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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

31
Mar18

Por que os primeiros cristãos não gostavam da imagem de Jesus crucificado

Talis Andrade

Nas catacumbas romanas, ele aparece na imagem do Bom Pastor, ou celebrando a Última Ceia com os apóstolos. Nunca morto

 

A Igreja do poder nunca se incomodou com o Jesus morto. Temeu mais ao Jesus vivo e encarnadoCristo crucificado.jpg

Imagem de Cristo em uma procissão na Espanha AP

 

 

por Juan Arias

 

A imagem de Jesus crucificado só começou a ser venerada séculos depois da morte dele, e foi o Concílio de Niceia, no ano 325, que autorizou oficialmente a imagem do crucifixo tal como o usamos hoje. Os seguidores dos primeiros séculos do cristianismo se envergonhavam de uma imagem que lhes recordava a morte atroz que os romanos infligiam aos grandes criminosos.


Desde que Paulo de Tarso declarou que “se Cristo não ressuscitou [...] é vã a nossa fé” (I Coríntios, 15), interessava aos cristãos o Jesus ressuscitado, não o sacrificado em uma madeira, como um assassino qualquer. Daí que nos primeiros séculos do cristianismo não existissem pinturas nem esculturas de Jesus crucificado, só um Cristo glorioso. Leia mais 

 

Na verdade, se fez política e até mesmo drama com a crucificação para fomentar-se a teologia da cruz e do pecado, em detrimento da teologia da ressurreição e da esperança.

 

Para a Teologia da Libertação, por exemplo, a crucificação é o símbolo de todos os torturados e assassinados injustamente na história da humanidade, e a ressurreição é a grande esperança de todos os excluídos. Essa teologia, tão enraizada na América Latina, tentou ser uma volta ao cristianismo primitivo, no qual se destacava a imagem do Bom Pastor em vez da do crucificado. Entretanto, a Igreja, que até o papa Francisco ainda se revestia com os símbolos do poder dos imperadores romanos, preferiu inculcar a teologia do medo do inferno.

 

A Igreja do poder nunca se incomodou com o Jesus morto. Temeu mais ao Jesus vivo e encarnado, solidário com essa parte da humanidade que, como nos tempos do profeta crucificado, sempre acaba abandonada à própria sorte.

 

31
Mar18

Bolívia terá imagem de guerreira indígena em nota pela primeira vez

Talis Andrade

 

 

Gregoria Apaza heroína indígena.jpg

 

 

AFP - A Bolívia vai colocar em circulação em abril uma nova nota de 10 bolivianos com a imagem, pela primeira vez, de uma mulher indígena, Gregoria Apaza, que lutou contra a coroa espanhola no país. "Neste ano começaremos a emitir a nova família de notas", que será impressa pela francesa Oberthur Fiduciare, anunciou Raúl Mendoza, assessor do Banco Central, em audiência pública de prestação de contas da entidade.

 

A imagem de Apaza, que, com seu irmão Túpac Amaru (Julián Apaza), um libertário aymara, fez um cerco a La Paz contra os espanhóis em 1781, figurará nas notas de 10 bolivianos, substituindo o pintor Cecilio Guzmán de Rojas.

 

É a primeira vez em que uma heroína indígena estampa uma nota de dinheiro na Bolívia, embora em 1984 tenha aparecido a imagem de um nativo não identificado, pelo valor de 100 mil pesos bolivianos, numa época de hiperinflação galopante.

 

Foi  torturada e executada em 6 de setembro de 1782 em La Paz, pelos invasores espanhóis. 

 

A partir do ano que vem, serão impressas outras notas revalorizando próceres indígenas, uma política impulsionada pelo presidente indígena Evo Morales.

 

 

31
Mar18

Fernando Monteiro em busca do ainda estranho em 'Contos Estrangeiros'

Talis Andrade


A obra, lançada no ano passado, traz 15 histórias sobre estar deslocado em um mundo saturado

 

fernando monteiro .jpg 

O escritor e cineasta Fernando Monteiro. Foto Michele Souza

 



por Diogo Guedes


No seus diários, a escritora francesa Anaïs Nin afirmou: não aceitaria ser uma mera turista em um mundo de imagens. Contos Estrangeiros, livro do escritor pernambucano Fernando Monteiro, de certa forma, traz no seu cerne essa recusa de circular por um mundo só de aparências, de lugares vistos apenas como paisagem, de experiências sempre antecipadas por roteiros detalhados. Lançado pela Confraria do Vento, o volume traz 15 histórias muito mais do que estrangeiras – são narrativas do desconforto de estar sempre fora de casa em um mundo de cidades vivas, mas “vivas de um modo morto”.

 

Também cineasta e crítico, Fernando usa a escrita sempre para evitar atalhos. Autor de romances como Aspades, ETs, Etc e A Cabeça no Fundo do Entulho – feitos antes de abandonar as narrativas longas por discordar das preferências do mercado editorial –, ele só publicou uma obra de contos, Armada América, em 2003. Em Contos Estrangeiros, cria uma série de histórias que, em certo momento, parecem se unir e, em outros, indicam que somos nós que juntamos pistas falsas para tentar entendê-lo. Contunue lendo aqui

 

31
Mar18

DO OUTRO LADO DO MUNDO, O TELEX GRITAVA...

Talis Andrade


por Gilvandro Filho

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Outra história maravilhosa de Marco-Aurélio de Alcântara, essa eu e Zé Nivaldo (outro sobrevivente da Alcântara Promoções e Publicidade) já rememoramos, às gargalhadas.

 

 

MAA, nos tempos áureos, ia duas vezes por ano à Europa. Mas nem assim ele deixava de fazer as rotineiras reuniões envolvendo todos os setores da empresa.

A situação era peculiar: todos sentados na sala do chefe, em volta da máquina de telex (como essa da foto). E ele, do outro lado do Atlântico, a despachar com cada um. E o telex cuspindo, barulhento, aquelas fitas picotadas...

telex.jpg

 


Em uma dessas reuniões, tinha havido um problema financeiro qualquer na agência. E todos foram ouvidos (ou lidos) pelo chefe que, do outro lado, espumava com o que lia. Até que chegou a vez do Sr. Freitas (não lembro o nome dele), que era o chefe do Financeiro. O telex só faltava roncar de tão frenético, com MAA dando um esporro atrás do outro. Até que ele não se conteve e perguntou: "Sr. Freitas, o senhor ainda está aí?". Freitas assumiu o teclado da máquina e respondeu: "Estou, sim, Dr. Marco (era como ele era tratado na Alcântara)". E veio o melhor da história, no retorno do chefe, através da fita nervosa do telex:
"Sr. Freitas! SAIBA QUE EU ESTOU GRITANDO!!!"

Estava dado o esporro mais surreal que já vi na minha vida.

Beneficiados pela ausência física de Dr. Marco, ninguém se conteve e todos caíram na gargalhada. O que ele nunca soube, claro!

 

 

30
Mar18

A morte anunciada do Diário de Pernambuco

Talis Andrade

 

 

Incompetência transforma jornal histórico em velhaco e profissionais arcam com a conta

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Ilustração Alfredo Martirena 



O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Pernambuco (Sinjope) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) repudiam veementemente o extremo desrespeito com que os sócios majoritários do Diario de Pernambuco, os irmãos Alexandre e Maurício Rands, procederam em relação ao desligamento de cerca de 30 jornalistas, nessa quarta-feira (28).

Três editorias foram praticamente extintas: Esportes, Fotografia e Viver (cultura). E isso no horário do fechamento das páginas. Enquanto alguns tentavam desatar o nó do travamento da edição, profissionais dispensados deixavam a redação sob aplausos merecidos. Para quem ficava restava a expectativa se teria o nome chamado e a certeza de que o DP se esvaziava de competências enquanto a ineficiência reinava na demolição de uma empresa histórica.

O que para a maioria da sociedade pode ser motivo de espanto, surpresa, para o meio da mídia e principalmente do Jornalismo é uma nefasta tradição. O DP vive a “crise extrema da vez”, como há décadas viveu o Jornal do Commercio (JC), recuperado após uma corajosa e histórica greve de jornalistas e gráficos. E, em muitos aspectos – atraso de salários e férias, falta de depósito de FGTS e de recolhimento de INSS – o quadro do DP se assemelha ao vivido há anos pela Folha de Pernambuco (FolhaPE). E isso para citar apenas o segmento de impressos, pois na radiodifusão campeiam arrendamentos e vendas de espaços de modo nebuloso, quase sempre ao arrepio da Lei.

Se há novidade no desmonte do DP é o fato de que, em tempos de Internet e novas alternativas de mídia, já não é tão definitiva uma frase muito conhecida na área da comunicação: “Nossa dor não sai no jornal!” Agora, em tempos de alternativas como a Marco Zero Conteúdo, em plena mediação na PRT6/MPT, o presidente do DP reafirmou perante o procurador Marcelo Crisanto que efetuaria dispensas sem quitar direitos previdenciários e trabalhistas. Pior, Alexandre Rands, se referiu à empresa, diante de profissionais presentes na mediação, como “porcaria”. Virou matéria da Marco Zero. Custou caro. Nossa dor saiu na Internet.

A forma desrespeitosa como o dono da empresa se referiu ao DP foi um extremo, mas não novidade. Profissionais jornalistas já vinham sofrendo constrangimentos em entrevistas e eventos, nos quais as palavras pejorativas partiam da própria direção contra a empresa e contra profissionais que, diferentemente, vestiam a camisa, se doíam, mas não se sentiam em condições de reagir. Esse, aliás, é um forte sintoma do tipo de gestão que assumiu o DP numa transação desastrosa, que, justiça de faça, foi apenas mais uma “bomba” a lhe comprometer a subsistência.

O DP sofria há décadas do esvaziamento financeiro por gestões inábeis. Mas é importante frisar que os erros dos irmãos Rands vão além dos que confessou Alexandre na PRT6/MPT, quais sejam: fazer uma aquisição de modo equivocado e não saber conduzir a empresa para uma regularização. Os erros dos Rands se mostram como possível pá de cal sobre o DP.

Dirigentes do Sinjope e da Fenaj e profissionais vinculados à empresa tentavam construir uma alternativa de salvação do DP e das vagas de trabalho numa mediação na PRT6/MPT. Alexandre Rands optou por quebrar a linha de entendimento, sonegar números e efetivar demissões em massa sem concluir o processo de mediação.

Ao Sinjope e à Fenaj resta fechar o cerco a esse tipo de abuso de modo contundente. Recorrer à PRT6/MPT, à Justiça do Trabalho e a todas as instância que sejam necessária para impor o peso que merecem arcaícos e retrógrados donos de empresas de comunicação. E, também, estimular a categoria a exercitar novas formas de modelos de negócio jornalísticos de fato, porque certamente o modelo tão caquético quanto velhaco devem ser sepultados junto com a incompetência dos que se abraçam com ele.

Sinjope e Fenaj

Recife, 29 de março de 2018

 

Um bando de jornalistas acuados em uma redação, esperando a hora de ir para a gilhotina. É uma vergonha

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Ilustração Juan Hervas 

"Ao Sinjope e à Fenaj resta fechar o cerco a esse tipo de abuso de modo contundente. Recorrer à PRT6/MPT, à Justiça do Trabalho". Cousa de crentes. Ainda existem ministério do trabalho e justiça do trabalho depois das reformas do golpistas Michel Temer?

No século passado vivi a profecia do que o aparecimento da televisão ia fechar os jornais impressos. Agora é a vez de espalhar o medo da internet.

O Diário de Pernambuco foi entregue pelos condôminos dos Associados e pela política partidária e provinciana a dois irmãos picaretas.

Teve muito dinheiro na jogada. Muito caixa 2. É um caso de polícia.

 

Da nota do frouxo Sinjope e dos pelegos da Fenaj: "Alexandre Rands se referiu à empresa, diante de profissionais presentes na mediação, como 'porcaria'.

A forma desrespeitosa como o dono da empresa se referiu ao DP foi um extremo".

Que nada. O DP nas mãos de Rands virou um porcaria. Tudo que Rands toca vira uma porcaria. Ele fez do mandato de deputado federal uma rendosa porcaria, quando renunciou.

Rands faz mágica: qualquer porcaria vira botija de ouro.

Quem rouba salário é o quê?

Rands paga o salário da fome e do medo. Foi um picareta na política e é um picareta na imprensa. Transformou o DP em um balcão de negócios.

Quanto o governo estadual despejou no DP? Quanto a prefeitura do Recife despejou no DP?

Quanta covardia. "Os irmãos Alexandre e Maurício Rands, procederam em relação ao desligamento de cerca de 30 jornalistas, nessa quarta-feira (28).

Três editorias foram praticamente extintas: Esportes, Fotografia e Viver (cultura). E isso no horário do fechamento das páginas. Enquanto alguns tentavam desatar o nó do travamento da edição, profissionais dispensados deixavam a redação sob aplausos merecidos. Para quem ficava restava a expectativa se teria o nome chamado". Isso é tortura. Isso é agonia. Esse sofrer tem nome. Os irmãos Rands humilham. Cousa de feitor. Da escravatura. "Para quem ficava restava a expectativa se teria o nome chamado"...

 

 

30
Mar18

Mecanismo de propaganda imperialista da Netflix contra Lula

Talis Andrade

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O ex-presidente Lula é representado pelo caricato ex-presidente Higino (Arthur Kohl) 

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que não vai ficar quieto diante do conteúdo da polêmica série de propaganda política da Netflix O Mecanismo, que recria facciosamente alguns dos episódios da Operação Lava Jato. "Nós vamos processar a Netflix, nós não temos que aceitar isso. Eu não vou aceitar", disse o líder petista.

 

Informa o jornal El País da Espanha: Nem Lula nem Dilma aparecem na série com os seus nomes, mas é muito fácil reconhecê-los nas personagens de João Higino e Janete Ruscov. Lula alegou que os roteiristas colocam na boca da sua personagem palavras que ele nunca disse. O ex-presidente se referia a uma das cenas mais polêmicas da obra, quando Higino fala da Lava Jato e diz que é preciso "estancar essa sangria". Essas palavras foram pronunciadas, na realidade, pelo senador do MDB Romero Jucá, segundo uma conversa que foi grampeada pelos investigadores do caso. Noutro momento, a personagem de Lula também conversa com a presidenta Ruscov sobre a necessidade de trocar o comando da Policia Federal, mais um fato que nunca apareceu no inquérito da Lava Jato.

 

No comício que fechou a caravana em Curitiba, Lula acusou os criadores da obra: "Eles produziram uma peça que é mais uma mentira". "Aviso que vamos denunciar os responsáveis aqui ou em qualquer lugar", acrescentou o ex-presidente em um discurso no qual lembrou os incidentes ocorridos ao longo do seu percurso pelos estados do Sul para tentar impedir os atos planejados pelo PT em várias cidades. 

 

A Netflitx vem gastando milhões de dólares na série de propaganda política neste ano de eleições para presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Uma série que se pode assistir gratuitamente aqui. E que também está sendo ofertada por partidos políticos, e adéptos de Temer, Bolsonaro, Henrique Meirelles, Marina Silva e Alckmin. 

 

BBC, estatal do Reino Unido, apresenta as invenções do Mecanismo:

 

1. Lula falou sobre "estancar a sangria"? Falso
Na série dirigida por José Padilha, a frase é dita pelo personagem José Higino (que representa o ex-presidente Lula) ao "Mago", inspirado em Márcio Thomaz Bastos. O diálogo fictício ocorre em 2014, antes das eleições presidenciais. Mas a cena é fantasiosa.

 

2. A prisão de Youssef em 2014 aconteceu daquele jeito mesmo? Verdadeiro, mas…

Na série, o doleiro Roberto Ibrahim aproveita-se de um descuido do agente "China"  para pegar um jatinho no aeroporto de Congonhas (SP) e se mandar para Brasília.

A diferença é que a polícia não deixou Youssef escapar e o doleiro tampouco estava em Brasília no momento da prisão.
Quando foi detido, Youssef estava no quarto nº 704 do Hotel Luzeiros, um dos mais requintados de São Luís (MA), com vista para o mar. Segundo o Ministério Público, a mala continha R$ 1,4 milhão em propina, vinda da empreiteira UTC, e que seria paga a um secretário do governo maranhense, na gestão de Roseana Sarney (MDB). A prisão ocorreu em 17 de março de 2014. 

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Os donos do lava a jato em Brasília estão soltos e imensamente ricos  

3. O posto de gasolina de Yousseff realmente existe? Verdadeiro
Na série, o local é chamado de "Posto da Antena". Na vida real, o estabelecimento funciona até hoje - trata-se do Posto da Torre, localizado no Setor Hoteleiro Sul, ao lado da Torre de TV, um dos cartões-postais de Brasília. O empreendimento foi alvo da primeira fase da Lava Jato.

Além de 16 bombas de combustíveis, o Posto da Torre abrigava uma lanchonete especializada em kebab e uma casa de câmbio - além de um lava-jato. O estabelecimento era comandado por Carlos Habib Chater, sócio de Youssef. Na série, Chater é representado pelo personagem "Chebab". Na vida real, o posto também serviu para de inspiração para a delegada Erika Marena ("Verena Cardoni") cunhar o nome "Lava Jato" para a operação

[Informa este correspondente: "Chebab" está solto e rico. Youssef está solto e rico. Ganhou do juiz Sergio Moro delação premiada no assalto ao BanEstado. E condenado a mais de cem anos de prisão, recebeu outra delação mais do que premiada do juiz Sergio Moro, porque também livrou a esposa, a amante, a filha doleiras independentes e associadas. A delegada Erika está envolvida no suicídio do reitor Cancellier].

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 Ex-presidente Dilma Roussef ganha o nome russo Janete Ruscov (Sura Berditchevsky)

 

 4. Youssef circulava pelo comitê de campanha de Dilma Rousseff? Falso

Logo no começo da série, o personagem Roberto Ibrahim (que representa o doleiro Alberto Youssef) aparece em uma cena dentro do comitê de campanha do "Partido Operário" - na vida real, o comitê de Dilma Rousseff (PT). "Você quer quanto? R$ 500 (mil) resolve, para esta semana?", pergunta o personagem a uma integrante do staff fictício. "R$ 600 (mil), meu amor. Para agora", responde ela.
Na vida real, esta cena jamais poderia ter acontecido: durante a campanha eleitoral de 2014, Alberto Youssef estava preso em Curitiba, no Paraná (ele foi detido na 1ª fase da Lava Jato, em 17 de março de 2014, e ficou na cadeia até 17 de novembro de 2016).

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Gerson Machado é representado por Marco Rufo (Selton Mello) 

 

5. O policial Marco Rufo existiu realmente e fuçou extratos no lixo? Não foi bem assim...
Assim como outras figuras da série, o policial Marco Rufo é baseado em uma pessoa real - neste caso, um ex-delegado da PF, hoje aposentado, chamado Gerson Machado. Assim como Rufo, Machado é de Londrina (PR). Esta é também a cidade natal de Alberto Youssef (na série, Roberto Ibrahim).
Assim como Rufo - o da ficção - Machado investigou Youssef, e disse ter sido acusado de "perseguição" pelo doleiro. Na vida real, Machado abriu um inquérito sobre o caso em 2008, anos antes da Lava Jato começar. Ao jornal O Estado de S. Paulo, Machado disse em 2016 que foi afastado das investigações e depois "foi aposentado" precocemente, aos 49 anos de idade, em 2013. O afastamento o deixou deprimido.

 

6. Youssef realmente foi preso e fez delação uma década antes da Lava Jato? Verdadeiro, mas…
Em 1969, o Banco Central do Brasil editou uma norma, a Carta Circular nº 5, com o objetivo de facilitar a vida de brasileiros vivendo no exterior. A norma criou um tipo de conta bancária - batizada de CC5 em referência à Circular do BC - que permitia depositar dinheiro em moeda estrangeira no Brasil e sacá-lo no exterior.
Entre 1996 e 2003, um grupo de doleiros utilizou as contas CC5 do Banco do Estado do Paraná, o antigo Banestado, para enviar cerca de US$ 30 bilhões para fora do país. Um deles era Alberto Youssef. Ele admitiu mais tarde que efetivamente pagou propina, em nome de empresas, aos dirigentes do Banestado, para facilitar empréstimos a essas empresas. O nome do banco batizou o escândalo.

Youssef fechou seu primeiro acordo de delação premiada em 2004 - o acordo foi homologado pelo juiz Sérgio Moro. Em 2014, na segunda prisão do doleiro, o mesmo juiz invalidou o acordo de 2004.
A história é contada de forma resumida pela série de José Padilha - inclusive com uma menção às contas CC5. Mas há pelo menos dois pontos que merecem reparos. Ao ser preso, Youssef diz que não vai ficar muito tempo preso, já que o seu advogado "é o ministro da Justiça". Naquela época, o ministro era Márcio Thomaz Bastos ("O Mago", na série). Bastos nunca defendeu Youssef. Além disso, a série deixa de mencionar o fato de o esquema ter começado a funcionar em 1996, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

 

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29
Mar18

O fim do domínio total do dólar

Talis Andrade

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por Marcos Simões

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A China acaba de lançar o "petro-yuan", uma moeda lastreada em ouro que desafia diretamente o dólar americano, sinalizando o início do fim do dólar norte-americano.


Em um movimento maciço contra o domínio global do dólar americano, o altamente antecipado Petro-Yuan da China foi lançado em Xangai. Sendo a China a maior consumidora de petróleo do mundo, essa nova moeda é um fator de mudança internacional que foi um movimento previsto pela China para competir diretamente - e posteriormente desvalorizar - o dólar americano.


Os analistas chamam o plano, anunciado por Pequim em setembro , de um movimento enorme contra o domínio global do dólar - e o status da moeda de reserva.


O governo chinês supostamente planeja permitir que o contrato futuro de petróleo com preço em yuan seja totalmente conversível em ouro.


Conforme relatado pelo TFTP na época, além de servir como uma ferramenta de cobertura para as empresas chinesas, o contrato permitirá o aumento do uso do yuan na liquidação comercial.


Esses contratos permitirão que os parceiros comerciais da China paguem com ouro ou convertam o yuan em ouro sem a necessidade de manter o dinheiro em ativos chineses ou transformá-lo em dólares, de acordo com a Bloomberg.


Essencialmente, o novo marco permitirá que exportadores, como a Rússia, o Irã ou a Venezuela, evitem as sanções dos Estados Unidos trocando petróleo em yuan convertível em ouro - negando assim a hegemonia do petrodólar.


Na segunda-feira, a negociação dos novos contratos futuros de petróleo para liquidação em setembro começou na Bolsa Internacional de Energia de Xangai a 440,20 iuanes (69,70 dólares) por barril, informa o jornal chinês South China Morning Post. Cerca de 18.540 lotes foram vendidos e comprados até o momento.


Como Bloomberg relata, o Petro-Yuan é um desafio direto ao domínio do dólar. No entanto, se vai ou não ter um efeito imediato, continua a ser visto.


Shady Shaher, chefe de estratégia macro do banco Emirates NBD PJSC, de Dubai, diz que faz sentido, a longo prazo, olhar para transações em yuan, porque a China é um mercado chave, mas levará anos. O colunista da Bloomberg Gadfly, David Fickling, argumenta que a China não tem "quase a influência no mercado de petróleo necessária para realizar tal golpe". Por outro lado, pagar em yuan pelo petróleo pode se tornar parte do One Belt, do presidente Xi Jinping. One Road ”para desenvolver laços em toda a Eurásia, incluindo o Oriente Médio. A participação chinesa na oferta pública inicial da Saudi Aramco poderia ajudar a influenciar a opinião da Arábia Saudita em aceitar o yuan, que é usado em apenas cerca de 2% dos pagamentos globais.


O economista líder, Carl Weinberg, diretor administrativo da High Frequency Economics, vai ainda mais longe, prevendo uma grande mudança de paradigma. Weinberg disse à CNBC no ano passado que a China provavelmente “obrigará” a Arábia Saudita a abandonar o petrodólar e, em vez disso, começará a negociar petróleo em yuan - uma medida que ele diz que provavelmente precipitará o restante do mercado de petróleo e abandonará o dólar norte-americano. a moeda de reserva global.


Na cúpula do BRICs no ano passado, o presidente russo, Vladimir Putin, expressou o apoio da Rússia ao Petro-Yuan para desafiar especificamente a “injustiça” do domínio global do dólar.


“A Rússia compartilha as preocupações dos países do BRICS com a injustiça da arquitetura financeira e econômica global, que não dá a devida consideração ao peso crescente das economias emergentes. Estamos prontos para trabalhar em conjunto com nossos parceiros para promover reformas de regulação financeira internacional e para superar a excessiva dominação do número limitado de moedas de reserva ”.
Como o respeitado jornalista / analista geopolítico Pepe Escobar explica: "superar a dominação excessiva do número limitado de moedas de reserva" é a maneira mais polida de declarar o que os BRICS vêm discutindo há anos; como contornar o dólar americano, bem como o petrodólar.


“É mais uma mudança de jogo para os EUA. Assim que outros países tiverem uma alternativa real e confiável ao dólar americano, eles podem despejar dólares e mudar para o yuan, o que pode desencadear uma crise do dólar. Se isso acontecer, não só haverá inflação das tarifas, mas também da enxurrada de dólares ”, disse Ann Lee, professora adjunta de Economia e Finanças da Universidade de Nova York e autora do livro“ O que os EUA podem aprender da China ”.

 

 

 

28
Mar18

Por que a Lava Jato desistiu de investigar o bilionário tráfico de diamantes para perseguir Lula?

Talis Andrade

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 Paixão retrata Youssef, o doleiro dos traficantes de diamantes e de moedas, que pegou mais de cem anos de cadeia e foi perdoado pelo Moro desde o assalto ao BanEstado

 

A CPI do BanEstado investigou o tráfico de diamantes. O juiz Sergio Moro e a Polícia Federal também não pegaram nenhum traficante.

 

Bannho de sangue. O tráfico de diamantes no Brasil resulta em mortes. Em várias chacinas escondidas e impunes. 

 

A exploração de diamantes em Rondônia, em 2004, provocou o massacre de 29 garimpeiros. 

 

O holocausto indígena não consta de nenhuma contagem. 

 

Pouca gente sabe: o Brasil possui as maiores jazidas de diamantes do mundo. Leia aqui , na Folha de S. Paulo, sobre o garimpo liegal. 

 

Perguntou a revista Época: Por que o Brasil deixa a maior jazida de diamantes do país, na terra dos índios cintas-largas, entregue aos contrabandistas? Leia aqui

 

Somente em Laje, pesquisas geológicas indicam a presença de 15 formações rochosas vulcânicas de onde saem os diamantes, chamadas kimberlitos. Isso seria três vezes mais que as principais jazidas da África do Sul e Botsuana, os maiores produtores mundiais de diamantes. Mas todo esse potencial nacional está desperdiçado. Estima-se que o garimpo desordenado e ilegal consiga tirar cerca de R$ 100 milhões por ano de Laje. Se fosse uma mineração com recursos industriais, seria possível extrair rochas mais profundas e retirar até R$ 3 bilhões por ano.

 

A Operação Lava Jato, inicialmente, foi criada para investigar o tráfico de drogas e diamantes. Foi. Sergio Moro - delegado de polícia, promotor público, procurador dos acionistas estadunidenses da Petrobras, oficial de justiça - esqueceu os traficantes de moedas, de ouro, de diamantes, de drogas, para uma partidária fixação em pegar Lula.

 

Para tanto saiu distribuindo centenas de delações premiadas que, investigadas, provariam que a justi$$a de Moro é corrupta.

 

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 O tráfico patrocina a vida livre de luxo e luxúria de Youssef

 

Quem me acompanha sabe que, no inicio, fui favorável a Lava Jato, mas percebi a farsa. Uma operação iniciada para investigar o tráfico de drogas e diamantes não pode mudar de rumo.

 

Se o Moro queria pegar, exclusivamente, o Lula, criasse uma segunda operação. Ele é o deus da justiça, o único juiz, os outros não são de nada, pela propaganda da imprensa. O todo poderoso ficou na fixação em Lula. Gastou tempo e muito dinheiro. Bote dinheiro nisso. O que conseguiu foi dividir o Brasil. A investigação não convence. A justiça humana não é uma questão de fé. De crença. A justiça é baseada em fatos reais, comprováveis.

 

É uma polícia de fritar bolinhos. Não é ficção. Relembre a palhaçada: Madrugada da sexta-feira 10, em Belo Horizonte. O dia ainda não clareou, mas 255 policiais federais e 50 agentes da Receita estão prestes a prender uma quadrilha de perigosos e milionários contrabandistas de diamantes. O maior deles é Hassan Ahmad, responsável por vendas ilegais para o Exterior de US$ 1 bilhão em pedras preciosas brasileiras.

 

Fortemente armados, 30 agentes se dividem. Enquanto um grupo fecha todas as entradas do Agmar Glass Tower, luxuoso prédio comercial situado no local de metro quadrado mais caro da capital mineira, outro pelotão, pelas escadas, chega ao bunker de Ahmad no 15º andar. No mesmo momento, mais 20 investigadores monitoram o Hotel Liberty, o cinco-estrelas onde mora o contrabandista. O cerco está fechado. Hora de pôr as mãos em Ahmad. Os policiais invadem as salas 1501 e 1502 de seu escritório de 134 metros quadrados e deparam com um sistema de segurança, tipo caixa-forte, com três portas de aço controladas eletronicamente. A certeza de que algo não estava no roteiro surge quando a tropa não encontra obstáculos ou sinais de resistência. As portas de segurança do bunker estão escancaradas. A quadrilha dava pistas de que sabia da operação ao deixar as chaves de dois cofres em cima da mesa, sem ativação dos segredos. Não havia dinheiro, nem diamantes, nem sombra de Ahmad. Atônitos, os agentes pegam o telefone e comunicam ao delegado-chefe da operação: “Doutor, o xeque fugiu.”

 

Este foi o segundo drible de Ahmad na polícia em menos de 48 horas. Leia mais aqui

 

Por que a Operação Lava Jato esconde o tráfico de diamantes?

 

Veja a desculpa fajuta do delegado Marcio Adriano Anselmo, o herói do Padilha, que criou uma série de filmes como mecanismo para eleger este ano um presidente que proteja o tráfico de diamantes e outros.  

tráfico peso da mídia por Latuf.jpg

 

25
Mar18

O 'mecanismo' do cinema como propaganda eleitoral

Talis Andrade

Padilha pôs expressões canalhas de Jucá na boca de Lula em série da Netflix sobre a Lava Jato

 

Denunciei que a série "O Mecanismo" continua no cinema internacional a antecipada campanha eleitoral do Brasil deste ano. Tudo começou e continua com uma narrativa da Lava Jato, tendo os políciais de Sérgio Moro e Temer, à moda mexicana revista pelos gringos, como heróis bem representados no Rio de Janeiro pelas milícias.

 

Não sei quem paga, via Netflix, essa propaganda cara e nefasta, em que o grande herói do José Padilha é o policial de Temer, o Segovia. 

 

segovia o policial de temer.jpg

 

 

DCM - A crítica de Lucas Salgado no site Adoro Cinema à série “O Mecanismo”, de José Padilha, aponta um problema de “desonestidade”:

 

“No Brasil, a definição de justiça no dicionário não contém as palavras equilíbrio e imparcialidade”, diz a narração de O Mecanismo em importante momento da trama. Não que seja o objetivo da série buscar justiça, mas é certo que um pouco mais de equilíbrio era bem necessário para a produção.

 

Já sobre imparcialidade… Há de se reconhecer o esforço dos criadores José Padilha e Elena Soarez e o time de roteiristas de tentarem vender a ideia de que o tal mecanismo engloba todas as partes, da esquerda e da direita, do Presidente da República ao funcionário da companhia de água, passando pelo jovem da classe média e alta que falsifica carteira de estudante e dá uma “cervejinha” para o policial.


Por alguns momentos, a série consegue bem vender essa imagem. Em outros, no entanto, fica clara uma postura tendenciosa por parte da mesma, como quando vemos o personagem do ex-presidente (claramente inspirado em Lula) usando frases como “estancar a sangria” e “construir um grande acordo nacional”. Usar fala do notório diálogo entre Sérgio Machado e Romero Jucá como sendo de Lula é algo pra lá de desonesto, e isso é algo que deveria ser claro para pessoas das mais diversas visões ideológicas. (…)

 

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Maria Jose Silveira: É lamentável o que ele faz com Lula e Dilma. Me parece caso de difamação e merece processo. E que quantidade de publicidade paga está tendo a série! Propaganda nas revistas e jornais. Será que está sendo bancada pela Netflix?

Fernando Monteiro: Uma coisa é certa -- ou mais do que certa --, Maria amiga: desde que o cinema brasileiro foi assumindo posturas de "conquista do mercado" (o analfabeto ministro atual da "Cultura" é um adepto fervoroso disso, desde seus nefandos tempos da RioFilmes etc), nós vimos surgir os Padilhas. Padilhas por todo lado, no solo cinematográfico dignificado pela trajetória limpa -- e heroica -- de Glauber, de Nelson Pereira, de Leon, Joaquim Pedro e outros. Surgiu, então, o olhar cúpido daqueles oclinhos dos Meirelles-idem -- ávidos pelos Oscar (que nunca veio) e outros penduricalhos de acesso ao mercado americano acima de tudo. Lembra-se que o ridículo Bruno Barreto chegou a se transferir para Los Angeles, a fim de -- lá -- filmar qualquer merda?


Pois bem: é assim que estamos -- ou parece que estamos --, agora: servidos pelos Padilhas, "reduzidos" a eles e seus Robocops da bilheteria descerebrada. São os "novos" tempos: Padilha é "in", Padilha está na moda do "audiovisual" indiferente ao destino do Brasil, à decifração -- ainda -- da nossa identidade etc. Padilha é isso: um Padilha, lá nos States dos "cucarachos" que pensam que são respeitados em Hollywood e adjacências. Enganam-se. Eles apenas trabalham para a velha indústria que Glauber execrava do fundo do coração baiano, eles apenas cumprem as ordens da Netflix e de quem pague seus "serviços" de "profissionais" sem pátria.

 

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Leia a conversa original, gravada pela Polícia Federal:

 

JUCÁ - Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. [...] Tem que ser política, advogado não encontra [inaudível]. Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra... Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria.[...]

 

MACHADO - Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer].

 

JUCÁ - Só o Renan [Calheiros] que está contra essa porra. ’Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha’. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.

 

MACHADO - É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.

 

JUCÁ - Com o Supremo, com tudo.

 

MACHADO - Com tudo, aí parava tudo.

 

JUCÁ - É. Delimitava onde está, pronto.

 

 

25
Mar18

UMA LADAINHA de Celso Marconi Lins

Talis Andrade

 

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Minha vontade é escrever uma poesia
Infelizmente não sei como ou então
Graças a Deus não sei fazer isso
Vou então tentar me penitenciar de
Ter tanta vontade de buscar alguma
Coisa que sempre não deveria
Os budistas já me ensinaram como
Desprezar os mais simples desejos
Pois sempre eles nos levam ao desespero
Se eu não tenho essa coisa imemorial
Que é desejar como posso dizer sim é isso
Que ainda estou vivo com o corpo morto
Dizem que o mundo está ocupado por 7 bilhões
E por que eu me pergunto por que estou só
Claro que não é o universo é só esse pequeno mundo
E a verdadeira razão de viver não é a multidão
Certamente que só um detalhe dessa vida toda
Você vai e de repente se fecha numa sala escurecida
Como são belas as mulheres não só as jovens e velhas
E assim se eu não fosse medroso eu seria radical
Pensaria com a profundidade de um Heráclito
E não ficaria me angustiando todo dia a dia
A salvação as vezes fico pensando será quando
Você poderá sumir e mais que de repente voltar
Para ser você mesmo e continuar seu triste caminho
Pois sim vivamos mesmo que o gozo seja diminuído
Glória à Nossa Senhora da Conceição
E tudo dito pela boca suja de um ateu marxista

 

Olinda 2018-03-24

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