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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

19
Fev19

Bolsonaro comprará o silêncio de Bebianno?

Talis Andrade
 
 
por Altamiro Borges
 
Como diria o ex-juiz Sergio Moro, atual superministro do governo em chamas: ainda não há provas, mas cresce a convicção de que Gustavo Bebianno venderá muito caro o seu silêncio sobre as sujeiras da campanha que resultaram na vitória da extrema-direita nas eleições do ano passado. Na tarde deste domingo (17), o provável defecado da Secretaria-Geral da Presidência já havia abrandado sua bronca contra o "desleal", "fraco" e "louco" Jair Bolsonaro – segundo desabafos vazados pela imprensa. Em entrevista a Danilo Martins, da TV Globo, ele afirmou no maior cinismo que "agora é hora de esfriar a cabeça" – isto após ter colocado fogo no bordel, que reúne o que há de pior na política nativa, como milicos ressentidos, abutres rentistas, corruptos velhacos, fanáticos religiosos e fascistas malucos.
 
Ainda segundo a reportagem, Gustavo Bebianno "foi abordado por jornalistas no hotel onde mora, em Brasília, quando saía para o almoço. Ele deu a declaração diante de perguntas sobre se falaria a respeito de sua eventual demissão do cargo. 'Agora é hora de esfriar a cabeça', afirmou o ministro. Bebianno viveu uma semana de crise dentro do governo, após denúncias de candidaturas 'laranjas' no PSL e um episódio de atrito entre ele e o filho do presidente, Carlos Bolsonaro. Integrantes do governo dão como certo que o presidente vai exonerar o ministro. Aos jornalistas que o aguardavam no hotel, ele disse que, por ora, não vai se pronunciar sobre o caso. 'Daqui a alguns dias', afirmou".
 
A aparente calma de Gustavo Bebianno não combina com as notícias que circularam durante todo o domingo – tendo como centro de irradiação o próprio Grupo Globo. A primeira bomba foi disparada pelo Blog de Lauro Jardim, que postou que o defecado revelou a amigos que estava "perplexo" com o tratamento recebido e que se arrependera de ter comandado a campanha do capitão. "Preciso pedir desculpas ao Brasil por ter viabilizado a candidatura de Bolsonaro", desabafou. Ele ainda relativizou o papel do vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, na crise. "O problema não é o pimpolho. O Jair é o problema. Ele usa o Carlos como instrumento. É assustador”, afirmou a um aliado. Ainda segundo o blog hospedado no jornal O Globo, ele disse ao mesmo interlocutor: “Perdi a confiança no Jair. Tenho vergonha de ter acreditado nele. É uma pessoa louca, um perigo para o Brasil”.
 
Na sequência, o Blog do Camarotti, hospedado no G1, revelou que Gustavo Bebianno “demonstrou profundo arrependimento em ter trabalhado ativamente pela eleição do presidente Jair Bolsonaro... 'Preciso pedir desculpas ao Brasil por ter viabilizado a candidatura de Bolsonaro. Nunca imaginei que ele seria um presidente tão fraco', disse para um aliado, numa referência à influência dos filhos do presidente nos rumos do governo, especialmente do vereador Carlos Bolsonaro. Nessas mesmas conversas, Bebianno demonstra preocupação com o efeito desse protagonismo familiar nas decisões do país. E reconhece que o governo Bolsonaro precisa descer do palanque para administrar o Executivo", relata Gerson Camarotti, que também é comentarista da GloboNews.
 
Após o impacto das postagens dos jornalistas globais, Gustavo Bebianno se apressou em desmentir os vazamentos dos bombásticos desabafos e veio com a conversa de que "é preciso esfriar a cabeça". O aparente recuo fez crescer a suspeita de que há algo de podre sendo negociado nos porões do Palácio do Planalto. Quando surgiram as denúncias do desvio de grana para candidatos do PSL – já batizado de Partido Só de Laranjas –, circulou a conversa de que Gustavo Bebianno, presidente da legenda na campanha eleitoral, ganharia um cargo numa empresa estatal para ficar quieto. 
 
Um carguinho numa estatal?
 
Matéria publicada no Estadão no sábado até problematizou sobre a possível negociata, alertando que "o ministro da Secretaria-Geral da Presidência não pode assumir cargo de direção em estatais do governo. A possibilidade foi aventada depois que o presidente Jair Bolsonaro ofereceu a ele um cargo na máquina federal fora do Palácio do Planalto, como compensação à sua saída do primeiro escalão do governo... O artigo 17 da Lei 13.303/2016 impôs critérios claros para a escolha de pessoas para cargos de diretoria, presidência e membros de Conselho de Administração de estatais, e o atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência não cumpre essas regras".
 
"Os indicados para as estatais, segundo a lei, não podem ter atuado, nos últimos 36 meses, 'como participante de estrutura decisória de partido político ou em trabalho vinculado a organização, estruturação e realização de campanha eleitoral". A lei também impede a indicação de "ministro de Estado' e de 'dirigente estatutário de partido político'. É o caso de Bebianno, que, além de ministro, foi presidente do PSL, partido político do presidente Jair Bolsonaro, entre março e outubro de 2018". O alerta do Estadão não serve muito para os milicianos e laranjas do atual governo. Sabe-se lá o que rolou – ou está rolando – no bordel em chamas de Brasília.
19
Fev19

Bolsonaro usou o filho Carlos, aos 17 anos, contra a mãe na Câmara dos Vereadores do Rio

Talis Andrade

Fala-tudo-Bebiano.jpg

 

 

Bebianno descobriu o óbvio tarde demais

 
por Kiko Nogueira
 
Gustavo Bebianno falou o óbvio ululante quando apontou o dedo para o pai na crise que culminou em sua exoneração.

“O problema não é o pimpolho. O Jair é o problema. Ele usa o Carlos como instrumento. É assustador”, disse, segundo Lauro Jardim no Globo.

“Perdi a confiança no Jair. Tenho vergonha de ter acreditado nele. É uma pessoa louca, um perigo para o Brasil.”

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Carlos é produto de Jair, com quem tem uma relação obsessiva. O rosto do genitor está tatuado em seu braço direito.
Bastaria um cala boca do velho.

Ele é usado por Jair não é de hoje.

Vinicius Segalla contou no DCM um episódio revelador dessa relação. Reproduzo alguns trechos:

No ano 2000, Rogéria Nantes Braga Bolsonaro era vereadora do Rio de Janeiro pelo PMDB. Tentava a reeleição para seu terceiro mandato.

Nas duas eleições anteriores, fora pelo nome e fama do seu então marido, ex-capitão, ex-vereador e então deputado federal, então pelo PPB, Jair Bolsonaro, que se elegera.

Em 1997, o casal se separou. Os reais motivos da separação, só Rogéria e Bolsonaro podem saber. 

“Eu a elegi. Ela tinha que seguir minhas ideias. Acho que sempre fui muito paciente, mas ela não soube respeitar o poder e a liberdade que lhe dei”, declarou Bolsonaro à Istoé Gente.

Então, na eleição municipal de 2000, quando a dita dona de casa tentava se eleger vereadora pela terceira vez, Rogéria deixou de contar com o apoio de Jair Bolsonaro.

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Naquele ano, o ex-capitão lançou outro candidato à Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Seu nome: Carlos Bolsonaro, um adolescente de 17 anos.

Para que pudesse se candidatar, de acordo com a lei, era preciso que fosse emancipado. Bolsonaro emancipou o “garoto” para jogá-lo contra a mãe.
O rapaz se elegeu e o resto é história. Ele deve tudo a Jair. Vida, carreira e, como sabia Freud, herança psíquica.

bolsonaro carlos.jpg

 



O resultado estamos vendo hoje, ao vivo nas redes sociais, com um país refém de uma família disfuncional.
 
18
Fev19

LAVA JATO CÚMPLICE DAS FALCATRUAS DE PAULO GUEDES E DO PRESIDENTE DA PETROS!

Talis Andrade

justiça lava jato.jpeg

 

por Emanuel Cancella

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Cadê a Lava Jato que não prende o presidente da Petros, Daniel Lima, que não cumpre decisão judicial?
 
A Lava Jato, só por simples suspeita de superfaturamento na sede da Petrobrás na Bahia, prendeu 8 de prisão preventiva e 14 por prisão temporária (1).
 
E, de forma estranha, a Lava Jato não manda prender o presidente da Petros, Daniel Lima, reincidente em descumprimento de decisão judicial.
 
Primeiro a juíza suspendeu os descontos e mandou devolver o que já tinha sido descontado, dando 10 dias para cumprimento dessa decisão. A Petros se lixou para a determinação judicial.
 
Depois, na terça-feira (5), reiterando a decisão anterior, a juíza Luciana de Ol­iveira Leal Halbritter, da 6ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, determinou seu cumprimento, no prazo de 24 horas, a partir da visita de intimação do Oficial de Justiça Avaliador (OJA) (2). E até hoje a Petros não cumpriu.
 
O mesmo presidente da Petros, fora da lei, não fez auditoria do rombo pedido pelos representantes dos trabalhadores na Petros. Fez uma auditoria de conformidade, mas do rombo que eles dizem ser de R$ 27 BI  não fizeram.
 
E pior, ameaçam com novos descontos por conta de possíveis futuros rombos. Os petroleiros ativos e aposentados já estão pagando 13% de seus salários por 18 anos.
 
Paulo Guedes, ministro da economia de Bolsonaro, deu rombo de R$ 1 BI nos fundos de pensão das estatais, entre eles o da Petros. Guedes, que deu o rombo na Petros, não vai preso, nada paga, e os petroleiros, ativos e aposentados  estão pagando pelo rombo que não fizeram(3).

O presidente da Petros Daniel Lima reincidente no descumprimento de decisão judicial mantem os descontos que a juíza mandou suspender e não devolve o que foi descontado.

paulo guedes boy chicago.gif

 

Conclusão a lei não é para todos!

 

Fonte:

1http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2018-11/lava-jato-apura-desvios-na-construcao-da-sede-da-petrobras-na-bahia

2https://www.sindipetro.org.br/liminar-petros-justica-ordena-suspensao-imediata-do-ped/

3https://www.cartacapital.com.br/politica/mentor-economico-de-bolsonaro-e-investigado-por-fraude-em-fundos-de-pensao/

 

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18
Fev19

BOLSONARO: A FALTA DE COMPOSTURA PRESIDENCIAL

Talis Andrade

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por Helio Fernandes

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A explosão trazida da Internet por um dos filhos, assustou e estarreceu, não apenas a opinião publica. Preocupou e movimentou toda a comunidade política. E articulou os 7 ou 8 generais que militarizaram o governo ou desgoverno. Qualquer analise ou comentário a respeito de Bolsonaro, leva á conclusão. Ele não tem o mínimo de condições para exercer a presidência da Republica.

A crise provocada pela cumplicidade ou subserviência com os filhos irresponsáveis, levou á pergunta irrespondível: que governo é esse? E o ministro Bebiano, Secretario da Presidência que pretendem demitir, (o numero 2 da hierarquia civil do Planalto) ganha apoios gerais, políticos e militares. Todos se movimentam, se reúnem, "pedem paz e tranquidade, em nome da governabilidade".

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Rodrigo Maia, prestigiadíssimo, coordenador principal das reformas, sem hostilidade mas conhecimento de causa, adverte: "Esse conflito pode atingir a tramitação das reformas". Enorme repercussão, até agora sem modificação.

Uma foto de Bolsonaro no Alvorada, 24 horas depois de deixar o hospital, com ministros, e como sempre mostrada logo nas redes, revela que a falta de compostura presidencial é alarmante e sem preocupação até no vestir e se apresentar. De chinelo, calça jeans amarrotada, camisa desabotoada e desamarrada.

Sabia que estava posando para milhões. Em toda a História da Republica, nenhum presidente se apresentou dessa maneira.

 

O FILME SOBRE MARIGUELA APLAUDIDO DE PÈ EM BERLIM

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Mais um sucesso de Wagner Moura como diretor. A vida, e a morte dele precisavam e mereciam um diretor como Wagner. Ele foi um dos 12 eleitos para a primeira constituinte direta, em 1945. Pela legenda do Partido Comunista Brasileiro, (o famoso "partidão") que tinha ainda 1 senador, o lendário Luiz Carlos Prestes.

Sobral Pinto, advogado de Prestes, depois, grande e incondicional amigo, avisou que o registro do PCB iria ser cassado, o que aconteceu.

E todos mergulharam na clandestinidade. Alguns, como Prestes, foram viver no exterior. Marighela se recusou a sair do Brasil, fez notável carreira de combatente, atingindo o ponto mais alto, na guerrilha do Araguaia.

Em plena ditadura, eram 60 contra 60 mil. Foram chamados para conversar uma trégua. Alguns, como Marighela, acreditaram, compareceram, foram cruel e covardemente assassinados.

Não tenho noticias sobre quando o filme será exibido no Brasil.

 

HOMOFOBIA

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Desde quarta-feira, o STF vem discutindo a criminalização dessa violência. Mas pela falta de limite para a duração de cada voto, algumas aulas, mas nenhuma conclusão. Há anos defendo que o Regimento interno do STF está arcaico e ultrapassado. Deviam fazer como na Suprema Corte dos EUA, cada voto tem que ter no máximo 25 minutos.

Aqui poderiam fazer uma adaptação. O ministro votaria em 25 minutos, o resto, sem limite, seria lido na Internet. Aliás, quando um ministro está votando, os outros 10, têm na sua frente o voto completo. Na quinta feira,o ultimo a votar foi Celso de Mello.Como sempre magistral, violentíssimo contra a homofobia. Mas não será seguido por todos.

Ainda teve tempo de criticar duramente a esdrúxula ministra Dalmares, que se notabilizou com a afirmação impensada, "meninos vestem azul, meninas vestem rosa". 24 horas depois de criticada pelo decano, numa entrevista, afirmou de forma ultrajante: "Meninas não podem ser criadas no Brasil, o país mais violento para elas. Os pais deveriam levá-las para o exterior".

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O ministro da Educação, estrangeiro naturalizado, rivaliza com a Dalmares, em matéria de barbaridades. Sua afirmação de agora, na Televisão: "o brasileiro é CANIBAL". Revoltada e representando o sentimento da comunidade, a ministra Rosa Weber, interpelou-o oficialmente. Agora ele tem prazo para explicar porque considera o brasileiro CANIBAL. Ainda bem.


55 ANOS DOS GENERAIS TORTURADORES DE 64, 55 ANOS DA DEMOCRÁTICA BANDA DE IPANEMA

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As ditaduras acabam, execradas para sempre. Apesar da amaldiçoada "anistia, ampla, geral e irrestrita". A Banda de Ipanema, exaltada e admirada, cada vez mais. Inspirada e com participação do primeiro time de intelectuais, atingiu e confraternizou com a comunidade.

Aquilo que o extraordinário JE de Macedo Soares, identificou como, "a patuleia vil e ignara das ruas, o povo".

As estrelas do Pasquim, descansavam do combate, deixavam a trincheira para desfilar.

55 anos eternos. Todo ano, perto do carnaval homenageiam alguém, geralmente ligado á musica. Neste 2019 o escolhido foi o cantor e compositor, Paulinho da Viola. Mais acertado, impossível. E ontem, ele, emocionado, "é a maior homenagem da minha vida".

 

 

 

17
Fev19

Estava em dúvida: se eu não demito o Bebianno, deixo de ser mito?

Talis Andrade

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"Faz o seguinte, presida: diz que o Moro vai investigar e você vai esperar o resultado", disse o Bebbi. "Mas e se o Moro descobrir alguma coisa?", eu perguntei. E a gente explodiu em gargalhada e se abraçou
 
por José Roberto Torero
In Diário do Bolso
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Diário, que dia feliz!

Eu estava na dúvida sobre o que fazer com o Bebianno. Demito ou não demito? Se eu não demito, deixo de ser mito? Ou eu minto e digo que não demito e depois demito?

Mas agora há pouco a gente se encontrou e a conversa foi assim:

– E aí, Presida! Estava elegante naquela foto, hein? Só você para combinar papete, blaiser, calça de abrigo e camisa do Palmeiras.

– Boa tarde, Gustavo.

– Gustavo? Que frescura é essa? Você só me chama de Bebbi, lembra?

– Chamava, Gustavo. Chamava. Você tinha que ter se demitido. Hoje em dia você é um leproso morfético. E a coisa não pode respingar em mim.

– Suco de laranja não mancha, kkkkk!

– Não tem graça, Gustavo. Com que moral que eu vou ficar se não punir alguém?

– Mas Presida, por que eu? O Marcelo Álvaro, do Turismo, fez a mesma coisa e nada. O Bivar contratou a empresa do filho por 250 mil e nada! O Onyx só pediu desculpa e nada. O Moro recebeu o pessoal da Taurus e nada. Só eu que vou ficar de Judas?

– Alguém tem que ser o... A gente fala boi expiatório ou bode de piranha? Tanto faz. Alguém tem que pagar pra não dar a impressão de impunidade.

– Presida, não se dá um tiro na nuca do seu próprio soldado.

– Às vezes dá, para manter o respeito.

– Eu vou cair atirando.

– Se o assunto é milícia, vai falar com o Flávio.

– Eu quis dizer que vou abrir o bico. Sei de tudo. Até a cor da sua cueca.

– Mas, mas... O que que eu posso fazer, Bebbi?

– Deixa o tempo passar. O pessoal esquece das coisas. Por exemplo, ninguém fala o que está acontecendo com a lama de Brumadinho. Ela ainda está avançando, mas o pessoal já esqueceu.

– Pô, eu sou homem de palavra. Já prometi sua cabeça.

– Que palavra o quê? Em 2017 você disse que se aposentar aos 65 anos era uma falta de humanidade e agora fala que está tudo bem.

– Não sei, Bebbi, não sei...

– Faz o seguinte: diz que o Moro vai investigar e que você vai esperar o resultado da investigação. É simples, Presida!

– Mas e se o Moro descobrir alguma coisa? – eu perguntei.

Ele ficou uns segundos em silêncio até entender a piada. Aí explodiu numa gargalhada e a gente se abraçou.

Como é linda a amizade, Diário!

Leia todos os textos do Diário do Bolso

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16
Fev19

MORTE DE UM JOVEM NEGRO GERA MENOS REVOLTA QUE A DE UM CACHORRO

Talis Andrade

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247 - A chefe de cozinha e apresentadora de TV Paola Carosella usou sua conta no Twitter para questionar a indignação seletiva da sociedade quando se trata da morte de jovens negros e periféricos. Pedro Gonzaga, de 19 anos, foi assassinado na madrugada desta sexta-feira (15), no supermercado Extra, após ser atingido por um golpe de mata-leão por um segurança do local.

"A morte de um jovem negro em mãos de um segurança gera infinitamente menos indignação revolta e raiva que a morte de um cachorro em mãos de um segurança.... #acarnemAisbaratadomercado", disse Carosella, referindo-se ao cachorro que foi morto por um segurança no supermercado Carrefour, no mês de dezembro, e que desencadeou uma onda de comoção nacional.

 
Paola Carosella ⚡️@PaolaCarosella
 

A morte de um jovem negro em mãos de um segurança gera infinitamente menos indignação revolta e raiva que a morte de um cachorro em mãos de um segurança.... ..........

 
 

Além de Carosella, outras figuras públicas também condenaram o assassinato do jovem. A deputada federal Érika Kokay classificou como covarde o ato: "Exigimos apuração e punição do ato de covardia contra jovem de 19 anos no hipermercado Extra, na Barra da Tijuca-RJ. O jovem foi assassinado após ser imobilizado em um "mata-leão". As imagens que circulam pela internet são chocantes. Vidas negras importam!".

 
Erika Kokay@erikakokay
 

Exigimos apuração e punição do ato de covardia contra jovem de 19 anos no hipermercado Extra, na Barra da Tijuca-RJ. O jovem foi ASSASSINADO após ser imobilizado em um "mata-leão". As imagens que circulam pela internet são chocantes. Vidas negras importam!

 

A atriz Leandra Leal também deixou claro em sua postagem que a morte do jovem não foi um acidente: "Legítima defesa? Durante todo o vídeo o jovem está imobilizado, outras pessoas pedem para o segurança parar, alertam que ele está ficando roxo... que conduta é essa permitida pelo hipermercado Extra?", questionou Leandra, referindo-se ao fato do segurança ter alegado legítima defesa ao assassinar o jovem.

 
Leandra Leal@leandraleal
 

Legítima defesa? Durante todo o vídeo o jovem está imobilizado, outras pessoas pedem para o segurança parar, alertam que ele está ficando roxo... que conduta é essa permitida pelo hipermercado ???

UOL Notícias@UOLNoticias
 

Segurança que deu "gravata" que matou jovem alega legítima defesa e é solto https://uol.page.link/t3yo 

 
 

O coordenador do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, também expôs o absurdo da situação. "Cena indignante, prova de que o "guarda da esquina" está solto. O mercado Extra e o segurança têm que ser imediatamente responsabilizados por esse homicídio. Basta de indignação seletiva!", disse. 

Guilherme Boulos@GuilhermeBoulos
 

Cena indignante, prova de que o "guarda da esquina" está solto. O mercado Extra e o segurança têm que ser imediatamente responsabilizados por esse homicídio. Basta de indignação seletiva!https://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-morte-de-um-cachorro-no-carrefour-gerou-mais-indignacao-que-a-do-jovem-negro-estrangulado-no-supermercado/ 

 

A morte de um cachorro no Carrefour gerou mais indignação que a do jovem negro estrangulado no...

A cena é dantesca.  Um jovem morreu após ser estrangulado por um segurança do hipermercado Extra na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, na tarde de quinta-feira, dia 14. A alegação é a de que Pedro...

diariodocentrodomundo.com.br
 
 
 

 

16
Fev19

LAVA JATO Sabe quantas pessoas da Odebrecht estão presas hoje na operação implacável "lei é para todos"? Só o Marcelo Odebrecht, em prisão domiciliar. Na cadeia, ninguém

Talis Andrade

Alberto Youssef, chefe da máfia libanesa e financiador do tráfico internacional de cocaína, foi inocentado por Sergio Moro 

 

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Foto de Alberto Youssef, detido por participar do bilionário tráfico de moedas do Banco do Estado do Paraná - BanEstado. Fechou o banco, e foi inocentado por Sérgio Moro. Preso no Maranhão, Youssef pediu para ir para o Paraná. Assim deu início a Lava Jato. Youssef foi condenado por diferentes juízes - pra lá de um século de cadeia, e sempre terminou solto por Moro, e cada vez mais rico. Começou como pequeno contrabandista pé-rapado, atravessando a fronteira Brasil/Paraguai

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Os fatos que explicam os atos de Sergio Moro

 
Por José Crispiniano, na Rede Brasil Atual:
 
1. Em 2004, Sérgio Moro redige artigo sobre a metodologia da Operação Mãos Limpas da Itália (“Considerações sobre a Operação Mani Pulite”) , falando de delações, vazamentos e destruição de imagem pública. Todas práticas habituais da Lava Jato, 10 anos depois.

2. Em 2005, segundo declaração do atual ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, a Roberto D'Ávila, na Globonews, Moro sugeriu duas mudanças na legislação. Delação premiada e transformação de lavagem de dinheiro em crime autônomo, que não precisa de delito anterior. Foi, segundo Onyx, a diferença entre "chegar ou não no Lula", do mensalão para a Lava Jato.

3. Em 2007, Moro fecha um acordo de delação premiada com o doleiro Alberto Youssef, no caso Banestado.
 
4. Entre 2006 e 2014, dentro de investigações contínuas do caso Banestado, Moro monitorou Youssef com interceptações telefônicas. Inclusive contra a opinião do Ministério Público da época (que não era o Dallagnol). A investigação só para com a detonação da Lava Jato.

5. Em 2009, documento diplomático americano revelado pelos vazamentos do Wikileaks (código: 09BRASILIA1282_a) registra Sérgio Moro participando de uma conferência de uma semana sobre lavagem de dinheiro dentro do “Projeto Pontes”, para aproximar Judiciário, Ministério Público e polícia, americanos e brasileiros. O documento registra que os participantes no seminário (não diz quem) pediram treinamento adicional no “modelo de força-tarefa pró-ativa”. 

6. Em 2012, Moro é assistente de acusação da juíza Rosa Weber no caso do mensalão, o primeiro caso de uso da teoria do domínio do fato (o autor da teoria, o alemão Claus Roxin, disse que ela foi mal usada no processo do mensalão).

É Rosa Weber quem pronuncia a famosa frase "não há provas, mas a literatura me permite" para condenar José Dirceu, como ela mesma disse, sem provas. Há grande possibilidade de essa frase ter sido escrita por Moro no seu voto, porque Weber não é da área do direito penal.

7. Em 2013, em parte como resposta às manifestações de junho, Dilma assina dentro de um pacote de medidas contra a corrupção, a lei de combate às Organizações Criminosas, que permite acordos de delação com praticamente nenhuma supervisão, e com trechos e tipificações criminais extremamente vagas, que permitem aplicação e interpretação amplas.

8. Em 2014, estoura a Lava Jato, com um batida em posto de gasolina e prisão de Alberto Youssef. Todo filme e livro que você viu dizem que foi acaso, mas há o item 4 dessa lista fartamente documentado.

9. De 2014 a 2016 – Estabelecendo casos de conexão em conexão, seguem-se prisões preventivas e delações de ex-diretores da Petrobras, e executivos de diversas empreiteiras. A partir de Alberto Youssef pessoas são presas, em geral com base apenas em delação, confessam crimes e fazem novas delações, que levam a novas prisões e delações, como previsto no artigo de Moro no item 1.As cinco maiores empresas de construção no Brasil são destruídas no processo, a Petrobras perde valor, milhares de empregos são destruídos e os executivos fecham acordos pessoais por redução de tempo de prisão. Só no caso da Odebreht, o maior e mais paradigmático, são cerca de 70 acordos de delação, em que a empresa se responsabilizou a pagar os executivos delatores pelos próximos 15 anos.

As outras consequências são 100 mil empregos destruídos, de pessoas que não cometeram crime nenhum e não receberão prêmio nenhum nem compensação salarial de 15 anos. Em maio de 2017 eram R$ 47 bilhões de dívidas financeiras (só no caso da Odebrecht, as perdas, inclusive dos bancos públicos, são várias vezes maiores do que o valor recuperado em TODA a Lava jato) sendo roladas esperando o pagamento da venda dos ativos lucrativos que restaram do grupo, como concessões rodoviárias e a Braskem.

Em outubro de 2017, as empresas investigadas pela Lava Jato já tinham vendido R$ 100 bilhões em ativos. E para você, que não tem bandido de estimação, que acha que todo esse estrago vale a pena se colocou gente poderosa na cadeia, sabe quantas pessoas da Odebrecht estão presas hoje na operação implacável "lei é para todos"? Só o Marcelo Odebrecht, em prisão domiciliar. Na cadeia, ninguém.

Bem, talvez algum operário dos 100 mil desempregados tenha caído no crime e sido preso também, mas aí não é Lava Jato.

10. Janeiro de 2016. Moro cria uma conexão forçada com um apartamento no Guarujá na fase 'triplo X", supostamente sobre um escritório acusado de ser um centro de lavagem de dinheiro no Panamá, o Mossack & Fonseca, que só serve de ponte para chegar em Lula e depois é esquecido.

11. 2016, 14 de março. Há uma disputa entre promotores de São Paulo e da Justiça Federal do Paraná pelo caso do triplex contra Lula. A juíza de São Paulo passa apenas o caso de Lula e Dona Marisa para Moro. Os demais réus ficam em São Paulo e são posteriormente absolvidos.

12. 2016, 16 de março. Lula é apontado ministro, o que faria seu caso ser investigado pela Procuradoria-Geral da República e julgado no Supremo Tribunal Federal (STF), indo direto para a última instância (a PGR, chefiada por Rodrigo Janot, que investigaria Lula, considerou isso "obstrução de Justiça". Janot considerou a si próprio e redução das instâncias processuais obstrução de Justiça!!!!).

Moro solta gravações da intimidade de Lula, grampeia seus advogados alegando "engano" apesar de ter sido avisado que estava grampeando advogados três vezes pelas companhias telefônicas, e divulga uma gravação ilegal, por qualquer parâmetro, de um telefonema da Presidenta da República.

13. Setembro de 2016. Michel Temer já é presidente e o TRF4 decide por 13 a 1 que Moro não sofrerá qualquer sanção por ter cometido o crime de divulgar uma gravação ilegal da Presidência da República. A Lava Jato seria uma investigação excepcional que não precisaria então seguir as regras da "normalidade".

O relator justifica citando texto do ex-ministro do Supremo Eros Grau que, por sua vez, no trecho está citando um livro de Giorgio Agamben intitulado O Estado de Exceção. No livro, e no trecho, Agambem está estudando o jurista Carl Schmitt e o direito nazista. Ele está explicando como o nazismo aplicava o direito de exceção. Ele não está dizendo para fazer isso, justificando a aplicação. É essa a base teórica que justifica a excepcionalidade da Lava Jato no TRF4. Carl Schmitt.

14. 2017 (julho). Moro condena Lula no caso do triplex. A tese do Ministério Público do que teria sido o crime por trás do triplex (a lavagem seria uma compensação financeira interna da OASEmpreendimentos na contabilidade do projeto do prédio no Guarujá em troca de três contratos), não bate com a tese na sentença (um "caixa geral" de propinas em parte constituído por recursos oriundos de um dos três contratos).

Essa tese surge no fim do processo, nas audiências com o co-réu Léo Pinheiro – na segunda prisão preventiva decretada por Moro –, que trocou de advogado justamente na audiência em que foi depor (como noticiado pela própria imprensa na época, por pressão da promotoria), e teve sua pena reduzida.

Léo Pinheiro não apresenta provas de sua história. No recurso, o Ministério Público insiste com a tese original da acusação, mesmo ela sendo contraditória com a elaborada por Moro na sentença, e sendo estranho que o juiz tenha uma tese acusatória própria, construída e validada apenas pelo depoimento de um co-réu negociando redução de pena (a qual recebe).
Moro também dispensa que Lula teria que ter cometido ato de ofício, ou atuado nos contratos, citando várias vezes o voto da ministra Rosa Weber no mensalão. Voto que provavelmente foi escrito por ele mesmo. (São apenas duas das muitas questões envolvendo a sentença, que já renderam alguns livros.)

15. Em janeiro de 2018, no processo mais rápido de tramitação entre a primeira e segunda instância da história da Lava Jato, Lula é condenado. Os desembargadores fazem, até onde eu sei, o único julgamento de revisão da Lava Jato com concordância unânime e absoluta dos três em relação a tudo: crimes, dosimetria, tudo. Assim aceleram a execução e não abrem espaço para a defesa apresentar embargos.

16. 2018 (agosto). O ministro do Supremo, Luis Barroso, muda toda a jurisprudência do TSE para acelerar o impedimento da candidatura de Lula antes de começar a campanha na TV.

Uma liminar de um comitê da ONU, com o qual o Brasil ratificou compromisso de que acataria as decisões, e em um processo onde o governo brasileiro se defendeu reconhecendo o comitê, diz que Lula deve concorrer.

A liminar não é contra a Lei da Ficha Limpa, como a imprensa brasileira fez parecer. Sua base é a dúvida se Lula teve um julgamento justo, e que ele não pode sofrer danos irreparáveis, como não concorrer às eleições, antes do fim do processo na ONU.

Raquel Dodge defende uma posição contrária a toda a sua carreira de procuradora, a de que o Brasil não deve seguir um tratado internacional assinado. E O TSE, por 6 x 1, decide que o Brasil não precisa cumprir o tratado que assinou. O Supremo depois referenda a interdição da candidatura de Lula, que lidera com ampla vantagem, chegando a quase 40% dos votos.

17. 2018 (outubro). Bolsonaro é eleito e chama Moro para ser seu ministro da Justiça. Moro aceita e deixa de ser juiz. Na Inglaterra, o Times de Londres resume assim em sua manchete "Bolsonaro nomeia para alto cargo juiz que aprisionou seu rival". Dizem que em muitos países se um juiz for, anos depois, para uma empresa beneficiada por uma decisão sua, ele vai preso.

Fica temporariamente no cargo a juíza substituta Gabriela Hardt, admiradora pública de Moro e crítica pública de Lula. Moro se defende dizendo que não tem culpa se Lula foi condenado por "cometer crimes" e que era a obrigação dele condená-lo se ele tinha cometido crimes.
Quem disse que Lula cometeu crimes? Moro.

Qual foi a ação criminosa de Lula que resultou na condenação, segundo Moro? Depois de anos de investigação, ato indeterminado.

O que ele supostamente roubou? Um apartamento que estava listado como patrimônio da OAS e colocado pela empresa como garantia de uma operação financeira da OAS.

Ou seja, em qualquer sentido: monetário, uso, financeiro, documental, perante a diversos outros processos, uma propriedade da OAS. Na realidade o apartamento foi tomado pela Justiça Penal da massa falida da OAS (com a conivência do juiz que supervisiona a massa falida da empresa) para justificar a condenação.

18. 2019 (janeiro) é escolhido pelo TRF4 o novo juiz que irá assumir os dois casos restantes de Lula que eram de Moro

19. 2019 (4 de fevereiro). Moro apresenta um pacote de medidas. Várias delas legalizam práticas cotidianas e bandeiras defendidas pela Lava Jato que se já fossem legais certamente não precisariam ser legalizadas:

- prisão em segunda instância;

- cooperação informal (ou seja, secreta e não documentada) entre instâncias de investigação de diferentes países, um absurdo em termos de soberania (o procurador americano Kenneth Blanco disse publicamente, em vídeo, que ajudou no caso contra Lula);

- gravação de diálogos de advogados, que Moro já autorizou e não é permitida por lei;

- congelamento de bens de origem lícita (Moro congelou até o espólio de Dona Marisa!) exigindo que depois de ter seus bens congelados o cidadão prove que eles foram adquiridos de maneira legal (e que faça isso sem nenhum tostão pois seus bens foram congelados).

Grande parte das propostas são inconstitucionais, há violações de cláusulas pétreas da Constituição. A ampliação do "plea bargain" é na prática uma mudança da natureza do direito brasileiro, que adotaria parte do modelo anglo-saxão.
Só parte. Porque lá MP não é independente, nem vitalício e há separação entre juiz que acompanha investigações autorizando medidas e aquele que julga. Isso Moro e o MP não querem mudar.

20. 2019 (6 de fevereiro). A juíza Gabriela Hardt, que já estava com os dias contados para deixar o caso, emite a sentença da segunda condenação de Lula antes da troca de juízes.

A decisão se fundamenta, principalmente, nas decisões anteriores de Moro e do TRF4 da primeira condenação de Lula. Há citação seguida de citação delas. Lembrando que essas se basearam no julgamento do mensalão. Onde atuou Moro.

Não há nexo causal entre os contratos listados e qualquer ação de Lula, mas não precisa, porque já foi julgado e pode condenar assim. Não há ato de ofício, mas não precisa, porque em 2012 o julgamento do mensalão permitiu condenar assim (haveria uma outra discussão a fazer aí sobre o conceito, vedado na Constituição, de lei retroativa, também conhecida como "lei em movimento", outro fenômeno conceitual do direito nazista. Está escrito que a lei só pode retroagir em benefício do réu. Uma conceituação de 2012 criminalizando práticas anteriores a essa data seria punição retroativa por algo que na época em que foi praticado não seria crime).

Recicla-se a delação de Delcídio do Amaral, considerada mentirosa pelo Ministério Público Federal e Justiça de Brasília. Não há ação de Lula nos contratos, mas não precisa, porque o desembargador Gebran já escreveu que não precisa e que Lula é responsável por tudo dentro da Lava Jato.

Os cálculos dos desvios que teriam acontecidos nos contratos não são fruto de quebra de sigilo e análise contábil, e sim da aplicação de um percentual estimado de 3% (nascido de uma tabela de delação do Barusco, e produzido por ele, não apreendida) que vai sendo aplicado em tudo que é denúncia, às vezes de forma repetida sobre o mesmo contrato.

Apesar de não ter inspeção contábil se dinheiro da Petrobras foi usado no sítio, nem prova de que Lula atuou nos contratos listados na denúncia (aliás não tem nem prova de que os contratos foram obtidos por manipulação de licitação), apesar de tudo isso Lula foi condenado a ressarcir os prejuízos não provados em contratos em que ele não atuou, de licitações que não foram provadas fraudulentas, por obras que ele não pediu, em um sítio que está provado que não é dele.

O que está provado? Provaram que as empresas pagaram dinheiro para Pedro Barusco, gerente de terceiro escalão da Petrobras, relacionado a alguns desses contratos. Daí ela pula para a indenização que Lula teria que pagar, um ressarcimento estimado de 3% desses contratos, mesmo Barusco tendo dito em depoimento – que não está na sentença –, mas registrado nos autos do processo, jamais ter conversado com Lula, feito ou sabido de pagamentos para Lula.

E aqui estamos. Lula está preso, Moro está reformulando a natureza do Estado brasileiro e da Constituição de 1988, Bolsonaro é presidente, e dizem que basta um cabo e um soldado para fechar o Supremo.

Mas até aí qual a referência, que lei é para todos, se como diz e pratica Moro a interpretação da Constituição não deve ser feita de modo literal?

 
 

 

16
Fev19

Sob suspeita, Moro sonega informações

Talis Andrade

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Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:
 
O ex-juiz e ministro da Justiça Sergio Moro deu um passo de gigante para se tornar alvo do autoritarismo que usava contra seus alvos – inclusive, os inocentes. Há suspeitas de que se reuniu com os donos da fábrica de armas Taurus na antevéspera do decreto de Bolsonaro liberando a posse de… armas! Ao recusar satisfações públicas, Moro mostra ter algo a esconder.
 

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Em 2016, ao liberar grampos ilegais que mandou fazer e que envolviam o ex-presidente Lula e a então presidente Dilma Rousseff, o hoje ex-juiz Sergio Moro disse, então, frases que, hoje, ameaçam se tornar uma maldição, agora que ele está do outro lado da mesa do serviço público.

Disse Moro:

“O levantamento (do sigilo da conversa entre Lula e Dilma) propiciará (…) não só o exercício da ampla defesa pelos investigados, mas, também, o saudável escrutínio público sobre a atuação da Administração Pública e da própria Justiça criminal. A democracia, em uma sociedade livre, exige que os governados saibam o que fazem os governantes, mesmo quando estes buscam agir protegidos pelas sombras”
Quase três anos depois, Moro muda seu entendimento sobre o direito da sociedade de saber dos passos dos seus governantes.
 
Ao longo da quinta-feira 14 de fevereiro, circulou por todo país reportagem da Folha de São Paulo que mostra a mudança inacreditável no discurso desse sujeito.



Moro, como mostra a matéria da jornalista Mônica Bergamo, recusou-se a responder questionamento do PSOL que inquiria se representantes da empresa Taurus estiveram no ministério antes da edição do decreto que flexibilizou as regras para posse de armas.

Moro alegou um tal “direito à privacidade” para não fornecer informações solicitadas por meio de LAI (Lei de Acesso à Informação) no dia 18 de janeiro de 2019 pelo líder do partido, Ivan Valente (SP).

No pedido, são solicitados os registros eletrônicos de entrada e saída na pasta de Sérgio Castilho Sgrillo Filho, diretor de relações com investidores da Taurus, e Salesio Nuhs, presidente da empresa durante o mês de janeiro e início de fevereiro.

“O direito à privacidade, no sentido estrito, conduz à pretensão do indivíduo de não ser foco de observação de terceiros, de não ter os seus assuntos, informações pessoais e características expostas a terceiros ou ao público em geral”, diz a negativa de Moro.
 
Na agenda pública de Moro não há registros de encontros com Nuhs ou Sgrillo, executivos das Taurus. Sempre lembrando que o decreto que flexibiliza a posse de armas no país foi publicado em 15 de janeiro, quatro dias após a visita de Nuhs ao Palácio do Planalto.



Após a negativa de Moro pegar tanto mal quanto possível, ele resolveu mudar a história e mandou dizer que não foi ele quem disse que tinha “direito a privacidade”, mas um “assessor”. E afirmou o que já se sabe vendo sua agenda pública: oficialmente, ele não se encontrou com os executivos da Taurus na véspera do decreto bolsonariano de liberação de armas.

O-fi-ci-al-men-te…

Resta saber se as câmeras e demais registros do ministério vão mostrar coisa diferente, não é mesmo?

Após a negativa de Moro, o PSOL protocolou um requerimento de informação na Câmara dos Deputados solicitando informações a Moro. O pedido, que aguarda parecer do primeiro vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira (PRB-SP), deve ser respondido por Moro em até trinta dias. Circula em Brasília a informação de que Moro esteve, sim, com a turma da Taurus.

Confira a reportagem em vídeo [aqui].
 
 

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16
Fev19

Ao contrário do Brasil, França acabou com princípio de documento secreto na gestão pública

Talis Andrade

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16
Fev19

MÍDIA TEM RARO CONSENSO: CLÃ BOLSONARO NÃO DÁ MAIS

Talis Andrade

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247 - Num raro consenso, a mídia brasileira, tanto a progressista como a conservadora, constata: é insustentável um governo comandando pelo clã Bolsonaro, no qual os filhos do presidente mandam mais que ministros de Estado e, aparentemente, têm influência decisiva sobre o pai-presidente. Foram vários os editoriais e artigos publicados nesta sexta-feira (15). "Filhocracia" foi o título do editorial de O Estado de S.Paulo nesta sexta-feira; "Parente em Palácio é alto risco de crise", foi o título do editorial de O Globo; no GGN, Luis Nassif apontou: "o episódio Bebianno mostrou que Jair e filhos são incontroláveis"; no 247 a sequência de reportagens e artigos sobre a crise de governabilidade causada pelo clã sucedem-se um depois do outro.

O tom em toda mídia é o mesmo: não dá mais. O jornal Estado de S.Paulo, apoiador de Jair Bolsonaro desde a primeira hora na campanha eleitoral e que realizou um giro de seu conservadorismo histórico rumo à extrema-direita em 2018, foi enfático: "o episódio em que Carlos Bolsonaro levou à execração pública um ministro de Estado deixou claro quem é que tem autoridade no Executivo – gente que pretende governar sem ter recebido um único voto para isso". O editorial do jornal decretou: "É lícito supor que, em momentos de crise – e o que não falta nesse governo recém-inaugurado é crise –, será aos filhos que Jair Bolsonaro dará ouvidos, e não a seus auxiliares. É a 'filhocracia' instalada de vez no Palácio do Planalto".

O Globo, da família Marinho, que também apoiou abertamente Bolsonaro nas eleições, apesar de não ter aderido à extrema-direita e estar enfrentando hostilidades do clã desde a posse, não deixou por menos, indicando que os "filhos de Bolsonaro causam mais prejuízos à imagem do governo do que toda a oposição". O jornal foi além, e apresentou uma análise segundo a qual a questão não é simplesmente a ação dos filhos, mas a lógica de clã da família Bolsonaro, o que atinge diretamente o presidente:"A lógica com que parentes atuam no poder não é simples. Pode haver alguma matéria delicada no Congresso, mas se um filho decide atacar um parlamentar de peso por alguma razão familiar subjetiva, o fará. É impossível separar o vereador Carlos, o senador Flávio (01) e o deputado federal, por São Paulo, Eduardo, o 03, da figura do presidente. O que fizerem de errado lançará estilhaços na Presidência".

Já Luis Nassif, liderança destacada do campo da mídia progressista do país, apresentou uma questão chave em seu artigo: não foi a oposição que criou crises até agora: "O governo Bolsonaro não precisa de inimigos. Ele e a família se bastam". Nassif desvendou a lógica relacional do clã, demonstrando como o país está metido numa camisa de força: "O pai é emocional e politicamente dependente dos filhos. E os filhos são completos sem-noção. O governo Bolsonaro não sobrevive com os filhos no centro dos acontecimentos. E o pai não sobrevive sem eles. Como é que se resolve esse drama nelsonrodriguiano?".

No espectro oposto, o jornalista Merval Pereira, que funciona como um porta-voz informal da família Marinho, escreveu que  é "gravíssimo" que um dos filhos de Bolsonaro tenha acesso à senha do twitter e fique postando em nome do pai. Para ele, a lógica de ação do clã é uma crise de Estado: "O Estado não pode ficar em mãos indiretas, seja de quem for. Caso o presidente aceite a pressão do seu filho vereador Carlos para demitir o ministro Bebianno, vai ficar cada vez mais nas mãos das redes sociais e dos filhos, que tentam aumentar o poder no governo".

Os Jornalistas pela Democracia, projeto apoiado pelo 247, têm apontando insistentemente a inviabilidade de o país ser governado no regime do clã. Apenas na manhã desta sexta-feira foram manchetes artigos de Paulo Moreira Leite e Gilvandro Filho.  

Paulo Moreira Leite (PML) escreveu sobre as consequências do cenário atual: "Em pouco mais de um mês no cargo, comprovou-se uma conhecida verdade da política universal, tão antiga que  emprega  linguagem religiosa para falar do sofrimento  de homens e mulheres de todas as épocas:  quem faz acordo com a treva deve estar preparado para o momento em que o demônio virá cobrar a conta."

Gilvandro Filho anotou que Jair Bolsonaro "tem em Flávio, Carlos e Eduardo uma espécie de tríade divina que tudo pode e que pensa ter nas mãos os destinos do Brasil e dos brasileiros". Mas advertiu: "E não é assim. Ou não pode ser assim".

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