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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

01
Abr20

Rei da Tailândia faz quarentena com 20 mulheres em hotel alemão

Talis Andrade

O estilo de reclusão adoptado pelo monarca está a levantar revolta no seu país, onde críticas ao governante podem valer até 35 anos de cadeia.

01
Abr20

Não são as caminhonetes em carretada que estão salvando vidas: são as instituições democráticas

Talis Andrade

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III - Coronavírus: Bolsonaro só acredita na ‘ciência’ quando o resultado lhe interessa 

 
 
 
Esse populismo científico hoje se mostra letal. E isso não é privilégio dos autoritários tupiniquins. Donald Trump tem causado constrangimento entre as principais autoridades em epidemiologia que dão suporte às ações do governo norte-americano. Trump é o próprio ignorante orgulhoso – e agora faz jus a esse título defendendo o uso de hidroxicloroquina e azitromicina no combate ao coronavírus.
 

Hidroxicloroquina, em particular, é a mesma substância o que a família Bolsonaro está engajada difundir como possível cura do coronavírus – o que pode ter consequências catastróficas sobre a população brasileira que há muito tempo está exposta à automedicação e ao mercado ilegal de remédios e receitas médicas falsificadas. Mas nem Donald Trump nem Boris Johnson ganham de Jair Bolsonaro quando o assunto é estupidez humana. Nenhum líder do mundo tem sido tão irresponsável, danoso e até genocida do que aquele que ocupa o Palácio do Planalto. Como disse a manchete da revista norte-americana The Atlantic: “O movimento de negação do coronavírus tem agora um novo líder”.

O antídoto contra o populismo científico é um só: a ciência consolidada. Como apontou Mariana Varella, editora-chefe do Portal Drauzio Varella, ao contrário de muitos tópicos em que há disputas de visões, no caso do coronavírus há consensos estabelecidos: 1) isolamento diminui a curva da disseminação e 2) a situação do Brasil será grave.

Quando milhões de vidas estão em risco, não há diálogo com fanáticos. Foram muitas décadas de lutas para que chegássemos a um modelo de democracia que se pretende secular. A tolerância precisa ser zero.

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Nessa mesma direção, a tão comentada saída da CNN Brasil da comentarista Gabriela Prioli não podia ter sido mais acertada. Não dá para opiniões embasadas em evidências debaterem com o achismo como se fosse um debate simétrico. Também foi fundamental a atitude do Twitter em deletar os tuítes de Bolsonaro que exibiam imagens de ele dando as mãos para ambulantes do Distrito Federal. Os representantes da rede social declararam que as publicações iam de encontro às orientações oficiais de saúde pública. O limite da liberdade de expressão é justamente quando ela fere o princípio da honra e da vida. Declarações genocidas precisam ser banidas.

Por outro lado, diante de toda essa tragédia, há de se celebrar que, como bem colocou o cientista político Steven Levitsky, a crise do coronavírus isolou os líderes autoritários. A gente pode sofrer com a repercussão e insanidade de Bolsonaro, mas existe um fato inegável: grande parte da população está confinada, e o presidente está sendo desautorizado por políticos e pela população. Sua legitimidade se corrói ainda mais entre setores que ainda estavam em cima do muro – é claro, que não estou falando do bolsonarista-raiz.

Hoje, à frente do país estão as instituições de pesquisa, as autoridades sanitárias, os meios de comunicação e a sociedade civil que se organiza para garantir a sobrevivência dos mais vulneráveis. Não são as caminhonetes em carretada que estão salvando o Brasil: são as instituições democráticas que, a duras penas, resistem e se engrandecem em momentos de crise.

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01
Abr20

Os possíveis desdobramentos sobre a presença dos militares no poder

Talis Andrade

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por Ana Penido, Jorge M. Rodrigues e Suzeley Kalil Mathias
Brasil de Fato 
 

Uma advertência: este é um texto escrito no calor dos acontecimentos. Isso significa que, diferentemente de formulações que podem contar com o distanciamento histórico, ou de escritos que focam no debate teórico, este texto é escrito conforme o desenrolar dos fatos.

Antecedentes

Depois de uma noite que durou 21 anos, um civil eleito chegou, em 1985, à Presidência da República brasileira. A saída das Forças Armadas do centro do poder político foi altamente controlada pelos militares, em um processo de transição transada, com todas as garantias de que eles não seriam julgados pelo regime imposto a partir do golpe de 1964.

Fernando Collor de Mello, civil eleito com um projeto de reformas, durou pouco: dois anos depois de chegar ao Planalto, foi afastado em um processo de impeachment no qual ficou comprovado crime de responsabilidade resultante de alta corrupção, e na qual os comandantes militares mantiveram calculada equidistância.

As questões políticas e especialmente econômicas mais imediatas empurraram a necessária reforma militar para um futuro cada vez mais distante. Exemplo disso foi a criação do Ministério da Defesa com a supressão dos ministérios militares, que aconteceu apenas em 1999, no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Além de medidas administrativas como esta, pouco se fez para subordinar os militares ao controle civil.

Após relativa estabilidade durante o governo de Luiz Inácio Lula de Silva (PT), as relações civis-militares experimentaram um período de deterioração.

A calmaria ocorreu em virtude das ações das Forças Armadas Brasileiras (FFAA) e dos civis na condução política, que mantinham certo distanciamento. Por outro lado, viu-se crescer as Operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), o que retoma a ideia de inimigo interno, com o emprego das FFAA em questões de segurança pública.

A deterioração aprofundou-se paulatinamente no governo Dilma  Rousseff (PT). Para além do machismo – afinal, os generais teriam que bater continência para uma mulher, sua comandante em chefe –,    segundo o General Etchegoyen, os militares entraram em rota de choque com Dilma por questões objetivas, como, por exemplo, o funcionamento da Comissão da Verdade, e subjetivas (algo como "políticos de esquerda são populistas e apostam na polarização ideológica"). Durante o rito processual do golpe, as FFAA mantiveram majoritariamente seu papel institucional. Afirma-se "majoritariamente" pois a anuência é uma forma de ação perceptível.

As Forças Armadas se colocaram como fiadoras da legitimidade do governo de Michel Temer (MDB), que foi marcado por um comportamento tutelar por parte dessas mesmas FFAA, cujo comportamento, exemplificado pelo general Villas Boas, manteve as instituições sob contínua pressão. Isto é, embora as FFAA sempre afirmassem que suas ações estavam pautadas pela estabilidade, pela legalidade e pela legitimidade, foram elas mesmas quem definiram os limites desses três conceitos.

carmen lúcia liderou o golpe judiciário conta di

 

Devido a esse protagonismo imediato, acreditamos que houve sim um grupo de militares que conspirou sorrateiramente pelo golpe contra Dilma, ainda que as três forças institucionalmente tenham passado quase ao largo disso. Entretanto, o golpe não foi fruto de uma conspiração militar, mas sim do trabalho de, no mínimo, três grupos conspiradores com objetivos diferentes, mas que em determinado momento se unificam e derrubam a presidenta: os políticos, o poder judiciário – especialmente a Lava Jato – e o grupo militar. Esse desejo de protagonismo por parte de setores militares não foi explícito, e por isso chamamos esse comportamento de protagonismo sorrateiro. (Continua)

 

 

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31
Mar20

Os jornais são sempre mais pudicos do que qualquer obscena fantasia

Talis Andrade

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Por Maíra Vasconcelos/ GGN

E hoje, ao ler os jornais, percebi que a ficção está muito longe de qualquer palavra informativa e muito próxima de todas as realidades

 

Hoje, ao ler os jornais, percebi, mais uma vez, a impossibilidade de se fazer qualquer leitura das realidades e dos fatos sem o uso da ficção. Meu Deus. Como seria raso o entendimento do mundo sem a fantasia, seria tudo tão resumido como não é a própria vida. Quem diz e aponta o inconfessável da humanidade? Ora, apenas a ficção de qualquer arte. Mundo vive milésima pandemia e continua sem entender o valor da vida, diria uma não-notícia.

Afinal, diante de um comportamento aberrante, os jornais estão restritos a nada mais do que interrogar as autoridades públicas. Presidente, o senhor não se preocupa com as mortes, perguntariam os jornais. Enquanto a fantasia escreveria uma novela inteirinha para destrinchar o que simplesmente chamaria de horror. No Brasil, vírus já matou 159 pessoas, sendo 22 em um só dia, e mais de 4.500 estão infectadas.

E os jornais, mais uma vez, apenas escutariam o presidente: sabe qual é o problema? é você achar que ninguém irá morrer, quando todo dia morre alguém no mundo, e essas mortes ajudam no controle populacional, motivam a economia; não se pode pensar que toda morte é ruim, disse o presidente. Isso que a fantasia jamais escutaria sem transformar e evidenciar sua face humanamente monstruosa. Afinal, o desumano é muito humano, diria outra não-notícia.

E hoje, ao ler os jornais, percebi que a ficção está muito longe de qualquer palavra informativa e muito próxima de todas as realidades. Assim como tão longe e tão perto está das páginas de qualquer jornal o horror daquela face da guerra, de Salvador Dali. Ora, a pregação da morte não é uma irrealidade. Mas onde já viu uma pintura de Dali ser manchete de jornal, como se descrevesse a cara de um presidente? Afinal, jornais são sempre mais pudicos do que qualquer obscena fantasia.

31
Mar20

56 anos depois, militares teimam em ser soldados rasos

Talis Andrade

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por Fernando Brito

Deveriam ser nossos heróis, gente em quem todos confiam para proteger nosso país e nosso povo.

Infelizmente, degradaram-se de tal modo que em pouco se diferenciam das matilhas ensandecidas que desfilam pelas ruas semidesertas.

Há 56 anos, puseram no poder, pelas armas, um marechal, Castello Branco. Veterano de guerra, homem de Estado Maior, era ridicularizado pela estatura física, pela “falta de pescoço” e por impor uma ditadura que, brutal por definição, foi se brutalizando rapidamente. Não era, porém, um burro rematado, embora tenha aberto a porteira para um, Costa e Silva.

Mais de meio século após, pelo voto e por seu aval, puseram no poder um capitãozinho desquilibrado, que fazia planos terroristas para aumentar soldo, metido com o pior da bandidagem parapolicial, um imbecil vaidoso de sua imbecilidade e que, diante de uma emergência sanitária mundial, porta-se como um valentão de botequim irresponsável e bravateiro.

Os militares brasileiros – que vergonha – agora dão suporte não aos que matam a democracia e perseguem líderes políticos, mas apoia quem expõe ao genocídio viral de sabe Deus quantos milhares de brasileiros.

Não vemos suas colunas se mobilizando pela vida, mas vemos seus oficiais se prestando ao papel de legitimadores de políticas suicidas de omissão e seu “intelectual”, o General Villas-Boas, ser usado – palavras de um amigo – como um Golbery tosco e decrépito.

Perderam a janela de oportunidade de serem uma força cada vez mais profissional e equipada pela viabilização de obterem vantagens salariais e uma leva de “boquinhas” pós-reforma para seus oficiais generais.

Trocaram o respeito por pequenos poderes, ainda que à custa de se humilharem à psicopatia do capitão.

Se querem lembrar de 1964, façam-no para comparar em quanto se rebaixaram desde então.

Ainda têm uma chance – e o tempo se esgota – para portarem-se como os homens que deveriam ser, os defensores do povo brasileiro.

Naqueles tempos, chamavam-nos de “gorilas”.

Não se rebatizem como miquinhos, os “micos do capitão”.

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31
Mar20

Mourão cometeu crime ao exaltar a ditadura

Talis Andrade
 
 

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Amanda Audi
@amandafaudi
Ainda estou tentado entender
 
 
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General Hamilton Mourão@GeneralMourao
 

Há 56 anos, as FA intervieram na política nacional para enfrentar a desordem, subversão e corrupção que abalavam as instituições e assustavam a população. Com a eleição do General Castello Branco, iniciaram-se as reformas que desenvolveram o Brasil. #31deMarçopertenceàHistória

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Mourão mente, que Castelo jamais foi eleito pelo povo. Depois do golpe militar que derrubou Jango, cassar e prender os deputados e senadores defensores da Democracia, da Liberdade, da Igualdade, da Fraternidade, baixou um ato instuticional para eleição indireta de militares presidentes. De marechais ou generais. E deu no que deu. Deu muito pau no lombo do povo. Nas masmorras do cabo Anselmo, do major Curió, do major Ustra, do delegado Freury e outros assassinos, o pau cantou.

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Golpe de 64

Que ninguém esqueça para que nunca mais aconteça

por Lorena Vale

Há 56 anos, no dia 31 de março de 1964, o Brasil sofria um dos períodos mais vergonhosos de sua história, o Golpe Militar. Uma ditadura que durou 21 anos de perseguições, censuras, torturas, estupros, desaparecimentos e mortes as minorias e opositores que não concordavam com o terrorismo dos agentes do governo brasileiro.

Os deputados da Bancada do PT na Câmara usaram suas contas no Twitter para relembrar aquele triste período e gritar Ditadura Nunca Mais. Também destacaram que os integrantes do governo Bolsonaro não cansam de passar vergonha ao tentar manipular o que realmente aconteceu na ditadura militar, se referindo ao vice-presidente Hamilton Mourão que exaltou e comemorou um dos períodos mais sangrentos do País em sua rede social.

Para o líder do PT, deputado Enio Verri (PR), Mourão cometeu crime ao exaltar a ditadura. “São inadmissíveis, uma afronta à história e aos trucidados pela ditadura civil-militar, as publicações da cúpula militar do Brasil, exaltando o famigerado período. O vice-presidente, Mourão, feriu a lei de Segurança Nacional e o Código Penal, ao exaltá-la”. O líder ainda deixou claro que as manifestações dão um claro recado de que a cúpula militar do Brasil não aprendeu nada com a história e se dispõe a restabelecê-la.

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O líder da minoria na Câmara, deputados José Guimarães (PT-CE) afirmou que homenagens são sinônimo de retrocesso. “Ditadura Nunca Mais. Há 56 anos, o Golpe de 64 marcava o início do período mais triste da história brasileira. Perseguição, corrupção, tortura e assassinatos de inocentes são apenas alguns dos crimes cometidos contra a população. Qualquer homenagem a isso é sinônimo de retrocesso.”

E deputado Carlos Zarattini (PT-SP), líder da Minoria no Congresso, recordou que durante o golpe a Constituição Federal foi rasgada, as liberdades individuais e de imprensa revogadas. “Foi um período marcado pela tortura, censura e morte de milhares de inocentes! A ditadura acabou com direitos e favoreceu os mais ricos. As palavras do Mourão hoje revelam a desfaçatez desse governo. Forças Armadas deram um golpe para acabar com a democracia e implementar um período negro na história. Comemorar esse período é um ato criminoso”.

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) disse que “Comemorar a ditadura militar e ser vice de Bolsonaro revelam o apreço pelo fracasso e pela desmoralização”. Para o deputado Odair Cunha (PT-MG) esse governo não deveria estar no poder. “A Ditadura Militar foi um período sangrento e vergonhoso da nossa História, mas alguns ainda insistem em distorcer a verdade”.

Não dá para esconder a verdade

A presidenta do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), escreveu em seu Twitter que não dá para esconder a verdade. “O golpe militar perseguiu, torturou, matou e exilou pessoas. Diante dos fatos não há argumentos. Não dá pra esconder a verdade! A história está aí para não deixar apagar o pior período político brasileiro para que ele não volte. Ditadura Nunca Mais”.

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Na avaliação da deputada Erika Kokay (PT-DF qualquer comemoração é uma “ode à barbárie!”. Ela recordou que A ditadura militar não poupava ninguém. “Mães foram torturadas com os filhos ainda na barriga e crianças foram torturadas com seus pais. O golpe militar estuprou também a democracia no Brasil! Isso jamais será esquecido! Ditadura Nunca Mais”, reforçou.

E o deputado Alencar Santana Braga (PT-SP) denunciou que as Forças Armadas continuam praticando o horror que instalaram no País durante 21 anos de muito sangue, mortes, tortura, censura e ditadura. Negam a História como se o período de maior terror fosse democrático!”, denunciou o deputado.

Para o deputado Vicentinho (PT-SP) é inaceitável a atitude de Mourão. “Em 31 de Março de 64, um golpe militar instaurava uma ditadura no País. Deixou mortos e até hoje desaparecidos(as). Na história ficou marcado por torturas e crueldades. Inaceitável em 2020 atitude do vice ‘eleito democraticamente’ comemorando o golpe militar.

Ministro da Defesa

Mourão não foi o único a elogiar o golpe de 64, o Ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, também comemorou e disse que a ditadura é um “marco para a democracia brasileira”.

“É revoltante ver o ministro da Defesa chamar o golpe civil-militar de 1964 de “revolução”. Foi ditadura e foi brutal, violenta. Pessoas foram presas, torturadas e mortas. (Des)governo Bolsonaro não tem nenhum respeito pelos familiares. Ditadura Nunca Mais”, lamentou a deputada Luizianne Lins (PT-CE).

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) advertiu que é preciso lembrar para que não se repita. “Em 31 de março de 64, um golpe militar, com o apoio dos Estados Unidos, derrubou um presidente eleito, acabando com as liberdades, prendendo, torturando e assassinando. Em um governo repleto de militares precisamos lembrar para que não se repita.” E a deputada Natália Bonavides (PT-RN) reforçou: “Pra que nunca se esqueça. Para que nunca mais aconteça. Ditadura Nunca Mais”.

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Coronel Ustra torturador e assassino

“Um marco triste da nossa história que ainda mantém feridas abertas. E ao lembrar dos momentos abomináveis em que Bolsonaro exaltou a ditadura militar, ficam ainda mais claros os motivos que o fazem menosprezar os impactos do coronavírus”, relembrou o deputado Paulo Guedes (PT-MG) das inúmeras vezes que Jair Bolsonaro, além de comemorar a ditatura, exaltou torturadores como o coronel Ustra.

Carlos Alberto Brilhante Ustra foi o chefe do DOI-Codi do Exército de São Paulo, órgão de repressão política do governo militar. Ali, sob o comando do coronel, ao menos 50 pessoas foram assassinadas ou desapareceram e outras 500 foram torturadas, segundo a Comissão Nacional da Verdade.

A deputada professora Rosa Neide (PT-MT) deixou claro que foi Golpe e não revolução. “31 de março, uma data amarga para a nossa história. Comemora-la significa fazer apologia à barbárie. Juntemos força para dizer “Ditadura nunca mais”. Hoje é o Dia da Verdade. Portanto, vamos lembrar que em 1964 tivemos um golpe no Brasil. Nada de revolução, foi golpe”, E para deputado Rubens Otoni (PT-GO) não temos “nada a comemorar, tudo a denunciar”.

Sem resposta, sem punição

O deputado Waldenor Pereira (PT-BA) lembrou que são 56 anos sem respostas e punições. “A ditadura militar é uma mácula sombria e vergonhosa à nossa história, que usurpou 21 anos da nossa democracia. Não há o que se comemorar. Mas é preciso lembrar para não repetir. São 56 anos sem respostas e punições aos crimes cometidos. Exigimos justiça!”.

O deputado Célio Moura (PT-TO) também cobrou punição. “56 anos da ditadura militar no Brasil. Minha denúncia e repúdio permanentes. Punição aos crimes contra a humanidade. É preciso memória, para que não se repita a triste história!”

Para o deputado Bohn Gass (PT-RS) o 31 de março é dia de reafirmar que o golpe militar perseguiu, prendeu sem razão, torturou e matou homens e mulheres no Brasil. “Em homenagem a todas as vítimas dessa atrocidade institucional, hoje, 56 anos após aquele trágico 31 de março de 1964, digo de novo: Ditadura Nunca Mais”.

Ao relembrar esse período triste da história brasileira, o deputado Carlos Veras (PT-PE) lamentou: “Constituição rasgada. Congresso fechado. Cassação de direitos. Tortura e execução como política de Estado. Eles tentam, mas não mudarão a história. Neste 31 de março, exaltamos a democracia. Apesar de Bolsonaro, amanhã há de ser outro dia!”, ressaltou.

Para o deputado Helder Salomão (PT-ES) golpe e ditatura têm que ser repudiadas. “O Golpe de 1964 inaugurou um período de trevas da história do Brasil. Perseguição, assassinatos, censura, toda forma de violação dos Diretos Humanos. Golpe e ditadura não se comemoram, se repudiam!”

Governo Autoritário Nunca Mais

Para o deputado Nilto Tatto (PT-SP) nos dias de hoje é mais que urgente clamar por Ditatura Nunca Mais. “Perseguição à imprensa; uso do Estado para perseguição política; rejeição à transparência nos gastos e atos públicos; exaltação de mecanismos antidemocráticos, como o AI-5. Ontem e hoje Ditadura Nunca Mais. Governo autoritário, como o de Jair Bolsonaro, nunca mais! Queremos um País que atente para as necessidades do povo e da classe trabalhadora. O retrocesso na valorização do salário mínimo notadamente nos governos Temer e Bolsonaro mostra a que vieram”.

 

 

 

  

 
 

 

 

 
31
Mar20

Advertência de Jeca Tatu ao presidente da República

Talis Andrade

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A essa altura da carreata da ignorância, só resta ao Jeca Tatu emancipado ― representante da gente na sala de televisão da quarentena - chamar na chincha o bocó lá de Brasília. Direto da Refazenda gilbertiana, cabe ao nosso Jeca Total mostrar que até o amarelão (ancilostomose) ainda faz estrago no Vale do Ribeira e em outras freguesias desprotegidas. Só o Jeca Tatu, o guru do Almanaque Biotônico Fontoura, para contar ao espertalhão do Planalto que o brasileiro, ao contrário do que ele folcloriza, não resiste meia hora ao esgoto e à falta de saneamento. 

A febre do rato (leptospirose) segue castigando nos mocambos e palafitas, adverte o Jeca, sorumbático e macambúzio, saindo de pés-descalços do “Urupês” (livro de 1918) de Monteiro Lobato. Quem tem que ser estudado, o capiau segue na prosa, é Vossa Excelência, com todo respeito deste caipira. O brasileiro pega de tudo, não me venha com seus arroubos de vilão Vaca-Brava, pois até a lepra (hanseníase), daquela mais primitiva, campeia solta no mato e nos arrabaldes.

A criatura corre do mosquito e não escapa do caramujo, foge da dengue e vem a zika, na mesma terra onde ainda persistem sarampo, caxumba e rubéola. O sujeito acha que é apenas mais uma ressaca existencialista e lá vem o diagnóstico: chikungunya na caveira. Na roça, para a tristeza do Jeca, resistem a doença de Chagas, a peste bubônica, a curuba... Agora dá licença que vou tomar meu elixir de salsa, caroba e cabacinha, ave!, tesconjuro. (Continua)

31
Mar20

Espanha proíbe funerais e cremações com mais de 3 acompanhantes

Talis Andrade

 

A covid-19 já levou 8.189 pessoas à morte na Espanha, forçando Madri a abrir um segundo necrotério improvisado nesta semana. 

No total, o país europeu já confirmou quase 88 mil infecções pelo vírus, ficando atrás apenas dos EUA e da Itália. Em relação ao número de mortes, a Espanha já é o segundo país atingido, atrás da Itália.

Instituto alemão diz que covid-19 "precisa ser levada a sério"

O presidente do Instituto Robert Koch (RKI) de prevenção e controle de doenças na Alemanha, Lothar Wieler, exortou a população a não subestimar a pandemia do coronavírus. "Quero pedir a todas as pessoas que levem a sério essa doença", afirmou, referindo-se à covid-19, enfermidade respiratória causada pelo vírus. 

Um estudo mencionado por Wieler teria mostrado que apenas 41% dos alemães acreditam que a covid-19 seja perigosa.

O presidente do RKI também afirmou que a estratégia adotada no país contra a disseminação do coronavírus continua sendo justificada. A Alemanha adotou medidas de contenção como o isolamento social, fechamento de escolas e creches e proteção dos grupos de risco, além do aumento das capacidades de atendimento. 

Espanha proíbe funerais e cremações com mais de 3 acompanhantes

O governo espanhol já anunciou na semana passada que, devido às altas taxas de mortalidade decorrentes da pandemia, criaria duas grandes instalações nos arredores de Madri, a região mais afetada, para servir como necrotérios.

A medida anunciada hoje prevê que, caso o falecido seja infectado pela Covid-19, nenhum funeral privado será realizado em casas particulares.

As casas funerárias, por sua vez, também não poderão realizar práticas habituais de condicionamento dos corpos ou intervenções por motivos religiosos que envolvam atividades invasivas até o final do estado de alarme, que começou no último dia 15.

Da mesma forma, a participação em grupo para o enterro ou cremação é restrita a um máximo de três membros da família ou amigos íntimos, além do ministro do culto que oficia a cerimônia. De qualquer forma, a distância de um ou dois metros entre os participantes deve ser respeitada.

No último dia 7, no início da pandemia na Espanha, um funeral realizado na cidade de Vitória, tornou-se um dos maiores surtos de propagação do coronavírus no país, com mais de 60 participantes naquela cerimônia infectados.

Desde então, as medidas relativas aos funerais foram reforçadas. EFE

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31
Mar20

"Nós subestimamos o vírus", diz governador de Nova York

Talis Andrade

 

O governador do estado de Nova York, Andrew Cuomo, reconheceu que as autoridades "subestimaram" a pandemia de coronavírus e precisam agora se preparar para o ápice do surto.

"Estou cansado de ser deixado para trás pelo vírus. Temos ficado para trás desde o primeiro dia", disse ele em coletiva de imprensa nesta terça-feira. "Nós subestimamos o vírus. Ele é mais poderoso e mais perigoso do que nós esperamos."

Nova York já soma 75.795 casos de covid-19, enquanto o número de mortos saltou 30% nas últimas 24 horas, para um total de 1.550, disse Cuomo, alertando que o estado "ainda está subindo a montanha", ou seja, ainda se encaminha para seu pico de infecções.

O governador ainda anunciou que o irmão dele, o âncora da CNN Chris Cuomo, foi diagnosticado com o novo coronavírus e ficará de quarentena em casa.

EUA superam China em número de mortos

O número de mortos por coronavírus nos Estados Unidos superou o da China, onde a pandemia teve início em dezembro, segundo a contagem mantida pela Universidade Johns Hopkins. O território americano soma 3.415 mortes, enquanto Pequim confirmou 3.309.

Os EUA têm ainda um total de 175.067 infectados, cifra mais alta do mundo e mais que o dobro do registrado oficialmente na China, de 82.278. Contudo, a transparência do regime de Pequim quanto à divulgação das infecções e o sucesso das medidas de contenção do vírus tem sido posta em dúvida.

O país com maior número de mortos segue sendo a Itália, com 12.428, seguida da Espanha, com 8.269 vítimas.

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31
Mar20

Para liberar leitos, hospitais de Paris vão testar oxigenação dos pacientes em casa

Talis Andrade

 

RFI

Para enfrentar a epidemia do coronavírus e os casos graves que lotam as UTIs na França, os hospitais de Paris devem testar a possibilidade de oxigenar os pacientes em casa. A afirmação é do diretor-geral dos estabelecimentos hospitalares da capital, Martin Hirsch.

A iniciativa, batizada de “Covidom 02”, consiste em oxigenar os pacientes em casa com acompanhamento médico à distância e “se preparar para a próxima etapa da epidemia”, disse Hirsch em entrevista ao jornal francês Libération. “A ideia é que os pacientes possam deixar a UTI o mais rapidamente possível para que outros possam ser atendidos. Estamos estudando a possibilidade de acompanhar o estado de saúde e o nível de saturação de oxigênio em casa”, explica.

Pico da epidemia ainda é incerto

Mais de 3.000 pessoas já morreram na França vítimas do coronavírus, mas o pico da epidemia ainda não foi registrado na região parisiense. “Ainda não sabemos quando o pico vai chegar. Vai ser quando houver uma diminuição de pacientes internados nas UTIs. Por enquanto ele só aumenta”, declarou o representante dos hospitais parisienses.

Um dos temores é a falta dos medicamentos usados nos setores que recebem pacientes em estado críticoDe acordo com Hirsch, os hospitais parisienses têm reservas para apenas mais alguns dias. A boa notícia,entretanto, é que em Paris, por enquanto, existem respiradores artificiais para todos os pacientes e novos aparelhos que estão sendo fabricados devem ser entregues rapidamente.

As equipes, entretanto, estão tendo que utilizar equipamentos que nem sempre são os mais adequados, sublinha Martin Hirsch. Ele também garantiu que, por enquanto, não faltam máscarasnos hospitais da capital.

DW

França alerta contra automedicação com hidroxicloroquina para covid-19

Todos os tratamentos que estão sendo testados para curar a covid-19, doença causada pelo coronavírus Sars-Cov-2, só podem ser realizados em hospitais, alertou a Agência Nacional de Segurança do Medicamento e dos Produtos de Saúde (ANSM) da França.  

Medicamentos "que não tiveram eficácia comprovada formalmente no tratamento ou na prevenção da covid-19" só devem ser aplicados no âmbito "de testes clínicos em curso". "Em caso algum esses medicamentos devem ser utilizados para automedicação, prescrição de um médico da cidade ou autoprescrição de um médico", insiste o texto.

Segundo Dominique Martin, diretor-geral da ANSM, hospitais na França teriam constatado até 30 efeitos colaterais relacionados a medicamentos utilizados para tratar a covid-19. Esses medicamentos estão sendo testados por pesquisadores europeus.

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