo simples deste cinismo é a campanha da Rede Globo “Criança Esperança”, em parceria com a UNICEF e UNESCO, no ar agora em sua 33ª edição. Enquanto a emissora lança mão de seu casting de atores famosos para passar o chapéu, milhares de crianças voltam ao estado de miséria e abismo perpetrado por esta mesma mídia que sempre combateu e conspirou contra projetos de esquerda que, doce ironia, esses sim poderiam minimizar as desigualdades sociais e, portanto, melhorar as condições de vida de muitas crianças. Um paliativo com ares de pseudo-altruísmo. A Globo finge se importar, mas não é capaz de minimamente mencionar políticas públicas transformadoras ou ações coletivas efetivamente contundentes. Suas pautas cotidianas não tratam sobre concentração de renda e a necessidade de pagamento de mais impostos por parte da elite econômica. E pior: conspira deliberadamente contra qualquer presidenciável que ostente tal agenda em sua plataforma política, ajudando a fundar ou perpetuar o que o filósofo francês Alain Badiou definiu, em entrevista à Carta Capital de 22 de agosto, como “uma ditadura política dos grandes grupos financeiros e industriais nacionais, e também midiáticos”. Falava ele da França, mas poderia perfeitamente estar falando do Brasil.

 

Contra a mídia hegemônica, a mídia plural

 

Contra tal ditadura midiática de que fala Alain Badiou só há uma difícil, porém essencial, saída: a democratização dos meios de comunicação no Brasil. Uma solução óbvia, mas que não foi enfrentada por quem se tornaria vítima da falta de isenção e pluralismo com que futuramente seria tratado.

 

Se nem o ex-presidente Lula nem a ex-presidenta Dilma enfrentaram a questão no passado, pagando um alto preço pela conduta, hoje essa é uma questão imperativa na pauta do atual candidato petista Fernando Haddad, que pretende investir fortemente na garantia da universalização da banda larga, desconcentrar os investimentos publicitários estatais, além de distribuir concessões também para universidades, sindicatos e organizações da sociedade civil. Um marco regulatório essencial e estratégico para restabelecer a democracia no Brasil e para que as notícias ruins apontadas no começo deste comentário sejam veiculadas pelo que contêm de exceção e não pelo que possuem de regra.

 

31
Ago18

As ditaduras começam manipulando a comunicação

Talis Andrade

O primeiro passo de cada ditadura é a manipulação sem escrúpulos da comunicação livre, através da sedução dos escândalos e das calúnias, para enfraquecer a vida democrática e condenar pessoas e instituições. Um sistema – afirmou o Papa na missa celebrada na segunda-feira, 18 de junho, em Santa Marta – que foi aplicado também pelas ditaduras do século passado, como confirma o horror da perseguição contra os judeus. Mas que encontramos também hoje em muitos países, assim como no dia a dia.

Para a sua reflexão Francisco inspirou-se na primeira leitura, tirada do primeiro Livro dos Reis (21, 1-16), constatando a sua atualidade e convidando todos a lê-la novamente a fim de a fazer própria: «A história de Nabot é comovedora: é a história de um mártir, mártir da fidelidade à herança que tinha recebido dos seus pais». E «a herança não se vende: esta era a convicção de Nabot». Porque, explicou o Pontífice, «a herança ia além da vinha», era «uma herança do coração: isto não se vende».

 

«Eu preservo a herança» insistiu o Papa. Mas o trecho bíblico, prosseguiu, narra-nos «o desejo, digamos assim, deste rei – pobrezinho, não sabia o que queria, não sabia governar – que, como uma criança, se torna caprichosa: “Eu quero isto, eu sou o rei”». E «dado que não sabe como agir, faz como as crianças quando não conseguem ter o que desejam: choram, tornam-se tristes». Mas eis que «a esposa – uma mulher decidida, cruel, que acabará por ser comida pelos cães – o repreende: “Levanta-te, ensinar-te-ei como se governa”». E «deste modo nasce esta história» apresentada pela liturgia.

 

«A história de Nabot é paradigmática de tantos mártires da história», afirmou Francisco: «É paradigmática do martírio de Jesus; é paradigmática do martírio de Estêvão; é paradigmática também do Antigo Testamento, de Susana; é paradigmática de numerosos mártires que são condenados por causa de uma encenação caluniosa». Mas «esta história – explicou ainda o Pontífice – é também paradigmática da maneira de proceder na sociedade de tanta gente, de muitos chefes de Estado ou de governo: comunicam uma mentira, uma calúnia e, depois de ter destruído quer uma pessoa quer uma situação com esta calúnia, julgam aquela destruição e condenam».

«Ainda hoje, em numerosos países – observou o Papa – usa-se este método: destruir a comunicação livre». E continuou: «Por exemplo, pensamos, às vezes há uma lei da mídia, da comunicação, e cancela-se aquela lei; entrega-se todo o conjunto da comunicação a uma empresa, a uma sociedade que calunia, diz falsidades, enfraquece a vida democrática». Depois «chegam os juízes para julgar estas instituições enfraquecidas, estas pessoas destruídas, condenam, e a ditadura avança deste modo». Aliás, acrescentou Francisco, «as ditaduras, todas, começaram assim, deturpando a comunicação, para a colocar nas mãos de uma pessoa sem escrúpulos, de um governo sem escrúpulos».

 

Mas «também na vida diária é assim» realçou o Papa. A ponto que «se eu quiser destruir uma pessoa, começo com a comunicação: mexericar, caluniar, anunciar escândalos». Além disso, acrescentou, «anunciar escândalos é um facto que exerce uma sedução enorme, uma grande sedução». Com efeito, «seduz-se com escândalos, as boas notícias não são sedutoras: “Sim, mas que coisa boa que ele fez!”». E a notícia «passa» imediatamente. Ao contrário, diante de «um escândalo», a reação é: «Mas, já viste! Deste conta! Viste aquele outro o que fez? Esta situação não está bem, não é possível continuar assim!».

 

Deste modo, prosseguiu o Pontífice, «a comunicação cresce e aquela pessoa, aquela instituição, aquele país acaba na ruína». Agindo desta maneira, «não se julgam afinal as pessoas, julgam-se as desgraças das pessoas ou das instituições, porque não podem defender-se». Nesta perspetiva, Francisco sugeriu que pensemos «em Susana, por exemplo, quando diz: «mas eu estou num canto, se eu ceder à sedução e pecar, serei condenada pelo Senhor; se permanecer na minha fé, serei condenada pelo povo”».

 

«A sedução do escândalo na comunicação – insistiu o Papa – leva precisamente à margem, destrói». E foi isto «o que aconteceu com Acab, na história de Acab. Aconteceu com Nabot, o justo, que queria apenas uma coisa: ser fiel à herança dos seus antepassados, não vender o legado, não vender a história, não vender a verdade».

 

«Comove-me muito – confidenciou o Pontífice – ver como Estêvão profere aquele longo discurso a quantos o acusam: não escutavam e, paralelamente, escolhiam as pedras para o lapidar». Com efeito, para eles «era mais importante apedrejar Estêvão do que ouvir a verdade». Precisamente «este é o drama da avidez humana: que inclusive a avidez é débil, porque este rei deseja tantas coisas, mas é um débil, e quando vê que não consegue vai para cama». Mas eis que «há a crueldade» de «quem lhe fala ao ouvido, dizendo-lhe o que deve fazer: destruir».

 

E «assim vimos tantas pessoas destruídas por uma comunicação malvada como esta que fez a rainha Jezabel» reconheceu Francisco, sublinhando: «Muitas pessoas, numerosos países destruídos por ditaduras malvadas e caluniosas: pensemos, por exemplo, nas ditaduras do século passado». Em particular, disse o Papa, «pensemos na perseguição dos judeus: bastava uma comunicação caluniosa contra os judeus e acabavam em Auschwitz porque não mereciam viver». E isto «é um horror, mas um horror que se verifica ainda hoje: nas pequenas sociedades, contra as pessoas e em vários países». O primeiro passo, reafirmou o Pontífice, consiste «em apropriar-se da comunicação e, depois chegam a destruição, o julgamento e a morte». Por conseguinte, «não era uma ideia peregrina a do apóstolo Tiago, quando falou da língua e da capacidade destruidora da comunicação malvada: ele sabia do que estava a falar».

 

Na conclusão, Francisco convidou a encontrar «um pouco de tempo, pois todos vós sois também pessoas atarefadas», para pegar «no primeiro livro dos Reis, capítulo 21, e reler esta história de Nabot». E pensar «nas numerosas pessoas destruídas, nos muitos países destruídos, nas tantas ditaduras de «luvas brancas» que aniquilaram vários países». E «isto devido à força da comunicação caluniosa que encoraja esta destruição». Portanto, repetiu o Papa, «retomemos hoje o primeiro livro dos reis, capítulo vinte e um – não vos esqueçais – e leiamos este injustiça que acontece ainda hoje entre nós». Transcrito do L'Osservatore Romano.

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