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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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24
Nov17

Um candidato a governador, um coronel de Minas Gerais na orgia que terminou com duas adolescentes assassinadas e uma baleada

Talis Andrade

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Duas jovens de 17 e 18 anos foram assassinadas a tiros e uma adolescente de 15 anos ficou ferida após ser baleada e se fingir de morta, na madrugada deste sábado (18), em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte. 

 

Reportagem de Rafael D'Oliveira:

 

 

Cinco jovens foram para a festa no sítio junto de um homem conhecido como ‘Wal’. Elas usaram drogas, beberam e tiveram relações com homens que estavam no local. Por volta das 23h, enquanto as meninas tomavam banho, três homens tentaram ter relações com as adolescentes. Elas negaram e depois disso os homens começaram a discutir com as garotas de 16, 18 e 15 anos.

 

As cinco jovens que foram à festa, se juntaram para ir embora, quando os três suspeitos obrigaram três delas a entrar em um Pálio cinza. Dois deles estavam armados. As outras duas garotas, de 18 e 17 anos, deixara o local com o ‘Wal’. A dupla contou à polícia que os rapazes iam dar um susto nas garotas.

 

Os homens seguiram com as jovens no carro por cerca de duas horas, enquanto elas eram agredidas e ameaçadas. Já na MG-060, na altura do bairro Granja Santo Afonso, na região de Vianópolis, a adolescente de 15 foi obrigada a descer do veículo e foi alvejada com um tiro no peito. A bala ficou alojada nas costas, mas a jovem sobreviveu. Ela precisou se fingir de morta para que os homens fossem embora. Só assim, conseguiu pedir ajuda a moradores da região.

 

A sobrevivente contou as militares que ficou imóvel e viu o carro dos homens partir em alta velocidade e, alguns minutos depois, ouviu outros disparos. Ela foi levada para um Hospital de Betim, onde segue internada. Os militares seguiram pela via e encontraram o corpo da jovem de 16 anos com um tiro na cabeça e outro na mão.

 

Enquanto os militares registravam a ocorrência, um homem passou pelo local e disse que cerca de 2 km à frente havia o corpo de uma mulher. Os militares novamente se deslocaram e encontraram a segunda vítima, a adolescente de 18 anos. Ela tinha dois disparos no rosto.

 

Enquanto os policiais militares fechavam a ocorrência, as outras duas jovens que também estavam na festa e eram amigas da vítima foram até uma delegacia. Segundo as adolescentes de 18 e 17 anos, os familiares das garotas mortas as agrediram. Elas contaram que também foram ameaçadas de morte.

 

Segundo as duas, a festa é comum e sempre acontece em sítios da região, com a presença de jovens, bebidas, drogas, orgia e prostituição. Inclusive, uma delas disse ter aceitado a quantia de R$ 300 para fazer um programa com um dos homens na festa.

 

Elas foram ouvidas e o caso segue em investigação na Delegacia de Homicídio de Betim. O depoimento das jovens fez com que a Polícia Civil chegasse a três homens. Além disso, o carro dos suspeitos do homicídio também foi apreendido.

 

Trechos de reportagem de Pedro Ferreira e Rafaela Mansur:

 

A tortura e o assassinato de duas adolescentes que participaram de uma orgia em um sítio no bairro Vianópolis, na última sexta (17), revelaram um esquema muito maior de prostituição envolvendo menores de idade e pessoas influentes. A Polícia Civil apresentou, na última terça (21), um dos detidos pelos homicídios e deu detalhes sobre o esquema.


Segundo o delegado Rodrigo Rodrigues, as festas eram regadas a bebidas e havia consumo excessivo de drogas. Cada edição das orgias contava com cerca de 15 homens e 15 meninas. Assim que chegavam, elas entravam na piscina apenas com a parte de baixo de biquini e esperavam ser escolhidas pelos clientes, que ficavam bem acomodados em mesas ao redor da água. Os eventos eram sempre feitos entre 16h e 23h30. “Os homens eram casados, e o horário tinha que ser compatível com o trabalho deles”.

 

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As meninas, que tinham entre 14 a 16 anos, eram aliciadas pelo casal Waldisley Quenupe de Souza, o Wal, e a mulher dele, identificada apenas como Andreia. Elas recebiam de R$ 150 a R$ 300 por programa. “Havia grupos permanentes e estáveis de participantes (clientes). As adolescentes tinham a liberdade de escolher os dias que queriam participar”, continua o Rodrigues.


A irmã de Saila, de 16 anos, uma das meninas mortas, conversou com a reportagem e contou que a menina enviou uma mensagem para um irmão pedindo ajuda antes do crime. “Ela não falou quem a ameaçava. Disse que os rapazes tinham colocado armas na cabeça delas e que queriam sexo, mas elas não queriam, e eles iriam matar todas. Só que, como ela tinha o costume de sair e voltar, a gente achou que os caras estavam fazendo gracinha. A gente retornou a ligação e deu desligado”, contou a irmã.
A preocupação aumentou quando ela viu nas redes sociais uma mensagem de uma das meninas que voltou para casa. “Ele postou: ‘socorro, eles vão matar a gente’”.

As festas movidas a bebidas alcoólicas, consumo de drogas e prostituição de menores, realizadas em sítios da região metropolitana e da região Central de Minas, eram “rateadas”. Os gastos com comida e bebida eram divididos entre os participantes, sobretudo políticos e pessoas poderosas, que combinavam o preço do programa com as adolescentes no local. “Eles faziam um rateio do churrasco, da bebida e dos gastos”, afirmou o delegado Rodrigo Rodrigues. “Agradando das meninas, eles conversavam com elas, combinavam o programa e pagavam o que cada adolescente estabelecia”, completou. Segundo as investigações, as menores recebiam de R$ 150 a R$ 300 por programa.


Em Betim, um dos participantes da festa, o comerciante Vicente Teodoro Azevedo, 45, conhecido como Nonô, confirmou em depoimento à Polícia Civil, ao qual a reportagem teve acesso, os rateios. Ele disse que as festas são “comemorações simples em que colegas são convidados para beber junto com mulheres” e que, se as adolescentes estavam no local, é porque “mentiram a idade”.


Nas proximidades do sítio, Nonô foi apontado por moradores como o responsável por levar as meninas para as festas. No entanto, segundo o delegado, Waldisley Quenupe de Souza era quem aliciava as adolescentes e fazia o transporte junto com a mulher dele, Andreia.

 

Entre os presos, na investigação das orgias, o ex-candidato ao governo de Minas Eduardo Ferreira de Souza, que concorreu ao cargo em 2014 pelo PSDC,e um tenente-coronel reformado, que teria pago R$ 300 para manter relações sexuais com uma das vítimas.

 

Eduardo Ferreira disputou o governo de Minas Gerai

 Eduardo Ferreira, candidato a governador pelo PSDC

 

 

 

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