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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

03
Fev23

Estupro e morte de aluna da UFPI acende protestos e debate sobre violência de gênero em universidades

Talis Andrade

 

 

Janaína Bezerra da Silva

 

A estudante de jornalismo Janaína da Silva Bezerra, de 22 anos, foi estuprada e teve o pescoço quebrado durante festa organizada por alunos. Assassinato faz parte de cenário de naturalização de violências contra mulheres e silenciamento sobre consentimento dentro da universidade. Atos e vigílias devem se estender por todo país nesta quarta-feira (1º)

Por Camila Cetrone /Marie Claire

"Desde muito cedo, Janaína já gostava de estudar, ler e escrever. Minha mãe sempre citava isso quando vinha me visitar." A descrição é de João Victor Nunes Da Silva, de 24 anos, e evidencia a vocação de Janaína da Silva Bezerra para o jornalismo. João é irmão biológico por parte de mãe de Jana, como se refere a ela, mas os dois cresceram separados após ele ter sido adotado por outra família. "Jana cresceu em um lar muito simples e creio que isso despertou nela uma urgência para estudar e, por meio do estudo, viver melhor ao lado da nossa mãe", conta por mensagens de texto a Marie Claire. Ela foi a primeira pessoa da família a ingressar no Ensino Superior.

O sonho de se tornar jornalista foi interrompido no último sábado (28), quando Janaína foi morta em uma das salas de pós-graduação da Universidade Federal do Piauí (UFPI), onde estudava desde 2020. A mulher de 22 anos foi estuprada e teve o pescoço quebrado durante uma calourada, festa organizada pelos alunos.

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O acontecimento fez despontar atos e vigílias em Teresina e que devem se estender a outras cidades do Brasil nesta quarta-feira (1º). Os protestos decorrentes da morte da aluna da UFPI pedem por uma implementação de segurança específica para mulheres nas instituições universitárias e buscam manter sua memória viva, pedindo por justiça. A mobilização chegou a virar slogan no Twitter pela hashtag #JustiçaPorJanaína.

Foi pelo Twitter que movimentos sociais passaram a fazer convocações para a realização de atos em todo país. Em Teresina, as manifestações foram organizadas pelo Centro Acadêmico de Comunicação Social (CACOS) da UFPI.

O principal suspeito de ter cometido o crime é o mestrando em Matemática Thiago Mayson da Silva Barbosa, que está preso preventivamente desde domingo (29). Segundo o Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), o estupro aconteceu numa sala do Programa de Pós-Graduação em Matemática, no Centro de Ciências da Natureza (CCN). No local, foram apreendidos um colchão e uma mesa com sangue, que estão sob perícia. Thiago foi visto por um inspetor carregando o corpo de Janaína, com as roupas ensanguentadas. Ele afirmou que a relação foi consensual e ela teve um mal súbito. O DHPP confirmou que o corpo de Janaína tinha marcas de estupro e agressões.

 

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Violência de gênero nas universidades é normalizada

 

As violações que ceifaram a vida de Janaína não são esporádicas. Pelo contrário, englobam um cenário mais amplo de naturalização de violências contra mulheres nos espaços universitários – um padrão que é repetido em todo mundo. Além disso, denotam que a conversa sobre consentimento e a importância dele continua escassa nesses espaços. É o que diz a antropóloga social Beatriz Accioly, especializada em gênero.

 

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O estudo Violência contra a mulher no ambiente universitário, organizado pelo Instituto Avon e Data Popular em 2015, mostra de maneira contundente as consequências para mulheres dessa naturalização da violência de gênero.

Das 1.093 mulheres participantes da pesquisa, 75% afirmam ter sofrido violência sexual, psicológica, moral ou física praticada por homens no ambiente universitário. Vinte e oito por cento sofreram violências sexuais – foram estupradas, sofreram tentativas de estupro sob efeito de álcool, tocadas sem consentimento ou forçadas a beijar um aluno veterano.

Se não a morte, como no caso da Janaína, esse tipo de conduta implica em privações e angústias. Ainda segundo a pesquisa do Instituto Avon e do Data Popular, 36% das mulheres deixaram de participar de atividades acadêmicas por medo. Quarenta e dois por cento afirmaram sentir medo constante de serem alvos de violências.

Por outro lado, 27% de 820 homens não viam como abuso o contato forçado quando a mulher está alcoolizada, assim como 35% não achavam violento coagir mulheres a participarem de atos degradantes e 31% não enxergavam problema em compartilhar fotos íntimas de alunas sem a autorização delas.

 

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Accioly, que integrou a equipe que realizou o levantamento, afirma que, desde a realização da pesquisa, as movimentações pelos direitos das mulheres e o ato de nomear atos de violência de gênero foram amplificadas. Isso se estende às violências universitárias, que ela considera como tão corriqueiras e enraizadas que, até hoje, passam despercebidas, seja no dia a dia ou em tradições como festas ou iniciações, o famoso trote.

Essa naturalização também está na culpabilização da vítima, já que, em momentos de lazer, associa-se a violência como uma consequência do uso de álcool ou outras substâncias.

 

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"Há uma série de rituais e comportamentos que naturalizam um comportamento de violação. São ritos de sociabilidade, mais comuns nas universidades públicas, que favorecem isso. O problema não está nas festas em si, que são momentos de lazer e descontração e não devem ser vistos de forma moralista, mas na normalização de que o consentimento não é central em uma interação sexual”, define Accioly.

A antropóloga afirma ainda que esses ritos privilegiam os homens e favorecem uma determinada forma de masculinidade que vê a violência como uma validação de virilidade ou conquista perante aos seus pares. Enquanto essa masculinidade é exaltada, as mulheres são inferiorizadas e violadas.

“Essa conduta vem de um tempo em que esses espaços eram exclusivamente masculinos. Quando as mulheres começam a acessá-los, são vistas como um elemento diferente. Esses espaços não são pensados para respeitar as mulheres ou garantir sua segurança e bem-estar”, analisa.

 

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Nesses últimos oito anos, Accioly ressalta que as universidades passaram a criar métodos para responder a esse tipo de conduta, como o Protocolo da Unicamp, em 2017; a CPI da Violência Sexual Contra Estudantes de Ensino Superior, instaurada em 2020 pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp); e o surgimento de coletivos internos formados por alunas e professoras.

Mas Accioly ressalta que não é o suficiente. Muitas vezes, a universidade se coloca em uma posição isenta diante da violência de gênero que acontece em suas dependências.

“Ao dizer que vão ‘deixar as instâncias responsáveis agirem’, não há consequência dentro da universidade”, afirma. Para a antropóloga, é necessário que existam mecanismos e protocolos internos capazes de responder de maneira contundente à violência de gênero no ambiente acadêmico.

“É um problema complexo que precisa de respostas muito aliadas a questões que dizem respeito a como a universidade reage e acolhe suas alunas. Precisa ter aparatos internos para receber essas denúncias, acompanhá-las e amparar as vítimas durante todo processo judicial, além de responsabilizar quem comete as violências. É uma série de respostas variadas que tem que ser articuladas”, conclui Accioly.

 

 

#JustiçaPorJanaína

 

Além de ser palco de mobilização intensa desde o último domingo, as redes sociais se tornaram um espaço de preservação de memória e de homenagens a Janaína. A estudante de jornalismo também era poetisa e mantinha um perfil nas redes sociais onde compartilhava textos de sua autoria. "Era admirável o talento e a criatividade que ela tinha para escrever poesias", diz João sobre o talento da irmã

O último poema, publicado em 2 de janeiro deste ano, comoveu ao falar de seu futuro e teve os comentários tomados por mensagens de mulheres, amigos e familiares. "Nós vamos lutar por justiça!", diz uma mulher. "Uma menina cheia de vida, talentosa... Que triste ler essa história. Que seja feita justiça", afirma outra.

Marie Claire entrou em contato com algumas das mulheres que escreveram comentários como esses para saber se conheciam Janaína pessoalmente. As que retornaram dizem que não, mas que, ao descobrir a história, sentiram a necessidade de deixar algum tipo de mensagem para a estudante e sua família.

Uma das poucas pessoas que disseram ter a conhecido era Mateus Sousa, de 20 anos. Ele e Janaína cursaram juntos o 9º ano do Ensino Fundamental. "Ela era uma pessoa ótima. Humilde, coração bom, não tinha maldade com nada nem ninguém. Lembro que ela chegava na escola de cabeça baixa, escutando música com fone de ouvido. Quando falava com ela, abria um sorrisão", lembra.

Outros familiares de Janaína afirmam que a menina é lembrada por sua disciplina nos estudos, além de ser uma grande sonhadora. “Estamos muito tristes com tudo o que aconteceu e como aconteceu, porém ela jamais será esquecida. Nós a amamos”, finaliza João.

03
Fev23

STF manda investigar Bolsonaro por genocídio

Talis Andrade

 

 
Ilustração: AbyaYalese

 

por Altamiro Borges

O cerco contra o “fujão” Jair Bolsonaro, que já coleciona mais de 20 processos na Justiça, vai se fechando. Nesta segunda-feira (30), o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Procuradoria-Geral da República investigue a prática de genocídio e de outros crimes do seu governo contra o povo Yanomami. 

A decisão também foi enviada ao Ministério Público Militar, ao Ministério da Justiça e à Superintendência Regional da Polícia Federal de Roraima. Além de genocídio, ele ordenou que os órgãos apurem os crimes de desobediência, quebra de segredo de Justiça e delitos ambientais relacionados à vida e à saúde das comunidades indígenas. 

A menção explícita ao crime de genocídio complica ainda mais a vida do “fujão”. Ela já havia sido feita pelo ministro da Justiça, Flávio Dino, na semana passada: “Há indícios fortíssimos de materialidade do crime de genocídio, é disso que se cuida, e as penas podem chegar até a 30 anos”. O presidente Lula também tem batido nessa tecla. 

A convenção da ONU sobre genocídio

Conforme registra a Folha, “o crime de genocídio foi definido em convenção da ONU em 1948 como a ‘intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso’. Algumas condutas configuram esse crime, como matar membros do grupo, causar lesão grave à integridade física ou mental a eles, submeter o grupo intencionalmente à ‘condição de existência capazes de ocasionar-lhe a destruição física total ou parcial’”. 

A convenção da ONU passou a valer no Brasil em 1952 e foi sancionada em lei, quatro anos depois, pelo presidente Juscelino Kubitschek. “Sua primeira e única aplicação no país ocorreu sobre um crime de 1993, também contra yanomamis. O episódio, conhecido como massacre do Haximu, deixou 12 indígenas mortos na serra da Parima (RR)”. 

Ação ou omissão, parcial ou total

A decisão do ministro Luís Roberto Barroso evidencia a gravidade da situação atual. Em sua sentença, o ministro do STF cita documentos que “sugerem um quadro de absoluta insegurança dos povos indígenas envolvidos, bem como a ocorrência de ação ou omissão, parcial ou total, por parte de autoridades federais, agravando tal situação”. 

“Barroso diz que tornou a decisão pública ‘tendo em vista a necessidade de que a sociedade tenha conhecimento das providências adotadas pelo STF sobre a questão’ e também ‘da possível participação de autoridades do governo Jair Bolsonaro’. Os documentos e informações contidos na ação, porém, continuam sob sigilo”, relata o jornal. 

Além desta decisão, também nesta segunda-feira (30), o Ministério Público Federal anunciou que vai instaurar um inquérito para apurar se houve omissão do Estado na crise humanitária e sanitária que assola os yanomami. Em nota, o MPF de Roraima afirma que há evidências da falta de assistência à saúde e de enfrentamento a invasões. 

O "fujão" pede novo visto nos EUA

Já o governo Lula publicou nesta segunda-feira uma lista com 23 casos em que acusa o desgoverno de Jair Bolsonaro de omissão na assistência aos povos indígenas. Já o “fujão”, totalmente desesperado, postou nas suas redes sociais uma mensagem patética, afirmando que “nunca um governo dispensou tanta atenção e meios aos indígenas”. 

O genocida sabe que sua prisão está cada dia mais próxima. Por isso, requisitou um visto de turista para permanecer mais tempo nos EUA. Como ele virou uma “figura tóxica” para o governo de Joe Biden – e também para os seus vizinhos no condomínio de luxo em Orlando –, ainda há dúvidas se o visto será concedido pelo Departamento de Estado. 

O que parece certo é que ele está se borrando de medo de voltar para o Brasil e ser preso. Como afirmou Flávio Bolsonaro, o filhote 01 do “capetão”, nada está definido sobre o seu regresso. “Pode ser amanhã, pode ser daqui a seis meses, pode não voltar nunca, não sei. Ele está desopilando”.

02
Fev23

Imigração na França: governo estuda vistos para profissionais da saúde e setores com escassez de mão de obra

Talis Andrade
Cartaz no Centro de Saúde do Jardim Rossin, em Campinas, avisa sobre suspensão de agendamentos por causa da saída dos médicos cubanos. — Foto: Conselho de Saúde de Campinas/Divulgação

Cartaz no Centro de Saúde do Jardim Rossin, em Campinas, avisa sobre suspensão de agendamentos por causa da saída dos médicos cubanos. — Foto Conselho de Saúde de Campinas/In 21/11/2018 

 

 

O governo francês apresenta nesta quarta-feira (1º), em conselho de ministros, um novo projeto de lei sobre a imigração. Proposto pelos ministros do Interior, Gérald Darmanin, e do Trabalho, Olivier Dussopt, os principais pontos do documento são a legalização de profissionais estrangeiros no setor da saúde e em outras áreas onde falta mão de obra. Mas o texto também fixa a possibilidade de expulsar mais facilmente delinquentes que não sejam franceses.

O Executivo quer permitir aos trabalhadores sem documentos de residência, que já vivem no território francês há três anos, obter um visto "profissões sob tensão", válido por um ano, em setores que sofrem com escassez de mão de obra. 

A medida é experimental, prevista para durar até 31 de dezembro de 2026. A lista de profissões ainda não foi publicada. O principal objetivo é legalizar trabalhadores que já exercem suas atividades sem visto de estadia na França. 

O projeto de lei também prevê a criação de um visto plurianual "talento - profissões médicas e farmacêuticas", destinado aos profissionais diplomados fora da União Europeia, "desde que sejam recrutados por um estabelecimento de saúde público ou privado sem fins lucrativos". 

Este visto, que dá direito a um documento de residência de duração máxima de quatro anos, tem o objetivo de "responder à necessidade de recrutamento de pessoas qualificadas no setor da saúde", ou seja, médicos, enfermeiras obstétricas, cirurgiões dentistas e farmacêuticos. 

Uma nova lei a cada três anos

A França teve 21 leis sobre a imigração nos últimos 30 anos — uma média de uma a cada três anos. O país viveu um endurecimento progressivo dos direitos dos estrangeiros, acompanhado da ascensão da extrema direita no cenário político. 

Dessa vez, o executivo não fugiu a regra. Mesmo se a possibilidade deste novo tipo de visto está sendo apresentada com um dos principais aspectos do projeto, o ponto central do texto é viabilizar a expulsão de pessoas em situação irregular. Este elemento ocupa a metade dos 25 artigos do documento. 

Em primeiro lugar, expulsões de estrangeiros condenados "por crimes e delitos punidos com 10 ou mais anos de prisão". O governo quer reduzir a possibilidade de recursos contra as decisões de deixar o território francês quando um estrangeiro cometeu "atos que constituam uma ameaça grave da ordem pública, da segurança pública ou da segurança de Estado", de acordo com o texto. 

A taxa de execução dessas ordens de expulsão, que se situa abaixo dos 10%, é alvo de polêmicas frequentes. O governo afirma que "a parte de cidadãos estrangeiros na delinquência representa (…) mais que o dobro da média registrada no restante da população" francesa. 

O Executivo também quer "condicionar a concessão do primeiro documento de residência plurianual ao domínio de um nível mínimo de francês". Atualmente uma simples participação a um curso de idiomas é exigido. 

A medida visa a "incitar os estrangeiros que querem se estabelecer no território francês a se esforçar mais para aprender o idioma" para "favorecer sua integração na França", insiste o texto. 

Reforma das regras para asilo

O governo também quer permitir um acesso ao mercado de trabalho facilitado aos candidatos ao asilo "em casos em que é muito provável que o candidato, devido a sua nacionalidade, conseguirá uma proteção internacional na França". Eles seriam exonerados de um prazo de carência de seis meses, para o começo da atividade. 

Uma reforma "estrutural" do sistema de asilo está prevista no projeto de lei, com o objetivo de acelerar os procedimentos, com a criação de polos territoriais para as demandas, mas também de expulsar os casos recusados mais facilmente.

Mais Médicos para o Brasil, mais saúde para você

O Programa Mais Médicos (PMM) é parte de um amplo esforço do Governo Federal, com apoio de estados e municípios, para a melhoria do atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Além de levar mais médicos para regiões onde há escassez ou ausência desses profissionais, o programa prevê, ainda, mais investimentos para construção, reforma e ampliação de Unidades Básicas de Saúde (UBS), além de novas vagas de graduação, e residência médica para qualificar a formação desses profissionais.

Assim, o programa busca resolver a questão emergencial do atendimento básico ao cidadão, mas também cria condições para continuar a garantir um atendimento qualificado no futuro para aqueles que acessam cotidianamente o SUS. Além de estender o acesso, o programa provoca melhorias na qualidade e humaniza o atendimento, com médicos que criam vínculos com seus pacientes e com a comunidade.

O Mais Médicos se somou a um conjunto de ações e iniciativas do governo para o fortalecimento da Atenção Básica do país. A Atenção Básica é a porta de entrada preferencial do Sistema Único de Saúde (SUS), que está presente em todos os municípios e próxima de todas as comunidades. É neste atendimento que 80% dos problemas de saúde são resolvidos.

Nesses dois anos, o Mais Médicos conseguiu implantar e colocar em desenvolvimento os seus três eixos pilares: a estratégia de contratação emergencial de médicos, a expansão do número de vagas para os cursos de Medicina e residência médica em várias regiões do país, e a implantação de um novo currículo com uma formação voltada para o atendimento mais humanizado, com foco na valorização da Atenção Básica, além de ações voltadas à infraestrutura das Unidades Básicas de Saúde.

Encontre mais informações no livro Programa Mais Médicos - Dois anos: mais saúde para os brasileiros

02
Fev23

Safadamente defesa do assassino da estudante de jornalismo Janína Bezerra diz que posição sexual pode ter causado a morte

Talis Andrade
Janaína Bezerra.
Janaína Bezerra

 

Esquece o advogado que permanece no anonimato o primeiro ato de libertação feminina foi quando fêmea conseguiu fazer sexo olhos nos olhos com o parceiro

 

 

A defesa do cruel assassino da estudante Janaína Bezerra da Silva, Thiago Mayson da Silva Barbosa, de 28 anos, deu detalhes acerca do crime hediondo, o sadismo, o estupro, a enganosa versão machista do mestrando de matemática, que segue preso na Cadeia Pública de Altos.

Preferindo a covardia de não se identificar, a defesa revelou para a reportagem que a posição sexual (de quatro, com o rosto pressionado no colchão) pode ter motivado o trauma raquimedular, ou seja, contusão na coluna vertebral ao nível cervical, o que causou lesão da medula espinhal e a morte da estudante. Melhor explicado: O estuprador quebrou o pescoço da vítima. 

Esse advogado mentiroso nega que, nos primórdios da humanidade - o homem, a mulher das cavernas =, pela condição física, a posição da vagina da fêmea, da mulher, da semelhança entre os primatas, o homem fazia sexo: a mulher de quatro, como acontece com os macacos, os gorilas. E ainda hoje, para o prazer dos dois macho e fêmea. Sem citar os homossexuais. 

Para o advogado do tarado Thiago Mayson da Silva Barbosa, sexo constitui um quebra quebra de pescoço, o maior motivo de causa mortis em todos os tempos, em todas as civilizações. 

O advogado escondeu o sangue do sexo da vítima que manchou as vestes da jovem jornalista e poeta e que manchou o chão da Universidade Federal do Piauí. 

Publicou Meio Norte que o feminicida Thiago Mayson relatou não teria percebido sangue na vítima, pois na sala em que estavam não tinha luz e única entrada que tinha era de um basculhante.  A defesa pontuou também que o investigado passava boa parte do dia na UFPI por morar só e seus pais, que são separados, não viverem em Teresina. 

Thiago estava com a chave da sala de estudo onde o estupro teria acontecido porque os alunos do mestrado, doutorado e iniciação científica fazem o uso de uma sala de estudo coletivo. Outras 13 pessoas também tinham acesso à chave. Que abria "a única entrada um basculhante". Que diabo é basculhante em uma universidade? 

 

Estudantes ocupam reitoria da UFPI e pedem respostas sobre estupro e morte de aluna em sala da instituição

 

Por Ilanna Serena e Andrê Nascimento, g1 PI

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Entre as principais reivindicações dos estudantes, estão pautas relacionadas à segurança, como:

Reivindicaram também a poda de matos e árvores do campus Petrônio Portela e reparo da iluminação. Além disso, reivindicaram: a criação de uma ouvidoria exclusiva para receber denúncias de assédiomonitoramento por câmeras nos corredores e salas da universidade e paradas de ônibus.

Os estudantes destacaram a necessidade de que o Hospital Universitário (HU-UFPI) passe a realizar atendimentos de urgência e emergência. Janaína precisou ser encaminhada a um hospital em outra zona da cidade no dia em que foi encontrada na instituição. Outra reivindicação é a presença de vigilantes mulheres, com formação em combate ao racismo e LGBTfobia.

Pedem ainda a revogação da medida que proíbe calouradas; pagamento de indenização à família de Janaína; um dossiê que reúna o nome de Janaína e de todos os alunos que denunciaram casos de assédio; e a formalização do dia 28 de janeiro como um dia de memória à estudante assassinada.

 

 

"Não foi a calourada que matou a Janaína, então a gente não vai aceitar que seja criminalizada", alegou uma estudante.

 

Durante a conversa, a coordenadora de Avaliação e Regulação Acadêmica, Edna Magalhães, informou que a UFPI vai lançar um Protocolo de Combate à Violência Contra a Mulher.

Estudantes ocupam reitoria da UFPI e pedem respostas sobre estupro e morte de aluna em sala da instituição — Foto: Reprodução

Estudantes ocupam reitoria da UFPI e pedem respostas sobre estupro e morte de aluna em sala da instituição 

 

Ao final, a reitora em exercício Regilda Moreira se comprometeu a levar as reivindicações à administração superior da instituição, para adoção de medidas.

 

Não posso responder sozinha pela reitoria. Me comprometo com vocês a conversar com o reitor, levar isso pra administração. E enquanto reitora em exercício, garanto que podem me procurar, porque a gente só resolve as coisas com diálogo. Sou altamente sensível a tudo que aconteceu. Às vezes não depende só da administração, mas entendam que, o que tiver ao alcance da administração, vamos fazer. E vamos fazer o mais rápido possível. Estamos abertos pra ouvir vocês, nós somos a universidade", declarou.

 

 
Reitora em exercício da UFPI, Regilda Moreira, recebe reivindicações de estudantes — Foto: Pedro Melo

Reitora em exercício da UFPI, Regilda Moreira, recebe reivindicações de estudantes — Foto Pedro Melo

 

A ocupação aconteceu durante segundo dia de vigília e após assembleia entre os estudantes. Os alunos retornaram ao local às 7h da manhã desta terça-feira (31).

 

Vigília continua e alunos denunciam assédios

 

No encontro, representantes de movimentos sociais pela vida das mulheres e do movimento negro denunciaram casos de assédio ocorridos dentro da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e afirmaram que nenhuma das denúncias teve a devida atenção.

Durante vigília, amigos e estudantes da UFPI fazem homenagens para Janaína

Durante vigília, amigos e estudantes da UFPI fazem homenagens para Janaína

 

Há previsão de uma roda de conversas com um professor do futuro curso de psicologia do campus Teresina com alunos, funcionários e quem mais tiver interesse em participar. O momento deve acontecer nesta quarta-feira (01), às 16h.

Homenagens à Janaína Bezerra na UFPI.  — Foto: Andrê Nascimento / g1

Homenagens à Janaína Bezerra na UFPI. — Foto Andrê Nascimento / g1

 

A cultura do machismo e do estupro, e o estopim no caso de Janaína, bem como a perpetuação dessas práticas dentro da universidade e a falta do combate à esses atos criminosos foram também pauta na assembleia.

Em relato emocionante, a estudante do curso de História, Maria Clara, afirmou que o caso de Janaína foi um "ápice anunciado".

 

Não temos voz aqui dentro. Mesmo com todo o esforço que fazemos, somos assediadas. Não falamos com medo de reprovar. Mas eu sei que as únicas pessoas que podem mudar isso somos nós. Não deixem que a morte da Janaína seja esquecida”, disse.

 

 

Ela denunciou ainda já ter sido vítima de assédio dentro da sala de aula. “Um professor já me assediou e nada aconteceu. Temos medo. Porque quem coloca a ‘cara no mundo’ aqui dentro, corre o risco de ser expulsa e perseguida. Até alunos já foram denunciados como assediadores e estão impunes”, afirmou.

Membro do Centro Acadêmico de Jornalismo, Guilherme Cronenberg (à direita), fala sobre o caso.  — Foto: Andrê Nascimento / g1

Membro do Centro Acadêmico de Jornalismo, Guilherme Cronenberg (à direita), fala sobre o caso. — Foto: Andrê Nascimento / g1

 

O membro do Centro Acadêmico do curso de Jornalismo, Guilherme Cronemberg, comentou que poucas aulas estão acontecendo no curso, a depender dos professores.

“Ainda não há clima para estudar hoje. No Centro Acadêmico os estudantes colocaram flores e velas em homenagem a Janaína”, disse.

Segundo Guilherme, houve a ideia de deixar homenagens na porta da sala onde Janaína foi assassinada, mas que acabaram não acontecendo.

 

"Ontem até pensamos em começar lá e vir voltando, mas o local e o clima é muito pesado. Achamos melhor ficar aqui mesmo, na reitoria e nas homenagens no Centro Acadêmico", comentou Guilherme.

Estão presentes representantes da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Piauí (Adufpi), do Diretório Central dos Estudantes (DCE), do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal do Piauí (Sintufpi) e do Centro Acadêmico dos cursos de Jornalismo e Matemática, representantes movimentos sociais pela vida das mulheres e do movimento negro.

 

Estupro e morte na UFPI

 

Janaína da Silva Bezerra, 22 anos, foi estuprada e assassinada na madrugada do dia 28 de janeiro, sábado, durante uma festa de calourada ocorrida no espaço do Diretório Central dos Estudantes (DCE), no campus de Teresina, na Universidade Federal do Piauí (UFPI).

Janaína Bezerra foi morta dentro da UFPI — Foto: Reprodução

Janaína Bezerra foi morta dentro da UFPI 

 

O suspeito, Thiago Mayson da Silva Barbosa, 28 anos, está preso. Ele é estudante do mestrado em matemática da instituição e foi encontrado com a jovem desacordada nos braços por seguranças da instituição, que conduziram a vítima e o suspeito ao Hospital da Primavera.

Conforme investigação da polícia, com base em colheita de provas e depoimentos, os dois já se conheciam e se encontraram na festa. O jovem, por usar uma das salas do mestrado para estudos, tinha a chave do local, onde levou a vítima.

Thiago Mayson teve a prisão decretada suspeito de ter matado a estudante de jornalismo na UFPI.  — Foto: Reprodução Rede Social

O assassino Thiago Mayson teve a prisão decretada suspeito de ter matado a estudante de jornalismo na UFPI

 

Ele chegou a relatar à polícia que os dois tiveram sexo consensual, até que a jovem desmaiou em dois momentos. Na segunda vez, ele saiu da sala com a jovem nos braços, segundo ele, para buscar ajuda. Os seguranças informaram, segundo a polícia, que a jovem tinha manchas de sangue nas partes íntimas e já estava sem pulsação.

 

No hospital, a equipe médica relatou que ela já chegou sem vida. O laudo do IML constatou que ela sofreu estupro e morreu em decorrência de ter tido o pescoço quebrado, o que pode ter acontecido por torção ou tentativa de asfixia

 

 
 
31
Jan23

Djalma Marinho homenageado

Talis Andrade
 
 
 
PENSE! 'Politicando Na Cidade' Deste Sábado Homenageia Djalma Marinho ⋆  Pense! Numa Notícia
 
 
 

A Câmara dos Deputados homenageou o centenário do ex-deputado federal Djalma Marinho. A presidente da OAB/DF, Estefânia Viveiros, participou da sessão solene dedicada ao ex-parlamentar do Rio Grande do Norte.

“Acima de tudo, Djalma Marinho é um exemplo nacional pela sua luta por um Congresso independente, mesmo em tempos de regime militar”, disse Estefânia.

Durante a sessão, foi lançado um livro sobre a vida de Marinho: O Homem que Pintava Cavalos Azuis, de Diógenes da Cunha Lima.

 
Livro: O Homem Que Pintava Cavalos Azuis - Diógenes da Cunha Lima | Estante  Virtual
 
 
 

A solenidade foi solicitada pelo deputado Rogério Marinho (PSB/RN), neto do homenageado. Também participaram do evento os senadores do Rio Grande do Norte, Garibaldi Alves (PMDB), José Agripino Maia (DEM) e Rosalba Ciarlini (DEM).

Garibaldi celebra centenário de Djalma Marinho e defende independência do  Parlamento — Senado Notícias
 
 
 

Honra

Djalma Aranha Marinho nasceu em 30 de junho de 1908, em Nova Cruz (RN). Foi eleito deputado federal por sete mandatos, presidente por quatro vezes e vice-presidente por mais três vezes da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara – que acabou recebendo o nome do potiguar.

Marinho se notabilizou, principalmente, ao renunciar a presidência da comissão por não concordar com uma determinação do governo militar. Em dezembro de 1968, sob as normas do Ato Institucional nº.5 – que cerceou o direito de livre expressão –, o governo solicitou que o deputado e jornalista Márcio Moreira Alves fosse processado no Supremo Tribunal Federal. O então presidente da CCJ, Djalma Marinho, negou-se a cumprir a ordem, renunciou ao cargo e proferiu um discurso, considerado um dos mais importantes da história do Parlamento. Inspirado no dramaturgo espanhol Calderon de La Barca, marcou a Casa com a célebre frase: “Ao rei tudo, menos a honra”. Djalma Marinho faleceu em 25 de dezembro de 1981. [Publicado OAB Distrito Federal, 8 de Julho de 2008] 

 
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29
Jan23

Por que Carlos Bolsonaro não prestou depoimento no inquérito sobre o evento de Juiz de Fora?

Talis Andrade
www.brasil247.com - Carlos Bolsonaro esteve em clube de tiro nos mesmos dias que Adélio
Carlos Bolsonaro esteve em clube de tiro nos mesmos dias que Adélio

 

Os dois estiveram próximos duas vezes. Em Florianópolis, quando Adélio fez curso de tiro. E em Juiz de Fora, quando Carlos se tranca no carro ao ver Adélio

 

por Joaquim de Carvalho

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Uma das lacunas da investigação sobre a facada ou suposta facada em Juiz de Fora é a presença de Carlos Bolsonaro em Florianópolis no mesmo dia em que Adélio Bispo de Oliveira fazia o curso de tiro no .38, em 5 de julho de 2018.

O inquérito não faz referência se Carlos frequentou o .38 naquele dia, mas sua ida à cidade tinha o objetivo de ir ao local, de que era associado fazia três anos e ao qual prestou homenagem, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, conforme mostra o diploma afixado na parede da recepção.

Quando fiz o documentário "Bolsonaro e Adélio - Uma fakeada no coração do Brasil", perguntei ao .38 se Carlos Bolsonaro esteve no local naquele dia e se havia imagens das câmeras de segurança. Um relações públicas do clube me atendeu, pediu que formalizasse a solicitação por e-mail, o que fiz e não recebi resposta.

Dois representantes do .38 prestaram depoimento no inquérito, o instrutor de tiro e um proprietário, mas não foram questionados sobre a presença de Carlos Bolsonaro. Um deles disse que, nesse dia, Adélio, à certa altura, ficou sentado na poltrona, mexia no celular e olhava sempre para a porta de entrada.

Adélio estava fazendo o curso, pelo qual receberia certificado, e pelas aulas recebidas teria pago três vezes o valor do aluguel do quarto onde vivia. Adélio não tinha arma. Em 7 de setembro, um dia depois do evento em Juiz de Fora, o Jornal Nacional publicou reportagem com entrevista da porta-voz do clube.

“Ele chegou aqui, fez um cadastro, foi acompanhado, após fazer um cadastro e dar a identidade dele, como todo e qualquer cidadão que vem aqui, por um instrutor para a prática de tiro. Esse instrutor fica junto no momento em que a arma é escolhida. Fica junto a todo instante”, disse Júlia Zanata, que, mais tarde, seria nomeada por Jair Bolsonaro para um cargo regional da Embratur em Santa Catarina.

Nas redes sociais, Júlia Zanata se destacou como militante bolsonarista e recorreu à Justiça para tentar tirar o documentário do YouTube, mas não conseguiu. A censura viria por iniciativa do próprio YouTube, alguns meses antes da eleição no ano passado.

O delegado da Polícia Federal Rodrigo Morais, que investigou o caso, disse a membros de sua equipe que havia dificuldade para investigar o entorno de Bolsonaro, mas, em junho de 2021, quando apurávamos o evento de Juiz de Fora, considerava a hipótese do auto atentado "plausível".

Na época, o Tribunal Regional Federal da 1a. Região analisava a possibilidade de reabertura do inquérito para, em princípio, analisar o celular e o computador apreendido no escritório de Zanone Júnior, que foi o advogado de Adélio.

Ele dizia que, se o caso fosse reaberto, avançaria na investigação, não apenas analisar os arquivos de Zanone. O delegado cogitava pedir autorização do Supremo Tribunal Federal para uma perícia médica em Bolsonaro.

"Ninguém é obrigado a produzir prova contra si, mas eu pediria, para saber se o que provocou o ferimento", disse a dois agentes da Polícia Federal. 

Quando o caso foi reaberto, Rodrigo Morais acabou promovido para um cargo nos Estados Unidos, e quem assumiu a investigação foi o delegado Martin Bottaro Purper, que tinha investigado a facção criminosa PCC.

Algumas semanas depois, o jornal Metrópoles publicou reportagem sobre a linha de investigação: Purper estaria buscando verificar se havia ligação de Adélio com a facção criminosa.

Nunca mais a Polícia Federal tocou no assunto publicamente, mas a notícia gerou barulho na internet. A militância bolsonarista tentava ligar Adélio ao PCC e o PCC a Lula. Puro delírio, mas em época de campanha o barulho poderia ter efeito junto aos eleitores.

Carlos Bolsonaro é chave para eliminar as lacunas do inquérito sobre o evento de Juiz de Fora. Um vídeo publicado no documentário "Bolsonaro e Adélio - Uma fakeada no coração do Brasil" mostra que Adélio tenta se aproximar de Carlos na tarde de 6 de setembro de 2018, logo após a chegada de Bolsonaro ao Parque Halfeld, início da caminhada pelo calçadão.

Ao vê-lo, Carlos Bolsonaro entrou no carro e se trancou. Em entrevista a Leda Nagle, Carlos falou sobre essa aproximação, que ele não poderia negar, já que as imagens tinham se tornado públicas.

"Tem um determinado momento da gravação do meu pai em Juiz de Fora em que eu saio do carro e o Adélio vem na minha direção, e eu, por um acaso, volto no carro e, quando eu entro no carro novamente, ele recua porque viu que não conseguiria chegar até mim. Tem essa gravação. É público, todo mundo consegue ver. Então, eu voltei para o carro e dez minutos depois aconteceu o que aconteceu", afirmou.

Se, ao se trancar no carro, desconfiou do homem que usava jaqueta preta apesar do calor na cidade, deveria ter alertado os seguranças.

Sobre a presença em Florianópolis no mesmo dia em que Adélio fazia o curso, contou que, naquele dia, não esteve no clube de tiro.

"Esse cidadão chamado Adélio esteve no clube de tiro .38 no mesmo dia em que eu estava em Florianópolis. Por um acaso, naquele dia, eu não fui ao clube de tiro. (...) Aloprei com um amigo meu que temos mais ou menos a mesma personalidade. 'Não vou praí, vou pro hotel e dane-se. Não fui'", disse, na mesma entrevista a Leda Nagle.

Se o clube de tiro tivesse atendido à minha solicitação para ver imagens daquele dia, seria eliminada a dúvida sobre o que diz Carlos Bolsonaro: se não esteve mesmo no clube de tiro naquele dia.

Se a Polícia Federal tivesse examinado o deslocamento de Carlos Bolsonaro a partir de seu celular, também se saberia por onde andou em Florianópolis. 

Mas, como não investigava a hipótese de auto atentado, o delegado Morais não requisitou as imagens do clube nem examinou o celular de Carlos Bolsonaro.

A Leda Nagle, Carlos Bolsonaro sugere que poderia ser alvo de Adélio, o que não faz sentido. Examinando a rede social dele, é possível verificar que Adélio só começou a atacar Bolsonaro alguns dias depois do curso no .38.

Entrou na própria página de Jair Bolsonaro no Facebook e o ameaçou. Foi a partir daí que também passou a criticar as propostas de Bolsonaro, e reproduziu entrevista antiga, em que Bolsonaro defende guerra civil no Brasil, com a morte de 30 mil pessoas.

São postagens muito diferentes daquelas que vinha fazendo antes de realizar o curso de tiro, em que defende um projeto de lei apresentado por alguns deputados, entre eles Bolsonaro, para a redução da maioridade penal.

Também era favorável ao serviço de militares em projetos de lazer e educação para jovens. Atacou o projeto de lei que criminaliza a homofobia, apoiado por Jean Wyllys, então deputado pelo PSOL, que os bolsonaristas tentariam ligar a ele.

Esse comportamento, sobretudo as contradições, devem ser investigadas, se o que se busca, no caso de Juiz de Fora, é a verdade factual.

 

 

29
Jan23

A nossa Noite dos Cristais e um Tribunal de Nuremberg

Talis Andrade
Depredação em Brasília no dia 8 de janeiro. AGU apresenta valores dos danos.  Foto: Valter Campanato/AGBr

 

É imperativo levar aos tribunais todos os que atentaram por ações ou omissões contra a nossa incipiente democracia

 

29
Jan23

Acampamento golpista no quartel general no DF teve 73 crimes em dois meses

Talis Andrade

 

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De acordo com o documento, ocorreram furtos, lesões corporais, danos e até atos obscenos no acampamento no entorno do Quartel General do Exército (AP Photo/Bruna Prado)

por Paolla Serra

Desde a instalação até a desmobilização do acampamento montado em frente ao Quartel-General do Exército em Brasília, foram registrados 73 crimes na região. A informação consta no relatório de intervenção sobre os atos antidemocráticos apresentado por Ricardo Capelli ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, nesta sexta-feira. O documento mostra que, entre 10 de novembro de 2022 e 9 de janeiro de 2033, ocorreram furtos, lesões corporais, danos e até atos obscenos na região.

De acordo com o relatório, neste período, foram 19 furtos, 20 crimes contra a honra, 13 por lesão corporal e vias de fato, 11 por dano, um por ato obsceno, além de outros não especificados.

O relatório apresentado aponta as provas de que houve "falha operacional" na atuação das forças policiais no dia 8 de janeiro. Segundo Ricardo Capelli, o documento também revela a ação "programada" de "profissionais treinados" na invasão às sedes dos Três Poderes da República em 8 de janeiro.

O relatório, que tem mais de 60 páginas, 17 anexos e um arquivo com imagens das câmeras de segurança do entorno da Esplanada dos Ministérios e da Praça dos Três Poderes, foi divulgado pelo Ministério da Justiça. O documento aponta que houve alerta de inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, relatando ponteciais riscos de invasão de prédios públicos pelos manifestantes golpistas. Os relatórios, no entanto, não ensejaram um "desdobramento adequado" das forças de segurança, segundo o inteventor.

O documento elenca ainda comunicações feitas pelos comandantes da Polícia Militar do DF nos dias 6, 7 e 8 de janeiro. O interventor afirma que protocolos não foram respeitados. Um desses exemplos seria que nenhuma "ordem de serviço" convocando um reforço no efetivo previsto para a data foi expedida. No dia dos atentados, os policiais estavam de sobreaviso e não de prontidão nos batalhões — no primeiro caso, eles ficam em casa e só começam a trabalhar caso sejam acionados.

29
Jan23

Uma condenação da tortura e morte na ditadura

Talis Andrade
Monumento Tortura Nunca Mais, no Recife

 

 

Condenação de delegados algozes da ditadura militar é saudada por Urariano Mota com um trecho de seu romance “A mais longa duração da juventude”

 

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