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O CORRESPONDENTE

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22
Nov17

Por que os presidentes da África não denunciam o governo escravocrata de Temer e o racismo no Brasil?

Talis Andrade

BRA_CB. negro escravo .jpg</ Sem  Sem nenhum protesto, sem nenhuma greve, desde o último dia 11, passou a vigorar a reforma trabalhista de Michel Temer, que legaliza o trabalho escravo, proibido pela Lei Áurea, e novamente os negros continuam sendo as principais vítimas da "ordem e progresso" de um capitalismo selvagem e colonial. De um Brasil vassalo, dependente do FMI, com uma dívida externa jamais auditada, um empréstimo consignado que faz o Brasil pagar com suas riquezas - ouro, diamantes, minérios estratégicos e raros como o nióbio, aquíferos, entrega das empresas estatais - apenas os juros sobre os juros. Zelinda Novaes (PFL/BA) denunciou na Câmara dos Deputados, no dia 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra e em Memória de Zumbi: "O Brasil é o país que fora da África, concentra a maior população negra. É também, onde os negros permanecem ocupando o mais baixo grau da pirâmide social. Os negros constituem a maioria dos pobres e miseráveis da cidade e dos campos. Essa maioria sobrevive em áreas de máxima opressão onde combinam- se o círculo perverso das condições subumanas da vida com as situações gravíssimas de degeneração social e comportamental. Sobrevivem com atividades de baixa remuneração e subemprego; morando nas encostas, vilas e favelas, sem equipamentos sociais, no analfabetismo ou sem acesso à educação de boa qualidade, são empurrados à marginalização. No Brasil, os descendentes de africanos escravizados são a parcela da população mais duramente atingida pelas políticas de exclusão das elites e do poder, pelos desmontes das políticas sociais e de saúde, pelos sistemas de controle populacional, o desemprego crônico, a fome e a violência do latifúndio, do aparato policial e dos grupos de extermínio. É negra a maioria de crianças jovens assassinadas nos centros urbanos. A violência racial atenta contra os direitos fundamentais do povo negro, submetendo-o à condição de subcidadão. Excluindo-o dos centros de decisão e reservando para ele as piores mazelas sociais, a violência expõe-se como instrumento de dominação e de controle social. De norte a sul a reclamação é uníssona".

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Acrescentou Zelinda Novaes: "O repúdio ao racismo nas relações internacionais foi expressamente estabelecido no inciso VIII, do art 4o do texto constitucional. Nele se encontra, também, o reconhecimento de que o preconceito de origem, raça e cor especialmente contra os negros não está ausente das relações sociais brasileiras disfarçadamente, ou não raro ostensivamente, pessoas de cor negra sofrem discriminação até mesmo nas relações com entidades públicas. O discurso de Zelinda Novaes não teve a repercussão merecida e necessária nos movimentos sociais de esquerda, por ser uma deputada do PFL, partido classificado como direitista, quando a luta contra o racismo jamais deveria sofrer discriminação ideológica ou partidária. Também de estranhar que presidentes negros da África não denunciem e pressionem o governo brasileiro.

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