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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

14
Dez18

Quem anda no pântano desperta os jacarés

Talis Andrade

 

 

por  

 

Todo o noticiário das pequenas imundícies praticadas pelo entorno dos Bolsonaros, a esta altura, não muda mais a natureza das falcatruas, apenas a sua quantidade.

Cada pequeno trambique que aparece, como este do tenente-coronel que assessorou Flávio Bolsonaro por um ano, dos quais seis meses viveu em Portugal, é só mais um salpico de lama num esquema de nepotismo, extorsão e coleta de dinheiro que, a rigor, nem chega a ser novidade em nossa política.

A história de que tinha “160 dias de férias acumuladas” não passa pelo que diz a Portaria 541/2013 da PM, que determina que  “fica vedada a acumulação de férias, ressalvados os casos de interesse de segurança nacional, de manutenção da ordem pública ou, excepcionalmente, de extrema necessidade do serviço.” Nenhuma novidade, também, isso está proibido desde antes deste Wellington entrar na PM< pelo Decreto 3.044/1980, que diz  que “é proibido a acumulação de férias, salvo por imperiosa necessidade de serviço e pelo máximo de dois períodos”.

São duas as questões que importam, agora.

Uma, a mácula pessoal que atinge Jair Bolsonaro – que não pode deixar o caso com a matilha de filhos – porque as suas ligações com o subtenente Fabrício são de décadas, foi ele quem o fez servidor da “família” e quem se meteu – seja lá com que razão for – com um extorsionista que achacava servidores e forjava contratações – também em seu próprio gabinete – para abastecer a “caixinha”.

Para quem se elegeu com gritos moralistas contra a “velha política” é veneno do seu próprio veneno.

A segunda é o já pouco disfarçado incômodo dos militares com as ‘escapulidas’ do cavalo que se dispuseram a montar em sua marcha para tomar o governo brasileiro. Pode apostar que, a esta altura, os serviços de inteligência militar pesquisam e avaliam o que mais pode aparecer no passado de Jair Bolsonaro e o potencial que isto terá de atingir o núcleo militar do poder.

A Globo, cujo faro é melhor do que o de qualquer cão de caça, percebeu e – dos grandes veículos de comunicação – é quem menos “alivia” a família presidencial, com matérias diárias no Jornal Nacional.

Bolsonaro acusou o golpe, mas sem saídas de melhor qualidade, diz que está disposto a “pagar” a conta pelos “erros” cometidos.

Não foram erros, foram crimes e não é possível invocar a “jurisprudência” de Sérgio Moro e deixar para lá porque, tal como Ônyx Lorenzoni, o ex-capitão “arrependeu-se”.

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14
Dez18

Para entender a bem sucedida trama de Moro

Talis Andrade

Geopolítica, o caso Huawei e a Lava-Jato

 
por Luis Nassif
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Peça 1 – a geopolítica moderna

A prisão de Meng Wanzhou, filha do fundador da gigante de tecnologia Huawei, escancarou até para os idiotas da objetividade o contexto das novas disputas geopolíticas globais, tendo como pano de fundo a legislação anticorrupção e o combate ao terrorismo.

Todas as evidências sobre a interferência externa na Lava Jato eram tratadas por esses sábios da objetividade como teoria conspiratória, “coisas da CIA”, como se a CIA fosse apenas uma ficção de Will Eisner.
 
O modelo político brasileiro estava infectado mesmo. O financiamento de partidos passava pela Petrobras, mas também pelo Congresso, sendo utilizados pelas empreiteiras, pelo agronegócio, por bancos de investimento.

Mas o tiro certeiro foi em cima da engenharia nacional, o setor que havia acumulado o maior coeficiente de competitividade internacional e tinha papel relevante do pré-sal – os únicos setores com interesse direto de grupos americanos. E não se abriu nenhuma possibilidade de estratégias que, punindo os corruptores, preservassem as empresas. O Ministério Público Federal e o juiz Sérgio Moro conseguiram o feito extraordinário de, numa só tacada, destruir a engenharia brasileira. E coroar sua grande obra viabilizando a eleição do mais despreparado agrupamento político da história.

Antes de entrar no caso Huawei, um apanhado de análises publicadas no GGN sobre a cooperação internacional e o jogo geopolítico internacional.

O que vai fazer nos EUA a Procuradoria-Geral do Brasil? Acusar a Petrobras?
Xadrez da teoria conspiratória, para Sergio Fausto e Celso Rocha Barros
PGR encontrou-se nos EUA com ex-sócia de concorrentes da Eletronuclear
PGR explica ida de equipe de procuradores aos Estados Unidos
Os Estados Unidos na Lava Jato, por André Araújo
Peritos anticorrupção apresentam recomendações para avançar a agenda de governança democrática antes da VIII Cúpula das Américas
A revolução da informação e a nova ordem mundial
A cooperação internacional como arma política | GGN
Xadrez do coordenador da cooperação internacional | GGN
A cooperação internacional na visão de Herve Juvin, por Luis Nassif ...
Cooperação internacional: o interesse dos EUA e do Brasil
Xadrez do esperto e do sabido na cooperação internacional
 

Peça 2 – a prisão da filha

Meng Wanzhou foi presa no Canadá, a pedido dos Estados Unidos, dentro do acordo de cooperação internacional. A acusação era a de que a Huawei teria usado uma subsidiária, a Skycom, para burlar as sanções ao Irã. Se for extraditada, Meng será acusada de conspiração e de fraudes contra instituições financeiras, cada crime sujeitando-a a penas de até 30 anos.

Comprovava-se, ali, uma suspeita levantada há tempos no GGN: a de que a cooperação internacional e a Lei Anticorrupção, aprovada no âmbito da OCDE (o grupo dos países mais industrializados) estariam sendo utilizados pelo Departamento de Estado dos EUA para objetivos geopolíticos. Pela lei, qualquer ato de corrupção que se valesse de dólares passaria a ser de jurisdição norte-americana.

No dia 21/08/2017, publicamos artigo sobre ensaio pensador francês Hervé Juvin – “Da luta anticorrupção ao capitalismo do caos, oito temas sobre uma revolução do direito” – analisando o uso geopolítico pelos EUA dos novos instrumentos organizados.

Hoje em dia há sanções extraterritoriais impostas a empresas francesas e europeias em nome das leis norte-americanas, punindo atos de corrupção (FCPA) ou violações de embargos americanos, em particular em operações de fora do território americano, mas usando o dólar como primeiro critério para garantir a jurisdição do juiz americano, explica Juvin.

Há pesados efeitos diretos e indiretos sobre a economia francesa, constatava Juvin. Os diretos são a submissão às decisões unilaterais de embargos ou sanções norte-americana. Hoje em dia há provedores de serviços dos EUA trabalhando o mercado da “conformidade” com regras dos EUA para empresas sancionadas, muitas vezes contra a lei continental europeia, explica ele.

As despesas indiretas são a paralisia estratégica decorrente daí. Que banco francês irá financiar o estabelecimento de uma empresa francesa na Rússia, Irã, Sudão etc? Que banco francês se atreverá a estudar o financiamento de uma operação comercial nesses países?
 

Peça 3 – o significado da operação

No caso Hauwai, o que está em jogo é a disputa de gigantes americanos com chineses pelo mercado de tecnologia.

Fundada em 1987 pelo ex-oficial do Exército Vermelho Ren Zhengfei, a Huawei se tornou a maior fabricante de equipamentos de telecomunicações, e a segunda maior fabricante de celulares smartphones do mundo. Por número de aparelhos vendidos, superou a Apple este ano e conquistou 15% do mercado mundial de smartphones.

Tem receita anual de US$ 92 bilhões e é líder de mercados em vários países da África, Ásia e Europa.

No início, era considerada uma maquiadora de produtos da Cisco System e da Motorola. Ganhando musculatura, passou a investir pesadamente em desenvolvimento e se tornou líder global em tecnologia de rede de telecomunicações, passando antigos campeões, como a Nokia e a Ericsson.

Nos últimos anos avançou no desenvolvimento de chips, inteligência artificial e computação em nuvem. E montou uma rede de laboratórios por todo o mundo. No Brasil há dois laboratórios, um em Sorocaba, e uma parceria profícua com a Inatel, instalada em Santa Rita do Sapucaí.

Mas seu grande feito foi se lançar à frente das concorrentes na rede móvel de 5ª geração.

A maneira de combate-la foi levantar as teses da guerra híbrida, a versão tecnológica da guerra fria. Procuradores, órgãos de segurança dos EUA – que, ao contrário dos seus pares brasucas, têm o hábito de jogar em favor do país – passaram a difundir reiteradamente suspeitas de que os equipamentos seriam utilizados para espionagem pelo governo chinês. Não havia nenhuma evidência, mas pouco importou.

As autoridades americanas mencionavam uma norma aprovada em 2017 pela Agência Nacional de Inteligência da China, pela qual as empresas do país devem "apoiar, cooperar e colaborar com o trabalho de inteligência nacional”, E, a partir dali lançavam suspeitas de que a tecnologia 5G da Hauwei deixaria os EUA expostos a ciberataques.

O escarcéu deu resultado. Austrália e Nova Zelândia vetaram a tecnologia da Hauwei para redes 5G. O Canadá e o Japão estão reavaliando. Por outro lado, a Hauwai anunciou uma relação de vinte países com acordos já assinados para implementação da tecnologia 5G.
 

Peça 4 – geopolítica e globalização

Aí se entra no reverso da medalha: a importância da China para as gigantes americanas de tecnologia.

Como consequência da prisão de Meng, um tribunal chinês baniu a venda de alguns modelos antigos da Apple, sob o argumento de que violavam patentes da Qualcomm. Lá, como cá, e como nos EUA, a Justiça passou a ser instrumento de jogadas políticas e comerciais.

Especialistas calculam em 350 milhões a quantidade de upgrades dos iPhones, Desse total, cerca de 70 milhões estão na China.

Além de vender na China, a Apple depende da produção chinesa e do custo menor dos salários por lá. Foi o que levou a BBC a constatar que “ao queimar a Apple, a China estaria, até certo ponto, queimando a própria casa."

Na sequência, o ex-diplomata canadense Michael Kovrig foi detido na China.

Ambos os episódios provocaram um curto-circuito na relevante categoria dos CEOs internacionalizados, braços centrais da globalização econômica.

A Bloomberg foi mais dramática ainda: “Os EUA têm Huawei em algemas. China tem os EUA em cadeias”. E imaginou o que poderia ser a retaliação chinesa:

”Sem isso, você não pode viajar. E com maiores preocupações com a segurança e com a repressão às VPNs (que permitem que os usuários ignorem a censura chinesa na internet), sua empresa decretou que todas as discussões sobre produtos sensíveis sejam feitas pessoalmente na sede. Mas a renovação do visto está demorando muito e você está preso em Xangai, com o ciclo do produto sendo ampliado a cada dia.
 
Em Shenzhen, onde seus dispositivos são montados, a fábrica acaba de ser invadida pela terceira vez naquele mês. Os inspetores estão procurando violações de saúde e segurança ocupacional. Você trabalhou duro para manter as coisas das normas, embora as regras pareçam mudar constantemente. A ferrugem menor em um cano na parte de trás do local era de todas as autoridades necessárias para encerrá-lo até uma correção. Seu gerente de site não pode sequer encontrar qualquer menção de ferrugem nos regulamentos, e esse tubo não está em pior condição do que as duas inspeções programadas anteriores. Agora é um problema e a produção está parada”. 
A China monta os aparelhos da Apple, os roteadores da Cisco System, os motores da Ford Motor Co. Só Apple pagou US$ 160 bilhões de bens e serviços da China.
 

Peça 5 – a nova desordem

Não se sabe aonde levará essa nova desordem mundial. Em vez de guerras atômicas, o novo campo da guerra fria são as guerras cibernéticas.

O que fica demonstrado, nesses episódios, é a clareza dos EUA e da China sobre o interesse nacional. Ao contrário de um país que, de sétima economia do mundo, tornou-se alvo de chacota internacional pela extrema incapacidade de suas elites midiáticas, políticas e jurídicas, em entender e defender minimamente os interesses nacionais.
 
14
Dez18

50 ANOS DEPOIS A CONSTATAÇÃO: O AI-5 FOI MAIS TERRÍVEL,TRÁGICO, TRAUMÁTICO, COVARDE, CRUEL, DO QUE A PROXIMIDADE DEIXAVA ENTREVER

Talis Andrade

 

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por Helio Fernandes

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Tudo começou com violência esparsa e a farsa premeditada para iludir a coletividade: "Estamos com Deus, salvando a Pátria e a família". Mas cumpriram um roteiro de tortura e TERRORISMO tão grande, que menos de 1 mês depois da posse de Castelo Branco, o notável Sobral Pinto mandou a ele, uma de suas notáveis cartas. Todos temiam essas cartas.

 

Textual, entregue a Castelo no dia 29 de abril: "O senhor tem que deixar o palácio, o senhor não é presidente da Republica. É Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, deve reassumir seu cargo". Com todo o aparato militar, Castelo tremeu e se assustou com a carta de um advogado desarmado. Que se recusou até mesmo atender telefonema, do "presidente" de plantão.

 

O tempo do Poder terrorista foi transcorrendo, os que resistiam, cercados e cerceados pela censura ainda não ostensiva. Os que ADERIAM tinham abertas as portas da fortuna que exibem hoje, acintosa e audaciosamente. Mas isso não bastava, em 12 de junho de 1968, foi oficializada a CENSURA, as redações tinham mais militares do que nos quartéis.

 

A censura facilitava ou dificultava, de acordo com a orientação do jornal ou da revista. Nos fins de tarde, jornalistas de outros órgãos, iam para a redação da Tribuna da Imprensa. Funcionava um café restaurante, uma festa. Eu não deixava os censores comerem ou tomar café. Fui chamado pelo coronel chefe da censura, que me disse: "O senhor não pode fazer isso". Respondi: "Só deixo eles fazerem a censura sentados, para não atrasar o jornal".

 

Logo, logo chegou o 13 de Dezembro, com o inominável Ai-5, preparado pelo falso jurista, e verdadeiro ministro da Justiça, Gama e Silva. Os generais queriam a represália no dia 12, quando a Câmara se recusou a cassar o mandato do deputado Marcio Moreira Alves. Costa e Silva estava no Rio, disse ao general Jaime Portela, Chefe da Casa Militar: "Não atenderei nenhum telefonema hoje, convoque uma reunião ministerial ampla para amanhã cedo, 9 horas”. Acrescentou: "Estou vendo um bangue-bangue ótimo, depois do jantar vou ver outro". Eram 4 da tarde.

 

Naquela época os vespertinos rodavam ás 11 da manhã, estavam nas bancas ao meio dia. Foi um tormento fazer e fechar o jornal, sabendo que a reunião do Laranjeiras duraria o dia todo. A vantagem é que íamos para casa ás 6 da tarde, voltávamos ás 6 da manhã. Nesse dia 13, ás 8 e meia da noite, ouvi o jornalista Alberto Cury ler essa famigerado AI-5, numa cadeia de radio e televisão.

 

Pedi a Rosinha para me levar até á porta: "Você pode ficar algum tempo sem me ver, prefiro ser preso no jornal". Quando eu ia saindo, tocou o telefone, Rosinha atendeu, me disse, "é o Carlos Lacerda". Eu disse a ele, "você seria uma das raras pessoas que eu atenderia, serei preso logo". Pergunta do ex-governador: "E eu?". Respondi com toda a sinceridade: "Você vai ser preso e será cassado".

 

Do outro lado, um berro tremendo: "Você está acostumado a adivinhar, mas não serei preso nem cassado". A redação da Tribuna da Imprensa era a 100 ou 150 metros da Central de Policia da Rua da Relação, prédio tétrico pelos assassinatos praticados contra presos. Fui levado pra lá, não sabia o destino final. Meia hora depois fui levado para o quartel general da Policia Militar, o "Caetano de Farias", não muito longe.

 

Uma porta estreita, um homem atrás das grades, uma folha de papel, consegui ver o numero 1, e o nome do redator chefe do Correio da Manhã. A seguir o numero 2, o sujeito perguntou meu nome. Quando respondi, Helio Fernandes, ele levou um susto, perguntou: "O senhor é o próprio?”.

 

Pela manhã chegou Carlos Lacerda, me abraçou: "Está bem você acertou, estou preso, mas não serei cassado". Eu já estava cassado desde 1966, preso várias vezes, respondi: "Eles te prenderam, estavam com saudades de você". Foram chegando pessoas que não conhecíamos.

 

No final da tarde, quem apareceu? A notável figura de Mario Lago. Foi preso no Teatro Santa Isabel. Representava um escocês, estava com as roupas características, foi logo dizendo: "Aqui só quem me conhece é o Lacerda e o Helio. Estou com estas roupas, mas não sou viado". (A palavra gay ainda não era usada).

 

PS - Chegando ao final pessoal, o país foi tremendamente atingido, a repressão a atividades artísticas e culturais, devastadoras. A política destruída, centenas de parlamentares e advogados, presos e torturados.

 

PS2 - Carlos Lacerda foi cassado no dia 30 de dezembro. No dia 2 de janeiro foi se despedir de mim e do Mario Lago. Não podia me esquecer. Carinhosamente: "Você adivinha mesmo".

 

PS3 - Ficou quase 5 anos na Europa e nos EUA. Voltou se isolou na Nova Fronteira. Morreu inesperadamente em 1977. 2 anos antes da anistia, ainda pensando em ser presidente.

 

PS4 - Eu e Mario Lago, fomos libertados em 6 de janeiro, "Dia de Reis". Os generais são torturadores, mas muito católicos.

 

EUNICE PAIVA, MULHER DE RUBEM PAIVA, GRANDE AMIGA

 

Dois anos depois do AI-5, 1970, ele foi assassinado, triturado, desaparecido. Ela e Rosinha, amicíssimas, eu e o Rubem, a mesma coisa. Ela começou o terrível sofrimento, de ficar sem o marido antes dos 40 anos. E depois ficar outros 48, sem saber sequer onde estava ou estaria seu corpo. É terrível, ninguém pagou por esse crime.

 

Ontem, quando o nefasto AI-5 fazia 50 anos, minha doce e querida amiga foi embora. Na verdade, tentava desesperadamente sobreviver a tanta crueldade. Não conseguiu.

 

Ninguém consegue.

 

 

13
Dez18

Patética, Damares e seu Jesus de pé de goiaba (vídeo)

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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Seria cômico se não fosse deprimente e assustador.

Damares Alves, já quase ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos protagoniza, no Youtube, um vídeo patético, onde conta que, aos dez anos de idade, pegou “uma substância”, subiu num pé de goiaba e ia se matar, pois estava “esmagada por Satanás desde os seis anos de idade”.

Foi salva, diz ela, por Jesus Cristo em pessoa, apesar de sua (dela) falta de fé em que o Onipotente soubesse subir num pé de goiaba, talvez porque a goiaba seja vermelha e não raramente esteja cheia de bichos evidentemente comunistas, porque se ocultam sob a casca verde do fruto, disfarçados.

Patético.

Não é preciso que Nosso Senhor suba num pé de goiaba. Basta a D. Damares suba num divã e receba ajuda psicológica.

Francamente, nem dá para falar muito de uma pessoa tão doente e desequilibrada.

O governo Bolsonaro nem começou e já virou um circo de aberrações

 

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13
Dez18

Motorista que passou cheque no nome da primeira-dama diz que não sabe "nada sobre o assunto"

Talis Andrade

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COM A PALAVRA, FABRÍCIO JOSÉ CARLOS DE QUEIROZ

 

Procurado pelo Estado para se manifestar sobre o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que aponta movimentação financeira atípica de R$ 1,2 milhão em sua conta, o policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-assessor parlamentar do deputado Flávio Bolsonaro, respondeu que não sabe “nada sobre o assunto”. Leia mais no Estadão 

 

Informou Jair Bolsonaro: “Emprestei dinheiro para ele em outras oportunidades. Nessa última agora, ele estava com um problema financeiro e uma dívida que ele tinha comigo se acumulou. Não foram R$ 24 mil, foram R$ 40 mil.”

 

Segundo o presidente eleito, Queiroz lhe fez dez cheques de R$ 4 mil. “Eu podia ter botado na minha conta. Foi para a conta da minha esposa, porque eu não tenho tempo de sair. Essa é a história, nada além disso. Não quero esconder nada, não é nossa intenção.”

 

"Sobre o relatório do Coaf sobre movimentação financeira atípica do senhor Queiroz, o senhor presidente eleito já esclareceu a parte que lhe cabe no episódio", garante Sérgio Moro sobre o escândalo.

 

Esse motorista movimenta 1,2 milhão em dinheiro vivo, e pede 40 mil reais para pagar em dez meses. Isto é, 4 mil reais a cada mês. Quando Bolsonaro e filhos empregavam as filhas e a primeira e segunda esposas de Queiroz. Confira na reportagem do excelente jornalista investigativo Marcelo Auler: "Assessora de Jair Bolsonaro na Câmara, filha de motorista trabalhava ao mesmo tempo em academia no Rio". 

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12
Dez18

Fabrício era o “caixa” da extorsão a funcionários de Bolsonaro

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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Fabrício Queiroz, amigo de Jair Bolsonaro e assessor de seu filho Flávio, coletava, como já se suspeitava, o “pedágio” pago pelos funcionários do gabinete em sua conta pessoal.

A evidência foi trazida à tona por Fernando Molica, na Veja e ampliada pelo Jornal Nacional, que cruzou as datas dos depósitos na conta de Fabrício com as datas de pagamento da Assembléia Legislativa.

 

O Jornal Nacional fez o cruzamento das datas dos depósitos feitos em dinheiro nas contas do ex-assessor com os dias de pagamento dos salários da Alerj entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017 e encontrou uma coincidência: em praticamente todos os meses, a maior parte do dinheiro entra na conta de Fabrício no mesmo dia ou poucos dias depois de os servidores receberem o salário.

No mesmo dia ou no dia seguinte, vapt-vupt, Fabrício sacava os valores em dinheiro vivo e o destinava a…vocês imaginam, tá ok?

Picaretagem da grossa, embora não rara entre parlamentares extorsionistas.

Em defesa de Fabrício diga-se que ele era, provavelmente, também vítima da extorsão: afinal, não é crível que alguém que ganhasse, na PM e no gabinete, R$ 23 mil por mês estivesse morando na casa precária que hoje se descobriu.

A Wal do Açaí virou refresco…

Será que Sérgio Moro considera os indícios de que a família se nutria da extorsão a funcionários “consistente”?

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12
Dez18

Quem atirou a 'laranja' em Bolsonaro?

Talis Andrade

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por Ricardo Cappelli

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Presidente fraco é uma iguaria muito apreciada por políticos e empresários. Brasília não perdoa. Redes sociais podem ajudar a chegar ao poder. Mantê-lo é para profissionais.

Bolsonaro montou um governo “autoral”. Entregou até aqui o que prometeu. Recebeu dos que o circundam apoios e tapinhas nas costas. Nas ruas da capital federal sorrisos e elogios costumam ser mais letais que tiros.

Quem vazou o motorista milionário e seus saques volumosos? Quem ganhou e quem perdeu com o tiro desferido? Nem as seriemas acreditam que relatórios do COAF “vazam sozinhos”. Atenção aos jogadores:

1 – O Núcleo Familiar – Os “bob filhos” são uma fonte permanente de risco e instabilidade. Já atropelaram o futuro chanceler e brigaram com a bancada do PSL. A beligerância desagregadora do clã precisava de um freio. O recado foi duro e pode custar a cabeça de um senador.

2 – O Grupo Financista – Paulo Guedes possui dois contrapesos. Os militares dão sinais de que podem resistir à privatização desmedida. Moro é outro que pode criar dificuldades, principalmente para a turma que gosta de atuar em fundos de pensão. O mercado está faminto. Fará pressão por entregas fortes no primeiro ano. Pode ter decidido “refrescar” a memória do eleito, alertando sobre os compromissos assumidos.

3 – Os Generais - Acompanham com preocupação o Capitão-Presidente. Temem que um eventual naufrágio arraste junto a imagem da instituição. Vêm ampliando a influência no governo. Vão disputar poder com Guedes e podem travar uma guerra surda com Moro. Abin e PF sempre se “estranharam”. Para os militares Bolsonaro é um “abacaxi-oportunidade”. Não fazem o estilo precipitados. De qualquer forma, Mourão não está ali para brincadeira.

4 – O Núcleo Palaciano Onyx e Bebiano não possuem força própria. O primeiro parece estar sendo fritado em banho-maria pelas demais alas do governo. Seu temperamento explosivo não tem ajudado. O segundo foi quem ajeitou o PSL para a campanha. Luciano Bivar emprestou seu partido por altruísmo? Que argumentos convenceram Bivar? O potencial de choque dos interesses do grupo de Bebiano com Guedes é razoável. Certamente daqui não veio o tiro. Só existem como extensão do poder do Capitão. Seria suicídio.

5 – A Aliança do Coliseu – O bloco composto pela burocracia estatal antinacional e antipovo em aliança com a Globo chegou ao poder pelas mãos de sua ala mais radical. A família Marinho acabou atropelada pela ala curitibana. A emissora fez de Moro seu “representante-interlocutor”. O ex-juiz está numa sinuca de bico. Assiste calado sua fama de “justiceiro implacável” ser corroída pelo motorista milionário. A Aliança sonha com Moro na cadeira de Bolsonaro após um “pit stop” no STF. Detentor de luz própria, o ex-juiz pode até romper com o Capitão. Não fará isto antes da hora. Pelo aparato que está montando seu destino está traçado. Terá o governo nas mãos e passará a dar as cartas ou se isolará e cairá.

6 – MC Centrão – numa sessão do Congresso, enquanto um senador discursava, um dos deputados esbravejava. Um moderado foi pedir ao colega que respeitasse a fala do senador e ouviu o seguinte: “não vou parar não, ta pensando o quê? O Senado é música clássica, aqui é baile funk!” A turma do Centrão está dançando ao som do “pancadão do Queiroz’. Publicamente declaram apoio desinteressado ao Capitão. Nos bastidores, contam com a desgraça do eleito. Como alimentar suas bases sem ocupar posições na Esplanada? Ansiam pela crise que obrigará o Planalto a retomar o “famigerado” presidencialismo de coalizão. São os mordomos do jogo. Sempre os principais suspeitos de tudo.

7 – A oposição – está como cachorro caído do caminhão de mudança que foi atropelado pelo carro que vinha atrás. Tonta e dividida, resolveu morder o próprio rabo. É pouco provável que consiga ter acesso a alguma informação importante. Está mais para caça do que para caçador.

8 – Os Tucanos – dizem que as aves de bico avantajado têm controle sobre uma banda da PF. O principal interessado no desgaste de Bolsonaro é Dória. O governador eleito de São Paulo quer o Planalto. E já provou que é capaz de pisar no pescoço de qualquer um. Aspira ser um “Bolsonaro empresário, etiquetado e quatrocentão”. Tomou uma taça de champanhe em homenagem a Fabrício Queiroz, sem sombra de dúvida.

9 – Renan e Rodrigo Maia – são os principais beneficiados no curto prazo. Favoritos nas disputas pelas presidências da Câmara e do Senado, enfrentam resistências da família Bolsonaro. O Planalto pode até não ganhar sozinho as presidências das Casas, mas perder pode virar um problemão. Um eventual pedido de impeachment passa por lá. O carioca e o alagoano deram mais um passo em suas pretensões.

O novo presidente gozará do seu período de lua de mel com a população. É improvável que o caso tenha potencial para derrubá-lo. Se virar hemorragia, a cabeça de seu filho Flávio pode ser suficiente para estancar a sangria.

O jogo está começando na mesma voltagem da campanha. Os profissionais estão ávidos pela partida. Quem aitrou a(o) laranja? Emoção não vai faltar.

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12
Dez18

Coaf, os Bolsonaro e o estado policial

Talis Andrade

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por Luis Nassif
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Peça 1 – cronologia do fator Flávio Bolsonaro

14/11/2017 – deflagrada a Operação Cadeia Velha, que manda para a prisão vários deputados estaduais do Rio de Janeiro, entre eles Jorge Picciani.

16/11/2017 – manutenção da prisão de Jacob Barata, o todo-poderoso presidente da Fetransporte, a associação das empresas de transporte público do Rio de Janeiro, alvo da operação.

17/01/2018 – o Ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), concede habeas corpus e há uma manifestação da Procuradora Geral da República Raquel Dodge solicitando a manutenção da prisão dos deputados Jorge Picciani e Paulo Cesar de Mello junto ao STF (https://goo.gl/tu7pL1). Ou seja, o caso chegou ao comando do MPF (Ministério Público Federal).

08/10/2018 – termina o primeiro turno das eleições e o deputado estadual Flávio Bolsonaro é eleito senador. Pelo Twitter, recebe os cumprimentos piedosos do juiz Marcelo Bretas, titular da Operação Cadeia Velha. “Parabenizo os novos Senadores, ora eleitos para representar o Rio de Janeiro a partir de 2019, Flavio Bolsonaro e Andrade de Oliveira. Que Deus os abençoes!” Ao que responde o piedoso Flávio: “Obrigado, Dr. Bretas e que Deus nos dê muita sabedoria, todos os dias, para fazermos a Sua vontade!”.

15/10/2018 – treze dias antes do segundo turno, são exonerados Fabricio de Queiroz, o militar que servia o gabinete de Flavio Bolsonaro, e sua filha Natália, contratada pelo gabinete do pai Jair (clique aqui).

28/10/2018 – encerra-se o segundo turno das eleições, com Jair eleito.

08/11/2018 – prisão preventiva de diversos deputados e assessores da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, no âmbito da Operação Furna da Onça, tocada pelo MPF do Rio e pelo juiz Bretas (clique aqui)

14/11/2018 – o MPF justifica as prisões alegando suspeitas de vazamento de informações da operação (clique aqui). As demissões dos assessores dos Bolsonaro ocorreram no período em que já se suspeitava dos vazamentos.

23/11/2018 – Flávio Bolsonaro se encontra por duas horas com o juiz Bretas. O encontro foi a pedido de Flávio. A troco de quê um senador eleito vai visitar o juiz que comanda o processo que envolve a Assembleia? Mais que isso. “Interlocutores próximos a Jair” informam O Globo ser intenção do novo presidente indicar Bretas para um tribunal superior (clique aqui).“Essa indicação pode acontecer tanto para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), como para o Supremo Tribunal Federal (STF)”, diz o jornal. Quase certamente a tal “fonte próxima a Bolsonaro” era o próprio filho Flávio, falando em off.

Modestamente, o juiz minimiza o encontro, mas não rejeita um possível convite:

- Não tem nada disso, foi apenas um encontro amistoso. Já ouvi essas especulações (sobre as indicações). Mas, não tratamos sobre o tema.

Qual a intenção desse afago a Bretas?

06/12/2018 – a denúncia do Estadão em cima do relatório da COAF.

A narrativa mais óbvia:

1- Bem antes das eleições, as investigações sobre os esquemas da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro tinham identificado as principais operações suspeitas. E o nome dos assessores de Flávio Bolsonaro já constavam da relação do COAF.

2- Treze dias antes do segundo turno, são exonerados o militar Fabrício Queiroz – que trabalhava com Flávio há mais de dez anos – e sua filha Natália. É a indicação mais evidente de que Flávio foi informado das descobertas do COAF. Ao segurar a informação, os órgãos de segurança garantem a eleição de Jair Bolsonaro.

3- As peripécias dos filhos de Bolsonaro já eram bastante difundidas. Fotógrafos do Congresso flagraram uma troca de mensagem de Jair com o filho Eduardo, alertando-o para as consequências de seus atos (clique aqui). Dizia um dos trechos da mensagem: “Jair: “Se a imprensa te descobrir ai, e o que está fazendo, vão comer seu fígado e o meu. Retorne imediatamente”.

Peça 2 – o jogo político da segurança

Na fase inicial, de formação do governo, o general Hamilton Mourão tinha dossiês prontos para torpedear grande parte das indicações bancadas pelos financiadores de campanha - o advogado Gustavo Bebiano, o dono do PSL, Luciano Bivar, e o lobista carioca Paulo Marinho – e pelos olavetes.

Em “Xadrez da nova corte e a fragilidade de Bolsonaro” há uma descrição dos grupos que se digladiam.

A desenvoltura e as trapalhadas da família Bolsonaro ganharam uma dimensão tal, a ponto de comprometer até a base aliada. Encrencaram-se com todos e, hoje em dia, são minoritários dentro do PSL. Há informações de que a maioria dos parlamentares eleitos planeja transferir-se para o DEM.

As declarações estapafúrdias dos Ministros das Relações Exteriores, Educação, Direitos Humanos, bancados pelos irmãos, estão sendo fontes de desmoralização internacional do Brasil. E tinha-se um dilema. De um lado, filhos insaciáveis ; do outro, um pai incapaz de qualquer atitude para enquadrá-los.

Mal terminaram as eleições, Flávio Bolsonaro combinou com Wilson Witzel, governador eleito do Rio de Janeiro, uma ida a Israel para compras milionárias mal explicadas de equipamentos de segurança. Witzel acabou indo sem Flávio. Aliás, é questão de tempo para se revelar sua verdadeira dimensão.

Os Bolsonaro se tornaram, portanto, uma ameaça à estabilidade do novo governo. E seria impossível que as estripulias da família Bolsonaro passassem despercebidas dos serviços de informação do Exército.

Até agora, nesse relatório do COAF, apareceu apenas a ponta do iceberg. Rompida a blindagem, certamente haverá uma enxurrada de novas acusações. Os Bolsonaro nunca tiveram envergadura para jogadas dos políticos do alto clero, bancados por empresas. No baixo clero, as jogadas são com esquemas de Detran, caixinhas de prestadores de serviço e, no caso do Rio de Janeiro, alianças com milícias, de muito mais fácil identificação. Em muitos casos, se misturam crimes de colarinho branco com crimes de sangue, como se viu no episódio Marielle.

Peça 3 – o COAF e estado policial

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O relatório da COAF teve duas funções. Enquanto oculto, não comprometeu a eleição de Jair. Depois de eleito, ajudará a excluir a família presidencial do processo decisório. O jogo político-jurídico extrapolou o combate ao PT e entrou de cabeça nas disputas pelo poder. O bate-pronto do general Mourão, exigindo explicações do motorista e do filho, não deixam espaço para dúvidas.

A única dúvida é se, o fato de ter vindo à tona antes da posse de Bolsonaro, foi fruto de um vazamento não planejado ou se foi necessário antecipar a denúncia para conter a fome dos rapazes.

Haverá uma de duas possíveis consequências.

1- Depois de empossado, um processo rápido de impeachment de Jair Bolsonaro, assumindo o vice-presidente Mourão.

2- Mais provável, ter-se-á um Jair sem os filhos. E, sem os filhos, Jair Bolsonaro é apenas uma figura frágil, facilmente controlável por patentes superiores. Terá papel meramente decorativo, e com as rédeas do governo transferidas definitivamente para os ministros militares.

Consolida-se, de forma nítida agora, a aliança entre os setores militares e o juiz Sérgio Moro. E, nesse ponto, torna-se inexplicável a falta de reação da Febraban, da OAB e das instituições em geral ao projeto de transferir o COAF do Ministério da Fazenda para o da Justiça. Não se trata de uma mera movimentação burocrática, mas do capítulo mais grave de transformação do país em um estado policial.
 

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A Lei que criou o COAF (Lei 9613/98) colocou o Conselho no "âmbito do Ministério da Fazenda". Em todos os grandes países, são os Ministérios das Finanças que abrigam órgãos tipo COAF. O órgão recebe dados de todas as transações acima de R$ 10 mil.

É uma função da área financeira dos governos, porque é essa área que tem acesso aos dados. O Ministério da Fazenda tem a rede conectada ao sistema bancário para extrair esses dados.

Os auditores têm acesso a todas as transações, mas selecionam para análise apenas as operações suspeitas. Estima-se que, de cada mil transações, 998 são regulares e apenas 2 são consideradas suspeitas. Mas todas elas são acessíveis aos técnicos do COAF. Seu pessoal é concursado do Ministério da Fazenda. São quadros diferentes da Justiça. Os auditores fiscais têm status superior ao pessoal da Justiça e cultivam a cultura da proteção do sigilo bancário e fiscal, que não existe no Ministério da Justiça.

No COAF, nunca houve vazamento. E na Justiça? Até agora, essa transferência é o principal instrumento de suspeita sobre a criação de um estado policial. Ficarão à mercê de Moro dados fiscais de congressistas, políticos, empresários, jornalistas, líderes da oposição.

O que se tem de concreto é que, nesses tempos de estado de exceção, o relatório ajudou a eleger um presidente, levando junto um vice-presidente militar. E ajudará a entregar ao vice o comando do governo.
 

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12
Dez18

Jovem acusa nova ministra dos Direitos Humanos de querer ocultar estupro cometido por Marcos Feliciano

Talis Andrade

 

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Patrícia Lélis publicou no Facebook conversa via Whatsapp entre ela e Damares Alves, a chefe do novo Ministério da Mulher, Família e DH de Bolsonaro, além de um vídeo de outra pastora da igreja de Feliciano, que confirma ser amante dele e cúmplice no caso

 

A jovem jornalista Patrícia Lélis, 23, que denunciou em agosto de 2016 o deputado federal Marco Feliciano (ex-PSC, atual Podemos) por estupro, cárcere privado, sequestro e danos morais, publicou no último 1º de dezembro em seu Facebook que a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos escolhida por Jair Bolsonaro, Damares Alves, sempre soube destes supostos crimes, anexando, ao post, prints de uma conversa entre as duas por Whastapp. A jovem a acusa de querer esconder o estupro e todos os crimes supostamente cometidos por Feliciano, assim como os do senador Magno Malta (Partido da República), a quem Damares prestou assessoria parlamentar durante os seus mandatos, e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), ex-namorado de Patrícia, que a ameaçaram para se calar sobre o caso.

 

De acordo com a postagem, por diversas vezes, a agora ministra, que também é pastora e advogada, pediu para que Patrícia não contasse a ninguém sobre o estupro. “Na Polícia Federal, falei sobre todos que sabiam do meu caso, e também deixei o celular para perícia. E digo mais: Ela não sabe apenas do meu caso, sabe de muitos, mas como sempre tenta silenciar as vítimas. Esses são os cidadãos de bem do governo Bolsonaro. Aos pais que frequentam a igreja e colocam pastores acima de tudo, eu só peço que tenham cuidado e escutem mais seus filhos, eles podem estar sofrendo assédio, estupro e ameaças para ficarem calados”, alertou.

 

Patrícia Lelis acrescentou: Eu conheci a Damares dentro do PSC e sempre tive um bom relacionamento com ela. Quando parei de ir trabalhar na câmara por conta do estupro, logo nos primeiros dias ela me procurou, porque a Marisa Lobo, então psicóloga do Feliciano, já sabia do caso e pediu a ela para que conversasse comigo.

 

Jornalistas Livres: E qual a sua relação com a outra pastora, Dani Alexandria, do vídeo que você publicou no Facebook no último dia 2? Como se conheceram? Eram da mesma igreja?

Patrícia Lélis: A pastora Dani era da mesma igreja do Feliciano, em São Paulo. Ela me procurou via mensagem no Instagram, disse que tinha várias provas contra o Feliciano e que queria denunciar. Inicialmente eu achei que se tratava de outra vítima de estupro.

 

Jornalistas Livres: Mas, de acordo com o vídeo, a pastora Dani era amante dele e recebia dinheiro para manter segredo sobre o caso deles e ainda oferecia dinheiro a mando de Feliciano para meninas que eram estupradas se calarem… Por quem essas meninas eram estupradas? Por membros da igreja ou por ele mesmo?
Patrícia Lélis: Exato. Eles eram amantes, Feliciano dava uma “mesada” a ela….e quando ele queria ter relações sexuais com outras mulheres, ela o ajudava a chegar nessas mulheres e, quando elas recusavam, o Feliciano abusava, estuprava. E a pastora Dani vinha logo depois oferecendo dinheiro para essas meninas não contarem o que ocorreu, e sempre com o mesmo papo de “não foi estupro, ele é um homem de Deus…”.

 

Jornalistas Livres: Quantos processos você move contra Feliciano e por quais razões?
Patrícia Lélis: Um processo criminal, que é sobre o estupro, cárcere privado e sequestro, e um de danos morais.

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Jornalistas Livres: Você também move processo contra Eduardo Bolsonaro, não é? Vi matéria sobre ameaças que ele teria lhe feito pelo whatsapp…

Patrícia Lélis: O processo de ameaça do Eduardo Bolsonaro foi aberto pela própria PGR logo após perícia no meu celular. Desde o dia em que o Eduardo, assim como outras pessoas do PSC ficaram sabendo do estupro do Feliciano, todos, sem exceção, tentaram me coagir a receber dinheiro em troca do silêncio, e quando viram que eu não aceitaria dinheiro, começaram as ameaças. Leia mais  

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Na campanha eleitoral Lélis foi ameaçada pelos eleitores de Eduardo Bolsonaro. Veja aqui.

 

12
Dez18

O sumiço do assessor dos Bolsonaro

Talis Andrade

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Casa de Fabrício Queiroz, milionário motorista do senador eleito Flávio Bolsonaro

 

por Jeferson Miola

 

O escândalo do R$ 1,2 milhão movimentado pelo amigo e assessor do clã bolsonarista foi revelado em 6/12 – há quase 1 semana.


Desde então, Fabrício Queiroz, personagem central do escândalo, está sumido, assim como sua esposa e filhas.

 

Além dos Bolsonaro, é ele a pessoa mais indicada para esclarecer o milagre de movimentar em 1 ano o equivalente ao montante de dinheiro que levaria 12 anos para acumular, se conseguisse poupar integralmente o salário mensal que recebia como dublê de motorista e segurança de Flavio Bolsonaro.

 

Estranha muito o sumiço também do ministério público, do judiciário e da polícia federal, que até agora ainda não comunicaram quais providências serão adotadas no caso.


Se alguém está escondendo ou acobertando Queiroz, estará obstruindo o trabalho da justiça. Idem se estiver montando e ensaiando a versão que será apresentada por Queiroz.

 

Se procuradores, policiais e juízes se omitem e não apuram o escândalo, estarão prevaricando.


O jornal O Globo de 11/12 publicou foto da residência simples onde Queiroz e sua esposa Márcia Aguiar residem, na zona oeste da cidade do Rio – uma facilidade adicional para as autoridades policiais e judiciais, que não terão dificuldade de encontrá-lo para intimá-lo a prestar esclarecimentos.

 

Ilude-se quem pensa que o silêncio e o sumiço do Queiroz farão desaparecer o escândalo. As explicações contraditórias prestadas até o momento alimentam as suspeitas sobre negócios obscuros dos Bolsonaro na política.

 

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