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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

04
Nov17

Justiça persegue juízes por protestar contra o impeachment mas esquece os que foram a favor

Talis Andrade

justiça contra justiça Jean Gouders.jpg

Ilustração Jean Gouders

 

 

Quatro magistrados do Rio de Janeiro são alvo de ação do CNJ. Relator do caso, João Noronha, ofereceu jantar a Temer, Aécio e Serra

 

 

por Afonso Benites

El País/ Madri

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Um ano e dois meses após a destituição de Dilma Rousseff (PT), o impeachment da presidenta eleita em 2014 chega a um tribunal e reforça a queda de braço político que atinge boa parte das instituições brasileiras. O foco, entretanto, não é a legalidade do processo que a apeou do poder. E, sim, se quatro juízes estaduais do Rio de Janeiro cometeram irregularidades ao participarem de uma manifestação contrária ao impeachment. É o primeiro caso envolvendo magistrados que estiveram em protestos em que a crise política era o foco. Até agora, o Conselho Nacional de Justiça não abriu nenhum procedimento contra juízes que se manifestaram a favor da destituição de Rousseff, apesar de vários deles terem ido e discursado em atos com esse intuito.

 

 

No último dia 24, por unanimidade, os conselheiros do CNJ autorizaram a abertura de um procedimento administrativo contra os magistrados André Nicolitt, Simone Nacif, Cristina Cordeiro e Rubens Casara. Os quatro discursaram em um protesto, em abril, na praia de Copacabana, no qual o impeachment de Rousseff foi chamado de golpe. O ato, foi promovido pelo Movimento Funk 2000. A partir de agora os magistrados são formalmente investigados. Não há data para o julgamento deste caso ser pautado pelo CNJ. Até lá, eles seguem trabalhando normalmente.

 

Duas são as regras que tratam desse tema entre magistrados: 1) Em seu artigo 95, a Constituição Federal prevê que é vedado aos juízes se dedicarem à atividade político-partidária; 2) A Lei Orgânica da Magistratura Nacional prevê que, no caso de agir político-partidariamente, o magistrado poderá perder o cargo em caso de punição.

 

O caso foi relatado pelo corregedor e ministro do Superior Tribunal de Justiça João Otávio de Noronha. Em seu voto pela abertura do processo, ele afirmou que o Supremo Tribunal Federal foi desrespeitado quando o juiz Rubens Casara criticou a inércia do Judiciário com relação ao impeachment. Eis o que disse Casara: “Se o Supremo Tribunal Federal estivesse funcionando, essa palhaçada já tinha sido barrada. Mas se o direito não funciona, nós vamos usar a rua. Não vai ter golpe”. E agora, um trecho do voto do corregedor: “É cabível um juiz ocupar a tribuna e hostilizar a Suprema Corte brasileira? Se nós não nos respeitamos quem há de respeitar a Justiça brasileira”?

 

Em junho do ano passado, quando se tornou corregedor do CNJ, Noronha ofereceu um jantar em sua residência do qual participaram figuras que tinham interesse no impeachment de Dilma – que acabou efetivado em 31 de agosto. Entre os comensais estavam o presidente em exercício na época, Michel Temer (PMDB), os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e José Serra (PSDB-SP). Indagado por meio de sua assessoria de imprensa sobre o encontro com os opositores da presidenta deposta, o ministro não respondeu aos questionamentos enviados pela reportagem. O jornal Folha de S. Paulo chegou a noticiar que o encontro foi uma homenagem a Temer.

 

Em seu voto, Noronha diz que juízes precisam respeitar normas específicas de condutas e que eles têm limitações. “Ser juiz não é ser um cidadão comum. O juiz tem normas de comportamento próprio, como tem um engenheiro, como tem um perito...”.

 

Outro magistrado que participou do protesto deixou claro no início de sua fala que eles não estavam exercendo uma atividade partidária, como proíbe a Constituição. Disse Nicolitt: “Não estamos aqui para defender um Governo, estamos aqui para defender a legalidade democrática e a Constituição”. O mesmo discurso foi adotado pelo advogado que os defende no processo, Cezar Roberto Bitencourt. “[O ato] Se tratou de um movimento popular, sem partidos políticos”.

 

Nas últimas semanas, a reportagem identificou ao menos dois casos de magistrados que estiveram em atos em que havia o apoio massivo a favor do impeachment da petista. Um foi o desembargador Newton de Lucca, do Tribunal Regional Federal da Terceira Região. O outro foi o juiz Itagiba Catta Preta, que ficou nacionalmente conhecido por suspender a posse de Luiz Inácio Lula da Silva como ministro da Casa Civil da gestão Dilma. Nenhum deles chegou a ser processado até o momento.

 

“A decisão do CNJ trata de maneira desigual os juízes. Enquanto investiga os poucos que se pronunciaram contra um pensamento monolítico, sofrem. Os que seguiram a linha de raciocínio da maioria, ‘patrocinada pela CBF’, nada sofrem”, afirmou o ex-promotor e hoje advogado Roberto Tardelli. Esse jurista é um dos 627 que assinam uma petição que denuncia a perseguição contra os quatro juízes do Rio e afirma que há um viés discriminatório na decisão do CNJ. O quarteto tem sido chamado entre seus apoiadores de “os quatro de Copacabana”.

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Nota. Este Correspondente destaca que apenas quatro juízes ficaram contra o golpe.

 

O Brasil tem um tribunal em cada esquina. Tribunal pra tudo. De faz de Contas que faz as contas. Militar, quando os coronéis das polícias estaduais comandam as milícias do tráfico, da pistolagem, do mercado negro. Eleitoral, que aprova todos candidatos fichas sujas. Estadual, com desembargadores nomeado por governador corrupto. Fiscal, para perdoar bilionários sonegadores. Federal, com ministros nomeados por le(i)ais serviços caninos a Fernando Collor, a Fernando Henrique, a Michel Temer. Certamente existe (existia) supremo ministro de duvidosa origem petista. 

 

A unanimidade golpista faz que todo togado receba salário na beirada ou acima do teto constitucional, mais penduricalhos que enriquecem legal(mente), e colocam os juízes entre os um por cento de ricos da pobre população pobre brasileira. Riqueza que não incomoda, e sim os costumeiros abusos de poder, e a anistia antecipada para todos os crimes em um Brasil cada vez mais injusto, desigual, cruel, desumano, com 500 mil prostitutas infantis. Um Brasil racista. Destruir terreiros de religiões de matriz africana é a nova “guerra santa” . Não mais santa que a cruzada de Moro da República do Paraná. Que facilitou os caminhos para o impeachment de Dilma Rousseff, e estendeu um manto protetor para os presidenciáveis Alckmin, Aécio, Doria, Huck, Bolsonaro, Henrique Meireles, Marina Silva, e para a possível reeleição de Temer, inclusive a candidatura de Moro. Qualquer candidato vale uma missa, um culto evangélico, desde que não seja Lula, o candidato do povo, que vem costurando desnecessários apoios na banda podre do PMDB.

 

   



 

03
Nov17

O Estado brasileiro e a impunidade em crimes contra comunicadores

Talis Andrade


É necessário políticas públicas que possam mapear as violações cometidas contra comunicadores

 

por Paula Martins e João Ricardo Penteado

El País/ Madri

 

 

Município de Miguel Pereira, Rio de Janeiro. Era pouco mais de 19h, do dia 13 de fevereiro de 2014, uma quinta-feira, quando o jornalista Pedro Palma chegou em casa depois de sair do trabalho. Ao descer de seu carro, dois homens em uma motocicleta se aproximaram. Um deles sacou o revólver e realizou três disparos; dois deles acertaram a barriga de Pedro; o outro, o tórax. O jornalista morreu na hora.

 


Pedro Palma era dono do Panorama Regional, um pequeno jornal local. O veículo era conhecido pelas matérias sobre irregularidades praticadas pelas prefeituras das cidades da região. Apesar de os criminosos ainda não terem sido indiciados pelas autoridades, a principal suspeita é que o assassinato do jornalista tenha ligação com seu exercício profissional.

 

Pedro Palma momento do crime e um dos atiradores.j

Imagens do assassinato do jornalista Pedro Palma, de 47 anos, em Governador Portela, distrito de Miguel Pereira, localizado no sul do Rio, mostram Pedro descendo do carro; momentos depois, dois homens em uma moto se aproximam do veículo; um deles desce e dispara contra o jornalista. Veja vídeo aqui . Ninguém foi preso

 

A morte de Pedro é um dos 12 casos de assassinatos de comunicadores¹ ocorridos entre 2012 e 2014 cujos desdobramentos a ARTIGO 19 vem monitorando até hoje. De todos eles, apenas três tiveram criminosos identificados e responsabilizados. Nos outros nove, incluindo o caso de Pedro Palma, ninguém foi responsabilizado, sendo que em seis deles, as investigações sequer foram concluídas.

 

Esse é o enredo que reflete a impunidade em crimes contra comunicadores não apenas no Brasil mas também em outros países. Segundo a Unesco, no período de 2006 a 2016, 930 jornalistas de todo o mundo foram assassinados por conta de seus trabalhos. E só em 8% dos casos os responsáveis pelos crimes foram identificados e levados à Justiça.

 

Tal cenário representa um terreno fértil para que o ciclo de violações contra comunicadores siga ocorrendo. Como consequência, surge a autocensura, a qual outros comunicadores acabam se sujeitando pelo medo de represálias. Informações de interesse público deixam então de ser publicadas, prejudicando não apenas o direito à liberdade de expressão desses indivíduos, mas também o direito à informação de toda a sociedade.

 

Para atacar o problema por aqui, é fundamental que o Estado brasileiro empreenda os recursos e esforços necessários na resolução desses crimes. Nesse sentido, uma boa prática é a designação de delegacias especializadas em homicídios e de grupos de trabalho interinstitucionais para conduzir as investigações, medida que, segundo o histórico, aumenta as chances de se alcançar a responsabilização dos criminosos envolvidos. Outro fator decisivo é a atuação do Ministério Público, que pode contribuir não só com o controle externo da atividade policial, mas também com a eficácia dos inquéritos policiais.

 

Vale ainda citar que, de acordo com o monitoramento da ARTIGO 19, os casos de assassinatos de comunicadores em que as investigações transcorreram com maior êxito foram aqueles em que as provas foram reunidas rapidamente e que consideraram a atividade profissional da vítima como principal hipótese para a motivação do crime. No caso desta última, apesar de parecer uma presunção óbvia, ela nem sempre é levada em conta pelas autoridades investigativas.

 

Assassinatos contra comunicadores trazem ainda uma característica marcante: em quase todos eles, os crimes são cometidos por pistoleiros contratados para isso, com a existência da figura de um ou mais mandantes por trás. Estes, no entanto, dificilmente são responsabilizados – nos 12 casos monitorados pela ARTIGO 19, por exemplo, a responsabilização dos mandantes não ocorreu sequer uma vez. Por isso, para que a impunidade seja combatida de fato, é de suma importância que todos os envolvidos no crime, e não somente os executores, sejam responsabilizados.

 

Por fim, é essencial que o Estado brasileiro assuma a responsabilidade de produzir políticas públicas que possam mapear de forma mais detalhada as principais características das graves violações (ameaças, sequestros, tentativas de assassinato e assassinatos) cometidas contra comunicadores no Brasil, levantando informações sobre os locais e a forma que ocorrem, o perfil dos perpetradores e os tipos de cobertura que oferecem mais risco. E, indo mais além, que também sejam capazes de fomentar ações preventivas e garantir a proteção de comunicadores que estejam sob risco.

 

Neste dia 2 de novembro, data em que o mundo celebra o Dia Internacional pelo Fim da Impunidade em Crimes contra Jornalistas, precisamos mais do que nunca lembrar daqueles que foram assassinados exercendo o direito à liberdade de expressão e informação. Para que essa realidade não continue, precisamos também seguir cobrando o Estado para que enfrente esse cenário de violência e impunidade, com a adoção de medidas rápidas, consistentes e duradouras.

 

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Paula Martins é diretora-executiva da ARTIGO 19

João Ricardo é coordenador de Comunicação da mesma entidade

 

¹ Comunicadores são aqueles que têm no exercício da comunicação sua atividade regular, como, por exemplo, jornalistas, blogueiros, radialistas e midiativistas

 

Autoridades podres de ricas perseguem, prendem, torturam e matam comunicadores. Principalmente porque denunciadas por abuso de poder, enriquecimento rápido e ilícito, por receber salários roubados acima do teto constitucional, por chefiar máfias, por comandar o tráfico (caso dos comandantes da Polícia Militar do Rio de Janeiro). Leia aqui a peregrinação absurda a que a Justiça do Paraná submete um grupo de jornalistas

 

 

 

 

02
Nov17

Cruel deboche da ministra dos Direitos Humanos receber 70 vezes mais que o salário da maioria dos brasileiros trabalhadores e aposentados

Talis Andrade

"Como vou comer?" perguntou a ministra Luislinda Valois que recebe R$ 33,7 mil por mês.

 

O salário mínimo e a aposentadoria do brasileiro não passa dos 938 reais. O cruel ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga considera um valor muito alto. Tanto que o ministro da Fazenda Henrique Meireles, também de dupla nacionalidade, promete cortes.

 

938 reais não pagam três refeições por dia e o aluguel de um casebre. Assim crescem os números aberrantes de favelas nas grandes e médias cidades, de moradores de rua, dos trabalhadores escravos, das prostitutas infantis, que antes de Temer eram 500 mil. 

 

No Brasil que voltou ao mapa da fome, a ser um país terceiromundista, enquadrado pelo FMI, a ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, ambiciona acumular o seu salário com o de desembargadora aposentada, o que lhe garante vencimento de R$ 61,4 mil sem os penduricalhos de togada.

 

Como ministra, Luislinda tem direito a carro com motorista, jatinho da FAB, cartão corporativo e imóvel funcional. "Como desembargadora aposentada eu posso botar a minha sandália Havaiana e ir em qualquer lugar em Salvador. Mas como ministra de Estado eu não posso fazer isso, então já vem mais custo. Luislinda disse ainda que, apesar de morar em um apartamento funcional, paga R$ 1,6 mil de condomínio e precisa manter imóveis dela em Salvador.

 

Caso o requerimento de 207 páginas da ministra seja negado pelo governo, ela ressalta que não desistirá do cargo. "Eu continuo porque eu sou brasileira. Para mim dinheiro não é tudo. Eu continuo sobrevivendo", afirmou. Quando questionada pelo Correio Braziliense sobre a carga horário e os baixos salários da população brasileira, ela respondeu:



"Como eu peticionei pedindo a revisão, as pessoas também poderão fazer seus pedidos e encaminhar para seus patrões. Eu aconselho a quem achar que deve é só requerer e aguardar a decisão da autoridade".

 

O empregado que reclama salário sabe que perde o emprego. Realidade que Luislinda parece desconhecer. E mais, a cada dia os brasileiros perdem direitos humanos. Basta citar a legalização do trabalho escravo, que fez de Luislinda uma falsa vítima.

 

Hoje Dia dos Finados, o requerimento de Luislinda um deboche, uma mortalha para os zumbis brasileiros, uma paródia da Lei Áurea, que se fez letra-morta.

 

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02
Nov17

O chanceler do Brasil, o santo das causas ganhas

Talis Andrade

O rei Midas tudo que tocava virava ouro. Aloysio Nunes supera o mito. Todo ouro que toca vira ouro santo no Brasil de tendas de milagres espalhadas por todas as cidades. De um Brasil que todo povo reza:

 

“Meu Santo Expedito das causas justas e urgentes, socorrei-me nesta hora de aflição e desespero, intercedei por mim junto ao Nosso Senhor Jesus Cristo. Vós que sois um Santo Guerreiro. Vós que sois o Santo dos Desesperados, vós que sois o Santo das Causas Urgentes."

 

Aloysio Nunes Ferreira começou a militância política, quando entrou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco da Universidade de São Paulo. Logo depois do golpe militar de 1964, filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), e foi presidente do tradicional Centro Acadêmico XI de Agosto, que lhe falicitou ser infiltrado na Ação Libertadora Nacional (ALN), organização guerrilheira liderada por Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira, o Toledo.

 

Assumiu na clandestinidade o pseudônimo Mateus. Durante muito tempo foi motorista e guarda-costas de Marighella. As ações da ALN incluíram assaltos para angariar fundos que sustentariam a resistência armada.

 

Em agosto de 1968, participou do assalto ao trem pagador da antiga Estrada de Ferro Santos-Jundiaí. Foi o motorista do carro no qual os assaltantes fugiram do local com os malotes que continham 108 milhões de cruzeiros novos (21 600 dólares estadunidenses), dinheiro suficiente para o pagamento de todos os funcionários da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Em outubro do mesmo ano, participou do assalto ao carro-pagador da Massey-Ferguson interceptando o veículo na praça Benedito Calixto, no bairro paulistano de Pinheiros. O lucro desse assalto nunca foi revelado. E num passe de mágica, Aloysio passou a viver na Europa, na Paris dos exilados com esposa e filhos.

 

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Cartaz de procurado pelo Exército na ditadura militar, e Aloysio em Paris  

 

 

Todos os companheiros de guerrilha foram presos e torturados e mortos. Aloysio 'matou' mais que o Cabo Anselmo. O preço conhecido: duas fazendas que tomou de algum defunto. Fazendas que escondem cocaína em tonéis de leite. Fazendas avaliadas em dois reais para o pagamento do devido e honesto imposto.

 

No Senado Federal, Aloysio é o santo sucessor do parceiro de crimes ex-senador Tuma, que fazia dupla com o herói da luta contra os comunistas o 'patriota' delegado Fleury, morto na cilada de uma orgia dentro de um iate.

 

Aloysio Nunes merece ser senador do São Paulo de governadores honestos como Maluf, líder civil da didatura, com Magalhães Pinto governador de Minas Gerais e ex-chanceler do Brasil dos militares.

 

De Aloysio, a gloria de ser chanceler de Temer três vezes secretário de Segurança, chefe das polícias civil e militar de São Paulo, inclusive durante os tempos de chumbo, e eterno rei do porto de Santos ancaradouro dos navios piratas, porteira do tráfico internacional.

 

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Nas últimas eleições presidendiciais, quase conquistou a vice-presidência do Brasil. Perdeu para Temer de quem é ministro do Exterior 

 

 

Mais um crime de Aloysio vai milagrosamente prescrever.

 

 

Em petição enviada ao Supremo Tribunal Federal, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, aponta que Aloysio Nunes Ferreira, chanceler do governo Temer, recebeu R$ 500 mil da Odebrecht em 2010, embora os recursos não tenham sido declarados à Justiça Eleitoral.

 

As informações foram publicadas pelos jornalistas Rubens Valente e Reynaldo Turollo, na edição desta quinta-feira 2, da Folha de S. Paulo.

 

"É fato incontroverso que houve o repasse de recursos para a campanha do senador Aloysio Nunes. Resta investigar a origem destes recursos e a finalidade do repasse", escreveu Dodge ao relator do caso no STF, Gilmar Mendes.

 

"O inquérito foi aberto em março a pedido do então procurador-geral Rodrigo Janot como desdobramento do acordo de delação. Dois delatores da empreiteira informaram à PGR sobre o pagamento a Aloysio. Um deles disse que repassou os dados sobre Aloysio ao 'departamento da propina´ da empresa e fez duas entregas, de R$ 250 mil cada uma, para o ´representante´ do candidato em hotéis da zona sul, não nominados, no segundo semestre de 2010. No sistema de acompanhamento dos pagamentos, Aloysio tinha o codinome ´Manaus´", apontam os jornalistas.

 

Há risco de que Aloysio Nunes se beneficie da prescrição, assim como o senador José Serra (PSDB-SP), outro senador de São Paulo também investigado e chanceler de Temer.

 

 

 

01
Nov17

As maiores fortunas do Brasil pertencem a oficiais da Polícia Militar e juízes

Talis Andrade

Vou transcrever duas notícias. E constate:

 

Comenta o escritor Antonio Mello: "O ministro da Justiça Torquato Jardim pinta um quadro aterrador para o morador do Rio. Para o ministro, o estado do Rio perdeu o controle da segurança pública e o tráfico de drogas é fruto de um acerto entre deputados e comandantes da PM. Nada que a população já não desconfiasse. Mas a afirmação vinda da maior autoridade da segurança pública do país choca".

 

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          Ilustração de Svitalsky Bros

 

 

Joana Cunha/ Folha de S. Paulo: "O grupo do 1% mais rico equivale a 1,4 milhão de brasileiros. Quando se depura a estatística para o 0,1% mais rico, um grupo de 140 mil indivíduos recebe ao menos US$ 799,2 mil todos os anos. Isso é só a faixa de corte. A média para tal grupo gira em torno de US$ 2,8 milhões ao ano.

 

Magistrados também podem estar entre os muito ricos. Embora o teto constitucional seja R$ 33,76 mil, a remuneração dos juízes é turbinada com auxílio-moradia, serviços extraordinários e outras vantagens conhecidas como penduricalhos, praticados em todos os Estados.

 

Em julho, 84 magistrados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso receberam mais de R$ 100 mil cada um. Um dos juízes chegou a receber R$ 503,9 mil no mês".

 

Acrescente nesses penduricalhos venda de sentenças, habeas corpus assinados nas coxas lisas e cabeludas, assinaturas de despejos coletivos, liberando terrenos urbanos para a especulação imobiliária, e de milionários precatórios com correção monetária, além de outras safadezas legalizadas pelo abuso de poder e anistia antecipada para todos os crimes.

 

De dia polícia, de noite milícia  

 

 

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 Ilustração de Mac Leod

 

 

"O ministro Torquato Jardim (Justiça) faz um diagnóstico aterrador do setor de segurança pública no Rio de Janeiro. Declara, por exemplo, que o governador fluminense, Luiz Fernando Pezão, e o secretário de Segurança do Estado, Roberto Sá, não controlam a Polícia Militar. Para ele, o comando da PM no Rio decorre de “acerto com deputado estadual e o crime organizado.” Mais: “Comandantes de batalhão são sócios do crime organizado no Rio”.

 

(...) Na avaliação do ministro da Justiça, está ocorrendo uma mudança no perfil do comando da criminalidade no Rio. “O que está acontecendo hoje é que a milícia está tomando conta do narcotráfico.” Por quê? Os principais chefões do tráfico estão trancafiados em presídios federais. E o crime organizado “deixou de ser vertical. Passou a ser uma operação horizontal, muito mais difícil de controlar”.

 

Ao esmiuçar seu raciocínio, Torquato declarou que a horizontalização do crime fez crescer o poder de capitães e tenentes da política. “Aí é onde os comandantes de batalhão passam a ter influência. Não tem um chefão para controlar. Cada um vai ficar dono do seu pedaço. Hoje, os comandantes de batalhão são sócios do crime organizado no Rio”.

 

 

 

 

 

 

 

 

01
Nov17

Abraji investiga morte de jornalistas do Brasil. Polícia e política no assassinato de jornalistas

Talis Andrade

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 Ilustração Alfredo Martirena

 

 

Quem matou?

Quem mandou matar? 

 

 

por Pedro Varoni

 

 

É uma tarde chuvosa de sexta-feira e após duas tentativas frustradas no telefone celular, Bob Fernandes me passa o seu número fixo. É nosso primeiro contato e a sua voz me é familiar. Reconheço o ritmo de narração do repórter de texto econômico, desses que quase já não se fazem mais.

 

As palavras certeiras dizem muito, exploram contextos, expõem a clareza de um raciocínio de quem aposta as fichas na autonomia do jornalismo diante dos interesses políticos e econômicos.

 

É o mesmo estilo que encontro no último material publicado pela Abraji sobre o assassinato de jornalistas no Brasil. “Quem matou, quem mandou matar? – Política e Polícia no assassinato de jornalistas”.

 

As reportagens são de Bob Fernandes e Bruno Miranda e fazem parte do projeto “Programa Tim Lopes” da Abraji, com apoio da Open Society Foundations. O conteúdo inclui narrativas em texto e produções audiovisuais, como um documentário dirigido por Bob Fernandes e João Wainer.

 

O resultado pode ser descrito como uma grande reportagem transmídia: aprofundamento do tema, narrativa em formatos diversos. É a primeira vez que a Abraji produz conteúdo jornalístico. “Nesses 15 anos nossa opção estratégica sempre foi a de fomentar e estimular o uso de ferramentas e práticas que favorecem o exercício do jornalismo. Quebramos hoje, excepcionalmente, este paradigma, para tratar de um dos temas mais caros ao exercício da profissão, o assassinato de comunicadores pelo interior do país”, esclarece a associação em sua página no Facebook.

 

Dados do Committee to Protect Journalists (CPJ) apontam a morte de 39 jornalistas no Brasil desde 1992, sendo que 25 mandantes ou assassinos continuam impunes.

 

Para contar a história desses números, o projeto da Abraji percorreu 14.800 quilômetros pelo Brasil. E encontrou, sobretudo, a presença forte do radiojornalismo. O Brasil tem outorgadas 14.350 emissoras de rádio, com 9.973 outorgas para emissoras nas áreas comercial e educativa e 4.377 para rádios comunitárias.

 

Na apresentação do trabalho, a equipe do projeto fala da necessidade de prudência no levantamento dos dados de jornalistas mortos no exercício da profissão, principalmente pelas dificuldades em se definir com precisão se o assassinato se deu por motivos ligados ao jornalismo ou por ações pessoais alheias ao exercício profissional.

 

A partir desses critérios quatro lugares foram selecionados para as reportagens: Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, fronteira com o Paraguai; Ipatinga, no Vale do Aço em Minas Gerais; Conceição do Ferro, na região de Feira de Santana, na Bahia; e Camocim, no Ceará.

 

Bob Fernandes, relata na reportagem, outros motivos da escolha.

 

“Gleydson, em Camocim, Ceará, por ter sido assassinado dentro do estúdio, quando entrava no ar. Crime com repercussão mundo afora.

 

Rodrigo Neto e Walgney de Carvalho, em Ipatinga, pela reação exemplar do jornalismo aos assassinatos. Pressionado pelo trabalho de repórteres da região, e pelo Sindicato dos jornalistas de Minas, o governo estadual montou uma força-tarefa.

 

Os dois assassinos, um deles policial, foram condenados e presos. Acusados por outros crimes, 10 policias foram presos. Depois, pouco a pouco, foram libertados. Os mandantes seguem livres.

 

Em Conceição da Feira, na Bahia, o contrário. Ninguém preso. O delegado que investigou o crime já não está na cidade. Que seguia sem promotor, sem juiz, e sem Fórum.

 

Em Ponta Porã, Pedro Juan Caballero, a feroz disputa do narcotráfico, com a presença de ‘Comandos’ que, assim como Brasil afora, guerreiam e ocupam territórios.”

 

O trabalho de apuração comprovou, na prática, o que pesquisas apontam:

 

 

Entre 80 e 90% dos inquéritos abertos para investigar homicídios são arquivados sem determinação de autoria e circunstâncias dos crimes.

 

A abordagem do projeto sugere uma meta reflexão sobre a cobertura da violência no jornalismo brasileiro, em grande parte refém de tratamentos sensacionalistas e comprometida com só um lado — o policial — e também fragilizada por um cenário em que a investigação e o aprofundamento podem ser punidos com a vida.

 

Ao buscar contextualizar as relações de poder por detrás dos assassinatos dos jornalistas, a equipe do projeto “Quem Matou, quem mandou matar” retrata a face real de um país violento e injusto.

 

A reportagem foi a primeira etapa do projeto. A segunda fase será formada por uma rede de jornalistas, empregados de redações de diferentes partes do país, que acompanhará in loco cada caso de assassinato, sequestro ou tentativa de assassinato de um colega. “O objetivo é dar visibilidade tanto ao crime quanto ao conteúdo que a vítima investigava”, informa o site da organização.

 

Pergunto à Bob Fernandes como esse trabalho o transformou. “Viajo o Brasil há muitos anos e essa reportagem foi uma atualização do Brasil profundo. Vi, de novo, pessoas passando fome, dormindo nas praças, cenas que a gente achava que estavam superadas.”

 

Encerramos a conversa dialogando sobre as relações de poder na política brasileira e sua influência no jornalismo. Depois da despedida, volto ao texto. “Se no topo o país vive monopólios na indústria de comunicação de massa, imagine-se a fragilidade no Brasil profundo. Emissoras e profissionais, muitas vezes em vão, se esforçam para não se tornarem reféns de anunciantes. Sejam eles de origem privada ou pública.”

 

“Quem matou, quem mandou matar” nos faz conhecer esse jornalismo real, ao mesmo tempo distante e próximo dos grandes centros e do congresso nacional.

 

Ficha técnica do projeto

Direção
Bob Fernandes
João Wainer

Roteiro e Montagem
André Felipe

Reportagem
Bob Fernandes
Bruno Miranda

Produção
Lucas Ferraz

Produção executiva
Thiago Herdy
Guilherme Alpendre

Fotografia
Bruno Miranda

Direção de fotografia
Bruno Miranda

Som direto
Bruno Miranda

 

martyrs_of_freedom__vilma_vargas sangue jornalista

 Ilustração Vilma Vargas

 

Nota: Este Correspondente acrescenta:

 

O Brasil mata jornalistas. O Congresso já impediu que essa matança fosse investigada pela Polícia Federal. Deputados e senadores preferem que os crimes sejam investigados pelas polícias civil e militar estaduais. Ora, ora, quase todos os assassinatos de jornalistas têm a participação de policiais, notadamente como executores. Quando descobertos os mandantes, a justiça não prende.

 

Com a chamada pós-democracia, não são crimes políticos. Os jornalistas são assassinados por máfias chefiadas por políticos.
Que o Brasil está cheio de máfias.
Máfia do asfalto.
Da merenda escolar.
Dos livros didáticos.
Dos medicamentos.
Dos precatórios.
Dos alvarás.
Dos serviços fantasmas.
Da agiotagem para financiar campanhas eleitorais.
Máfias de tudo que se imaginar.

 

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