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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

14
Jun18

12 homens e uma sentença

Talis Andrade

 

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É sabido que neste país parte da justiça brasileira, entre estes grupos do Ministério Público, fazem o que querem e não se importam qual vai ser o resultado de suas acusações. O que, para eles, importa é estar em evidência na mídia jornalística. Se tornaram mariposas em busca do brilho da luz e mesmo que morram queimadas se jogam intensamente ao brilho artificial. Sofrem de atração suicida.

 

Vejamos o caso do chamado "escândalo Bancoop". Segundo a denúncia inicial do MP, o Partido dos Trabalhadores teria sido beneficiado, através de caixa dois, entre os anos de 2002 a 2004. Em 2010 foi feito a denúncia e aceita 5ª Vara Criminal de São Paulo.

 

Acusação feita, eis que aparece o nome do ex-presidente Lula, que, teria sido beneficiado com um apartamento tríplex no já famoso edifício Solares, no Guarujá no Estado de São Paulo. Acusado, a justiça de Curitiba tratou logo de pedir o desmembramento do processo e envolver na operação lava jato um único caso especifico. Diziam eles que ao "ser beneficiado" o maior líder político do mundo na atualidade, teria recebido "propina" de empresas ligadas aos escândalos na Petrobrás.

 

Em Curitiba como já se sabe, Lula foi condenado, mesmo o juiz Sérgio Moro reconhecendo que não há provas contra ele, e que o tríplex está em nome da construtora OAS, antigamente conhecida como "Obrigado Amigo Sogro", em referência a Antônio Carlos Magalhaes que tinha uma das suas filhas casada com César de Araújo Mata Pires, um dos sócios da empresa. A acusação e condenação ocorreu porque parte dos empreendimentos da Bancoop teria sido transferida para a construtora depois que a cooperativa entrou em crise.

 

Agora, a juíza Maria Priscilla Ernandes Veiga Oliveira decidiu absolver sumariamente aqueles que foram acusados e ficaram na responsabilidade da justiça paulista. Ela resolveu que não ouvirá, por acreditar que a acusação não tem provas suficientes, os 12 acusados. Nem "testemunhas" foram consideradas.

 

Agora com a absolvição dos 12 acusados há algumas indignações a serem feitas; quem vai pagar pela exposição do nome de cada um dos acusados na imprensa durante todos esses anos? Porque a imprensa não está dando o mesmo destaque para a absolvição de todos, que deu quando da acusação? A condenação única de Luís Inácio Lula da Silva em um processo claramente político será reformulada pelo Superior Tribunal Federal?

 

A sentença que absolveu os 12 acusados condena um único homem nesta história toda, o juiz federal Sérgio Moro de Curitiba.

 

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A OAS foi uma empresa que nasceu e enriqueceu com a ditadura militar de 1964, que prendeu Lula como esquerdista, subversivo, sindicalista, por liderar greves de trabalhadores. A OAS - Obrigado Amigo Sogro cresceu com o apoio de Antônio Carlos Magalhães, como governador nomeado duas vezes pelos generais, e ministro de Sarney, que pela Arena que virou PFL que virou Demo, sempre foi adversário do PT. Incrivelmente não aparece nenhum político da Bahia nos escândalos da OAS.  Um proprietário ou executivo da OAS oferecer falso testemunho contra Lula faz parte do jogo da empresa que sempre atuou politicamente, aliada a um político corrupto apelidado de Tonho Malvadeza. E mais quando a delação premiada no Brasil liberta o sujeito da cadeia, lava o dinheiro sujo, e livra para todo sempre de qualquer processo civil ou criminal. Vale por anistia antecipada para todos os crimes.