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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

30
Abr18

A pequena pátria

Talis Andrade

de Eugénio de Andrade

eugenio.jpg

 

 
A pequena pátria; a do pão; 
a da água; 
a da ternura, tanta vez 
envergonhada; 
a de nenhum orgulho nem humildade; 
a que não cercava de muros 
o jardim nem roubava 
aos olhos o desajeitado voo 
das cegonhas; a do cheiro quente 
e acidulado da urina 
dos cavalos; a dos amieiros 
à sombra onde aprendi 
que o sexo se compartilhava; 
a pequena pátria da alma e do estrume 
suculento morno mole; 
a da flor múltipla e tão amada 
do girassol. 

30
Abr18

Os amantes sem dinheiro

Talis Andrade

de Eugénio de Andrade

eugeniodeandrade.jpg

 

Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com  a água
e um anjo de pedra por irmão.

Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.

Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.

              
30
Abr18

BACKSPACE

Talis Andrade

danielacavalheiro.jpg

de Daniela Cavalheiro

 

 

tec tec tec tec
tec tec tec tec
tec tec tec tec 
tec tec tec tec
tec tec tec tec
tec tec tec tec
tec tec tec tec
tec tec tec tec
tec tec tec tec
tec tec tec tec
disseram-me pra escrever
o que eu sinto!
tec tec tec tec
tec tec tec tec
tec tec tec tec
tec tec tec tec
tec tec tec tec
tec tec tec tec
tec tec tec tec
tec tec tec tec
tec tec tec tec

 

 

---

ÁLBUM Por que as poetisas são lindas?

30
Abr18

As reveladoras balas do atentado político contra acampamento de Lula

Talis Andrade

Cultura-do-Odio.jpg 

atiradir 2.jpg

O atirador da república do Paraná

 

 

"Peritos da Polícia Cientifica, policiais militares e da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, estiveram no local (acampamento de manifestantes simpatizantes ao ex-presidente Lula). Foram recolhidas cápsulas de pistola 9 mm", informa a Secretaria de Segurança Pública do Paraná.

 

As armas que mataram a vereadora Marielle Franco no Rio de Janeiro, e atiraram contra acampamento Marisa Letícia em Curitiba, chacinaram 17 pessoas em Osasco e Barueri. 

 

E mais revelador ainda (informa jornal do golpe de 20l6): Nos três atentados usaram munições calibre 9 mm do lote UZZ-18, vendido à PF de Brasília pela empresa Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) no dia 29 de dezembro de 2006, com as notas fiscais número 220-821 e 220-822. 

 

Ao todo, o lote continha 1.859.000 cápsulas, que foram distribuídas para todas as unidades da PF. Também houve balas desse lote usadas em crimes envolvendo facções rivais de traficantes que resultaram na morte de cinco pessoas em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, entre 2015 e 2017.

 

Em ofício de 2015 do processo da chacina de Osasco e Barueri, a CBC indica para a Polícia Militar de São Paulo para onde foram vendidas as balas dos cinco lotes de munição usados na chacina. Parte dessa munição encontrada na cena da chacina de Osasco é do mesmo lote da usada no assassinato de Marielle.

 

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, reconhece que esse lote comprado pela PF teve desvios, sendo um deles em 2007 na própria instituição, por um escrivão da PF, que pode revelar os autores dos mais recentes episódios sangrentos da política brasileira. 

 

 Vamos repetir. Trancrevo do G1: As munições calibres 9mm que  mataram a vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Gomes são do mesmo lote de parte das balas utilizadas na maior chacina do estado de São Paulo. Os assassinatos de 17 pessoas ocorreram em Barueri e Osasco, na Grande São Paulo, em 13 de agosto de 2015. Três policiais militares e um guarda-civil foram condenados pelas mortes.

 

Vamos repetir até cansar. Um escri√ão da PF de Brasília, três policiais militares e um guarda-civil de São Paulo conhecem o mapa da mina, os escondidos depósitos de 1.859.000 balas, que sumiram da Polícia Federal num passe de mágica, e que reemBALAdas, em diferentes e pesadas caixas, foram transportadas, pelo que se sabe, para São Paulo, Rio de Janeiro e república do Paraná.  

 

+ inquérito 

 

A Polícia Federal instaurou inquérito para apurar a origem das munições e as circunstâncias envolvendo as cápsulas encontradas no local onde Marielle foi morta.  A PF (santa inocência!) quer saber como as munições saíram de Brasília e chegaram ao Rio. Além disso, a investigação deverá rastrear por onde passou a munição desde a chegada do lote em Brasília, em 2006. É piada! A PF recebe, paga e não sabe como chegou.

 

Diz o G1 que a Polícia Civil do Rio já descobriu que a munição é original -- ou seja, não foi recarregada. Isso porque a espoleta, que provoca o disparo da bala, é original. Os agentes chegaram a essas conclusões após a perícia. Agora, as polícias Civil e Federal vão iniciar um trabalho conjunto de rastreamento que teve começo e nunca tera fim.

 

 

+ chacina

 

Todos os acusados foram considerados culpados pelos crimes, em dois julgamentos. No primeiro júri, realizado em setembro de 2017, foram condenados o PM da Rota Fabrício Eleutério (255 anos, 7 meses e 10 dias de prisão); o policial militar Thiago Henklain (247 anos, 7 meses e 10 dias); e o guarda-civil Sérgio Manhanhã (100 anos e 10 meses).

 

No segundo julgamento, o PM Victor Cristilder Silva dos Santos foi condenado a 119 anos, 4 meses e 4 dias de prisão. Segundo a acusação, eles cometeram os assassinatos para vingar as mortes de um PM e de um GCM dias antes da chacina.

 

 

 
30
Abr18

Os amantes sem dinheiro

Talis Andrade

de Eugénio de Andrade

eugeniodeandrade.jpg

 

Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com  a água
e um anjo de pedra por irmão.

Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.

Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.

              
30
Abr18

ARTES PLÁSTICAS As mil artimanhas de Rubens Matuck

Talis Andrade

O Brasil está repleto de uma desconhecida gente genial. O jornal EL País, da Espanha, apresenta o artista Rubens Matuck.

 

matuck.jpg

"Quando o assunto é o artista Rubens Matuck, dizer que ele é múltiplo não é um lugar-comum, mas uma constatação das mais honestas. Há o Matuck ilustrador, cartunista, autor de livros infantis, escultor, pintor, ambientalista, profundo conhecedor da fauna e flora brasileira e por aí vai. Aos 66 anos, a produção deste artista paulistano, formado em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade São Paulo (FAU-USP), é extremamente profícua e espanta e desnorteia", apresenta André de Oliveira. 

matuck carderno.jpg

Aquarela extraída de um dos cadernos de viagem do artista RUBENS MATUCK

 

O Brasil é o país das nulidades celebradas pela imprensa vendida e entreguista, do pensamento único consagrado pelo monopólio da TV Globo. 

 

Explico a dominação da cultura, o colonialismo, com a minha teoria do um. São permitidos um poeta (Castro Alves), um romancista (Machado de Assis), um compositor (Villa-Lobos) , um pintor (talvez Portinari), um escultor (o pódio permanece vago)

 

 

 

 

30
Abr18

O samba: uma resistência, uma metafísica, uma cura para o corpo

Talis Andrade

samba.jpg

Quadro 'A Roda de Samba', de Heitor dos Prazeres (1960)

 

O Rio do samba se divide em 3 momentos.

 

No primeiro, Da herança africana ao Rio negro, é abordada a chegada do escravo à Pequena África carioca, cenário privilegiado das primeiras reuniões de afrodescendentes, conhecidas inicialmente com o nome de “sembas”. “Quando os negros africanos de origens diversas se encontravam, cantavam para tentar sobreviver à dura vida que levavam”, explica Marcelo Campos. “Ainda que ele seja muito vinculado a uma condição de alegria, o samba vem como essa tentativa de curar essa ferida, e sempre foi acompanhado por essa marca e essa relação que ele tem com as comunidades e resistiu nos lugares mais pobres, nos morros, nas favelas...”

 

... acompanha a viagem do sambista desde a pós-escravidão e a marginalização no exílio periférico e sua volta à vida pública, com os primeiros carnavais. “O que era uma manifestação que ocorria no fundo do quintal, de noite, transforma-se em uma outra coisa no momento da expansão urbana do Rio de Janeiro”, diz Evandro Salles. “A própria história das escolas de samba está ligada a essas expansões que levaram o samba aos subúrbios, primeiro, e às grandes avenidas, depois. É assim que o samba vai se adaptando e se reinventando a cada momento histórico...

 

Leia. Chema García Martínez fala do samba. Da História do Samba.

 

 

 

30
Abr18

CULTURA

Talis Andrade

Feira.jpg

 

 

 

O branco católico

traz entranhados

preconceitos e tre

jeitos seculares

 

 

Dos portugueses

o gosto do lucro fácil

Deitado em uma rede

espera os olhos de dono

engordem o gado

 

 

Dos espanhóis

a fome de prata

tudo devasta

uma fome que sangra 

e mata

 

Dos mascates

judeus e árabes

a alquimia de transformar

bugigangas em peças de arte

 

Dos negros e índios

a preguiça

a poesia a música

 

Da gente mestiça

os pregões de rua

vendendo as miudezas

do imutável cotidiano

 

Da mestiça gente

o prazer da noite

o samba no pé

a capoeira a ginga

o jeitinho de ser

brasileiro

 

a bola redonda

rolando no campo

o carnaval na rua

o ano inteiro

a vida entregue à sorte

no jogo de bicho

 

 

no jeitinho de ser

brasileiro

em que tudo termina

em pizza

para quem tem 

poder e dinheiro

 

 

em que tudo termina

em chacina

para o zé-povinho

o corpo estendido

nas empoçadas ruas

em que sobrevoam

as aves de rapina

os pássaros agourentos

as balas perdidas

 

 

===

Talis Andrade, O Enforcado da Rainha, ps. 72/74

29
Abr18

ANÚNCIO CLASSIFICADO

Talis Andrade

classificados.jpeg

 

 

 

 

O diploma de bacharel

debaixo do braço

mestiço filho converso

vou entrar no paço

para agradar os reis

de todos os naipes

o rei do açúcar

o rei do café

o rei da soja

o rei do cimento

o rei da carne

o rei da coca

o rei dos doleiros

o rei da sucata

o rei dos bicheiros

o rei do contrabando 

o rei do carnaval  

o rei Pelé

a rainha Xuxa

 

Recém-formado

o diploma de bacharel

debaixo do braço

vou vender o corpo

vender a alma

no mercado

de escravos

 

 

 ---

Talis Andrade, O Enforcado da Rainha, ps. 70/71 

29
Abr18

os olhos de angela

Talis Andrade

 com tema de su griggs

jussara salazar su griggs.jpg

 

 

de Jussara Salazar

 

 

todos os dias empresto os olhos
para que ele veja os barcos
que entram e saem
navegando pela barra do cais


meus olhos calculam
a manobra do prático na linha das pedras
a massa líquida marítima
e o horizonte impreciso nos dias de chuva


quando o último navio desaparece
permanecemos imóveis no cais imaginário
sob o céu de pedra
acaricio a água com os olhos


estamos nus

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