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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

19
Set18

Como exploração sem limites de areia põe em risco grão que 'transformou a civilização'

Talis Andrade

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Ensina a publicidade comercial: A areia para construção é um item fundamental em qualquer obra. Isso porque esse produto é versátil e pode ser usado em diversas etapas da reforma. Existem opções finas, médias e grossas, para finalidades diversas - como produção de argamassa ou reboco. Embora a areia seja um material bastante comum e conhecido, muitas pessoas não conhecem a importância de saber escolher a variedade correta na hora de planejar a construção. É fundamental utilizar a areia mais adequada para cada tipo de uso, já que o produto errado pode prejudicar a qualidade da obra e, até mesmo, ter graves consequências para a estrutura da construção. 

 

Veja os preços aqui. Compare os preços de areia, cimento, gesso e outros materiais de construção ensacados no comércio do Nordeste brasileiro.

 

Depois de pesquisar quanto custa um saco de areia você vai acreditar que é um negócio bilionário. O mercado global de areia vale US$ 70 bilhões (cerca de R$ 290 bilhões), segundo especialistas em comércio da ONU.

 

BBC publica reportagem com impressionantes dados: "Em um número chocante de países, pessoas estão sendo presas, torturadas e assassinadas por causa da areia. Ainda assim, a quantidade de areia sendo extraída em todo o mundo está aumentando - a custos terríveis para as pessoas e para o planeta".


O consumo é impulsionado pela crescente urbanização. Há temores de que a demanda pelos grãos proverbiais tenha atingido um ponto insustentável.

 

Em um relatório contundente divulgado em 2014, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) estimou que o consumo global de areia e cascalho estava "conservadoramente em mais de 40 bilhões de toneladas por ano" e alertou para questões de sustentabilidade.


"Areia e cascalho representam o maior volume de matéria-prima usada na terra depois da água. Seu uso excede em muito as taxas de renovação natural", disse o relatório.


"Essa grande quantidade de material não pode ser extraída e usada sem um impacto significativo na biodiversidade, na turbidez da água (uma das medidasde qualidade) e nos níveis. Há também consequências socioeconômicas, culturais e até políticas".

 

Grandes consumidores como Cingapura e China não conseguem o suficiente de seus mercados domésticos.


Cingapura é o maior importador do mundo, graças a um programa de quatro décadas de expansão territorial no qual a ilha recuperou terras do mar - uma área total de 130 quilômetros quadrados.


A China usou mais concreto (e mais areia) durante seu boom de construção entre 2011 e 2013 do que todo o consumo dos Estados Unidos durante o século 20, de acordo com dados da International Cement Review e do US Geological Survey. Transcrevi trechos 

 

 

19
Set18

ROSA WEBER: CRÍTICA À URNA ELETRÔNICA É 'DESCONECTADA DA REALIDADE'

Talis Andrade

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A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, criticou nesta terça-feira (18) as declarações do candidato da extrema-direita a presidente, Jair Bosonaro (PSL), que acusou as urnas eletrônicas de serem passíveis de fraudes.

 

"Temos 22 anos de utilização de urnas eletrônicas. Não há nenhum caso de fraude comprovado. As pessoas são livres para expressar a própria opinião, mas quando essa opinião é desconectada da realidade, nós temos que buscar os dados da realidade. Para mim, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, as urnas são absolutamente confiáveis", enfatizou Rosa Weber.

 

Do hospital, Bolsonaro, afirmou que a possibilidade de perder a eleição "na fraude" para o candidato do PT, Fernando Haddad, é "concreta". "O PT descobriu o caminho para o poder, o voto eletrônico", declarou o presidenciável.

 

O presidente do STF, ministro Dias Toffoli, já havia rechaçado as declarações de Bolsonaro.

19
Set18

O estrago que Mourão fez

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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No Brasil, segundo o IBGE, há 11,6 milhões de lares formados por mulheres e seus filhos, sem a presença de cônjuges masculinos.

 

São, nas estúpidas palavras do vice de Jair Bolsonaro, as “fábricas de desajustados”.

 

Não ouço estupidez semelhante desde que D. Josefina, uma fofoqueira que morava na mesma vila que nós, no subúrbio do Lins de Vasconcelos, dizia às vizinhas que eu e meu irmão eramos os “desencaminhadores” da garotada por sermos os “filhos da desquitada”.

 

O estrago que Mourão fez na campanha de Bolsonaro, que andava até comprando imagens fake para não parecer machista é o de um disparo de obus.

 

Não adianta dizer que a “intenção era outra”, a de falar sobre a vulnerabilidade da mulher com estas solitárias responsabilidades familiares porque, não só não houve essa ressalva como, também, Mourão tem a obrigação de saber que está numa chama de indisfarçada misoginia.

 

Até a Rachel Sheherazade, direitista até à medula e uma das promotoras do pensamento brutal desta turma, protestou no Twitter.

 

“Crio dois filhos sozinha. Fui criada por minha mãe e minha avó. Não. Não somos criminosas.”

 

O General depois não reclame quando uma mulher o puser para correr.

 

Como as mulheres, felizmente, vão por para correr o seu chefe.

 

19
Set18

Dilma repudia preconceito de Mourão contra mães e avós "heroínas"

Talis Andrade

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Em palestra na ACSP,  o general Hamilton Mourão falou sobre as declarações dadas na segunda-feira na qual ligou famílias pobres "onde não há pai e avô, mas sim mãe e avó" a uma "fábrica de desajustados", que fornecem mão de obra ao narcotráfico.


"Um órgão de imprensa disse que critiquei as mulheres, estou apenas fazendo a constatação de coisas que ocorrem em comunidades carentes, com famílias lideradas por mães e avós, pois o homem ou morreu ou está preso, e a maioria dessas mulheres são trabalhadoras, cozinheiras, faxineiras e não tem com quem deixar seus filhos porque não tem creche e escola de tempo integral, então, essa criança vira presa fácil do narcotráfico."


"Não sou antidemocrático, se fosse não estaria disputando essas eleições, estaria em casa limpando as minhas armas."


Na palestra, ele citou ainda a prioridade, em um eventual governo de Jair Bolsonaro, da urgência de se colocar em execução da reforma da Previdência. "Estamos nos aposentando cedo demais, expectativa de vida aumentou mais 20 anos", emendou.

 

Marcelo Rubens Paiva: "Fui criado pela minha mãe e irmãs porque a ditadura matou meu pai"

 

O jornalista e escritor Marcelo Rubens Paiva repudiou a declaração do general Hamilon Mourão (PRT) sobre mães e avós.

 

"Mourão afirma nas entrelinhas que mulher não sabe criar filhos. Fui criado pela minha mãe e irmãs, porque a ditadura matou meu pai aos 11 anos, e meu avô morreu de tristeza dois anos depois. Por isso que sou um desajustado", afirmou o escritor no Twitter.

 

De acordo com o general, "a partir do momento em que a família é dissociada, surgem os problemas sociais". "Atacam eminentemente nas áreas carentes, onde não há pai e avô, mas sim mãe e avó. Por isso, é uma fábrica de elementos desajustados que tendem a ingressar nessas narco-quadrilhas".

 

Mourão afirma nas entrelinhas que mulher não sabe criar filhos. Fui criado pela minha mãe e irmãs, pq a ditadura matou meu pai aos 11 anos, e meu avô morreu de tristeza dois anos depois. Por isso que sou um desajustado.

 

"Repudiamos o preconceito de quem é indiferente ao amor verdadeiro de milhões de mulheres, mães e avós"

 

A presidente deposta pelo golpe e candidata do PT ao Senado por Minas Gerais, Dilma Rousseff, manifestou seu repúdio contra o preconceito do general Mourão (PRTB), que chamou de "fábrica de elementos desajustados" para o tráfico os lares formados apenas por mães, avós e seus filhos e netos, sem a presença de pais ou avôs.

 

"No Brasil, segundo o IBGE, há 11,6 milhões de lares formados por mulheres e seus filhos, sem a presença de cônjuges masculinos. Minha solidariedade às mães e avós que heroicamente criam os seus filhos e netos sozinhas", postou Dilma no Twitter. "Repudiamos o preconceito de quem é indiferente ao amor verdadeiro de milhões de mulheres, mães e avós. Meu respeito e admiração a todas elas", acrescentou.

 

Em evento do Sindicato da Habitação (Secovi), em São Paulo, Mourão declarou: "Família sempre foi o núcleo central. A partir do momento que a família é dissociada, surgem os problemas sociais que estamos vivendo e atacam eminentemente nas áreas carentes, onde não há pai nem avô, é mãe e avó. E por isso torna-se realmente uma fábrica de elementos desajustados e que tendem a ingressar em narco-quadrilhas que afetam nosso país".

 

Nesta terça, ele tentou consertar a declaração, mas piorou, ao atacar os homens das regiões mais pobres pobres. "Ontem, numa exposição similar a essa, em outro ambiente, eu deixei claro que esse atingimento da família é muito mais crucial nas nossas comunidades carentes, onde a população masculina ou está presa, ou está ligada à criminalidade ou já morreu, e que deixa a grande responsabilidade por levar a família à frente nas mãos de mães e avós", disse.

 

 

18
Set18

Brasileiro analfabeto político nega o Holocausto e desconhece os perigos de uma ditadura

Talis Andrade

 

Como a Alemanha usa as escolas contra mentiras sobre o nazismo e o Holocausto

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por Clarissa Neher
BBC

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No episódio recente, um grupo de brasileiros que contestam a existência do Holocausto rebateram nas redes sociais o vídeo da embaixada alemã, alegando que as informações publicadas ali eram inverídicas e que o nazismo seria uma ideologia criada pela esquerda.

 

Essa mesma gente pede intervenção militar e vota na direita.

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Nas escolas da Alemanha, a abordagem pedagógica sobre esse capítulo histórico procura promover uma reflexão crítica sobre o passado e a sociedade, além de buscar evitar que esses crimes voltem a ocorrer no futuro.


"O ensino sobre o Holocausto lembra as pessoas dos perigos que elas mesmas estão vulneráveis se expostas a propaganda intolerante, preconceitos, injustiças, humilhação e violência potencial", afirma Peter Carrier, coordenador de um projeto de pesquisa da Unesco sobre o Holocausto na educação, promovido pelo Instituto alemão Georg Eckert.


Atualmente, o Holocausto faz parte da grade curricular na 9ª ou 10ª série, quando os alunos têm cerca de 15 anos. "A tematização do Holocausto e do Nazismo é uma parte obrigatória no currículo de História em todos os Estados da Alemanha", afirma Detlef Pech, professor de pedagogia na Universidade Humboldt de Berlim.

 

Segundo Peter Carrier, há duas maneiras principais de contextualizar o tema em escolas: no âmbito de sistemas políticos num bloco classificado como "Democracia e Ditadura", como ocorre em Berlim; ou no âmbito de regimes políticos históricos chamado de "Nacional-Socialismo", como no Estado de Hessen.

 

"O Holocausto é um ponto central da história da Alemanha, numa época em que a Alemanha trouxe muita desgraça para o mundo. O significado central deste período não deve ser subestimado. As ameaças da democracia e o que ocorre com o fim democracia também são aspectos importantes", destaca Tobias Funk, diretor na Conferência de Secretários de Educação.

 

O avanço da extrema-direita e a divulgação de notícias falsas representam, no entanto, um desafio para educadores. "Os professores precisam aprender como ajudar os jovens a não acreditar em tudo que leem na mídia e a questionar", afirma Carrier. Para isso, memoriais oferecem excelentes materiais didáticos, muitos disponíveis na internet. Transcrevi trechos

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18
Set18

GENERAL VILLAS BOAS CHANTAGEIA A JUSTIÇA

Talis Andrade

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por Luiz Eduardo Soares

 

O tuíte do general Villas Boas, comandante do Exército, é a maior chantagem à Justiça desde a ditadura. O Supremo tem, agora, uma arma apontada contra os juízes: ou votam contra o HC de Lula e pela prisão em segunda instância, ou… ou o que, general? Traem a pátria? Traem o interesse público? Contrariam suas convicções pessoais? Desagradam sua corporação?

 

Se o ministro Fachin tinha sido ameaçado, agora teria razões para denunciar a chantagem. Vivemos uma sequência de ataques à democracia e à independência dos poderes. Marielle e Anderson assassinados, a caravana de Lula agredida com tiros e impedida, pela violência, de seguir viagem, a mídia ensandecida porque a direita não encontra um candidato viável.

 

Querem o quê? Prender Lula? Se não bastar, pretendem o quê? Suspender as eleições ou neutralizá-la com o parlamentarismo tirado do bolso do colete nas vésperas do pleito? O que muita gente boa parece não entender é que o impeachment, na atmosfera envenenada por um antipetismo patológico, abriu caminho para que saíssem do armário todos os espectros do fascismo.

 

Não sou petista: sou anti-anti-petista. O anti-petismo é o ingrediente que faz as vezes do anti-semitismo, na Alemanha nazista. O anti-petismo identifica O CULPADO de todas as perversões, o monstro a abater, o bode expiatório, a fonte do mal. O anti-petismo gerou o inimigo e gestou a guerra político-midiática para liquidá-lo, guerra que se estende, sob outras formas (mas até quando?), às favelas e periferias, promovendo o genocídio de jovens negros e pobres, e aniquilando a vida de tantos policiais, trabalhadores explorados e tratados com desprezo pelas instituições.

 

Há um fio de sangue que liga as palavras ameaçadoras do general, interferindo na autonomia do Supremo, na véspera do julgamento do Habeas Corpus de Lula, a agenda regressiva que cancela direitos, as balas contra a caravana de Lula e a execução de Marielle e Anderson. Os autores não são os mesmos, e existem contradições entre eles, mas há uma linha de continuidade porque todas ocorrem no cenário de degradação institucional criado pelo anti-petismo e nele se inspiram.

 

Ser contrário ao anti-petismo, mesmo não sendo petista, é necessário para resistir ao avanço do fascismo. Os que votaram pelo impeachment e, na mídia, incendiaram os corações contra Lula e o PT, sem qualquer pudor, não tendo mais como recuar, avançam ao encontro da ascensão fascista, que ajudam a alimentar, voluntária e involuntariamente. Não podemos retardar a formação de ampla aliança progressista pela democracia, uma frente única anti-fascista.

 

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18
Set18

A “LIBERDADE” DE EXPRESSÃO DOS JORNALISTAS E A FALSA ISENÇÃO DE UMA MÍDIA EMPRESARIAL EM UMA SOCIEDADE DIVIDIDA EM CLASSES

Talis Andrade

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por Afrânio Silva Jardim

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O que vamos tratar abaixo deve servir de explicação para a sórdida tentativa de “massacrar” um determinado candidato ao cago de Presidente da República pelos jornalistas da TV GLOBO NEWS, na noite de ontem. Isto não é jornalismo e sim campanha ideológica para agradar o patrão. Aliás, talvez eles estivessem expressando, indiretamente, as suas próprias ideologias. Não foi por outro motivo que foram escolhidos para trabalhar nesta emissora “golpista”.

 

Por sorte, o candidato, mestre em economia e doutor em filosofia, sendo professor de Ciência Política e com a experiência de Ministro da Educação em governos anteriores, soube responder a todas as maldosas perguntas dos entrevistadores, de forma serena e respeitosa, logrando tornar evidente a parcialidade eleitoral de todos eles e elas.

 

Vamos então a mais uma reflexão sobre a inexistente liberdade e isenção da imprensa. A autocensura é uma realidade em um país de alto índice de desempregados...

 

Em vários textos, publicados na minha “coluna” do site Empório do Direito, venho sustentando, com base nas lições de Caio Prado Junior, que a liberdade abstrata, que é uma das características das sociedades de mercado, é uma liberdade muito relativa, pois poucos podem realmente dela usufruir. A situação econômica neste tipo de sociedade é que dirá sobre a “extensão” desta liberdade burguesa.

 

Por outro lado, venho sustentando, ainda na esteira do magistério do grande filósofo acima mencionado, que não é o Estado, no mais das vezes, que suprime esta liberdade em nosso cotidiano.

 

Na verdade, durante a nossa vida, somos tolhidos no exercício desta liberdade abstrata por uma hierarquização das classes sociais decorrentes do sistema capitalista. Não dá para negar que, em razão dos contratos de trabalho, umas pessoas se submetem ao mando de outras pessoas. O patrão manda no empregado, restringindo a sua liberdade e fazendo-o submisso à sua vontade.

 

Na medida em que as pessoas têm “chefes”, são elas dependentes economicamente de seus patrões e ficam “condenadas” a serem submissas aos patrões, donos de sua vida financeira. Muitos, para não perderem o emprego, se tornam até bajuladores ou subservientes. Outros já foram contratados porque têm predisposição para fazer o “jogo” da empresa jornalística ...

 

Recentemente, o Sistema Globo de Comunicação nos mostrou claramente como se suprime a liberdade de seus empregados, proibindo que eles se manifestem sobre questões políticas e ideológicas em suas redes sociais particulares. Tal proibição está sendo chamada de "lei Chico Pinheiro", por ser este bravo jornalista o primeiro a ser "silenciado".

 

Assim, constatamos que eu e minha empregada doméstica podemos criticar ou elogiar o ex-presidente Lula pela internet, podemos criticar ou elogiar o senhor Temer. Entretanto, os jornalistas, atores e demais empregados (as) da Rede Globo estão silenciados pelo “patrão imperial”. Vale dizer, eles tiveram sua liberdade de expressão castrada, não pelo Estado, mas sim pela Rede Globo. Na iniciativa privada, é permitida a censura prévia ??? Já não basta a subserviente autocensura dos jornalistas destas grandes empresas???.

 

O estranho e insólito é constatar que aqueles, que defendem radicalmente a liberdade de imprensa, castram a liberdade de seus empregados de exteriorizarem os seus pensamentos, ainda que fora do local de trabalho. Pura hipocrisia. Puro autoritarismo.

 

Importante salientar que, através do texto supra, meu escopo principal não é criticar a Rede Globo, mas sim a falácia da plena liberdade na sociedade capitalista. Meu escopo é criticar a falácia da imparcialidade ideológica e política destes jornalistas.

 

Aliás, basta um mínimo de consciência crítica para constatar a hipocrisia e cinismo que campeia em nossa grande imprensa.

 

Na verdade, a Rede Globo somente tornou explícito o que está implícito nas relações de trabalho neste tipo de sociedade, onde o poder econômico não gosta de limites...

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18
Set18

Quem conhece a trupe de Bolsonaro não vota nele para presidente nem no filho para senador

Talis Andrade

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por João Filho

 

 

SÓ NÃO VAMOS FAZER pacto com o diabo”, afirmou Bolsonaro em julho, enquanto costurava uma aliança com o clã dos Barbalho no Pará. O candidato do PSL tentou se coligar com diversos partidos de direita, mas não teve sucesso. Apesar de vender a imagem de que não formou uma coalizão ampla por ser alérgico a conchavos, Bolsonaro não está isolado porque quer, mas por incapacidade política. Mesmo estando muito bem colocado nas pesquisas, não teve habilidade para formar uma base de apoio fora do seu clubinho reacionário.

 

Em um contexto de demonização da política, em que lamentavelmente as alianças políticas são confundidas com práticas criminosas, o isolamento de Bolsonaro vira virtude aos olhos dos eleitores mais incautos.

 

Onyx Lorenzoni, coordenador da campanha, garante haver 110 deputados eleitos que apoiam a candidatura e que apoiariam um governo Bolsonaro. Como em um programa de auditório, Lorenzoni exibiu para os jornalistas um envelope que conteria os nomes dos deputados, mas, claro, não os revelou. O fato é que o PRTB, do caricato Levy Fidelix, é o único partido que apoia a candidatura de Bolsonaro.

 

Outro responsável pela articulação política de Bolsonaro é o advogado Gustavo Bebianno, um cara que até dez anos atrás estava nos EUA, lutando jiu-jitsu e trabalhando como sócio de um integrante da família Gracie em uma academia. Apesar de ser um neófito na política, foi escolhido para ser o presidente do PSL e um dos comandantes da campanha. Bebianno tem um perfil bastante similar ao do candidato e já está implantando no partido o jeito Bolsonaro de fazer política. Quando surgem divergências com apoiadores, grita e os chama de “viadinho”.

 

Muito religioso, Bebianno acredita piamente que Bolsonaro representa o Bem na luta contra o Mal. Assim como nós, ele também não sabe muito bem como foi parar na presidência do PSL: “Eu não sei o que eu tô fazendo aqui, nunca me envolvi em política, não entendo nada de política, não tenho perfil político, sou um cara impaciente. Não era para estar aqui, não era para estar aqui. É inexplicável”. Este é o homem que está à frente de uma candidatura presidencial que lidera as pesquisas.

 

O PSL é um partido essencialmente formado por militares da reserva e da ativa. Setenta e quatro candidatos a deputado federal do partido se apresentam com patentes militares em seus nomes oficiais de campanha. Três candidatos a governador e três a senador também aparecerão nas urnas com seus nomes acompanhados de cargos militares. Há muitos pastores também. Em comum, todos eles compartilham das mesmas obsessões: aborto, armas, homossexualidade, comunismo e crime. Não há nada muito além dessas esferas.

 

Apesar de tantos militares, a campanha de Bolsonaro tem sido marcada não pela ordem e disciplina, mas pela bagunça. Isso ficou mais evidente após o ataque em Minas Gerais. Após a segunda cirurgia, Bolsonaro segue bastante debilitado e não poderá fazer campanha, inclusive no segundo turno. A ausência expôs ainda mais a fragilidade de suas alianças. O vice, General Mourão, sem o aval de Bolsonaro e do PSL, honrou seu DNA golpista e entrou com um pedido no TSE para poder participar dos debates em seu lugar. Aproveitou também para propor uma nova Constituição que não seja feita por uma Assembléia Constituinte, mas por “notáveis” escolhidos sabe-se lá por quem.

 

Tudo o que cerca a candidatura da extrema-direita parece ser caricato. Pincei alguns expoentes do bolsonarismo que disputarão vagas no Congresso e que têm grandes chances de se elegerem. Tracei um mini-perfil de cada um para termos ideia do quão surreal será a base de apoio de um governo Bolsonaro, que mais parece um circo de horrores.

 

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Joice Hasselmann (PSL) – famosa por ter plagiado mais de 60 textos escritos por 42 jornalistas, a jornalista é candidata a deputada federal pelo partido de Bolsonaro. Depois que deixou a TVEJA (canal do Youtube da revista Veja), onde era apresentadora, Joice se tornou influenciadora digital das redes de direita e ativista bolsonarista das mais empolgadas. Sem combinar com ninguém do PSL, a paranaense chegou a anunciar sua candidatura ao governo de São Paulo, o que foi negado prontamente pelo presidente do partido em São Paulo, que afirmou que ela “atravessou o samba para querer aparecer”.

 

Nesta semana, Joyce causou novamente dentro do PSL. Gravou um vídeo em que diz ser a única candidata do PSL (além de Janaína Paschoal e Eduardo Bolsonaro) que é de fato apoiada por Jair. Seus correligionários ficaram revoltados. O candidato Alexandre Frota xingou muito no Twitter. Além de chamá-la de “biscate” e “ratazana que anda pelos bastidores”, afirmou que ela recebeu R$ 100 mil do fundo eleitoral da direção nacional do partido. A jornalista pretende representar Frota criminalmente e na Justiça Eleitoral. É esse o nível do debate interno do PSL.

 

A candidatura de Joice está sub judice, já que o TRE-SP indeferiu sua candidatura esta semana. A paranaense teria perdido o prazo para mudar seu domicílio eleitoral para São Paulo.

 

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Magno Malta (PR-ES)  – o senador-pastor era o “vice dos sonhos” de Bolsonaro e quase topou o convite, mas preferiu garantir a vaga no Senado, onde está desde 2002. Sua principal bandeira na política, para não dizer a única, é o combate à pedofilia. Sempre foi um político fisiológico e chegou a prestar apoio aos governos Lula e Dilma. Foi indiciado por participar da Máfia dos Sanguessugas. Na semana passada, The Intercept Brasil revelou que o gabinete do senador comprava gasolina em apenas dois postos, cujo dono é seu aliado político e já foi condenado por roubo. No intervalo do debate da Rede TV, o Senador Magno Malta afirmou que o filho de Lula comprou uma lancha de R$ 32 milhões, um famoso boato compartilhado em grupos de WhatsApp.

 

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Alexandre Frota (PSL-SP) o ex-ator é candidato a deputado federal e chegou no PSL com a benção de Bolsonaro, que chegou a convidá-lo publicamente para ser seu ministro da Cultura. Depois de ganhar fama nas novelas da Globo e antes de virar ativista político, Frota trabalhou como DJ, ator pornô, cantor de funk, modelo, comediante, jogador de futebol americano e por aí vai. Agora tentará a sorte na carreira de política. A sua repentina tomada de consciência política se deu durante os protestos pelo impeachment de Dilma. Como líder dos Revoltados Online — grupo reacionário famoso por espalhar fake news —, chegou a ser recebido em Brasília pelo ministro da Educação de Temer, que quis ouvir suas propostas para área.

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Onyx Lorenzoni (DEM-RS)  – apesar do seu partido apoiar Alckmin, é um dos coordenadores da campanha de Bolsonaro. Sempre com discurso moralizador, o gaúcho foi o relator das “10 medidas contra a corrupção” e se tornou um aliado de Deltan Dallagnol — um dos autores da proposta feita pelo Ministério Público. Logo após a revelação do áudio que registrou a famosa conversa entre Temer e Joesley, Onyx bradou contra a elite política do país, dizendo que ela “apodreceu, perdeu credibilidade, perdeu o respeito do eleitor, da eleitora, do cidadão, do trabalhador”. Um dia após essa declaração moralizadora, Onyx apareceu como recebedor de caixa 2 nos documentos apresentados pela JBS em sua delação. Depois que rodou bonito, o deputado se viu obrigado a admitir o crime. Continua usando, porém, o figurino de paladino da moral e dos bons costumes. Em junho deste ano, porém, o STF arquivou o inquérito que investigava o crime do qual Onyx é réu confesso.

 

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Major Olimpo (PSL-SP)  –  é um ex-policial militar que gosta de resolver as coisas no grito e, apesar de recentemente ter se consolidado como um quadro de direita ideológico, já foi do PDT e chegou a ser cogitado para ser candidato a vice-governador de São Paulo na chapa de Mercadante (PT). Em 2015, saiu do PDT e se filiou ao PMB, o partido da Mulher Brasileira, mas ficou pouquíssimo tempo e logo pulou para o Solidariedade. Com a candidatura de Bolsonaro na praça, foi para o PSL e imediatamente virou presidente do partido em São Paulo. Quando Joice Hasselmann “atravessou o samba” e se lançou candidata ao governo do estado, Major não resolveu a questão internamente. Preferiu publicar um vídeo repudiando a colega de partido, com tom agressivo, afirmando que o PSL “não é casa da mãe Joana”.  

 

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Delegado Éder Mauro (PSL-PA) – o deputado federal mais votado pelo Pará na última eleição, que teve a Odebrecht como maior doadora de campanha, o delegado Éder Mauro vem fazendo campanha para Bolsonaro desde o ano passado, quando gastou  R$ 14 mil para espalhar 400 outdoors por Belém em sua homenagem. Mauro já foi alvo de um inquérito no STF (arquivado por Gilmar Mendes) por prática de tortura e é investigado por outros crimes, como extorsão e ameaça. Integrante da bancada da bala, ele também defende abertamente um golpe militar no país. Éder Mauro já se envolveu em confusões na Câmara e, por muito pouco, não trocou socos com o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) durante uma audiência na Câmara no ano passado.

 

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Delegado Waldir (PSL-GO) – foi o deputado federal mais votado da história de Goiás. Eleito pelo PSDB, seu número de campanha era 4500 e o slogan era “45 é o calibre e 00 é da algema”. O delegado pulou para o PR e, logo em seguida, foi para o PSL para ficar pertinho de Bolsonaro. “Tivemos uma presidente terrorista. Um presidente sociólogo, que defende a liberação da maconha. Agora, chega! Tá na hora de mudar e colocar um presidente disciplinador e que entenda de hierarquia. E é o Bolsonaro”.

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Capitão Augusto (PR-SP) –  é aquele deputado federal conhecido por desfilar com a farda militar pela Câmara. O policial tentou fundar o Partido Militar Brasileiro, mas não conseguiu o número de assinaturas necessárias. Seu desejo era que o número da nova legenda fosse 38, “por causa do famoso três oitão, revólver mais usado pelas corporações militares”, ou 64, “em homenagem a nossa revolução democrática”. Com atuação parlamentar irrelevante, o capitão apresentou neste ano um inacreditável projeto de lei que obriga árbitros de futebol e seus auxiliares a declararem por escrito o time que torce. Dessa forma, eles seriam impedidos de apitar os jogos dos times do coração.

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Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP) –  descendente de Dom Pedro, o príncipe do Brasil saiu do Novo e se filiou ao PSL para poder apoiar Bolsonaro. Para ele, o verdadeiro golpe militar no Brasil se deu com a proclamação da República, e não em 1964. O príncipe sempre foi muito amigo do MBL e é autor do livro cujo título é involuntariamente irônico: “Por que o Brasil é um país atrasado?”.

 

A turma do Bolsonaro não é apenas conservadora e reacionária. São extremistas amalucados movidos por fanatismo religioso, boatos de WhatsApp ou qualquer coisa que lhes dê na telha. Assim como Jair Bolsonaro, são saudosos do regime militar, mas jamais prestaram nenhum serviço relevante ao país em seus mandatos concedidos democraticamente pelo povo. Entre pastores, delegados, majores, capitães e um príncipe, todos ali têm um quê de Cabo Daciolo. Como disse Ciro Gomes em um dos debates, “a democracia é uma delícia, uma beleza, mas tem certos custos”.

 

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18
Set18

O eleitor de Bolsonaro e "O ódio como política"

Talis Andrade

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por Adriana Moysés 

 

O crescimento da extrema-direita no Brasil acompanha uma tendência mundial, alimentada pelas dificuldades econômicas e pelo aprofundamento das desigualdades, inclusive nos países em que a democracia está mais avançada.


A cientista social Esther Solano, professora da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios da Unifesp, está lançando o livro “O ódio como política” (editora Boitempo), fruto de suas pesquisas com movimentos neofascistas e com os eleitores do candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL), líder nas pesquisas de intenção de voto no primeiro turno.

 

Segundo Esther Solano, os eleitores de Bolsonaro têm em comum um sentimento de rejeição da política. “É um voto de frustração, de cansaço e inclusive de desabafo contra a política. Representa aquela ideia de politização da antipolítica, que o Bolsonaro capta tão bem, transformando esse mal-estar e o descontentamento num grande capital eleitoral”, afirma a especialista.

 

Nesta entrevista à RFI, ela analisa o contexto que alimentou a radicalização de parte do eleitorado brasileiro.

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RFI – Jair Bolsonaro tem simpatizantes em todas as classes sociais e de todas as idades?

Esther Solano – O pico maior de intenções de votos em Bolsonaro vem fundamentalmente de homens, porque ele tem uma rejeição muito forte entre as mulheres, por causa de seu discurso misógino. Também entre eleitores de classe média e mais escolarizados, o que é muito interessante de analisar. O maior índice de votos em Bolsonaro é entre pessoas que têm ensino superior completo. São pessoas que já passaram pela universidade e que possuem alta escolarização, mas que decidem votar nele. Então, eu diria que o eleitor típico de Bolsonaro é um homem branco, de classe média, com ensino superior completo e das regiões sul e sudeste do país.

 

RFI – Como se explica que os eleitores de Bolsonaro minimizem a gravidade do discurso de ódio, misógino, que o candidato emprega, dizendo que “é só um jeito tosco e grosseiro de se expressar”?

ES – Isso é um processo de banalização do discurso de ódio. Esses eleitores não enxergam, não identificam um discurso de ódio e, sim, um exagero, até uma coisa folclórica do candidato. Eles inclusive falam que Bolsonaro é um candidato honesto, que não se deixa levar pelo marketing eleitoral, pela roteirização da política. "Ele fala o que quer e tem liberdade de expressão", alegam. Esse eleitor rejeita a tirania do politicamente correto. Temos aí uma trivialização do discurso de ódio do Bolsonaro. Não podemos também esquecer que estamos num país que tem uma sociedade muito racista e muito machista. O Brasil é o país que mais mata pessoas transgênero no mundo, tem uma alta taxa de feminicídio, o homicídio contra a mulher. Então, infelizmente, é um país que está construído sobre uma base de discurso e de prática de ódio contra o diferente.

 

 

RFI – Isso reforça a própria imagem desse eleitorado?

ES – Tudo isso reforça a imagem desse eleitorado e ainda mais: como você tem pela primeira vez um candidato que se coloca como antissistema, anti-establishment, isso de alguma forma faz com que um discurso de ódio que era malvisto, que estava muito mais escondido – e Bolsonaro trouxe esse tom para a rede nacional, para os principais jornais –, isso ficou agora totalmente despudorado. Essa extrema-direita saiu do armário e pode fazer circular livremente seu ódio, porque parece haver um carimbo dizendo “agora é correto falar isso, pode-se falar à vontade”.

 

RFI – Bolsonaro representa o mesmo extremismo fascista que vemos na Europa e em outros países do norte?

ES – Sim, eu diria que é o mesmo extremismo fascista com uma diferença fundamental: tanto o extremismo na Europa quanto nos Estados Unidos se constrói na ideia do inimigo externo. Então, é o imigrante, é o refugiado, é aquele que vem de fora. Como existe uma islamofobia muito forte, é aquele que ameaça a identidade europeia e norte-americana. No caso do Brasil, não temos essa ameaça externa, então o inimigo é interno. Pode ser o inimigo clássico, que é o jovem, negro, pobre, da periferia. Ou pode ser a figura da pessoa de esquerda, porque tem um antiesquerdismo muito forte, contra os professores e contra o PT. O antipetismo é muito forte. É toda uma construção de grupos indesejáveis dentro do próprio país. A construção de um inimigo interno, mas com a mesma dinâmica: a ideia de um discurso muito intolerante, raivoso, bélico, de aniquilamento do inimigo, tanto que é antidemocrático, porque a democracia é o convívio justamente dos diferentes, não é esta questão do inimigo.

 

RFI – Enquanto partidos de centro-direita governaram o país isso esteve latente?

ES – Efetivamente, esteve latente porque o Brasil é um país muito conservador, esta retórica não nasceu ontem, é uma questão histórica. Mas uma coisa muito importante é que durante os governos petistas, você encontra um fator muito explicativo, que é a mobilidade social ascendente dos mais pobres. Os pobres ganharam a possibilidade de ter uma renda maior, trabalho melhor, de consumir mais. Isso provocou medo e rejeição fundamentalmente das classes médias. É o que a gente denomina classicamente de ódio ao pobre. Eu sou de classe média e vejo aquele pobre, favelado e periférico chegando perto de mim, crescendo na hierarquia social. Isso provocou um conjunto de reações classistas, xenofóbicas e com um conteúdo racial muito importante. Houve uma rejeição muito grande às políticas de inclusão petistas, que foram muito fortes.

 

RFI – Esta eleição parece que não irá resolver de maneira alguma esta questão da polarização. Existem caminhos para apaziguar uma sociedade quando ela chega a tal ponto de polarização?

 

ES – Existem caminhos, mas não a curto prazo. A tendência nesta eleição – ou pelo menos o que as pesquisas eleitorais estão dizendo – é que pode haver um segundo turno entre Fernando Haddad (PT) e Bolsonaro (PSL). Basicamente, vai ser uma eleição do petismo contra o antipetismo. O grau de polarização que já tínhamos na época do impeachment, que já era muito forte, veremos isso à máxima potência. O que acho complicado em tudo isso é que essa polarização tem uma carga emocional muito grande. O debate é muito infantilizado, muito empobrecido, praticamente não tem propostas programáticas e depois o que você instaura é a dinâmica do ódio do outro. Parece que o outro não é um adversário político, é o inimigo que tem de aniquilar. Essa configuração provoca muita raiva no cenário político. Movimentos com um tal grau de emotividade são sempre muito típicos de momentos de crise político-econômica. Quando se tem uma crise do neoliberalismo como a atual, que é na verdade global, com desemprego muito alto, uma grande vulnerabilidade e precarização, existe uma tendência de aparecimento de movimentos populistas, que conseguem captar essa emoção das pessoas. O regime nazista na Alemanha nasceu assim, de um enorme descontentamento político, social, de uma enorme crise econômica. Existem dois fatores no mundo atual que convergem para isso: a crise econômica no mundo todo e uma grande crise de representação que potencializa figuras populistas. Por isso, vemos isso pipocando em tantos países. Temos uma diminuição das políticas em termos programáticos, racionais, e um aumento da política demagógica, populista e emocional.

 

 

RFI – Você vê o petismo com interesse em superar esta polarização, em introduzir um elemento novo, ou o partido também se apropriou desse dado para se manter forte?

ES – Esta é uma questão que muita gente se pergunta agora. O PT fez uma opção até agora de apostar na polarização, no discurso do golpe, da perseguição política, de Lula se posicionar como um perseguido. Mas isso representa uma encruzilhada perigosa. Ao mesmo tempo em que isto está servindo positivamente para que Fernando Haddad vá aumentando seu percentual de voto muito rápido, por outro lado alimenta muito o antipetismo. A gente tem de ver até que ponto o PT vai medir essas forças: no petismo que alimenta muito a candidatura do Haddad e no antipetismo que aumenta a candidatura do Bolsonaro. Talvez, depois do primeiro turno mude um pouco o cenário. São tantos fatores novos que temos de ver como o PT vai construindo sua estratégia

 

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18
Set18

LULAÇO, O POVO SEM LAÇO

Talis Andrade

 

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A cada Lulaço

o de Moro fica

torando aço

 

A cada Lulaço

dos gorilas

de Bolso

a ameaça

 

de puxar o laço

do golpe

da ditadura

e tortura

 

nos calabolços

de Moro

de Ustra

de Fleury

 

os heróis

de Mourão

de Bolsonaro

de Vilas Boas

 

os generais

de Temer

que prometem

ao povo

 

a reforma agrária

da desova

em sete palmos

de cova

 

nos cemitérios

clandestinos

o espasmo a agonia

cruel destino

 

Ah dá para cantar

espantar os males

as aves agourentas

expulsar os inimigos

 

e cantar olê olê olá

é Hadad amigo

o povo de novo

olê olê olá

Lulá

 

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