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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

04
Out22

Os protestos que voltam às ruas, por Urariano Mota

Talis Andrade

Uma Floresta Com Desastre De Incêndios Florestais | Ilustração de floresta,  Floresta, Floresta desenhoManifestantes protestam contra Bolsonaro e a favor da vacina em cidades de  Alagoas | Alagoas | G1

 

por Urariano Mota

Para estes dias que antecedem a maior eleição do Brasil, divulgo o capítulo pós-escrito que publiquei na edição norte-americana do romance “A mais longa duração da juventude”. Nas últimas páginas da tradução de Peter Lownds , “Never-Ending Youth”, acrescentei estas linhas:

Os cartazes tomam conta da cidade nos últimos tempos.

“Parem o incêndio das florestas no Brasil”

“Queremos vacinas!”

“Fora desprezo pelas mortes do coronavírus”

“Fora, Bolsonaro”

Eu os vejo e penso. Todos os militantes socialistas do Brasil, nos anos da ditadura, jamais esperaram completar a idade que agora atravessamos ao ver os protestos que voltam às ruas e aos quais voltamos. Antes, a morte estava ali, aqui, já, hoje ou logo amanhã de manhã. As prisões, torturas e assassinatos de companheiros se sucediam, e chegavam cada vez mais perto de nós mesmos, dos camaradas da última sexta-feira de carnaval. Por que nos poupariam o fim? Daí que vivíamos todos sob alta tensão. Daí que vivíamos todos como se ganhássemos as últimas horas do último dia. Mas sobrevivemos, só Deus e o Diabo sabem como.

Agora, sob um governo fascista, problemas que julgávamos resolvidos voltam à tona. O que será dos nossos direitos? O que será do trabalho dos nossos filhos? Haverá um mundo digno do nome para as novas gerações? Para essas perguntas bem sabemos a resposta: vamos à luta, não podemos submergir em um mar de angústia e desesperança. O problema é que no contexto geral desse fascismo vêm as perguntas particulares para a nossa idade: como podemos encarar o futuro? Que planos faremos? Que perspectivas temos?

Para quem atinge além dos 70 anos, o futuro a ser vivido é curto, pode até nem atingir o fim deste dia. Nesse aspecto, é uma repetição dos anos de ditadura, em inesperada semelhança. No entanto, a resposta hoje é bem diferente daqueles dias. Hoje, devemos encarar o futuro sem lhe destacar o prazo certo, pequeno de tempo. Para o breve futuro caminhamos na certeza de que até o fim viveremos com a força do que sabemos fazer e acreditamos. Ateus, materialistas, não teremos o céu depois da morte. O céu é nosso trabalho, aqui, agora, de hoje até o último segundo. O inferno é negar o que temos de melhor em nossa alma, porque de ideias e sentimentos somos feitos.

Mas que planos faremos? Para tão curto espaço de horas o plano é amar, beijar as pessoas, dizer-lhes o que nunca lhes dissemos, porque temos a consciência do próximo mergulho que não projetamos. E trabalhar, e trabalhar, e trabalhar para realizar o melhor que somos. Admitamos, esse é um grande plano. Pois devemos dividir e multiplicar as lições que acumulamos.  Queremos aquele alto que Joaquim Nabuco expressou tão genial em seu fim:

– Doutor, tudo, menos perder a consciência!

Se perdemos a consciência, já não somos. E quando a perdermos, não seremos. Não deve haver lágrimas para um corpo inútil corpo, sem identidade. Então o plano é ser, o ser pleno, o plano é pleno. Até onde possamos sorver a plenitude.   

Mas que perspectivas temos? Daqui onde estamos, nesta hora, que olhar podemos lançar para o porvir? Uma resposta está no que vimos há pouco, nas linhas anteriores.

A resistência, que é vida, se faz na brevidade pelas ações e trabalho dos que partiram e partem. Mas nós, os que ficamos, não temos a imobilidade da espera do nosso trem. Nós somos os agentes dessa duração, o trem não chegará com um aviso no alto-falante, ‘atenção, senhor passageiro, chegou a sua hora’. Até porque talvez chegue sem aviso, e não é bem o transporte conhecido. O trem é sempre de quem fica. E porque somos agentes da duração, a nossa vida é a resistência ao fugaz.  

Por isso a nossa mais longa juventude protesta nestes dias. Voltamos às ruas, voltamos à luta, aqui, agora, em palavras, em ações e arte, de todas as maneiras. Canta de novo para todos nós, ó Ella Fitzgerald! Estamos voltando.

Todos por Lula!

04
Out22

Líderes e chefes de Estado parabenizam Lula pela vitória no 1º turno

Talis Andrade

 

 

por Bárbara Luz /Vermelho

Diversos líderes e chefes de Estado da América Latina comemoraram a vitória de Lula (PT), candidato da coligação Brasil da Esperança, por terminar o primeiro turno das eleições presidenciais, neste domingo (2), à frente de Jair Bolsonaro (PL). Lula teve 48,43% (57 milhões) dos votos válidos.

O presidente do México Andrés López Obrador, o AMLO, foi um dos primeiros a parabenizá-lo. “Parabéns, irmão e companheiro Lula. O povo do Brasil demonstrou mais uma vez sua vocação democrática e, principalmente, sua inclinação para a igualdade e a justiça”.

Felicidades, hermano y compañero Lula. El pueblo de Brasil demostró una vez más su vocación democrática y, en especial, su inclinación por la igualdad y la justicia.

— Andrés Manuel (@lopezobrador_) October 3, 2022

 

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, também felicitou Lula. “Parabenizo Lula pela vitória no primeiro turno. Felicito o povo brasileiro por sua enorme participação eleitoral”, escreveu em seu Twitter.

Felicito a Lula por su victoria en primera vuelta. Felicito al pueblo brasileño por su enorme participación electoral https://t.co/RiCnpW2lyh

— Gustavo Petro (@petrogustavo) October 3, 2022

 

Luis Arce, presidente da Bolívia, sublinhou que a democracia é o único caminho para o progresso e a paz social e reconheceu o esforço político que o povo brasileiro fez durante as eleições. “Parabenizamos o irmão Lula que venceu o primeiro turno das Eleições no Brasil e saudamos o povo brasileiro que demonstrou que a democracia é a única forma de construir sociedades justas, inclusivas e com paz social. #Força Lula”.

 

Felicitamos al hermano @LulaOficial que ganó la primera vuelta de las Elecciones en #Brasil y saludamos al pueblo brasileño que demostró que la democracia es el único camino para construir sociedades justas, inclusivas y con paz social. #FuerzaLula pic.twitter.com/psibBdwyE1

— Luis Alberto Arce Catacora (Lucho Arce) (@LuchoXBolivia) October 3, 2022

 

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, também compartilhou mensagem de felicitações. “Parabenizo meu querido Lula por sua vitória no primeiro turno e estendo meu sincero respeito ao povo do Brasil por sua profunda expressão democrática”, disse.

Felicito a mi querido @LulaOficial por su triunfo en primera vuelta y hago llegar mi sincero respeto al pueblo de Brasil por su profunda expresión democrática. pic.twitter.com/wZTBXvt99B

— Alberto Fernández (@alferdez) October 3, 2022

 

Pedro Castillo, presidente do Peru, saudou nesta segunda-feira as eleições gerais “exemplares” realizadas neste domingo no Brasil. “Saudamos o povo brasileiro por sua vocação democrática e suas instituições eleitorais pela condução exemplar das eleições gerais.”, escreveu o líder peruano.

 

O Grupo Puebla comemorou os resultados obtidos por Lula no primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras e exortou o povo a consolidar a justiça e a unidade.

“Com profunda alegria e esperança, o Grupo Puebla comemora o resultado eleitoral de Luís Ignácio Lula da Silva no primeiro turno das eleições brasileiras. Depois de ter sido vítima de uma das mais aberrantes operações de guerra jurídica que conhecemos, hoje Lula recebeu o reconhecimento de seu povo, renovando seu apoio e confiança em grande parte.”, dizia a nota.

“Conclamamos as forças democráticas e cidadãs a trabalharem juntas para que, no segundo turno, consolide-se o triunfo da esperança pelo qual a maioria dos brasileiros votou”, acrescentou o grupo político e acadêmico latino-americano que conta com a participação de 49 líderes políticos progressistas de 15 países.

O documento indicou ainda que, no dia 30, a decisão será “entre o futuro e o retorno ao passado; justiça social e império dos privilégios; entre um país respeitado internacionalmente, que lidera a integração latino-americana, e um concentrado em um falso nacionalismo, que não defende a pátria, mas a arruína”.

“Estamos certos de que, com Lula, triunfarão a esperança, a justiça e a unidade regional defendida pelo Grupo Puebla. Viva Lula! Superar!” conclui a declaração.

 

A eurodeputada da Alemanha, Anna Cavazzini, do Partido Verde, também parabenizou Lula e afirmou que é o momento de alcançar os não-votantes e eleitores de outros candidatos, para que o ex-presidente amplie sua liderança contra Jair Bolsonaro.

“Parabéns a @LulaOficial por ganhar de longe o maior número de votos nas #brasileleições! Isso dá esperança para a 2ª rodada em 30 de outubro. No entanto, mais de 43% dos brasileiros votaram em Bolsonaro, apesar de seu histórico devastador de políticas e seu fascismo aberto. Isso é preocupante.”, escreveu no Twitter.  

Congratulations to @LulaOficial for winning by far the most votes in #brazilelections !

This gives hope for the 2nd round on October 30th.

Yet more than 43% of Brazilians voted for Bolsonaro despite his devastating policy track record and his open fascism. This is worrisome.

— Anna Cavazzini (@anna_cavazzini) October 3, 2022

Anna Cavazzini também se mostrou preocupada com o avanço do bolsonarismo no Brasil. “É preocupante que mais de 43% dos eleitores tenham votado em Bolsonaro, apesar de sua política de coroa e seu fascismo exibido abertamente. Isso mostra que o bolsonarismo agora está firmemente ancorado na sociedade brasileira.”

Besorgniserregend ist, dass mehr als 43 % der Wähler*innen für Bolsonaro gestimmt haben, trotz seiner Corona-Politik & seines offen zur Schau gestellten Faschismus. Das zeigt, dass der Bolsonarismo jetzt fest in der bras. Gesellschaft verankert ist.“ https://t.co/cujl0b9Qsz

— Anna Cavazzini (@anna_cavazzini) October 4, 2022

 

04
Out22

Quem são as mulheres indígenas eleitas deputadas em 2022?

Talis Andrade

Célia Xakriabá (Foto: Divulgação)Célia Xakriabá é a primeira indígena deputada federal em Minas Gerais 

 

Apontada como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista americana Time, Sônia Guajajara (PSOL) obteve 156.695 votos, tornando-se a deputada federal indígena mais votada neste pleito. Juliana Cardoso (PT), afroindígena, somou 125.517 votos, enquanto Célia Xakriabá (PSOL) conquistou 101.154 votos.

Joenia Wapichana (Rede), que em 2018 foi eleita deputada federal e tornou-se a primeira mulher indígena a ocupar o cargo em 194 anos de história da Câmara dos Deputados, não conseguiu a reeleição.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao todo, 186 indígenas se candidataram nas eleições 2022.

Em 2019, Joenia Wapichana (Rede) foi eleita deputada federal e a primeira mulher indígena a ocupar o cargo em 194 anos de história da Casa (Foto: Reprodução/ Instagram)

Em 2018, Joenia Wapichana (Rede) foi eleita deputada federal e a primeira mulher indígena a ocupar o cargo 

Sônia Guajajara

Sônia é do povo Guajajara/Tenetehara, que habita as áreas das Terras Indígenas Araribóia, no Maranhão. Deixou sua aldeia para estudar ainda jovem, se formou em Letras, Enfermagem e é especialista em Educação Especial pela Universidade Estadual do Maranhão. Sônia é ativista, já foi candidata a vice-presidente na eleição de 2018, com Guilherme Boulos pelo PSOL,  e atua como coordenadora da APIB – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil.

Sua vida é dedicada a combater a invisibilidade dos povos originários, além da preservação da Amazônia. Em 2019, ela discursou na Cúpula do Clima da ONU em Nova York, reforçando a importância da manutenção do meio ambiente.

"São Paulo, nós conseguimos! A primeira mulher indígena eleita como deputada federal por SP vai aldear o Congresso Nacional. Muito, muito obrigada pela confiança. Estou muito feliz e consciente da missão que terei em representar vocês em Brasília! Vamos aldear mentes e corações, e construir um novo Brasil. Seguimos juntes", comemorou ela nas redes sociais após a vitória.

+ Mulheres no Mundo: Unindo tradição e tecnologia, mulheres indígenas lideram enfrentamento à pandemia

 

Célia Xakriabá

A professora ativista do povo Xakriabá, de Minas Gerais, Célia Xakriabá(PSOL), também marcou a história sendo a primeira mulher indígena a ser eleita deputada federal no estado. Desde os 25 anos, Célia dedica-se à luta pelos direitos das línguas indígenas ameaçadas, reestruturação do sistema educacional, além de fazer parte da Bancada do Cocar, que busca mudar a sub-representação dos povos originários dentro da política.

"Hoje entramos pra história! Primeira deputada federal indígena eleita pelo estado de Minas Gerais e iniciamos um novo momento da história da democracia neste país com a eleição de pelo menos 3 mulheres indígenas para o Congresso Nacional. Vamos com tudo para esse novo ciclo de luta, ARIÃTÃ", comemorou nas redes sociais.

 

+POWER TRIP SUMMIT:  Célia Xakriabá: 'Muito se fala de amar a pátria, mas a mãe do Brasil é indígena'

Célia Xakriabá fala sobre a luta indígena no Power Trip Summit (Foto: Bléia Campos)

Célia Xakriabá fala sobre a luta indígena no Power Trip Summit (Foto: Bléia Campos

 

+ Cultura: A luta das indígenas pelo direito de existir com sua cultura

 

Juliana Cardoso

Educadora, ativista dos movimentos sociais e sindical, Juliana está em seu quarto mandato como vereadora pelo PT em São Paulo, e já presidiu a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal.

"São Paulo fez história e levou uma mulher petista, afroindígena, feminista e de luta para Brasília! Gratidão pelos mais de 125.000 votos que nossa candidatura de sonhos, resistência e luta recebeu!", escreveu ela em comemoração. [Marie Claire, transcrevi trechos]

Juliana Cardoso (Foto: Divulgação)

Juliana Cardoso 

04
Out22

Oração de São Francisco

Talis Andrade

DE ARTE EM ARTE : PINTURAS DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS E SANTA CLARA - A ARTE  GÓTICA - DIA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS 04 DE OUTUBRO

Senhor,

Fazei de mim um instrumento de vossa Paz.

Onde houver Ódio, que eu leve o Amor,

Onde houver Ofensa, que eu leve o Perdão.

Onde houver Discórdia, que eu leve a União.

Onde houver Dúvida, que eu leve a Fé.

Onde houver Erro, que eu leve a Verdade.

Onde houver Desespero, que eu leve a Esperança.

Onde houver Tristeza, que eu leve a Alegria.

Onde houver Trevas, que eu leve a Luz!

Ó Mestre,

fazei que eu procure mais:

consolar, que ser consolado;

compreender, que ser compreendido;

amar, que ser amado.

Pois é dando, que se recebe.

Perdoando, que se é perdoado e

é morrendo, que se vive para a vida eterna!

Amém

 

04
Out22

Veja lista de bolsonaristas derrotados nas eleições de 2022

Talis Andrade

De Wassef e Queiroz a Adrilles: veja os nomes que 'orbitam' Bolsonaro, mas  não conseguiram se eleger - Política - Extra Online

 

Alguns candidatos famosos apoiadores de Jair Bolsonaro não conseguiram se eleger nas urnas nesse domingo (2). Veja a lista da Istoé:

Antonia Fontenelle

Sexta candidata mais bem votada do Republicanos, com cerca de 30 mil votos, a influenciadora digital e apresentadora não conseguiu se eleger como deputada federal pelo Rio de Janeiro.

Kid Bengala

O ex-ator pornô não se elegeu deputado federal em São Paulo, com pouco mais de 10 mil votos.

Wanderlei Silva

O atleta, que concorria a uma vaga na Câmara dos Deputados, teve 13.907 votos pelo Progressistas e seguirá carreira como lutador.

Marcos Braz

Vice-presidente de futebol do Flamengo e vereador da capital fluminense, ele recebeu 38.623 votos, mas não se elegeu deputado federal pelo Estado do Rio de Janeiro.

Andreia Sorvetão

A fama da ex-paquita não foi suficiente para angariar votos para se tornar deputada federal pelo Rio de Janeiro. No Republicanos, ela obteve somente 1,6 mil votos.

Silmaria

Ex-loira do É o Tchan, depois de participar do grupo de axé entre 2003 e 2007, tornou-se policial rodoviária federal e concorria nessas eleições a deputada federal no Distrito Federal. Ela recebeu 2.720 votos.

Netinho

O cantor foi candidato a deputado federal pelo PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, mas teve pouco mais de 31 mil votos.

Sarah Poncio

A influencer de 25 anos Sarah e o pai candidataram. Ela, a uma vaga de deputada estadual pelo PROS, mas não teve sucesso, somando pouco mais de 26 mil votos. Ele, o pastor Márcio Poncio (Pros), que disputou uma cadeira como deputado federal, também não conseguiu.Kid Bengalla e Antonia Fontenelle não se elegeram

 

Suedna Lira, no Polêmica Paraíba destaca os nomes:

Vários políticos muito próximos do presidente Jair Bolsonaro (PL), inclusive com atuação em seu governo, não conseguiram se eleger nas eleições deste domingo (2). Entre eles, os casos mais notórios foram de sua ex-esposa Ana Cristina Valle, que usou na urna o nome de Cristina Bolsonaro, e do ex-motorista e assessor Fabrício Queiroz, que tiveram votação pífia e não chegaram nem perto de um cargo.

Engrossam a lista ainda o controverso ex-presidente da Fundação Palmares Sergio Camargo, a médica Nise Yamagushi, a apresentadora Antônia Fontenelle, o comentarista Adrilles Jorge, o deputado estadual Douglas Garcia, entre outros.

Fabrício Queiroz

Fabrício Queiroz (PTB), ex-policial e suspeito de ser o operador do esquema de “rachadinhas” do clã Bolsonaro, teve apenas 6.701 votos e não conseguiu uma vaga para a Alerj (Assembleia Legislativa do Estado Rio de Janeiro).

Sergio Camargo

O ex-presidente da Fundação Palmares, Sergio Camargo, deixou o cargo no governo Bolsonaro em março para se candidatar a deputado federal por São Paulo. Teve apenas 13.085 votos, 0,06% do total e não passou nem perto de se eleger.

Nise Yamagushi

A médica imunologista Nise Yamaguchi (Pros), acusada de envolvimento no chamado “gabinete paralelo”foi , foi investigada na CPI da Covid. Ela teve 36.690 votos e não conseguiu uma cadeira no Congresso Nacional.

Adrilles Jorge

O virulento comentarista da rádio Jovem Pan, Adrilles Jorge, teve 91.485 votos (0,39% do total de votos válidos) para deputado federal e também não conseguiu se eleger.

Cristina Bolsonaro

A mãe de Jair Renan e segunda ex-esposa de Bolsonaro, Ana Cristina Valle (PP), conseguiu apenas 1.463 votos, somando 0,09% dos votos válidos no Distrito Federal e não se elegeu deputada distrital.

Douglas Garcia

Acusado de agredir a jornalista Vera Magalhães no fim do debate para governador promovido pelo UOL, o deputado estadual Douglas Garcia (PL) teve 24.549 votos e não atingiu o número de votos para sua reeleição.

Antônia Fontenelle

A apresentadora Antônia Fontenelle (Republicanos) teve 30.975 votos e também não se elegeu para deputada federal pelo Rio de Janeiro.Camargo, Adrilles, Fontenelle: bolsonaristas que não se elegeram em 22

 

 Marcus Pessoa apresenta uma lista de "75 bolsonaristas folclóricos",  no Amazonas É Assim:

Bolsonaro conseguiu emplacar vários ex-ministros em cargos eletivos, mas muitos também caíram n’água. Assim, muitos dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) e também dos que se arrependeram do apoio não passaram no teste das urnas.

O ex-presidente Fernando Collor de Melo, considerado um dos piores da história, apoiador ferrenho de Bolsonaro, concorreu ao cargo de governador por Alagoas, mas não chegou nem ao 2° turno. Ele obteve apenas 14,7% dos votos.

Outros apoiadores que fracassaram nas urnas são a influenciadora Antonia Fontenelle, a ex-paquita Andreia Sorvetão, ambas candidatas a deputada federal pelo Republicanos do Rio de Janeiro.

O ator pornô Kid Bengala não conseguiu uma vaga na Câmara por São Paulo, pelo União Brasil, teve somente cerca de 10 mil votos.

Na Bahia, o cantor Netinho também se deu mal.  E claro, figuras como Adrilles Jorge, Queiroz, e os políticos Daniel Silveira e Janaina Paschoal fazem parte dessa lista de famosos.

Confira a lista de bolsonaristas folclóricos que não se elegeram

  1. Kogos nao se elegeu
  2. Janaina Paschoal nao se elegeu
  3. Dos 7 candidatos do mbl, um se reelegeu (Kim Kataguiri) e somente um se elegeu (Guto Zacarias).
  4. Queiroz nao se elegeu
  5. Douglas Garcia não se elege
  6. Os Weintraubs nao se elegeram (Arthur e Abraham Weintraub)
  7. Nise Yamaguchi nao se elegeu
  8. Adrilles Jorge nao se elegeu
  9. Antonia  Fontenelle nao se elegeu
  10. Cristina Bolsonaro nao se elegeu
  11. Major Vitor Hugo nao se elegeu
  12. Bibo Nunes nao se elegeu
  13. Sergio Camargo nao se elegeu
  14. Daniel Silveira nao se elegeu
  15. Marisa Lobo nao se elegeu
  16. André fucking Porciúncula nao se elegeu
  17. Joice nao se elegeu
  18. Marcos Braz nao se elegeu
  19. Sarah Poncio nao se elegeu (abraçou pobre a toa)
  20. Eduardo Cunha nao se elegeu
  21. Wassef nao se elegeu
  22. Max Guilherme nao se elegeu
  23. FERNANDO HOLIDAY NAO SE ELEGEU
  24. Vlog do Lisboa nao se elegeu
  25. Felipe Folgosi nao se elegeu
  26. Ale Silva nao se elegeu
  27. Eric Lins nao se elegeu
  28. Ostermann nao se elegeu
  29. Italo Lorenzon nao se elegeu
  30. Paulo Faria nao se elegeu
  31. Ed Raposo nao se elegeu
  32.  Rafael Monteiro nao se elegeu
  33. Gilson Sanfoneiro Machado nao se elegeu
  34. Alexandre Frota nao se elegeu
  35. Jessicao nao se elegeu
  36. Fabiano Interprete do Bolsonaro nao se elegeu
  37. Leo Indio Bolsonaro nao se elegeu (para o choro do Carluxo)
  38. Tandara Caixeta nao se elegeu
  39. Collor nao se elegeu
  40. Paola Silveira (mulher do Daniel) nao se elegeu
  41. Nelson Barbudo (doido da vacina) nao se elegeu
  42. Andrea Sorvetao nao se elegeu
  43. Major Fabiana nao se elegeu
  44. Oswaldo Eustaquio nao se elegeu
  45. Wolverine do TikTok nao se elegeu
  46. Wanderlei Silva nao se elegeu
  47. Dayane Pimentel (cu prolapsado) nao se elegeu
  48. Netinho nao se elegeu (Mila deve ta feliz)
  49. Caneta Azul
  50. CAPITA CLOROQUINA NAO SE ELEGEU
  51. Sandra Terena (mulher do oswaldo) nao se elegeu
  52. Kid Bengala nao foi eleito
  53. Irmao da Michele Bolsonaro nao se elegeu
  54. Marido da Zambelli nao se elegeu
  55. Fernando Cury (apalpou a Isa) nao se elegeu
  56. Ingred Silveira nao se elegeu
  57. Marcio Labre nao se elegeu
  58. Coronel Tadeu nao se elegeu
  59. Ana Cristina Velle (ex-bolsonaro nao se elegeu
  60. Marcio Poncio (familia poncio deu ruim) nao se elegeu
  61. Rey Biannchi nao se elegeu
  62. Paulo Martins nao se elegeu
  63. Roberto Rocha nao se elegeu
  64. Luis Miranda nao se elegeu
  65. Pastor Everaldo (batizou o capeta no rio) nao se elegeu
  66. Charles Batista nao se elegeu
  67. Coronel Menezes (hahahaha)
  68. Maurren Maggi
  69. Alvaro Dias
  70. Romero Jucá
  71. Marconi Perillo
  72. Leonardo Picciani
  73. Osmar Serraglio
  74. Maurren Maggi
  75. Silmara Miranda
  76. Wanderlei Silva

Veja aqui os bolsonaristas raiz que apanharam das urnas e ficaram de fora |  Revista Fórum

03
Out22

O voto evangélico não pode ser perdido

Talis Andrade

 

 
 
 
por Fernando Brito
- - -

Análise após análise do resultado das eleições, há um fator que deve merecer toda a atenção e que, até agora, mereceu apenas algumas leves menções.

Admitindo que as pesquisas subestimaram os resultados de Jair Bolsonaro, não será exagero dizer que ele teve de 25 a 30 pontos acima de Lula no eleitorado evangélico, algo como 25 a 30% da população.

Uma percentagem sobre a outra, isso dá, por baixo, uma vantagem ao fascista de 6% do eleitorado nacional, muito mais que a votação de Simone Tebet e Ciro Gomes. Por cima, mais que a dos dois somados.

Não deixar que essa deformação das eleições pela orientação religiosa cresça e até diminuí-la tanto quanto possível é essencial para enfrentarmos o 2° turno.

É, talvez, a formulação mais difícil e complicada da campanha de 2° turno, até porque uma abordagem direta será tratada como “assédio” pela máquina de pastores que se associou a Bolsonaro, como se os fiéis fossem sua propriedade, à qual ninguém mais devesse ter acesso.

E a eles tentam manipular pelo medo – fechamento de igrejas, aborto, “ideologia de gênero”, etc – e agora o novo ingrediente de atemorização: “a Nicarágua” e os confrontos por lá.

Paris vale uma missa. E, por aqui, chamado verdadeiro: “me dê a mão, irmão”. Direto a ele, com a fraternidade que defendemos e que não combina com quem despreza seus sofrimentos.

 

03
Out22

Jair Bolsonaro e Douglas Garcia repetem a mesma frase contra Vera Magalhães:"Você é uma vergonha para o jornalismo"

Talis Andrade

Bolsonaro com pouca bala no pente | Vera Magalhães | OPOVO+Caso Vera Magalhães: bolsonaristas têm mãe, filha, esposa? Gente asquerosa  - Ricardo Kertzman - Estado de Minas

Palanque de Bolsonaro no comício cívico eleitoral dos 200 anos de 7 de Setembro em Copacabana 

 

O deputado estadual bolsonarista Douglas Garcia (Republicanos), que tentou constranger a jornalista Vera Magalhães, não conseguiu alcançar a tão almejada vaga na Câmara dos Deputados. Garcia foi derrotado nas urnas neste domingo (2). O parlamentar conseguiu apenas 24.549 votos em São Paulo.

>>> MP abre investigação contra deputado bolsonarista Douglas Garcia por ofensas contra jornalista Vera Magalhães

Garcia pode, inclusive, perder o atual mandato. Criticado até por bolsonaristas por ter tentado intimidar a jornalista a pouco mais de duas semana das eleições, durante um debate na TV Cultura, o parlamentar pode ter o mandato cassado pela Assembléia Legislativa de São Paulo (Alesp). As informações são do UOL.

Dois pesos, duas medidas. O mesmo crime foi praticado por Jair Bolsonaro. Garcia deu uma de papagaio. Repetiu o chefe maior, Bolsonaro:

A jornalista e colunista do GLOBO Vera Magalhães foi hostilizada e agredida verbalmente pelo deputado estadual bolsonarista Douglas Garcia (Republicanos) durante debate dos candidatos ao governo de São Paulo.

Vera estava sentada, assistindo ao debate promovido pelo jornal Folha de S.Paulo, UOL e TV Cultura quando foi abordada por Douglas Garcia, que se referiu a ela como "vergonha para o jornalismo brasileiro". A mesma frase foi utilizada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) para responder a uma pergunta da jornalista no debate presidencial da TV Bandeirantes, no dia 28 de agosto. Veja o vídeo no Twitter.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) atacou a jornalista da TV Cultura Vera Magalhães, que o questionou sobre vacinação.

"Vera, não podia esperar outra de você. Acho que você dorme pensando em mim. Você tem alguma paixão por mim. Você não pode tomar partido num debate como esse, fazer acusações mentirosas ao meu respeito. Você é uma vergonha para o jornalismo brasileiro", disse Bolsonaro exaltado.

Durante o ataque, Ciro Gomes (PDT) aparece rindo. Simone Tebet (MDB) saiu em defesa da jornalista e acusou o presidente de atacar mulheres. Bolsonaro, então, passou a mirar Tebet.

"A senhora é uma vergonha para o Senado, não vem com essa historinha de que eu ataco mulheres, de se vitimizar".

A também senadora e candidata Soraya Thronicke (União Brasil) saiu em defesa de Tebet após o ataque.

Que as mulheres tenham voz (e que Bolsonaro se cale) – Blog do PaulinhoIotti: terapia presidencial | GZHMais de um milhão de mulheres aderem rapidamente a grupo contra Bolsonaro  no Facebook - CTB

 

03
Out22

Evitar notícias é uma questão jornalística?

Talis Andrade

 

 

Dados do Reuters Institute fortalecem a percepção de que cada vez mais pessoas estão evitando consumir notícias. O relatório de 2022 contrasta com os dados de 2021, que apontavam para o crescente número de consumo e percepção sobre a credibilidade da informação jornalística.

O relato de 54% dos entrevistados brasileiros afirmando que, frequentemente ou às vezes, fez pausas no consumo de notícias, coloca o Brasil na 3ª colocação mundial no que o Reuters Institute chamou de “evitação seletiva de notícias”.

Este comportamento foi acentuado pela continuidade da pandemia de Covid-19, mas a crise sanitária não é o único tema que gera a evasão da audiência. No contexto mundial, a guerra na Ucrânia e a crise climática foram sinalizadas como temas sensíveis. Já no Brasil, a inflação e a atuação do governo Bolsonaro foram listados como os mais evitados pelo público.

Se por um lado evitar notícias pode ser visto como comportamento diante de uma situação estressante (crises sanitária, política e climática), por outro pode dar pistas sobre o efeito cumulativo da produção noticiosa massiva no meio digital, atrelado a uma conscientização do público sobre a saúde mental.

Lançar luz sobre a questão pode fazer emergir percepções importantes sobre o trabalho do jornalista, para repensar a construção de pautas, a escolha de fontes e a relação com público, favorecendo, até mesmo, a saúde mental dos jornalistas.

 

Quem lê tanta notícia?

 

A pergunta de Caetano Veloso não foi pensada para um contexto de produção noticiosa digital, atualizada 24 horas por dia, 7 dias por semana, acessível a um toque de distância. Mas bem que poderia ser feita em uma das reuniões estratégicas dos grandes empresários da mídia. A sede pelos cliques, além de abarrotar os bancos de dados dos veículos, está, de fato, gerando consequências no modo que o público se relaciona com a produção jornalística.

Vale se questionar: quais os ganhos de um modelo de negócios com grande produção de notícias, enquanto a “demanda”, ou seja, o interesse do público pelo produto está diminuindo?

Se a pergunta anterior for feita de maneira séria, vem acompanhada de um segundo questionamento: o que estamos fazendo para contribuir com este cenário e para responder a ele?

Evidente que não é apenas o fator jornalístico que está em cena. O primeiro ano da pandemia provou que não é o produto jornalístico ou o modelo de negócios que são decisivos para o comportamento do público. Com a alta do consumo e da credibilidade jornalística em 2020, ficou perceptível que o público considera os veículos de comunicação como fonte de informação confiável.

Porém, passados alguns meses de entendimento da pandemia e o retorno para uma “normalidade”, os índices de evasão voltaram a aumentar (no Brasil a evasão duplicou em 5 anos, saindo de 27%, em 2017, e alcançando os 54%, em 2022).

A relação da evitação de notícias com a saúde mental pode ser identificada pelos motivos listados pelos entrevistados, em que:

  • 36% dizem que as notícias têm efeito negativo sobre o humor;
  • 29% dizem que estão desgastados pela quantidade de notícias e
  • 16% dizem que não há nada que possa ser feito com as informações.

É oportuno citarmos, também, que o índice de evitadores de notícia é maior entre pessoas com menos de 35 anos. Os dados apontam que a evitação de notícias faz parte de um comportamento geracional, em que os mais jovens dão espaço para as mídias sociais em detrimento dos veículos de comunicação. Entre os motivos para evasão de notícias entre os jovens, 15% diz que é difícil acompanhar notícias.

Assim, ainda que a evasão de notícias esteja dentro de um cenário amplo, há pistas do que jornalistas e veículos de comunicação podem fazer para responder uma transformação no modo de consumo de informação.

 

Ingredientes de notícias para humanos

 

O incômodo que a jornalista Amanda Repley sentia por estar consumindo cada vez menos notícias serviu como ponto de partida para sua coluna no Washington Post, sobre possibilidades para notícias mais alinhadas a um contexto de crescimento de evitadores de notícia.

Repley defende que as notícias, mesmo as impressas, não são mais projetadas para humanos, mas para vender. A influência das métricas na produção de notícias já reúne estudos e reflexões importantes, seus efeitos a curto prazo podem funcionar, mas estamos vendo que a longo prazo não há sustentabilidade.

No seu trabalho de investigação sobre produções jornalísticas mais conectadas com as necessidades humanas, a jornalista focou em elementos para além do interesse público (e interesse do público) para entrevistar médicos, cientistas comportamentais e psicólogos.

Ao analisar o fator humano e psicológico que contribuem com o “transtorno de estresse das manchetes” (tradução livre para “headline stress disorder”), a jornalista sugere três ingredientes que podem contribuir com notícias que causam menos fadiga e, consequentemente, diminuir a evitação de notícias: 

  • a esperança – biologicamente relacionada a baixos índices de depressão e ansiedade, a possibilidade de mudança é importante fisiologicamente para o ser humano; 
  • a “agência” – a possibilidade de ação diante de um cenário noticiado está relacionada à esperança e é mais evidente em produções sobre as mudanças climáticas e 
  • a dignidade – considerar o valor da vida, seja da fonte entrevistada ou do público, vistos como humanos e não, apenas, como parte do trabalho.

Apesar de conflitarem com gatilhos de interesse público que já estão em nosso imaginário, como a morbidez e a catástrofe, as perspectivas de Repley não parecem excludentes, mas sim complementares para as produções jornalísticas da atualidade.

Se, cada vez mais, a importância da saúde mental está sendo evidenciada, é natural pensar que ela deve ser considerada em nossas produções. Muitos desafios devem ser levados em conta, desde os conflitos organizacionais até a práxis jornalística, mas o fato é que não podemos continuar insistindo em um modo de produção se o modo de consumir está, evidentemente, mudando.

 

 

02
Out22

Janio de Freitas: para ler e ver como é grande seu voto

Talis Andrade

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por Fernando Brito

- - -

 

Neste momento, enquanto a gente se prepara para, daqui a pouco, transformar em fato aquilo que pensamos e desejamos para nosso povo e nosso país, vale a leitura da coluna de Janio de Freitas, na Folha de hoje, um texto para ficar gravado na história do que pode ser um dos momentos de grandeza da História brasileira.

Permite compreender não só está em jogo, mas o espírito que anima nossa decisão e nosso gesto:

Dia de começo e fim

Janio de Freitas

Há exatos quatro anos, o que se instalou no Brasil, a pretexto de sucessão presidencial, não era um novo governo. Foi o estado de terrorismo político. Veio a ser a continuidade lógica da fraude aplicada ao processo eleitoral a propósito de corrupção denunciada na Petrobras.

Hoje, a ameaça terrorista de impedir os brasileiros da única atribuição institucional que lhes deixaram, generosos, consagra um fato extraordinário: a numerosa união pela democracia, entre divergentes às vezes extremados, como mais um dos tão raros momentos de beleza na política.

Não há vergonha em defender a democracia. Esse é ato de grandeza, sempre. Vai além do significado eleitoral: atitude talvez insuspeitada, faz conhecer com mais justiça quem a pratica —e, em contrapartida, quem a recusa.

São gestos de independência e altivez. E é emocionante saber que pessoas centenárias vão às urnas com sua contribuição à democracia, porque “é preciso pacificar o país”.

Ser bolsonarista é, também, a incapacidade de ver o que constrói o momento particular que os brasileiros vivem, de um lado como de outro. Os anos recentes trouxeram indicações de que essa restrição perceptiva persiste na maioria dos militares.

Por identificação com a direita extremada ou por outras causas, sua instabilidade entre bolsonarismo e legalismo foi o amparo para os feitos de Bolsonaro: aprofundar as históricas fendas econômicas e sociais, devastar a aparelhagem de condução do país e pôr em suspenso o valor da vida.

Com o ataque ao Estado de Direito, o próprio estado de terrorismo a ser perenizado pelo golpe.

É muito importante, pode mesmo ser decisivo, que a etapa eleitoral se encerre neste domingo (2). O intervalo até o segundo turno seria ainda mais perigoso, em violência até letal, do que o temido entre a eleição e a posse do eleito. Mesmo que a de Bolsonaro.

É isso, sim: o bolsonarismo tem um só plano para vindita de derrotado e para o pretendido poder sem opositores. Bolsonaro disse: “É preciso matar uns 30 mil”.

Nenhuma previsão da conduta de militares em derrota de Bolsonaro merece maior credibilidade. É imprevisível a força armada presente em uma aberração como o sentido eleitoreiro dado ao Bicentenário da Independência.

Data nacional única em que o ponto a ecoar para a história, vindo do próprio presidente, foi gabar-se de sua fantasiada sexualidade —nem ao menos considerável, vista a quantidade de Viagra comprado em seu governo.

À nossa custa, o governo americano vive a interessante experiência de estar, até mais do que ausente, contrário a um golpe da direita. A defesa da democracia brasileira submete o bolsonarismo civil e militar a ameaças externas equivalentes, mas contrárias, às que faz aqui.

Com uma diferença: montadas em tanques ou em motos, as ameaças bolsonaristas descobriram à sua frente uma consciência democrática de que nem os democratas tinham certeza.

 

02
Out22

Marcelo Freixo: ‘A milícia é o crime organizado mais perigoso à ordem democrática brasileira’

Talis Andrade

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Em entrevista ao DIA, o ex-deputado federal destacou o déficit na Polícia Civil, afirmando haver a necessidade de mais de 10 mil policiais. Freixo disse que irá retomar a bolsa-formação, permitindo aos policiais se especializarem em áreas mais específicas, como no combate ao feminicídio. “Para combate o tráfico de drogas precisamos investir na parceria entre as polícias. É fundamental a união com a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Federal. É importante um grande controle sobre a Baía da Guanabara, que é por onde a droga entra.”

Sobre a milícia, Marcelo Freixo afirmou que irá combater com firmeza, investimento maciço na polícia e também no controle dos milicianos. O candidato destacou ainda que o combate começa nos gabinetes, onde devem ser estabelecidas as diretrizes na luta contra as milícias.

Sobre o avanço das milícias no Rio, o parlamentar diz: “A milícia não é um estado paralelo, a milícia é um estado leiloado, interessa a muita gente. A milícia elege senadores, elege prefeitos, ajuda a eleger presidentes, inclusive”.

Freixo promete que, no seu governo, a polícia chegará aos mandantes do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco: “É muito importante para a democracia brasileira a gente saber quem mandou matar, qual grupo político e por que razão mandaram interromper a vida da Marielle”.

Quanto ao funcionalismo público, Freixo disse que é filho de pai e mãe funcionários públicos, e que existe a necessidade de valorizar “quem trabalhou a vida inteira para construir o Rio de Janeiro. Esse aposentado precisa ser valorizado e vamos fazer concurso público, analisando quais as áreas que têm maior demanda, respeitando, evidentemente, a questão fiscal. O Rio de Janeiro hoje tem um orçamento muito grande oriundo do petróleo.”

Por que Bolsonaro deve ver o vídeo Vizinhos do Mal, retrato sobre a milícia

 

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por André Santana

Seria importante reservar 17 minutos do seu tempo para assistir ao vídeo Vizinhos do Mal --uma produção do UOL Notícias e MOV, a produtora de vídeos do UOL-- que mostra depoimentos de três pessoas que tiveram suas vidas marcadas pela violência de milicianos que dominam diversos territórios do Rio de Janeiro

O senhor sabe que um a cada três cariocas vive em áreas sob o controle de milícias paramilitares?

A capital da unidade da federação que te deu sete mandatos parlamentares agoniza em insegurança, com moradores e comerciantes sofrendo extorsões violentas.

Muitos, como as que tiveram a coragem de participar desse vídeo-denúncia, tiveram que deixar tudo para trás --casa, família, trabalho e liberdade-- para tentar preservar a vida.

Vida e liberdade --palavras tão repetidas em seus discursos-- estão bem distante da realidade de muitos brasileiros, em especial, dos cidadãos cariocas.

Assista ao vídeo, presidente. Sei que o senhor não tem costume de expressar sensibilidade diante de dores alheias nem mesmo diante da morte de seus compatriotas. Mas pelo menos, a grave situação denunciada pode levá-lo a refletir sobre o que Vossa Excelência fez (ou não fez) pela segurança pública do Rio de Janeiro em quase três décadas de mandato parlamentar. 

Logo o senhor, que tanto se orgulha do seu passado militar, o qual poderia ter-lhe garantido algum conhecimento sobre o tema. Ao contrário, más-línguas falam sobre o vexame do seu relativamente breve período de atuação fardada. Não é estranho que logo o Rio de Janeiro --que há três décadas elege um político com discursos tão comprometidos com a segurança pública e em defesa das forças policiais-- encontre-se em uma realidade tão desesperadora diante de tanta violência e domínio da marginalidade.

Nem o deputado Jair Bolsonaro nem o atual presidente da República demonstram o menor interesse com a situação denunciada nos depoimentos das vítimas das milícias, que expõem inclusive a conivência de policiais.

O senhor, que adora jogar a culpa das incompetências da sua gestão nos governadores, vai dizer que segurança pública é responsabilidade estadual. Nem no Congresso, nem no Palácio do Planalto, Vossa Excelência encontrou possibilidade de atuar para reverter a realidade violenta observada nas comunidades dominadas ou por milícias ou pelo narcotráfico.

Quando o senhor ainda era parceiro do ex-juiz que facilitou a sua chegada à Presidência, juntos, vocês enviaram ao Congresso proposta relacionada ao excludente de ilicitude, que, na prática, visava apenas ampliar as possibilidades de legítima defesa e de licença para matar de agentes que integram instituições de segurança com já elevada taxa de letalidade. Há alguma outra iniciativa sua que, ao contrário desta, buscou conter a violência?

Se tiver, informe aos brasileiros com urgência, especialmente aos que se encontram, neste momento, na mira das armas dos milicianos. Armas que inclusive tiveram a circulação facilitada por medidas do seu governo. Os bandidos agora utilizam armamentos legalmente registrados.Imagine o senhor tendo que se despedir da Presidência a partir de outubro próximo sem ter contribuído em nada para segurança pública. Ao contrário, ter entrado para a História como o presidente que mais estimulou o ódio e a violência entre brasileiros. A começar pelo elogio a práticas de tortura tão comuns na rotina agressiva dos milicianos.

Neste sentido, o vídeo Vizinhos do Mal, em vez de indignação pelos relatos, pode causar-lhe satisfação ao confirmar que a tortura praticada por seus saudosos ditadores ainda é repetida cotidianamente nos territórios dominados pelas milícias.

Então, reforço a sugestão para que Vossa Excelência reserve 17 minutos do seu tempo para ver esse registro, que para muitos expressa o horror, mas não indigna ou mobiliza quem aposta na violência como política. (transcrevi trechos)

 

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