Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

31
Jul18

E essa será a flor da Resistência / Daquele que morreu pela liberdade

Talis Andrade

estrela vermelha.jpg

 

 

Querida, Adeus

Uma manhã, eu acordei
Querida, adeus! Querida, adeus! Querida, adeus, adeus, adeus!
Uma manhã, eu acordei
E encontrei um invasor
Oh, membro da Resistência, leve-me embora
Querida, adeus! Querida, adeus! Querida, adeus, adeus, adeus!
Oh, membro da Resistência, leve-me embora
Porque sinto que vou morrer
E se eu morrer como um membro da Resistência
Querida, adeus! Querida, adeus! Querida, adeus, adeus, adeus!
E se eu morrer como um membro da Resistência
Você deve me enterrar
E me enterre no alto das montanhas
Querida, adeus! Querida, adeus! Querida, adeus, adeus, adeus!
E me enterre no alto das montanhas
Sob a sombra de uma bela flor
Todas as pessoas que passarem
Querida, adeus! Querida, adeus! Querida, adeus, adeus, adeus!
Todas as pessoas que passarem
Me dirão: Que bela flor!
E essa será a flor da Resistência
Querida, adeus! Querida, adeus! Querida, adeus, adeus, adeus!
E essa será a flor da Resistência
Daquele que morreu pela liberdade
E essa será a flor da Resistência
Daquele que morreu pela liberdade

 

bella-ciao.jpg

 

 

Bella Ciao

Una mattina mi son' svegliato
O bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao
Una mattina mi son' svegliato
E ho trovato l'invasor
O partigiano, portami via
O bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao
O partigiano, portami via
Ché mi sento di morir
E se io muoio da partigiano
O bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao
E se io muoio da partigiano
Tu mi devi seppellir
E seppellire lassù in montagna
O bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao
E seppellire lassù in montagna
Sotto l'ombra di un bel fior
Tutte le genti che passeranno
O bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao
Tutte le genti che passeranno
Mi diranno: Che bel fior
E quest' è il fiore del partigiano
O bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao
E quest'è il fiore del partigiano
Morto per la libertà
E quest'è il fiore del partigiano
Morto per la libertà

 

 

 

 

31
Jul18

O poste como candidato

Talis Andrade

poste.jpg

 

 

 

Para Lula não se eleger, a direita vota em qualquer poste. Vale tudo: golpe, intervenção militar, ditadura, até Bolsonaro. Sabe o juiz Sérgio Moro que não decola a candidatura tucana de Alckmin. Nem a candidatura do MDB de Temer: Henrique Meirelles. Ou do Dem: Rodrigo Maia, filho de César e genro de Moreira Franco. Marina, que José Simão chama de "tartatura sem casco", cansou o eleitorado, e sem a grana do Itaú vai devagar, quase parando. Outros desistiram: Luciano Huck, Flávio Rocha, Joaquim Barbosa. Resta a marcha fúnebre dos elefantes. O tanto faz ser ou não ser candidato. Caso de Álvaro Dias que exibiu foto com Rosangela Moro. De Collor. De Aldo Rebelo que foi rebaixado com o convite para ser vice de Alckmin.

 

A chamada grande imprensa não conseguiu emplacar nenhum candidato travestido de democrata, de progressista, com pinta de "centrão".

 

Não tem outra, para Lula não se eleger, todos os candidatos citados vão terminar votando em um poste. O poste Bolsonaro. O poste da direita. O poste com luz acesa pela grande imprensa vendida, e pelo capital estrangeiro. O Bolsonaro dos generais de Temer. Nem na ditadura militar ajuntaram tantos generais no ministério como atualmente no governo antipopular, antinacionalista, antipatriota de Temer. 

 

Os ministros do STF, enquadrados por Sergio Moro, vão votar em Bolsonaro. 

 

Nada mais legal para Moro, para os agentes dos serviços de inteligência do tio, o Sam, e procuradores e policiais da Lava Jato, para mais de mil delatores premiados, que Lula preso. Lula preso faz Bolsonaro sonhar com a presidência. Idem Alckmin. Idem Ciro.

 

É isso aí. Se Lula não for candidato teremos uma eleição presidencial disputada pelo poste de Lula e por Bolsonaro, o poste das elites, das castas militares e togadas, dos especuladores, de George Soros, dos banqueiros, do continuísmo de Temer. 

 

Lula preso, impedido pela ditadura do judiciário de ser candidato, dispõe de vários nomes para apresentar, sendo Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, ex-ministro da Educação, a aposta dos petistas.

 

 

 

brasil .jpg

 

 

 

 

31
Jul18

Bolsonaro, o filho bastardo da Globo

Talis Andrade

globo nazi.jpg

 


por Miguel do Rosário

---

Em determinado momento da entrevista no Roda Viva, Bolsonaro diz que gostaria de aproveitar a presença dos jornalistas da Globo presentes e lembrá-los de um editorial de Roberto Marinho, de outubro de 1984, exaltando a ditadura militar.

O grupo Globo escalou dois de seus melhores jornalistas para a entrevista: Maria Cristina Fernandes, colunista do Valor, e Bernardo Mello Franco, do Jornal O Globo.

Em seguida, Bolsonaro lembra que a TV Globo foi fundada em 1965, um ano após o início da ditadura.

As observações de Bolsonaro são um tributo ao grande responsável pelo prestígio do candidato: a Globo e seu fundador, Roberto Marinho.

A Globo – e o conjunto de órgãos de imprensa que giram a seu redor – é mãe e pai de Bolsonaro.

 

golpe coxinha arrependido louco por moro bolsonaro

 

 

Os clichês repetidos pelo candidato, em especial as acusações vulgares ao PT, foram cultivados ao longo dos anos pela grande imprensa.

Ele consegue fugir de qualquer questão difícil apelando para expressões como “mensalão”, “petrolão”, “BNDES”, citando falas de Joaquim Barbosa…

A decisão de escalar apenas jornalistas profissionais, além disso, não parece ter sido feliz. Faltou um negro, uma feminista e um LGBT para enfrentar um candidato racista, machista e homofóbico.

veja bossonaro.jpg

 

 

A entrevista de Jair Bolsonaro para o Roda Viva de ontem à noite deveria acender todos os alarmes vermelhos do campo democrático.

A possibilidade de Bolsonaro vencer as eleições, que é real, pois ele lidera as pesquisas em cenários sem Lula (e Lula não será candidato), faz as diferenças do campo democrático parecerem fúteis.

Bolsonaro deixou claro que só aceita a vitória. Assim como Trump, ele já tem o discurso pronto no caso de derrota: fraude. Diante de uma militância conservadora cada vez mais violenta e fanatizada, o discurso de Bolsonaro antecipa que viveremos problemas mesmo com o candidato perdendo.

 

Fascismo-no-Brasil.jpg

 

 

Quem achava que a grande imprensa iria “jantar” o capitão, com perguntas capciosas que o levariam ao ridículo, enganou-se redondamente.

Quer dizer, os jornalistas talvez até tenham se esforçado para jogar duro com o candidato, mas comportaram-se como se estivessem intimidados. Demonstraram insegurança, a meu ver.

Bolsonaro estava à vontade porque parece ter entendido que a grande imprensa apenas pode atacá-lo por causa de sua opinião contra a ditadura. Ele não tem preocupação em elaborar questões de educação, saúde, economia. Para tudo, respondeu que o problema é “corrupção”, e que bastaria impor um regime “liberal”, como se o governo Temer não fosse exatamente isso. Aliás, como se o regime econômico brasileiro, desde muito tempo, não fosse fortemente liberal, inclusive durante os governos Lula/Dilma, que apenas tentaram atenuar os efeitos deletérios desse liberalismo econômico através da introdução de programas sociais, investimentos em infra-estrutura e políticas de valorização do salário.

 

golpe-de-1964 ditadura.gif

 

Os jornalistas da grande mídia não tem “lugar de fala” absolutamente nenhum para confrontar a visão de Bolsonaro sobre a ditadura militar.

Eles não podem denunciar, por exemplo, a concentração da mídia, iniciada na ditadura, com a perseguição a todos os órgãos de imprensa que não rezassem a cartilha do regime.

Não podem criticar a autocensura praticada pela imprensa chapa-branca durante a ditadura, essencial para a consolidação dos grandes esquemas de corrupção da época.

Não podem denunciar o movimento avassalador de achatamento do salário mínimo e de concentração de renda, as características mais terríveis do regime, que nos transformou no país com pior distribuição de renda do mundo.

 

bolsonaro áfrica.jpg

bolso.jpg

 

 

 

31
Jul18

Brasil desempata

Talis Andrade

esquerda direita imprensa único .jpg

 

 

por Emir Sader

---

 

El calendario electoral latinoamericano del 2018 incluía disputas importantes que podrían cambiar la fisionomía política del continente. El año empezaba en el marco de la contraofensiva conservadora, con esa tendencia siendo confirmada o cuestionada según los resultados electorales, por lo que representaría la continuidad o el cambio de gobierno en países muy importantes a nivel regional.

 

Estaban previstas elecciones en México, Brasil, Colombia y Venezuela, además de Costa Rica y Paraguay. A mitad de año, casi todas las elecciones ya fueron realizadas, siendo posible analizar las tendencias predominantes. En las elecciones en los países de más peso han triunfado, en México y en Venezuela, la izquierda, mientras que la derecha ganó en Colombia. En los otros dos países, Paraguay y Costa Rica, ha triunfado la derecha.

 

Analizando más en detalle , la victoria de López Obrador es la mas significativa en el continente, por lo que representa la llegada, por primera vez, de la izquierda al gobierno, a la par que produce una profunda crisis de los dos partidos de la derecha y por la dimensión de la victoria de Morena en todo México. Se cierra un largo período de la historia del país y se abre otro, en el que las fuerzas progresistas tienen condiciones para promover cambios estructurales en México. Cómo se proyectará este triunfo el conjunto de América Latina depende de otros factores, entre ellos el resultado de las elecciones en Brasil.

 

En Colombia, el uribismo volvió al gobierno, pero tiene frente a sí, por primera vez, un liderazgo de izquierda, con Gustavo Petro, que llegó a la segunda vuelta con el 40 por ciento de los votos, ubicándose como el principal opositor al gobierno. Si la extrema derecha triunfó, lo hizo en un escenario político bastante menos favorable que en elecciones anteriores, con una proyección de futuro favorable a la izquierda.

 

En Venezuela, la reelección de Maduro se dio en un marco muy difícil para su propio gobierno, ya sea por el alto nivel de abastención, por la continuidad de la profunda crisis económica y social en que se encuentra inmerso el país, amén del cerco internacional.

 

En Paraguay, el Partido Colorado dio continuidad a su gobierno de derecha, triunfando sobre la alianza entre el Partido Liberal y la izquierda. En Costa Rica fue derrotado el candidato evangélico, victorioso en la primera vuelta, pero quien lo ha derrotado es un político tradicional, con un programa neoliberal.

 

El balance general, por el momento, está equilibrado entre la derecha y la izquierda. El transcurso del año no confirma todavía la continuidad del viraje hacia la derecha, empezado hace algunos años, aun con los triunfos en Colombia, Costa Rica y Paraguay. Particularmente la victoria en México, pero también la de Venezuela, equilibran la situación.

 

Los ojos se vuelven ahora hacia las elecciones brasileñas, cuyos resultados van a desequilibrar la balanza para uno u otro lado. Si la derecha brasileña, mediante algún nuevo ardid, logra mantenerse en el gobierno, con un representante directo o con alguna otra versión que indirectamente funcione como continuidad al modelo neoliberal, las transformaciones electorales de este año tendrían un carácter de continuidad del viraje a la derecha en el continente.

 

Si, al contrario, la izquierda volviera a triunfar por medio de la elección de Lula o de alguien del Partido de los Trabajadores que él indique en caso de que se le impida presentarse en las elecciones, el desempate será a favor de la izquierda. Con victorias en México y en Brasil, se habrá impuesto un fuerte freno a la contraofensiva de la derecha como, asimismo, mediante la alianza entre esos gobiernos, se dará un nuevo impuso al proceso de integración latinoamericano, además de reafirmar políticas antineoliberales, de forma mas moderada en México, de forma mas acentuada en Brasil. El desempate se producirá el 7 de octubre, si hay un ganador en la primera vuelta, o en tres semanas después si la elección se define en la segunda.

 

Si la izquierda gana en Brasil, América Latina podría emerger de sus procesos electorales con una nueva fisonomía y dar comienzo a un nuevo ciclo antineoliberal y de integración regional.

 

31
Jul18

Bolsonaro: "O português nem pisava na África"

Talis Andrade

aroeira bolsonaro.jpg

 

 

O pré-candidato à presidência do Brasil afirmou que foram os negros os responsáveis pela escravatura.

 

"O português nem pisava na África, foram os próprios negros que entregavam os escravos", defendeu Jair Bolsonaro durante uma entrevista a jornalistas de vários órgaõs de comunicação social durante o programa Roda Vida, da TV Cultura.

 

Veja a entrevista na íntegra e leia os comentários dos portugueses aqui

31
Jul18

Infarto mata mais mulheres do que câncer de mama e uma das razões é o machismo

Talis Andrade

cora.jpg

 


por Taíssa Stivanin 

 

RFI - O infarto é a primeira causa de mortalidade de mulheres no mundo. Durante muito tempo, os cientistas acreditaram, entretanto, que os hormônios protegiam as pacientes mais jovens, que ainda não tinham entrado na menopausa. Segundo a Federação Francesa de Cardiologia, estudos mais recentes mostraram que o número de vítimas abaixo dos 50 anos era bem maior do que se imaginava – cerca de 25% do total de ataques.


O infarto mata hoje mais mulheres do que o câncer de mama. As pacientes têm sintomas diferentes dos homens e, numa idade em que normalmente estão ocupadas com o trabalho e a rotina da família, minimizam os sinais: indigestão, dificuldades para respirar, cansaço e fraqueza. Quando se dão conta da gravidade do problema, pode ser tarde demais. O que em parte explica que a taxa de mortalidade seja também bem maior entre as mulheres.

 

A rapidez no atendimento é crucial, diz a especialista francesa Martine Gilard, da Federação Francesa de Cardiologia. “Se desobstruímos a artéria coronária rapidamente, a parte do músculo destruída será pequena. Se a intervenção é tardia, o músculo será mais afetado. Por isso o infarto é uma emergência”, explica. O pronto-atendimento vai limitar o número de células cardíacas afetadas e diminuir as sequelas.

 

A prevenção do infarto nas mulheres também é uma questão cultural. Em um mundo dominado pelos homens, as queixas femininas são levadas menos a sério, diz a cardiologista. “Tem que educar a população. Dizer: fique alerta! Se sua mulher reclamar de dor no peito, pode ser um infarto. E não responder: “não é nada, vai deitar um pouco, você esta estressada”, exemplifica.

 

A sobrecarga mental e doméstica também aumenta o risco de um novo ataque nas mulheres, ressalta. Isso porque as pacientes ativas que sofreram um infarto, numa proporção bem maior do que os homens, diz a especialista, não fazem a reeducação de maneira correta.

 

“A mulher, quando é jovem, tem seus filhos, tem sua vida de família. E comum ela vai se recusar a ir no centro de reeducação, porque, além do trabalho, tem sua segunda vida: cuidar da faxina, das crianças e da família. Percebemos que os homens fazem a reeducação, mas as mulheres, com frequência, não. Consequentemente, elas têm menos acompanhamento e podem enfartar novamente”, diz a cardiologista.

 

Os riscos, como a maioria das pessoas sabe, inclui sobrepeso, tabagismo, hereditariedade, falta de atividade física e stress. Uma junção de fatores que pode ser fatal se as mulheres ainda incluem nesse pacote os anticoncepcionais. Principalmente aqueles que contêm estrogênio e favorecem a trombose – formação de coágulos na corrente sanguínea.

 

 

Stress pode provocar infarto sem outros fatores de risco

 

O stress isoladamente também pode provocar um infarto, explica a médica francesa, mas este tipo incidente é bem mais raro e corresponde a apenas 1% dos casos – que atingem principalmente mulheres.

 

Em geral, não há destruição das células coronárias, que voltam ao normal depois de sofrer um “colapso” temporário. Mas esse tipo de ataque também necessita cuidados imediatos, porque também pode matar, sublinha a cardiologista francesa.

 

A gerente de joalheria paulistana Ligia Folco levou um susto quando, em 2010, aos 42 anos, teve um ataque do coração. Na época, ela estava em boa forma, tinha uma alimentação regrada, corria diariamente e não tinha fatores de risco, mas levava uma vida profissional corrida.

 

O infarto, acreditam seus médicos, foi causado pelo stress. Ela estava em casa e começou a sentir uma indigestão, acompanhada de uma estranha sensação no peito. “Era como se uma pata de elefante estivesse em cima de mim”, descreve. Passou a noite sem conseguir dormir e no dia seguinte sentiu fraqueza nos membros. “Percebi que alguma coisa estava errada e pedi à minha mãe que me levasse ao hospital”. Era um infarto.

 

Depois de três dias na UTI e um cateterismo, Ligia ficou sem sequelas e leva uma vida normal. Mas mudou a maneira de encarar a rotina. “Fiquei bem assustada”, diz. “Comecei a dar valor para as coisas que realmente têm valor. Às vezes a gente se desgasta com bobagens. Aprendi a respirar mais e olhar as coisas com mais calma”, diz. “Era muito agitada. Quando eu trabalho, fico muito envolvida e a mil por hora”, descreve.

 

Seja qual for a causa, para conscientizar as mulheres de todos esses riscos, a Federação Francesa de Cardiologia lançou uma campanha que vem sendo divulgada na TV e na internet. A Fundação Coeur et Recherche (Coração e Pesquisa), criada pela Federação, está financiando um projeto de pesquisa para entender a progressão deste tipo de infarto em jovens mulheres.

 

 

 

31
Jul18

O Tribunal do Silêncio Eleitoral

Talis Andrade

laerte lula .jpg

 

 

por Fernando Brito

---

De novo, hoje, é a coluna de Monica Bergamo, na Folha, que serve de palanque para que o TSE – leia-se, o senhor Luiz Fux -preste-se à vergonha de que não só está disposto a mudar os ritos da lei para negar, antes dos prazos, o registro da candidatura Lula como, também para revogar, na prática, um artigo inteiro da lei – o 16-A da 9504/97- para ” impedir que Lula apareça como candidato no programa de TV do PT“.

 

Art. 16-A. O candidato cujo registro esteja sub judice poderá efetuar todos os atos relativos à campanha eleitoral, inclusive utilizar o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão e ter seu nome mantido na urna eletrônica enquanto estiver sob essa condição, ficando a validade dos votos a ele atribuídos condicionada ao deferimento de seu registro por instância superior.

 

Ao que parece, para o senhor Luiz Fux, está “matando no peito” a determinação legal para garantir o essencial do ponto de vista da tirania judicial a que estamos submetidos: que Lula seja impedido de falar ao povo brasileiro.

 

Neste caso, a participação de Lula na propaganda eleitoral independe, até, do fato de ser ou não candidato. Está na Constituição que ” é vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de (…) III – condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos” . (art. 15, III). E a sentença de Lula, inquestionavelmente, não transitou em julgado.

 

Ironicamente, o “A Lei é para Todos”, agora, passou a excluir Luís Inacio Lula da Silva.

 

Não pensem, porém, que a obsessão persecutória seja a garantia do enfraquecimento do ex-presidente, tanto que ele não apenas sobe nas pesquisas quanto estas, ao que parece, estão sendo evitadas para que não o reflitam ou, pior, para ‘esperar’ o momento em que possam não refleti-lo.

 

Há uma crescente percepção de a ditadura dos juízes está intrinsecamente ligada ao projeto de desmonte do Brasil e à ruína em que estamos afundando.

 

aziz lula preso.jpg

 

31
Jul18

Quanto o Brasil vai perder com a antipatriota Lava Jato?

Talis Andrade

camelo brasil das petroleiras americanas.jpg

 

 

O STF e o CNJ vão fazer as contas de quanto o Brasil vai perder com a Lava Jato, que tem a colaboração de ser√iços de inteligência estrangeiros? 

 

Não existe transparência no mundo da espionagem e vidas de magistrados brasileiros que compram moradias de luxo nos Estados Unidos, a exemplo do ministro Joaquim Barbosa que, com a ajuda de Sergio Moro, realizou a primeira grande cruzada do judiciário contra a corrupção. 

 

A Lava Jato de Moro contabiliza vários danos. Recorde que o MPF propaga que "a Lava Jato recuperou
R$ 11,5 bilhões por meio de acordos de delação premiada. Os valores foram desviados principalmente da Petrobras, mas envolvem também outras empresas públicas e esquemas que se ramificaram pelos estados. Até agora, R$ 759 milhões foram devolvidos aos cofres públicos, e R$ 3,2 bilhões estão bloqueados pela Justiça, à espera de uma decisão sobre o destino do dinheiro. Já são mais de mil acordos de delação. É um caminhão de delações mais do que premiadas, e uma Ferrari de acordos de leniência. 

 

A Lava Jato foi excelente para as empresas estrangeiras, que desbancaram a Petrobras, que era a quarta petroleira do mundo, da concorrência internacional. 

 

De exportador de gasolina, parafina, GLP, produtos asfálticos, nafta petroquímica, querosene, polímeros, solventes, óleos combustíveis, óleos lubrificantes, óleo diesel, combustível para aviação, o Brasil passou a importar. 

 

Em 2014, a Petrobras anunciava que o Brasil atingiria a autossuficiência na produção de derivados de petróleo em 2020. Esta conquista, agora, parece impossível por décadas, com a entrega do Pré-Sal, da Braskem, das refinarias, e o antinacionalista fatiamento da Petrobras.

 

SEM ARBITRAGEM

Acionistas da Petrobras pedem que ação de reparação continue na Justiça

mayrink petroleo.jpg

Cláusula arbitral de estatuto da Petrobras nunca foi aprovada pela assembleia de acionistas e por isso é nula, afirma advogado.

 

por Sérgio Rodas

O advogado que representa acionistas minoritários da Petrobras, André de Almeida, recorreu nesta segunda-feira (30/7) de decisão que não conheceu de ação coletiva de reparação contra a estatal por causa dos desvios descobertos com a operação "lava jato". Na ação, ele acusa a Petrobras de má gestão.

 

Almeida postula sob o nome de Associação dos Acionistas Minoritários (Aidmin), que envolve acionistas minoritários em outras empresas de capital aberto, como a telefônica Oi. Na ação contra a Petrobras, ele afirma que os minoritários foram lesados pela desvalorização dos papeis da empresa diante da descoberta dos contratos fraudulentos e superfaturados, o que reduziram seu valor de mercado.

 

A ação é idêntica à class action (equivalente às ações coletivas nos EUA) ajuizada na Justiça de Nova York, que resultou no acordo de US$ 2,95 bilhões da estatal com os autores do processo.

 

No Brasil, entretanto, a juíza Lúcia Caninéo Campanhã, da 6ª Vara Cível de São Paulo, entendeu que a ação é incabível. Segundo ela, o estatuto da Petrobras estabelece que controvérsias entre sócios devem ser resolvidas na arbitragem, obedecidas as regras previstas pela Câmara de Arbitragem do Mercado, e não na Justiça. Além disso, disse, a bolsa de valores também determina essa forma de negociação para empresas que estão no nível da estatal.

 

Na apelação, a Aidmin, afirma que a Petrobras não convocou seus acionistas na forma exigida pela Lei das Sociedades Anônimas para a assembleia que aprovou a inclusão da cláusula de arbitragem em seu estatuto social. Portanto, essa regra seria nula.

 

Além disso, a entidade sustenta que os acionistas que não concordaram com a cláusula não se sujeitam a ela. Até porque, aponta a Aidmin, a resolução de conflitos por arbitragem depende de manifestação expressa de vontade das partes.

 

Sem consentimento, os acionistas não podem ser impedidos de acessar a Justiça, destaca a associação. Como o procedimento arbitral é muito caro, restringir as soluções de controvérsias a ele é suprimir o direito de ação, previsto no artigo 5º, XXXV, da Constituição.

 

Assim, a entidade pede que a ação civil pública tenha prosseguimento na Justiça comum.

 

Aumento das provisões


Especialmente por causa do acordo nos EUA, as provisões da Petrobras para processos judiciais mais do que dobraram de 2016 para 2017. De acordo com o balanço divulgado em março, o valor reservado para o pagamento de indenizações decorrentes de decisões judiciais subiu de R$ 11 bilhões para R$ 23,2 bilhões.

 

Em suas demonstrações financeiras de 2017, a Petrobras aponta que a provisão para processos cíveis aumentou 667% no ano passado – de R$ 1,9 bilhão para R$ 14,4 bilhões. O crescimento ocorreu quase exclusivamente por causa do acordo firmado na ação. Nela, os portadores de ações e bônus da estatal alegam ter sofrido prejuízos com o esquema de corrupção na estatal revelado pela operação “lava jato”.

Clique aqui para ler a íntegra da petição

parente moro foto vanessa carvalho.jpg

 Pedro Parente com o casal Sérgio Moro em noite de gala em Nova Iorque para homenager o juiz da Lava Jato de Curitiba

 

parente petro.png

 

31
Jul18

Centrão, a "bactéria" que o PSDB abraça

Talis Andrade

alckmin centrao kayser.jpg

 

por André Barrocal

---

Em julho de 2016, o deputado Rodrigo Maia, do DEM, era eleito presidente da Câmara, cargo vago havia dois meses, devido ao afastamento judicial de Eduardo Cunha, do MDB. O então líder tucano na Casa, Antonio Imbassahy, pregava a necessidade de se aproveitar o embalo para cassar Cunha – quanta ingratidão com o parceiro de impeachment... – e desconfigurar uma certa força política existente por ali. “O Centrão é visto como uma bactéria dentro da Câmara”, dizia.

 

O tempo passou, Cunha foi cassado, Imbassahy assumiu por um tempo a chefia da articulação política do governo Michel Temer, não eliminou a “bactéria”, perdeu o posto por obra do tal Centrão e agora vê o presidenciável do seu partido, Geraldo Alckmin, contrair o germe.

 

alckmincentraoPater.jpg

 

 

Após flertar com competidores diferentes em uma desavergonhada barganha, e de noivar com o tucano uma semana antes, o Centrão subiu ao altar ao lado do ex-governador paulista em uma cerimônia, na quinta-feira 26, em Brasília. Os noivos da poligâmica união com Alckmin são o DEM de Rodrigo Maia, o PP do senador Ciro Nogueira, o PR do ex-deputado Valdemar Costa Neto, o Solidariedade do sindicalista Paulinho da Força e o PRB do bispo Macedo.

 

Quando sua candidatura for oficializada pelo PSDB, em 4 de agosto, o tucano terá a maior aliança. Ao menos dez partidos, todos fiéis a Temer. Antes da “bactéria”, Alckmin havia atraído o PTB de Roberto Jefferson, o PSD de Gilberto Kassab, o PPS de Roberto Freire e o PV de Sarney Filho. Tem tudo para encarnar o establishment na eleição, ou seja, o poder econômico, “mercado” à frente, e o velho sistema político.

 

Establishment destinado à derrota, como Hillary Clinton, em 2016, nos Estados Unidos, na avaliação da consultoria global Eurasia. Terá sido essa a razão de o empresário Josué Gomes da Silva, da Coteminas e do PR, fugir do posto de vice na chapa?

 

Montar a mega-aliança é uma espécie de “agora ou nunca” para o tucano em sua segunda tentativa de chegar ao Palácio do Planalto. Ele está estacionado nas pesquisas na faixa dos 5%, não tem carisma e precisa superar um rival direitista mais popular, o reacionário Jair Bolsonaro.

 

Pela idade, 65 anos, ainda poderia concorrer de novo, mas quem garante que sobreviverá politicamente em caso de nova derrota? Para contornar as dificuldades, apostou tudo nesse tipo de apoio, a fim de contar com o maior espaço na propaganda eleitoral de rádio e tevê que vai ao ar de 31 de agosto a 4 de outubro.

 

Ao justificar o matrimônio com a “bactéria”, o médico de Pindamonhangaba diz que “todos os partidos estão fragilizados, inclusive o meu”, daí a necessidade de coligações, até para governar em caso de vitória. E minimiza o risco de contaminação.

 

“Ninguém vai votar em partido, vai votar em melhor programa, na melhor proposta”, comentou no programa Roda Viva, da TV Cultura, em uma entrevista amistosa, em nada parecida com o mesmo programa que submeteu a presidenciável do PCdoB, Manuela D’Ávila, a um pau de arara.

 

Curvado ao Centrão e afins, Alckmin entrega-se àquela direita fisiológica que manda no País mesmo sem voto. Ninguém na turma lança candidato a presidente há tempos, pois teria pouca chance, caso se apresentasse à nação com a própria cara e as próprias ideias – “ideias” é uma palavra inadequada para descrever o desejo de deixar tudo como está.

 

Sua especialidade é exercer o poder de forma subterrânea, por meio da Câmara, aonde se chega com menos esforço. Em 2014, o último deputado eleito por um partido do Centrão em São Paulo, maior colégio eleitoral, teve 80 mil votos: Vinicius Carvalho, do PRB. Com sua tropa de deputados, o Centrão faz do Planalto um refém.

 

Sem cargos e dinheiro para obras, não aprova nada. E, se o governo fizer jogo duro, revida com CPIs, crises e até impeachment, destino de Dilma Rousseff. Em um debate, em junho, com advogados de grandes empresas, o economista Delfim Netto previu que o próximo presidente corre o risco de degola, pois o sistema político nacional “foi feito para manter o poder dos donos dos partidos, e as reformas políticas dos últimos anos não mudaram nada de importante”.

 

O atual Centrão é cria de Eduardo Cunha, hoje presidiário. Alçado a líder do MDB na Câmara, em fevereiro de 2013, viveu às turras com Dilma por fazer lobby a favor de empresas em votações de interesse do Planalto. Em março de 2014, juntou MDB, PR, PSC, PTB, PP e PROS em um Blocão.

 

Até então governista, o grupo aliou-se à oposição e foi à guerra contra a petista. Num dia, criou uma comissão de deputados para ir à Holanda saber mais sobre denúncias de que uma empresa de lá, a SBM Offshore, havia subornado dirigentes da Petrobras. No outro, convocou uma penca de ministros para dar explicações. PR, PP e Solidariedade formavam o Blocão, agora sustentam o Centrão. O PTB também era e aderiu à canoa de Alckmin, embora sem se unir diretamente à “bactéria”.

 

Como líder do MDB e presidente da Câmara, Eduardo Cunha encampou duas medidas que fortaleceram os deputados para peitar o Pla-nalto. Em julho de 2013, os parlamentares definiram um novo rito de votação de vetos presidenciais em leis. Os vetos costumavam ficar esquecidos num canto, por isso se fixou um prazo de 30 dias para seu exame.

 

Na prática, a última palavra, antes do Planalto, passou ao Legislativo. A outra medida obrigou o governo a gastar parte da receita anual com obras incluídas individualmente pelos congressistas na lei orçamentária. O chamado orçamento impositivo tira o governo uma arma de tutela da base aliada.

 

Era esse o objetivo do projeto apresentado em 2000 pelo falecido senador baiano Antonio Carlos Magalhães, do DEM, hoje uma sigla do Centrão, ao brigar com o então presidente FHC. A proposta, segundo ACM, buscava “minimizar o viés” favorável ao governo em assuntos orçamentários, coibir “a ditadura do Poder Executivo”.

 

A aprovação do orçamento impositivo, em fevereiro de 2015, foi uma das primeiras medidas de Cunha no comando da Câmara. Havia sido eleito para o cargo naquele mês, graças a esse tipo de promessa, com a qual cimentara o Blocão/Centrão em 2014 – sem falar na grana de empresas que arrumou para os seguidores fazerem campanha. Cunha triunfou numa disputa contra um candidato do Planalto, o petista Arlindo Chinaglia, e outro da oposição da época, Júlio Delgado, do PSB.

 

E em primeiro turno, sem precisar negociar com rivais. Em um jantar, no fim de 2015, na casa do deputado Newton Cardoso Júnior, do MDB mineiro, comentaria, sem saber que era gravado, que “não ter dependido do PT e da oposição permitiu ao PMDB esse protagonismo político, nos deu a liberdade para fazer o que estamos fazendo”. Ou seja, dar as cartas em Brasília.

 

Cunha levou a limites extremos a tomada do poder por deputados conservadores e fisiológicos, mas não inventou a prática no Brasil. Se alguém merece o título de patrono, é um finado, Roberto Cardoso Alves, deputado da Assembleia Nacional Constituinte (1987-1988). Fazendeiro e advogado, “Robertão” era do PMDB e estava injuriado com os rumos progressistas da Constituinte.

 

Culpava a ação de dois peemedebistas, o comandante da Assembleia, Ulysses Guimarães, e o líder do partido, Mario Covas, e a omissão de um terceiro, José Sarney, presidente da República. No Globo de 15 de novembro de 1987, comentou: “No instante em que foi constatada a presença da esquerda em postos-chave da Constituinte, começou a surgir uma preocupação mais ou menos generalizada”.

 

Ele organizou um bloco partidário, arrastou Sarney para a arena e conseguiu alterar as regras de votação da Constituição, de modo a atrapalhar avanços progressistas. O grupo tinha setores do PMDB, PFL, PDS, PTB e PL. O bloco autodenominou-se Centrão. Déjà-vu?

 

O Centrão daqueles tempos nada tinha de “centro” político, posição entendida como a oscilar entre esquerda e direita, conforme o tema. Como o de agora, 30 anos depois, também não tem, na opinião de Renato Janine Ribeiro, professor de Ética e Filosofia Política na USP. Sem surpresas.

 

O DNA de ambos é quase igual. O DEM de hoje é o PFL da Constituinte, o PP nasceu do PDS, o PR era o PL, siglas do Centrão modelo 2018. “Centro é o pseudônimo da direita envergonhada”, diz Janine Ribeiro. Centrão é o pseudônimo afrontoso da direita exclusivamente fisiológica.”

 

“Centro” é como o PSDB e alguns aliados espalhados por certas siglas têm se autodenominado, na tentativa de encontrar um espaço na eleição para enfrentar Bolsonaro, extremista da direita, e o campo progressista. Caracterização tucana a incluir MDB, PPS, PV, PTB e os presidenciáveis Marina Silva e Alvaro Dias.

 

Colaborador antigo do PSDB, o economista neoliberal Arminio Fraga deu uma entrevista, em maio, a O Estado de S. Paulo na qual criticava o partido, apesar de declarar voto em Alckmin, e disparava: “O Centro é uma gororoba que, no fundo, é conservadora de maneira muito primitiva. É o conservadorismo para manter poder e dinheiro. Não tem valor”.

 

Se acha isso do dito Centro, dá para imaginar sua alegria ao ver seu candidato abraçado ao Centrão. Terá reagido como o histriônico historiador Marco Antonio Villa, antipetista da gema e simpatizante do tucanato? “Ninguém ali é de centro, é todo mundo de direita”, “são quadrilhas”, “saqueadores do Erário”.

 

Entre os concorrentes de Alckmin sobrou pancada. Para Dias, do Podemos, o Centrão é um “monstro que deve ser combatido”. Bolsonaro disse que o tucano uniu “a escória da política brasileira”. Puro despeito de quem flertou com parte da turma e ficou a ver navios. A incógnita Marina Silva, da Rede, acha que o Centrão capturou Alckmin como fez com Dilma e Temer. O progressista Guilherme Boulos, do PSOL, afirmou que “ninguém que se aliar com eles poderá oferecer algo novo ao País”. Ciro Gomes, outro progressista, cortejou o Centrão, depois atribuiu a falta de acordo à ajuda divina.

 

“O único cimento do Centrão é tentar imitar o MDB, pressionando juntos para dividir o butim separados. A chave para um possível entendimento com eles é jamais dar a eles organicidade. Alckmin comete esse erro mortal”, declarou o candidato pedetista ao Valor.

 

No meio da “bactéria” havia quem preferisse Ciro Gomes, especialmente siglas mais ligadas ao Nordeste, como o DEM e o PP. O jeitão demasiado paulista de Alckmin atrapalha, avaliam lideranças desses partidos. Neste caso, o Palácio do Planalto foi decisivo. Não que houvesse entusiasmo pelo ex-governador paulista, que foge da ligação com Temer como o diabo da cruz.

 

É bronca com Ciro, que volta e meia chama o presidente e o MDB de “quadrilha”. Em uma mensagem por celular a deputados emedebistas e a Henrique Meirelles, o presidenciável do partido, Carlos Marun, chefe da articulação política do governo, escreveu: “A atitude de Alckmin nas denúncias (da PGR contra o presidente) o torna não merecedor do nosso apoio.

 

Ajudamos a sua candidatura, é verdade, ao vetarmos o apoio do Centrão ao débil mental do Ciro Gomes. Este apoio foi para os tucanos, mas isto não é de todo ruim. Sabemos que a tucanidade de Alckmin não o faz o candidato para o agora”.

 

Para Ciro, o PSDB “é o novo MDB”. Ou seria uma volta às origens? O PSDB surgiu há 30 anos em parte porque alguns emedebistas estavam contrariados com a derrota interna sofrida para o Centrão fisiológico na Constituinte. “Robertão”, por exemplo, dizia que “é dando que se recebe”, franciscana confissão do “toma lá dá cá” com o governo, e não por acaso foi ministro de José Sarney.

 

No livro Imobilismo em Movimento, de 2013, o filósofo e cientista político Marcos Nobre, da Unicamp e do Cebrap, batiza de “peemedebismo” esse modus operandi de captura do governo a partir do Congresso por siglas conservadoras e clientelistas, resistentes a mudanças sociais, econômicas e políticas. Por esse conceito, o Centrão é um grande MDB. Daí que, se o PSDB saiu da costela do MDB, entregar-se três décadas depois ao Centrão é revisitar o colo materno.

 

Aliás, os vínculos do tucanato com o peemedebismo fazem parte da paisagem. Sérgio Machado foi senador pelo PSDB de 1995 a 2003 e, quando Lula assumiu a faixa de FHC, entrou no MDB para ficar mais perto do poder. Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro de 2003 a 2010, condenado a mais de 100 anos de cadeia, trocou o MDB pelo PSDB quando houve a cisão e elegeu-se deputado estadual tucano por três vezes.

 

Na campanha de 2014, levou o MDB do Rio a apoiar Aécio Neves, apesar de, oficialmente, os emedebistas estarem com Dilma. Eduardo Paes, prefeito do Rio pelo MDB de 2009 a 2016, tinha sido deputado federal pelo PSDB e abrigou tucanos na equipe. A professora Claudia Costin foi sua secretária de Educação, cargo ocupado por ela no governo paulista de Alckmin.

 

A economista neoliberal Maria Silvia Bastos Marques comandou a empresa municipal carioca que organizou a Olimpíada de 2016. No governo Temer, ela dirigiu o BNDES por indicação do PSDB.

 

Apostar tudo nas velhas máquinas partidárias fisiológicas para gerar votos é o que resta a Alckmin numa eleição em que o PSDB não poderá recorrer a feitos econômicos nem ao discurso moralista. No primeiro caso, as realizações do governo Temer, do qual os tucanos são sócios desde o primeiro dia, descredenciam qualquer defesa das medidas aplicadas.

 

No ano passado, o PIB cresceu 1%. Após a greve dos caminhoneiros de maio, a FGV de São Paulo calcula que o PIB do segundo trimestre recuou 1%. O “mercado”, consultado semanalmente pelo Banco Central, prevê que a economia avançará 1,5% em 2018. Em junho, o mercado de trabalho, já com desemprego alto, voltou ao vermelho: 661 vagas formais foram fechadas.

 

No campo moral, além dos rolos judiciais de Aécio Neves e José Serra, Alckmin tem os seus próprios problemas. Foi intimado pelo Ministério Público a depor, em 15 de agosto, véspera do início oficial da campanha, sobre a acusação de delatores da Odebrecht de que ele, codinome “Santo” nas planilhas de propina da empreiteira, teria recebido 10 milhões de reais em grana suja nas eleições de 2010 e 2014.

 

Um colaborador antigo e um ex-secretário em São Paulo, Laurence Casagrande Lourenço, está preso desde junho e acaba de ser indiciado pela Polícia Federal, devido à suspeita de fraudes no Rodoanel. Agora os procuradores decidirão se denunciam Lourenço à Justiça.

 

Uma delação recém-homologada de ex-funcionários da OAS também aponta desvios no Rodoanel, prenúncio de mais apuros para Alckmin. A CCR, controladora de estradas paulistas privatizadas, negocia um acordo de leniência com o MP para contar sobre os 5 milhões de reais em caixa 2 doados ao tucano.

 

Com a aliança costurada, Alckmin deverá ocupar 40% da duração do horário eleitoral gratuito de rádio e tevê. Esse canhão de marketing conseguirá seduzir o eleitor? Na campanha de 2006, o tucano tinha até mais tempo (46%) e perdeu para Lula. No PSDB, há quem desconfie da força da propaganda televisiva em uma disputa com eleitores desencantados, revoltados, desempregados.

 

O secretário-geral do partido, o mineiro Marcus Pestana, tem lembrado que a campanha para prefeito de Belo Horizonte há dois anos foi vencida por um outsider, Alexandre Kalil, do nanico PHS, com uma propaganda televisiva de uns poucos segundos no primeiro turno e muito empenho na internet. Exatamente como, imagina-se, fará Bolsonaro, o rival a ser batido pelo PSDB à direita.

 

Petista dos mais chegados a Lula, o ex-ministro Gilberto Carvalho acha que Alckmin subirá um pouco nas pesquisas a partir de agora (o tucano tem uns 5%), puxado pelos cabos eleitorais de sua arca partidária, mas permanecerá a incerteza sobre o patamar de resistência de Bolsonaro, hoje com 15%. “Se ele resistir e não cair muito, vai ser uma guerra na direita. Aí a gente precisa estar preparado para tudo. Até para não ter eleição.”

31
Jul18

A "delação" premiada padrão PM

Talis Andrade

Para lembrar o golpe branco que derrubou Dilma Rousseff, tramado no Paraná pela corriola de Curitiba, por Sérgio Moro e o governador Beto Richa. Em São Paulo, pela polícia de Alckmin.

 

Recorde a "coragem cívica" de um coronal da briosa polícia de São Paulo. De como seus bravos soldados participaram de uma Batalha de Itararé

 

coronelmocinha.jpg

O coronel e a mocinha. É a “moda Moro”, versão meganha

por Fernando Brito

---

Reuni, numa só edição, as “explicações” do coronel Dimitrios Fyskatoris, da PM paulista e o relato de uma das jovens detida na Rua Vergueiro – antes da manifestação de domingo na Avenida Paulista, feito para a Midia Ninja.

 

É a melhor maneira de confrontar as versões e enxergar o óbvio.

 

O coronel Dimitrios, com todo o respeito, quer que as pessoas acreditem que o suposto grupo de “vândalos”, antes de fazer “vandalismo”, confessou “espontaneamente” que iam vandalizar.

 

Será que em sua longa carreira o coronel já abordou um sujeito que, ao ser abordado pela PM, tenha dito: “ah, seu puliça, tô indo ali roubar uma padaria”?

 

Mas o coronel diz, impávido: “”Eu tenho registro da declaração deles dizendo que faziam parte de um grupo que estava reunido para praticar atos de desordem na cidade e que eram parte de várias células que estavam espalhadas pela cidade”, declarou.

 

É a “delação” premiada padrão PM, versão “pé de boi” das do juiz Moro.

 

Prendam um guri de 17 ou 18 anos uma madrugada inteira, cercado de brutamontes armados, sem acesso a advogado e é capaz de ele dizer que foi ele que furou o casco do Titanic.

 

Ninguém descreveu melhor isso do que o juiz Rodrigo Tellini, que mandou soltar as moças e rapazes.

 

“Vivemos dias tristes para nossa democracia. Triste do país que seus cidadãos precisam aguentar tudo de boca fechada. Triste é viver em um país que a gente não pode se manifestar”

 

Aliás, não é curioso que tenham “ressuscitado” a ideia de “black blocs” depois de eles terem sumido desde 2013?

 

O pessoal das trevas tem mesmo poder sobre os mortos-vivos. [Publicado no dia 6 de Setembro de 2016 no Tijolaço]

 

 

Pág. 1/32