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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

31
Jul18

É triste que tenhamos como esperança que os nossos supremos magistrados sejam apenas covardes

Talis Andrade

No Supremo, sai o “periculum in mora”, entra o “periculum in midia”

pulgoes stf.jpg

 

 

por Fernando Brito

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Diz Carolina Brígido, em O Globo, que “prestes a assumir a presidência do STF, em meados de setembro, o ministro Dias Toffoli também não tem intenção de pautar novo julgamento sobre o início da execução da pena para condenados em segunda instância”

 

O temor na Corte é o mesmo: contaminar o processo eleitoral. Afinal, falar do tema às vésperas da eleição é falar de Lula.(…) Ministros do STF não descartam, porém, que o processo sobre prisão de condenados em segunda instância e novo pedido de liberdade de Lula seja julgado novamente depois de outubro. Sem a pressão do processo eleitoral, a Corte ficaria mais à vontade de tratar do assunto, sem chamar tanto a atenção para si.

 

Veja o ilustre leitor e a inteligente leitora a que se reduziu o Direito na nossa Corte Suprema: os senhores ministros, que não devem obediência a ninguém e a nada, além da Constituição e das leis, só podem julgar “sem pressão”. Como “falar do tema” é “falar de Lula”, não se fala do tema e que, então, as eleições transcorram sem que se “fale do Lula”.

 

Um dos fundamentos da urgência de decidir, no Direito, é a possibilidade de que a demora prejudique o conteúdo de justiça que possa haver numa demanda. É o latinismo presente em todas as liminares, o do periculum in mora. Neste caso, como a tutela é contra um aprisionamento, funde-se à ideia do habeas corpus, presente na lei brasileira desde o Código de Processo Criminal de 1832: “todo cidadão que ele ou outrem sofre uma prisão ou constrangimento ilegal em, sua liberdade, tem direito de pedir uma ordem de – habeas corpus – em seu favor”.

 

Os nossos doutos ministros, porém, diante da relevância do caso e do descarado alinhamento da imprensa para que Lula seja excluído do processo eleitoral, preferem o princípio do “periculum in midia“, temerosos do que possa significar deixar com que Lula, mesmo não sendo candidato – esta é outra discussão jurídica, em nada dependente da prisão ou não do ex-presidente – seja impedido de falar, circular, reunir-se, conversar, dar entrevistas, gravar vídeos ou de, afinal, comunicar-se, a não ser por carta.

 

Será que, se admitem julgar a legalidade das prisões sem trânsito em julgado, sentem-se “à vontade” em deixar uma pessoa presa ilegalmente até que passem as eleições? Depois delas, com um “mulambo presidencial” eleito sem legitimidade, contra a vontade da maioria do povo brasileiro, o que pretendem, que o país assista uma crise sem precedentes?

 

Resta, porém, a possibilidade de que a degradação moral de nosso Supremo Tribunal Federal esteja apenas na dissimulação de que irá tomar, como é seu dever, uma decisão necessária e urgente, fazendo crer aos lobos e mastins que o vigiam que está dócil e comportado mas , na hora certa, irá cumprir com seu papel.

 

É triste que tenhamos como esperança que os nossos supremos magistrados sejam apenas covardes e não canalhas.

30
Jul18

CHINA Robôs nos serviços jurídicos públicos. Que oferecem os tribunais do Brasil?

Talis Andrade

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Um robô desenvolvido para serviços jurídicos públicos foi lançado nesta terça-feira na China.

 

Equipado com armazenamento em nuvem, o robô guarda mais de 50 mil perguntas e respostas de temas como casamento, trabalho, transporte, direitos do consumidor, segurança social, demolições de casa, turismo e empréstimos privados.

 

Segundo Sha Chongfan, da Editora de Democracia e Sistema Jurídico da China, o robô também está apto a oferecer informações sobre escritórios de advocacia, cartórios de notas e avaliação forense, assistência jurídica e mediação.

 

No Brasil temos o judiciário mais caro do mundo. Não sei que serviço público os 93 tribunais oferecem. Certo que a 

Assistência Jurídica Integral e Gratuita é prevista na Constituição Federal, artigo 5.º inciso LXXIV, como dever do Estado aos que comprovarem insuficiência de recursos.  É muita humilhação, o cidadão de segunda classe precisa primeiro conseguir um atestado de miserabilidade. Veja aqui alguns exemplos dessa via crucis

 

Pois é: Trata-se de um direito público subjetivo consagrado a todo aquele que comprovar que sua situação econômica não lhe permite pagar honorários advocatícios e despesas processuais, sem prejuízo de seu próprio sustento e o de sua família.

 

No Brasil mais da metade da população sobrevive com menos de um salário mínimo. Mais da metade da população é pobre de marré deci. Para falar com o judiciário é necessária a intermediação de um advogado que o povo em geral não pode pagar. 

 

Fica a sugestão dos robôs. 

 

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 Acrescente os Tribunais de Contas e Militares 

 

 

30
Jul18

MÁ-FÉ TJ-SP anula empréstimo consignado vendido por banco a idoso analfabeto

Talis Andrade

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por Fernanda Valente

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A 22ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo anulou um contrato de empréstimo consignado assinado pelo Itaú BMG com um idoso analfabeto. Por unanimidade, o colegiado condenou o banco a indenizar o idoso em R$ 10 mil e devolver o valor já descontado (R$ 430) em dobro. Para o tribunal, houve má-fé e abuso de vulnerável.

 

O banco Itaú BMG é uma joint venture (empresa de responsabilidade e controle compartilhados) entre os dois bancos para empréstimos consignados. A RV Soluções Financeiras, a vendedora do produto terceirizada pelo banco, também foi condenada a arcar com a indenização. Contou para a condenação o fato de as testemunhas do contrato serem funcionárias dos bancos envolvidos.

 

Na petição inicial, o homem, que é idoso e analfabeto, alegou que um funcionário da RV Soluções Financeiras foi até sua casa e o convenceu a firmar contrato de empréstimo de R$ 15 mil, para pagamento em 72 parcelas de R$ 430 cada uma, totalizando R$ 30 mil.

 

Na ocasião, ele disse que não tinha interesse em contratar o empréstimo e que a forma de agir do vendedor foi “extremamente ardilosa”, pois o fez colocar a digital num "contrato" em branco. Ele tentou desfazer o negócio mas, como não foi atendido, pediu na Justiça a anulação do contrato.

 

O relator do caso, desembargador Roberto Mac Cracken, apontou que o Código de Defesa do Consumidor prevê que, se for verificada a hipossuficiência do consumidor, caberá ao fornecedor ter todas as informações e documentos referentes à prestação de serviço. Esse dever não pode ser repassado ao consumidor, sob pena de configurar prática abusiva.

 

“O próprio banco Itaú, quando lhe foi oportunizada a especificação de prova, inclusive para possível colhimento do depoimento pessoal do autor e das referidas testemunhas instrumentárias, manifestou-se no sentido de que não tinha provas a produzir”, afirmou.

 

Dessa forma, o tribunal declarou a nulidade da negociação e determinou que os valores descontados devem ser restituídos em dobro, tendo em vista a má-fé decorrente de abuso de vulnerável.

Clique aqui para ler a o acórdão.

30
Jul18

CORRUPÇÃO NO PARANÁ STJ mantém com Moro inquérito sobre R$ 2,5 mi da Odebrecht a Beto Richa

Talis Andrade

O vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça, Humberto Martins, conservou na alçada de juiz Sérgio Moro a investigação sobre o repasse de R$ 2,5 milhões da Odebrecht ao ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB); o magistrado negou pedido do tucano contra decisão de Mayra Rocco, da 117ª Vara Eleitoral do Paraná, que devolveu o caso ao juiz da Lava Jato

 

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247 - O vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça, Humberto Martins, conservou na alçada de juiz Sérgio Moro a investigação sobre o suposto repasse de R$ 2,5 milhões da Odebrecht ao ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB). O magistrado negou pedido do tucano contra decisão de Mayra Rocco, da 117ª Vara Eleitoral do Paraná, que devolveu o caso ao juiz da Lava Jato.

 

"A investigação apura se o ex-governador do Paraná e pré-candidato ao Senado Beto Richa (PSDB) cometeu crimes no processo de licitação para duplicação da PR-323. O caso investiga suposto favorecimento à Odebrecht em troca de dinheiro para a campanha de reeleição do tucano ao governo, em 2014. Em junho, os autos foram enviados à Justiça Eleitoral por Moro, por determinação da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que acolheu pedido da defesa de Richa. O processo de investigação corria na Corte, mas foi para a primeira instância depois que o tucano renunciou ao cargo de governador, em abril, para disputar as eleições.

 

Ao remeter o inquérito, Moro pediu que a Vara ELeitoral ‘devolva os autos oportunamente para o prosseguimento das investigações por crime de corrupção, lavagem e fraude à licitação’. A juíza eleitoral considerou que “os delitos eleitorais e os de competência da Justiça Federal Comum são autônomos e podem ser apurados separadamente, não havendo possibilidade de decisões contraditórias justamente por serem delitos independentes, sendo indiferente terem sido praticados, em tese, pelo mesmo agente público."

Leia mais aqui.

 

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30
Jul18

Uma perseguição de covardes

Talis Andrade

censura tesoura jornalista Julio Carrión Cueva.jp

 

Perseguir um jornalista professor é fácil, porque neste Brasil do golpe capitalista, vale o prende e arrebenta seletivo. A polícia federal jamais vai prender ninguém da família Frias, proprietária da Folha de S. Paulo, nem seus jornalistas empregados.

 

No mais, um delagado da Polícia Federal tem um salário de fazer inveja a qualquer professor universitário com os títulos de bacharel, mestrado e doutorado. 

 

Vou transcrever do 247/ Folha de S. Paulo:

 

A abertura de inquérito para investigar o professor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) Aureo Mafra de Moraes, que prestou homenagens ao reitor morto em um programa de TV da universidade, caracteriza um processo intimidatório, diz o jornal Folha de S. Paulo; para o jornal, isso demonstra o despreparo das autoridades para lidar com a democracia

 

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A abertura de inquérito para investigar o professor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) Aureo Mafra de Moraes, que prestou homenagens ao reitor morto em um programa de TV da universidade, caracteriza um processo intimidatório, diz a seção ‘O que a Folha pensa’, do jornal Folha de S. Paulo. Para o jornal, isso demonstra o despreparo das autoridades para lidar com a democracia.

 

“Não vinham sendo poucos, nem insignificantes, os indícios de abuso de autoridade na Operação Ouvidos Moucos, que investiga supostas irregularidades na Universidade Federal de Santa Catarina. Como se sabe, a investida policial levou à prisão, em setembro de 2017, do reitor da instituição, acusado de tentar obstruir o esclarecimento dos fatos. Libertado depois de 18 dias, Luiz Carlos Cancellier encontrou a própria morte, ao atirar-se do sétimo andar de um shopping de Florianópolis.

(...)

Num programa televisivo feito por alunos da UFSC, o professor Aureo Mafra de Moraes fazia homenagens ao reitor morto, tendo atrás de si cartazes que propagavam a versão de que seu suicídio fora causado pelas acusações de que fora vítima —nenhuma delas, aliás, comprovada até agora. Faixas condenando o abuso de poder e indagando sobre quem teria matado o reitor também apareciam, com fotos da delegada Erika Marena e de uma juíza. Esse gênero de protesto, legítimo em qualquer democracia, e ainda mais num ambiente de liberdade como é o de uma instituição acadêmica, motivou iniciativas de claro conteúdo intimidatório."

Leia mais aqui

 

30
Jul18

A liberdade de Lula não virá dos tribunais

Talis Andrade

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por Emanuel Cancella

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O desembargador Rogério Favreto que enfrentou a fúria golpista, concedendo o HC a Lula não está só no resgate a justiça. Assim como inúmeros procuradores e quadros da PF, agentes e delegados.

 

Mas não podemos nos enganar a cúpula do PGR do STF assim como da Policia Federal está na mão dos golpistas.

 

Assim como a mídia, principalmente a Globo é a vanguarda do atraso ou do golpe. Ontem a mídia, principalmente a Globo, inicio do festival Lula Livre no Rio só abriu espaço para falar da presença dos fiscais do TSE proibindo uso de matérias divulgando o Lula Livre.

 

Vale lembrar a Globo além de transmitir ao vivo o “Fora Dilma” de 9h da manhã até o final das manifestações ainda abria espaço até no futebol para divulgar os atos.

 

Mas também se não fizesse isso a Globo não mereceria o titulo inconteste de mãe de todos os golpes. Tiraram a Dilma que não cometeu nenhum crime (4)!

 

Repito os atos das diretas começaram com 30 mil em Curitiba. No Rio ontem, sábado, 28, dizem que tinha 60 mil. No Paraná de Sergio Moro um dos principais patrono do golpe na véspera do ato no Rio deu “olê, olê, olá, Lula”! no shopping Estação Curitiba, entoado por uma multidão. Veja o Vídeo (2).

 

Mas voltando aos tribunais incluindo o Supremo esses golpistas em sua maioria funciona como válvula de escape. Sabe o refrigerante em toda as garrafas tem uma válvula de escape em caso de excesso de gás a válvula rompe para a garrafa não explodir no rosto do consumidor.

 

Assim são os nossos tribunais eles vem a pública dizer que Lula não tem nenhuma chance de ser candidato de ser solto. Eles querem que a sociedade desista de Lula e aí aparece um Favreto para estragar tudo, mesmo que por enquanto seja por algumas horas.

 

O STF apoiou a ditadura militar, se omitiu nas “Diretas Já”, no golpe contra Dilma e rasgou a Constituição Federal com o voto de minerva da presidenta Carmem Lucia para prender Lula (5)!

 

Mas se aumentarmos a pressão nas ruas a válvula de escape entre em ação e Lula será livre e candidato. Parafraseando o senador golpista, Romero Jucá do MDB/ RO, que para derrubar Dilma, declarou: “Com Supremo com tudo!”  (3)

 

Fonte:

1https://www.diariodocentrodomundo.com.br/video-ole-ole-ola-lula-no-shopping-estacao-em-curitiba/

2https://www.diariodocentrodomundo.com.br/video-ole-ole-ola-lula-no-shopping-estacao-em-curitiba/

3https://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/346248/Kotscho-Juc%C3%A1-tinha-raz%C3%A3o-e-o-golpe-%C3%A9-'com-Supremo-com-tudo'.htm

4https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2016/05/03/presidente-dilma-nao-cometeu-qualquer-crime-que-justifique-o-impeachment-afirmam-juristas

5https://www.revistaforum.com.br/apos-voto-de-minerva-de-carmem-lucia-lula-pode-ser-preso/

 

30
Jul18

A insensata pequenez do judiciário brasileiro

Talis Andrade

Com o episódio da ordem para soltar Lula, as máscaras caíram: Lula é um preso político

 

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Brasil de Fato Paraiba - Editorial

 

Qualquer análise séria da política brasileira na atualidade deve concordar quanto ao fato de que é inconcebível a parcialidade com a qual tem agido o Poder Judiciário. Ao contrário do previsto pelas leis brasileiras, os juízes operam segundo suas opiniões particulares ou escolhas políticas. Estes homens, comprometidos com os interesses das elites e preocupados em aprofundar o golpe de Estado em curso, julgam processos desprezando a hierarquia do Judiciário e até mesmo a nossa Constituição, amplamente rasgada desde que Michel Temer e seu time golpearam nossa democracia, subtraindo direitos individuais e coletivos e dando lugar a um Estado que assume de maneira crescente a condição de Estado de Exceção, no qual prevalece o autoritarismo e os ataques à soberania popular.

 

Quanto a esse embaraço, o domingo, 8 de julho, foi emblemático. O juiz de primeira instância Sérgio Moro, “menino dos olhos” do golpe, resolveu conter por instantes suas férias e somar-se a outros comparsas para "apitar" numa situação que não lhes competia: impedir que a soltura de Lula fosse deferida. A decisão levada a cabo pelo desembargador Rogério Favreto, hierarquicamente superior a Sérgio Moro e plantonista naquele domingo no TRF-4, acenava ao povo brasileiro, em atenção aos trâmites legais, a possibilidade do encaminhamento de uma medida democrática e justa, já que a condenação e prisão do maior líder popular do país – primeiro lugar em todas as pesquisas para as eleições presidenciais, inclusive – procedeu na contramão de nossas próprias leis. Lula, o único presidente de origem popular em toda nossa história republicana, é um condenado sem provas.

 

E mais uma vez a grande mídia cumpre seu papel nefasto de garantir a perpetuação das situações antidemocráticas em que vivemos. A Globo, de forma desesperada, tratou de garantir a narrativa de que a ação do juiz Favreto era estapafúrdia e descabida. Nesse momento, vale desrespeitar juiz e procedimentos legais. A única ação legal nesse caso, para a Globo, segue sendo as de Moro e seu grupo. Qualquer análise que fuja das interpretações antilula e pró-golpe são desqualificadas e desrespeitadas por esse jornalismo.

 

Dois dias após a desclassificação do Brasil da Copa do Mundo, enquanto a expectativa era a calmaria, ganharam espaço em todo país amplas mobilizações em favor da libertação do presidente Lula. A tensão interna no judiciário e as manchetes dos telejornais contribuíram para estampar de uma vez por todas para a sociedade que Lula é um preso político. Diante desse fato, cabe às forças populares permanecerem em marcha, de modo cada vez mais ativo, em defesa da democracia e do direito de candidatura de Lula à Presidência da República. A grandiosidade da força organizada do povo brasileiro é infinitamente maior que a pequenez de um judiciário parcial; de um judiciário que age como polícia política.

 

gualtieri lula preso sem provas.jpg

 

 

 

 

30
Jul18

Os funcionários públicos da saúde

Talis Andrade

 

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por Rilton Morais

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Criança com sintomas há 3 meses, perdendo rapidamente a força dos braços e pernas. O simples exame do seu corpo desnudo já indicaria a doença sindrômica que tinha, para alguém que estudou. Chegou no HUSE já sem conseguir andar ou comer sozinha. Menina simpática, sempre de trancinhas; amedrontada, como toda criança de 6 anos. Os exames mostraram um tumor imenso, dentro da coluna vertebral cervical (pescoço). A medula estava comprimida a tal ponto que era difícil acreditar que ainda estivesse viva. Tínhamos que operá-la o mais breve possível (coisa difícil no SUS). Finalmente conseguimos uma vaga no CTIP (Centro de Tratamento Intensivo Pediátrico), na sexta-feira. Não deveríamos fazer cirurgias que não são de urgência no final-de-semana, principalmente de folga. O próximo dia útil seria somente na terça-feira. Talvez não sobrevivesse até lá. A culpa seria do "sistema", do serviço público, do governo.


Ninguém está obrigado a trabalhar nos seus dias de folga. Os filhos cobram sua presença, a família cobra sua atenção, o corpo cobra exercício e a mente cobra descanso. Tentei convencer-me insistentemente que o problema não era meu. Deveriam haver outros funcionários para fazê-lo, a vaga deveria ter surgido anteriormente, o diagnóstico deveria ter sido dado muito antes por quem primeiro viu. Tentei convencer-me insistentemente que o problema não era meu. Os políticos deveriam fazer um serviço de saúde melhor, os juízes deveriam prender os políticos corruptos, o povo deveria não vender o voto. Tentei convencer-me insistentemente que o problema não era meu.

 

Não consegui. A consciência não permite, a moral não deixa. Abandonei a família no início da manhã de sábado, antes que os filhos acordassem e começassem a chorar porque iria trabalhar no dia que estava de folga. Fui ao hospital, consegui o apoio de todos os outros servidores públicos (outros médicos, enfermeiros, técnicos, etc) para operar uma cirurgia eletiva num sábado, terminei o procedimento no início da tarde. Tumor completamente retirado. Menina viva; sem seqüelas adicionais, apesar do grande risco. Consciência tranqüila. Pude curtir o resto do meu fim-de-semana em paz. A paciente já está comendo e reclamando. Está bem.


A culpa da ineficiência do serviço público de saúde não é minha. Não é nossa. Vejo diariamente ações idênticas de outros médicos, de enfermeiros, de técnicos. Quem trabalha com a vida não se permite ser burocrático. Não se permite ser mais um funcionário público. Há maus funcionários, como em todo canto, e eles nunca são punidos. Os bons nunca são premiados.


Estudei 6 anos de faculdade, 5 anos de especialização. Ainda estudo. Entrei no serviço público como neurocirurgião e vou me aposentar como neurocirurgião. Sem ascensão profissional, sem benefícios, sem incremento de salário. Meu emprego não me dá uma sala para trabalhar, não me dá secretária, não me dá motorista, não me dá vaga de estacionamento exclusiva. Não precisamos. Queremos respeito, condições de trabalho e salário JUSTO. Pela mesma carga horária, não ganho um terço de um juíz ou promotor, nem metade de um delegado. Poucas horas no setor privado me pagam muito mais.


Criticar sem conhecer é injusto, é desonesto e é cruel. Apontem os dedos para os políticos que querem imputar-nos a crise na saúde. Eles são os verdadeiros culpados. Quem os elege também.
A culpa não é dos bons médicos.

 

29
Jul18

Música e poesia são as armas para lutar pela liberdade de Lula

Talis Andrade

Festival no Rio reúne 80 mil pessoas e chama a atenção para as injustiças que mantêm Lula como preso político. 'Sonho ver um Brasil construído de baixo para cima e de dentro para fora', disse Leonardo Boff

 

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por Thiago Pereira, na Rede Brasil Atual

 

 

Ainda no final da tarde, Tizumba abriu festival Lula Livre, trazendo os ritmos africanos para o palco principal nos arcos da lapa, centro do Rio de Janeiro. Os apresentadores ressaltaram o "período de breu, etapa indigna" do Brasil pós-golpe do governo Michel Temer e convocaram os artistas a lutar com as suas armas da música e da poesia contra as injustiças. Também lembraram o compositor Vinicius de Moraes, que dizia, em uma de suas canções, que "mais que nunca, é preciso cantar e alegrar a cidade".

 

"A partir de agora, vamos combater os usurpadores do presente e sequestradores do nosso futuro". A cantora Ana Cañas cantou à capela O bêbado e o equilibrista, composição de Chico Buarque celebrada na voz de Elis Regina, que Lula contou a ela ser a sua música preferida. "Democracia nessa porra", clamou Cañas, que lembrou que nesta sexta-feira a vereadora Marielle Franco completaria 39 anos, se não tivesse sido assassinada em março deste ano, também no Rio de Janeiro. Abayomy Orquestra também trouxe a cultura negra e lembrou a figura do rei africano Malunguinho, ex-escravo que liderou um quilombo em Pernambuco.

 

A cada apresentação, a plateia entoava o grito Lula Livre, a marca do festival. Os organizadores também anunciaram a agenda de mobilizações entre os dias 10 e 15 de agosto, que começa com mobilização das centrais sindicais no Dia do Basta contra as ameaças aos direitos trabalhistas. No dia seguinte, um ato inter-religioso em frente ao STF em defesa da liberdade de Lula, com a presença do Nobel argentino adolpho Perez Esquivel, quando também vão apresentar abaixo-assinado com cerca de 300 mil assinaturas que denunciam a prisão política a que Lula está submetido em Curitiba. No dia 15, o registro oficial da candidatura de sua candidatura. A população foi também chamada a se organizar em comitês populares em defesa da libertação de Lula e pelo direito de concorrer nas eleições. Na sequência, a Gang 90 trouxe hits brasileiros e músicas de amor dos anos 1980 e 1990.

 

Ao lado do escritor Eric Nepomuceno, Lucélia Santos fez a leitura do manifesto convocatório do festival. "Todo o julgamento do presidente Lula foi um erro jurídico sem limites. Não havia, na primeira instância – leia-se Curitiba –, uma única e mísera prova dos crimes dos quais ele foi acusado. Não se trata de opinião, mas de constatação."

 

"Eles sabem que se soltarem Lula nessa altura do campeonato, ele leva a eleição", comentou da plateia a arquiteta Júlia Ribeiro, de 36 anos, antes de todo o público entoar sucessivos gritos Lula Livre. "Lutem como Marielle Franco", concluiu Lucélia Santos.

 

"É uma série de mobilizações que vem desde a prisão dele em São Bernardo. E agora no Rio, na Lapa, berço do samba e da cultura popular, a gente espera que o recado fique ainda mais claro quanto à partidarização do judiciário. Dá mais um impulso na luta contra as ilegalidades que vêm ocorrendo no Brasil", afirmou dos bastidores o jornalista Luis Nassif.

 

Também passaram pelo palco os artistas Gabriel Moura, Lisa Milhomem, Claudinho Guimarães e Dorina. Aíla cantou que todo mundo nasce artista, e "depois vem a repressão". "Essa doença tem cura, existe uma salvação. Faça arte, mesmo que a sua mãe diga que não", dizia o verso da música.

 

Os apresentadores lembraram que uma "acusação fajuta" serve de pretexto para a prisão de Lula, já que o ex-presidente não dormiu, nem nunca teve chaves ou escritura do dito apartamento que a ele atribuem. "No processo a Jato, vem antes a condenação, baseada apenas em convicção.Faltou combinar com o povo. A indignação cresce a cada dia. Exigimos a imediata libertação de Lula".

 

Leonardo Boff diz que sonha em ver o povo organizado

Ao discursar no Festival Lula Livre na noite deste sábado, o Frei Leonardo Boff os tempos sombrios da ditadura civil-militar que se instalou no país nos anos 1960. “Faz escuro, mas eu canto, disse o poeta Thiago de Mello, na época sombria, da ditadura militar, de 1964”, afirmou. “Está confuso mas eu sonho, digo eu, nesses tempos não menos sombrios. Sonho ver um Brasil construído de baixo para cima e de dentro para fora, forjando uma democracia popular, participativa, reconhecendo os novos cidadãos, que a natureza é a mãe Terra. Sonho em ver organizado o povo em redes e movimentos sociais. Povo cidadão, com competência para gerar suas próprias oportunidades, e moldar o seu próprio destino, livre da dependência dos poderosos, mas resgatando a própria autoestima.”

 

 

29
Jul18

Que a juíza Lebbos faz para penalizar a vida prazerosa e luxuosa da ex-bandida Nelma Kodama?

Talis Andrade

 

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Carolina Lebbos 

 

"A doleira Nelma Kodama foi, da turma da Lava-Jato, quem teve mais pedidos rejeitados por Carolina Lebbos. A ex-aman­te de Alberto Youssef solicitou permissão para frequentar uma igreja evangélica, onde distribuiria alimentos, roupas e brinquedos a moradores de rua e pessoas necessitadas no horário em que não lhe era permitido ficar fora de casa, pois Nelma cumpre prisão em regime aberto. 'Não', foi a resposta da juíza, que ainda passou um pito na doleira, que seria dada a fazer 'pedidos impertinentes e despidos de comprovação documental', informou a revista Veja.

 

Assim o Brasil fica sabendo que mais um doleiro de traficantes de drogas foi solto pela corriola de Curitiba. E que a intervenção militar no Rio de Janeiro existe para perseguir traficantes pés-rapados.

 

O capo da máfia libanesa Alberto Youssef está em liberdade, e perdoado, apesar dos inúmeros e variados crimes que praticou. Youssef não mora em nenhuma favela. E sim em um luxuoso condomínio. O mesmo acontece com Nelma Kodama. Enquanto o general de Temer continua a caça a traficantes de drogas nos morros do Rio de Janeiro.

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“Por menor que seja, todo pedido à juíza deve ser minuciosamente detalhado. Senão, ela não aceita', diz a advogada Alessi Brandão, que já defendeu Nelma e hoje trabalha para Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana. Em janeiro, para poder ir ao velório do pai, Mônica precisou descrever passo a passo no Google Maps o trajeto que faria de sua casa ao enterro, especificando, inclusive, a quilometragem". 

 


Na reportagem que visa enaltecer "A algoz de Lula" que, até recentemente, escondia o rosto, a revista detalha: "é Carolina Lebbos a caçula dos juízes criminais de Curitiba, que cuida com mão de ferro das condições em que o ex-presidente cumpre sua pena de prisão". E mais: "A juíza não tem redes sociais e colegas não sabem nem se é casada", exagera o repórter bajulador Eduardo Gonçalves em uma legenda sensacionalista.

 

"Reservada, não está nas redes sociais e poucos colegas de trabalho têm conhecimento de detalhes de sua vida pessoal. Desconhecem seus assuntos de interesse, nem sabem se é casada. Sim, Carolina é casada com um juiz, só que da Corregedoria-Geral da Justiça, filho de uma desembargadora. Suas tentativas de manter-se longe dos holofotes estão começando a se tornar vãs em razão de seu freguês mais notório. (...) Tudo indica que Lula não terá dificuldades de livrar-se dela. Como a lei garante ao preso o direito de cumprir pena no estado onde mora, o petista pode pedir transferência para São Paulo. Assim, sairá automaticamente das mãos de Carolina. Mas, enquanto isso não for feito, a caneta dura de Carolina Lebbos continuará ditando o destino de Lula."

 

Nenhuma notícia se a juíza e o marido recebem auxílio moradia. Como acontecia com o casal Bretas da Lava Jato do Rio de Janeiro. Se Nelma Kodama é uma das 1. 063 delações premiadas da permissiva Lava-Jato que solta mais do que prende, e que lava mais branco o dinheiro de corruptos e traficantes de drogas, de diamantes e de moedas.  E apenas, e apenas 240 prisões. Presos presos dizem que nem 200. Para cada cinco delações, um preso. Ou menos do que isso. A Lava Jato é uma indústria de delações que enriquece, da noite para o dia, advogados, os amigos novos ricos da república do Paraná. 

 

 

 

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