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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

18
Jul18

Lula pode ser registrado? Lula pode ser candidato?

Talis Andrade

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por Stella Bruna Santo e Gabriel Borges

 

Intensificam-se as análises, inclusive de magistrados, a respeito do registro da candidatura do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, que parecem convergir num pré-julgamento inusitado no sentido de considerar, de antemão, que ele está inelegível.

 

Já que não concebemos a Justiça Eleitoral como mero departamento protocolar de verificação dos documentos apresentados pelos candidatos, nossa intenção é incluir, nesse debate de tamanha envergadura, alguns elementos fundamentais de caráter preliminar e com viés constitucional, visando contribuir para as discussões que em breve enfrentarão nossas cortes superiores e serão pauta de interesse nacional.

 

Como primeiro ponto, alertamos que a Constituição Federal estabelece a filiação partidária como condição de elegibilidade e, por consequência, veda as candidaturas avulsas. O Partido dos Trabalhadores é titular do direito constitucional à participação no pleito presidencial, por ser um partido político que está legalmente constituído e em pleno funcionamento. O PT pode, portanto, pleitear o registro da candidatura do ex-presidente Lula.

 

Eis a primeira inversão a que assistimos hoje, já com reflexos no processo eleitoral. É o PT o agente legitimado a escolher sua chapa presidencial e solicitar o registro perante o TSE. Se é certo que o PT pode concorrer, também é regra basilar do Direito Eleitoral, em respeito ao princípio da igualdade de condições na disputa, que o partido tenha os mesmos direitos dos demais concorrentes, para que efetivamente possa participar dos atos de pré-campanha das eleições presidenciais. Aos demais partidos foi assegurada a participação nos debates em rádio, TV e internet, mas, em desrespeito aos princípios constitucionais supramencionados, tais direitos estão sendo negados ao PT em nome de seu pré-candidato.

 

Outros fatos relacionados à condenação e prisão do ex-presidente Lula, com destaque aos eventos das últimas semanas, revelam uma conjuntura de ofensas reiteradas a princípios constitucionais. Não à toa, a cada dia aumentam as manifestações de juristas de renome, dentro e fora do país, de entidades e personalidades políticas internacionais que o consideram um prisioneiro político, todos a denunciar, com provas, as tantas ilegalidades decorrentes de um processo penal que muitos definem como farsa judicial.

 

Ganha relevância, nesse contexto, a decisão do Comitê Internacional de Direitos Humanos da ONU que resolveu analisar a denúncia apresentada pela defesa do ex-presidente Lula, com provas robustas de abusos de poder na condução do processo pelo magistrado de primeiro grau (com reflexos no sistema judicial como um todo), apontando para a ausência das garantias de independência no julgamento do processo penal a que Lula está sendo submetido.

 

Todas essas questões refletem diretamente no julgamento do pedido de registro de candidatura a ser apresentado pelo PT, e merecem ser consideradas. Ainda que se faça vistas grossas às violações das garantias no processo penal, cabe à Justiça Eleitoral o papel constitucional de evitar que as tantas ilegalidades já perpetradas estendam-se agora à esfera eleitoral, de forma a garantir que o preceito fundamental e mais importante da democracia — o da soberania popular — seja preservado sem vícios ou fraudes, afastando as tantas artimanhas que surgem a cada dia para tolher os direitos políticos de um ex-presidente, que pretende novamente disputar o cargo eletivo de mais alta importância da República Federativa do Brasil.

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Para que tenhamos a concepção plena dos reflexos de todo esse aparato de violações perante a Justiça Eleitoral, condensamos em dois tópicos, de forma resumida, alguns aspectos práticos que dizem respeito ao processo de registro da chapa presidencial do PT às próximas eleições:

 

I. Quanto aos direitos políticos do ex-presidente Lula
No momento da discussão a respeito da plenitude dos direitos políticos do ex-presidente Lula, deve ser considerado o teor da decisão do Comitê Internacional de Direitos Humanos da ONU, que mencionou o artigo 25, “b”, do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, que estabelece “o direito a qualquer cidadão de votar e de ser eleito em eleições periódicas, autênticas, realizadas por sufrágio universal e igualitário e por voto secreto, que garantam a manifestação da vontade dos eleitores”.

 

Tal decisão já foi comunicada ao Estado brasileiro, que por ser signatário está obrigado a assegurar tais garantias a Lula. Trata-se, pois, de matéria passível de análise pelo TSE, eis que se refere ao exercício dos direitos políticos, requisitos e condições de elegibilidade, questão, pois, de conteúdo constitucional.

 

Além disso, um dos princípios constitucionais mais importantes do ordenamento jurídico brasileiro é a preservação da plenitude dos direitos políticos que não podem, em hipótese alguma, ser suspensos enquanto não houver o trânsito em julgado de sentença condenatória, algo que ainda está longe de se concretizar no caso de seu processo penal. Trata-se, igualmente, de matéria constitucional que somente poderá ser apreciada no pedido de registro da candidatura, eis que o partido certamente apresentará, no momento oportuno, as provas do preenchimento dessa condição de elegibilidade.

 

Sendo assim, não pode haver indeferimento sumário, de plano, como já anteciparam alguns magistrados em notícias publicadas na imprensa nacional. Qualquer tentativa de apreciação dessa matéria antes do julgamento do pedido de registro (ou sob o aspecto da condenação em segunda instância, quitação eleitoral ou pela Lei das Inelegibilidades) caracteriza grave ofensa à Constituição Federal e deverá ser objeto dos recursos próprios perante a suprema corte, não apenas pela violação patente dos princípios da ampla defesa e do contraditório, como também por conflitar com a manifestação do Comitê Internacional de Direitos Humanos da ONU.

 

 

II. Quanto à Lei da Ficha Limpa
Não há dúvida de que as eleições configuram a principal expressão de nossa democracia. Nesse contexto é que deve ser compreendida a Lei da Ficha Limpa, que não foi aprovada pelo Congresso Nacional para ser utilizada como inimiga da soberania popular ou como arma contra os eleitores.

 

A Justiça Eleitoral, ao julgar impugnações ao registro de candidaturas, deve se nortear pelo princípio de que o melhor julgamento é sempre o do povo nas urnas, para que não retire do páreo candidatos que consigam demonstrar o efetivo preenchimento das condições de elegibilidade. E essa avaliação não se dá apenas pela análise linear dos documentos apresentados pelos candidatos, até porque a Justiça Eleitoral não é um balcão cartorário, mas pelo exame conjunto de todos os elementos apresentados, eis que questões tangentes podem ter surgido justamente com o intuito de interferir indevidamente no processo eleitoral.

 

Por outro lado, não se pretende aqui fazer qualquer abordagem quanto à constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa, mas, sim, discutir os elementos teleológicos no que tange ao alcance do disposto no artigo 1º, I, alínea “e” da Lei Complementar 64/90, sempre à luz dos preceitos constitucionais.

 

Sem titubeios, a literalidade desse dispositivo não pode ter aplicação automática, sob pena de serem anulados outros princípios da Constituição Federal com maior peso na interpretação das normas eleitorais. Se a intenção da Lei da Ficha Limpa foi banir da disputa eleitoral os que cometeram crimes de teor relevante para impedir que se tornem representantes do povo, por outro lado a própria Lei das Inelegibilidades prevê a competência específica da Justiça Eleitoral para analisar o enquadramento do candidato nas hipóteses previstas na lei, que não pode ocorrer de forma automática.

 

Para servir como parâmetro, tomemos como exemplo o que já faz a Justiça Eleitoral quando analisa, caso a caso, a matéria de impugnação do registro de candidatura com fundamento na alínea “l”, atinente à condenação por improbidade administrativa, ao definir, apenas no momento do julgamento do registro, se existe ou não ato doloso, dano ao erário e enriquecimento ilícito, independentemente de decisão já proferida em outras esferas da Justiça comum.

 

Da mesma maneira, no tocante à alínea “e” do mesmo artigo, não se pode aplicar a Lei da Ficha Limpa de forma aritmética nem considerar que se trata de mera transposição de decisão judicial de outra esfera que nem mereça ser analisada pela Justiça Eleitoral.

 

Também nesse quesito, a singularidade de cada caso precisa ser analisada à luz da violação ou não de preceitos constitucionais, com a apreciação, pela própria Justiça Eleitoral, da possibilidade de não se sustentar nas cortes superiores a condenação criminal do candidato, autorizando-o, em consequência, a disputar o pleito eleitoral.

 

Além de a Justiça comum apreciar a plausibilidade dos recursos a teor do disposto no artigo 26-C da Lei das Eleições, deve a própria Justiça Eleitoral analisar o registro sob esse enfoque, sobretudo em casos de flagrantes violações a dispositivos constitucionais, inclusive para verificar se a condenação criminal teve, por via direta ou indireta, o objetivo de atingir ou interferir no processo eleitoral. E tal análise somente pode ser efetuada pela Justiça especializada como instância originária e competente.

 

Em outras palavras, é fundamental que a plausibilidade a que se refere a Lei das Eleições também seja analisada pela Justiça Eleitoral sob outro ângulo, qual seja, sob a ótica de se preservar tanto a soberania popular como também a plenitude dos direitos políticos do candidato, que não podem sofrer nenhuma interferência indevida, advinda de condenação oriunda de processo judicial eivado de vícios ou ilegalidades.

 

No caso do ex-presidente Lula, a revisão da condenação criminal pela terceira e quarta instâncias é certa, e as violações a garantias constitucionais revelam, mesmo numa análise superficial, uma repercussão proposital no seu registro de candidatura, razão pela qual não se pode permitir que a condenação em segunda instância possa inabilitá-lo automaticamente, causando prejuízo irreversível ao exercício de seus direitos políticos.

 

As ilegalidades já consumadas na esfera penal saltam aos olhos. E se o processo penal teve seus prazos encurtados visando impedir que o ex-presidente Lula concorra às eleições gerais do próximo dia 7 de outubro, a Justiça Eleitoral vai se abster de analisar tal questão, que compromete inclusive o princípio da soberania popular? Não pode, pois, ficar inerte, tampouco ignorar a gravidade do que vem ocorrendo até o momento em seu processo criminal cujos meandros, aliás, são de conhecimento público e foram dissecados e propagados por todos os cantos do país.

 

Ao enfrentar tal debate, precisa considerar que, para preservar a garantia constitucional dos direitos políticos, uma pena injusta e inconstitucional não pode produzir todos os seus efeitos, tanto pela possibilidade de ser a condenação reformada nas instâncias superiores quanto pela não aplicação aritmética da alínea “e”. Uma condenação injusta e inconstitucional não pode gerar inelegibilidade automática, pois aplicada será igualmente injusta e inconstitucional.

 

O ex-presidente Lula e seu partido possuem elementos de prova que precisam ser analisados pela Justiça Eleitoral no momento adequado, que é no processo de registro de sua candidatura, que não poderá ser julgado como se fosse apresentado perante um despachante que chancela a aceitação ou não de sua documentação.

 

Entendemos que a aplicação automática do disposto no artigo 1º, I, alínea “e” da Lei Complementar 64/90 fere, de igual forma, a Constituição Federal. No caso do registro de Lula, representaria uma aberração jurídica e um atentado a seus direitos políticos e ao princípio da soberania popular, bem como ao direito dos brasileiros de eleger seus representantes em eleições livres e autênticas.

 

Que a Justiça Eleitoral se mostre à altura do desafio atual. Que não se cometam ainda mais injustiças àquele que já está sendo injustiçado pela própria Justiça.

 

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18
Jul18

PGR recebe notícia-crime contra Sérgio Moro

Talis Andrade

Movimento de Advogados e Advogadas pela Legalidade Democrática denunciou o juiz à Procuradoria-Geral da República

 

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por Leonardo Fernandes

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Prevaricar: retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal. Pena de detenção por três meses a um ano e multa, previsto no artigo 319 do Código Penal.

 

É por este crime que o Movimento Advogadas e Advogados Pela Legalidade Democrática protocolou junto à Procuradoria da República (PGR) no Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, uma ‘notícia-crime’ contra o juiz Sérgio Moro. A denúncia, feita nesta terça-feira (17), aponta que o juiz de primeira instância violou a norma legal e cometeu o crime de prevaricação, ao desautorizar o descumprimento de uma ordem de habeas corpus ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no domingo (8).

 

Mário Madureira, advogado e membro do movimento, explica que a notícia-crime busca acionar a PGR para a abertura de um inquérito para investigar crimes praticados pelo juiz Moro.

 

“A notícia-crime é uma forma que qualquer cidadão, qualquer pessoa pode empregar, quando tem conhecimento de condutas ilícitas que possam configurar crime previsto no Código Penal, ou previsto em alguma das leis criminais. No código penal, o crime concretamente é o 319, que trata da prevaricação. Ele estava fora da função, em férias, não tinha jurisdição, e esse é o fato mais relevante de todos: ele não tinha mais jurisdição sobre este caso, porque estava com a juíza da Vara de Execuções Penais. Então não cabia a ele intervir em nenhuma hipótese. E mais, não chove pra cima. Ele simplesmente interveio, deu um despacho fora dos autos, porque os autos não estavam com ele, determinando que a polícia não cumprisse a ordem do desembargador que estava no plantão naquele domingo e, portanto, representava o tribunal como um todo”.

 

Além da notícia-crime, os advogados entregaram à PGR um ‘Manifesto em defesa da imparcialidade do sistema judiciário e da higidez das cláusulas pétreas da Constituição Federal de 1988'. No documento, os advogados fazem uma defesa dos princípios da Constituição Cidadã, alguns deles relativizados pela atuação do Poder Judiciário, como a presunção de inocência.

 

“A defesa da imparcialidade é algo inerente ao Estado Democrático de Direito, que tem suas bases, seus alicerces, nas garantias fundamentais, no devido processo legal, na garantia do contraditório, no duplo grau de jurisdição. O segundo ponto [do manifesto] é a higidez das cláusulas pétreas, das quais a imparcialidade é uma. As cláusulas pétreas da Constituição são aquelas que não podem ser mudadas nem sequer por emenda constitucional. Só uma outra constituinte poderia alterá-las. Por isso são pétreas. E isso não pode ser posto abaixo. Entre elas está a presunção de inocência que leva então à questão de que os cidadãos só podem ser presos após o trânsito em julgado da decisão final”.

 

A PGR não tem prazo para responder à notícia-crime protocolada nesta terça-feira. A reportagem entrou em contato com a assessoria do juiz Sérgio Moro, mas foi informada de que o magistrado não pretende se pronunciar sobre o assunto.

 

 

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18
Jul18

Os 7 recordes inusitados da Copa do Mundo de 2018

Talis Andrade

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O atacante brasileiro Neymar tornou-se meme internacional devido aos frequentes e prolongados episódios de demonstrações públicas de dor a cada choque corporal.


No total, durante a Copa do Mundo da Fifa de 2018, o jogador passou nada menos que 13 minutos e 50 segundos deitado na grama com dor, genuína ou imaginária, de acordo com o site RTS Sport.

 

Confira outros seis recordes da Copa 

 

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18
Jul18

Adiantado estado de putrefação de um poder entregue à anarquia, com o objetivo de impor a Lula o direito penal do inimigo

Talis Andrade

Prisão de Lula e o caráter das pessoas

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por Bepe Damasco

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Na verdade, Lula não responde a nenhum processo que mereça ser visto como tal. O ex-presidente é vítima, isto sim, da maior fraude da história do judiciário brasileiro e de um cerco criminoso cuja articulação envolve instituições do Estado brasileiro e agentes do governo estadunidense, além de outras ramificações internacionais.

 

Entretanto, definitivamente não gosto da palavra de ordem “Cadê as provas?” cunhada para enfrentar a condenação sem crime de Lula. Fica a impressão de que ele foi capaz esconder as provas. O caso é bem mais grave : Lula é alvo de uma ignomínia, palavra da língua portuguesa cujo significado, infâmia pública, é a mais perfeita tradução do calvário vivido por ele nesta quadra terrível da história do país.

 

Mesmo com o ônus da prova cabendo ao acusador, é sempre importante repetir que a defesa de Lula reuniu provas cabais de que o malfadado triplex pertence à OAS. A empreiteira incluiu o imóvel em sua lista de bens a serem penhorados num processo de execução de dívida junto à Caixa Econômica Federal. Não sei por que motivo a militância da esquerda raramente usa esse argumento demolidor.

 

Na guerra das narrativas entre os democratas e os golpistas, também é pouco utilizado um episódio que desnuda a caçada ao ex-presidente: Moro, por ocasião do interrogatório a Lula em Curitiba, perguntou-lhe sobre as obras no triplex, especialmente a instalação de um elevador privativo. Mas o Brasil logo saberia por que Moro negara todos os pedidos dos advogados de Lula para a realização de uma perícia.

 

A ocupação do apartamento do Guarujá pelo MTST mostrou a que ponto pode chegar um sistema de justiça corrompido como o nosso. E os acontecimentos de 8 de julho são eloquentes quanto ao adiantado estado de putrefação de um poder entregue à anarquia, com o objetivo de impor a Lula o direito penal do inimigo. Garantias constitucionais que valem para todos, não valem para ele.

 

Submetido ao isolamento de uma prisão ilegal e inconstitucional, Lula enfrenta de cabeça erguida seu martírio como preso político da era lavajateana. Mas sua resistência contribui para que um número cada vez maior de pessoas forme opinião crítica a Moro e seus procuradores fascistas.

 

Dia desses ouvi com enorme satisfação um comentário de uma senhora para uma amiga dentro do vagão do Metrô : “Não sou da política, mas não entendo essa acusação de que Lula é chefe de organização criminosa. Como pode o poderoso chefão se contentar com uma porcaria de um apartamento e um sitiozinho ? Precisa ser bem burrinho para acreditar nisso. Ainda mais quando se vê todo dia gente acusada de roubar verdadeiras fortunas.”

 

É por essas e por tantas outras que o juízo que a pessoa faz do caso Lula serve como parâmetro de avaliação de seu caráter. Tirando quem não tem qualquer acesso à informação minimamente independente e que teve o coração e a mente capturados pela mídia da Casa Grande, os que teimam em se somar ao linchamento midiático-judicial a Lula revelam forte indício de desvio de caráter. É isso.

 

 

 

18
Jul18

Após pós-doutorado na Inglaterra, biólogo vira figurante e tenta bico de modelo nu para se sustentar no Brasil

Talis Andrade

Brasil do golpe de Temer e Moro volta a ser o país dos bacharéis em Direito

 

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Advogados das delações premiadas são os novos ricos do Brasil da Lava Jato (vide link). Escreve André Luis Alves de Melo:

 

"Este termo 'República dos bacharéis' foi usado pela primeira vez no período da Primeira República (1889-1930), também conhecida como 'República Velha'. De fato bacharéis em Direito e Militares foram os articulares da queda do regime imperial no Brasil. 

Contudo, nesta disputa de poder, embora o argumento externo fosse 'maior democracia', o que ocorreu foi mudança de classe no poder. 

Os títulos que nobiliárquicos ou de realeza passaram ser baseados em um suposto conhecimento científico baseado no positivismo ou iluminismo.

Os títulos de nobreza foram substituídos por diplomas de Direito ou da Academia Militar, sendo que tivemos 17 Presidentes da República neste período.

Quase todos nossos Ex-Presidentes eram oriundos de uma sociedade secreta da Universidade de São Paulo (USP), exceto Epitácio Pessoa, mas era bacharel em Direito com cargos relevantes no meio jurídico.

Todos os demais Presidentes eram integrantes da chamada de Bürschenschaft Paulista, ou Studentenverbindung (algo como confraria da camaradagem, em alemão), mais conhecida como 'Bucha', criada, em 1831, pelo professor Julius Frank (1808 - 1841). Os membros da Bucha procuravam, quando alcançavam um alto cargo político, chamar seus colegas da Bucha para sua equipe. Carlos Lacerda descreveu assim a Bucha, in Depoimento, Jornal da Tarde, São Paulo, 28 de maio de 1977:

'Uma sociedade secreta em que os sujeitos confiavam nos companheiros, digamos da mesma origem, que passam pelas faculdades, futuras elites dirigentes. 

Um dia, um sobe e chama o outro para ser governador, para ser secretário, para ser ministro e assim por diante.'

Durante décadas os nossos Presidentes da República eram militares ou bacharéis em Direito, mesmo na República Nova, o que apenas começou a ser quebrado com as eleições a partir de Collor. Leia mais

Os bacharéis em Direito da Lava Jato, os generais de Teme e o candidato a presidente Bolsonaro promovem um retorno aos tempos de chumbo, uma meia-volta volver conservadora, entreguista, da direitona, da corriola de Curitiba, das bancadas da bala, do boi, da Bíblia, da volta dos privilégios de uma elite parasita de funcionários públicos da repressão: fiscais, tabeliões, delegados, juízes, procuradores, conselheiros, oficiais, desembargadores. 

 

Não existem vagas para cientistas e pensadores e artistas. Juliana Sayuri exemplifica um caso:

"Não tinha mais nenhum real na conta", lembra o biólogo paranaense Rodrigo Fernando Moro Rios, de 32 anos.
Graduado em ciências biológicas, mestre e doutor em zoologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), ele estudou na Universidade de Illinois, nos EUA, e fez pós-doutorado na Universidade Durham, na Inglaterra, em 2015.


Ainda é pesquisador associado do Departamento de Antropologia da instituição inglesa, mas, desde que retornou ao Brasil, em 2016, o zoólogo trabalhou como garçom, barman, figurante de filmes, entregador de Uber Eats e se ofereceu para ser modelo nu em cursos de arte.

 

Rios não está sozinho. Assim como o biólogo, muitos jovens doutores brasileiros enfrentam dificuldades de inserção no mercado e vivem num limbo profissional.


"Sou forçado a uma série de atividades, de barman a professor de surfe, para muitas vezes conseguir menos que o equivalente a um salário mínimo por mês", diz o cientista.


Atualmente, o salário mínimo no país é R$ 954. Leia mais 

 

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 Em Maringá terra natal de Sérgio Moro

18
Jul18

A história esquecida do 1º barão negro do Brasil Império, senhor de mil escravos

Talis Andrade

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Um próspero fazendeiro e banqueiro do Brasil nos tempos do Império, dono de imensas fazendas de café, centenas de escravos, empresas, palácios, estradas de ferro, usina hidrelétrica e, para completar a cereja do bolo, de um título de barão concedido pela própria Princesa Isabel. A biografia do empresário mineiro Francisco Paulo de Almeida, o Barão de Guaraciaba, não seria muito diferente de outros nobres da época não fosse um detalhe importante: ele era negro em um país de escravos.


No ano em que a Lei Áurea completa 130 anos, vale a pena conhecer a trajetória do primeiro e mais bem-sucedido barão negro do Império, um personagem praticamente desconhecido na História do Brasil.

18
Jul18

Lula e Mandela

Talis Andrade

 

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Cem anos após o nascimento de Nelson Mandela, a África do Sul presta homenagem nesta quarta-feira (18) a este ícone da luta contra o Apartheid com uma marcha simbólica liderada por sua viúva, Graça Machel, e um fórum organizado pelo ex-presidente americano Barack Obama.


Todos os anos, o "Mandela Day", que marca o nascimento em 18 de julho de 1918 de "Madiba", o apelido do líder sul-africano, é comemorado em todo o mundo. "Atuem, inspirem-se na mudança, façam de cada dia um Dia Mandela", exorta a fundação que leva seu nome.


Na terça-feira (17), em um discurso em um estádio em Joanesburgo para 15.000 pessoas, o ponto alto das comemorações em homenagem a "Madiba", Barack Obama lembrou "a onda de esperança que tomou conta do mundo" depois da libertação de Mandela em 2 fevereiro de 1990, após 27 anos de prisão.


Quatro anos depois, sem derramar sangue após décadas de um regime racista branco, Mandela se tornou o primeiro presidente negro da África do Sul, cargo que ocupou até 1999.

 

Cem anos do nascimento de Mandela.

 

Cem dias de Lula preso político.

 

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por Adriana Dias


Ontem, ao postar que Mandela era comunista, algumas pessoas me mandaram mensagem privada afirmando que eu estaria “manchando” (para não reproduzir exatamente o que foi dito, por educação), a imagem do grande líder da África do Sul.

 

Surpreendida que fui com a desinformação reinante, achei melhor escrever sobre a prisão dele, e traçar um paralelo entre alguns aspectos de sua prisão e a de Lula, ambas políticas.

 

A prisão de Mandela em 1964 chocou o mundo, mas não foi a primeira vez que ele enfrentou o sistema judicial anti-democrático, branco e elitista de seu país. Ele havia sido preso, anteriormente, assim como Lula, na sua primeira prisão, por liderar uma greve.

 

Depois de liberto, na medida em que sua popularidade crescia, Mandela foi acusado e preso novamente. Antes que me digam que Mandela não foi presidente antes de ser preso, porque obviamente eu sei disso, ele não o foi porque o sistema político de seu país o impedia, o apartheid não permitia esse direito. Mandela era comunista. Mandela estudou minuciosamente os escritos de Mao e de Che Guevara.

 

O que impressiona na denúncia que levou Mandela à prisão em 1964 é que ele foi acusado de sabotagem, por “promover o comunismo e solicitar, aceitar e receber dinheiro tanto dentro como fora da África do Sul”. Sim, Mandela foi acusado de ser “comunista e corrupto”, e foi isso que o levou à prisão.

 

Mandela foi preso político, sua prisão foi uma criação midiática apoiada pelo judiciário de seu país. Assim como ele, Lula também é um prisioneiro político, e as mentiras que levaram à sua prisão foram criadas pela mídia, numa narrativa perversa, apoiada pelo judiciário do nosso país. E sim, o nosso judiciário é elitista e branco, e nada, nada democrático. Vivemos um imenso apartheid social. Se ele não está na lei, está nos fatos.

 

Se você não sabe também, o grupo que comprou parte da Revista Veja, o Naspers, foi um dos apoios do regime racista. O Naspers surgiu em 1915 com o nome de Nasionale Pers. Por quase um século permaneceu como o grupo midiático que sustentou o Partido Nacional, o nojento recurso das elites africâneres que manteve o apartheid na África do Sul. O grupo teve membros indicados a Ministros de Estado durante o regime, e jamais se desculpou por isso. Sabe-se também que diretores do Naspers foram simpatizantes do nazismo. Outras empresas brasileiras são controladas pela Naspers ou a tem como acionária. A Naspers nunca se desculpou por sua ação no regime sul africano.

Posto aqui uma foto de um jornal da época da prisão de Mandela.

 

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18
Jul18

Le Monde critica reprodução de 'fake news' sobre as comemorações da final da Copa em Paris

Talis Andrade

 

Por RFI

 

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"89 mortos", "13.000 carros queimados": intox em série após a vitória da França na Copa do MundoFotomontagem RFI

 

O jornal francês Le Monde dedicou uma matéria às “fake news” divulgadas durante e após a final da Copa do Mundo de 2018. Diversos sites de notícia propagaram informações que levaram a crer que, na capital francesa, a festa terminou em dezenas de mortes e milhares de carros queimados, quando na verdade o clima foi bem mais ameno e de confraternização.

 

Uma das notícias falsas saiu do site humorístico belga Nordpresse, que não produz informações verídicas – e deixa isso claro aos leitores, como é o caso do Sensacionalista, no Brasil. O Nordpresse divulgou o número de “89 mortes e 13.000 carros queimados” em Paris, balanço completamente irreal que foi compartilhado cerca de 15.000 vezes.

 

Além dos dados inventados, o artigo também traz imagens ilustrativas que, uma vez retiradas de seu contexto cômico, acabaram viralizando como se fossem reais. Uma delas mostra uma revolta na capital da Indonésia, Jacarta, em 1998. A segunda, de um carro pegando fogo, foi feita durante protestos em Vancouver, no Canadá. A terceira vem da Grécia, durante manifestações de 2008.

 

Aconteceu o mesmo no Brasil, na trama golpista da Lava Jato que derrubou Dilma Rousseff, sendo que os boatos foram orquestrados pela Rede Globo que monopoliza as comunicações. Leia mais

18
Jul18

Moro, o exterminador de empregos

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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O gráfico aí de cima, publicado hoje no Estadão, sob o título Empreiteiras encolhem R$ 55 bilhões após Lava Jato, dá apenas um retrato parcial da paralisia que o espalhafato com que, para servir à política, se conduziu as investigações sobre a corrupção em obras públicas no Brasil.

 

Que, é evidente, não acabou.

 

Some ao milhão de empregos perdidos na construção civil os postos de trabalho extintos na sua cadeia de fornecedores de insumos e serviços, na construção naval, no mercado de consumo dos trabalhadores sem renda e você terá os vários milhões de desempregados que fazem a tragédia nacional.

 

Agora veja o dinheiro que estas empresas deixaram de ganhar e verifique o quão “espontâneo” foi o processo de delação premiada colocado a elas como “tábua de salvação” de seus dirigentes – e de outros ladrões públicos, incrustados nas empresas e órgãos estatais.

 

Sim, porque, como observou ontem Bernardo Melo Franco, em O Globo, “Delcídio [do Amaral] passeia de Harley-Davidson, Paulo Roberto [Costa] descansa em Itaipava e Sérgio Machado curte o sol de Fortaleza".

 

Não é um quadro que se vá reverter tão cedo. A construção pesada era o único item de relevo na nossa pauta de exportação de serviços. Não é mais. Não há recursos públicos para fazer ou retomar obras e, ainda que apareçam, os gestores terão de vencer o terror que hoje os acomete ao fazerem uma licitação ou assinar um contrato, muito maior do que os do “andar de cima” para fazerem “acertos”.

 

Até porque, não sendo do “partido maldito”, pode.

 

Em economia, queda chama queda e os indicadores econômicos, embora agravados pela greve dos caminhoneiros (e locaute das empresas), sinalizam isso.

 

O fundo do poço é ainda mais embaixo.

 

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18
Jul18

Lula está preso e os golpistas sem paz e liberdade

Talis Andrade

 

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por Emanuel Cancella

 

Eu postei o artigo: “Vamos recepcionar Moro até no aeroporto, na volta de Portugal!” Há, nos comentários da matéria, várias pessoas perguntando quando ele chega e em qual aeroporto. Na verdade, os golpistas estão iguais siris na lata.

 

Imagine o senador Aécio Neves atravessando o aeroporto Santos Dumont. Dra Carmem Lúcia e Raquel Dodge no supermercado ou na feira do bairro.

 

Enquanto isso Lula está preso sem provas, mas, quando sair, no mesmo dia vai para a praça publica se abraçar ao povo.

 

No caso de Moro, nem fora do Brasil ele tem sossego. Mesmo trabalhando para o governo do EUA, nem lá tem trégua (1).

 

Quem falou da traição de Moro e Janot é alguém que não esta mais entre nós. Segundo o cientista político, conhecido por dissecar o poderio norte-americano na desestabilização de países, Moniz Bandeira: "Moro e Janot atuam com os Estados Unidos contra o Brasil” (4)

 

No caso do golpista MiShel Temer, a população não o tolera nem ato de solidariedade. Temer, hostilizado teve que sair às pressas do prédio desabado em São Paulo (2).

 

A Globo é outra golpista que o povão não perdoa: foi expulsa pelos caminhoneiros em greve, acusada de fazer matéria falsa (3).

 

Essa semana a revolução francesa fez 230 anos. Nobreza e o clero massacravam o povo. Na França faltava pão, e quem caminha, ainda hoje, pelas ruas das cidades brasileiras assiste à multidão de famélicos. Na França, a revolução teve como base a liberdade, igualdade e fraternidade, mas também teve guilhotina, nem o rei Luís XVI escapou.

 

Os golpistas podem ficar tranquilos que, por enquanto, os manifantoches em sua maioria ainda não acordaram. Mas os números da economia ladeira-abaixo podem despertá-los. E aí, quem sabe, não vai precisar de juiz para soltar Lula!

 

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Fonte:

1https://www.diariodocentrodomundo.com.br/video-moro-e-vaiado-em-palestra-na-universidade-de-columbia-nos-eua/

2https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/05/temer-e-hostilizado-e-deixa-as-pressas-local-de-desabamento-em-sp.shtml

3https://www.revistaforum.com.br/video-equipe-da-globo-e-expulsa-por-caminhoneiros-acusada-de-fazer-materia-falsa/

4http://www.jb.com.br/pais/noticias/2016/12/03/moniz-bandeira-moro-e-janot-atuam-com-os-estados-unidos-contra-o-brasil/

 

 

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