Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

21
Mai18

Rei das delações é delatado ao MPF do Rio de Janeiro

Talis Andrade

FigueiredoBasto rei das delações.jpg

 Antonio Figueiredo Basto, rei das delações

 

 

Responsável por diversos acordos de colaboração premiada na operação Lava Jato, o advogado criminalista Antonio Figueiredo Basto foi apontado por dois delatores – os doleiros Vinícius Claret (o Juca Bala) e Claudio de Souza (conhecido como Tony ou Peter) de ter recebido mensalmente 50 mil dólares, entre 2006 e 2013 como “taxa de proteção” para livrá-los de supostas acusações de outros investigados ao Ministério Público e à Polícia Federal.

 

Figueiredo Basto atuou na defesa do doleiro Alberto Yousseff, negociou os acordos de Lúcio Bolonha Funaro – tido como principal operador do PMDB – do empreiteiro Ricardo Pessoa, do grupo UTC e de Renato Duque, ex-diretor da Petrobras.

 

Em delação ao Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, Vinícius Claret e Cláudio Souza relataram que entregavam dinheiro ao advogado curitibano e a um cúmplice. O esquema de proteção seria comandado pelo doleiro Dario Messer – intitulado por Alberto Youssef “como doleiro dos doleiros” no Brasil e acusado por coordenar um esquema que movimentou mais de 1,6 bilhão de dólares em 52 países.

 

Também apontaram que Enrico Vieira Machado começou a exigir o pagamento mensal de 50 mil dólares “a fim de possuir proteção da Polícia Federal e do Ministério Público”. Os valores eram entregues em endereços indicados por Enrico e seriam destinados a Figueiredo Basto e outro advogado que não teve seu nome revelado.

 

Cláudio Souza, revelou ainda que a “cobrança da taxa” motivou desentendimentos entre Enrico e Dario, que se recusava a pagar pela suposta proteção. Transcrito do Nocaute

 

Em dezembro de 2013, Enrico endereça carta ao uruguaio Oscar Algorta, do Estúdio Algorta (escritório de advocacia), informando que denunciou Dario as polícias do Brasil, Uruguai, Estados Unidos e Suiça. Carta que foi publicada pelo jornal O Globo, em janeiro de 2014. Ainda dizem que a justiça brasileira vem negociando a delação de Enrico. A delação está virando mesmo uma indústria. 

carta enrico.png

 

20
Mai18

A justiça dos ricos faz o serviço sujo de cobrança contra os pobres

Talis Andrade

banco agiotagem escravo usurário rasha mahdi.jpg

 

 

A justiça brasileira tem a desaprovação da população em geral, porque abusa do poder de autoridade, para proteger uma minoria rica, da qual faz parte, contra 99 por cento dos pobres.

 

O ministro Edson Vidigal, quando presidia o TSJ, declarou que a justiça era PPV. Existia para punir os pretos, as prostitutas e os viados.  São 91 tribunais para superlotar um sistema carcerário medieval. Cerca de 30 por cento dos presos apodrecem nos cárceres esperando ser julgados. Para os que têm sede de justiça, os sinecuristas, os corporativistas reivindicam a criação de mais tribunais. 

 

duas _justiça_rm.jpg

 

É a justiça dos despejos coletivos, para beneficiar grileiros, coronéis do asfalto, no país dos sem teto, dos moradores de rua e outras áreas de alto risco. Dos sem terra, quando a reforma agrária era uma promessa da campanha da abolição da escravatura, cuja assinatura da Lei Área fez o Exército derrubar do trono a princesa Isábel. O mesmo Exército promoveu o golpe de 1964, para cassar a estabilidade no emprego do trabalhador brasileiro. Estabilidade concedida por Getúlio Vargas, que foi levado ao suicídio. E para punir Jango Goulart, pela criação do salário mínimo, e para evitar as reformas de base.

 

O recente golpe, tramado por Michel Temer e o quadrilhão da Câmara dos Deputados, e orquestrado pela justiça da lava jato e magnatas da imprensa, visou rasgar para todo sempre a CLT, e implantar uma reforma trabalhista que escraviza, e estabelece um sistemas de castas, com foro privilegiado e tribunais exclusivos - os tribunais militares e o Conselho Nacional de Justiça, o esporádico CNJ que não prende, e premia seus criminosos com uma aposentaria precoce, e direitos vitalícios.

 

Não vou explicar o que seja usura - condenada por todas as religiões e filósofos desde Aristóteles - no Brasil dos 1001 serviços de proteção ao crédito com suas leis próprias, punitivas, no Brasil nada cordial dos prestamistas, dos agiotas bancários, dos créditos consignados, dos altos juros, da prática de um capitalismo predador, selvagem, sacramentado por uma justiça sádica, inimiga do povo, ideológica, partidária, cara, desumana, cruel, medieval, oficial-de-defunto.  

dívida fgts.jpg

 

Publica Yahoo, texto de Paulo Lopes, de Futura Press: Juízes de todo o país estão adotando uma medida inusitada para forçar cidadãos inadimplentes a pagar suas dívidas. De acordo com a Folha de São Paulo, os magistrados têm solicitado a suspensão de documentos como o passaporte, a carteira de habilitação e até cartões de crédito de quem está devendo, o que tem gerado polêmica entre especialistas.

 

Entenda. Tradicionalmente, os juízes indicavam medidas como penhora e expropriação de bens para garantir o pagamento de uma dívida, mas novas regras do Código de Processo Civil, em vigor desde 2016, abrem espaço para interpretações que autorizem esse tipo de recurso.

 

consumidor inadimplente.png

 

O artigo 139 indica que é permitido “determinar todas as medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias para assegurar o cumprimento de ordem judicial, incluindo caso de prestação pecuniária”.

 

Além de tribunais de primeira instancia, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) recorreu a esse tipo de suspensão para garantir o pagamento de uma dívida. Um dos casos é o do ex-senador Valmir Amaral, do Distrito Federal, que possui um débito de R$ 8 milhões pelo não pagamento de uma dívida com um fundo de investimentos. De acordo com o órgão, a suspensão da carteira de habilitação de Amaral serviu como “forma de incentivá-lo ao cumprimento da obrigação”. [Esse exemplo do ex-senador esse correspondente considera demagógico pela falsa apelação de que todo 'político é corrupto'. Punição de um juiz imbecil. Quem deve R$ 8 milhões pode muito bem empregar um motorista particular. Depois os principais sonegadores são os intocáveis banqueiros, os donos de meios de comunicação de massa, as empresas estrangeiras]. Outro caso é o de um advogado de São Paulo que teve a CNH suspensa até que pague uma dívida de R$ 27 mil [Um advogado incompetente, que não sabe se defender da ditadura do judiciário].  

inflaçao-juros-selic-charge-cicero.jpg

 

Suspensão funciona? Algumas especialistas defendem que a suspensão, funcionando como uma restrição, é válida apenas para alguns casos, enquanto outros acreditam que ela pode ferir o direito de ir e vir.

 

Segundo eles, a medida pode funcionar nos casos em que o devedor não quita seus débitos porque não quer, e não porque não tem dinheiro o suficiente. “Tudo isso tem que ser com muita responsabilidade e dentro de um caso concreto. Não posso suspender a CNH de um taxista, por exemplo, porque o inviabilizo de trabalhar”, explica Benedito Cerezzo Pereira Filho, membro da comissão de juristas que elaborou o projeto inicial do novo Código de Processo Civil.

 

 AINDA ESTÁ VALENDO? 

Cobrança .png

 

BRA^MA_OI agiota sá maranhão jornalista.jpg

 

 

 

20
Mai18

Santa Inquisição

Talis Andrade

fogueira.jpg

 

 

AS FOGUEIRAS DA PURIFICAÇÃO

 

O fogo tudo queima

livros

relíquias

na fogueira

da Inquisição

 

O fogo tudo queima

nossos corpos

nossas almas

deixando um rastro

de cruzes e cinzas

 

O fogo tudo queima

na fogueira da santa

três vezes santa

Santa Inquisição

 

 

2

 

Buscava-se o amor

místico

Sangrar sagrar

a carne torpe

Purificar-se

Salvar a alma

condenada ao fosso

lôbrego e tenebroso

 

Acesas as fogueiras

não se contém as chamas

 

---

Talis Andrade, O Enforcado da Rainha, ps. 111/112

20
Mai18

“Amazônia não é nossa”, diz Bolsonaro. “Aquilo é vital para o mundo”

Talis Andrade

bolsonaro quinho.jpg

 

Com cerca de 20% das intenções de voto e liderando as pesquisas nos cenários sem o ex-presidente Lula, Bolsonaro está até mais carismático. Chegou bem humorado para uma coletiva de imprensa, fazendo piadas com os jornalistas. Não deixou de responder a nenhuma pergunta, embora tenha se esquivado de dar respostas claras e objetivas a quase todas elas. Colocou em pauta também outro assunto tabu. Afirmou que a “Amazônia não é nossa”, e defendeu a abertura da região para exploração. “Aquilo é vital para o mundo”, disse. "A Amazônia não é nossa e é com muita tristeza que eu digo isso, mas é uma realidade e temos como explorar em parcerias essa região”.

 

Questionado se tinha conhecimento da legislação norte-americana e o que mais pretendia copiar dela, além da política de incentivo às armas, disse que não toma as decisões sozinho, e que “algo quase que radical deve ser feito”, mencionando a redução de impostos feita por Donald Trump. Elogiando a política armamentista norte-americana, disse que policiais não podem ser julgados caso executem alguém durante o trabalho. “Combate-se a violência com mais violência, se for preciso”.

 

bolsonaro na fantasia de candidato.jpg

 Bolsonaro fantasiado para a campanha no Palácio dos Esportes Djalma Maranhão, um prefeito comunista de Natal, que morreu no exílio durante a ditadura militar de 1964 

 

A jornalista Marina Rossi, do El País, conta: Do alto da arquibancada do Palácio dos Esportes Djalma Maranhão, em Natal, um grupo de estudantes ainda uniformizados esperava para ver o pré-candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) chegar. Sob um esquema de segurança que incluía detectores de metais na entrada, o ginásio fora todo decorado com balões verdes e amarelos e bandeiras do Brasil para receber o deputado em mais um giro pelo Nordeste.

 

De olho na região mais disputada do país, que pode ficar órfã sem Lula na disputa, Bolsonaro tratou de agradar a plateia. Afirmou ser nordestino “tanto quanto vocês”, justificando que o sogro é cearense. “Sou casado com uma filha de cearense”, disse o deputado paulista. “Meu sangue é cabra da peste também”, afirmou, usando um termo típico da região. Ainda falando sobre a própria família, aproveitou para condenar as cotas raciais. “Sou contra as cotas. Somos iguais”, disse. “Meu sogro é conhecido como Paulo Negão. Não é justo minha filha ser cotista”, usando o argumento que tem repetido para sustentar que não é racista. A insistência tem uma razão de ser. Bolsonaro foi denunciado no Supremo Tribunal Federal por racismo, por ter afirmado em abril do ano passado em um clube judeu em São Paulo, que havia ido a um quilombo e que “o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Acho que nem para procriar ele serve mais”. A Procuradoria Geral da República viu nessa fala uma violação da Constituição pelo menosprezo aos integrantes quilombolas, comparados a animais, quando se usou o termo “arroba”.

 

O candidato tem se esmerado em em reduzir o estigma que o persegue também com outra minoria. Em seu discurso, tratou de “igualdade” para falar de homossexuais. “Não há diferença minha para um afrodescendente. Somos iguais, filhos e pais, héteros e homos”, afirmou. “Quem não tem um parente ou um amigo homo? Duvido que não tenha”.

 

Ovacionado por um ginásio metade cheio, homenageou Enéas Carneiro, político já falecido, que disputou sem sucesso a presidências por três vezes pelo extinto Prona, sempre com um discurso nacionalista, conservador e contra o comunismo. E sempre, com espaço para um tom religioso. Citou trechos da Bíblia. Afirmou que comparecerá a todos os debates com os demais candidatos “assim que for chamado”, e defendeu, novamente, que a população tenha o direito de se armar. “A arma de fogo, com algum critério, deve ser direito de posse de vocês” disse.

cqc_bolsonaro.jpg

 

Sem Lula candidato, existe o perigo Bolsonato, sim. 

 

Juan Arias, também do El País, fala do perigo de que todos queiram ser Bolsonaro.

 

Não será fácil para o ex-paraquedista Jair Bolsonaro ganhar a eleição presidencial, por causa das suas posturas extremistas, mas corre-se o perigo de que ele contagie outros líderes políticos no que é seu ponto forte: a luta contra a violência e a tentativa de libertar o país do medo que hoje o sacode, simplificado por ele com o slogan fácil de que todos têm o direito “de voltarem vivos para casa”. Neste momento, outros candidatos, por medo de contradizê-lo ou de lhe exigir que explique como conseguiria o milagre de acabar com a violência, começam também a tentar aparecer como cruzados contra “os bandidos”.

 

Nenhum candidato, por medo a ver Bolsonaro crescer, terá a coragem de afirmar na campanha que a violência não se vence com mais violência, e sim mudando pela raiz as estruturas sociais e os pecados de cumplicidade dos políticos com o banditismo. Não é verdade que bandido bom é bandido morto, ou que o policial tem carta branca para tudo, desde que seja para acabar com os delinquentes. Assim, pelo contrário, se agudiza e se exacerba a violência.

chacina bolsonaro polícia mata.png

 

 

Existe o perigo, sempre por causa do efeito Bolsonaro e do simplismo de suas propostas primitivas para exorcizar o medo que sofrem os cidadãos, que a sociedade exasperada não queira escutar propostas sensatas para conseguir uma vida com menos perigos e o direito de não ser assassinado para que lhe roubem um celular. Ninguém vai se preocupar de perguntar a Bolsonaro como ele pensa resolver outros temas fora da violência, e não menos graves, como o da implicação da Justiça na política e desta na Justiça, nem sobre como pensa em dar trabalho aos 14 milhões de cidadãos à espera de um, nem onde pensa colocar o Brasil no mapa do mundo, ou o que fará para reduzir as trágicas desigualdades sociais e defender as liberdades conquistadas pela democracia. Será que lhes basta saber que ele armará até os dentes até mesmo os professores nas escolas, e que um revólver resolve os problemas melhor que uma luta contra todas as desigualdades que são as que engendram a violência?

 

O grande perigo é que Bolsonaro, com sua gramática elementar e os fogos fátuos de suas propostas cheias de pólvora e vazias de cultura, impeça que as eleições virem um palco de discussão para repensar este país. 

20
Mai18

Lula Festiva: Ato em Buenos Aires pede a liberdade do ex-presidente Lula

Talis Andrade

lula-festiva-buenos-aires-lula-livre.jpg

 

lula-festiva-.jpeg

 

lula-festiva.jpeg

 

lula-festiva2.jpeg

 

Ontem na Plaza de Mayo, em Buenos Aires, aconteceu o Festiva Lula, ato pela libertação do presidente brasileiro Luiz Inacio Lula da Silva.

 

Com a participação de artistas de destaque como Liliana Herrero, Juan Falu, Juana Molina, a Orquestra Las Taradas, a banda de cumbia banda Sweat Marika e o cantor e compositor Caetano Velloso.

 

“É um festival cultural e político, que estamos chamando de um arco transverso: feminismo, movimentos sociais, territórios, cultura, alternativa e meios de comunicação independentes”, disse Maria José Giovo do Coletivo Emergentes.

 

“A ideia é dar uma mensagem de solidariedade e unidade sobre o que está acontecendo com o ex-presidente do Brasil e também em relação à causa que deseja fechar, investigando o assassinato de Marielle Franco”, disse Giovo sobre a ex-vereadora 39 anos em que foi assassinada em março no Rio de Janeiro.

 

 

 

20
Mai18

“Meghan Markle? Melhor se fosse a amante”: as derrapadas racistas e classistas da imprensa britânica

Talis Andrade

meghan markle .jpg

 

Meghan Markle, após cerimônia de casamento neste sábado

 

 

Divorciada. Americana. Atriz’, escreve o Daily Mail, ao mesmo tempo em que se pode ouvir como vomitam por todos os lados horrorizados”. A escritora e colunista Hadley Freeman não estava fora de si quando tuitou a respeito da cobertura do anúncio do casamento entre Meghan Markle e o príncipe Harry pelos tabloides britânicos.

 

E não foi a única. Durante todo o dia, jornalistas e diversos veículos criticaram a cobertura sobre o anúncio do casamento por parte de alguns setores da imprensa. Tampouco foi a primeira vez que isso se deu. Já em 2016, por meio de seu setor de comunicação, o príncipe Harry emitiu uma nota definida por ele mesmo como “incomum” em que denunciava o “racismo e sexismo” presentes nas informações sobre sua namorada e se mostrava preocupado com o “abuso e assédio” em relação a Markle na cobertura da mídia sobre sua relação. Os mesmos modelos criticados nessa nota parecem continuar se reproduzindo nos tabloides britânicos ao noticiarem o noivado, não tanto pela notícia pertinente de que uma casa real bastante presa ao passado se modernize, mas sim pelo tom e os sinais supostamente irônicos de algumas publicações e que, para muitos, escondem uma mentalidade racista, classista e sexista e com um certo antiamericanismo em relação à futura integrante da família real britânica.

 

A jornalista Lisa Ryan reuniu em The Cut alguns dos casos. Dentre eles, está “as americanas pegam os britânicos porque chupam bem”, tal como insinuou Tatler em um texto sobre o casal (“as garotas americanas sempre fazem sexo oral muito antes do que as britânicas porque não veem isso como sexo”). Ou: “em outras épocas ela seria a amante”, como escreveu The Spectator (“alguém precisa dizer isso: 70 anos atrás Meghan Markle seria o tipo de mulher que o príncipe teria como amante, não como esposa”); ou, ainda: “não é uma Kate Middleton!”. Nessa mesma linha vai um texto do The Sun em que se descrevem as diferenças entre as duas, exaltando a “rosa britânica Kate” por sua classe ante a “família divorciada” ou desabonando o estilo de Markle (“saias de couro justas” e “camisetas largas de algodão”) ante o estilo de Middleton, que “irradia sofisticação”.

 

Esta reportagem do El País foi do dia 29/11'2017. Hoje publica 

 

* Príncipe Harry e Meghan Markle se casam: as melhores imagens da cerimônia

* Meghan Markle, uma princesa americana. Esposa do príncipe Harry entra na família real britânica com um perfil público próprio consolidado

 

 

19
Mai18

O pagamento de proteção à república do Paraná, a falsa morte de Youssef e o "exílio" no Leblon de Dario Messer outro doleiro querido

Talis Andrade

advogado-esquema figueiredo basto.jpg

 

 

Forum - Acusados de compor um esquema capitaneado pelo chamado “doleiro dos doleiros”, Dario Messer, dois outros doleiros – Vinícius Claret, conhecido como “Juca Bala”, e Cláudio de Souza – revelaram, em delação premiada ao Ministério Público Federal, que entre 2006 e 2013 foi montado um esquema de corrupção em Curitiba.

 

Segundo Ricardo Galhardo, do Estado de S.Paulo, ambos garantiram que pagavam uma taxa mensal de proteção, no valor de US$ 50 mil (cerca de R$ 186 mil), ao advogado Antonio Figueiredo Basto e um colega, cujo nome não foi divulgado, para não serem presos. O advogado, por conta da propina, defendia os doleiros no Ministério Público e na Polícia Federal. As informações corroboram depoimentos do advogado Rodrigo Tacla Duran, ex-funcionário da Odebrecht, investigado na Operação Lava Jato, que está na Espanha.

 

Figueiredo Basto é considerado um dos principais especialistas do Brasil em colaborações premiadas. Na Lava Jato, foi o responsável por negociações e acordos de delação de Lúcio Funaro, Renato Duque, Ricardo Pessoa, entre outros. Em 2004, intermediou o primeiro acordo nesse formato no país no caso do Banestado, em nome do doleiro Alberto Youssef.

 

A taxa de proteção vinha sendo paga à república do Paraná desde os tempos da operação BanEstado - Banco do Estado do Paraná, que teve Sergio Moro como juiz, Alberto Youssef, "rei dos doleiros", e Dario Messer na lavagem de 260 bilhões de dólares.

Alberto-Youssef-morreu.jpg

 

Até ser preso em São Luís, em 2014, Youssef era dado por morto.

 

De Dario Nasser diziam que estava exilado no Paraguai. Mas, em reportagem de Chico Otávio, datada do dia 11 último, publica a revista Época: 

 

Até um mês atrás, Dario Messer era visto com frequência circulando no Leblon, bairro da Zona Sul carioca, a bordo de uma scooter sem placa (A amigos ele não se enrubescia ao dizer que era para evitar multas, já que estacionava com frequência em locais proibidos). Era fácil reconhecê-lo. Messer nunca usava capacete. Quem o viu, geralmente vestido de bermuda, camisa surrada e chinelos, custaria a acreditar que é o mesmo homem que amealhou, em sete anos, uma fortuna de US$ 24 milhões (R$ 81,3 milhões, pela cotação do último dia 7) com a lavagem de dinheiro suspeito. Desde a semana passada, quando a Operação Câmbio, Desligo o apontou como o “doleiro dos doleiros”, Messer desaparaceu das ruas do Leblon e do mundo. Para caçá-lo, o Ministério Público Federal (MPF) está montando, com a ajuda de acordos de cooperação, uma força-tarefa internacional que também seja capaz de desmontar uma lavanderia que operou em 52 países, com cerca de 3 mil offshores, empresas montadas no exterior, no caso como fachada para negócios ilícitos.

 

dario- messer.jpg

dario-messer.jpg

 Até recentemente a imprensa não publicava fotos de Messer. Salvo uma repetida foto apagada dele junto do pai. A família Messer era proprietária do Banco Dimensão, um banco com o jeitinho brasileiro de ser que desapareceu por encanto, pura magia

 

 

A despojada rotina do doleiro chegou ao fim depois das colaborações premiadas de Cláudio Barbosa, o Tony, e Vinícius Claret, o Juca Bala, ex-sócios de Messer, que atribuíram ao piloto de scooter o controle de “uma gigantesca rede de lavagem de dinheiro, essencial para a prática de crimes como corrupção, sonegação tributária e evasão de divisas”, como sustentou o pedido de prisão do MPF. O banco paralelo do doleiro, por onde teria passado US$ 1,6 bilhão, era sediado no Uruguai e operado do Panamá Country Club, condomínio de luxo em Hernandarias, distrito paraguaio na fronteira com Foz do Iguaçu, residência oficial de Messer.

 

Messer acreditava estar blindado nos vizinhos do Mercosul. Em 2003, transferiu as operações de lavagem para o Uruguai. Dez anos depois, quando era alvo de um inquérito iniciado pela Operação Sexta-feira 13, desencadeada pela Polícia Federal, com foco em crimes contra o sistema financeiro no Rio de Janeiro e em São Paulo, obteve cidadania paraguaia. Oficialmente, morava em Hernanderias, mas atravessava a Ponte da Amizade com frequência, embarcando na ponte aérea de Foz para o Rio. Sua cobertura na Avenida Delfim Moreira, no Leblon, era palco de rega-bofes reunindo jogadores de futebol, dirigentes de escolas de samba e algumas das beldades que brilham nos desfiles da Marquês de Sapucaí.

 

Essa blindagem, contudo, começou a apresentar trincas. Em março do ano passado, as autoridades uruguaias, tradicionalmente avessas à cooperação internacional, surpreenderam ao acolher a ordem de prisão contra Barbosa e Claret, sócios de Messer que geriam as operações naquele país. Depois de passar uma temporada atrás das grades, a dupla desistiu de lutar contra a extradição e voltou ao Brasil para denunciar o esquema do “doleiro dos doleiros”. Na semana passada, o Uruguai voltou a demonstrar boa vontade ao prender quatro compatriotas envolvidos com Messer (Francisco Muñoz Melgar, Raúl Zóboli e os irmãos Jorge e Raúl Fernando Davies Cellini).

 

O obséquio uruguaio não ocorre por acaso. As prisões foram autorizadas no momento em que o país vizinho providencia mudanças na legislação para se livrar da pecha de paraíso fiscal. O governo precisa provar ao Grupo de Ação Financeiras Contra a Lavagem de Dinheiro (Gafi), espécie de xerife do mercado financeiro internacional, que está abandonando a cultura do segredo que acobertava gente como Messer. Caso contrário, corre o risco de voltar à lista dos países lavadores, de onde foi retirado em 2016 sob a condição de mudar.

 

Como foragido, Messer foi incluído na difusão vermelha da Interpol — espécie de índex dos mais procurados do planeta. Ele não foi achado na mansão paraguaia ou na cobertura do Leblon, onde a Polícia Federal recolheu quilos de papel triturado. Como nem a mulher do doleiro, Rosane, estava em casa, as autoridades acreditam que a Operação Câmbio, Desligo vazou. Uma das suspeitas de rota de fuga seria o Paraguai. A outra seria Israel, terra de origem da família Messer.

 

O doleiro é visto no Paraguai como amigo pessoal do presidente Horácio Cartes. Em 2013, Messer integrou uma comitiva oficial de Cartes em visita a Israel. Documentos obtidos pelo O Globo mostram que ele era sócio no Paraguai, na Matrix Plus, de um primo de Cartes, Juan Pablo Jimenez Viveros. De acordo com a investigação no Brasil, Messer teria obtido a cidadania paraguaia por meio de despacho do ministro da Suprema Corte do país, Miguel Oscar Bajac. Para isso, teria apresentado um nada-consta brasileiro quando já era alvo de inquérito aberto a partir da Operação Sexta-feira 13.

 

As autoridades paraguaias, no entanto, afirmam querer colaborar com as brasileiras no caso Messer. Os procuradores da República do país vizinho chegaram a criar um grupo de WhatsApp com os colegas do Brasil para a troca de informações. As relações bilaterais, no âmbito penal, têm crescido. Recentemente, os ministérios públicos federais dos dois países se uniram para investigar os supostos crimes praticados pela Operação Condor, aliança político-militar formada por ditaduras da América do Sul nos anos 1970.

 

Messer também não deverá encontrar facilidades em Israel. Um recente acordo de cooperação com o Brasil permitiu às autoridades israelenses desbaratarem uma quadrilha internacional que atuava naquele país. Para isso, o Brasil autorizou a transferência, em duas ocasiões, do preso Yoran El Al. Ele havia sido preso em 2011, por crimes relacionados a drogas, crime organizado e lavagem de dinheiro. Sua delação, que valeu ao Brasil um elogio do Ministério da Justiça israelense, permitiu uma ampla operação policial contra a família Abergil, comandada pelo mafioso Itzak Abergil.

 

Messer não desapareceu sozinho. Dos 46 alvos da Operação Câmbio, Desligo, etapa mais recente da Operação Calicute (versão da Lava Jato no Rio), 11 continuavam foragidos até a conclusão desta edição. As fugas de Rene Loeb, Alberto Lisnovetzky, Carlos Alberto Braga de Castro, Wander Bergmann, Patricia Matalon, Bella Kayreh, Chaaya Moghrabi, Ernesto Matalon, Claudine Spiero, Richard Andrew e Augusto Rangel reforçam as suspeitas de vazamento.

 

De acordo com Barbosa e Claret, Messer era o cabeça do negócio e ficava com 60% dos lucros obtidos nas operações de lavagem. Eles contaram que, até meados de 2013, o doleiro chegou a ter um banco em Antígua e Barbuda, denominado EVG, para atender a clientela. De 2011 até 2016, segundo eles, Messer teria lucrado US$ 15 milhões. Em 2009, ano em que ele “bombou”, como sustentam os delatores, embolsou de uma só vez US$ 9 milhões. Não há registro dos ganhos em outros anos.

 

 

 

19
Mai18

A INDÚSTRIA DA DELAÇÃO PREMIADA / Ivanice, braço direito de Moro, e sua militância anti-PT

Talis Andrade

Ivanice Grosskopf, diretora de secretaria da 13a. Vara Federal de Curitiba é o braço direito de Moro e tem atuação político-partidária forte

fotorivanice.jpg

 

 

por Joaquim de Carvalho

 

No futuro, quando os historiadores descreverem o uso do lawfare no Brasil para destruir uma liderança política, Sergio Moro será retratado com certeza. Páginas e páginas se escreverão sobre ele. Mas não seria justo fazer o registro sem que se conhecesse também as pessoas que o ajudaram nessa tarefa. E além de Rosângela Moro, dedicada a manter as massas mobilizadas com o uso da rede social, um nome não poderá ser omitido: Ivanice Grosskopf, diretora de secretaria da 13a. Vara Federal de Curitiba.
 
Ivanice trabalha com Moro desde o tempo de Cascavel, quando o juiz se tornou titular pela primeira vez, meados dos anos 90, na sucessão de João Pedro Gebran Neto (houve um juiz entre eles, que ficou pouco tempo lá). Na época, Moro passou por uma situação constrangedora, como recorda o procurador da república Celso Três, que trabalhava na jurisdição. 
 
Um advogado apresentou mensagem divulgada por Rosângela Moro, advogada, que informava o telefone do gabinete do marido como seu próprio contato profissional. Poderia ser interpretado como exploração de prestígio ou irregularidade equivalente, mas o caso não foi levado adiante. 
 
“Na época, eu ouvi as explicações de Moro e achei que não tinha havido dolo. Pareceu mesmo que foi um equívoco”, disse o procurador, conhecido desde o Banestado pela tenacidade com que conduz suas investigações — Três já teve o carro perfurado a bala quando apurava o envolvimento de policiais civis do Paraná num esquema de extorsão de sacoleiros que faziam compra no Paraguai.
 
Ivanice já era conhecida de todos, e se atribui a ela a redação de despachos do juiz, inclusive sentenças, o que não é incomum no Judiciário, dado o excesso de tarefas do magistrado e a relação de confiança que existe entre este e alguns subordinados. São estes que tocam a Vara, o juiz dá as diretrizes e confere o trabalho antes de assinar, para que nada saia fora de sua orientação.
 
Quando Moro deixou Cascavel e foi para Curitiba, onde implantou a Vara especializada em lavagem de dinheiro, Ivanice o acompanhou, para ocupar o posto de funcionária número 1, chefe do cartório. Na transcrição do vídeo com o depoimento de Lula à Polícia Federal, sob condução coercitiva, em março de 2016, o nome de Ivanice aparece como responsável pela tarefa. 
 
A neutralidade e a imparcialidade são requisitados que se exige do magistrado, para o bom desempenho de suas funções, mas seria ainda melhor que suas pessoas de confiança mantivessem postura semelhante. Mas não é o que acontece na 13a. Vara de Curitiba.
 
Se, em Moro, a parcialidade é enrustida, em Ivanice é escancarada, pelo menos até 3 de agosto de 2016, data da última postagem pública em seu facebook. Nesse dia, ela postou o link com a entrevista de Deltan Dallagnol ao Programa do Jô. 
 
Ivanice também revela em sua rede social um papel ativo nas manifestações convocadas pelo Vem Pra Rua. Compartilha publicações de uma tal organização que se define pelo slogan “Curitiba, a capital mais direita do Brasil”. Deu publicidade também a manifestações do senador Ronaldo Caiado contra o assim chamado Foro de São Paulo, um assunto recorrente em sua rede social.
 
Compartilhou texto de Olavo de Carvalho, com ilustração em que aparece um bispo do xadrez com a estrela do PT alterada com foice e martelo e o aviso do ativista de extrema-direita de que havia postado um comentário na “página da CNBBosta”. Ivanice convocou para um twittaço e facebookaço com a hashtag “Agora Somos Todos Moro”. 
 
Compartilha textos do site de extrema-direita O Antagonista, texto do movimento escola sem partido e de grupos que defendem a liberação do porte de armas no Brasil — “vinte fatos que comprovam que posse de armas deixa uma população mais segura”. 
 
Revela as viagens que fez aos Estados Unidos, com direito a foto em frente à estátua de Abrahan Lincoln em Washington, e uma publicação que trata da importância de se fundar no Brasil algo como o Tea Party nos Estados Unidos — na verdade, existe, é o MBL, de cujas postagens ela compartilha, como, por exemplo, um fake news que atribui a um deputado do PT a iniciativa de “calar mídia à força” depois das eleições (em 2014).
 

ivanice3.jpg

No dia do segundo turno da eleição para presidente, postou mensagem com o seguinte teor:
 
"Hoje é o dia de você exercer o direito de ir às urnas e escolher o próximo presidente do Brasil. Caso ocorra alguma situação diferente, no momento da votação, que te impeça de votar, avise o mesário e nos informe, enviando uma mensagem para aeciocampanha2014@gmail.com ou para o whatsapp (11) 952104827, com seu nome e telefone, para fazermos contato. 
Obrigado. #MudaBrasil"
 
Na véspera, postou o vídeo de aecistas na rua, cantando:
 
“Ah, eu tô feliz, eu vim para a rua mudar o meu País. Aécio! Aécio! Aécio!”
 

ivanice1.jpg

Ela já indicava apoio a Aécio na véspera do primeiro turno, quando postou pesquisa com o título: “Aécio Neves ultrapassa Marina Silva”. Sua militância antipetista é ostensiva, como mostra o texto de Veja que repercute:
 
“Marginais do PT saquearam a Petrobras”, diz professor Villa - TVEJA (Marco Antônio Villla).
 
Além da militância antipetista, a diretora da secretaria da Vara de Sergio Moro se dedica a atacar pessoalmente Lula e posta memes ofensivos e um texto que, hoje, assume especial importância, por se tratar o triplex do Guarujá, objeto do processo que levou à condenação de Lula a nove anos e meio de prisão, cujo recurso será julgado dia 24 de janeiro, pelo Tribunal Regional Federal da 4a. Região.
 
O texto saiu no blog Vide Versus, do ativista de extrema-direita Vítor Vieira, em dezembro de 2014, e contém uma série de dados que não encontram relação com a verdade factual. Diz que o triplex era de Lula e que ele passaria lá o Reveillon. "De sua ampla sacada, poderá ver a queima de fogos, que acontece na orla bem defronte do seu prédio, feito pela OAS, empresa investigada pela Operação Lava-Jato”, escreve.
 
"A reforma do apartamento 164 é tocada por seu filho Lulinha, segundo funcionários do edifício, e foi vistoriada por dona Marisa o tempo todo — acrescenta o cascateiro. 
 
“Ela mesmo providenciou a decoração do local, visitado por Lula apenas três vezes. A família Lula construiu um elevador privativo para levá-los do 16º ao 18º, que no projeto original tinha apenas escadas internas. Lulinha usou também parte do quarto de empregada e um canto da sala para fazer um escritório. Mandou também colocar porcelanato em tudo. A cobertura com piscina também recebeu uma boa área gourmet.”
 

ivanice2.jpg

Hoje já se sabe que a reforma foi feita pela OAS, que tentou entregar o triplex a Lula, mas ele nunca foi dono do imóvel. Visitou o triplex uma vez e recusou. Com a popularidade de Lula, é razoável supor que ele teria liberdade para descansar do balneário de Guarujá, um dos mais movimentados do litoral de São Paulo?
 
Sequer passou uma noite no local, como ficou claro no processo — apesar disso, foi condenado. Na Vara de Curitiba, parece que o fake news, presente nas publicações da diretora da Secretaria Ivanice Grosskopf, prevaleceu sobre o conteúdo do processo.
 
Lula foi condenado numa Vara onde, por baixo de ternos, gravatas e tailleurs, servidores púbicos vestiram camiseta de militantes anti-petistas. E alguns, como a importante Ivanice, sequer esconderam isso nas redes sociais.
19
Mai18

Os novos ricos da Lava Jato

Talis Andrade

Operação produz uma nova casta de milionários: os advogados criminalistas pagos a peso de ouro para livrar das grades os poderosos acusados de corrupção

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D