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O CORRESPONDENTE

O CORRESPONDENTE

10
Out17

O beijo de Judas, a entrega da base espacial de Alcântara no Maranhão

Talis Andrade

 

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 Brasil investiu invisíveis bilhões em Alcântara, base secreta para os brasileiros e aberta para os piratas que não mais precisam espionar

 

 

 

 

 

por Fernando Rosa

 

 

Nos próximos dias, Temer deverá entregar as chaves da base espacial de Alcântara, no Maranhão, para os patrocinadores do golpe de Estado no país. O acordo envolvendo a base, dizem, já está acertado com os Estados Unidos, nas condições deles, consolidando um vergonhoso gesto de traição aos interesses nacionais. Nos anos noventa, com Fernando Henrique Cardoso, um acordo barrado no Congresso Nacional chegava ao extremo de impedir o acesso de brasileiros às dependências da base.

Em novembro, depois de privatizar o “espaço sideral” nacional, e comprometendo ainda mais a Defesa Nacional, o governo patrocinará exercícios militares com participação dos EUA na Amazônia. Com explícito interesse nesse tema, depois de quase um ano sem dar bola para os golpistas, Trump recebeu Temer e os presidentes da Colômbia e do Peru, em jantar na Casa Branca. Não por acaso, os dois países vizinhos participam das manobras conjuntas na região amazônica.

Sob o disfarce de “exercícios humanitários”, os EUA avançam no plano de implantação de bases militares na Amazônia, assim como já fez no Peru. Mais do que mirar na Venezuela e suas reservas de petróleo, a ação aposta em ocupar militarmente o Brasil e a América do Sul, comprometendo a soberania dos países sobre a região. À medida, soma-se ao corte de verbas orçamentárias que reduziu à metade o efetivo do Exército Nacional nas fronteiras do país.

Em artigo recente, o ex-chanceler Celso Amorim questionou o objetivo das manobras militares e o que elas implicarão na prática. “A presença de forças extrarregionais, entendidas como não sul-americanas, em exercícios militares sempre foi vista com bem fundamentada cautela, se não mesmo desconfiança, por nossas Forças Armadas”, disse ele. Amorim lembra ainda que “o Brasil, em diversos governos, sempre foi muito prudente nesse particular”.

A cautela, no entanto, parece ter sido abandonada pelo general Sérgio Etchegoyen, rendido à ultrapassada tese do falido mundo unipolar sob comando dos EUA. Nos anos setenta, defendendo a abertura de relações com a China, o então presidente General Ernesto Geisel já questionava a ideia da submissão unilateral aos norte-americanos. Em resposta aos militares da linha-dura, Geisel respondeu perguntando se pretendiam tornar o Brasil uma colônia dos Estados Unidos.

Ao contrário das pretensões golpistas, o Brasil precisa afirmar-se com soberania para cumprir com sua vocação de grande potência, como definiu o general Villas Bôas. Isso não se faz comprometendo o território nacional, as nossas fronteiras ou entregando o patrimônio público, como defendeu Pedro Parente sugerindo que a privatização da Petrobras seria um “beijo no mercado”. Independente das vontades e dos interesses particulares de plantão, os brasileiros se levantarão em defesa da soberania, do Estado Nacional e do futuro do país.

 

12
Ago17

Pedido de intervenção militar dos Estados Unidos no Brasil vale para a Venezuela

Talis Andrade

Os traidores da Pátria, na campanha para derrubar Dilma Rousseff da presidência, pediram uma intervenção militar dos Estados Unidos no Brasil. 

 

Tudo começou com o grito de Dilma "vá tomar no cu" em um camarote do estádio da Copa do Mundo, reunindo os candidatos a presidente João Doria, Luciano Huck e a herdeira do Banco Itaú Maria Alice Setubal, a Neca, patrocinadora de Marina Silva. 

 

A campanha de ódio, tendo como apoio as operações do judiciário Mensalão e Lava Jato, era liderada nas ruas pelos direitistas do Congresso Nacional, as bancadas da bala (Bolsonaro, pai e filhos deputados), do boi (senador Ronaldo "Sepulcro" Caiado) e da bíblia (presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, senador Crivella e outros pastores), os candidatos derrotados a presidente Aécio Neves e vice Aloysio Nunes. Além dos deputados e senadores comprados por Michel Temer. Relembre aqui

 

Com o entreguismo gratuito do Brasil por Temer e o dupla nacionalidade Henrique Meireles, o mesmo pedido de intervenção militar, de vassalagem e dependência, tem agora a Venezuela como alvo. 

 

Uso do mesmo slogan internacional de guerra dos EUA comprova o engajamento da imprensa brasileira hoje:

 

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07
Ago17

O grito dos franciscanos: nem um direito a menos!

Talis Andrade



Dirão que é comunismo, mas é o Papa Francisco!

 

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Franciscanos e franciscana no Capítulo Nacional das Esteiras, em Aparecida

 

 

 

Um encontro histórico dos franciscanos e franciscanas de todo o Brasil proclamou em carta aprovada por unanimidade neste domingo (6) a adesão incondicional ao papado de Francisco e definiu como missão: “participar da reconstrução da Igreja com o Papa Francisco e reconstruir o Brasil em ruínas”. Trata-se de uma citação de um dos momentos mais conhecidos e cruciais da trajetória de São Francisco que, em 1205, na abandonada igreja de São Damião, em Assis, ao contemplar um crucifixo ouviu o que lhe parece uma mensagem direta: “Não vês como está a minha Igreja? Está em ruínas. Vai, e reconstrói a minha Igreja”. O mantra do encontro, repetido por quase todos os palestrantes e nas homilias durante as missas foi: voltar a Assis –retomar o espírito original de São Francisco.

 

Mais de mil franciscanos e franciscanas estiveram presentes à Conferência da Família Franciscana do Brasil, que se reuniu desde a quinta-feira (3) em Aparecida (SP). O “sabor de Francisco” convergiu com o reencontro dos parâmetros fundamentais da Teologia da Libertação latino-americana e, em sua carta, os franciscanos afirmaram em espírito de oração: “’Óh Mãe preta, óh Mariama, Claro que dirão, Mariama, que é política, que é subversão, que é comunismo. É Evangelho de Cristo, Mariama!’, ainda assim, invocamos suas bênçãos sobre toda a nossa família e sobre um Brasil sedento de Paz – fruto da justiça, do bem e da Misericórdia de Deus” –leia a íntegra da Carta de Aparecida.

 

Um dos trechos da carta é todo vazado a partir da melhor tradição da teologia latino-americana, severamente reprimida durante os 35 anos da restauração conservadora sob João Paulo II e Bento XVI: “A realidade ecológica e sócio-política-econômica do nosso país nos exige compromisso profético de denúncia e anúncio. Assistimos, tomados de ira sagrada, à violação dos direitos conquistados, através de muitos esforços, empenhos e articulação pelo povo brasileiro. Por isso, não podemos deixar de nos empenhar junto aos movimentos sociais na luta ‘por nenhum direito a menos’, contra golpes, reformas retrógadas e abusivas conduzidas por um governo ilegítimo, um parlamento divorciado dos interesses da população e uma justiça que tem se revelado fora dos parâmetros da equidade que no lugar de fortalecer o papel do Estado para atender às necessidade e os direitos do mais fragilizados, favorece os interesses do grande capital”.

 

Foram quatro dias marcados pela emoção e o compromisso, com representantes dos mais de 20 mil religiosos da Primeira Ordem (Frades Menores, Frades Menores Capuchinhos, Frades Menores Conventuais), da Segunda Ordem (Irmãs Clarissas), da Ordem Franciscana Secular (leigos), da Juventude Franciscana (leigos), da Terceira Ordem Regular (TOR), das Congregações e Movimentos simpatizantes de Francisco e Clara de Assis presentes no Brasil -se você quiser ler uma cobertura detalhada do encontro pode clica no site da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil (aqui).

 

O encontro teve o título de Capítulo Nacional das Esteiras, símbolo da simplicidade, pobreza e disponibilidade franciscana. O espírito de retomada esteve patente, conforme assinalou a carta: “As partilhas realizadas nesses dias nos levam a afirmar: vivemos um verdadeiro Pentecostes. Neste sentido, o Capítulo nos chamou a um revigoramento do Carisma e nos levou a fazer memória da herança, da inspiração originária que deu início ao movimento franciscano. A experiência das esteiras nos leva a retomar nossa vocação enquanto peregrinos e forasteiros.”

 

Franciscanos e franciscanas conclamaram à construção de “um novo horizonte utópico” fundado nas bases históricas do país “marcadas pelo sangue dos pobres e pequenos, indígenas, mulheres e jovens negros, por um extrativismo desmedido e destruidor, por uma economia que exclui a maioria, por destruição de povos, culturas e da natureza.”

 

Um dos centros da reflexão do encontro foi a Laudato si – sobre o cuidado da casa comum, encíclica de Francisco sobre o planeta, que se abre exatamente com uma oração de São Francisco: “’LAUDATO SI’, mi’ Signore – Louvado sejas, meu Senhor’, cantava São Francisco de Assis. Neste gracioso cântico, recordava-nos que a nossa casa comum se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus braços: ‘Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos com flores coloridas e verduras’” – a íntegra da encíclica aqui.
[Mauro Lopes]

 

01
Ago17

Venezuela: o ouro em tempos de guerra. E a paz nas encantadas minas gerais do imenso e pobre Brasil

Talis Andrade

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Mina de ouro na Venezuela 

 

 

Venezuela é o país com maiores reservas de ouro na América Latina, ao redor de 3.500 toneladas.

 

Desde 2008 o ouro é propriedade exclusiva do Estado. Antes - como acontece no Brasil - a exploração estava principalmente nas mãos de empresas estrangeiras e da mineria artesanal. A partir desse ano o Estado tomou formalmente o controle.

 

No Brasil o ouro é encantado. Acontece o mesmo com as minas de diamantes. 

 

A última notícia que se tem é da década de 1980, de uma Serra Pelada, no Pará, e todo o ouro transportado de avião para o Uruguai. Trinta toneladas. Foi o maior garimpo a céu aberto do mundo. 

 

Também existe o tráfico de diamantes. Para investigar foi criada a Operação Lava Jato. Permanecem desconhecidos os obscuros motivos que levaram a República do Paraná a mudar a devassa, a averiguação, para se fixar na Petrobras, na esquadrinhadora de Lula e na bancarrota das principais construtoras nacionais. 

 

A pirataria internacional que diga caixinha, obrigado!

 

Leia mais sobre o ouro da Venezuela, cobiçado pelos inimigos internacionais do nacionalismo de Maduro aqui. Tudo sobre o tráfico de diamantes aqui. O encantado ouro do Brasil aqui

 

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01
Ago17

A exibição internacional da mesma foto de propaganda contra a votação da Constituinte da Venezuela por voto direto

Talis Andrade

Os jornais dos Estados Unidos praticamente desconheceram a votação para eleger uma Assembleia Constituinte na Venezuela, que teve o comparecimento de 8.089.320 de pessoas, apesar do boicote violento da oposição direitista e nazista.

 

"É a maior votação que a Revolução Bolivariana conseguiu em toda a história eleitoral em 18 anos", comemorou Maduro diante de centenas de seguidores que celebravam na praça Bolívar, no centro da capital Caracas. 

 

BRASIL DE TEMER SEGUE O GOVERNO DE TRUMP

 

Obediente à política dos Estados Unidos, o governo brasileiro do golpista Michel Temer não reconhece o resultado da votação para a Assembleia Constituinte na Venezuela. 

 

Recorde que na campanha para derrubar Dilma Rousseff, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (PSDB-MG), tratou sua ida à Venezuela como uma missão política e diplomática, para fazer “aquilo que o governo brasileiro deveria ter feito há muito tempo”. Esta foi a mensagem divulgada por ele em um vídeo publicado em sua página no Facebook pouco antes da viagem.



Aécio viajou acompanhado dos senadores Aloysio Nunes (PSDB-SP), Cassio Cunha Lima (PSDB-PB), José Agripino (DEM-RN), Ronaldo Caiado (DEM-GO), Ricardo Ferraço (PMDB-ES), José Medeiros (PPS-MT) e Sérgio Petecão (PSD-AC). Aloysio Nunes, atual ministro do Exterior de Temer, chanceler brasileiro, declarou: "Nós condenamos a maneira como foi organizada a eleição, e apelamos que seja destituída a 
Comissão da Verdade da Justiça e do Castigo, que vai aumentar o número de presos políticos, e parlamentares da oposição podem perder a imunidade". Isto é, Aloysio pede anistia para os autores de assassinatos políticos no dia da eleição, para amedrontar e evitar o comparecimento do povo às urnas.

 

 

“Estamos aqui no Legacy da FAB (…) embarcando para a Venezuela numa missão política e talvez também diplomática, fazendo aquilo que o governo brasileiro deveria ter feito há muito tempo, defendendo as liberdades da democracia, libertação dos presos políticos e eleições livres na Venezuela”, proclamou Aécio em uma viagem repudiada pelo povo venezuelano 

 

Eleições livres aconteceram nesta domingo, na Venezuela, pela Constituinte, que elegeu os representantes do povo em geral, e não apenas os três estados da França antes da Revolução: A nobreza (tradicionais famílias), o clero (pastores evangélicos), a miliitar (bancada da bala).

 

Após vitória expressiva do chavismo na votação do último domingo (30), os Estado Unidos responderam com mais sanções: dessa vez, o presidente democraticamente eleito Nicolás Maduro Moros foi colocado na lista de cidadãos venezuelanos sancionados pelo Departamento do Tesouro norte-americano.

 

“Como um resultado das ações de hoje, pessoas dos Estados Unidos estão proibidas de se relacionar com ele”, consta no texto da sanção.

 

Sanções individuais têm sido a nova modalidade de represália empregada pelo governo dos Estados Unidos contra governos que contrariem seus interesses. E isso só tem sido possível porque o país se encontra, desde as sanções aplicadas por Obama em 2015, classificando a Venezuela como uma “ameaça não-usual e extraordinária à segurança nacional” dos Estados Unidos.

 

Para impedir que o povo votasse, o governo norte-americano também ameaçou sancionar qualquer cidadão venezuelano que participasse da Constituinte.

 

Na quarta-feira passada, a quatro dias da eleição para a Constituinte, os Estados Unidos já haviam anunciado sanções a 13 funcionários do alto escalão do governo venezuelano.

 

A imprensa vassala e vendida faz a propaganda contra o voto direto nas urnas 

 

ESPANHA

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 ARGENTINA

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COLÔMBIA

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  BRASIL

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24
Jul17

O tráfico e o filho da desembargadora: por que só os pobres ficam na cadeia?

Talis Andrade

Breno-filho-da-desembargadora-ostentação-numa-viBreno, filho da desembargadora: ostentação e uma vida marcada pela suspeita de crime pesado

 

por Joaquim de Carvalho

 

 

O levantamento mais recente sobre o perfil dos presos no Brasil revelou que um terço está relacionado ao tráfico de drogas. O número de presos por esse tipo de crime aumentou quase 340% desde 2006, quando uma nova lei, mais rigorosa com o tráfico, entrou em vigor.

 

Ao mesmo tempo em que pessoas sem nenhuma passagem anterior pela polícia ocupam os presídios, surgem casos de impunidade, sempre relacionados a pessoas bem posicionadas na sociedade.

 

No início do ano, o Superior Tribunal de Justiça confirmou a condenação a quatro anos e 11 meses de prisão de um homem preso em flagrante por entregar a outro um cigarro com 0,02 grama de maconha.

 

Já a Justiça Federal do Espírito Santo ainda não julgou os quatro homens apanhados tentando desembarcar 445 quilos de cocaína de alta pureza, há quase quatro anos.

 

O que havia de diferente nos dois casos, além da brutal diferença de quantidade de droga apreendida?

 

O homem condenado a quatro anos e onze meses de prisão já se encontrava preso na Cadeia Pública de Cataguases, Minas Gerais, quando um policial civil o viu entregar a outro detento um pacotinho com a maconha, tão pequeno que era difícil enxergar de longe. Seria um pouco mais grosso que um palito de fósforo.

 

Já os 445 quilos de pasta base de cocaína foram apreendidos por uma força tarefa que uniu policiais federais e policiais militares do Espírito Santo e estavam sendo descarregados do helicóptero da família do senador Zezé Perrella, também de Minas Gerais.

 

A quantidade de drogas era tanta que encheu o porta-malas do Volkswagen Polo que aguardava no interior de uma fazenda pela chegada da droga, embarcada no Paraguai.

 

O helicóptero foi devolvido à família do senador, apesar da legislação prever o confisco de bens usados no tráfico. Os pilotos foram soltos seis meses depois do flagrante, assim como dois ajudantes. Já o presidiário de Cataguases vai passar mais alguns anos trancado na cadeia.

 

Agora, do Mato Grosso do Sul, vem a notícia de que o filho da presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul, a desembargadora Tânia Garcia de Freitas Borges, foi solto, apesar das provas que existem do envolvimento dele com o tráfico de drogas.

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Tânia, desembargadora e agora tutora de um acusado de narcotráfico e ligações com o crime organizado.

 

Breno Fernando Solon Borges, de 37 anos foi preso pela Polícia Rodoviária Federal em abril deste ano, com 130 quilos de maconha, 199 projéteis calibre 7.62 e 71 projéteis de pistola 9 milímetros, munição para armas de uso restrito das Forças Armadas.

 

O empresário é dono de metalúrgicas e serralherias em Campo Grande e outros estados, como Paraná e Santa Catarina, e foi preso pela Polícia Rodoviária Federal quando viajava com a namorada e um funcionário dele, em dois carros.

 

Interrogado, o filho da desembargadora não revelou a origem do armamento e das drogas e nem dos supostos compradores. Já tinha passagem pela polícia, por porte ilegal de arma, e era investigado sob a suspeita de participar de um esquema de tráfico de drogas e armas para traficantes do interior de São Paulo, utilizando como fachada a participação em corridas de motos.

 

O nome de Breno também apareceu numa investigação que apurava um plano para resgatar presos.

 

Nas redes sociais, ostentava uma vida de luxo.

 

Para ser liberado, seus advogados apresentaram um laudo médico que atribui a ele Síndrome de Borderline”, doença “consiste basicamente no desvio dos padrões de comportamento do indivíduo, manifestado através de alterações de cognição, de afetividade, de funcionamento interpessoal e controle de impulsos.”

 

O site Campo Grande News cobriu o caso e informou que, em uma das tentativas de libertar Breno, com o laudo em mãos, a mãe, presidente do TRE, se ofereceu como tutora para o filho ser internado em uma clínica médica. O juiz de primeira instância negou, dada a gravidade da acusação.

 

Na sexta-feira passada, o desembargador Ruy Celso Barbosa Florence tomou uma decisão diferente: liberou Breno da prisão. O compromisso assumido pela defesa é que ele se submeterá a tratamento psiquiátrico adequado, sob a tutela e responsabilidade da mãe, que se comprometeu a levá-lo a todas as audiências do processo.

 

Enquanto isso, as cadeias em todo o Brasil enfrentam o problema da superlotação por conta da chegada de novas levas de acusados de tráfico. Casos como o do presidiário condenado por conta de 0,02 gramas de maconha. Muitos dos presos são mulheres e negros, quase todos são pobres.

 

 

21
Jul17

Vinícius de Moraes hoje

Talis Andrade

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por Urariano Mota

 

Para estes dias de novo golpe no Brasil, vale a pena esta evocação e invocação de Vinícius de Moraes.

 

O crítico literário José Castello, numa entrevista, contou certa vez que o poeta maior Vinicius de Moraes apresentava um show em Lisboa em 13 de dezembro de 1968. Esse foi o dia em que os militares do Brasil acabavam de dar um golpe dentro do golpe com o Ato Institucional número 5. E o que lhe acontece? À saída do teatro, militantes da Juventude Salazarista, todos vestidos de terno e gravata, ficaram esperando a saída do poeta para hostilizá-lo. Eles relacionavam Vinicius à esquerda e ao comunismo. Mas o poeta não se deixou intimidar, e contrariando a orientação recebida, que evitasse o enfrentamento, eis que o poeta encarou os manifestantes recitando de improviso todo o seu poema Pátria Minha. Que vale a pena retomar:

 

Pátria minha

 

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

 

Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

 

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!

 

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

 

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

 

Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...

 

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!

 

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

 

Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

 

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito:
‘Liberta que serás também’
E repito!

 

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

 

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.

 

Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
‘Pátria minha, saudades de quem te ama...

Vinicius de Moraes’ "

 

Segundo José Castello, então se deu uma cena incrível: os jovens salazaristas tiraram seus casacos e fizeram um tapete para que o poeta passasse.

 

A isso ligo o Vinícius no Portugal salazarista a estes pesados dias no Brasil. Antes como agora, o nos salva é a literatura. Assim, copio a seguir uma referência ao poeta em um trecho do meu próximo romance “A mais longa duração da juventude”. No livro, o personagem Zacarelli, quando está numa praia diante da jovem por quem está apaixonado, deste modo se declara a ela nos anos da ditadura:

 

“- Quem fala bem sobre o amor, fala bem da revolução. É claro, mesmo que não queira, todo poeta é comunista. Mas quando expressa bem o amor, ele é um revolucionário em essência. Vinícius de Moraes tem uma composição que é sublime. Aquela que fala ‘ó minha amada de olhos ateus, teus olhos são cais noturnos cheios de adeus”. Todo grande poeta socialista assinaria’.

 

Creio que o Vinícius em Lisboa concordaria.

 

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21
Jul17

Réquiem para um homem simples, brasileiro

Talis Andrade

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por Márcia Sanchez Luz

 

Não dá pra não chorar por quem partiu
e que passou por nós deixando amor
em gestos simples como aguar a flor
e dar-se inteiro, mesmo que febril.

 

Não dá pra não chorar homem gentil,
que mesmo fraco, retorcendo em dor,
tirava forças e perdia a cor
para seu mal fingir que era sutil.

 

Sua viagem hoje começou,
eu sei. E sei também que a dor findou,
que não mais pesa a sua grande cruz.

 

Entre as estrelas ele agora brilha,
e no infinito, eis que a sua trilha
é, finalmente, de alegria e luz!

 

10
Jul17

BRAZIL Apagaram o candeeiro, derramaram o gás

Talis Andrade

por José Adalberto Ribeiro

 

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MONTANHAS DA JAQUEIRA – Luzes na ribalta! Sombras na ribalta! Tempestades na ribalta! O sapo está de molho. A pergunta agora é se Michel dança ou não dança ao som do bolero de Janot e de Joesley. Ele dançava o foxtrot, o passo da raposa, enquanto alisava as tranças de Marcela, a bela. O batidão agora é punk, é da pesada. Michelzão guenta ou não guenta o rojão. Michel era um bom samaritano. Foi provado e aprovado em primeira instância e segunda instância na dinastia escarlate. Subitamente, não mais que subitamente, virou fariseu e refém do açougueiro. O cara era teéudo e manteúdo da camarilha escarlate.

 

O açougueiro orienta o plano de voo na torre de comando. Não existe mais céu azul de brigadeiro. Existe céu furta-cor de bandoleiro. Roubaram até o azul do nosso céu. O açougueiro é o rei do gado, o rei dos ares, o rei do BNDES, o vice-rei do Brazil. As bovinas e os bovinos do açougueiro possuem tetas, chifres, ovários e ovos de ouro. Eles mugem e tugem de modo politicamente correto à moda do chefe.

 

Os argonautas traçam um horizonte artificial para definir o plano de voo. Planejam os ângulos do plano real e do plano imaginário. Navegamos num plano surreal. O plano imaginário é imponderável. O piloto surtou. As moças, os moços e aeromoçam perderam o cinto de castidade.O Brazil hoje é um jardim de aflições, de tempestades e de vulcões, sem esquecer o jardim das corrupções e das perdições.

 

Falar nisso, os subintelectuais escarlates boicotaram o filme “Jardim das Aflições”, sobre vida e obra do admirável pensador Olavo de Carvalho. Eu ainda não vi o filme, mas adorei. Tempos recentes assisti e detestei o filmezinho medíocre e politicamente correto do cineastazinho K, caboclo mamador da Lei Rouanet. Olavo de Carvalho dá uma surra de erudição em todos esses microcéfalos vermelhos. A esquerda parasitária brasileira cultiva o obscurantismo cultural.

 

Bons tempos em que um Maluf era o modelito de corrupção auriverde. Dizem que roubou uma avenida inteirinha em São Paulo e depositou num paraíso fiscal, um Seicheles, Shangrilá, assim como existem os paraísos comunistas. Era uma corrupção artesanal, de anzol, hoje é high tech.


Imaginem hoje a construção de uma ponte Rio-Niterói, com 13,29 quilômetros, nas mãos da camarilha escarlate. Os bandoleiros sentem vertigens só de imaginar essas quilometragens superfaturadas. Maus tempos da ditabranda semimilitar e semicivil! Os opositores eram tratados no pau, ou no pau-de-arara ou difamados. O ex-ministro Delfim Neto, gordo sinistro, eram chamado de gay. Naquele tempo ser gay era pecado, hoje tá moda politicamente correta. O gordo sinistro sobreviveu à ditabranda, aos regimes democratas, semidemocratas, hoje é conselheiro dos vermelhos e infravermelhos.

 

Apagaram o candeeiro, derramaram o gás. O Brazil navega na escuridão, sem faroleiro, sem lampiões de gás e sem cintos de castidade. Volare, Brazil! Voa Brazil, na rota do imponderável.

Profeta Adalbertovsky

 

joseadalbertoribeiro@gmail.com

 

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