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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

15
Nov18

Preconceito de Bolsonaro deixa 60 milhões sem médicos

Talis Andrade

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SALVADOR

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RECIFE

 

O preconceito ideológico, a ignorância sobre políticas públicas e a falta de sensibilidade social de Jair Bolsonaro vão deixar 60 milhões de brasileiros sem a assistência de 8,5 mil médicos cubanos participantes do programa Mais Médicos, criado em 2013 pelo governo da presidenta Dilma Rousseff.

 

Em cinco anos de cooperação, mediada pela Organização Panamericana de Saúde, os médicos cubanos fizeram mais de 113 milhões de atendimentos nas localidades mais isoladas e mais pobres do Brasil. Eles atuam em 2.885 municípios são os únicos médicos em 1.575 deles. Trouxeram sua experiência em saúde pública reconhecida internacionalmente. Com este exemplo de solidariedade, criaram laços de confiança e gratidão com o povo brasileiro.

 

Foi justamente por favorecer o povo que o programa Mais Médicos foi atacado desde o início pelos setores de direita e antipetistas do Brasil e as corporações profissionais mais atrasadas e elitistas. Jair Bolsonaro votou contra o Mais Médicos na Câmara e foi ao Supremo Tribunal Federal contra o programa. Valendo-se de um repertório de mentiras, trato um importante programa social, que salvou incontáveis vidas, como se fosse um negócio entre parceiros ideológicos.

 

A retórica desrespeitosa e as exigências descabidas de Jair Bolsonaro levaram o governo de Cuba a se retirar do programa Mais Médicos. É uma falácia anunciar que os 8.500 cubanos serão substituídos rapidamente. Em cinco anos de programa, o máximo de brasileiros que atenderam a um edital foi de 3 mil médicos. As consequências vão recair sobre a população, especialmente os mais pobres e mais vulneráveis. A responsabilidade por mais esse desastre social recairá sobre Jair Bolsonaro e sobre os poderosos que o apoiam.

Comissão Executiva Nacional do PT

 

 

15
Nov18

“Sou um troféu que a Lava Jato precisava entregar”, diz Lula em depoimento

Talis Andrade

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De um mural de Flávio Tavares

 

Depois de 222 dias de prisão política por um triplex que nunca foi dele, Lula deixou a sede da PF curitibana para se defender num processo do sítio que ele frequentou em Atibaia, interior de São Paulo. O inquérito investiga o pagamento de obras de reforma na propriedade.

 

Lula prestou depoimento à juíza substituta da Lava Jato, Gabriela Hardt nesta quarta-feira (14), na sede da Justiça Federal em Curitiba. Ao longo de quase duas horas, o ex-presidente respondeu questionamentos, reafirmou sua inocência e se insurgiu contra a guerra jurídica que se arrasta há anos contra ele.

 

“Eu sou vítima do maior processos de mentiras que esses país já conheceu”, disse.

 

O presidente diz estar cansado da guerra judicial contra ele, cujo histórico e eivado de mentiras, ilegalidade e acusações inconsistentes. “O primeiro processo que participei aqui é uma farsa. Uma mentira do Ministério Público com PowerPoint. O segundo é outra farsa. E eu vou pagar porque eu sou um homem que crê em Deus e crê na Justiça. Um dia a verdade vai prevalecer.”

 

Lula lembrou uma conversa antiga que teve com um advogado, ainda em 2005, sobre as acusações que começavam a surgir. “Ele disse: ‘não se preocupe porque não há como esse processo ir pra frente’. Não só eu fui condenado como inventaram um offshore ligada à Odebrecht para trazer o processo pra cá [Curitiba]'”

 

Lula lembrou que os governos petistas é que criaram os mecanismos efetivos de combate à corrupção. “Só tem jeitos de combater [a corrupção]: um é não combater. O outro é escancarar contra quem quer que seja. Não tem que esconder. O país não é de quem governa, é do povo brasileiro. Só não concordo quando fazem uso político disso”.

 

“No meu caso, a Lava Jato teve um descaminho. Eu era um troféu que a Lava Jato precisava entregar”, completou.

 

Lula denunciou a relação próxima, desde os tempos do BanEstado, entre Sergio Moro e o doleiro Alberto Yousseff.

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15
Nov18

Lula desafia juíza: “Eu sou o dono do sítio ou não?”

Talis Andrade
Em depoimento à substituta de Moro sobre caso do sítio de Atibaia, que não lhe pertence, ex-presidente rebate acusações e diz que ônus da prova é de quem acusa
 
 

 

 

O ex-presidente Lula rebateu, nesta quarta-feira (14), na Justiça Federal de Curitiba, em depoimento sobre o processo do sítio de Atibaia, que investiga se reformas realizadas na propriedade que não lhe pertence o beneficiaram, todas as acusações infundadas e demonstrou indignação com sua prisão injusta.

 

Durante o depoimento para a juíza Gabriela Hardt, substituta do juiz Sérgio Moro, indicado para ministro do governo de Jair Bolsonaro (PSL), Lulaquestionou: “Doutora, eu só queria perguntar para o meu esclarecimento: Eu sou o dono do sítio ou não? Porque eu estou disposto a responder toda e qualquer pergunta. Eu sou dono do sítio ou não?”, repetiu e a juíza não soube responder.

 

“Isso o senhor que tem que responder e eu não estou sendo interrogada nesse momento”, disse a juíza.

 

Lula interrompeu dizendo que tem que responder é quem o acusou.

 

Para o presidente da CUTVagner Freitas, que estava em Curitiba junto com militantes que foram prestar solidariedade ao ex-presidente, Lula mais uma vez foi brilhante e firme ao demonstrar que a Justiça não tem uma prova sequer de que ele tenha cometido algum ilícito. A primeira pergunta que ele fez para a juíza, segundo Vagner, foi “por que estou aqui? Me descreva quais foram os crimes que eu cometi, me fale quais as leis que eu infringi e quais as provas que têm que eu cometi algum equívoco. Eu só quero isso”.

 

Questionado pela juíza sobre as reformas do sítio de Atibaia, Lula disse que um presidente da República “não se mete nessas coisas da Petrobras, não só o contrato da Odebrecht ou OAS, nem qualquer [outro] contrato”.

 

Sobre intermediários que teriam interferido nesses contratos, Lula afirmou que nem o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci nem ninguém tinha procuração dele para cuidar de qualquer coisa do seu interesse.

 

Eu sou vítima do maior processo de mentira que esse país já conheceu. E,  sinceramente, não sei mais o que fazer a não ser esperar por Deus ou que um dia nesse país se faça justiça

 

De acordo com nota divulgada pelo advogado Cristiano Zanin, nas quase três horas de depoimento, “Lula rebateu ponto a ponto as infundadas acusações do Ministério Público” e reforçou que, durante o seu governo, “foram tomadas inúmeras providências voltadas ao combate à corrupção e ao controle da gestão pública e que nenhum ato de corrupção ocorrido na Petrobras foi detectado e levado ao seu conhecimento”.

 

A nota diz, ainda, que o ex-presidente Lula demonstrou sua “perplexidade de estar sendo acusado pelo recebimento de reformas em um sítio situado em Atibaia que, em verdade, não têm qualquer vínculo com a Petrobras e que pertence de fato e de direito à família Bittar, conforme farta documentação constante no processo”.

 

De acordo com Zanin, durante o depoimento Lula também reforçou “sua indignação por estar preso sem ter cometido qualquer crime e por estar sofrendo uma perseguição judicial por motivação política, materializada em diversas acusações ofensivas e despropositadas” contra “alguém que governou atendendo exclusivamente aos interesses do País”.

 

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15
Nov18

"Algumas regiões do Brasil parecem terra de ninguém", diz relatora da CIDH

Talis Andrade

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A relatora da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) fala durante coletiva de imprensa no Rio de Janeiro, 12/11/2018CIDH / Twitter
 
 

Em relatório preliminar, divulgado na segunda-feira (12) no Rio de Janeiro, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) observou que o processo de fortalecimento institucional da área de direitos humanos no Brasil “sofreu uma espécie de congelamento”. Também alertou que problemas estruturais ainda persistem no país e precisam de solução. A RFI conversou com Antonia Urrejola, membro da CIDH e uma das autoras do relatório.

 

Qual é a maior preocupação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) na questão dos direitos humanos no Brasil?

Nossa maior preocupação está principalmente relacionada à violência que existe contra defensores dos direitos humanos e o nível de impunidade, como no caso da violência rural e os discursos de ódio que parecem estigmatizar algumas minorias. Nos parece que há uma situação muito grave, principalmente na violência contra defensores dos direitos humanos.

 

Vocês também destacaram no relatório a situação de violência sofrida pelos povos indígenas?

Durante nossa passagem pelo Brasil, fomos ao Amazonas, ao Mato Grosso do Sul, e presenciamos a violência rural. Há uma demora muito grande da justiça em anunciar decisões. Vimos que alguns processos estão tramitando há mais de 30 anos, sobretudo na questão da demarcação de territórios ancestrais. Há hoje milícias rurais e por isso recebemos muitas denúncias de violência, com indígenas feridos e assassinados, uma situação muito preocupante. Há também a falta de um Estado que garanta a devida proteção. Percebemos que as investigações não chegam aos culpados. Para ser bem franca, vimos que algumas regiões parecem terra de ninguém.

 
 

Vocês também dizem que irão continuar monitorando o que acontece no Brasil, agora com um novo governo. Durante a presença da comissão no país, não houve aliás nenhum contato entre a CIDH e o governo eleito?

 A ida da CIDH foi programada no fim de 2017 e anunciada em janeiro deste ano. É importante destacar que não fomos para o país devido ao resultado das eleições e sim porque foi um acordo com o governo brasileiro. A CIDH se relaciona com o Estado através dos representantes do poder executivo que nos permitiu o acesso às atuais autoridades. O governo eleito ainda não está no poder e por isso não estava em nossa agenda encontros com representantes da futura gestão. Nossa relação foi feita com as pessoas que estão atualmente ocupando cargos no governo. Se houvesse algum interesse de nossa parte, teríamos entrado em contato. Mas nossa abordagem é conversar com as pessoas que estão atuando no momento em que passamos pelos países.

 

Alguns apoiadores de Bolsonaro tiveram palavras duras com relação à CIDH. O advogado Gustavo Bebianno chamou a comissão de “esquerdista” com “credibilidade zero”.

Vou ser muito franca. A CIDH tem um papel de denunciar as infrações que vão contra os direitos humanos. Dependendo da posição política de quem nós incomodamos, nos acusam de fascistas e golpistas, instrumento do imperialismo gringo ou de comunistas e esquerdistas. Lamentamos muito esse tipo de coisa porque não ajuda a melhorar as situações que estamos monitorando. Para nós, a relação com as autoridades, tanto com os poderes legislativos, executivos ou judiciários, são muito importantes para poder estabelecer espaços colaborativos. A CIDH não tem só o papel de denunciar. Nós somos um organismo que pode colaborar com os Estados na busca por práticas que levem a melhora institucional, novas leis, etc. O que disse esse advogado, para nós não é nenhuma novidade. Insisto, na Nicarágua fomos chamados de fascistas, e o que é lamentável é que geralmente são palavras sem fundamento algum.

 

Vocês estão preocupados que Bolsonaro tenha nomeado um general para o cargo de ministro da Defesa?

A CIDH fez questão de se mostrar preocupada com os discursos de ódio que foram pronunciados durante a campanha de Jair Bolsonaro. Para nós é importante fazer com que autoridades eleitas e funcionários públicos em exercício deixem de lado esse tipo de discurso pois ele é gerador de ações violentas na prática. Essa é a nossa maior preocupação. Mas sobre as novas autoridades e o presidente eleito, prefiro não me pronunciar. Aguardamos para que estejam em exercício. Por enquanto estaremos atentos. Mais do que saber se há ou não militares no governo, é saber que ações tomarão e se respeitarão as instituições. Brasil soube valorizar suas instituições nos últimos anos e esperamos que isso continue no futuro. Vamos ver o que acontecerá.

 

Entrevista concedida a Carlos Pizarro da RFI.

 
 
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15
Nov18

Bolsonaro existe? Foi esfaqueado mesmo, ou é tudo ‘fake news’?

Talis Andrade

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Hoje, pela primeira vez, a crônica cotidiana, a história que estamos vivendo, não é narrada exclusivamente pelo poder, como no passado

 

Talvez a História nunca tenha estado tão insegura entre a verdade e a mentira. Nunca, nem mesmo o presente foi posto tanto em dúvida. Será que descobrimos, de repente, que a verdade no estado puro não existe e que tudo pode ser verdadeiro e falso ao mesmo tempo?

Vejamos o Brasil. Tudo parece ser uma coisa e o contrário. Há até quem chegue a perguntar a si mesmo se o capitão Jair Bolsonaro, que conseguiu 57 milhões de votos nas urnas não se sabe como, existe realmente ou é uma miragem. Coloca-se em dúvida até mesmo que tenha sido esfaqueado.

 

Em um mundo no qual até intelectuais chegam a pôr em dúvida a existência do Holocausto judeu, com um saldo seis milhões de pessoas — homens, mulheres e crianças — exterminadas nos campos de concentração, podemos ter a impressão de que a verdade não existe e não será possível conhecê-la.

 

Isso é positivo ou negativo? É verdade que dessa forma todos nos sentimos mais vulneráveis e inseguros ao não ser capazes de distinguir entre verdade e mentira. E, ao mesmo tempo, talvez tenhamos de nos acostumar a conviver em uma realidade mais complexa do que pensávamos, que nos obriga a estar mais vigilantes, já que os limites entre realidade e aparência, entre notícia e fake news, estão ficando cada vez mais tornam-se se fazem cada dia mais tênues e indefinidos.

 

O que sentimos hoje como uma inquietação, talvez porque estivemos séculos sentados tranquilos sobre nossas certezas, pode acabar sendo uma importante purificação. Durante séculos vivemos alimentados pelos dogmas que poder civil ou religioso nos impôs. Tudo era, sem que precisássemos nos preocupar em descobrir, branco ou preto, verdadeiro ou falso, bom ou mau, justo ou injusto. Era assim mesmo, ou será que tínhamos nos acostumado a conviver com a verdade imposta, o que nos dispensava da dúvida? As coisas eram como eram, porque sempre tinham nos ensinado assim. Teria dado muito trabalho colocá-las em discussão.

 

Sempre acreditamos nos livros de História, como se fossem textos sagrados que não pudessem ser discutidos. E se, na verdade, os livros de História nos quais bebemos durante séculos fossem, em sua maioria, uma grande fake news? Nós nos esquecemos de que, em grande parte, a História foi escrita pelos vencedores, nunca pelos perdedores. Como teriam escrito os mesmos fatos aqueles que perderam as guerras, as vítimas, os analfabetos que não podiam escrevê-la, mas que a sofreram em sua pele?

 

É melhor não sofrer tanto e aprender a conviver em um mundo que já não é nem será aquele em que nossos pais viveram

 

Será que estaria a salvo da contaminação das fake news o grande livro da Humanidade, a Bíblia, escrita no espaço de mil anos por autores desconhecidos, que as Igrejas cristãs consideram ter sido inspirada por Deus e, portanto, verdadeira? E se descobríssemos que historicamente a Bíblia não resistiria a uma crítica séria? Ou será que alguém pode acreditar que existiram seus personagens mais famosos, como Abraão, Noé, Matusalém e Moisés?

 

E analisando apenas os quatro evangelhos canônicos que os católicos consideram inspirados por Deus, quanto neles há de histórico e quanto há de catequese religiosa ou política? Qual é a versão verdadeira sobre o julgamento e condenação à morte do profeta Jesus se entre as versões dos quatro evangelistas há inúmeras diferenças bem visíveis? Qual é a figura real de Jesus, a que é apresentada aos judeus da época, cuja morte é totalmente atribuída aos romanos, ou aquela narrada aos gentios e pagãos, em que se carrega nas tintas contra os judeus e fariseus?

 

Talvez a inquietude que todos sentimos hoje, na nova era em que a Humanidade entrou ao não saber se estamos lidando com notícias verdadeiras ou falsas nem o quanto isso pode condicionar a convivência política e social, se deva, no fim das contas, a algo positivo, embora seja preciso se recompor e recuperar a serenidade para entender que vivemos em um mar agitado, no qual é difícil distinguir um peixe vivo de um pedaço de plástico.

 

Essa positividade que alguns pensadores começam a farejar na situação angustiante que vivemos, na qual verdade e mentira convivem abraçadas, talvez nasça de algo novo e ao mesmo tempo positivo que não existia no passado. Hoje, pela primeira vez, a crônica cotidiana, a história que estamos vivendo, não é narrada exclusivamente pelo poder, como no passado. Não é narrada pelos que se consideravam donos da verdade e a impunham com a espada na mão, se fosse necessário. Todos os poderes, civis e religiosos, fizeram isso. Hoje, a crônica começa a ser escrita e filtrada também pelos de baixo, pela periferia, por aqueles que não têm mais poder do que o oferecido pelas redes sociais.

 

Isso sem dúvida levará, como já está ocorrendo, a crises de identidade e à quebra de velhos paradigmas de segurança, como o que os dogmas e as verdades oficiais ofereciam antes. Era tudo mais cômodo e causava menos angústia. Mas não éramos também mais escravos do pensamento único do poder? O fato de não termos de nos preocupar em saber se o que nos ofereciam como história era verdade ou não, ou se era só a verdade de uma parte e não da outra, dava-nos tranquilidade. Hoje, estamos no meio de um ciclone que parece arrastar tudo e não é estranho que nos sintamos inseguros, irritados e até com medo.

 

Tão inseguros que ainda há quem não saiba realmente quem é Bolsonaro ou se ele é uma invenção, ou se os médicos de dois hospitais de prestígio inventaram a história da facada. E Lula? E Moro? Como se escreverá amanhã a história atual do Brasil? Será que os historiadores de hoje conseguirão nos contar no futuro a verdade ou a fake news sobre o que está vivendo uma sociedade que se sente presa entre a verdade e o boato, entre o que ela gostaria que fosse e o que efetivamente é a realidade — que, afinal, tem possivelmente tem tantas caras e nuances quanto as cores do arco-íris.

 

É melhor não sofrer tanto e aprender a conviver em um mundo que já não é nem será aquele em que nossos pais viveram. E essa sim é uma verdade. Se opressora ou libertadora, só poderemos saber quando baixar a poeira dessa agitação em torno de verdade e falsidade ou de meias verdades e meias mentiras. O famoso filósofo espanhol Fernando Savater me lembrava de que “se o mundo parasse de mentir, acabaria despedaçado em poucos dias”. Às vezes, uma meia verdade pode salvar o mundo de uma catástrofe. Até a Igreja católica, com seus séculos de experiência em conduzir o poder, cunhou as famosas “mentiras piedosas”.

 

Para terminar, é verdade que Bolsonaro existe, com mais sombras do que luzes e mais incógnitas do que realidades. E também existe Lula, com toda sua história e todas suas contradições. O que não sabemos é como a História nos contará um dia este momento, que em outras colunas em já chamei de dor de parto, mais do que de funeral e morte. E em todo parto existe, ao mesmo tempo, dor e felicidade, ansiedade e esperança.

 

E, acima de tudo, a certeza de que a vida, com todas suas amarguras e crueldades, verdades e mentiras, é o único e o melhor que temos. Que no Brasil predomine, apesar de tudo, a cultura da vida e não a da morte. Essa é a grande aposta e a grande resistência. Para isso, todos deveríamos andar de mãos dadas.

 

14
Nov18

Os absurdos de Moro e Bolsonaro para Lula "apodrecer na cadeia" (vídeo)

Talis Andrade

 

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Moro continua em Curitiba no comando do circo para que seja garantida a promessa de Jair Bolsonaro de Lula "apodrecer na cadeia". 

 

Como explicar que mesmo sem ser o dono de um imóvel e não ter contratado reformas Lula é acusado e julgado em uma ação penal, sem provas e nem mesmo indícios? A resposta é clara: trata-se de um julgamento político. A confusão entre os poderes Executivo e Judiciário fica cada vez mais evidente, quando diz respeito à perseguir o ex-presidente.

 

Sérgio Moro, o juiz-ministro de Jair Bolsonaro (PSL), segue com sua caçada ao maior líder do Brasil nesta quarta-feira (14). Lula presta depoimento na 13ª Vara Federal de Curitiba, atualmente, uma espécie de escritório do magistrado político. Moro saiu de férias, mas engana-se quem acha que ele não conduz – manipula – o processo sobre um sítio em Atibaia.

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Vem denunciando o jornalista Helio Fernandes, que o conluio Moro-Bolsonaro teve início na trama do golpe, em 2016, que derrubou Dilma, empossou Temer e tirou Lula da disputa eleitoral. A charge acima foi publicada em 4 de abril de 2017. Confira 

 

O candidato do PT nas Eleições 2018Fernando Haddad, visitou o ex-presidente nesta quarta (14) e revelou que ele está convicto de que se tivesse o direito a um julgamento justo, com juízes imparciais, no dia seguinte estaria na rua, na luta com os trabalhadores. “O presidente Lula está muito sereno e tem a certeza de que se os seus argumentos forem ouvidos, a Justiça será feita e ele será absolvido. Ele está muito preparado e muito agradecido pela solidariedade. Ele não vai parar de lutar”, disse Haddad.

 

Sérgio Moro, o juiz-ministro de Jair Bolsonaro (PSL), promove uma sistemática perseguição a Lula. Desde o início da Lava Jato, ele tem transformado a Justiça e o direito em instrumentos de poder para atender suas ambições políticas e de aliados, prática conhecida como lawfare.

 

Importantes juristas internacionais já denunciaram as irregularidades de Moro na condução dos processos contra Lula. Mas não só a comunidade internacional, como juristas, lideranças e estudiosos brasileiros seguem denunciando os abusos praticados contra o ex-presidente. Assim como no caso do tríplex. Entenda ponto a ponto as inconsistências e absurdos de mais uma denúncia sem provas:

 

Nem Moro diz que o sítio é de Lula

 

A exemplo do que ocorreu no caso “triplex” que levou Lula à condição de preso político, o processo do caso sítio de Atibaia também não apresenta qualquer evidência e nem discute se a propriedade pertence ao ex-presidente. O próprio Moro diz que isso não importa. Resumindo, Lula não está sendo acusado de ser dono do sítio, mas pela reforma que foi feita nele que, segundo as “convicções” do juiz e do Ministério Público Federal, teriam sido solicitadas por Lula. Em sua denúncia, o MPF faz várias insinuações, mas não acusa ele de ser dono. O sítio é de outra pessoa.

 

Sítio fica em Atibaia e não há relação com Petrobras

 

A perseguição a Lula é tão descarada e evidente que o MPF da Lava Jato achou por bem resolver a falta de provas contra o ex-presidente com uma lista falsa de contratos entre a Petrobras e as empresas OdebrechtOAS e Schahin para que o processo pudesse cair nas mãos de Moro na 13ª Vara Federal em Curitiba e não em São Paulo. A artimanha jurídica, que seria execrada por qualquer juiz sério, atendeu aos anseios do juiz político e agora ministro do presidente eleito sucessor de Temer.

 

Testemunhas negam, mas isso não importa para Moro

 

O problema (ao menos para quem ainda acredita na Justiça brasileira) é que Lula não tem qualquer relação com esses contratos e, mesmo após o depoimento de dezenas de testemunhas, não se achou nada que pudesse relacioná-los ao ex-presidente. Marcelo e Emílio Odebrecht, por exemplo, negaram qualquer relação com a Petrobras no caso e que a reforma não era contrapartida e que nunca discutiu contratos.

 

Agora ministro, Moro se mantém como “juiz oculto” do caso

 

Moro disse em diversas ocasiões que jamais entraria para a política. Bem, o mundo inteiro agora sabe que ele mentiu – o que não chega a ser uma surpresa desde a condenação em primeira instância de Lula. Mas ele ainda consegue se superar ao, mesmo atuando politicamente para Bolsonaro, não ter pedido exoneração para assumir o Ministério da Justiça e manter a juíza Gabriela Hardt, substituta direta do juiz, à frente de processos que envolvem Lula. 

 

Sítio tem dono e Moro sabe. Cadê a justiça?

 

Os advogados de defesa de Lula argumentaram, ao longo de todo o processo, que o sítio da Atibaia tem proprietários conhecidos, “que constam na matrícula do imóvel e que provaram a utilização de recursos próprios e lícitos para a compra do bem, e, ainda, que suportam despesas de sua manutenção”. Tudo comprovado em cartório.

 

Adiamento era para evitar exposição? Não é bem assim…

 

Quando Moro adiou o depoimento de Lula que acontece nesta quarta (13) para depois das eleições disse que “o acusado apresenta-se como candidato à Presidência da República. Caberá ao egrégio Tribunal Superior Eleitoral decidir a respeito”. Mas agora todo mundo sabe que a intenção era tirar Lula do jogo (mesmo preso) e favorecer o seu candidato Jair Bolsonaro.

 

 

14
Nov18

Moro ministro de Bolsonaro e o julgamento de Lula: "Juiz é juiz sempre, mesmo em férias continuo sendo juiz"

Talis Andrade

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por Erick Julio

A presidenta nacional do PT, a senadora Gleisi Hoffmann, foi a Curitiba prestar sua solidariedade ao ex-presidente e lembrou que Moro na verdade faz novamente um teatro para condenar Lula.  “Ao tirar férias e não se exonerar do cargo de juiz, ele dirigiu para quem iria ficar o processo, para a juíza substituta sua amiga, que vai fazer o que ele quiser. Porque se ele se exonerasse, como manda a lei, o processo seria distribuído tecnicamente”, aponta a presidenta.

 

Gleisi questionou a consistência do processo judicial movido contra o ex-presidente. Para a senadora, a ação do Ministério Público Federal (MPF) não deveria nem sequer ter sido aceita pela Justiça.  “Qual foi o crime que o presidente Lula cometeu? Não apresentaram uma prova daquilo que o estão acusando. Lula não é dono do sítio. Lula não pediu nenhuma reforma. Lula não sabia de nenhum pedido. As testemunhas, todas, afirmaram isso e, mais, disseram que as reformas nunca tiveram a ver com nenhum dinheiro da Petrobras”.

 

“De novo é uma armação e uma mentira sobre Lula.  Como podem processar um homem que não cometeu nenhum ato ilícito? O Direito Penal exige a pessoalidade ao ter cometido algo. Se Lula não pediu reforma, se Lula não sabia da reforma, por que está sendo processado? Está sendo processado pela política”, critica Gleisi.

 

“Magistrado de férias não está obstaculizado” disse Moro juiz e ministro de Bolsonaro

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No dia 8 de julho, Moro em mais uma de suas ações arbitrárias despachou de férias para impedir o cumprimento da ordem liminar no Habeas Corpus (HC), expedida pelo desembargador do TRF-4 Rogério Fraveto, que determinava a liberdade do ex-presidente Lula. Na ocasião, o juiz-ministro justificou: “no sentido de que o magistrado de férias não está obstaculizado de, em casos urgentes, proferir decisões ou participar de atos processuais”.

 

Agora, por que devemos crer que ele não vai “participar de atos processuais” enquanto monta sua equipe para trabalhar no Executivo de Bolsonaro? O descaramento de Moro foi lembrado pelo líder do PT na CâmaraPaulo Pimenta, nesta quarta. “Naquele episódio do habeas corpus, Moro se manifestou e disse ‘juiz é juiz sempre, mesmo em férias continuo sendo juiz’, portanto, hoje, Moro de férias continua sendo juiz para perseguir Lula”, criticou o deputado.

 

No mesmo sentido, o líder do PT no SenadoLindbergh Farias, criticou a manobra de Moro e ainda mostrou grande preocupação com a democracia brasileira. “Moro já foi designado ministro da Justiça e, ao sair de férias, temos aqui uma mistura típica de um estado autoritário. A separação dos Poderes, que é a marca das democracias, corre risco. Ele já está no Executivo, no governo Bolsonaro, e tenta controlar o processo judicial”, destacou o senador, que ainda lembrou que o Parlamento Europeu manifestou preocupação com a desmoralização do Judiciário do Brasil.

 

"Lula seria eleito presidente logo no primeiro turno e por isso foi preso"

 

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O presidente da CUTVagner Freitas, também esteve em Curitiba para manifestar seu apoio a Lula. Ele lembrou que o ex-presidente foi condenado, sem provas, para ser retirado da disputa eleitoral deste ano. “Lula seria eleito em primeiro turno e por isso foi preso. Vamos as ruas defender os direitos dos trabalhadores e o principal representante da classe trabalhadora é Lula. Vamos libertá-lo e fazer caravanas juntos pelo Brasil”, disse Freitas.

 

A presidenta da PT ainda fez questão de alertar que, mesmo com as manobras do juiz-ministro, Lula nunca estará sozinho. “Nós não vamos arredar o pé, quanto não soltarem Lula. Não desistiremos de Lula nunca. É o maior líder popular, gostem ou não. Aceitem ou não. Precisaram prender Lula para ganhar uma eleição. O lugar dele é com o povo nas ruas, trazendo esperança. Ele nunca desistiu do povo brasileiro e nós e o nunca desistiremos dele. Lula Livre”, finalizou Gleisi.

14
Nov18

O PRIMEIRO ERRO DE BOLSONARO

Talis Andrade

Rodrigo Perez Oliveira, professor de Teoria da História da Universidade Federal da Bahia, com charge de Aroeira

 

Depois de uma derrota traumática, é natural que os derrotados façam um duplo exercício: primeiro vem a negação, a tristeza, a depressão. Depois vem a análise, a reflexão, o autoflagelo, ou, para usar um termo da moda, a “autocrítica”.

 

Pelo que ouço, pelo que vejo, pelo que sinto, acredito que já estamos na fase da reflexão, do autoflagelo. A “autocrítica”, ao menos para mim, passa por uma pergunta fundamental: por que subestimamos tanto Jair Bolsonaro?

 

E, de fato, subestimamos, sem dúvida. Falo aqui por mim e por mais outros tantos companheiros e companheiras. Não acreditávamos que o Deputado Capitão pudesse chegar tão longe. Chegamos a torcer para que o segundo turno fosse disputado contra Bolsonaro. Dávamos a vitória como certa.

 

Quase ninguém acreditou que Bolsonaro venceria, nem mesmo do lado de lá. Vocês lembram que Bolsonaro não conseguiu um companheiro de chapa dentro da classe política? Ele tentou, conversou, bateu em muitas portas com o pires na mão. Ninguém quis apostar, ninguém quis ser seu vice. Se arrependimento matasse, a direita brasileira seria hoje um grande cemitério. A esquerda também.

 

Precisamos reconhecer que Bolsonaro soube jogar o jogo. Ele balançou o livro “Aparelho Sexual e Cia” no Jornal Nacional, em horário nobre, bradando “vejam o que estão distribuindo nas escolas”. Pouco importa se o livro foi mesmo distribuído nas escolas (não foi). Uma afirmação contundente, no Jornal Nacional e em horário nobre se torna uma verdade em si. De nada adiantam os desmentidos que vêm depois.

 

Ainda no início da campanha, Bolsonaro sinalizou ao mercado que Paulo Guedes (um ortodoxo que assusta até os economistas mais ortodoxos) seria o seu ministro da Fazenda. Foi o bastante para que as forças mais poderosas do capital nacional e internacional abandonassem qualquer compromisso que pudessem ter com os valores da civilização, deixando Geraldo Alckmin de lado e embarcando na canoa de Jair Bolsonaro.

 

Bolsonaro foi capaz de se apresentar à opinião pública como o candidato da mudança, como um candidato antissistema. Bolsonaro foi deputado federal nos últimos 28 anos. Até pouquíssimo tempo atrás, ele era filiado ao PP, partido estatisticamente mais corrupto do sistema político brasileiro.

 

Bolsonaro emplacou todos os filhos na vida política. Todos!

 

Bolsonaro apoiou todas as medidas antipovo implementadas pelo governo de Michel Temer. Mesmo assim, o cabra foi capaz de se apresentar como o candidato da mudança. E nem podemos culpar a imprensa hegemônica, que em diversos momentos da campanha tentou demolir sua candidatura.

 

Bolsonaro foi eleito com 55% dos votos válidos! A vitória eleitoral de Bolsonaro se explica por muitos motivos. A estratégia correta na campanha e na performance pública está entre eles. Até aqui, Bolsonaro jogou bem.

 

Não nos resta outra alternativa a não ser reconhecer o óbvio: se Bolsonaro está longe de ser um homem brilhante, também não é o idiota que acreditávamos que fosse. Continuar subestimando-o seria insistir no erro. Eu não o farei. Sou daqueles que aprendem com os erros.

 

Mas como nem tudo na vida são flores, Bolsonaro começa a dar suas caneladas. Talvez animado com a vitória e tomado por um excesso de auto-estima, o presidente eleito cometeu aquele que, na minha avaliação, é o seu primeiro grande erro estratégico. Ao convidar Sérgio Moro para ser seu “superministro”, Bolsonaro trouxe um adversário potencial, e poderosíssimo, para o coração do seu governo. É deste erro que quero falar neste texto.

 

O sucesso de Bolsonaro foi impulsionado pelo antipetismo, que hoje talvez seja o capital político mais valioso do Brasil. A maioria das principais lideranças busca fôlego político no antipetismo. João Dória, os desconhecidos governadores eleitos no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, Ciro Gomes e Marina Silva. Todos tentam se alimentar do antipetismo.

 

O antipetismo tem longa história, que nos leva lá para os anos 1980. Poderíamos ir até mais longe, antes mesmo da fundação do PT, reconhecendo que o antipetismo herdou outros “anti”: o “antipcbismo” dos anos 1930 e 1940, o “antipetebismo” da década de 1950. Não é de hoje que o establischment político brasileiro precisa de um “anti” pra chamar de seu, acendendo o ódio da população contra todo e qualquer projeto político que tenha alguma intenção redistributiva.

 

Sem dúvidas, Sérgio Moro é o principal responsável pela força do antipetismo e um dos arquitetos do bolsonarismo. Em entrevista recente, o próprio Jair Bolsonaro reconheceu sua dívida com o juiz, agora ministro do seu governo.

 

Mas será que foi prudente trazer Moro para o coração de um governo eleito pelo antipetismo? Como disputar o controle do antipetismo com o sujeito que construiu o antipetismo?

 

Moro não será um ministro qualquer. Moro é o principal personagem da crise. Como ele será coadjuvante no governo que é o resultado da crise?

 

Não há outro lugar ambicionado por Sérgio Moro que não seja o de protagonista, o de único protagonista. Moro não quer ser apenas ministro. Ele está com os dois olhos em 2022. Moro quer a cadeira onde Bolsonaro está sentado. Não duvido que em seus pensamentos mais íntimos, Moro se ache mais merecedor da cadeira do que o presidente eleito.

 

Justo! Afinal, Bolsonaro não teria chegado lá sem Sérgio Moro.

 

Moro preparou a campa. Bolsonaro deitou.

 

A história recente do Brasil deixou claro que Moro não é controlável, a não ser por forças muito poderosas que ainda conhecemos pouco. Sérgio Moro é um quadro político muito bem treinado. Quase todos os seus movimentos foram calculados com astúcia: os vazamentos seletivos para a imprensa, a escolha de Lula como antagonista, o uso habilidoso daquilo que os juristas chamam de “neoconstitucionalismo”.

 

Moro é o tipo de subordinado que não pode ser demitido. O chefe que contrata subordinado que não pode ser demitido deixa de ser chefe e se transforma em refém.

 

Ao entregar uma “Superministério” para Sérgio Moro, Bolsonaro fez política, é claro. Só os tolos acham que esses caras estão, de fato, preocupados em combater a corrupção. Bolsonaro quis surfar na popularidade da operação Lava Jato.

 

Será que Bolsonaro, eleito com 55% dos votos válidos, precisava disso? Não foi muito guloso o presidente eleito?

 

Ao fazer de Sérgio Moro o seu ministro da Justiça, Bolsonaro colocou a Polícia Federal sob o controle de um homem vaidoso, ambicioso e incontrolável. A Polícia Federal é capaz de destruir qualquer governo. Dilma Rousseff que o diga.

 

A ver quais serão os desdobramentos da presença de Sérgio Moro no governo de Jair Bolsonaro. Se previsões ainda são possíveis, eu diria que Bolsonaro vai se arrepender por alimentar onça com braço curto.

14
Nov18

Poema de Fernando Matos

Talis Andrade

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Que tamanho tem o coração de uma estrela?
Qual a extensão de uma vida humana?
A influência é depurada se conseguirmos vê-la...
Somos poeira cósmica vivendo de forma profana.

 

Talvez não haja lirismo na história da criação
Cada pensamento assume a forma imaginária
Maravilhosa caminhada de curta duração...
Egocêntrico tem uma viagem solitária.

 

O equilíbrio existe para que haja continuação
O Cosmo revela todo processo de Verdade
Somos parte de uma grande e infinita constelação
A nossa semelhança ultrapassa toda a existencialidade.