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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

07
Out17

Três modos de censura na internet

Talis Andrade

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 Ilustração Alfredo Martirena 

 

 

 

O Governo Federal, o Congresso, a Justiça não possuem o poder de censurar totalmente a internet. Simples de explicar: o Brasil não tem a posse da tecnologia.  De poucos países essa soberania. Vou transcrever alguns textos, com os devidos cortes, que considero importante. O primeiro deles de Gilherme Rosa, in Galileu, que entrevista Ethan Zuckerman:

A batalha em torno da liberdade de expressão na internet está cada vez mais evidente. Censuram o conteúdo de sites, governos combatem ativistas pelo controle do que é dito na web. Mesmo em locais, onde os discursos políticos não são censurados, novas leis são propostas para controlar o que os cidadãos postam em redes sociais e blogs. [Quando estas redes e blogs já possuem meios de autocensura. No Brasil existem as censuras nacional e internacional. O poder do governo, da polícia, da justiça é restrito para os nativos. Exclusivamente]

Para entender exatamente o que se passa nessa disputa, a GALILEU entrevistou Ethan Zuckerman, especialista em liberdade de expressão na internet, fundador de grupos como o Geekcorps e Global Voices e diretor do Centro de Mídia Cívica do MIT. A seguir, ele explica como funciona a censura na internet:

 

O que exatamente aparece na tela de um computador quando uma pessoa tenta acessar um conteúdo censurado?

Depende. Normalmente, você vê uma página de bloqueio. Por exemplo [ existem países] que são muito honestos quanto a isso. Eles dizem: “este conteúdo está bloqueado, se você acha que cometemos um erro, pode apelar”. São transparentes quanto à censura. Mas alguns países simplesmente mentem quanto a isso, e mostram páginas de erro. (...) Disfarçam a censura e faz o usuário pensar que o navegador está com problemas. É como muitos governos gostariam que as pessoas se sentissem.

[ Você escreve certo, mas o texto aparece com erros, palavras incorretas, frases truncadas, o conhecido e antigo empastelamento dos jornais nas ditaduras, quando ocorria a mistura dos tipos. E de outros elementos da impressão durante as fases do processo editorial, como a composição ou montagem]

 

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Ilustração Farhad Foroutanian 

 

Como funciona a censura nesses países?

A internet é censurada de 3 modos. Primeiro, o bloqueio, o acesso a certos sites. Em segundo, há censura extensiva nas ferramentas que a maioria dos usuários têm acesso. O terceiro modo é encorajando a visão [do besterol] para dominar as conversas na internet, tornando mais difícil colocar opiniões.

Quando falamos em se livrar da censura, falamos de uma tarefa especializada. Então você pode pensar como se o país tivesse duas internets. Uma domestica controlada principalmente pela censura e outra internet internacional para quem domina a tecnologia.

 

Essas ferramentas para driblar a censura têm suas limitações?

O que essas ferramentas são boas em fazer é passar pelo primeiro tipo de censura. Você não pode acessar um tipo de conteúdo. Essas ferramentas são perfeitas para isso, mas muito lentas. Outro problema é que elas quebram algumas páginas [ ou omitem, ou selecionam partes do texto como estou a fazer com o escrito de Guilherme Rosa e a análise de Zuckerman].

O grande problema com essas ferramentas é que são muito pouco usadas. Fizemos um cálculo um ano e meio atrás e tentamos descobrir quantos usuários em países que censuram a internet as usam. Chegamos à estimativa de 3%, o que é menor do que esperávamos. Ficamos surpresos, mas parece que muitos chineses pensam: “Que chato não conseguir acessar o Twitter, mas todos os meus amigos estão no Weibo. Então é com isso que me importo”. Isso é mais comum do que pensamos.

 

Esses governos teriam como saber quem tenta acessar algum site proibido?

Não seria muito difícil para eles saberem quem quer acessar esses conteúdos, mas não temos visto esses governos perseguindo esse tipo de usuário. Eles seguem os agitadores e ativistas, não os cidadãos comuns que buscam informação. Essa não a principal ameaça para eles. Há muitas histórias de governos prendendo gente por postar coisas na internet.

 

Então o governo, além de proibir o acesso a certos sites pode partir para uma censura mais... física, prendendo seus cidadãos?

Nós já discutimos 3 formas de censura. Existem mais duas formas importantes. Uma é intimidando as pessoas, fazendo elas sentirem medo de criar conteúdos e de escrever online. Outra forma é fazendo ataques contra sites que te incomodam.

 

Alguns países usam só um desses modos?

Claro. Por exemplo, países são bons em alguns tipos de censura, mas não se envolvem com outros. Quando muito raramente bloqueiam o acesso a conteúdos. Mas eles intimidam pessoas, principalmente jornalistas. Eles promovem vozes pró-governo e fazem ataques de negação de serviço a algumas páginas. É interessante que eles não sintam necessidade de usar a censura de modo tradicional, uma vez que as outras ferramentas são tão eficientes.

[Quem já não sofreu censura na internet? No momento estou suspenso do Facebook. Um juiz acaba de condenar um famoso jornalista por macular a imagem de Eduardo Cunha, político condenador e supostamente preso]. O Brasil é campeão em censura judicial, mata mais jornalistas que o México. Quantos jornalistas estão com morte anunciada? (Continua) 

 

 

 

 

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