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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

23
Abr19

NASSIF: LAVA JATO ALIMENTA ATAQUES NA INTERNET AO STF

Talis Andrade

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247 - "A Lava Jato Curitiba se tornou a principal alimentadora dos ataques das redes sociais ao Supremo Tribunal Federal (STF)", diz o jornalista Luis Nassif no Jornal GGN. "Os procuradores agem de maneira explícita. Em declarações e artigos em órgãos de imprensa ou pelo Twitter, passaram a alimentar campanhas virtuais contra o STF, impulsionadas por redes digitais bancadas por empresários financiadores do bolsonarismo. E o corporativismo impede que os órgãos de controle do Ministério Público Federal colocassem um freio nos abusos, em defesa da própria corporação. Não se limitam a sua atuação funcional, mas procuram pressionar os órgãos superiores, através das milícias digitais, e a interferir nas políticas partidárias", afirma.

 

De acordo com o jornalista, "por conta dessa ausência de auto regulação, e da infiltração de partidos de direita na corporação, hoje em dia, o MPF é uma barafunda ideológica, a ponto de Airton Benedito – o procurador goiano que considera que direitos humanos é uma faceta do marxismo cultural – ter sido eleito por seus colegas goianos justamente para a Procuradoria Estadual dos Direitos do Cidadão". "Seria o mesmo que indicar Brilhante Ustra para coordenar a justiça de transição".

Leia a íntegra no Jornal GGN

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23
Abr19

Só cachorro pode procurar osso, famílias de mártires brasileiros não

Talis Andrade

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Por Hildegard Angel

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Quando o governo do Brasil impede a busca dos ossos dos desaparecidos políticos, ele evidencia que ainda há muitos mais mortos a serem encontrados. Ninguém melhor para saber quantos eles são, e onde estão, do que aqueles que enterraram os cadáveres.

O presidente, que aprova as torturas e achou poucos os assassinatos na ditadura, é contraditório quando impede a procura dessas ossadas. Afinal, seria a oportunidade, a cada esqueleto achado, de ele demonstrar sua alegria, armar palanque, providenciar salva de tiros, reger banda de música e bater continência para eventuais autoridades estrangeiras.

Festejos sinistros de um dirigente para quem procurar osso é coisa de cachorro e mais 30 mil brasileiros deveriam ter sido eliminados. Hoje haveria mais 30 mil mães sem túmulo para chorar, mais 30 mil famílias à procura dos restos de seus entes amados.

A crueldade pelo menos não impede os cachorros de procurarem os ossos dos seus. Afinal, cachorros são filhos de Deus.

 

23
Abr19

DINO: ESPERO QUE SEJA FEITA JUSTIÇA AO EX-PRESIDENTE LULA

Talis Andrade

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O governador do Maranhão Flávio Dino reivindicou que a justiça seja feita em relação à prisão arbitrária do ex-presidente Lula. Dino já foi juiz, tendo feito concurso na mesma turma de Sergio Moro, passou no primeiro lugar, e Moro ficou no penúltimo.

 

Lula encontra-se preso político, desde abril de 2018, em uma manobra para facilitar a eleição de Jair Bolsonaro. Como pagamento, Moro foi nomeado ministro da Justiça, da Segurança Pública, da Coaf, da Polícia Federal, por Bolsonaro.

 

O STJ julga a partir das 14h desta terça-feira (23) um recurso do ex-presidente para que ele possa ir para a prisão domiciliar. 

 

"Espero que hoje, com julgamento baseado nas leis, seja feita justiça ao ex-presidente Lula. A sentença sobre o tal triplex, tal como lançada, é juridicamente absurda, em vários aspectos: competência, exame dos crimes e das provas, dosimetria da pena etc", disse. 

 

22
Abr19

DONO DO SÍTIO DE ATIBAIA, QUE O JUIZ MORO DIZIA SER DE LULA, PEDE À JUSTIÇA PARA VENDER IMÓVEL

Talis Andrade

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247 - O dono do sítio de Atibaia, Fernando Bittar, apresentou pedido nesta segunda-feira (22), ao juiz Luiz Bonnat, da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, para vender a propriedade. O ex-presidente Lula foi condenado em fevereiro pela Justiça Federal a 12 anos e 11 meses por corrupção e lavagem de dinheiro no processo da Lava Jato que dizia que ele era o dono do sítio.

 

O pedido reforça os argumentos apresentados pela defesa do ex-presidente de que Lula não é dono do sítio, como argumentou os procuradores da Lava Jato. O então juiz Sérgio Moro chegou a dizer se Lula é ou não proprietário "não importa".

A condenação de Lula foi feita pela juíza Gabriela Hardt, substituta de Moro, numa sentença que foi desmoralizada por ser um literal copia e cola das acusações do caso "triplex do Guarujá", com trechos inteiros da sentença de Moro, incluindo as inconsistências.

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Lula nunca negou frequentar o sítio dos amigos, que o convidaram para fazer isso, no que tinham pleno direito como donos do sítio, de convidar quem eles quisessem. 

A acusação era de que Lula foi beneficiado por supostas obras feitas pela Odebrecht no imóvel, configurando lavagem de dinheiro. No entanto, se o imóvel é de Fernando Bittar, o ex-presidente não é beneficiário das reformas, mesmo que tenha frequentado o local.

Os advogados de Bittar informam que "não mais frequenta o sítio, tendo interesse em sua venda imediata". E pede que "seja determinada a avaliação judicial" do sítio e sua posterior venda.

"A realização da venda nesses termos (com o depósito em Juízo do valor) cumpre, com muito mais efetividade, o propósito de confiscar os supostos produtos dos delitos, correspondentes aos valores gastos nas reformas", afirma o advogado Alberto Toron.

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Leo Pinheiro, que depois de preso sob vara, assinou delação premiada contra Lula, acabou nomeando o genro Pedro Guimarães presidente da Caixa Econômica Federal. Sergio Moro foi nomeado ministro da Justiça, da Segurança Pública, da COAF, da Polícia Federal. Bolsonaro terminou eleito presidente, sem Lula candidato. E mais: elegeu o filho senador da República, e reelegeu outro deputado federal.  

22
Abr19

Prisão injusta de Lula o eleva ao status de preso político sequestrado por juízes e militares

Talis Andrade

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Por Davis Sena Filho

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A prisão de Lula é uma inominável e covarde injustiça perpetrada por homens e mulheres de togas, que colocam em xeque a Justiça como instituição moral e moralizante, bem como joga por terra a credibilidade de juízes, delegados e procuradores que, sem dúvida, agiram de forma orquestrada em todas as esferas do Judiciário, desde a primeira à última instância.

No decorrer do processo que levou à deposição uma presidente legítima e constitucional eleita pelo povo brasileiro até a prisão do ex-presidente e líder popular, percebeu-se que juízes e procuradores de direita, que participaram como ativistas do Direito e militantes políticos em contraposição nas redes sociais aos mandatários Lula e Dilma Rousseff, edificou-se a derrota da esquerda, não pela via democrática e eleitoral, mas sim por meio de lawfare, quando a Lei é usada como arma de guerra por determinados grupos contra seus adversários políticos.

Lula não foi somente vítima de lawfare, mas também da teoria do domínio do fato, que foi amplamente usada para perseguir violentamente o ex-ministro José Dirceu, uma das lideranças de esquerda e do PT, que sofreu durante anos e ainda sofre com as consequências brutais efetivadas por juízes e procuradores compromissados em derrotar a esquerda, porque perceberam que a direita, principalmente os tucanos do PSDB, não tinha a menor condição de derrota o PT, já que derrotados em quatro eleições consecutivas, sendo que certamente Lula venceria a quinta eleição por parte do campo progressista.

O Brasil caminhava em direção de sua independência e soberania, a ser um dos principais protagonistas da diplomacia internacional, a liderar o Mercosul e a ser importante integrante de Brics, G-20 e Unasul, além de realizar forte diplomacia com a China, que se tornou o mais importante parceiro comercial, a superar os EUA Oriente Médio, assim como efetivou as relações Sul-Sul, a ter os países africanos como parceiros comerciais e culturais.

A inserção do Brasil no mundo e sua política internacional agressiva e ampla, porque aberta para todos os países incomodou demais os Estados Unidos e a burguesa brasileira pária dos yankees, a exemplo dos oligopólios dos meios de comunicação privados, além do agronegócio e federações de indústrias a exemplo da Fiesp. Somado aos empresários, evidentemente os meganhas e togados, que trabalham e agem como lacaios das plutocracias internacionais e da casa grande brasileira, esta adepta de escravidão, atraso e retrocesso.

O que mais incomoda a milhões de brasileiros que sempre votaram em Lula e no PT após a redemocratização é saber que sua prisão é uma jogada baixa e suja da política, cujos partidos de direita levaram a cabo a desconstrução da Nação e a demolição do pequeno estado de bem-estar social, que foi a duras penas edificado a partir dos direitos sociais implementados a partir dos governos do líder estadista Getúlio Vargas.

A movimentação do Brasil em direção à sua independência e o descolamento diplomático em relação aos Estados Unidos causou transtornos aos interesses geopolíticos e econômicos da potência imperialista, a mais agressiva e violenta da história da humanidade. Um país sempre em guerra e que sabota violentamente a nação que ousar tentar sair das amarras de seu quintal, como o é tratada a América Latina, cujos sócios dos estadunidenses são os inquilinos da casa grande escravocrata brasileira.

A prisão de Lula o engrandece como liderança injustiçada por juízes e meganhas que jamais comprovaram que o maior líder popular e de esquerda da história do País tenha cometido qualquer malfeito, que o levasse à condição degradante de prisioneiro de um estado policialesco e já militarizado.

Afinal, o presidente fascista Jair Bolsonaro nomeou para os primeiros e segundos escalões da República dezenas e dezenas de militares subalternos aos milicos dos EUA e sem noção de soberania, que apenas intervieram mais uma vez na política e que estão rapidamente a rumar para um retumbante fracasso em suas tristes e desditosas histórias de golpistas e interventores da vida brasileira.

Entristece profundamente perceber que o presidente Lula está preso sem culpa e verificar que os juízes burgueses e ricos do Supremo Com Tudo (SCT), que vem a ser a vergonha, o vexame e a desgraça do Brasil, não tomem as devidas providências, libertem o presidente Lula, pacifiquem o Brasil e punam duramente os juízes irresponsáveis e levianos, que levaram uma pessoa inocente à cadeia.

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Juízes da Lava Jato, do TRF-4 e do STJ, pois seletivos, partidários e militantes de direita, como comprovam suas lamentáveis atuações políticas nas redes sociais, a fazerem campanha contra os líderes petistas, inclusive a irem às ruas, o que denota o partidarismo e a ação política desses togados golpistas, que já entraram para a vala imunda da história. Lula Livre não é apenas uma questão de retórica política, mas, sobretudo, o resgaste dos marcos civilizatórias em desfavor da barbárie que tomou conta do Brasil. Lula Livre! É isso aí.

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TRF de 4

Luxo

22
Abr19

Janio e o STF: “ruim com este, pior sem ele”

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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Do mestre Janio de Freitas, para quem ainda não entendeu o que está sendo jogado na crise do STF:

Por mais que a atual composição do Supremo possa ser insatisfatória, na média, para o devido pelo mais alto tribunal, por certo o é também para o plano de extrema direita. Por isso, Bolsonaro e os direitistas que o circundam incluíram no projeto da Previdência, apresentado por Paulo Guedes, a antecipação de cinco anos na aposentadoria compulsória de ministros dos tribunais superiores. Do Supremo, pois. Se aprovada, a antecipação permitirá a Bolsonaro nomear ministros ao seu feitio. São citados, aliás, para a primeira nomeação, João Gebran, desembargador da corrente extremada no Tribunal Regional Federal do Sul, e depois, claro, o retribuído Sergio Moro.

Desgaste maior do Supremo, portanto, fortaleceria o plano da extrema direita. Duvidosa embora, para muitos estarrecidos com a série de decisões decepcionantes do tribunal, ainda é lá que permanece a possibilidade de dificultar-se o plano medievalesco personificado em Jair Bolsonaro.

Ter personagens como Dias Toffoli, Alexandre de Moares e Gilmar Mendes como guardiões da institucionalidade é, convenhamos, desaminador. Mas é o que temos.

22
Abr19

Sob o domínio dos perversos

Talis Andrade

A vida no Brasil de Bolsonaro: um Governo que faz oposição a si mesmo como estratégia para se manter no poder, sequestra o debate nacional, transforma um país inteiro em refém e estimula a matança dos mais frágeis

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por Eliane Brum

El País

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Os 100 dias do Governo Bolsonaro fizeram do Brasil o principal laboratório de uma experiência cujas consequências podem ser mais destruidoras do que mesmo os mais críticos previam. Não há precedentes históricos para a operação de poder de Jair Bolsonaro (PSL). Ao inventar a antipresidência, Bolsonaro forjou também um governo que simula a sua própria oposição. Ao fazer a sua própria oposição, neutraliza a oposição de fato. Ao lançar declarações polêmicas para o público, o governo também domina a pauta do debate nacional, bloqueando qualquer possibilidade de debate real. O bolsonarismo ocupa todos os papéis, inclusive o de simular oposição e crítica, destruindo a política e interditando a democracia. Ao ditar o ritmo e o conteúdo dos dias, converteu um país inteiro em refém.

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 A violência de agentes das forças de segurança do Estado nos primeiros 100 dias do ano, como a execução de 11 suspeitos em Guararema (SP), pela polícia militar, e os 80 tiros disparados contra o carro de uma família por militares no Rio de Janeiro, pode apontar a ampliação do que já era evidente no Brasil: a licença para matar. Mais frágeis entre os frágeis, os ataques a moradores de rua podem demonstrar uma sociedade adoecida pelo ódio: em apenas três meses e 10 dias, pelo menos oito mendigos foram queimados vivos no Brasil. Bolsonaro não puxou o gatilho nem ateou fogo, mas é legítimo afirmar que um Governo que estimula a guerra entre brasileiros, elogia policiais que matam suspeitos e promove o armamento da população tem responsabilidade sobre a violência.

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Este artigo é dividido em três partes: perversão, barbárie e resistência. Transcrevo trechos. Leia na íntegra aqui 

 

1) A Perversão

 

Estamos sob o jugo de perversos, que corrompem o poder que receberam pelo voto para impedir o exercício da democracia.

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Como tem a máquina do Estado nas mãos, podem controlar a pauta. Não só a do país, mas também o tema das conversas cotidianas dos brasileiros, no horário do almoço ou junto à máquina do café ou mesmo na mesa do bar. O que Bolsonaro aprontará hoje? O que os bolsojuniores dirão nas redes sociais? Qual será o novo delírio do bolsochanceler? Quem o bolsoguru vai detonar dessa vez? Qual será a bolsopolêmica do dia? Essa tem sido a agenda do país.

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Mas essa é apenas parte da operação. Para ela, Bolsonaro teve como mentor seu ídolo Donald Trump. O bolsonarismo, porém, vai muito mais longe. Ele simula também a oposição. Assim, a sociedade compra a falsa premissa de que há uma disputa. A disputa, porém, não é real. Toda a disputa está sendo neutralizada. Quando chamo Bolsonaro de “antipresidente”, não estou fazendo uma graça. Ser antipresidente é conceito.

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Quem é o principal opositor da reforma da Previdência do ultraliberal Paulo Guedes, ministro da Economia? Não é o PT ou o PSOL ou a CUT ou associações de aposentados. O principal crítico da reforma do “superministro” é aquele que nomeou o superministro exatamente para fazer a reforma da Previdência. O principal crítico é Bolsonaro, o antipresidente.

 

Como quando diz que, “no fundo, eu não gostaria de fazer a reforma da Previdência”. Ou quando diz que a proposta de capitalização da Previdência “não é essencial” nesse momento. Ou quando afirmou que poderia diminuir a idade mínima para mulheres se aposentarem. É Bolsonaro o maior boicotador da reforma do seu próprio Governo.

 

Enquanto ele é ao mesmo tempo situação e oposição, não sabemos qual é a reforma que a oposição real propõe para o lugar desta que foi levada ao Congresso. Não há crítica real nem projeto alternativo com ressonância no debate público. E, se não há, é preciso perceber que, então, não há oposição de fato. Quem ouve falar da oposição? Alguém conhece as ideias da oposição, caso elas existam? Quais são os debates do país que não sejam os colocados pelo próprio Bolsonaro e sua corte em doses diárias calculadas?

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É pelo mesmo mecanismo que o bolsonarismo controla as oposições internas do Governo. Os exemplos são constantes e numerosos. Mas o uso mais impressionante foi a recente ofensiva contra a memória da ditadura militar. Bolsonaro mandou seu porta-voz, justamente um general, dizer que ele havia ordenado que o golpe de 1964, que completou 55 anos em 31 de março, recebesse as “comemorações devidas” pelas Forças Armadas. Era ordem de Bolsonaro, mas quem estava dizendo era um general da ativa, o que potencializa a imagem que interessa a Bolsonaro infiltrar na cabeça dos brasileiros.

 

Bolsonaro promoveu a memória dos crimes da ditadura pelo avesso, negando-os e elogiando-os. Poucas vezes a violência do regime autoritário foi tão lembrada e descrita quanto neste 31 de março. Foi Bolsonaro quem menos deixou esquecer os mais de 400 opositores mortos e 8 mil indígenas assassinados, assim como as dezenas de milhares de civis torturados. Para manter os generais no cabresto, Bolsonaro os jogou na fogueira da opinião pública fingindo que os defendia.

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Ao mesmo tempo, Bolsonaro lembrou aos generais que são ele e sua corte aparentemente tresloucada quem faz o serviço sujo de enaltecer torturadores e impedir que pleitos como o da revisão da lei de anistia, que até hoje impediu os agentes do Estado de serem julgados pelos crimes cometidos durante a ditadura, vão adiante. Como berrou o guru do bolsonarismo, o escritor Olavo de Carvalho, em um de seus ataques recentes contra o general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, ministro-chefe da Secretaria de Governo da presidência: “Sem mim, Santos Cruz, você estaria levando cusparadas na porta do Clube Militar e baixando a cabeça como tantos de seus colegas de farda”.

 

A exaltação do golpe militar de 1964 serviu também como balão de ensaio para testar a capacidade das instituições de fazer a lei valer. Mais uma vez, Bolsonaro pôde constatar o quanto as instituições brasileiras são fracas. E alguns de seus personagens, particularmente no judiciário, tremendamente covardes. Não fosse a Defensoria Pública da União, que entrou com uma ação na justiça para impedir as comemorações de crimes contra a humanidade, nada além de “recomendações” para que o Governo não celebrasse o sequestro, a tortura e o assassinato de brasileiros. Patético.

 

Outro exemplo é a demissão do ministro da Educação Ricardo Vélez Rodríguez para colocar em seu lugar outro que pode ser ainda pior. Bolsonaro fritou o ministro que ele mesmo nomeou e o demitiu pelo Twitter. Ao fazê-lo, agiu como se outra pessoa o tivesse nomeado – e não ele mesmo. Chamou-o de “pessoa simpática, amável e competente”, mas sem capacidade de “gestão” e sem “expertise”. Mas quem foi o gestor que nomeou alguém sem capacidade de gestão e expertise para um ministério estratégico para o país? E como classificar um gestor que faz isso? Mais uma vez, Bolsonaro age como se estivesse fora e dentro ao mesmo tempo, fosse governo e opositor do governo simultaneamente.

 

A estratégia bem sucedida, neste caso, é a falsa disputa da “nova política” contra a “velha política”. O bate-boca entre Jair Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), é só rebaixamento da política, de qualquer política. Se a oposição ao Governo é Maia, parlamentar de um partido fisiológico de direita, qual é a oposição? Bolsonaro e Maia estão no mesmo campo ideológico. Não há nenhuma disputa de fundo estrutural entre os dois, seja sobre a Previdência ou sobre qualquer outro assunto de interesse do país.

 

2) A Barbárie

 

Mesmo a parcela mais organizada das minorias que tanto Bolsonaro atacou na eleição parece estar em transe, sem saber como agir diante dessa operação perversa do poder. Ao reagir, tem adotado o mesmo discurso daqueles que as oprimem, o que amplia a vitória do bolsonarismo.

 

Um exemplo. O vídeo divulgado por Bolsonaro no Carnaval, mostrando uma cena de “golden shower”, foi definido como “pornográfico” por muitos dos que se opõem a Bolsonaro. Mas este é o conceito de pornografia da turma do antipresidente. (...) O ato pornográfico é o de Bolsonaro, oficialmente presidente da República, divulgar o vídeo nas redes sociais. É dele a obscenidade. A pornografia não está na cena, mas no ato de divulgar a cena pelas redes sociais. Diferenciar uma coisa da outra é fundamental.

 

Outro exemplo. Quando a oposição tenta desqualificar o deputado federal Alexandre Frota (PSL) porque ele é ator pornô está apenas se igualando ao adversário. Qual é o problema de ser ator pornô? Só os moralistas do pseudoevangelismo desqualificam pessoas por terem trabalhos ligados ao sexo. Alexandre Frota deve ser criticado pelas suas péssimas ideias e projetos para o país, não porque fazia sexo em filmes para ganhar a vida. (...) Cada vez mais parte da esquerda tem se deixado contaminar, como se fosse possível deslegitimar o adversário usando o mesmo discurso de ódio.

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Na mesma linha, o problema do ministro da Justiça, Sergio Moro, não é o fato de ele falar “conge” em vez de “cônjuge”, como fez por duas vezes durante audiência pública no Senado. Ridicularizar os erros das pessoas na forma de falar é prática das piores elites, aquelas que se mantêm como elite também porque detêm o monopólio da linguagem. 

 

O problema de Moro é ter, como juiz, interferido no resultado da eleição. E, em seguida, ser ministro daquele que suas ações como funcionário público ajudaram a eleger. O problema de Moro é criar um pacote anticrime que, na prática, pode autorizar os policiais a cometerem crimes. Pela proposta do ministro da Justiça, os policiais podem invocar “legítima defesa” ao matar um suspeito, alegando “escusável medo, surpresa ou violenta emoção”. Neste caso, a pena pode ser reduzida pela metade ou mesmo anulada. 

 

3) A Resistência

 

O Brasil já vive sob o horror da exceção. A falsificação da realidade, a corrupção das palavras e a perversão dos conceitos são parte da violência que se instalou no Brasil. São parte do método. Essa violência subjetiva tem resultados bem objetivos – e multiplica, como os números já começam a apontar, a violência contra os corpos. Não quaisquer corpos, mas os corpos dos mais frágeis.

 

O desafio – urgente, porque já não há mais tempo – é resgatar o que resta de democracia no Brasil. É pela pressão popular que as instituições podem se fortalecer ao serem lembradas que não servem aos donos do poder nem aos interesses de seus membros, mas à sociedade e à Constituição. É pela pressão por outros diálogos e outras ideias e outras realidades que ainda respiram no país que a imprensa pode abrir espaço para o pluralismo real. É pela pressão por justiça e pelo levante contra a barbárie que podemos salvar nossa própria alma adoecida pelos dias.

 

Precisamos encontrar caminhos para romper o controle, sair do jugo dos perversos, tirar a pauta dos dias de suas mãos.

 

Como?

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21
Abr19

Menina se nega a cumprimentar Bolsonaro repetindo episódio há 40 anos com o Gal. Figueiredo

Talis Andrade

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Urbs Magna - Uma menina se recusou a cumprimentar Jair Bolsonaro durante uma cerimônia de Páscoa no Palácio do Planalto. 

Ele pega alguns alunos no colo, faz sua média, e quando chega em Yasmin para cumprimentá-la, ela cruza os braços e balança a cabeça em sinal de negativo.

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Em 1979, Rachel Coelho Menezes de Souza também deixou o general João Figueiredo no vácuo.

Ela tinha 5 anos e seu pai iria almoçar com Figueiredo no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte.

O clique de Guinaldo Nicolaevsky, que nunca chegou a conhecer seu personagem, ficou como um símbolo dos estertores da ditadura.

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Figueiredo e Rachel em 1979 na foto de Guinaldo Nicolaevsky

 

21
Abr19

Bolsonaro trama transformar o STF em um partido lavagista da extrema-direita

Talis Andrade

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Gebran e Moro participam de evento realizado pela empresa de Rosangela Moro

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Gebran, pageado por Joice Hasselmann líder do governo, fazendo rp na posse de Bolsonaro 

 

Bolsonaro trama aumentar o tempo para a aposentadoria dos trabalhadores civis, e antecipar o descanso dos togados e dos fardados.  O capitão precisa de vagas no Superior Tribunal Federal, para nomear ministros do STF os carcereiros do presidente Lula da Silva. 

 

A jura de "Lula vai apodrecer na cadeia" faz parte da campanha de ódio e doutrinação nazi-fascista do Brasil, quintal dos Estados Unidos, conforme o projeto lavajanista que derrubou governos de esquerda, e elegeu governos da direita ou da extrema-direita no Paraguai, Equador, Argentina, Colômbia, Peru e Chile.  

 

Escreve Jânio de Freitas: "Por mais que a atual composição do Supremo possa ser insatisfatória, na média, para o devido pelo mais alto tribunal, por certo o é também para o plano de extrema direita. Por isso, Bolsonaro e os direitistas que o circundam incluíram no projeto da Previdência, apresentado por Paulo Guedes, a antecipação de cinco anos na aposentadoria compulsória de ministros dos tribunais superiores".

 

Jânio, em sua coluna no Jornal Folha de S. Paulo, acrescenta:

"Do Supremo, pois. Se aprovada, a antecipação permitirá a Bolsonaro nomear ministros ao seu feitio. São citados, aliás, para a primeira nomeação, João Gebran, desembargador da corrente extremada no Tribunal Regional Federal do Sul, e depois, claro, o retribuído Sergio Moro".

 

"Desgaste maior do Supremo, portanto, fortaleceria o plano da extrema direita. Duvidosa embora, para muitos estarrecidos com a série de decisões decepcionantes do tribunal, ainda é lá que permanece a possibilidade de dificultar-se o plano medievalesco personificado em Jair Bolsonaro", avalia.

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21
Abr19

23 MORTOS NA GRILAGEM MILICIANA. BOMBEIROS ENCONTRAM MAIS UM CORPO DA TRAGÉDIA ANUNCIADA EM MUZEMA RIO DE JANEIRO

Talis Andrade

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As equipes de resgate do Corpo de Bombeiros encontraram, nos primeiros minutos de hoje (21), o corpo da última vítima desaparecida no desabamento de dois prédios na comunidade da Muzema, na zona oeste do Rio de Janeiro, no último dia 12. Com isso, o número de mortos na tragédia chega a 23. Há oito sobreviventes.

Segundo os bombeiros, o último corpo encontrado é de uma mulher. Na tarde de ontem foram resgatados os corpos de dois meninos. Ao todo, morreram no desabamento cinco homens, sete meninos, dez mulheres e uma meninas. Em nota, a corporação informou que foram mais de 200 horas ininterruptas de buscas.

Dois oito feridos, três permanecem internados. 

A prefeitura anunciou que vai demolir imediatamente pelo menos três prédios no condomínio Figueiras do Itanhangá, que ficam ao lado dos dois que desabaram. Mais 15 prédios poderão ser demolidos também, pois não têm licença de construção.

Há muito dinheiro envolvido na construção destes dois prédios que desabaram. Não é um emprendimento para nenhum Zé Ninguém. O José Bezerra de Lima, ou de Lira, o Zé do Rolo, procurado pela polícia nunca teve a grana para a construção dos dois prédios que desabaram e mais dezoito prédios que serão demolidos. A partir de uma notícia de Akemi Nitahara, da Agência Brasil. 

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