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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

01
Jul18

Quando será investigada a corrupção da farsa da Lava Jato?

Talis Andrade

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"Os furos da Lava Jato"

 

 

Escreve Frei Betto: "A corrupção é inerente à história humana. Até no grupo de apóstolos escolhidos por Jesus havia um corrupto: Judas Iscariotes. E quantos de nós podem dizer com sinceridade que nunca furtaram uma manta de avião, sonegaram o imposto de renda, embolsaram o troco excessivo entregue por engano pela caixa do supermercado?


A corrupção decorre da impunidade e da imunidade. Impunidade de empreiteiras, empresas, frigoríficos e bancos que, graças ao caixa dois, tinham (e muitos ainda têm) em mãos juízes, políticos e fiscais. E imunidade assegurada por essa aberração constitucional chamada foro privilegiado, que derruba o princípio angular do direito e legitima a verdade de que nem todos são iguais perante a lei.

 

Agora, surgiu uma pedra no meio do caminho de corruptos e corruptores: a Lava Jato. Em si, necessária e urgente. É a primeira vez na história do Brasil que políticos graduados e donos de empresas são encarcerados e obrigados a devolver aos cofres públicos parte do que roubaram."

 

A Lava Jato longe de ser uma pedra no meio do caminho. Um país que tem uma justiça, justiça, não precisa de nenhuma operação para realizar um serviço que as diferentes e diversificadas e variadas justiças do Brasil não são capazes. Sim, que temos justiças de sobra. A Federal, a Estadual, a Eleitoral, a do Trabalho, a de Contas, a Militar das forças armadas e polícias. Cada justiça em seu palácio, com sua onerosa e parasitária corte, e suas filhas virgens juramentadas com suas pensões vitalícias.  

 

A exdrúxula, estapafúrdia criação do apêndice da Lava Jato uma comprovação de que falta uma Justiça digna do nome! Um país não pode conviver com um punhado de juízes, procuradores, promotores, delegados, reunidos em uma operação - um grupelho "no meio do caminho".

 

Não "é a primeira vez na história do Brasil que políticos graduados e donos de empresas são encarcerados". Na história recente temos o golpe de 1964, que cassou, encarcerou políticos corruptos. Os bois de piranha. Os bodes expiatórios como propaganda de um falso moralismo. Que a ditadura militar livrou a cara de políticos corruptos: Adhemar de Barros, Delfim Neto, Roberto Campos em São Paulo, Magalhães Pinto em Minas Gerais, Pedro Pedrossian no Mato Grosso. Mais grave ainda, a ditadura de 64 perpetuou feudos familiares: os Richa no Paraná, ACM na Bahia, Alves no Rio Grande do Norte, Neves em Minas Gerais, Murad, Sarney, Lobão no Maranhão.

 

Formou novos corruptos: Jorge Bornhausen, Esperidião Amin em Santa Catarina, Jaimer Lerner, Álvaro Dias no Paraná, Gérson Camata no Espírito Santo, Antônio Britto,Yeda Crusius no Rio Grande do Sul, Paulo Maluf, José Maria Marín, Orestes Quércia, Alckmin, José Serra em São Paulo, Eduardo Azeredo, Antônio Anastasia, Aécio Neves em Minas Gerais, Collor nas Alagoas. Marín, preso nos Estados Unidos, pela sociedade com a TV Globo, jamais seria incomodado pela justiça no Brasil. Que a Lava Jato possui corruptos de estimação.  

 

Escreveu Frei Betto: "É a primeira vez na história do Brasil que políticos graduados e donos de empresas são encarcerados e obrigados a devolver aos cofres públicos parte do que roubaram." Fakenew, espalhafato da imprensa golpista. Mentira de Sergio Moro. "A devolver uma parte" mínima. Uma devolução que é uma propaganda enganosa. Basta auditar as somas declaradas nas delações premiadas, para a orquestração da TV Globo e jornalões. Só para um exemplo: a Petrobras vai pagar de multas mais do que recebeu como devolução.

 

Os leilões da Lava Jato precisam ser investigados, a começar pelo escândalo da escolha do leiloeiro. Vide os bens das quermesses de Alberto Youssef, traficante de moedas, de diamantes, de drogas. Que valor Sergio Moro sentenciou como multa? Quanto a justiça, realmente, arrecadou com os leilões fajutos? Qual o patrimônio hoje, oficial, lavado a jato pela corriola de Curitiba, do bandido de nome limpo Alberto Youssef, vivendo solto e gozando uma vida de luxo e luxúria?  

 

Outro paradigma: quem levou mais com a justiça à Sergio Moro: a Petrobras ou o advogado Antonio Figueiredo Basto?

 

O divino juiz diz que recuperou 1,4 milhão de reais, para pagar 2,95 bilhões de dólares para os acionistas estadunidenses. 

 

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Acrescenta Frei Betto: "Mas há lisura na Lava Jato? Infelizmente os fatos demonstram que não. Promotores buscam vaidosamente a luz dos holofotes; prisões são feitas antes da devida investigação e solidez de provas; frequentes vazamentos jamais são apurados e os responsáveis punidos; e as informações contrabandeadas dos autos para a mídia são preconceituosamente seletivas, focando uns partidos e poupando outros...

No tsunami de corrupção que assola o Brasil, a Lava Jato constitui uma exceção. Onde estão os criminosos descobertos pela Operação Zelotes ou pela evasão de divisas dos Panama Papers? Todos soltos. Onde os responsáveis pela catástrofe provocada pela Samarco, em Minas? Todos em liberdade. E as maracutaias do metrô de São Paulo? Debaixo do tapete.

O elitismo é um carrapato que suga privilégios da Justiça. Quanto tempo levará o STF para condenar os culpados e absolver os inocentes? Até hoje o STF não levou nenhum político com mandato à cadeia. E no passo de tartaruga que caracteriza a nossa suprema corte, pode ser que muitos crimes prescrevam. Além disso, a polícia manda algemar, a Justiça manda ao Gilmar…

Uma pergunta que não quer calar: como toda essa montanha de dinheiro roubado pelos réus da Lava Jato transitou do Brasil ao exterior? Levada em mala de turista? A nado? Enfiada em tubos de pasta de dente?

Se o Banco Central tem olhos para qualquer quantia acima de 10 mil reais movimentada entre bancos, como justificar a cegueira diante de vultosas quantias da corrupção?

Não basta espalhar veneno pela casa para acabar com os ratos. Do mesmo modo, enquanto as instituições brasileiras não passarem por profundas reformas, como erradicar o foro privilegiado e divulgar na internet todos os atos públicos, dos salários dos políticos às licitações, os ratos continuarão à espreita, dispostos a aproveitar as múltiplas brechas hoje existentes.

O moralismo causa indignação. Mas não inibe a corrupção."

 

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